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domingo, 5 de fevereiro de 2023

MATEUS NOS CONVIDA A SER SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO

FONTE: CEBI.ORG

Neste domingo do tempo comum a comunidade de Mateus nos convida a ser Sal na terra e Luz no mundo.

Uma comunidade que vivia muitos conflitos, formada por judeus convertidos num período desafiador após a destruição de Jerusalém pelos romanos. Como viver a mensagem de Jesus e continuar seguindo a Lei de Moisés? Como ser sinal num mundo conflituoso em que alguns abandonavam a lei antiga, outros afirmavam a necessidade de seguir a tradição judaica e ainda fugir da perseguição imposta à comunidade cristã? Em meio aos sofrimentos cotidianos de  pobreza, falta de trabalho, doenças e abandono do povo, a comunidade buscava entender a mensagem de Jesus e  reinterpretar a Lei de Moisés a partir da prática e do ensino e da busca  pela justiça, fundamento daquela comunidade.

Este trecho que refletimos neste domingo mostra Jesus ensinando a comunidade a partir de comparações com elementos da vida diária. Pede a comunidade para ser  Sal da terra e Luz do mundo. O sal é imprescindível no preparo da comida, a fim de dar sabor. Mas desaparece ao se   misturar com a comida. A comunidade seguidora de Jesus deve ser o sal que traz sabor à vida do povo. Que dá um novo sentido às relações sociais, baseada na justiça marcada pela partilha do pão.

Outra comparação é a comunidade como Luz no mundo e como tal, ter a função de iluminar os caminhos a partir da proposta de Jesus. E como luz deve brilhar e não se esconder. Anima a comunidade a ter coragem para testemunhar Jesus e enfrentar os desafios diários de perseguição, ao mesmo tempo, ensinar a comunidade a ser praticante da palavra e testemunha da vida nova que Jesus propunha.

Para nós, hoje, esse texto alimenta e fortalece a luta diária por justiça. Como ser sal da terra e luz no mundo diante da realidade desafiadora que se impõe?

Seguir esses ensinamentos coloca a necessidade de sermos comunidades comprometidas com as lutas por  justiça em todos os campos em que ela está ausente. Sermos comprometidos/as com as lutas  do povo por  terra, pão, trabalho, saúde, igualdade racial e de gênero, por um  ambiente sustentável e acolhedor de todas, todos e todes. Ser Sal da Terra para temperar a vida do povo com novos sabores de justiça e Luz do Mundo para apontar que podemos ter um outro mundo possível.

Mateus 5, 13-20
Eliana da Silva – CEBI Alagoas

FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/a-comunidade-de-mateus-nos-convida-a-ser-sal-na-terra-e-luz-no-mundo/ 

sábado, 14 de novembro de 2020

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: PARÁBOLA DOS TALENTOS

Leia a reflexão sobre Mateus 25,14-30, texto de Enzo Bianchi.

Introdução

A parábola dos talentos proposta pela liturgia deste domingo é uma parábola que, de acordo com a minha opinião, é perigosa hoje: perigosa porque, várias vezes, eu a ouvi ser comentada de um modo que, em vez de estimular os cristãos à conversão, parece confirmá-los no seu comportamento atual entre os outros homens e mulheres, no mundo e na Igreja.

Portanto, talvez fosse melhor não ler esse texto, em vez de lê-lo mal…

Na verdade, essa parábola não é uma exaltação, um aplauso à eficiência, não é uma apologia para quem sabe gerar lucrar, não é um hino à meritocracia, mas é uma verdadeira contestação em relação ao cristão que muitas vezes é morno, sem iniciativa, contente com aquilo que faz, medroso diante da mudança exigida por novos desafios ou pela mudança das condições culturais da sociedade.

A parábola sequer confirma o “ativismo pastoral” do qual são presas muitas comunidades cristãs, muitos “agentes de pastoral” que não sabem ler a esterilidade de todo o seu esforço, mas pede da comunidade cristã consciência, a responsabilidade, laboriosidade, audácia e, acima de tudo, criatividade. Não é a quantidade do fazer, das obras, nem o fato de ganhar prosélitos que tornam cristã uma comunidade, mas sim a sua obediência à palavra do Senhor que a impulsiona rumo a novas fronteiras, rumo a novas lidas, a estradas não percorridas, ao longo das quais a bússola que orienta o caminho é apenas o Evangelho, unido com o grito dos homens e das mulheres de hoje, quando balbuciam: “Queremos ver Jesus!” (Jo 12,21).

