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domingo, 7 de junho de 2015

LIDERANÇA X INVEJA - PARTE V


INTRODUÇÃO

O que é liderança afinal?

Podemos responder que é o processo de conduzir um grupo de pessoas a um objetivo comum. E LÍDER é aquele que recebe tal responsabilidade, assumindo o compromisso de levar o grupo àquele objetivo. Portanto, liderar exige conhecimentos, técnicas e aprendizado contínuo no trato de pessoas. Mas, é bom não confundir administrar coisas com liderar pessoas!

Liderar não é administrar templos, finanças, organizações. Você pode ser um ótimo administrador das finanças da sua Igreja, por exemplo, e não ter nenhuma liderança nesta área.

1 – FOCOS DO LÍDER:
·         PESSOAS: elas são o alvo da liderança. Não se lidera coisas, lidera-se pessoas!
OBJETIVO: sem objetivo, o grupo se perde, o líder não sabe para onde liderar seu grupo. 
É preciso ter um objetivo principal, por exemplo: Um Grupo Bíblico de Reflexão tem o objetivo de levar mais conhecimento da Bíblia às pessoas trazendo mais integração às pequenas comunidades e grupos.

2 – ESTILOS DE LIDERANÇA:
Quais são os estilos de liderança mais conhecidos? Como se comportam os líderes?
  • Autocrática: decide tudo sozinho. Não dá espaço para novos líderes. Exigente. Foco nos “resultados” e não nas pessoas.
  • Democrática: não decide nada, deixa tudo para que os liderados decidam. Foco nas pessoas e não no objetivo.
  • Volúvel: vai de acordo com a “onda”. Muda o objetivo de acordo com “as novidades”.
  • Detalhista: perde-se em detalhes e perfeccionismos. Preocupa-se mais com os métodos que o objetivo.
  • Responsável: assume a responsabilidade da liderança, motivando o grupo a atingir o objetivo. Trabalha com foco nas pessoas sem perder de vista o objetivo.
3 – TÉCNICAS DO BOM LÍDER:
  • COMUNICAR: informar de maneira clara, direta e simples. Transmitir a visão da necessidade de conseguir o objetivo.
  • DELEGAR: acionar os recursos dos seus liderados (“dons”) na direção do objetivo. Fazer com que 1+1 seja igual a 3. Organizar tarefas e funções. Formar equipes.
  • INOVAR: aceitar mudanças e novas ideias. A única coisa que o bom líder não cede é quanto ao objetivo. No caso do líder cristão, não cede quanto ao respeito à doutrina e tradição da Igreja.
  • MOTIVAR: incentivar novas lideranças. Elogiar. Estimular a participação dos liderados nos processos que levam ao objetivo final. Ser exemplo de conduta.
  • PLANEJAR: ter uma visão de longo prazo, definindo prioridades. Treinar as lideranças. Adotar metodologias compatíveis com os objetivos.
4 – EXEMPLO DE LIDERANÇA: JESUS!
Seu objetivo: Salvar os homens do pecado e do mal, fazer acontecer o Reino de Deus.
·         Comunicou: sua mensagem de amor e nova vida, na linguagem do povo da época (parábolas). Falava a língua das pessoas de sua época. Pregou em aramaico (língua corrente da Palestina).
·         Delegou a missão de espalhar a mensagem de salvação a todo o mundo.
  • Inovou, ou seja, rompeu com as arcaicas tradições religiosas da época. Ensinou ao ar livre,   concedeu perdão a prostitutas e cobradores de impostos, curou no sábado.
  • Motivou: enviou Seu Espírito para que seus discípulos saíssem de seus “esconderijos”. Foi exemplo de conduta em todas as áreas humanas.
  • Planejou: deu ordens específicas (“Amai-vos uns aos outros…”) e escolheu 12 homens para a liderança, treinando-os durante 3 anos.
5 – A ESCALA DE VALORES DO LÍDER CRISTÃO
1) CRISTO - 2) PESSOAS - 3) IGREJA - 4) EU
  • O objetivo é: “Servir a Cristo e Seu Reino, como embaixadores.” (Mt 6, 33; 2Cor 5, 19-20)
  • A prioridade é: “Pessoas... fazer discípulos”.  (Mt 28, 18-20)
  • O método é: “Missionário, através do Corpo de Cristo (a Igreja)” (Mt 16, 18-19)
  • O menor servo é: “eu” (Mc 19.35, Lc 9, 46-48).
6 – AS 10 BEM AVENTURANÇAS DE UM LÍPER:
  1. Bem aventurado o líder que não busca posições elevadas, mas que foi convocado ao serviço pela sua habilidade e disposição de servir.
  2. Bem aventurado o líder que sabe para onde está indo e como chegar lá.
  3. Bem aventurado o líder que não fica desencorajado e que não apresenta alegações para isto.
  4. Bem aventurado o líder que sabe liderar sem ser ditador. Os verdadeiros líderes são humildes.
  5. Bem aventurado o líder que busca o melhor para os seus liderados.
  6. Bem aventurado o líder que lidera conforme o bem da maioria e não segundo a gratificação pessoal de suas próprias ideias.
  7. Bem aventurado o líder que desenvolve líderes ao liderar.
  8. Bem aventurado o líder que marcha com o grupo, interpretando corretamente os sinais do caminho que conduzem ao sucesso.
  9. Bem aventurado o líder que tem a sua cabeça nas nuvens, mas os seus pés na terra.
  10. Bem aventurado o líder que considera a liderança como uma oportunidade de servir.
7 – BARREIRAS E ERROS:

