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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A SEMENTE DA NOVA COMUNIDADE - (João 1, 35-51)

Imagem: Cebi.org.br

Como sempre, os Biblistas do CEBI, nos trazem um excelente estudo sobre o Evangelho deste 2º Domingo do tempo Comum - Ano B.

“Aleluia, aleluia, aleluia.
Encontramos o Messias, Jesus Cristo, de graça e verdade ele é pleno; de sua imensa riqueza graças, sem fim, recebemos” (Jo 1,41.17).

1. SITUANDO

Os evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas apresentam o chamado dos primeiros discípulos de maneira muito mais resumida: Jesus passa na praia, chama Pedro e André. Logo depois, chama Tiago e João (Marcos 1,16-20). O Evangelho de João tem outro jeito de descrever o início da primeira comunidade que se formou ao redor de Jesus. Ele traz histórias bem mais concretas. O que chama a atenção é a variedade dos chamados e dos encontros das pessoas entre si e com Jesus. Deste modo, João ensina como se deve fazer para iniciar uma comunidade. É através de contatos e convites pessoais, até hoje!

O Quarto Evangelho é uma catequese muito bem feita. Ele não só mostra como se formou a primeira comunidade, mas também, através dos vários títulos de Jesus, descreve a fé desta comunidade, que é modelo para todas as outras comunidades. Assim, ao longo dos seus 21 capítulos, ele vai revelando quem é Jesus. Os títulos, que vão aparecendo durante os encontros e as conversas das pessoas com Jesus, fazem parte desta catequese. Eles ajudam os leitores e as leitoras a descobrirem como e onde Jesus se revela nos encontros do dia-a-dia da vida.

2. COMENTANDO

João 1,35-36 – O testemunho de João Batista a respeito de Jesus

João Batista tinha sido executado por Herodes em torno do ano de 30. Mas até o fim do século I, época em que foi escrito o Quarto Evangelho, a liderança dele continuava muito forte entre os judeus. Por isso, era importante o testemunho de João Batista chamando Jesus de “Cordeiro de Deus”. Este título evocava a memória do êxodo. Na noite da primeira Páscoa, o sangue do Cordeiro Pascal, passado nas portas das casas, tinha sido sinal de libertação para o povo (Êxodo 12,13-14). Para os primeiros, cristãos Jesus é o novo Cordeiro Pascal que liberta o seu povo (1 Coríntios 5,7; 1 Pedro 1,19; Apocalipse 5,6.9).

João 1,37-39 – Dois discípulos de João seguem Jesus

Dois discípulos de João Batista, animados pelo próprio João, foram em busca de Jesus. Jesus responde: “Venham e vejam!” É convivendo com Jesus que eles mesmos devem poder verificar e confirmar se era isto que estavam buscando. O encontro confirmou a busca: “Era isso mesmo!” Os dois nunca esqueceram a hora do encontro: eram 4 horas da tarde! Também hoje, as comunidades devem poder dizer: “Venham e vejam!” É ver e experimentar para poder testemunhar. O apóstolo João escreve na sua primeira carta: “A vida se manifestou. Nós a vimos e dela damos testemunho!” (1 João 1,2).

João 1,40-42 – André apresenta Pedro a Jesus

André descobriu que Jesus é o Messias. Ele gostou tanto do encontro, que partilhou sua experiência com o irmão e deu testemunho: “Encontramos o Messias!” Em seguida, conduziu o irmão até Jesus. Encontrar, experimentar, partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus! É assim que a Boa Nova se espalha pelo mundo, até hoje! Conosco pode acontecer o que aconteceu com o irmão de André. No encontro com Jesus, ele teve seu nome mudado de Simão para Cefas (Pedra ou Pedro). Mudança de nome significa mudança de rumo. O encontro com Jesus pode produzir mudanças profundas na vida da gente. Deus queira!

João 1,43-44 – Jesus chama Filipe

No dia seguinte, Jesus voltou para a Galileia. Encontrou Filipe e o chamou: “Segue-me!” O importante do chamado é sempre o mesmo: “seguir Jesus”. Os primeiros cristãos fizeram questão de conservar os nomes dos primeiros discípulos. De alguns conservaram até os apelidos e o nome do lugar de origem. Filipe, André e Pedro eram de Betsaida (João 1,44). Natanael era de Caná (João 22,2). Jesus era de Nazaré (João 1,45). Eram todos lugares bem pequenos, lá na roça do interior da Galileia! Hoje, muitas vezes, esquecemos ou nem conhecemos os nomes das pessoas que estão na origem de nossa comunidade. Lembrar os nomes é uma forma de conservar a identidade.

