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domingo, 25 de agosto de 2024

EXISTE DIFERENÇA ENTRE ESPIRITUALIDADE E RELIGIOSIDADE?

(Gogle imagens - s/autoria)

A espiritualidade pode ser definida como "uma dimensão da experiência humana relacionada ao sentido e ao propósito da vida, que pode incluir crenças religiosas, bem como práticas, sentimentos e atitudes que conectam o indivíduo a algo maior que si mesmo."  Essa definição pode ser associada ao trabalho de Kenneth Pargament, um renomado psicólogo que estuda a espiritualidade e a religião. Ele sugere que a espiritualidade é uma busca de significado que transcende o material e se conecta ao transcendente, seja através de uma religião organizada ou de uma perspectiva mais pessoal e individualizada.

Para Boff, a espiritualidade é "a busca de um sentido profundo para a vida, que vai além da dimensão material e imediata, conectando o ser humano ao mistério da existência, à natureza e ao cosmos, em uma relação de respeito e harmonia."

A Espiritualidade pode ser entendida como o conjunto de crenças que traz vitalidade e significado aos eventos da vida em dimensões que transcendem o tangível, que elevam o coração e o sentir humanos à experiência com algo maior que o seu existencial e que pode ou não estar relacionada a uma prática religiosa formal. É a propensão humana para o interesse pelos outros e por si mesmo. Ela atende à necessidade de encontrar razão e preenchimento na vida, assim como a necessidade de esperança e vontade para viver.

Espiritualidade é a busca por um significado maior, uma conexão com algo superior, seja Deus, o universo ou nossa essência interior. Não se trata de seguir dogmas ou rituais, mas de uma experiência pessoal que transcende a materialidade.

Simplificando, a espiritualidade é um vasto oceano sem fim, que compreende todas as coisas nele contidas. Já a religião está contida neste “mar infinito” que é a espiritualidade.

A espiritualidade não está presente apenas nas religiões, existem vastos caminhos para despertá-la e vivenciá-la. As religiões trazem consigo um sistema de regras, dogmas, crenças, e quem se identifica realmente com elas, pode segui-las sem problemas. Mas a espiritualidade em essência independe desses aspectos. A espiritualidade é livre, é a sua forma pessoal de se relacionar com o sagrado, com o transcendente.

É importante reconhecer que o sagrado, o transcendente, não é necessariamente Deus. Digo, não aquele Deus do cristianismo ou de qualquer outra religião. A espiritualidade transcende essa ideia, ela é livre e vasta. A sua relação com o divino pode ser feita através do contato com a natureza, ou com o contato consigo mesmo, através da meditação, pode ser também algo que te traga muito sentido, como a prática de algum esporte ou hobbies. Tudo aquilo que te conecta com algo maior que você, pode ser chamado de espiritualidade.

O autoconhecimento é um caminho para alcançar a espiritualidade, para se conectar com nosso "eu" interior e o transcendente. É através dele que nos tornamos conscientes da nossa totalidade, onde a perspectiva de mundo e da forma que você se relaciona com ele não fica presa ao Ego, ela se amplia. Passamos a entender que somos muito mais do que os nossos gostos, muito mais do que é certo ou errado, não ficamos presos a uma ideia de identidade, pois tudo isso limita. O autoconhecimento nos dá a capacidade de perceber que estamos além de tudo isso. Somos o todo e parte dele.

O conceito de espiritualidade pode referir-se ao vínculo entre o ser humano e Deus ou uma divindade. A religião tende a ser o nexo que permite desenvolver esta relação. Pode-se dizer que os sacerdotes, os pastores e diversos gurus falam de espiritualidade quando tratam assuntos religiosos. Desta forma, nossa espiritualidade nos ajuda a espalhar o Evangelho.

Em resumo, podemos ter espiritualidade sem religião, mas, a religião não sobrevive sem a espiritualidade. Sem ela somos vazios. 

(*Este texto é um resumo de vários textos encontrados na Internet, alguns sem  autoria definida, com as reflexões da Catequista Ângela Rocha).

 Referências:

BOFF, Leonardo. Espiritualidade: um caminho de transformação. Petrópolis: Vozes, 2001.

PARGAMENT, K. I. The psychology of religion and coping: Theory, research, practice. Guilford Press, 1997.

OBS.: Sempre haverá aqueles que não conseguiram externar a sua espiritualidade “fora” da religiosidade. Estes devem ser alertados...

TAREFA: Coloque em palavras como você sente a sua espiritualidade. Você é capaz de pensar nela, sem pensar a religião que professa?

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* ESTE E OUTROS TEXTOS/ATIVIDADES, ENCONTRAM EM NOSSA APOSTILA


São 73 páginas com textos e atividades, que podem ser feitas pelo Grupo de Catequistas da sua comunidade ou enviadas para o Catequistas em Formação pelo email angprr@gmail.com 

Você receberá comentários da autoria e um arquivo em powerpoint com material do Pe. Humberto Robson carvalho.

ADQUIRA JÁ A SUA!

CONTATO WHATS: 41 99747-0348

sexta-feira, 19 de maio de 2017

POLÍTICA: COMO TRATAR ESTE ASSUNTO NA CATEQUESE?

A gente fala de política na catequese? Numa resposta bem “saudável” para todos, eu diria que ultimamente não se deveria falar de política em lugar algum, se quisermos manter a paz do ambiente. Não da política brasileira, pelo menos. No entanto, a realidade que estamos vivendo, pede nosso envolvimento, pois trata-se da preservação da nossa sociedade. 

O assunto está aí nos telejornais, jornais, revistas e nas redes sociais. E esta última é preocupante do ponto de vista de que nossas crianças e jovens tem amplo acesso às mídias digitais, e estão tomando conhecimento de “como” os adultos (incluindo seus pais e catequistas) estão tratando o assunto. E, sinto dizer, alguns “adultos” estão falando do assunto com total imaturidade. Estão expondo seus pontos de vista de forma parcial, sem uma análise crítica dos fatos e – gravemente – externando discursos preconceituosos e carregados de ódio.

E como entrar nesse assunto em nossos encontros? Ou devemos ignorar totalmente o que vem acontecendo no Brasil e tratar exclusivamente dos nossos roteiros temáticos usuais? Mas, se formos por este caminho, onde fica a “interação fé e vida” que deve perpassar a nossa prática catequética?

Na catequese dos pequenos, até podemos “deixar pra lá”, já que eles não têm muito acesso aos meios de comunicação digital (ainda gosto de pensar assim!). Mas, eles têm acesso às conversas dos pais, dos grupos familiares, etc. Então, se perguntas surgem, é bom estar preparado para responde-las.

Já na catequese dos adolescentes e jovens, este é um assunto que deve ser tratado. Eles estão aí, com amplo acesso a tudo que acontece no mundo. Às vezes pode até parecer que política não seja do interesse deles, mas, ela faz parte da sociedade em que eles vivem e afeta suas vidas.

Então como tratar de um assunto tão delicado como a política, nos dias de hoje?

Primeiro que o assunto não deveria ser “delicado”. Só o está sendo por conta das defesas “apaixonadas” de alguns e das críticas ferrenhas de outros. A “delicadeza” da coisa se mostra quando citamos “nomes” de políticos e partidos. É como torcer para um time de futebol no Brasil. O meu é bom e o seu não presta! E episódios de violência em estádios e ruas têm sido frequentes. Parece que perdemos a capacidade de defender um ponto de vista sem nos distanciarmos da civilidade. E futebol, religião e política; acabam sendo temas polêmicos causando desavenças irreconciliáveis até.

Ao tocarmos em um assunto tão polêmico com nossos adolescentes e jovens, muito provavelmente, vamos esbarrar em opiniões bem eloquentes e preconcebidas, herdadas de seus pais. E vão se repetir, sim, discursos de ódio e preconceito. É justamente aí que entra o nosso papel de propagadores da fé e crença no projeto de Jesus Cristo: uma sociedade justa, fraterna, onde as pessoas convivam com suas diferenças, sem usarem a discriminação e a violência. Uma sociedade de amor e respeito ao próximo.

Neste caso, compete ao catequista promover o diálogo, mediando as discussões de forma a enaltecer justamente isso: como estamos tratando o assunto? Com nossos valores cristãos ou como qualquer outra pessoa que não conhece Jesus? Está havendo “diálogo” ou “briga de foice no escuro”*?

Iluminar o encontro

Para “iluminar” nosso encontro é bom escolher uma passagem bíblica que nos leve a refletir basicamente sobre o que vem acontecendo na política brasileira: os vários julgamentos deste ou daquele político por crimes de corrupção e outros termos jurídicos como: lavagem de dinheiro, desvio de verbas, compra de votos e outros.

Julgar nada mais é do que olhar os fatos para a apurar o que é certo e errado. Não é errado julgar para entender se uma ação é certa ou errada. Mas quando entendemos que algo é errado, temos a responsabilidade de não fazer aquilo. Assim como não podemos julgar usando de nossas próprias “leis”. Ou condenando-as antes de saber se realmente são culpados.

Precisamos ter cuidado com julgamentos. Muitas vezes julgamos de maneira injusta, olhando as aparências ou sem tentar entender direito. Não devemos condenar as pessoas, sem misericórdia. Assim como Deus nos perdoou, nós também devemos perdoar os outros.
A Bíblia traz várias passagens sobre o “Julgar” e “não Julgar”:

“Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos". (João 7,24)

"Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: 'Deixe-me tirar o cisco do seu olho', quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão. (Mateus 7, 1-5).

Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. (1João 4,1).
Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está agindo como juiz. Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo? (Tiago 4, 11-12).

Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando você mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas. Sabemos que o juízo de Deus contra os que praticam tais coisas é conforme a verdade. Assim, quando você, um simples homem, os julga, mas pratica as mesmas coisas, pensa que escapará do juízo de Deus? (Romanos 2, 1-3).

A passagem de Mateus 7, 1-5, é o texto principal para nortear o encontro. É um trecho do “Sermão da Montanha”, ensinamentos deixados por Jesus para que as pessoas alcancem as Bem Aventuranças e assim tenham o “Reino dos Céus”.

Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

Com certeza a leitura e reflexão destes textos bíblicos trarão o “tom” ao encontro. Sim, é preciso “julgar”, mas, julgar de forma coerente e justa, sem perseguir esse ou aquele e sem precipitação.

Olhar a realidade

Nossos adolescentes precisam ser convidados a “olhar” a realidade, primeiro com os olhos da fé, com amor e misericórdia, acreditando que por mais que existam culpados, estes precisam ser julgados e condenados, primeiro pela própria justiça dos homens; e depois, pela justiça de Deus. Praticar a intolerância e o pré-julgamento não são práticas cristãs.

Depois vem a questão de que, ao se olhar esta realidade, a princípio, parecer não haver políticos honestos e que toda a máquina de administração pública está envolvida em corrupção. Este é um problema sério. Perdemos totalmente a confiança no outro. E esse “outro”, são as corporações privadas, empresários, representantes da sociedade, e não só as pessoas que, democraticamente, deveriam nos representar e que nos “traem” em nossa confiança sem o menor remorso. E não há uma só direção ou ideologia política que está “podre” em nosso cesto de maças. São várias, esquerda, direita, centro... enfim. Tem sido assustador olhar o horizonte do Brasil. E a perplexidade ante as informações que recebemos é o tom da hora.

E cuidado ao colocar estas “informações” no seu encontro! Infelizmente os principais veículos de comunicação em nosso país, não conseguem a devida “isenção” e imparcialidade ao comunicar a informação.  Leia vários jornais, assista vários canais, olhe vários sites na internet e escolha aquele que tenha o melhor discernimento sobre tudo que está acontecendo. Fuja da citação de “nomes” deste ou daquele e não faça “julgamento” de nenhuma pessoa.

Como agir?

Precisamos dar aos nossos jovens ESPERANÇA. Esperança num futuro onde a justiça prevaleça, onde os homens encontrem solução para seus problemas sociais e que possamos discutir política sem nos agredirmos.

E essa esperança passa sobretudo por ELES: nossos pequenos, nossas crianças, nossos adolescentes e jovens; que estão aí assistindo toda essa derrocada da nossa política. Sem dúvida é uma grande responsabilidade, mas, nosso FUTURO democrático depende deles, de suas ações, de suas crenças e valores e de sua vontade de AGIR.

Hoje, o jovem pode votar aos 16 anos. E em 2019, alguns dos nossos catequizandos já vão votar e alguns até já estão votando. Que estas “lições” que estamos tendo hoje, pela nossa irresponsabilidade nas urnas, seja uma lição que o jovem aprenda, para não repetir nossos erros.

Sem dúvida, a oração também é importante. Precisamos rezar pelo destino do nosso povo, rezar para que a justiça dos justos prevaleça, para que nossa população tenha paciência, saiba enfrentar estes tumultos com o coração contrito, mas, que prevaleça a paz entre nós.

O catequista aqui, deve ser a última pessoa a fomentar discórdia, a promover discurso de ódio em suas páginas na rede social. Que a justiça seja feita, mas, somos também responsáveis pela disseminação do amor, da paz, da compreensão e da misericórdia. Não esqueçamos disso.

Concluindo...


Religião e política, podem e devem caminhar juntas. Elas só se desencontram quando a intolerância religiosa se choca contra o estado democrático. Pode parecer a princípio que elas são “sal” e “açúcar”. Mas, vale lembrar que ambos são necessários em várias receitas.

O cidadão não está dissociado do cristão. Quando saímos do âmbito teórico espiritual da religião, percebemos que ambas: política e religião, em suas funções e serviços, tem papéis sociais semelhantes na prática. Muitos são os projetos sociais criados por instituições religiosas, que colaboram diretamente com o Estado, beneficiando de forma efetiva a muitas comunidades em todo país, onde nota-se a política caminhando junto com a religião.

Nos últimos tempos em nosso país, as palavras política ou político têm recebido forte conotação pejorativa, especialmente em virtude da corrupção generalizada, escândalos nos governos e má administração do dinheiro público, (como vimos nesta semana em grau elevadíssimo). Neste cenário, escutamos muita gente dizer que não gosta de política. No meio cristão, muitas pessoas acreditam ser completamente desnecessário o envolvimento com as questões públicas (como se fosse possível), o que tem fortalecido esse conceito de que política e religião não se misturam. Contudo, necessário é compreender que a participação política é uma necessidade vital de todos os indivíduos, inclusive cristãos. E, ainda mais, pelos VALORES que temos intrínsecos.



Fonte: IBGE 2010

A população brasileira é majoritariamente cristã (87%) em sua diversidade religiosa, (estatística IBGE 2010) logo, é natural que hajam representantes políticos religiosos. Dissociar isso é perigoso.


Ângela Rocha
Catequista


* O termo “Briga de foice” é usado para caracterizar uma briga em que, usando-se essa ferramenta a esmo (no escuro), qualquer um que esteja por perto poderá ser decepado, independentemente de ser o alvo ou não.