Leiamos, então, com inteligência essa parábola, cuja perspectiva – repito – não é econômica nem financeira; ela não é um convite ao ativismo, mas à vigilância que permanece em espera, não contente com o presente, mas totalmente inclinada para a vinda do Senhor.

Ele não está mais entre nós, sobre a terra, como que partiu para uma viagem e confiou aos seus servos, aos seus discípulos uma tarefa: multiplicar os dons que ele deu a cada uma e cada um.

Na parábola, a dois servos, o Senhor deixou muito, uma soma conspícua – cinco lingotes de prata para um, dois para outro – para que os façam frutificar; a um terceiro servo, deixou apenas um lingote, o que, no entanto, não é pouco. Sobre todos, ele colocou a sua confiança sem limites, confiando-lhes os seus bens. Portanto, cabe aos servos não trair a grande confiança do patrão e operar uma sábia gestão dos bens, não da sua propriedade, mas do patrão, que, no seu retorno, lhes dará a recompensa. A cada um o patrão dá em função da sua capacidade, e o seu dom é também uma tarefa: conservar e fazer frutificar.

Para além da imagem dos talentos, o que é esse dom, em última instância? De acordo com Irineu de Lyon, é a vida concedida por Deus a cada pessoa. A vida é um dom que absolutamente não deve ser desperdiçado, ignorado ou dissipado. Infelizmente – devemos constatar isto –, para alguns, a vida não tem nenhum valor: não a vivem, ao contrário, desperdiçam-na e a consomem, “até fazer dela uma repugnante estranha” (Konstantinos Kavafis), e assim se deixam viver. Porém, vive-se apenas uma vez, e fazer isso com consciência e responsabilidade é decisivo a fim de salvar uma vida ou de perdê-la!

De acordo com outros Padres orientais, os talentos são as palavras do Senhor confiadas aos discípulos para que as conservem, certamente, mas, sobretudo, para que as tornem frutuosas na vida deles, ponham-nas em prática até semeá-las copiosamente na terra que é o mundo. De novo, é questão de vida, de “escolher a vida” (cf. Dt 30,19).

“Depois de muito tempo” – alusão ao atraso da parusia, da vinda gloriosa do Senhor (cf. Mt 24,48; 25,5) – o patrão retorna e pede as contas da confiança que ele depositou nos seus servos, que devem mostrar a sua capacidade de serem responsáveis, isto é, capazes de responder à confiança recebida. Eis, portanto, que todos eles se apresentam diante dele.

Aquele que recebera cinco talentos mostrou-se operoso, empreendedor, capaz de arriscar, comprometeu-se para que os dons recebidos não fossem diminuídos, desperdiçados ou inutilizados; por isso, no ato de entregar ao patrão dez talentos, ele recebe dele o elogio: “Muito bem, servo bom e fiel! (…) Vem participar da minha alegria!”

O mesmo ocorre com o segundo servo, ele também capaz de duplicar os talentos recebidos. Para esses dois servos, a recompensa é proporcionalmente igual, embora as somas confiadas fossem diferentes, porque ambos agiram de acordo com as suas capacidades.

Por fim, vem aquele que recebera apenas um único talento, que imediatamente coloca as mãos para frente, manifestando o pensamento que o paralisou:

“Desde que tu me deste o talento, eu sabia que és um homem duro, exigente, arbitrário, que faz o que quer, colhendo onde não plantaste”.

Com estas palavras (“eu julgo você pela sua própria boca”, lê-se no texto paralelo de Lc 19,22), o servo confessa ter fabricado para si uma imagem distorcida do Senhor, uma imagem moldada pelo seu medo e pela sua incapacidade de ter confiança no outro: ele considera o patrão como alguém que lhe dá medo, que pede uma escrupulosa observância daquilo que ordena, que age de modo arbitrário.