João 1,45-46 – Filipe leva Natanael a Jesus

Filipe encontra Natanael e fala com ele sobre Jesus: “Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas! É Jesus, o filho de José, de Nazaré!” Mais um título para Jesus! Jesus é aquele para o qual apontava toda a história do Antigo Testamento. Natanael pergunta: “De Nazaré pode vir coisa boa?” Natanael era de Cana, que fica perto de Nazaré. Possivelmente, na pergunta dele transparece a rivalidade que costuma existir entre as pequenas aldeias de uma mesma região. Além disso, conforme o ensinamento oficial dos escribas, o Messias viria de Belém na Judéia. Não podia vir de Nazaré na Galileia (João 7,41-42).  Novamente, de André vem a mesma resposta intrigante: “Venha e veja você mesmo!” Não é impondo mas sim vendo que as pessoas se convencem. Novamente, o mesmo processo: encontrar, experimentar, partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus!

João 1,47-51 – A conversa entre Jesus e Natanael

Jesus vê Natanael e diz: “Eis um israelita autêntico, sem falsidade!” E afirma que já o conhecia quando estava debaixo da figueira. Como é que Natanael podia ser um “israelita autêntico” se ele não aceitava Jesus como messias? É porque Natanael “estava debaixo da figueira”. A figueira era o símbolo de Israel (cf. Miqueias 4,4; Zacarias 3,10; 1 Reis 5,5). “Estar debaixo da figueira” era o mesmo que ser fiel ao projeto do Deus de Israel. Israelita autêntico é aquele que sabe desfazer-se das suas próprias ideias quando percebe que elas estão em desacordo com o projeto de Deus. O israelita que não está disposto a fazer esta conversão não é autêntico nem honesto. Natanael é autêntico. Ele esperava o messias de acordo com os ensinamentos oficiais da época (João 7,41-42.52). Por isso, inicialmente, não aceitava um messias vindo de Nazaré. Mas o encontro com Jesus ajuda-o a perceber que o projeto de Deus nem sempre é do jeito que a gente o imagina ou deseja. Ele reconhece o seu engano, muda de ideia, aceita Jesus como messias e confessa: “Mestre, tu és o filho de Deus, tu és o rei de Israel!” A confissão de Natanael é apenas o começo. Quem foi fiel, verá o céu aberto e os anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem. Experimentará que Jesus é a nova ligação entre Deus e nós, seres humanos. É a realização do sonho de Jacó (Gênesis 28,10-22).

3. ALARGANDO

 A galeria dos encontros com Jesus no Evangelho de João

No Evangelho de João, são narrados com detalhes muitos encontros com Jesus quer marcam para sempre a vida das pessoas. Os primeiros discípulos nunca mais puderam esquecer aquele momento. Um deles, provavelmente o “discípulo amado” ainda se lembrava da hora em que encontrou Jesus: “Eram 4 horas da tarde!”. O outro, André, chamou o irmão dele, Pedro (João 1,35-51). Nicodemos foi encontrar Jesus de noite. Os dois tiveram uma conversa difícil (João 3,1-13), mas Nicodemos, apesar da crítica de Jesus, ficou amigo. Ele o defendeu numa discussão com os chefes (João 4,14; 7,50-52) e, depois da morte de Jesus, lá estava ele, novamente, com perfumes para a sepultura (João 19,39). João Batista alegrou-se ao ver o crescimento do movimento de Jesus (João 3,22-36). A samaritana encontrou Jesus junto do poço (João 4,1-42) e dentro dela passou a jorrar água viva (João 4,14; 7,37-38). O encontro com o paralítico se deu junto às águas de um santuário popular (Jo 5,1-18). Foi na praça do templo que se deu o encontro com a mulher que ia ser apedrejada. Ela reencontrou a dignidade e a paz (João 8,1-11). O cego encontrou Jesus, que lhe abriu os olhos e se revelou a ele como o Filho do Homem (João 9,1-41). Marta e Maria foram ao encontro de Jesus no caminho e experimentaram a sua força revitalizadora (João 11,17-37).