A liderança é um desafio ao serviço. A verdadeira liderança não pode ser concedida, nomeada ou atribuída. Deve ser conquistada. O líder tem que inspirar a confiança e merecer o respeito de seus liderados.
Um dos maiores entraves da liderança é a falta de Delegação do poder, por:
  • Desejo de segurança e “status” – O único líder verdadeiro é aquele que se reproduz!
  • Resistência à mudança.
  • Falta de autoestima.
  • Só os líderes seguros são capazes de doar.
  • As melhores coisas acontecem somente quando você dá a fama aos outros.

8 - LÍDERES MEDÍOCRES
  • Têm que estar sempre certos: Eles precisam sempre ganhar as discussões, forçar as pessoas a concordarem com elas e lazer tudo do seu jeito. Seu ego nunca permite que eles aceitem que estão errados ou que cometeram um erro. Isso acaba destruindo qualquer possibilidade de criatividade ou inovação dentro da equipe.
  • Perdem a calma por qualquer coisa: A maioria dos chefes medíocres usará sua raiva e temperamento explosivo para controlar ou intimidar os outros.
  • Externam seus problemas jogando a culpa nos outros: Ao fazer isso, ao invés de ajudar a resolver o problema e evitar que ele ocorra novamente, só conseguem aumentar os ressentimentos e a desmotivação dentro da equipe.
  • Têm pouca tolerância e nenhuma paciência: Tendem a desrespeitar e diminuir sua equipe, tornando bastante desagradável o ambiente de atividades, matando a paixão e a energia de todos.
  • Têm sérios problemas para controlar-se: A maioria dos líderes medíocres têm que estar permanentemente no controle. Sentem-se perdidos ou desconfortáveis quando algum outro está no comando. Acreditam que têm todas as respostas, e acham que sempre devem ter a resposta certa,
  • Têm medo de delegar: rodeiam-se de pessoas parecidas com eles na forma de pensar, acreditar, comportar e mesmo de vestir. Depois tratam essas pessoas como se fossem escravos sem cérebro, que existem apenas para seguir suas ordens e produzir os resultados adequados. Obviamente, isso acaba matando a liberdade de expressão, a diversidade e qualquer possibilidade de mudança!
  • Não têm um propósito maior na vida: A maioria dos líderes medíocres se preocupam mais com as estatísticas do que as pessoas. Cobram sem parar, e perturbam o ambiente, ao invés de estimular as pessoas.
  • Não têm a habilidade de reconhecer sinceramente: Não conhecem as pessoas pelo que elas são, somente pelo que produzem. Ao serem questionados sobre o assunto, já que existem benefícios comprovados em cuidar do lado humano da equipe, os medíocres sentem-se altamente desconfortáveis, pois se são incompetentes em lidar com suas próprias emoções, imagine então com a dos outros.
  • Têm baixíssima inteligência emocional: Enquanto muitos líderes medíocres tem níveis altos de inteligência e treinamento, com formação em Universidades famosas e muito conhecimento técnico, tendem também à pobreza nas qualidades pessoais, de personalidade e caráter fundamentais para liderar e inspirar uma equipe. Este defeito acaba provocando reflexos em outras áreas, como por exemplo, constantes mudanças nos trabalhos e planos.
  • Não têm autenticidade e honestidade: acha que pode enganar o público com pequenas mentiras, meias verdades e falsas promessas, esquecendo-se que com estes ‘pequenos detalhes1 na verdade estão cavando sua própria ruína. As pessoas podem até esquecer-se de algo que você tenha feito ou dito – mas nunca se esquecerão de quem você é, como é e como as tratou. O mundo é pequeno – trate-as bem!
