CONHEÇA!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

E COMO É UM ENCONTRO DE CATEQUESE?

Vou contar falando de um tema interessante.
O assunto da semana era “Um Rito necessário para celebrar”, ou seja, a Celebração Eucarística ou “A Missa”. Os recursos normalmente são um tanto limitados. Em uma das paróquias onde trabalhei, tínhamos uma missa passo-a-passo montada com desenhos num Flipchart, que é um tipo de quadro num cavalete, usado geralmente para exposições didáticas ou apresentações, em que fica preso um bloco de papéis em tamanho grande, assim, quando o quadro está cheio, o apresentador simplesmente vira a folha (em inglês, flip). Por mais que falar da missa "passo a passo" não seja o ideal, os desenhos ajudam bastante. Podemos falar das partes da missa, mas, lembrando sempre que no meio disso tudo é preciso "celebrar" e não só dar o "ponto".
Mas aqui pude contar só com o folheto da missa mesmo. E, em uma hora de encontro, cheguei no... tcham, tcham, tcham... Ato Penitencial!


Lá encalhamos nós. Estamos no último ano de preparação para a primeira eucaristia. E o sacramento da reconciliação causa nas crianças mais receio e expectativa que a própria comunhão em si. E quando falei que o ato penitencial na missa é o momento do exame de consciência, do reconhecimento dos erros e do pedido de perdão; novamente nos transportamos para o assunto Confissão... “E se a gente esquecer algum pecado?”, “Posso escolher o padre?”, “Se eu faço ato penitencial não preciso confessar?”, “Quando eu tenho que me confessar de novo?”. E por aí afora.
Agora, a pergunta que mais me chocou foi a seguinte: “Tia, posso ser a primeira a confessar?” Aí eu perguntei por quê... não devia ter perguntado! “Porque tenho aula de pintura neste dia!”.
Mas nosso assunto “reconciliação” rendeu algumas reflexões muito boas. Fomos lembrando do que é pecado, dos dez mandamentos, do que pode o Ato penitencial nos libertar e do perdão de Deus. Num determinado momento, falávamos sobre os erros que as pessoas cometem, como no caso de um ladrão que entra na casa da gente. Aí eu falei que a gente precisa, antes de julgar essa pessoa como um “condenado a danação eterna”, ver em que realidade vive essa pessoa. Ela, provavelmente, não possui em sua vida os valores de um bom cristão. E quando eu disse que não podemos simplesmente “crucificá-la” como fizeram com Cristo, uma das minhas menininhas disse: “Porque crucificaram Jesus afinal? Ele não fez nada!”. Esse foi o gancho para um debate incrível com eles.
Pedi a cada um que tentasse responder essa pergunta. E vieram as mais diversas respostas: porque Judas o entregou, para salvar a humanidade, para que a gente não morresse, para redimir nossos pecados. Tudo uma “decoreba” sem fim. Só que pedi a eles que tentassem explicar, com o entendimento “deles”, como Jesus, com sua morte, redimiu nossos erros. Tá bom! Vocês vão dizer que exigi demais dos meus anjinhos de 10 anos. Mas não estamos exigindo que eles entendam toda a mistagogia da Eucaristia??
A coisa ficou complicada. Como alguém pode simplesmente morrer e salvar todo mundo? Porque nós continuamos morrendo do mesmo jeito um dia... O que significou verdadeiramente a morte de Cristo? E que tipo de “morte” foi aquela? E chegamos à chave do processo salvífico: A Ressurreição! Porque Jesus ressuscitou? Qual o sentido disso para nós, cristãos? Qual é o mistério envolvido em tudo isso?
Depois de muitos “micos”, respostas esdrúxulas, conjecturas, “adivinhações”, veio um comentário que começou a dar uma luz a nossa discussão: “Tia, as pessoas não se importavam umas com as outras, ninguém liga pra salvar alguém...”. Quando eu disse que essa resposta era a ponta do fio que ia desfazer nossos nós, as crianças começaram então a entender o que aquele “Morreu para nos salvar...” significa.
Aí elas conseguiram ir ligando a “morte” de Cristo com a “morte” dos nossos pecados. A Ressurreição de Cristo com a “vida nova” proposta por Ele. E aí também foram chegando à simbologia da comunhão eucarística. No que significa verdadeiramente a “fração do pão”, a comunhão depois do arrependimento, do perdão, da reconciliação verdadeira com Deus. E isso, claro que não com essas palavras, foram eles mesmos que me disseram.
Durante a nossa uma hora e meia de encontro, bati a cabeça muitas vezes na parede (de brincadeirinha claro!). A cada resposta equivocada eu ia lá e dizia que eles ainda iam me matar... Mesmo falando de um assunto tão sério, eu permiti risadas e brincadeiras... E a cada resposta que me fazia “bater a cabeça na parede” eles buscavam com afinco a resposta correta ou o verdadeiro entendimento.
Ao final senti que aquelas oito cabecinhas pensam agora diferente sobre a reconciliação e a Eucaristia. Não sou ingênua a ponto de achar que “mudei a vida” deles. Mas tenho certeza absoluta que a expressão “Jesus, Salvador”, agora vai provocar neles uma reflexão mais demorada. E outra coisa, não podemos pensar que crianças de 10, 11 anos não tem maturidade suficiente para refletir sobre um assunto tão complexo. Hoje em dia elas vivem num mundo repleto de informações. Suas mentes processam essas informações a uma velocidade espantosa. Acho que nós, catequistas, é que somos meio “devagar”...
Pensem só: Eu precisei de um encontro de uma hora só para falar de uma pequena parte da Missa. Quantas partes tem a missa? Precisaria de todos os 32 encontros do ano só para conseguir explicar toda a simbologia envolvida numa celebração. Ou seja, só para ligar um pouco a Liturgia à catequese. E pensando que, a cada parte, precisamos celebrar também, levá-los a "viver" o momento.
E tem gente que diz ainda que o tempo de catequese que temos, é suficiente. Isso porque a nossa, no regional Sul II, é de três anos para a Eucaristia e dois para a Crisma. E onde é UM ano pra cada sacramento? Com uma hora de encontro? Ou nem isso se considerarmos catequese de março a outubro...