Estes e outros encontros são como quadros colocados em uma galeria. Eles vão revelando aos olhos atentos de quem os aprecia algo que está por trás dos detalhes, a saber, a identidade de Jesus. Ao mesmo tempo, mostram as características das comunidades que acreditavam em Jesus e davam testemunho da sua presença. São também espelhos, que ajudam a descobrir o que se passa dentro de nós quando nos encontramos com Jesus.

 Os títulos de Jesus

Logo neste primeiro capítulo, as pessoas que vão sendo chamadas professam a sua fé em Jesus através de títulos como: Cordeiro de Deus (João 1,36); Rabi (João 1,38); Messias ou Cristo (João 1,41); “aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas” (João 1,45); Jesus de Nazaré, o filho de José (João 1,45), Filho de Deus (João 1,49); Rei de Israel (João 1,49); Filho do Homem (João 1,51). São oito títulos em apenas 15 versos! Quando uma pessoa é muito querida, ela recebe um grande número de apelidos. Assim também Jesus no Evangelho de João. Nestes e em tantos outros nomes ou títulos, as comunidades transmitiam o que Jesus significava para elas. Todos estes nomes traduzem o enorme esforço dos primeiros cristãos em querer conhecer Jesus para melhor amá-lo. Mostram ainda a diversidade da busca.

Eis uma lista incompleta de alguns títulos de Jesus que aparecem neste e nos outros capítulos do Evangelho de João. Eles revelam a fé das comunidades do Discípulo Amado. A grande variedade dos títulos revela a diversidade não só da busca, mas também da própria teologia. Não havia uma doutrina única:

1,1 Palavra, Verbo
1,9 Luz
1,14 Filho Único
1,17 Messias ou Cristo
1,29 Cordeiro de Deus
1,34 Eleito de Deus
1,38 Rabi ou Mestre
1,49 Filho de Deus
1,51 Filho do Homem
2,21 Templo
3,2 Vem de Deus
3,29 Esposo
4,9 Judeu
4,26 Messias
4,42 Salvador do Mundo
5,18 Igual a Deus
6,34 Pão da vida
6,41 Pão descido do céu
6.42 Filho de José
6,69 Santo e Deus
7,52 Galileu

8,24 Eu sou (João 8,28.58)

8,48 Samaritano
9,2 Rabi
9,5 Luz do mundo
9,7 Enviado
9,11 Homem Jesus
9,17 Profeta
9,22 Cristo
9,38 Senhor
10,7 Porta das ovelhas
10,11 Bom pastor
10,30 Eu e o Pai somos um
11,25 Ressurreição
12,13 Bendito em nome do Senhor
12,13 Rei de Israel
13,13 Mestre e Senhor
14,6 Caminho, Verdade e Vida
15,1 Videira
18,5 Nazareno
19,5 Homem

Resumindo: Para o Evangelho de João, a fonte da vida consiste em acreditar que Jesus de Nazaré, o filho de José (João 1,45), é Messias (João 1,41) e Filho de Deus (João 1,49). Foi exatamente para isto que o evangelho foi escrito (João 20,31).

 Mesters, Lopes e Orofino.

FONTE: CEBI - https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/a-semente-da-nova-comunidade/



quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

VAMOS ESTUDAR O EVANGELHO DE MATEUS?


Estamos no ANO A - Mateus, que começou na primeira semana do Advento, dia 01 de dezembro de 2019 e vai até o Domingo do Cristo Rei, este ano, no dia 22 de novembro de 2020.
Precisamos conhecer melhor o Evangelho e entender as mensagens contidas nele, de forma a conduzir nossos catequizandos pelo caminho das escrituras, para isso precisamos ESTUDAR com afinco!

Leia atentamente o texto abaixo e na sequencia, tente fazer o exercício pedido. Isso servirá para aprimorar seu conhecimento do Evangelho! Também pode ser feito um estudo em grupo com os demais catequistas.

Utilize os dois textos ANEXOS, para complementar as informações.

ESTUDO DO EVANGELHO DE SÃO MATEUS

(*Todas as citações onde não aparece o nome do livro são do Evangelho de Mateus.)

Autor: Mateus significa "dom de Deus" (Matatias, no hebraico) é um dos Doze Apóstolos. Foi chamado enquanto estava sentado na sua banca, pois era cobrador de impostos (9,9) *. Depois do chamado ofereceu um almoço para Jesus e seu grupo (9,10-13). É o mesmo Levi de Lc 5,27 e era filho de Alfeu (Mc 2,14).