Tendo essa imagem em si, ele optou por não correr riscos: assegurou, debaixo da terra, o dinheiro recebido e agora o restitui tal e qual. Assim, devolve ao patrão aquilo que não é seu e não rouba, não comete pecado…

Mas eis que o Senhor enraivece e lhe responde: “Tu és um servo mau (ponerós) e preguiçoso (oknerós). Mau porque obedeceste à imagem perversa do Senhor que te fizeste e, assim, viveste uma relação de amor servil, de amor ‘forçado’. Por isso, foste preguiçoso, não confiável, não tiveste nem o coração nem a capacidade de agir de acordo com a confiança que eu te concedera. Não fizeste sequer o esforço de colocar o talento no banco, onde ele teria sido frutuoso, dando-me lucros. Não cuidaste do meu bem confiado a ti”.

Sim, nós o sabemos: é mais fácil enterrar os dons que Deus nos deu do que compartilhá-los; é mais fácil conservar as posições, os tesouros do passado, do que ir descobrir novos; é mais fácil desconfiar do outro que nos fez bem do que responder conscientemente, na liberdade e por amor.

Eis, portanto, o louvor para aqueles que arriscam e a reprovação para aqueles que se contentam com o que tem, fechando-se no seu “eu mínimo”. Este servo não fez mal; pior ainda, não fez nada! Então, diante de Deus no dia do julgamento, comparecerão dois tipos de pessoas:

– quem recebeu e fez frutificar o dom;

– quem o recebeu e não fez nada.

Os servos fiéis entrarão na alegria do Senhor; aqueles que, ao contrário, foram “bons em nada” (achreîos) serão despojados até mesmo dos méritos dos quais pensavam poder se orgulhar!

Mas eu gostaria que a parábola se concluísse de outro modo: assim, ficaria mais claro o coração do patrão, enquanto o coração do discípulo seria aquilo que o patrão deseja. Ouso, portanto, propor esta conclusão “apócrifa”:

Chegou o terceiro servo, a quem o patrão confiara um único talento, e lhe disse: “Senhor, eu ganhei apenas um talento, dobrando o que tu me entregaste, mas, durante a viagem, perdi todo o dinheiro. Sei, porém, que tu és bom e compreendes a minha desgraça. Não te trago nada, mas sei que és misericordioso”. E o patrão, a quem, mais do que o dinheiro, importava que aquele servo tivesse uma imagem verdadeira dele, lhe disse: “Bem, servo bom e fiel, embora não tenhas nada, entra também tu na alegria do teu patrão, porque tiveste confiança em mim”.

Assim, a parábola também seria uma boa notícia!

FONTE:

https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/reflexao-do-evangelho-a-parabola-dos-talentos/ 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

VAMOS ESTUDAR O EVANGELHO DE MATEUS?


Estamos no ANO A - Mateus, que começou na primeira semana do Advento, dia 01 de dezembro de 2019 e vai até o Domingo do Cristo Rei, este ano, no dia 22 de novembro de 2020.
Precisamos conhecer melhor o Evangelho e entender as mensagens contidas nele, de forma a conduzir nossos catequizandos pelo caminho das escrituras, para isso precisamos ESTUDAR com afinco!

Leia atentamente o texto abaixo e na sequencia, tente fazer o exercício pedido. Isso servirá para aprimorar seu conhecimento do Evangelho! Também pode ser feito um estudo em grupo com os demais catequistas.

Utilize os dois textos ANEXOS, para complementar as informações.

ESTUDO DO EVANGELHO DE SÃO MATEUS

(*Todas as citações onde não aparece o nome do livro são do Evangelho de Mateus.)

Autor: Mateus significa "dom de Deus" (Matatias, no hebraico) é um dos Doze Apóstolos. Foi chamado enquanto estava sentado na sua banca, pois era cobrador de impostos (9,9) *. Depois do chamado ofereceu um almoço para Jesus e seu grupo (9,10-13). É o mesmo Levi de Lc 5,27 e era filho de Alfeu (Mc 2,14).

Local e data: Na Bíblia, é o primeiro Livro do NT (é o mais longo dos quatro Evangelhos). A maioria dos autores hoje concorda que foi escrito no norte da Galileia; outros afirmam que foi na Síria (Antioquia). Foi escrito primeiro em hebraico ou aramaico. Não temos mais o original. A data deve ter sido por volta dos anos 80-90 dC. Seguramente depois que os romanos destruíram o Templo no ano 70, e quando os cristãos já não podiam mais frequentar as sinagogas dos judeus.