Catequista

DA PASTORAL DA TRANSMISSÃO À PASTORAL DO TESTEMUNHO - 3º DESAFIO

VAMOS AO TERCEIRO DESAFIO DA EVANGELIZAÇÃO NA ERA DIGITAL?

PASSAR DA PASTORAL DA TRANSMISSÃO À PASTORAL DO TESTEMUNHO

A eficácia da evangelização está em não comunicar informação, mas inserir conteúdos nas redes sociais que comuniquem a si mesmo.
“A única forma de passar uma mensagem é ser você mesmo. A fé não é uma mensagem neutra, deve envolver você. Evangeliza mais uma foto sua comendo pizza com seus amigos, do que uma frase do Evangelho com um anjo sorrindo. Se vocês assumirem esta passagem, isso vai mudar radicalmente sua forma de evangelização”.
Pois é... E tem gente (CATEQUISTA!) que ainda acredita que precisa "esconder" quem é numa rede social. Já nos deparamos várias vezes com páginas de catequistas que pedem adesão ao grupo, sem qualquer menção de religião, cidade, paróquia e que também não permite envio de mensagens... Tá fazendo o que numa rede social? Tá evangelizando quem?
E aqui eu quero trazer uma discussão que sempre temos por aqui: Por que os pais/família não participam da comunidade e só vão lá pra "pegar" sacramento para os filhos? Vamos partir do princípio que eles "acreditam" no sacramento, senão não iriam lá buscar. Então, o que falta para que a gente traga realmente essas pessoas para a comunidade?
Estamos dando testemunho. Afinal, estamos lá. Mas, que testemunho é esse que não atrai e não "contamina"?
Vocês já pararam para pensar no que é que as pessoas da comunidade, que não são de pastoral nenhuma, pensam da gente? Como eles nos enxergam?

DISCUSSÕES DO GRUPO
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Mah Figa Lendo este texto Ângela Rocha, eu achei até que você estava atrás da porta na terça-feira (12/08) aqui na minha comunidade; porque foi exatamente isso que discuti com meu pároco na reunião que tivemos... rsrssr. Mas, creio que se nós catequistas não formos em busca das famílias e conquistá-las com testemunhos, amizade, atenção e ouvir quais seus pensamentos sobre o que esperam ou buscam na igreja nada irá mudar. Primeiro ouvimos, depois testemunhamos.

Ângela Rocha Pois é Mah Figa... Eu costumo analisar bastante essas coisas, principalmente porque andei me mudando várias vezes. Normalmente eu tenho que "provar" e provar muito mesmo, sabe lá o que até, pra ser aceita na comunidade. Nesta que estou hoje fiquei dois anos sentada num banco embaixo da árvore esperando minha filha na catequese com um diploma de especialização em catequética no bolso. Não tinha "vaga" para mim lá, não precisavam de ninguém. Hoje estou com duas turmas porque não tem catequista suficiente. Não acho que seja culpa das pessoas, elas apenas estão se resguardando e esquecendo-se de ser acolhedoras. Lembro-me de uma fala do Papa Francisco sobre a nossa Igreja ter muitos “fiscais” de entrada...

Mah Figa Isso é bem verdade, nós aqui também estamos com falta de catequistas e as que estão sofrem pelo descaso de alguns "donos" da comunidade.

Cleuza Lucas na minha visão, e posso até estar errada, na maioria das vezes, a catequese não é colocada no topo, querendo ver quantidade e não a qualidade que deveria ter, isso quando não é o próprio pároco que dificulta o trabalho do catequista, desmotiva e acaba fazendo da catequese que deveria ser renovada a antiga escola com sala de aula. Infelizmente vemos muito isso! Estamos trabalhando, ou pelo menos tentando trabalhar a motivação do catequista aqui na paróquia, formar iniciantes e também muitos antigos catequistas que "não foram iniciados", para que num futuro não muito distante, possamos ver a catequese da forma que deveria ser, iniciar o catequizando na fé, partindo da sua própria experiência / vivencia cristã.

Ângela Rocha E esse futuro não pode demorar pra acontecer não! Em nossa paróquia estamos vendo um fenômeno cada vez mais constante: a diminuição de catequizandos, a cada ano são 20 a menos. Ou seja, não deixou de nascer crianças e a explosão demográfica nas grandes cidades continua. Onde estão indo as crianças? Onde as famílias estão buscando religiosidade? Talvez seja no ambiente digital, onde todas as pessoas são aceitas e "vistas". É uma coisa pra gente se preocupar.

Andrea Mary Kay Isso é uma dúvida que realmente tenho. Será que realmente estou testemunhando a fé que vivo? Na teoria é fácil, a gente lê, pesquisa, se informa, mas viver isso é outra coisa. A gente tem a pretensão que é exemplo de fé quando vai todo domingo na missa, reza o terço, faz Via sacra... Às vezes nos comportamos como aqueles homens no tempo de Jesus que se sentavam nos primeiros bancos nas sinagogas, querendo ser vistos. Jesus não precisava das sinagogas ou templos para evangelizar, evangelizava numa conversa com uma mulher junto ao poço, na casa de pecadores. Acho que evangelizar é isso mesmo, conseguir tocar o coração das pessoas de forma simples sem muita complicação. Jesus era simples e é a essa simplicidade de coração que ele nos pede para evangelizar.