Local e data: Na Bíblia, é o primeiro Livro do NT (é o mais longo dos quatro Evangelhos). A maioria dos autores hoje concorda que foi escrito no norte da Galileia; outros afirmam que foi na Síria (Antioquia). Foi escrito primeiro em hebraico ou aramaico. Não temos mais o original. A data deve ter sido por volta dos anos 80-90 dC. Seguramente depois que os romanos destruíram o Templo no ano 70, e quando os cristãos já não podiam mais frequentar as sinagogas dos judeus.

Objetivo: O objetivo principal deste Evangelho é que Mateus quer responder a duas perguntas, que com certeza os cristãos se colocavam depois da vida, morte e ressurreição de Jesus:
- Quem é Jesus? (Conhecer). Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, o Filho de Deus!;
- Como seguir Jesus Cristo? (Fazer o que Ele mandou). Mateus mesmo dá o exemplo. Jesus o chama: Segue-me! E ele, levantando-se, o seguiu! (Cf. 9,9).

Destinatários: Mateus escreve para os judeus que se converteram ao cristianismo, por isso utiliza muito o AT e usa muitos termos hebraicos. Mas a mensagem de Jesus é universal e por isso o Evangelho termina afirmando: "fazei que todas as nações se tomem discípulos meus...” (28,19).

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:

1. A certeza que Jesus é Deus presente no meio de nós: no início, meio e final:
- 1,23: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco”;
- 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de deles”;
- 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

2. É o Evangelho do Pai:
Enquanto que em Marcos Jesus aparece mais e é mais cristológico; em Lucas é o Espírito Santo que tem uma função especial; em Mateus é a primeira pessoa da Santíssima Trindade que tem destaque. Numerosas são as vezes em que Jesus fala de Deus como do Pai nosso (21 vezes contra 5 de Lucas); o seu Pai (18 vezes, contra 6 de Lc e 3 de Mc). Passagens interessantes são: 10,29 (cf. Lc 12,6); 10,20 (cf. Lc 12,12); 20,23 (cf. Mc 10,40).
Algumas parábolas, que se encontram exclusivamente em Mateus, são verdadeiras parábolas do "Pai": a parábola do servo infiel (18,23-35, cf. v. 35), a parábola dos trabalhadores na vinha (20,1-12), a parábola das bodas reais (22,1-14; cf. Lc 14,16-24), a parábola dos dois filhos (21,28-31), a parábola do joio e do trigo (13,24-30; cf v.27).

3. É o Evangelho da Justiça (3,15; 5,6; 10,20; 6,1.33; 21,32, etc):
- Jesus nasce no ambiente de um homem justo (1,19);
- As primeiras palavras de Jesus neste Evangelho são: “deixe como está, pois, convém que cumpramos toda a justiça” (3,15);
- A busca fundamental nossa deve ser “o reino dos céus e sua justiça” (6,33);
- O julgamento de Deus será pela justiça e misericórdia que praticamos (25,31-46).
- O tema da “recompensa” aparece muitas vezes.

4. O projeto que Jesus anuncia é uma Boa Notícia, chamado de Reino dos Céus:
- O tema do Reino “dos céus” (ou “de Deus” – 5 vezes) aparece 54 vezes no Evangelho;
- Mateus prefere usar “reino dos céus”, para evitar a expressão “reino de Deus”, pois os judeus, por respeito, evitavam pronunciar o nome de Deus (YHWH - Javé).

5. A valorização da história e do Antigo Testamento:
- Jesus nasce da descendência do povo hebreu. São 14 vezes três gerações (1,17). 14 é a soma das consoantes hebraicas do nome David dwd (4 + 6 + 4 = 14). Jesus é três vezes Davi;
- Várias vezes encontramos “para se cumprir as Escrituras”, ou “o que foi dito pelos Profetas”; ou “também está escrito”; ou “ouviste o que foi dito aos antigos”, etc.

6. Aparecem fortes conflitos com os judeus, principalmente com os fariseus:
O Evangelho foi escrito depois da destruição de Jerusalém e do templo (70 dC). Era um momento de ruptura entre judeus e cristãos. Era o tempo da reestruturação do judaísmo formativo. Os cristãos nesta época eram expulsos das sinagogas, por isso Mateus fala das “suas/vossas sinagogas” ou “sinagogas deles” (4,23; 9,35; 10,17; 12,9; 13,54; 23,34).