9 – PRINCÍPIOS DE LIDERANÇA:
  • Os lideres tocam o coração antes de pedir ajuda: Você não pode estimular as pessoas à ação a menos que primeiro as estimule com a emoção. O coração em primeiro lugar, depois e cabeça. Quanto mais fortes a relação e a ligação entre as pessoas, maior será a probabilidade do consenso e da união. Mesmo num grupo você precisa se relacionar com cada pessoa individualmente. As pessoas não se preocupam com o quanto você sabe até que saibam o quanto você se preocupa com elas. Para liderar a si mesmo use a cabeça; para liderar os outros, use o coração.
  • O potencial de um líder é determinado pelas pessoas mais próximas dele: Se as pessoas são fortes, o líder pode realizar grandes coisas. Se forem fracas, nada feito. Essa é a lei do círculo íntimo. Quando você forma a equipe certa, o potencial dispara. Não existem líderes do tipo “Aventureiro Solitário”. Se você está só, não está liderando ninguém. O líder encontra grandeza no grupo, e ajuda os membros a encontrá-la em si mesmos. Pense em qualquer líder altamente eficaz, e achará alguém que se cercou de um forte círculo íntimo.
  • Não existe sucesso do dia para a noite. Liderança é aprendizado: É a sua capacidade de desenvolver e lapidar as suas habilidades que distingue os líderes dos seus seguidores. O segredo do nosso sucesso está nos compromissos diários. Líderes são aprendizes. Liderança é como investimento; rende juros, mas exige: respeito, experiência, força emocional, habilidade com pessoas, disciplina, visão, ímpeto e senso de oportunidade.
  • A verdadeira medida da Liderança é a influência – nada mais, nada menos: A emergência de um Líder acontece quando as pessoas o seguem aonde você for, mesmo que por mera curiosidade. A verdadeira liderança não pode ser concedida, nomeada ou atribuída.
  • Qualquer um pode pilotar o barco, mas só um Líder sabe traçar o percurso: As pessoas precisam de líderes capazes de navegar eficientemente. Os navegadores vislumbram a viagem com antecedência. O líder é aquele que vê mais do que os outros, que vê mais longe do que os outros, que vê antes dos outros.
·         Quando o verdadeiro líder fala, as pessoas ouvem: Os olhos revelam (em uma reunião), quando alguém fez uma pergunta, para quem olham as pessoas? Quem elas esperam ouvir?
  • Só líderes seguros delegam poder aos outros: Existem líderes que tem o hábito horrível de se livrar dos líderes fortes. O melhor líder é aquele que tem percepção suficiente para escolher homens competentes que façam o que ele quer que se faça, e autodomínio suficiente para não se intrometer no trabalho deles. O modelo de liderança de delegação do poder, no qual todas as pessoas recebem funções de liderança, se opõe ao poder da posição. A capacidade que as pessoas tem de realizar é determinada pela capacidade que tem o seu líder de delegar poder. O líder sabe exaltar os pontos positivos de seus liderados, bem como identificar os pontos críticos e lidar com eles, advertindo, aconselhando e discutindo as soluções.
  • Credibilidade: A intuição aponta caminhos que não são tão óbvios nem tão facilmente explicáveis. Experiência não garante credibilidade, mas encoraja as pessoas a lhe dar uma chance de provar que você é capaz. A atuação das duas é ponto forte para a credibilidade do líder.
Sete aspectos fundamentais na vida dos líderes que os fazem se destacar:
Caráter, Relações, Conhecimento, Intuição, Experiência, Êxitos passados e Capacidade.