Jin Hee Kim E você nos pergunta: Mas, que testemunho é esse que não atrai e não "contamina"? Penso que é por que as pessoas não nos conhecem o suficiente... Como você sabe sou dentista e trabalho tempo integral, e quando os pais descobrem isso, eles se admiram: você trabalha?!!!!!  E ainda digo : E cuido de casa por que não tenho empregada nem diarista... Realmente acho que é falta de conversar mais com os pais, de contar um pouco a sua vida, de também nós, catequistas, nos dedicarmos um tempo para falar com eles... Outro dia fui treinar no parque, e encontrei a avó de uma catequizanda e daí meia hora de conversa, de desabafo das angustias dela, dos medos dela... treino foi pro saco mas valeu a pena. Hoje o catequizando é coroinha.

Ângela Rocha Jin Hee Kim, lembra que pus uma frase do Pe. Fabio na minha página que falava que as pessoas "nos olham depressa demais"? Talvez seja também porque passamos "rápido" demais na vida delas...

Jin Hee Kim Sim rápido demais Ângela Rocha! E isso é de ambas as partes!

Wanescabr de Carvalho No meu ponto de vista, falta união, dos catequistas entre si, como pastoral mesmo, mas, também, da união com as outras pastorais. Eu tenho percebido que algumas pessoas agem assim "eu faço o meu e pronto", ou esse assunto não faz parte da minha pastoral, portanto, não é minha responsabilidade. É o que dá a entender. Esquecemos que a catequese é uma das, se não é a mais importante, pastoral. Foi isso que ficou claro pra mim, na primeira formação que eu participei na minha comunidade. A irmã nos falou que as pastorais tem que caminhar junto com a catequese. Tenho certeza que seria mais eficaz o trabalho de todos. Todos temos o mesmo objetivo, por que, então, andar sozinhos? Temos que nos unir e caminhar juntos, evangelizar juntos, creio que assim o nosso testemunho será visto como realidade, e atrairá muito mais pessoas. Pois será como o próprio Jesus fez... Será testemunho de amor, união e humildade. Nós temos que viver isso primeiro e somente assim poderemos ser testemunhas vivas da Palavra de Deus, aí as pessoas serão tocadas. A princípio alguns virão pela curiosidade, mas quando conseguirem ver a realidade linda e maravilhosa que é Jesus, vão se apaixonar por Ele. "Precisamos viver e ser testemunhos vivos.”

Givanilda Coelho Acredito que falta diálogo entre os catequistas e os pais, falta mais acolhida por parte da própria comunidade (estou falando pelo que vejo na minha), além do que, devido a própria "situação" financeira dos pais, quando é convidado a participar de uma pastoral ou movimento da paróquia, vem sempre a mesma resposta: Não vai dar, sábado eu tenho aula de dança, academia, jantar, shopping....E domingo?? Ah! É meu dia de descanso e aproveito pra ir ao clube, almoçar fora, etc, etc... entre outras desculpas. Os catequistas, coordenadores, etc., não se preocupam em mostrar o lado bom de participar da comunidade, que não vai impedir que se tenha o seu lazer e o quanto é gratificante. Isto quando na maioria das vezes o que falta mesmo é um sorriso no rosto daquele que acolhe, falta ser "comunidade".

Regiana Oliveira Quando nos encontram, muitas delas vem com os olhos brilhando, eles veem na gente uma luzinha pra ajudar naquele problema com o filho que não obedece, que não respeita, enfim. Graças a Deus eu tenho conseguido um pouco do meu objetivo. Aqui na minha paróquia noto que há muitas pessoas que querem estar lá na frente mostrando serviço. Sinceramente, eu quando era só uma fiel, juro que não percebia. Só via o lado mistagogo, achava que eram todos unidos e hoje vejo que tem pastoral que nem nos conhece ou se conhecem, mal falam a paz porque se sentem melhores ou piores que os outros, isso me entristece, mas tenho que fazer a minha parte, dar exemplo. Tento passar da pastoral da transmissão para a pastoral do testemunho sem perder a mistagogia.

Givanilda Coelho "catequizar é evangelizar, dar exemplos". Infelizmente Regiana Oliveira, nem todos pensam desta forma, muitos utilizam as pastorais para "aparecerem" diante da comunidade. Mas, devemos fazer a nossa parte da melhor forma possível, não é verdade?

Regiana Oliveira Se não estivermos forte na nossa fé e firmes, nesse momento, desistimos, confesso que quando percebi essas coisas pensei nisso, mas, hoje me sinto muito mais preparada pra enfrentar, estudo, leio, tento dar o máximo de testemunho pra que quando algum pai entrar não perceba, pois é por isso que muitos acabam mudando de religião.

Laura Cruz acho que isso se dá pela desconfiança nos dias de hoje, todos confiam, mas, desconfiando.

Eliana Alves muitas vezes são os chamados “joio no meio do trigo”, que afastam as pessoas da igreja, são aquelas pessoas que pregam uma coisa e vivem outra, nosso testemunho dentro e fora da igreja é muito importante .

Jairo Marques reuni no inicio do ano alguns pais e eles desabafaram: disseram que nós, da catequese, não os envolvemos em nada. No dia da primeira eucaristia querem lavar a igreja, arrumar, ornamentar... Eles disseram que precisam ser procurados, que a gente tem que buscar auxilio com eles, porque, aparentemente eles acham que está tudo bem.