7. As mulheres:
- Na genealogia de Jesus aparecem 5 mulheres. Isso era incomum no ambiente judaico. Todas têm problemas: Tamar que perdeu o marido e se fez passar por prostituta (Gn 38); Raab é prostituta (Js 2,1-21); Rute é moabita, isto é, uma estrangeira (Rt 1,4); Betsabeia era mulher de Urias, que Davi mandou matar para ficar com ela (2Sm 11 e 12); e Maria, que ainda não era casada com José;
- É uma mulher que unge Jesus e prepara seu corpo para a sepultura (26,6-13);
- As mulheres são o grupo que é fiel até o fim (27,55-56.61) e são as primeiras as receberem a boa notícia da ressurreição de Jesus e serão as primeiras anunciadoras de que Jesus está vivo (28,1- 10);
- Porém, a infância de Jesus é contada na ótica de José e não de Maria, como em Lucas.

8. Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12):
- São 7 ou nove, depende de como são contadas;
- A recompensa na primeira (aos pobres) e na sétima (aos perseguidos pela justiça) a promessa é no presente “deles é o reino dos céus”. As demais são no futuro: herdarão a terra; serão saciados...;
- Diferente de Lucas, os “Ai de vós” não vêm em seguida aos “felizes / bem-aventurados vós”. Eles aparecem no capítulo 23;
- Deus quer o povo feliz! E essa felicidade começa logo para quem entra no Reino;
- Pessoas pobres, doentes, endemoninhadas, famintas, cegas, desempregadas, crianças, mulheres, multidões... Este é o povo que Jesus encontra e são as privilegiadas no anúncio do Reino.

9. Mateus utiliza muitos números:
Mateus usa muito os números, sobretudo 3, 5, 7 e 10. Ex.: narra 3 tentações de Jesus; 3 “quando...” (6,2.5.16); 3 súplicas no monte das Oliveiras; temos 3 negações de Pedro; 3 séries de 14 (7 x 2) gerações na genealogia de Jesus. Encontramos 7 discursos de Jesus, 7 parábolas sobre o Reino;
- O Evangelho está organizado em 5 livrinhos (igual ao Pentateuco, no AT);
- Devemos perdoar não 7 vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente;
- Encontramos em Mateus 10 milagres (igual às 10 pragas ou aos 10 Mandamentos no AT).

10. Jesus é o novo Moisés:
- A matança dos meninos (2,13-18) recorda um fato semelhante com Moisés (Ex 1,15-22);
- Jesus é maior que Moisés, pois Ele cumpre toda a Lei (5,17) e lhe dá uma nova interpretação (5,21-48; 19,3-9.16-21);
- Várias vezes Jesus sobe à montanha. Esta era o lugar privilegiado para o encontro com Deus. Jesus sobe à Montanha (5,1), assim como Moisés foi ao Sinai. O sermão na Montanha (5-7) e o envio dos Apóstolos pelo mundo (28,16-20) lembram as tábuas da Lei dadas a Moisés no Monte Sinai.

11. Jesus é o FILHO de Davi: O Novo Davi
- Menciona Davi ligado a Jesus muitas vezes: 1,1.6.17; 9,27; 12,3.23; 15,22; 20,30.31; 21,9.15; 22,42.43.45;
- Jesus é chamado FILHO DE DAVI 7 vezes: - Três vezes pelos dois cegos (9:27; 20,30.31) e mais uma vez pela mulher Cananéia (15:22) todos pedindo compaixão; duas vezes pela multidão que se admira (12,23) e na entrada para Jerusalém (21,9); uma vez pelos meninos (21,15);
- E finalmente à pergunta de Jesus os fariseus também reconhecem que o Cristo é o Filho de Davi (22:42);
- Davi foi o Rei considerado ideal porque conseguiu unir as 12 tribos de Israel tornando-os o Povo de Israel. Jesus é o Novo Davi para unir todos os povos, tornando-os O NOVO POVO DE DEUS.

12. O verbo “ver”:
- Jesus “viu” os primeiros Apóstolos (4,18.21); “viu” Mateus (9,9); “viu” as multidões (5,1; 8,18; 9,36); “viu” a sogra de Pedro de cama (8,14); “viu” a mulher doente (8,22); etc...