Objetivo: O objetivo principal deste Evangelho é que Mateus quer responder a duas perguntas, que com certeza os cristãos se colocavam depois da vida, morte e ressurreição de Jesus:
- Quem é Jesus? (Conhecer). Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, o Filho de Deus!;
- Como seguir Jesus Cristo? (Fazer o que Ele mandou). Mateus mesmo dá o exemplo. Jesus o chama: Segue-me! E ele, levantando-se, o seguiu! (Cf. 9,9).

Destinatários: Mateus escreve para os judeus que se converteram ao cristianismo, por isso utiliza muito o AT e usa muitos termos hebraicos. Mas a mensagem de Jesus é universal e por isso o Evangelho termina afirmando: "fazei que todas as nações se tomem discípulos meus...” (28,19).

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:

1. A certeza que Jesus é Deus presente no meio de nós: no início, meio e final:
- 1,23: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco”;
- 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de deles”;
- 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

2. É o Evangelho do Pai:
Enquanto que em Marcos Jesus aparece mais e é mais cristológico; em Lucas é o Espírito Santo que tem uma função especial; em Mateus é a primeira pessoa da Santíssima Trindade que tem destaque. Numerosas são as vezes em que Jesus fala de Deus como do Pai nosso (21 vezes contra 5 de Lucas); o seu Pai (18 vezes, contra 6 de Lc e 3 de Mc). Passagens interessantes são: 10,29 (cf. Lc 12,6); 10,20 (cf. Lc 12,12); 20,23 (cf. Mc 10,40).
Algumas parábolas, que se encontram exclusivamente em Mateus, são verdadeiras parábolas do "Pai": a parábola do servo infiel (18,23-35, cf. v. 35), a parábola dos trabalhadores na vinha (20,1-12), a parábola das bodas reais (22,1-14; cf. Lc 14,16-24), a parábola dos dois filhos (21,28-31), a parábola do joio e do trigo (13,24-30; cf v.27).

3. É o Evangelho da Justiça (3,15; 5,6; 10,20; 6,1.33; 21,32, etc):
- Jesus nasce no ambiente de um homem justo (1,19);
- As primeiras palavras de Jesus neste Evangelho são: “deixe como está, pois, convém que cumpramos toda a justiça” (3,15);
- A busca fundamental nossa deve ser “o reino dos céus e sua justiça” (6,33);
- O julgamento de Deus será pela justiça e misericórdia que praticamos (25,31-46).
- O tema da “recompensa” aparece muitas vezes.

4. O projeto que Jesus anuncia é uma Boa Notícia, chamado de Reino dos Céus:
- O tema do Reino “dos céus” (ou “de Deus” – 5 vezes) aparece 54 vezes no Evangelho;
- Mateus prefere usar “reino dos céus”, para evitar a expressão “reino de Deus”, pois os judeus, por respeito, evitavam pronunciar o nome de Deus (YHWH - Javé).

5. A valorização da história e do Antigo Testamento:
- Jesus nasce da descendência do povo hebreu. São 14 vezes três gerações (1,17). 14 é a soma das consoantes hebraicas do nome David dwd (4 + 6 + 4 = 14). Jesus é três vezes Davi;
- Várias vezes encontramos “para se cumprir as Escrituras”, ou “o que foi dito pelos Profetas”; ou “também está escrito”; ou “ouviste o que foi dito aos antigos”, etc.

6. Aparecem fortes conflitos com os judeus, principalmente com os fariseus:
O Evangelho foi escrito depois da destruição de Jerusalém e do templo (70 dC). Era um momento de ruptura entre judeus e cristãos. Era o tempo da reestruturação do judaísmo formativo. Os cristãos nesta época eram expulsos das sinagogas, por isso Mateus fala das “suas/vossas sinagogas” ou “sinagogas deles” (4,23; 9,35; 10,17; 12,9; 13,54; 23,34).

