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sábado, 9 de novembro de 2024

CARTAS, SEMPRE CARTAS...

 


Pois é...

A frustração tem me acompanhado constantemente nos últimos tempos. Por mais que eu busque formação, faça encontros diferentes, nada, nada mesmo parece que tira os adolescentes da inércia. O pior é que as famílias e a comunidade não acham importante uma educação continuada na fé. O coordenador e o pároco já me disseram que é besteira um Grupo de Perseverança. 

O próprio coordenador ligou para os jovens que vão  fazer 14 anos e transferiu-os para um grupo de crisma em andamento, sem me avisar, por que acabaram de receber a Primeira Eucaristia e o outro grupo tinha poucos jovens para crismar. De nada adiantou eu dizer que eles não tinham fé madura o suficiente para confirmá-la. Mas o que importa são números. Fazer o quê? Os adolescentes que ficaram, foram sumindo do grupo, no último encontro, apenas um apareceu. Uma grande tristeza me abateu. 

Fico me perguntando se o problema está em mim, no meu jeito de lidar com eles, ou essa apatia nos adolescentes faz parte da sociedade atual, nas cidades grandes. Ou será que mesmo sem querer transmito para eles minha desesperança com a administração da minha paróquia? 

Sinceramente, estou a ponto de desistir. Me sinto remando contra a maré. Todas as formações que eu participo, eu que pago; todos os livros de estudo que tenho, manuais, mapas, xérox, lembrancinhas, festinhas, tudo eu que banco. E no final, me dizem que um grupo de Perseverança não é importante, os pais não ligam se os filhos não participam, quando eles mesmos nem vão à missa, tudo que a gente fala, entra num ouvido e sai pelo outro, como disse um jovenzinho uma vez: “para ocupar a cabeça com outras coisas”. E agora, que rumo tomar? 

Gislaine – Goiânia GO

Catequista de Perseverança


*Quem quer escrever para a Gislaine?

domingo, 3 de novembro de 2024

ESSA É PRA AQUECER NOSSO CORAÇÃO!

 


Olá

Já tinha me sentido triste quando li o seu e-mail Andréia, e esse agora da Angela, me fez ficar mais triste ainda. Nossos adolescentes estão sozinhos, abandonados, ninguém quer gastar tempo com eles, a maioria dos catequistas não quer estar com eles, pois eles dão trabalho, eles questionam, eles exigem, eles impõem, não querem nossos conceitos, não querem se enquadrar em nossos moldes, não querem essas coisas pré-montadas que queremos que eles aceitem....

O que eles querem? Serem aceitos, serem ouvidos, serem valorizados, e principalmente serem amados!!! Meus catequizandos, meus sim, porque eu os conquistei, eu os cativei, eu dedico muito do meu tempo a eles, por eles me formo, por eles me dedico, me entrego. A catequese que fazemos (eu e eles)  é para que  sejamos cristãos no mundo e não dentro  apenas da Igreja. Deus está ali no meio de nós, se revelando em cada pequeno gesto nosso. 

Isso dá trabalho para acontecer? Dá... São noites mal dormidas, são perguntas exigindo respostas, é uma busca sem fim....é olhar para Deus e dizer:  e agora Senhor o que faço? É calar para o Espírito Santo agir. Mas tudo compensa com a alegria da presença deles constante nos encontros, com a ânsia que tem em saber como construir um mundo diferente, como fazer para lidar com o mundo, sem se matar, sem se mutilar, sem se contaminar, com pais ausentes, sem paciência, sem jeito pra lidar com eles, como farão para escapar das drogas, das bebidas, do sexo fácil..... 

Esse são os adolescentes que chegam até nós, lidar com eles, com certeza não tem receita pronta em livros, mas tem no escutar, dar as mãos, parar, questionar, responder perguntas, estar aberto para acolhê-los. Por isso minha querida Andréia e Angela, tentem olhá-los de outro jeito, ir além das aparências, os das frases feitas que eles falam, do seu aparente desinteresse, primeiro temos que conquistá-los, depois fica tão mais fácil falar de amor, falar de Deus. 