13. É o Evangelho da Igreja:
- Duas vezes aparece a palavra ekklesía: Igreja / Assembleia (16,18; 18,17);
- Mateus procura corrigir certos problemas da comunidade: o perdão aos que erram, o bom comportamento (parábola do semeador, todo o capítulo 18, a questão da autoridade, o perdão etc.);
- Ele quer demonstrar que os cristãos são o novo Povo de Deus e a Igreja é o verdadeiro Israel;
- O batismo substitui a circuncisão. É o novo sinal de pertença ao povo de Deus;
- Foi o Evangelho mais usado na Igreja primitiva. Seu estilo é de Catequese.

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BIBLIOGRAFIA:

CNBB. Ele está no meio de nós. São Paulo: Paulus, 1998.
MOSCONI, L. O Evangelho de Mateus. São Leopoldo: CEBI, 1990.
STORNIOLO, I. Como ler o Evangelho de Mateus. São Paulo: Paulus, 1990.
* Introdução ao Evangelho de Mateus na Bíblia de Jerusalém, Edição Pastoral e Bíblia do Peregrino.

Frei Ildo Perondi
Prof. no curso de Teologia da PUC-PR.

EXERCÍCIO: Ler o Evangelho de São Mateus e ir anotando:

Quem é Jesus?
- É o Emanuel, isto é, “Deus Conosco”
- É Jesus: o nosso Salvador!
- É o “Rei dos Judeus” (segundo os Magos)
- É uma ameaça para Herodes e os grandes
- É o Deus Menino (cf. Mt 2,8-21)
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Como seguir Jesus?
- Como os Magos: ir e alegrar-se!
- Como fizeram Pedro e seu irmão André
- Como fizeram Tiago e João
- Como as multidões que seguiram Jesus
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ANEXO I:
Introdução e informações da BÍBLIA PASTORAL - Paulus:

EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS
JESUS, O MESTRE DA JUSTIÇA

Introdução

Mateus apresenta Jesus com o título de Emanuel, que significa: “Deus está conosco” (Mt 1,23). À medida que lemos este Evangelho, vamos descobrindo o significado desse título: Deus está presente em Jesus, comunicando a palavra e ação que libertam os homens e os reúnem como novo povo de Deus. As últimas palavras de Jesus (Mt 28,20) são uma promessa de permanência: “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo”. Essas palavras, dirigidas ao grupo dos discípulos, mostram que Mateus vê a comunidade cristã como semente do novo povo de Deus, povo que é o lugar onde se manifestam a presença, ação e palavra de Jesus.

Segundo Mateus, Jesus é o Messias que realiza todas as promessas feitas no Antigo Testamento. Essa realização ultrapassa as expectativas puramente terrenas e materiais dos contemporâneos de Jesus, que esperavam apenas um rei nacionalista para libertá-los da dominação romana. Frustrados em suas expectativas, eles o rejeitam e o entregam à morte. Por isso, a comunidade reunida em torno de Jesus torna-se agora a portadora da Boa Notícia a todos os homens, a fim de que eles pertençam ao Reino do Céu.

Logo de início, Mateus apresenta Jesus como o Mestre que veio realizar a justiça: “devemos cumprir toda a justiça” (3,15). O restante do Evangelho mostra que, através da palavra e ação, Jesus vai educando a comunidade cristã para a prática dessa justiça, isto é, vai ensinando como se deve realizar concretamente a vontade de Deus.

De todos os evangelistas, Mateus é aquele que apresenta didática mais clara. Entre o prólogo (Mt 1-2) e a narrativa da morte e ressurreição de Jesus (26,3-28,20), ele organiza o assunto de todo o seu Evangelho em cinco livrinhos, cada um contendo uma parte narrativa seguida de um discurso. Lendo atentamente, podemos perceber que Mateus escolheu os episódios de cada parte narrativa, de modo a ilustrar o discurso seguinte. E o discurso, por sua vez, resume e explica o que está contido nessa narrativa. Assim a palavra de Jesus é sempre apresentada como resultado de uma ação, e toda ação é sempre ensinamento, anúncio.

A comunidade cristã, lendo Mateus, é convidada a olhar para dentro de si mesma, afim de descobrir a presença de Jesus, que ensina a prática da justiça. Desse modo, a comunidade aprenderá a dizer a palavra certa e a realizar a ação oportuna, no tempo e lugar em que está vivendo.

O Evangelho segundo Mateus começa com uma genealogia, para salientar que Jesus surge do povo de Israel e o conduz ao ponto alto de sua história. Como “filho de Abraão” (1,1, Jesus) deve ser entendido à luz de toda história contada nas Escrituras (Antigo Testamento). Eis uma chave importante para abrir nosso texto: é a partir da história, das tradições, da cultura do povo de Israel que Jesus será compreendido.

Ele é chamado também “filho de Davi” (1,1), o Messias (Cristo, ungido, escolhido) que vem ensinar a respeito do Reino e realizar a justiça (vontade) de Deus, da qual se deve ter fome e sede, e em relação à qual não se deve temer a perseguição (5,6.10).


EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS

Prólogo: A nova história – Mt 1-2 : Evangelho da Infância de Jesus

PRIMEIRO LIVRINHO: Mt 3-7 - A JUSTIÇA DO REINO
1.1 - Parte narrativa: A chegada do Reino – Mt 3-4
1.2 - Discurso: O SERMÃO DA MONTANHA – Mt 5-7

SEGUNDO LIVRINHO: Mt 8,1-10,42 - A DINÂMICA DO REINO
2.1 - Parte narrativa: Os sinais do Reino Mt 8,1-9,38
2.2 - Discurso: A missão dos discípulos – Mt 10,1-42

TERCEIRO LIVRINHO: Mt 11,1-13,52 - O MISTÉRIO DO REINO
3.1 - Parte narrativa: A oposição a Jesus - Mt 11-12
3.2 - Discurso: As 7 parábolas do Reino – Mt 13, 1-52

QUARTO LIVRINHO: Mt 13,53-18,35 - A IGREJA - SEMENTE DO REINO
4.1 - Parte narrativa: O seguimento de Jesus Mt 13,53-17
4.2 - Discurso: A vida da Igreja – Mt 18,1-35

QUINTO LIVRINHO: Mt 19 – 25 - A VINDA DEFINITIVA DO REINO
5.1 - Parte narrativa: O Reino é universal - Mt 19-23
5.2 - Discurso: A vinda do Filho do Homem – Mt 24-25

PAIXÃO, MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS: Mt 26-28

Mandato de Jesus aos discípulos:
“Vão e façam com que todos se tornem meus discípulos...” Mt 28,19.

Da Bíblia Edição Pastoral

ANEXO II:
INTRODUÇÃO DA BÍBLIA DOS CAPUCHINHOS - Evangelho de São Mateus

INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE SÃO MATEUS
BÍBLIA DOS CAPUCHINOS

Este Evangelho, transmitido em grego pela Igreja, deve ter sido escrito originariamente em aramaico, a língua falada por Jesus. O texto atual reflete tradições hebraicas, mas ao mesmo tempo testemunha uma redação grega. O vocabulário e as tradições fazem pensar em crentes ligados ao ambiente judaico; apesar disso, não se pode afirmar, sem mais, a sua origem palestinense. Geralmente pensa-se que foi escrito na Síria, talvez em Antioquia ou na Fenícia, onde viviam muitos judeus, por deixar entrever uma polêmica declarada contra o judaísmo farisaico. Atendendo a elementos internos e externos ao livro, o atual texto pode datar-se dos anos 80-90, ou seja, algum tempo após a destruição de Jerusalém.

AUTOR
Do seu autor, este livro nada diz; mas a mais antiga tradição eclesiástica atribui-o ao apóstolo Mateus, um dos Doze, identificado com Levi, cobrador de impostos (9,9-13; 10,3).
Pelo conhecimento que mostra das Escrituras e das tradições judaicas, pela força interpelativa da mensagem sobre os chefes religiosos do seu povo, pelo perfil de Jesus apresentado como Mestre, o autor deste Evangelho era, com certeza, um letrado judeu tornado cristão, um mestre na arte de ensinar e de fazer compreender o mistério do Reino do Céu, o tesouro da Boa-Nova anunciada por Jesus, o Messias, Filho de Deus.

COMPOSIÇÃO LITERÁRIA
Mateus recorre a fontes comuns a Marcos e Lucas, mas apresenta uma narração muito diferente, quer pela amplitude dos elementos próprios, quer pela liberdade com que trata materiais comuns. O conhecimento dos processos e os modos próprios de escrever de Mateus são de grande importância para a compreensão do livro atual:
a) compilação de palavras e de fatos, de “discursos” e de milagres;
b) recurso a certos números (7, 3, 2);
c)  paralelismo sinonímico e antitético;
d) estilo hierático e catequético;
e) citações da Escritura, etc..