7. As mulheres:
- Na genealogia de Jesus aparecem 5 mulheres. Isso era incomum no ambiente judaico. Todas têm problemas: Tamar que perdeu o marido e se fez passar por prostituta (Gn 38); Raab é prostituta (Js 2,1-21); Rute é moabita, isto é, uma estrangeira (Rt 1,4); Betsabeia era mulher de Urias, que Davi mandou matar para ficar com ela (2Sm 11 e 12); e Maria, que ainda não era casada com José;
- É uma mulher que unge Jesus e prepara seu corpo para a sepultura (26,6-13);
- As mulheres são o grupo que é fiel até o fim (27,55-56.61) e são as primeiras as receberem a boa notícia da ressurreição de Jesus e serão as primeiras anunciadoras de que Jesus está vivo (28,1- 10);
- Porém, a infância de Jesus é contada na ótica de José e não de Maria, como em Lucas.

8. Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12):
- São 7 ou nove, depende de como são contadas;
- A recompensa na primeira (aos pobres) e na sétima (aos perseguidos pela justiça) a promessa é no presente “deles é o reino dos céus”. As demais são no futuro: herdarão a terra; serão saciados...;
- Diferente de Lucas, os “Ai de vós” não vêm em seguida aos “felizes / bem-aventurados vós”. Eles aparecem no capítulo 23;
- Deus quer o povo feliz! E essa felicidade começa logo para quem entra no Reino;
- Pessoas pobres, doentes, endemoninhadas, famintas, cegas, desempregadas, crianças, mulheres, multidões... Este é o povo que Jesus encontra e são as privilegiadas no anúncio do Reino.

9. Mateus utiliza muitos números:
Mateus usa muito os números, sobretudo 3, 5, 7 e 10. Ex.: narra 3 tentações de Jesus; 3 “quando...” (6,2.5.16); 3 súplicas no monte das Oliveiras; temos 3 negações de Pedro; 3 séries de 14 (7 x 2) gerações na genealogia de Jesus. Encontramos 7 discursos de Jesus, 7 parábolas sobre o Reino;
- O Evangelho está organizado em 5 livrinhos (igual ao Pentateuco, no AT);
- Devemos perdoar não 7 vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente;
- Encontramos em Mateus 10 milagres (igual às 10 pragas ou aos 10 Mandamentos no AT).

10. Jesus é o novo Moisés:
- A matança dos meninos (2,13-18) recorda um fato semelhante com Moisés (Ex 1,15-22);
- Jesus é maior que Moisés, pois Ele cumpre toda a Lei (5,17) e lhe dá uma nova interpretação (5,21-48; 19,3-9.16-21);
- Várias vezes Jesus sobe à montanha. Esta era o lugar privilegiado para o encontro com Deus. Jesus sobe à Montanha (5,1), assim como Moisés foi ao Sinai. O sermão na Montanha (5-7) e o envio dos Apóstolos pelo mundo (28,16-20) lembram as tábuas da Lei dadas a Moisés no Monte Sinai.

11. Jesus é o FILHO de Davi: O Novo Davi
- Menciona Davi ligado a Jesus muitas vezes: 1,1.6.17; 9,27; 12,3.23; 15,22; 20,30.31; 21,9.15; 22,42.43.45;
- Jesus é chamado FILHO DE DAVI 7 vezes: - Três vezes pelos dois cegos (9:27; 20,30.31) e mais uma vez pela mulher Cananéia (15:22) todos pedindo compaixão; duas vezes pela multidão que se admira (12,23) e na entrada para Jerusalém (21,9); uma vez pelos meninos (21,15);
- E finalmente à pergunta de Jesus os fariseus também reconhecem que o Cristo é o Filho de Davi (22:42);
- Davi foi o Rei considerado ideal porque conseguiu unir as 12 tribos de Israel tornando-os o Povo de Israel. Jesus é o Novo Davi para unir todos os povos, tornando-os O NOVO POVO DE DEUS.

12. O verbo “ver”:
- Jesus “viu” os primeiros Apóstolos (4,18.21); “viu” Mateus (9,9); “viu” as multidões (5,1; 8,18; 9,36); “viu” a sogra de Pedro de cama (8,14); “viu” a mulher doente (8,22); etc...

13. É o Evangelho da Igreja:
- Duas vezes aparece a palavra ekklesía: Igreja / Assembleia (16,18; 18,17);
- Mateus procura corrigir certos problemas da comunidade: o perdão aos que erram, o bom comportamento (parábola do semeador, todo o capítulo 18, a questão da autoridade, o perdão etc.);
- Ele quer demonstrar que os cristãos são o novo Povo de Deus e a Igreja é o verdadeiro Israel;
- O batismo substitui a circuncisão. É o novo sinal de pertença ao povo de Deus;
- Foi o Evangelho mais usado na Igreja primitiva. Seu estilo é de Catequese.