Andréia, comece tudo de novo com eles, não faça contagem regressiva para o final do ano, aproveite esse tempo que lhe resta para amar e ser amada, para revelar Deus e seu amor. Ângela, se Deus quiser você  vai tirar esse amargo que ficou dessa experiência. Quanto ao resultado minha querida Angela, o Espírito sopra onde quer, só trago em mim a certeza de que não estou jogando pérolas aos porcos. Quanto aos "meus" catequizandos, pode até ser que saiam da Igreja, e se assim for, é porque a Igreja não estava preparada para recebê-los. E eu vivo essa realidade dentro da minha casa com meus filhos, e pra mim não é o fim do mundo e nem penso que eu ou as catequistas deles jogamos  pérolas fora, não me soa bem dizer que na catequese muitas vezes "jogamos pérolas aos porcos".  

Acredito que semeamos, e que  as sementes estão brotando aqui e acolá, quem sabe um dia brotam na igreja... Quanto a catequese ser para adultos ou não, penso também que a catequese tem espaço pra todo mundo: pra crianças, pra adolescentes, pra jovens, pra adultos,  pra terceira idade, basta que nós, enquanto igreja, aceitemos dar um passo de cada vez e aceitemos florescer onde Deus nos colocar. Escrevi com o coração e no ardor da emoção, não vou reler esse e-mail pra não tirar o sentimento que me causou os e-mails, por isso espero de coração que minha resposta seja compreendida, acolhida, refletida até, mas não julgada. 

Rosangela – Londrina PR

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

OBA! CHEGOU UMA CARTA!


 
Queridas amigas,

Estou vivendo uma crise com relação a Catequese, este ano pela primeira vez estou com a turma da Crisma, aqui são dois anos, 1ª e 2ª fase, estou com a primeira fase. Conforme sempre ocorre por aqui, ano que vem continuarei com esta turma.

Acontece que estou... desesperada! Tentei achar outra palavra, mas não consegui. Estou tendo muita dificuldade em trabalhar com os adolescentes, estive contando os sábados para terminar o ano. Cheguei até a desejar que eles faltassem, mas não acontece frequentemente. Parece que eles vêm buscar algo que não estou oferecendo. 

Sinto que neste ano não tenho condições de continuar com essa turma, mas não consigo partilhar isso com ninguém, nem do grupo de catequese, nem com amigos. Está me fazendo muito mal essa situação. E está dando resultados negativos até em meu casamento, ando muito triste, angustiada, tenho vergonha do que eu estou sentindo, por isso não falo nem para meu marido. 

Estou me sentindo fracassada, me esforço, preparo os encontros. Algumas vezes só conversamos sobre fatos da vida deles, eles querem conversar, contar as coisas, dar risadas e eu não estou sabendo conduzir isso. Algumas coisas que falo sobre o conteúdo que preparo, sinto que eles nem ouvem, na maioria das vezes saio vazia do encontro. 

De coração, eu estou tentando tudo, me dedico, procuro a família, faço o que posso e um pouco mais. Mas, tem hora que dá vontade de desistir. Para “o que”, nós Catequistas nos preparamos e buscamos nos formar, no momento não está interessando a eles. Infelizmente nem para o necessário temos formação suficiente, imagine para trabalhar conflitos familiares, drogas, alcoolismo, sexualidade prematura, etc. E o que é pior: estamos sozinhos! Somos contra o mundo e tudo o que eles veem e vivem em seu dia a dia. De catorze catequizandos que tenho, oito são de pais separados. Então como falar de família? De vivência de Sacramentos, missa? 

A realidade de minha comunidade é a Catequese sacramentalista, isolada da vida, "Pego meu diplominha e sou cristão, quando eu for (se eu for) me casar eu volto para a Igreja". Por aqui sinto que os Catequistas e a Coordenação se esforçam, mas é a realidade do mundo atual que mudou muito mesmo. E não estamos sabendo atualizar a Catequese da mesma forma, como já li: Cristo é o mesmo o que mudou é a forma de anunciar. 

Quanto mais coisas vejo na internet, mais desanimada fico. Chega muito pouco por aqui.  Será que essa é uma realidade só minha? 

Andreia – Catequista de Crisma.


* Acompanhem as próximas postagenn...