Andreia Duarte Nenhum dos meus catequizandos participa da missa das 10 horas, que é a da catequese, este ano poucos tem ido nas nossas missas, os pais são os primeiros a dar uma desculpa esfarrapada, algumas que a gente nem precisava ouvir. Pena tudo isso... nem sei o que dizer.

Marlene B. Rodrigues Penso que o nosso esforço tem que ser redobrado para atingir aqueles que O Senhor nos confia, pois tudo parece ser mais importante que a fé. Sem contar com tudo que é divulgado contra a Igreja e os consagrados, muitas vezes até pelos próprios católico (que se dizem católicos) não que não tenha erros. Creio que tudo isso coopera para esse afastamento, esfriamento, apatia. A culpa é deles ou faltou testemunho? De arregaçar as mangas e ir ao encontro dos que mais necessita em vez de ficar dentro de uma sala falando, falando sem viver o que falava, para eles verem e experimentarem. Que O Senhor nos ajude achar o caminho.

Abigail Martins Oliveira "Da Pastoral da Transmissão à Pastoral do Testemunho", penso que isso significa exatamente "testemunhar dentro e fora da Igreja" como disse a Eliana Alves... e testemunhar fora da Igreja parece que é uma dificuldade pra nós católicos... Os de outras denominações religiosas, adultos, jovens ou crianças, se declaram logo e dizem: "sou de Deus" e nós catequistas muitas vezes, dependendo do ambiente, preferimos ficar calados... medo? vergonha? falta de argumentos??? Diante do comentário da Andreia Duarte , sabemos que infelizmente essa é a realidade de muitas comunidades... e me pergunto: como a catequese chegou a esse ponto?... E chego a conclusão de que, para reverter essa situação não é de uma hora pra outra...isso vai levar um bom tempo...

Eunice Lopes Alves Na verdade o que falta é visitas, é nelas que conhecemos e somos conhecidos, faça esta experiência e ao visitar peça fotos da família. Nelas você vai descobrir muitos momentos da família, já fiz esta experiência e é muito bom.....tenho vinculo com muitos por causa da visita.

Lucineide Merighe Tomazela Concordo quando você diz "inserir materiais" eu mesma copio toda ajuda. Exploro bem a internet, aceito sugestões de como trabalhar com a catequese via internet num grupo de trabalho durante a semana.

Anette Alberti Bem eu tenho quase me descabelado para poder ter a confiança dos Pais de meus catequizandos. Quase três anos já se passaram com a mesma turma e ainda tem gente meio desconfiada. Creio que as vezes até meus colegas me olham com olhares suspeitos. Está muito difícil evangelizar nos dias atuais em que jovens e até mesmo as crianças estão caminhando juntas com a tecnologia e o mundo atual, e os pais não, ainda vivem como era no tempo deles. E o pior é que até mesmo irmãos de comunidade parecem não aceitar o novo, o atual. Gostam do antigo, daquilo que achavam que estaria dando certo, mas que na realidade estava só afundando a cada dia.

Sirley Sc Vieira É algo muito sério mesmo. Mas o que sinto é que os pais querem transferir sua responsabilidade pra nós. Então tento fazê-los interagir com a catequese. Sempre mando bilhetinhos com alguma frase que os faça refletir sobre a importância de "catequizarmos juntos" e parece estar funcionando, criei um grupo para meus catequizandos e eu nos comunicarmos, alguns não acessam, mas tem um que sempre vê. É um trabalho de formiguinha que alguma hora dará frutos.

Maria Ângela Guenka Realmente se queremos que o evangelho se torne vida é necessário que ele seja a "boa notícia". De que jeito nos dias de hoje fazê-lo? Trabalho paciencioso que requer uma catequese querigmática com os pais, com a família. Vimos fazendo isto já há quatro anos e agora começou a surgir um bom resultado. Dos quatro grupos de eucaristia deste ano surgiram dois novos grupos de crisma. E do ultimo grupo de crismandos surgiu o novo grupo de jovem. Como disse uma amiga acima é um trabalho de formiguinha. Mas vamos em frente. Vale a pena.

Cleide Márcia Viver em harmonia, com o que falamos e praticamos...confesso que muitas da vezes tenho medo de expor na net e terminar banalizando demais.

Araly Brasileiro Pela realidade de minha comunidade onde a catequese tem que lutar pelo seu espaço, inclusive físico, entre outros. Mas minha atitude real é tentar mesmo diante de tantos problemas dar meu testemunho sendo quem sou sem perder a essência do que Deus quer que eu seja. Amo minha missão e tento trazer as famílias a amar também!!!

Abigail Martins Oliveira "lutar pelo espaço da catequese"...essa é a nossa luta aqui também Araly Brasileiro, uma contradição com o q diz o DNC: "que os melhores recursos devem ser destinados a Catequese".. mas tudo faz parte do processo.

Nilva Mazzer Realmente penso que os testemunhos não estão convencendo os que estão de fora... Como confiar em um catequista , ministros de Eucaristia, leitores, etc., que na igreja vive a Palavra de Deus, e fora dela tem uma conduta um tanto duvidosa? Tipo: contam piadas sujas, tem um palavreado muito pesado se envolvem em fofocas com muita facilidade, etc. Eu mesmo me questiono muito sobre isso. Não podemos ter um vida na igreja e outra fora dela... Temos que ser verdadeiros, honestos, passar confiança, mostrar que estamos no caminho, não somos santos, mas não vivemos na mentira.

Neiva Leite Penso que tudo começa na acolhida, muitas vezes dizemos que faltam operários, mas quando estes se apresentam a comunidade nem sempre está aberta ou vive a unidade ou ainda tem a devida formação e informação para que todos sejam acolhidos, pescados como Jesus pescava homens, o desafio é praticar a palavra, estar aberto, não se sentir dono da Pastoral. Na catequese acredito que falta envolver mais as famílias, chama-las para a responsabilidade de serem os primeiros catequistas, acredito que talvez a pastoral da família poderia entrar nesta parceria trabalhando com a catequese familiar, com as famílias , para depois a catequese entrar amarrando as pontas.

Cicera Pereira Como catequista, que ama o que faz, e não a que cumpre tarefa. Estou catequizando um casal, pais de dois ex-catequizandos, estou indo até a casa deles uma vez por semana. Devido uma filha estar com câncer, ter criança pequena, fica difícil ir até a paróquia para participar do encontro. Então me dispus a ir até eles. Como as coisas deram uma aliviada, passou a cirurgia acabou a quimioterapia, falei: vamos sair do comodismo e participar da missa. A fé e o amor é como a água se ficar parado, dá dengue. Estão participando da missa. Por que estou falando tudo isso? Depois que li varias vezes este texto da Ângela Rocha. Não tinha comentado nem com o pessoal da paróquia. Por o que entendi tem que divulgar para servir de exemplo e que outros façam também.

Silvaneide Costa O difícil também, é você ver agentes de pastorais que na igreja te recebem com beijos e te dão a paz, mas, fora da igreja nem olham na sua cara. Pergunto-me onde está o amor a paz que eles tentam transmitir na igreja? Por que demonstrar algo que não podem levar para fora do templo? Que exemplo demonstram as crianças que os veem na igreja? Como transmissor da palavra e do amor de Deus temos que ser espelho desse amor em todo lugar, a qualquer hora!

Telma Maria Romero Olha to cansada, termina a semana da família, não tivemos nada de diferente na paróquia, e ai ? Poxa vida, que oportunidade boa essa pra envolver as famílias, tratar temas pra ser falado com as famílias. Mas nada foi feito ou sequer planejado. Aí, vejo pelo meu face que outras paróquias fizeram encontros todos os dia, e bem na sexta feira foi exclusivo com a família dos catequizando. Nossa foi a gota d’água pra mim....

Idelvania Antunes Coutinho Muitas vezes somos cobrados como se não pudéssemos errar.

Catequistas em formacao

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A MUDANÇA DE UMA PASTORAL CENTRADA EM CONTEÚDOS, PARA UMA PASTORAL CENTRADA SOBRE A PESSOA - 2º desafio da Evangelização

E QUAL É O DESAFIO DE HOJE?

(além de fazer vocês se interessarem por ele... rsrsrsrs)

COMO SEGUNDO DESAFIO À EVANGELIZAÇÃO NA ERA DIGITAL, o Pe. Antonio Spadaro nos apresenta:


A MUDANÇA DE UMA PASTORAL CENTRADA EM CONTEÚDOS, PARA UMA PASTORAL CENTRADA SOBRE A PESSOA.
Esse vem bem de encontro a um dos desafios constantes da nossa catequese...

“Antigamente as pessoas precisavam se submeter à lógica de programação de uma TV ou Rádio e esperar o horário definido para ver o programa que gostavam. Hoje em dia, com a internet, isso mudou. Ela tem a disposição os conteúdos e é livre para “pegá-los” a qualquer momento.
É como se vários conteúdos orbitassem ao redor da pessoa. Essa é a lógica dos nativos digitais, pois no centro está a pessoa e não o conteúdo, e ela não precisa mais se adequar à uma programação. O risco da Igreja hoje é tornar-se um “container de informação”. O problema é que se todos esses conteúdos são fornecidos não tocam mais as pessoas.
“A comunicação da Igreja corre o risco de se tornar como uma televisão, que se torna um barulho de fundo, que faz companhia, mas não toca verdadeiramente sua vida. Você cozinha, escreve… e a televisão está lá falando...”. A lógica da "programação" não funciona mais, não ficamos mais esperando um determinado horário para ver um programa.
“É o que está fazendo o Papa Francisco, ele não é revolucionário nos conteúdos; ele fala do Evangelho, mas está conectando o conteúdo com as pessoas. Ou seja, respondendo a essa lógica centrada na pessoa e não no conteúdo. Veja a expressão do Papa: ele não olha a massa, mas é tocado por cada um. Onde o conteúdo mais forte não é a palavra que ele diz, mas a palavra que encarna o seu sorriso, seu abraço, seu carinho…”.
Para Pe. Antonio Spadaro, a mensagem sozinha não evangeliza, mas sim a relação que se cria, a mensagem do Evangelho que se encarna.
“Colocar mensagens do Evangelho, florzinhas, santinhos nas redes sociais: isso não é evangelização. Isso é muito meloso, é mostrar que ser ateu é belo. O segredo é criar relação”.

* * *
Agora, não vamos confundir as coisas e tomar tudo ao pé da letra. O padre Spadaro não quis aqui dizer que quem coloca o Evangelho do dia em sua página está errado. Não sejamos tão simplistas assim.
Talvez nosso pensamento de que quem abre a rede e se depara com o Evangelho estava procurando "justo aquilo" naquele dia, é que seja simples demais. Muita gente publica o evangelho todos os dias. Até mesmo quem quer somente "se mostrar" religioso. O desafio está em "conectar o conteúdo com as pessoas", como o nosso Papa faz.
Mas, como conectar o conteúdo com as pessoas? E aqui eu mudo o foco: como conectar os conteúdos que temos que trabalhar na catequese com os nossos catequizandos?
Será que os conteúdos que "temos" que trabalhar são os conteúdos que eles precisam?
Vamos lá, vamos pensar...

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Eliane Cristina Rodrigues Neste contexto é que vejo a necessidade de se conhecer o catequizando em sua essência, sua família e sua história de vida, pra saber qual tipo de abordagem é mais adequada. Assim também costumo fazer em minha rede social, não é todos os posts que servem para todos os amigos virtuais, procuro personalizar minhas publicações de acordo com o perfil da pessoa, envio textos de evangelização sim, mas, não em massa, o mesmo texto enviado a todos se torna  lixo eletrônico.

Ângela Rocha A respeito dos posts, esse é um desafio que vivemos aqui em nosso grupo do Facebook. Nem tudo é interessante pra se colocar lá, que é um grupo criado com um objetivo: o da formação e partilha de conteúdo catequético. No entanto, nos vemos sempre as voltas com publicações que, por mais que digam respeito à Igreja, não dizem respeito à catequese ou aos catequistas. Da mesma forma eu encaro as diversas publicações repetidas deste ou daquele vídeo ou conteúdo. Isso mostra que a pessoa não participa verdadeiramente do grupo, já que nem sequer sabe que aquilo já foi publicado. E vamos criando páginas e páginas de conteúdo sem utilidade.

Vera Alves Lucia Lucia Nossa muito bom mesmo!!! Esse conteúdo vai de encontro com tudo e todos, diante de uma realidade carente de 'olhar' e 'ver' o próximo...

Abigail Martins Oliveira o primeiro passo para a catequista seria ESCUTAR cada catequizando... mas, como diria o saudoso Rubem Alves, não existem cursos de "Escutatória", nós é que continuamos falando...falando...sem dar "voz" a eles e assim não os conhecemos. O desafio seria também provocar os catequizandos a fazerem perguntas..., parece que li isso no texto do Pe. Spadaro, tem isso lá, Ângela Rocha?

Suely Barbosa Bom dia! Precisamos estar atentos ao que estamos passando aos catequizandos e a maneira de abordar cada tema. Temos que segui um determinado roteiro, mas, adequando-o ao momento e a situação sem perder o foco.

Ângela Rocha Sim Abigail Martins Oliveira, deixar de ser "resposta" e incentivar a buscar a pergunta... na verdade o ser humano anda meio perdido, sem saber exatamente o que quer.

Cleuza Lucas realmente, lendo este texto vejo que cada dia mais temos que reformular a maneira que direcionamos a catequese. A era digital está aí, qualquer pessoa pode ter acesso a ela, mas em meio a tudo isso, também temos aqueles que não possuem o acesso e não tem a menor intenção de ter esse acesso ( catequistas), e devemos tomar todo o cuidado para conhecer quem são nossos catequizandos de uma forma a poder se unir a eles, porque acredito que apenas sendo o melhor amigo é que conseguiremos iniciar nossos catequizandos na fé, vista que muitos não possuem essa iniciação dentro de casa e a procura de alguma forma, e com a amizade cativamos também aqueles que não estavam preocupados com ela.

Givanilda Coelho Trabalhando com a IAM, tenho que "trabalhar" sempre coisas do dia a dia, a cada semana procuramos abordar temas do cotidiano e mesmo assim, muitos não são exatamente o que eles precisam "saber" ou "ouvir". É então que entra o conhecer cada integrante do grupo e saber além do que acontece com as crianças do mundo, o que acontece ou aconteceu com ela, mostrar que ela é alguém importante dentro do grupo.

Rozicleide Alves acho que falta mais a participação dos pais na vida de seus filhos. Na catequese sei que os primeiros catequistas são os PAIS... Mas, muitas vezes, eles é que precisam ser catequizados por seus próprios filhos, através do que aprendem em um simples encontro de catequese. Acho que antes de colocarem seus filhos na catequese seria bom também se tivesse um encontro catequético com os pais, uma ou duas vezes por mês, mas, o que mais complica ainda, é que ele trabalham e não tem tempo. Outros é porque não se interessa mesmo....Temos ir ao encontro deles e evangeliza-los em sua própria residência junto com seu filho. Aqui fazemos isso uma vez por semana vamos na casa de um dos pais do catequizado e juntos vamos aprender e ensinar, catequizando... E seu filho conta o que foi que ficou do encontro que teve no domingo que mais o marcou e partilha isso com toda família!

Idelvania Antunes Coutinho Hoje em dia o conceito de "família" infelizmente mudou. Aqui na minha cidade mesmo, as crianças convivem com várias "religiões" dentro de casa. É gritante a necessidade de evangelizar, não só as crianças como também os familiares. Aí entra a formação dos catequistas para tal situação.


Ângela Rocha Vamos fazer uma consideração importante aqui também. Nos últimos tempos a gente vem sentido uma falta de “participação” tanto dos catequizandos, quanto da família na Igreja. E aqui, acredito que pecamos muito na questão de nos focarmos, somente ao conteúdo. Ou seja, naquilo que “precisamos” ensinar aos nossos catequizandos. Mas – e aqui vem o alerta – FÉ não se “ensina”. Ensina-se os conteúdos para aprofundar a fé: Evangelho, Doutrina, Tradição... Não seria então o caso de voltarmos a aprofundar a Iniciação á Vida Cristã dos adultos?

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

IGREJA E FAMILIA: COMO CONVIVER COM A INTERNET

As crianças e os jovens do mundo moderno tem uma capacidade extraordinária de lidar com as novas tecnologias, algo que chega a surpreender as pessoas não tão jovens assim. É a chamada geração dos “nativos digitais” e os pais não podem mais ignorar esta realidade.

A Análise é da catequista Ângela Rocha que faz um trabalho de evangelização e formação de catequistas pela internet, usando as redes e sociais e blogs, participando com frequência de eventos em âmbito nacional ligados à catequese e à comunicação. Há três anos ela participa de nossa comunidade.

Ângela usa uma expressão do papa Francisco para dizer que “a internet é dom de Deus” porque facilita em muito o relacionamento entre as pessoas, independente do tempo e da distância. Para ela, é preciso enxergar o lado bom da internet. A catequista acredita que ninguém deve ficar excluído dos avanços proporcionados pelas novas formas de comunicação e que a idade não deve ser obstáculo para que os pais acompanhem o que seus filhos fazem na rede.

Acompanhe os principais trechos da entrevista:

Rede de Catequistas

A ideia de “juntar” os catequistas na internet surgiu há uns quatro anos mais ou menos. Isso nós vimos por meio dos blogs, porque os catequistas estão sempre buscando material para seus encontros e se vê que a necessidade de formação e de partilha é muito grande. Hoje as pessoas não têm mais tempo de ir a paróquia fazer uma formação ou um curso. Então vimos a necessidade de proporcionar isso para as pessoas via internet. E nesse contato entre tantas pessoas, nós fomos muito além de material; partilhamos experiências, partilhamos vivências e conhecimento e acabou se tornando uma coisa muito rica tanto para os catequistas quanto para seus catequizandos que só tem a ganhar com isso. Em 2011, nós criamos um grupo no Facebook que chegou, no começo de 2014, a mais de 3,5 mil pessoas de todo o Brasil e até do exterior. São pessoas que se encontram via internet e isso chega mesmo a incentivar encontros pessoais. Já conheci pessoalmente, muitas pessoas que comecei o contato de amizade pela internet.

Evangelização Digital

Além do trabalho de formação de catequistas, nós estamos agora fomentando a ideia de que é preciso evangelizar na rede. Precisamos tornar a nossa evangelização “pública”, já que nosso grupo é restrito aos membros deles somente. Estamos fazendo um trabalho para que cada pessoa do grupo cuide de seu perfil pessoal para que esse perfil se transforme também, em um espaço de evangelização. Às vezes, pensamos que basta colocar a liturgia do dia ou uma citação bíblica, no perfil do Facebook que estamos evangelizando. Mas, não é só isso. Quando você mostra as fotos com a família, com os amigos, as fotos na paróquia, os eventos, tudo aquilo que você “é” e representa, você está evangelizando muito mais porque está dando testemunho.

Estar nas redes: uma necessidade


Quando acreditamos que a internet, as redes sociais, os blogs e sites, são apenas “ferramentas” de comunicação, nós nos enganamos muito. Não são mais só mais um meio de se comunicar: são mundos onde as pessoas estão vivendo. E o medo de muitos é que as pessoas estejam trocando as relações pessoais pelas relações digitais. Na verdade, a internet veio como um complemento para as relações, quase um “pedaço” da pessoa, um “braço”. Não podemos encarar a internet só como uma ferramenta ou modismo, principalmente por causa dos jovens e das crianças. Eles nasceram na era digital, por isso são chamados “nativos digitais”, a tecnologia faz parte da vida deles como qualquer outra “instituição”: família, escola, igreja. Hoje a grande angústia dos pais é saber o que os filhos tanto fazem “grudados” no celular, na internet, principalmente no Facebook.



Penso que existe, e é preciso valorizar, as coisas boas da internet. Uma delas é você encontrar pessoas de forma rápida e instantânea, pessoas que estão a quilômetros de distância e isso, em tempo real, no “agora”. Claro que existem coisas ruins e perigos na rede, principalmente se as crianças não são orientadas e o jovem não tem maturidade para construir essas relações. Mas, aí entra também nossa ação de adultos, de pais, de catequistas. Se nossos filhos estão “vivendo” em um mundo digital, nós devemos viver lá também. Alguns pais podem achar que estão “velhos” demais para aprender. Nunca. É uma necessidade urgente. Independente da idade que tenhamos hoje, nós temos que nos integrar ao mundo digital, estar nas redes sociais é a necessidade do momento.

Saber o que os filhos fazem

Ninguém deixa o filho sair sozinho, sem dizer aonde vai, com quem vai estar e a que horas vai voltar. A rede social funciona assim também. Se os meus filhos estão na rede, na internet, eu também preciso estar lá. Sei o que eles estão fazendo, onde eles estão indo, o que estão escrevendo e o que estão postando. Se eu não souber, vou ficar alheia a uma parte da vida deles e vou falhar no meu papel de mãe e educadora. Não é um “monitoramento” e nem uma vigília constante, porque senão seria invadir o espaço deles, mas, os pais devem ficar de olho, com cuidado e orientar a exposição na rede. Assim como você orienta seu filho a não conversar com desconhecidos, a não aceitar nada de estranhos; você orienta, também, a não conversar com desconhecidos na rede social e tomar cuidado com os sites que acessa.

A rede não empobrece as relações

Algumas pessoas estão vivendo na internet quase a totalidade de suas horas. Há alguns dias, uma mãe conversou comigo e disse que estava muito preocupada porque o filho só está “sentado ao computador”, que não pratica mais atividade física e que vai acabar tendo problemas na coluna, nas mãos.

Eu penso assim: se ele não pratica atividade física e não faz nada que tire ele daquele lugar, não é também um pouco de falta de consciência dos pais? Falta de algo que o atraia ao mundo das relações mais físicas e pessoais? O seu filho tem, normalmente, várias atividades: vai a escola (lá ele tem educação física), ele se alimenta, dorme... e fica no computador. Se ele não procura mais nada além disso, ou é porque não gosta ou não é incentivado. 

A educação não mudou. Nós continuamos tendo a função de dar educação e limites para os nossos filhos. Agora, colocar a culpa na rede, pelo empobrecimento das relações, não tem sentido. Se as relações não estão boas, não estão funcionando, é porque tem mais coisa errada aí. Não é porque existe a internet.

Ser missionário digital

O Papa Francisco disse uma coisa que acho maravilhosa: “A internet é dom de Deus”. Pensemos agora que, com a internet, nós conseguimos nos encontrar com pessoas que estão do outro lado do planeta e, em tempo real. A internet veio tirar os empecilhos das relações que são a distância e o tempo. Então, isso só pode ser “dom de Deus”. E como dom de Deus a gente tem que aproveitar e fazer bom uso dele, principalmente na Nova Evangelização.

Por mais que o mundo tenha mudado, que as pessoas tenham excesso de compromissos e não tenham mais “tempo para nada”; elas ainda são seres humanos e buscam: relação, reconhecimento e valorização. Elas precisam de Deus na vida delas. Talvez não tenham mais tempo de ir a Igreja ou tenham perdido o sentido do que é “ir à Igreja”, assim, a gente tem que aproveitar o tempo em que elas estão “na rede” para levar um pouco da Igreja até elas. Inclusive esta é uma das ideias que permeia o novo documento da CNBB “Comunidade de Comunidades”: sair do espaço das quatro paredes e ir onde estão as pessoas, ir às comunidades, tanto físicas, reais, como nas comunidades digitais. Não podemos nos sentar e esperar que as pessoas apareçam: temos que buscá-las. Julgamos muito achando que as pessoas esqueceram Deus. Ninguém esqueceu Deus. Só que precisamos pensar que hoje o espaço das pessoas é diferente, o tempo é diferente. E se não nos adequarmos a isso, vamos perder muito como Igreja.

Adequar-se aos novos tempos

Vemos muito isso na catequese. As crianças, aos 09, 10 anos, já tem um celular, a maioria está na rede. Por mais que a rede não seja exatamente para estas crianças, elas estão lá. E como você vai ignorar isso? Como você vai proibir a sua turminha de 15 crianças de por a mão no celular ou esquecer-se dele? O celular faz parte da vida delas. Proibir o celular é dizer, de certa forma, que não tem espaço para ela na Igreja. A pessoa é o mundo “real” e o mundo “digital”. Eu tenho que aceitar as pessoas com esta dualidade. Não posso ignorar uma parte da vida das pessoas para promover a evangelização.

A pessoa comanda a máquina

No final de julho, tivemos em Aparecida-SP, o 4º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação, cujo tema foi “Desafios e possibilidades de Evangelização na Era Digital”. Tive a oportunidade de participar deste encontro e lá refletir, junto com mais 900 pessoas do Brasil todo e alguns padres de Roma, sobre a importância desse tema. Acredito que isso seja de suma importância para o catequista, que trabalha mais diretamente com a evangelização. Não há como ignorar a internet como espaço para isso.

Tivemos neste encontro, a presença do padre Antonio Spadaro, que é um dos assessores do Conselho Pontifício para as comunicações. Ele tem desenvolvido um trabalho muito interessante a respeito da valorização das redes, de tirar esse conceito que temos na nossa cabeça, de que o computador é uma “máquina” somente. Pode até ser. Mas, atrás daqueles fios, cabos, parafusos e conexões, têm pessoas. Então, nós estamos nos relacionando com PESSOAS, por meio de uma máquina e não nos relacionando com uma coisa irreal.

Jovem hoje tem muito mais informação

O padre Antonio Spadaro, comentou numa das conferências do encontro, a questão dos “selfies”, aquelas fotos que os jovens costumam tirar de si mesmos ou junto com os amigos para postar na rede. Ele falou uma coisa muito interessante a respeito: o selfie hoje é a melhor expressão que podemos ter desse “mundo novo”. Por que o jovem tira uma foto de si mesmo, em qualquer momento, e posta na rede? Porque ele não quer mais “assistir” aos acontecimentos, não quer ser apenas “espectador”, quer participar do mundo, como protagonista. E, às vezes, nós encaramos este tipo de imagem como exibicionismo. Isso é perigoso? É. Mas, aí cabe aquilo que eu já disse: orientação dos pais.

Turma de catequese  da Catequista - 1º Etapa em preparação para a Eucaristia.
Se analisarmos bem a fundo, vemos que o jovem de hoje tem muito mais conhecimento e informação do que seus pais. Quando eu tinha 12 anos – e nem faz tanto tempo assim – acho que não sabia nem telefonar. E hoje, o que uma criança de 12 anos sabe fazer com um aparato tecnológico. Por isso, é preciso que o adulto tome cuidado: uma das referências para se deter autoridade, é deter conhecimento. Se tivermos menos conhecimento, vamos perdendo autoridade frente aos nossos filhos.

Ver o lado bom

Pensando bem, a internet veio para preencher várias lacunas no relacionamento humano, na falta de tempo. Eu sei que tem muita coisa ruim, mas, eu procuro ver mais o lado bom. O ruim está no mundo, de qualquer forma. Temos que pensar no lado bom, no que a gente pode fazer de bom e bem para as pessoas. Este tipo de relação precisa ser valorizada. Estamos numa região metropolitana, com quase um milhão de habitantes. Muita gente, e a maioria está só. Precisamos valorizar as relações entre as pessoas, seja ela, real ou digital.


* Ângela Rocha em entrevista a Eli Araújo, para o “O Cenáculo” – Boletim Informativo da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos de Londrina –PR. Setembro/2014 -Ano 21 nº 230 - AGOSTO/2014.