10 – REQUISITOS PARA SER UM BOM LÍDER:

Tanto os que já são líderes como os que esperam ser, devem estar conscientes dos seguintes requisitos:
Ø  Capacidade de liderança é um dom de DEUS. Essa capacidade dever ser desenvolvida pela educação, instrução e treinamento.
Ø  No reino de DEUS a liderança dever ser exercida por aqueles que demonstram desejo de servir e não de “aparecer”. O evangelho em si é um serviço de DEUS aos homens e destes aos seus semelhantes. Examine-se e veja se o seu desejo é motivado pelo desejo de servir ou de ser reconhecido.
Ø  Facilidade de expressão e conhecimentos gramaticais ajudam o líder na tarefa de “comunicar”. Quanto melhor for a vida devocional do líder, melhor será a sua liderança.
Ø  Todo líder deve conhecer “regras parlamentares”. Isso o ajudará na direção de reuniões ou assembleias de caráter administrativo.
Ø  Ao líder não pode faltar o conhecimento básico de “boas maneiras”; isso o ajudará no seu intercâmbio social.
Ø  Conhecimento específico e profundo do que diz respeito ao seu campo de ação e generalizado, em outros assuntos, são necessários ao bom líder.
Ø  Firmeza, humildade e amor, precisam estar juntos, sempre, na ação do líder cristão.
Ø  Pontualidade nos compromissos e horários, deve ser uma característica marcante do líder cristão.
Ø  Não se pode exercer uma boa liderança sem conhecimento profundo da vida e dos problemas dos liderados.
Ø  Para ocupar um posto de liderança é preciso conhecer bem a história, princípios, leis, estatutos, regimento e tudo mais que diga respeito à organização onde será exercida a liderança.
Ø  Conhecer bem as Escrituras e as Doutrinas que caracterizam o grupo, igreja ou denominação, é essencial a uma liderança capaz e eficiente.
Ø  Acerto na escolha de auxiliares dará tranquilidade ao líder.
Ø  Administração em grupo com distribuição de tarefas e delegação de poder, deverá manter a unidade na pluralidade de ação.

O líder cristão ao ter que tomar uma decisão deve observar o seguinte:
Ø  Nada se faz sem consultar a DEUS. Um razoável período de oração deve preceder cada decisão.
Ø  Nada se faz que não seja do interesse ou para o bem geral do grupo.
Ø  Nada se faz sem a aceitação do grupo. A unanimidade nas decisões é o ideal. Mais de dez por cento do grupo contrário a qualquer decisão, deve fazer com que o assunto fique sobre a mesa para reestudo.
Ø  Nada se faz sem consultar pessoas que já tiveram o mesmo problema ou pessoas mais experimentadas.
Ø  Nada se faz sem ouvir opiniões contrárias, quando há.
Ø  Nada se faz sem estudar as várias soluções oferecidas.
Ø  Nada se faz sem estudar as vantagens e desvantagens.
Ø  Nada se faz sem ter, pelo menos, três orçamentos (em se tratando de serviços que demandam custos).
Ø  Nada se faz sem avaliar as possibilidades econômicas e financeiras.
Ø  Nada se faz sem organizar um esquema de execução.