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BIBLIOGRAFIA:

CNBB. Ele está no meio de nós. São Paulo: Paulus, 1998.
MOSCONI, L. O Evangelho de Mateus. São Leopoldo: CEBI, 1990.
STORNIOLO, I. Como ler o Evangelho de Mateus. São Paulo: Paulus, 1990.
* Introdução ao Evangelho de Mateus na Bíblia de Jerusalém, Edição Pastoral e Bíblia do Peregrino.

Frei Ildo Perondi
Prof. no curso de Teologia da PUC-PR.

EXERCÍCIO: Ler o Evangelho de São Mateus e ir anotando:

Quem é Jesus?
- É o Emanuel, isto é, “Deus Conosco”
- É Jesus: o nosso Salvador!
- É o “Rei dos Judeus” (segundo os Magos)
- É uma ameaça para Herodes e os grandes
- É o Deus Menino (cf. Mt 2,8-21)
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Como seguir Jesus?
- Como os Magos: ir e alegrar-se!
- Como fizeram Pedro e seu irmão André
- Como fizeram Tiago e João
- Como as multidões que seguiram Jesus
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ANEXO I:
Introdução e informações da BÍBLIA PASTORAL - Paulus:

EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS
JESUS, O MESTRE DA JUSTIÇA

Introdução

Mateus apresenta Jesus com o título de Emanuel, que significa: “Deus está conosco” (Mt 1,23). À medida que lemos este Evangelho, vamos descobrindo o significado desse título: Deus está presente em Jesus, comunicando a palavra e ação que libertam os homens e os reúnem como novo povo de Deus. As últimas palavras de Jesus (Mt 28,20) são uma promessa de permanência: “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo”. Essas palavras, dirigidas ao grupo dos discípulos, mostram que Mateus vê a comunidade cristã como semente do novo povo de Deus, povo que é o lugar onde se manifestam a presença, ação e palavra de Jesus.

Segundo Mateus, Jesus é o Messias que realiza todas as promessas feitas no Antigo Testamento. Essa realização ultrapassa as expectativas puramente terrenas e materiais dos contemporâneos de Jesus, que esperavam apenas um rei nacionalista para libertá-los da dominação romana. Frustrados em suas expectativas, eles o rejeitam e o entregam à morte. Por isso, a comunidade reunida em torno de Jesus torna-se agora a portadora da Boa Notícia a todos os homens, a fim de que eles pertençam ao Reino do Céu.

Logo de início, Mateus apresenta Jesus como o Mestre que veio realizar a justiça: “devemos cumprir toda a justiça” (3,15). O restante do Evangelho mostra que, através da palavra e ação, Jesus vai educando a comunidade cristã para a prática dessa justiça, isto é, vai ensinando como se deve realizar concretamente a vontade de Deus.

De todos os evangelistas, Mateus é aquele que apresenta didática mais clara. Entre o prólogo (Mt 1-2) e a narrativa da morte e ressurreição de Jesus (26,3-28,20), ele organiza o assunto de todo o seu Evangelho em cinco livrinhos, cada um contendo uma parte narrativa seguida de um discurso. Lendo atentamente, podemos perceber que Mateus escolheu os episódios de cada parte narrativa, de modo a ilustrar o discurso seguinte. E o discurso, por sua vez, resume e explica o que está contido nessa narrativa. Assim a palavra de Jesus é sempre apresentada como resultado de uma ação, e toda ação é sempre ensinamento, anúncio.

A comunidade cristã, lendo Mateus, é convidada a olhar para dentro de si mesma, afim de descobrir a presença de Jesus, que ensina a prática da justiça. Desse modo, a comunidade aprenderá a dizer a palavra certa e a realizar a ação oportuna, no tempo e lugar em que está vivendo.

O Evangelho segundo Mateus começa com uma genealogia, para salientar que Jesus surge do povo de Israel e o conduz ao ponto alto de sua história. Como “filho de Abraão” (1,1, Jesus) deve ser entendido à luz de toda história contada nas Escrituras (Antigo Testamento). Eis uma chave importante para abrir nosso texto: é a partir da história, das tradições, da cultura do povo de Israel que Jesus será compreendido.

Ele é chamado também “filho de Davi” (1,1), o Messias (Cristo, ungido, escolhido) que vem ensinar a respeito do Reino e realizar a justiça (vontade) de Deus, da qual se deve ter fome e sede, e em relação à qual não se deve temer a perseguição (5,6.10).


EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS

Prólogo: A nova história – Mt 1-2 : Evangelho da Infância de Jesus

PRIMEIRO LIVRINHO: Mt 3-7 - A JUSTIÇA DO REINO
1.1 - Parte narrativa: A chegada do Reino – Mt 3-4
1.2 - Discurso: O SERMÃO DA MONTANHA – Mt 5-7

SEGUNDO LIVRINHO: Mt 8,1-10,42 - A DINÂMICA DO REINO
2.1 - Parte narrativa: Os sinais do Reino Mt 8,1-9,38
2.2 - Discurso: A missão dos discípulos – Mt 10,1-42

TERCEIRO LIVRINHO: Mt 11,1-13,52 - O MISTÉRIO DO REINO
3.1 - Parte narrativa: A oposição a Jesus - Mt 11-12
3.2 - Discurso: As 7 parábolas do Reino – Mt 13, 1-52

QUARTO LIVRINHO: Mt 13,53-18,35 - A IGREJA - SEMENTE DO REINO
4.1 - Parte narrativa: O seguimento de Jesus Mt 13,53-17
4.2 - Discurso: A vida da Igreja – Mt 18,1-35

QUINTO LIVRINHO: Mt 19 – 25 - A VINDA DEFINITIVA DO REINO
5.1 - Parte narrativa: O Reino é universal - Mt 19-23
5.2 - Discurso: A vinda do Filho do Homem – Mt 24-25

PAIXÃO, MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS: Mt 26-28

Mandato de Jesus aos discípulos:
“Vão e façam com que todos se tornem meus discípulos...” Mt 28,19.

Da Bíblia Edição Pastoral

ANEXO II:
INTRODUÇÃO DA BÍBLIA DOS CAPUCHINHOS - Evangelho de São Mateus

INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE SÃO MATEUS
BÍBLIA DOS CAPUCHINOS

Este Evangelho, transmitido em grego pela Igreja, deve ter sido escrito originariamente em aramaico, a língua falada por Jesus. O texto atual reflete tradições hebraicas, mas ao mesmo tempo testemunha uma redação grega. O vocabulário e as tradições fazem pensar em crentes ligados ao ambiente judaico; apesar disso, não se pode afirmar, sem mais, a sua origem palestinense. Geralmente pensa-se que foi escrito na Síria, talvez em Antioquia ou na Fenícia, onde viviam muitos judeus, por deixar entrever uma polêmica declarada contra o judaísmo farisaico. Atendendo a elementos internos e externos ao livro, o atual texto pode datar-se dos anos 80-90, ou seja, algum tempo após a destruição de Jerusalém.

AUTOR
Do seu autor, este livro nada diz; mas a mais antiga tradição eclesiástica atribui-o ao apóstolo Mateus, um dos Doze, identificado com Levi, cobrador de impostos (9,9-13; 10,3).
Pelo conhecimento que mostra das Escrituras e das tradições judaicas, pela força interpelativa da mensagem sobre os chefes religiosos do seu povo, pelo perfil de Jesus apresentado como Mestre, o autor deste Evangelho era, com certeza, um letrado judeu tornado cristão, um mestre na arte de ensinar e de fazer compreender o mistério do Reino do Céu, o tesouro da Boa-Nova anunciada por Jesus, o Messias, Filho de Deus.

COMPOSIÇÃO LITERÁRIA
Mateus recorre a fontes comuns a Marcos e Lucas, mas apresenta uma narração muito diferente, quer pela amplitude dos elementos próprios, quer pela liberdade com que trata materiais comuns. O conhecimento dos processos e os modos próprios de escrever de Mateus são de grande importância para a compreensão do livro atual:
a) compilação de palavras e de fatos, de “discursos” e de milagres;
b) recurso a certos números (7, 3, 2);
c)  paralelismo sinonímico e antitético;
d) estilo hierático e catequético;
e) citações da Escritura, etc..

DIVISÃO E CONTEÚDO
Apesar dos característicos agrupamentos de narrações, não é fácil determinar o plano ou estabelecer as grandes divisões do livro. Dos tipos de distribuição propostos pelos críticos, podemos referir três:

1. Segundo o plano geográfico:
a) o ministério de Jesus na Galileia (4,12b-13,58),
b) a sua atividade nas regiões limítrofes da Galileia e a caminho de Jerusalém (14,1-20,34),
c)  ensinamentos, Paixão, Morte e Ressurreição em Jerusalém (21,1-28,20).

2. Segundo os cinco “discursos”, subordinando a estes as outras narrações: resulta daí um destaque para a dimensão doutrinal e histórica da existência cristã.
3. Segundo o objetivo de referir o drama da existência de Jesus:
Mateus apresenta o Messias...
a) em quem o povo judeu recusa acreditar (3,1-13,58) e
b) que, percorrendo o caminho da cruz, chega à glória da Ressurreição (14-28).
Aqui, limitamo-nos a destacar:
I. Evangelho da Infância de Jesus (1,1-2,23);
II. Anúncio do Reino do Céu (3,1-25,46);
III. Paixão e Ressurreição de Jesus (26,1-28,20).

TEOLOGIA
Escrevendo entre judeus e para judeus, Mateus procura mostrar como na pessoa e na obra de Jesus se cumpriram as Escrituras, que falavam profeticamente da vinda do Messias. A partir do exemplo do Senhor, reflete a praxe eclesial de explicar o mistério messiânico mediante o recurso aos textos da Escritura e de interpretar a Escritura à luz de Cristo. Esta característica marcante contribui para compreender o significado do cumprimento da Lei e dos Profetas: Cristo realiza as Escrituras, não só cumprindo o que elas anunciam, mas aperfeiçoando o que elas significam (5,17-20). Assim, os textos da Escritura neste Evangelho confirmam a fidelidade aos desígnios divinos e, simultaneamente, a novidade da Aliança em Cristo.

Nele ressaltam cinco blocos de palavras ou “discursos” de Jesus: 
a)    5,1-7,28;
b)    8,1-10,42;
c)    11,1-13,52;
d)    13,53-18,35;
e)    19,1-25,46.

Ocupam um importante lugar na trama do livro, tendo a encerrá-los as mesmas palavras (7,28), e apresentam sucessivamente: 
a)    “a justiça do Reino” (5-7),
b)    os arautos do Reino (10),
c)    os mistérios do Reino (13),
d)    os filhos do Reino (18) e
e)    a necessária vigilância na expectativa da manifestação última do Reino (24-25).

Desde o séc. II, o Evangelho de Mateus foi considerado como o “Evangelho da Igreja”, em virtude das tradições que lhe dizem respeito e da riqueza e ordenação do seu conteúdo, que o tornavam privilegiado na catequese e na liturgia. O Reino proclamado por Jesus como juízo iminente é, antes de mais, presença misteriosa de salvação já atuante no mundo. Na sua condição de peregrina, a Igreja é “o verdadeiro Israel” onde o discípulo é convidado à conversão e à missão, lugar de tensão ética e penitente, mas também realidade sacramental e presença de salvação. Não identificando a Igreja com o Reino do Céu, Mateus continua hoje a recordar-lhe o seu verdadeiro rosto: uma instituição necessária e uma comunidade provisória, na perspectiva do Reino de Deus.

Como os outros Evangelhos, o de Mateus refere a vida e os ensinamentos de Jesus, mas de um modo próprio, explicitando a cristologia primitiva: em Jesus de Nazaré cumprem-se as profecias;
a)    Ele é o Salvador esperado,
b)    o Emanuel,
c)    o «Deus conosco» (1,23) até à consumação da História (28,20);
d)    é o Mestre por excelência que ensina com autoridade e interpreta o que a Lei e os Profetas afirmam acerca do Reino do Céu (= Reino de Deus);
e)    é o Messias, no qual converge o passado, o presente e o futuro e que, inaugurando o Reino de Deus, investe a comunidade dos discípulos a Igreja do seu poder salvífico.

Assim, no coração deste Evangelho o discípulo descobre Cristo ressuscitado, identificado com Jesus de Nazaré, o Filho de Davi e o Messias esperado, vivo e presente na comunidade eclesial.
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FONTE: