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domingo, 8 de novembro de 2020

HOMILIA DO DOMINGO - 32º DOMINGO DO TEMPO COMUM: "VEM SENHOR!"

Imagem: Pinterest

Comentário de Enzo Bianchi, monge italiano fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste 32º Domingo do Tempo Comum, 8 de novembro de 2020 (Mateus 25,1-13).

EIS O TEXTO:

Nestes últimos domingos do ano litúrgico, a nossa contemplação se dirige à parusia, à vinda gloriosa do Senhor, mediante a leitura das três parábolas que concluem o discurso escatológico de Jesus no Evangelho segundo Mateus (cf. Mt 25). Hoje, ouvimos a parábola do Noivo que tarda a vir e das dez virgens chamadas a esperá-lo.

“O Noivo estava demorando…” O Senhor Jesus é o Noivo messiânico (cf. Mt 9,15; Ef 5,31-32), que veio para estreitar a nova e eterna aliança de Deus com toda a humanidade, no amor e na fidelidade (cf. Os 2,21-22). Depois de narrar Deus com toda a sua existência, Jesus “foi tirado” (cf. Mt 9,15) dos seus de forma violenta, conheceu a injusta e vergonhosa morte de cruz: o Pai, porém, o chamou de volta dos mortos, selando com a ressurreição o amor por ele vivido.

Pois bem, na sua inabalável esperança na ressurreição, Jesus tinha previsto e prometido aos discípulos a sua própria vinda como Noivo definitivo no fim dos tempos, afirmando, no entanto, que a hora precisa desse evento não é conhecida pelos anjos nem pelo Filho, mas apenas pelo Pai. (cf. Mt 24,36).

O problema sério, sentido com urgência pelos autores do Novo Testamento, consiste em fazer as contas com a demora da parusia. Diante desse grande mistério, não devemos desanimar nem cair no cinismo, mas obedecer a um mandamento preciso de Jesus: “Despertem, fiquem prontos, porque vocês não sabem em que dia virá o Senhor de vocês” (Mt 24,42,44).

É precisamente nesse rastro que se situa a nossa parábola. Dez virgens, figura da Igreja chamada a se apresentar a Cristo como virgem casta (cf. 2Cor 11,2), pegam as lâmpadas para sair ao encontro do Noivo, que vem celebrar as núpcias eternas com a humanidade inteira. Jesus logo especifica que cinco delas são imprevidentes, e cinco, previdentes: as primeiras levaram consigo o óleo para reacender o fogo nas lâmpadas, prevendo um longo tempo de espera, as outros não o fizeram.

“O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo.” É difícil permanecer vigilante, manter-se constantemente voltados ao encontro com o Senhor. Por isso, Jesus insiste no fato de que o sono une todas as virgens: e quem de nós pode dizer que não passou por horas e dias de obliteração, de esquecimento da vinda do Senhor? Realmente ninguém está isento desse risco. A diferença está em outro lugar...

De fato, quando a noite é trespassada pelo grito: “O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!”, todas as virgens, assim como haviam adormecido, acordam e preparam as lâmpadas. Então, as imprevidentes, vendo que as suas lâmpadas se apagam, começam a pedir óleo às previdentes, mas ouvem uma rejeição: “De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós”.

Egoísmo? Falta de caridade? Não, simplesmente esse óleo ou se tem em si mesmo, ou ninguém pode esperá-lo dos outros: é o óleo do desejo do encontro com o Senhor. Cada um de nós conhece (ou deveria!) a sua própria verdade mais profunda, sabe aquilo que no próprio coração se mantém acordada ou, pelo contrário, apaga a espera do Senhor: nos dias bons como nos maus, na vigília como no sono – “Eu durmo, mas o meu coração vigia” (Ct 5,2), afirma a noiva do Cântico – é nossa responsabilidade renovar os estoques desse azeite, para que o nosso coração arda do desejo do encontro com o Noivo...

É na capacidade de manter vivo esse desejo hoje que está em jogo o juízo final, isto é, o fato de ser ou não reconhecido pelo Senhor quando Ele vier no fim dos tempos.

Neste tempo que vai da ressurreição do Senhor Jesus à sua vinda na glória, o grito da Igreja é o da noiva que, junto com o Espírito, invoca: “Vem, Senhor Jesus! Maranà tha!” (cf. Ap 22,17.20; 1Cor 16,22). E cada cristão, ao ouvir esse grito, deveria responder, por sua vez, com todo o coração, a mente e as forças: “Vem!”, sabendo que o desejo ardente da vinda do Senhor já é, aqui e agora, primícias da comunhão com Ele.

 

Tradução: Moisés Sbardelotto.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/604426-ainda-ha-alguem-que-espera-o-senhor

sábado, 20 de janeiro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: O TEMPO SE CUMPRIU


3º Domingo do Tempo Comum - Ano B
"O tempo se cumpriu, o reino de Deus está próximo. Convertam-se e creiam no Evangelho." Mc 1,15
Segundo o Evangelho de São Marcos, que não traz nenhuma informação da infância de Jesus, mas começa a narrar desde o batismo, essas são as primeiras palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo. E por isso são carregadas de significado e capazes de fazer uma verdadeira revolução na nossa vida, se a deixamos.
O texto começa dizendo: "o tempo se cumpriu". Do que está falando? Certamente é da presença de Jesus. Depois de tantos séculos de trevas, chegou a Plenitude dos tempos: o verbo de Deus se fez carne. Deus veio habitar entre nós. Desde quando Jesus se encarnou, já podemos nos encontrar com Deus quando nos queremos. Deus é sempre próximo e disponível. De fato, o tempo de que se fala aqui não é aquele histórico, é do tempo da graça, do tempo existencial.
Em seguida nos diz que "o reino de Deus está próximo". Este reino o sabemos, é o império do amor, da fraternidade, da justiça, da paz…mas que significa dizer que "está próximo"? Significa dizer está a porta, está onde todos podemos encontrar, numa palavra, está a disposição de quem o quiser aceitar. Alguém poderia dizer: se é verdade que o reino de Deus está tão próximo, por que nossa realidade é ainda triste? Ou então, se já faz dois mil anos que estão dizendo "o tempo se cumpriu" porque acontecem tantas barbaridades?
Bem, dissemos acima que o tempo de que nos fala não é o tempo histórico, mas sim o tempo existencial, e aqui está um lindo modo de entender esse texto. Isto significa dizer que HOJE pode ser a plenitude do tempo em minha vida se eu decido ser cristão de verdade, sem brincadeiras, e integralmente. Minha vida poderá transformar-se por completo. Imaginem, se agora decides mudar teus critérios pelos critérios de Jesus. Se começa a olhar as pessoas com os olhos de Jesus ( a partir dos teus familiares até os mais pobres, diferentes, pecadores…), a escutar com os ouvidos de Jesus, a amar-lhes com o coração de Jesus. Se desde agora já não te importa de sofrer pelos demais, se te dispõe a carregar com suas cruzes, a dar a outra face, a perdoar até aquele que te cravou, a não entrar em disputa com ninguém, a não te preocupar com as calunias, a viver aqui sabendo-se parte de um outro mundo, onde as pessoas valem muito mais, não somente pelo que fazem ou tem, e sim pelo que são ( Filhos amados de Deus). Sem dúvidas isso significaria que na tua vida "o tempo se cumpriu" e " o reino que estava próximo" se transformou em uma realidade. Se olhamos a história encontramos muitos ( muitíssimos) exemplos de gente que fez isso na sua vida. Por exemplo São Paulo, São Francisco, São João Bosco, Madre Teresa de Calcutá… e tantos outros seguramente que também você conhece pessoalmente, pois muitos deles vivem entre nós . São pessoas que um dia decidiram e disseram: "HOJE se cumpriu o tempo em minha vida", e se transformaram em símbolos da presença de Deus nesse mundo, e neles o reino de Deus se fez presente na história. São pessoas com coragem de viver a plenitude da vida, que resistem aos critérios do mundo, que se alimentam da sua palavra e da Eucaristia e mesmo contra a corrente, seguem testemunhando que o tempo se faz pleno quando nós o abraçamos.
A segunda parte dizia: "Convertam-se e creiam no Evangelho". Essa palavra "converter-se” se olhamos no grego ( como foi escrita por Marcos) descobrimos que quer dizer "mudar de mentalidade", não só chorar pelo que se fez de mal no passado, mas muito mais decidir-se a praticar o bem de agora em diante. Deus não está tão interessado no passado. Tenha acontecido seja lá o que for, Deus pode curar, esquecer e perdoar. Ele está muito interessado no futuro, no que nos dispomos a ser e fazer. É conversão do coração. É mudança radical e profunda . Não é somente uma maquiagem.
A autentica conversão sem duvidas é "acreditar no Evangelho"; é aderir a boa nova, é assumir o seu conteúdo como um projeto de vida possível a todos. É bom dizer que esse desafio não é somente para os que são sacerdotes, os freis e as irmãs. É para todos. Para os casados, os trabalhadores, os jovens, os anciãos, os letrados, os simples, os empresários, os mendigos,… todos somos convidados a realizar concretamente na historia o reino de Deus. Nas frases seguintes do Evangelho deste domingo aparece duas vezes a palavra "imediatamente o seguiram". Que lindo se nós fizéssemos o mesmo : imediatamente.

O Senhor te abençoe e te guarde,
O Senhor faça brilhar sobre ti o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
O Senhor mostre o seu olhar carinhoso e te dê a PAZ.

Frei Mariosvaldo Florentino, capuchinho.

FONTE: Gotas de Paz - 734 - Freis Capuchinhos.