O homem de DEUS que quer colocar-se nas mãos d’Ele para servi-lo deve ainda lembrar-se:
Ø  DEUS quando chama tem um trabalho para lhe dar. No reino de DEUS não há banco de reserva.
Ø  DEUS quando chama tem um local para você servi-Lo. Isso não significa que o seu trabalho não possa ser itinerante.
Ø  DEUS quando chama, capacita o obreiro para o trabalho, ou dá o trabalho de acordo com a capacidade do obreiro.
Ø  DEUS quando chama tem um “salário” razoável para o obreiro. ELE não pode ser um mau patrão.
Ø  DEUS quando chama tem a solução pra todos os problemas que essa chamada porventura possa ocasionar.

Qualquer obreiro que esteja em dúvida quanto à sua posição, deve fazer-se as seguintes perguntas:
  • Fui realmente chamado por DEUS para fazer o que estou fazendo, no lugar onde estou?
  • O que faço, o faço da maneira como o Senhor deseja que isso seja feito?
  • Estarei forçando uma situação?
  • Posição social, remuneração, comodidades, interesses pessoais ou familiares estarão bloqueando uma decisão acertada?
  • Estará na hora de pensar em mudança de campo ou de atividade?
Ser líder não deve ser tomado como uma honra e sim como uma oportunidade de servir a DEUS. O homem servir a DEUS, isso é uma HONRA, mas não se pode servir a DEUS sem servir aos homens. Antes de ser um líder entre os homens você precisa ser um humilde servo diante de DEUS.

Fontes: Apanhado geral sobre liderança em livros de Administração, artigos da internet, adaptado ao contexto religioso cristão.


terça-feira, 2 de junho de 2015

LIDERANÇA X INVEJA - PARTE IV


Precisamos compreender que há em todos os seres humanos um desejo imenso de se superar, mostrar que é útil e que seu desempenho agrada a todos com quem ele convive. É aquilo de “preciso ser amado”.

Nesta visão nos envolvemos no mais alto grau de estresse por ocasião, por exemplo, de “trocas” de lideranças ou coordenadores num grupo. Quem substitui certamente vai procurar um desempenho melhor que do líder anterior, gerando um julgamento de comparação. E esta comparação de “melhor” ou “pior” provoca abalo considerável no grupo: inveja, fofoca, insatisfação. Não raras vezes, na busca pelo “melhor” abandona-se planejamentos feitos e projetos em andamentos. Em situações como essa é que se percebe quem tem dom de liderança, quem planeja e sabe as consequências de seus atos. Nada causa mais insatisfação do que mudanças bruscas de direção. O verdadeiro líder é aquele se sabe o seu potencial e valoriza o trabalho deixado pelo outro, complementa o certo e corrige o errado, sem ferir a ninguém. O líder não muda: reinventa. Inveja, nem pensar!

A inveja é um olhar amargurado sobre o brilho dos outros, que nasce da “comparação” daquilo que eu tenho e sou, em contraste com aquilo que outro tem e é! E como isso gera insatisfação quando a gente se vê “menos” e “menor”!

A inveja é um sentimento causado pela nossa incapacidade de conviver com aquilo de bom que os nossos olhos veem nos outros, mas que, no fundo, achamos que deveria ser e acontecer conosco.

Mas, certamente que, para uma doença tão destrutiva como a inveja, deve ter uma “cura”. Ou não? Claro que tem!
  
E o que pode ser o contrário disso? Que sentimento nos fará satisfeitos com a gente mesmo, sem inveja e comparação?  É o...

CONTENTAMENTO!!!


O CONTENTAMENTO é uma virtude que nasce da “saciedade”, da satisfação com aquilo que somos e fazemos, é estar contente com a vida em suas múltiplas dimensões. O contentamento não nos leva a comparação competitiva, mas sim, nos ajuda a ver no sucesso do outro, uma inspiração para sairmos do lugar, para sermos melhores! Este é um aspecto importante, uma vez que não se pode confundir contentamento com uma acomodação, o ficar na “mesmice” sem fim. Eu não preciso da inveja para crescer, pois, se sou feliz com o que já alcancei, posso me inspirar no brilho do outro para ir além. O contentamento me ajuda a lançar um olhar feliz sobre o outro e me livra de desejar a felicidade do outro, pois esta felicidade já está em mim mesma!


Mas, uma coisa bem difícil de acontecer é “assumir” a inveja, principalmente como pecado, no contexto da liderança. Um escritor brasileiro definiu a inveja como “o mal secreto”. De todos os sete pecados capitais, é o menos admitido publicamente. Não é a toa que a palavra vem do latim envidare, que originalmente significa o “olhar de lado, de soslaio, escondido”. 

Se isso é possível até no contexto da família, é especialmente verdadeiro no contexto da liderança, onde a competição e comparação são ingredientes férteis para fazer nascer a inveja no coração do líder.  Admitir esta inveja publicamente é ter que revelar também os níveis internos de insatisfação e os externos de ambição. Isto é muito ruim para a nossa máscara social, especialmente a dos líderes que, não raro, se escondem por trás de sua “persona publica”, que nem sempre correspondente à pessoa que se é em particular.

Um caso clássico de inveja na Bíblia é o de Saul, que tentou destruir Davi porque tinha inveja deste e porque julgava que Davi queria lhe tirar o poder. Ainda que bíblico, este é um assunto que se explora pouco nos nossos círculos, não é mesmo? E por que isso acontece? 

Além das razões já expostas, a inveja está ausente das nossas discussões e pregações porque, infelizmente, temos pouca orientação a respeito da nossa “vida interior”.  Na maioria das vezes nos são oferecidas direções e formações para lidarmos com a vida “fora de nós”: nosso comportamento moral, nossa vida social, financeira, etc. Vamos então deixando de abordar as realidades próprias do nosso mundo interior e, como inveja é um sentimento próprio da nossa interioridade, não gostamos muito de discuti-la em público.
Agora nos voltemos para a liderança na Igreja. O que causa a inveja numa pastoral? Quais os sinais que indicam que um líder já está sendo acometido deste sentimento? Na verdade as causas também são os sintomas: 
- Competição e comparação desenfreada com os outros;
- Profunda e constante insatisfação com sua realidade, ainda que mudanças e conquistas aconteçam;
- Idealização constante da condição de liderança do outro;
- Construção desenfreada de um império pessoal ao invés do Reino de Deus;
- Vaidade e centralização no EU, que acaba insaciável no seu apetite de glória pessoal;
- Pequena raiva ou forte ira quando ouve alguma coisa boa a respeito de outro líder;
- Incapacidade de conviver com o fato de que existem outros líderes mais capazes e com resultados visíveis maiores...

Agora vamos analisar como fazer a “prevenção” deste mal. Muito mais que um antídoto, o contentamento previne que a inveja aflore. Podemos ver na própria Bíblia que o Contentamento veio antes da inveja. Contemplando a Criação, Deus disse: "Está bom", e assim  "inaugurou" a virtude do contentamento. Portanto, contente consigo e sua criação, Deus descansa. E o descanso é a consequência natural do contentamento, pois ele traz uma forte serenidade interior que nos levar a entrar no descanso divino. A inveja veio depois, é fruto do pecado humano. Portanto, mas do que um antídoto contra a inveja, o contentamento vem, na ordem divina, em primeiro lugar e, sendo assim, a inveja não terá lugar!

E na liderança o contentamento, a inovação e a superação exigidas de um líder, precisam conviver. O contentamento jamais pode se confundir com uma medíocre acomodação. Inovar e superar são necessidades imperiosas para os líderes que desejam crescer.  O que vai importar aqui é qual a motivação orientadora desta inovação e superação. Se estas atitudes estiverem atreladas ao sentimento de inveja, de competição e de superação do brilho do outro, então, o contentamento se foi. Porém, se forem fruto de uma autêntica busca de crescimento sem comparações invejosas, então podem conviver harmonicamente com o contentamento! Vou buscar ser melhor para fazer melhor. Essa é a premissa.

Nas nossas conversas anteriores, falamos sobre a fofoca e como ela pode ser “detonada”. O s sentimentos de inveja, quando percebidos numa equipe também podem ser tratados da mesma forma. Problemas somente se resolvem quando resolvemos enfrentá-los. Eles não passam automaticamente ou somem no ar. Assim, no primeiro sinal de inveja numa equipe, o passo mais elementar é uma saudável tentativa de trazer a tona a inveja escondida. Isto pode ser feito em conversas particulares com os envolvidos, mostrando-lhes que o caminho do contentamento é sempre melhor.

E, porque em Deus estou tranquilo... 

"Senhor, meu coração não se eleva e nem meus olhos se alteiam;
não ando atrás de grandezas, nem de maravilhas que me ultrapassem.
Antes me acalmo e tranquilizo, como criança desmamada no colo da mãe,
como criança desmamada estão em mim os meus desejos.
Israel, põe em Deus tua esperança
Desde agora e para sempre!"

(Salmo do contentamento:131)

(Texto foi baseado no livro “Inveja e Contentamento”, de Eduardo Rosa Pedreira, Doutor em Teologia pela PUC-RJ, professor da FGV).


Apostila de Liderança Cristã.
Ângela Rocha
Ilustrações: Dinha Pinheiro
Grupo Catequistas em Formação


segunda-feira, 1 de junho de 2015

LIDERANÇA X INVEJA - PARTE III

A FOFOCA E SEU GRAU DE PERVERSIDADE




 “Eu sou mais mortal que uma bala de canhão. Eu derrubo casas, quebro corações, afundo vidas. Eu viajo nas asas do vento. Nenhuma inocência é forte suficiente para me intimidar, nenhuma pureza é completa para me amedrontar. Eu não tenho nenhuma consideração pela verdade, nenhum respeito pela justiça, nenhuma clemência para com o indefeso. Minhas vítimas são tão numerosas quanto as areias do mar e muitas vezes, inocentes. Eu nunca esqueço e raramente perdoo. Meu nome é FOFOCA!”
(Morgan Blake)

Com certeza um dos “sintomas” da inveja é a “fofoca”. E isso gera um alto grau de desconforto na convivência de equipe e anula qualquer tipo de liderança. E a fofoca vem do julgamento prévio de um fato sem conhecer todos os lados da questão. Uma “fofoca” não é um simples “contar algo”, é muito mais que isso, chegando mesmo a ser um “inventar algo” que, via de regra, acaba por prejudicar alguém. Não é o fato de “sabermos” algo interessante sobre alguém que nos dá o direito de confirmar este fato contando-o a outrem.

Não existiria FOFOCA se pudéssemos ou se tivéssemos a consciência de que precisamos fazer um julgamento justo diante de toda situação. É basicamente impossível a qualquer ser humano “não julgar”. É algo inerente à condição humana. Mas é bom lembrar que sempre existem dois lados em todas as situações. Se vemos o “negativo”, ou seja, o que condenamos, por que não podemos buscar o positivo? Lembremos nos ensinamentos bíblicos: a ninguém cabe julgar, senão a Deus.  

Mas, vivemos numa cultura de “julgamento”. E quase sempre com indisposição de ouvir os dois lados. E é mais se omitir e não mergulhar em nossa consciência para analisar o CERTO e o ERRADO. E a gente acaba sempre deixando a situação desconfortável pra lá, com o argumento de que “não é problema meu” ou “não quero me intrometer” e deixamos que a fofoca se espalhe. Atitudes de omissão jamais podem fazer parte de uma liderança.

E é engraçado como nossos líderes, que deveriam ser mais do que “espirituais”, muitas vezes se prendem a atitudes que não lembram em nada estar ligado a uma religião ou crença. O verdadeiro líder é aquele que tem a compreensão da tolerância, tem a predisposição e paciência de ouvir a verdade dos dois lados e ainda assim correr o risco de um posicionamento tendencioso, impulsionado pelo nosso sentimento de simpatia ou vínculo afetivo. Porque em qualquer “disputa”, por mais neutro que você queira estar, estará de um lado. Liderança é ter esta consciência e se esforçar para um posicionamento justo, ético. 


Um excelente meio de acabar com as fofocas é confrontar os dois lados das situações, “ouvir as partes” e, sensatamente, se posicionar.

Ângela Rocha
Catequistas em Formação


AGUARDEM! VEM AÍ A IV PARTE DA NOSSA FORMAÇÃO!