DIVISÃO E CONTEÚDO
Apesar dos característicos agrupamentos de narrações, não é fácil determinar o plano ou estabelecer as grandes divisões do livro. Dos tipos de distribuição propostos pelos críticos, podemos referir três:

1. Segundo o plano geográfico:
a) o ministério de Jesus na Galileia (4,12b-13,58),
b) a sua atividade nas regiões limítrofes da Galileia e a caminho de Jerusalém (14,1-20,34),
c)  ensinamentos, Paixão, Morte e Ressurreição em Jerusalém (21,1-28,20).

2. Segundo os cinco “discursos”, subordinando a estes as outras narrações: resulta daí um destaque para a dimensão doutrinal e histórica da existência cristã.
3. Segundo o objetivo de referir o drama da existência de Jesus:
Mateus apresenta o Messias...
a) em quem o povo judeu recusa acreditar (3,1-13,58) e
b) que, percorrendo o caminho da cruz, chega à glória da Ressurreição (14-28).
Aqui, limitamo-nos a destacar:
I. Evangelho da Infância de Jesus (1,1-2,23);
II. Anúncio do Reino do Céu (3,1-25,46);
III. Paixão e Ressurreição de Jesus (26,1-28,20).

TEOLOGIA
Escrevendo entre judeus e para judeus, Mateus procura mostrar como na pessoa e na obra de Jesus se cumpriram as Escrituras, que falavam profeticamente da vinda do Messias. A partir do exemplo do Senhor, reflete a praxe eclesial de explicar o mistério messiânico mediante o recurso aos textos da Escritura e de interpretar a Escritura à luz de Cristo. Esta característica marcante contribui para compreender o significado do cumprimento da Lei e dos Profetas: Cristo realiza as Escrituras, não só cumprindo o que elas anunciam, mas aperfeiçoando o que elas significam (5,17-20). Assim, os textos da Escritura neste Evangelho confirmam a fidelidade aos desígnios divinos e, simultaneamente, a novidade da Aliança em Cristo.

Nele ressaltam cinco blocos de palavras ou “discursos” de Jesus: 
a)    5,1-7,28;
b)    8,1-10,42;
c)    11,1-13,52;
d)    13,53-18,35;
e)    19,1-25,46.

Ocupam um importante lugar na trama do livro, tendo a encerrá-los as mesmas palavras (7,28), e apresentam sucessivamente: 
a)    “a justiça do Reino” (5-7),
b)    os arautos do Reino (10),
c)    os mistérios do Reino (13),
d)    os filhos do Reino (18) e
e)    a necessária vigilância na expectativa da manifestação última do Reino (24-25).

Desde o séc. II, o Evangelho de Mateus foi considerado como o “Evangelho da Igreja”, em virtude das tradições que lhe dizem respeito e da riqueza e ordenação do seu conteúdo, que o tornavam privilegiado na catequese e na liturgia. O Reino proclamado por Jesus como juízo iminente é, antes de mais, presença misteriosa de salvação já atuante no mundo. Na sua condição de peregrina, a Igreja é “o verdadeiro Israel” onde o discípulo é convidado à conversão e à missão, lugar de tensão ética e penitente, mas também realidade sacramental e presença de salvação. Não identificando a Igreja com o Reino do Céu, Mateus continua hoje a recordar-lhe o seu verdadeiro rosto: uma instituição necessária e uma comunidade provisória, na perspectiva do Reino de Deus.

Como os outros Evangelhos, o de Mateus refere a vida e os ensinamentos de Jesus, mas de um modo próprio, explicitando a cristologia primitiva: em Jesus de Nazaré cumprem-se as profecias;
a)    Ele é o Salvador esperado,
b)    o Emanuel,
c)    o «Deus conosco» (1,23) até à consumação da História (28,20);
d)    é o Mestre por excelência que ensina com autoridade e interpreta o que a Lei e os Profetas afirmam acerca do Reino do Céu (= Reino de Deus);
e)    é o Messias, no qual converge o passado, o presente e o futuro e que, inaugurando o Reino de Deus, investe a comunidade dos discípulos a Igreja do seu poder salvífico.

Assim, no coração deste Evangelho o discípulo descobre Cristo ressuscitado, identificado com Jesus de Nazaré, o Filho de Davi e o Messias esperado, vivo e presente na comunidade eclesial.
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FONTE: