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domingo, 11 de outubro de 2015

GOTAS DE PAZ - Homilia 10 de outubro 2015.



“Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” Mas, quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.” (Mc 10, 21-22)
    
Creio que todos já escutamos este evangelho que nos fala do homem rico. Ele pergunta a Jesus que deveria fazer para conseguir a vida eterna. Das suas palavras, entendemos que ele era um homem bom e cumpria os mandamentos: não matava, não cometia adultério, não roubava, não dizia coisas falsas de seus irmãos, não era injusto e honrava a seu pai e a sua mãe. Porém, Jesus olhando profundamente e com ternura a sua vida descobriu que tinha ainda uma coisa que não estava bem: era muito apegado a seus bens materiais. Seu coração não era livre. Suas mãos, seus raciocínios, seus afetos, suas preocupações... eram condicionadas pelos bens materiais. Numa palavra: ele era escravo de suas riquezas.

Em verdade este é um tema de fundamental importância em nossa vida espiritual: como nos relacionamos com os bens deste mundo? Este é um problema que somente nós humanos possuímos. Em nós mundo espiritual se toca com o mundo material pois somos as únicas criaturas formadas de corpo e anima.

Através de nós o espírito pode transformar a matéria, pode dispor para o bem, pode fazê-la causa de agregação e de crescimento fraterno, ou pelo contrário, a matéria pode ditar normas ao espírito, pode endurecê-lo e sufocá-lo, pode fazê-lo perder a sensibilidade e a humanidade, pode ser causa de contendas, lutas e divisões.

Isso significa dizer que não pode existir uma autentica espiritualidade que não nos de uma fundamental formação em relação ao nosso comportamento diante dos bens deste mundo. Também Jesus Cristo tem uma palavra para dizer-nos no que diz respeito ao possuir coisas materiais.

Deus não é contrário que o homem use as riquezas deste mundo. Foi Ele quem as fez e as entregou em nossas mãos para que, administrando estes bens, eles pudessem colaborar no progresso da humanidade. O problema está no fato que o ser humano, ferido pelo pecado, só com muita luta consegue proclamar a sua vida a vitória do espírito sobre a carne, pois a sua vontade desordenada de possuir é quase insaciável.
Os bens deste mundo exercem sobre ele uma fatal atração. O desejo de possuir e acumular o faz cego, o faz perder o rumo da sua vida.

Por exemplo: 
- a causa de uma promoção, uma pessoa é capaz de passar em cima de todos, de esquecer até mesmo a melhor amizade, de não levar em conta a palavra empenhada, de desfazer de quem antes o havia ajudado.
- a causa de uma herança : os filhos são capazes de desprezar os pais que lhes deram a vida e com esforço os fizeram crescer; podem odiar-se entre irmãos, cunhados, primos; pode fazer trapaças e enganar até mesmo os que tem o seu mesmo sangue.
- a causa de querer ter dinheiro fácil, uma pessoa é capaz de perder a dignidade, de vender-se, de participar do trafico de drogas, de aceitar coimas, de cair no roubo, de explorar os seus operários, sem se quer perguntar-se se assim não estará destruindo a vida dos outros.

É assim que os bens materiais, que originalmente são um presente de Deus para que possamos viver bem neste mundo, podem transformar-se numa verdadeira desgraça, que descompõe completamente a vida humana. É incrível, mas quanto mais acreditamos que possuímos as coisas, na verdade, tanto mais somos possuídos por elas. É um enganação diabólica: quanto mais possuo, mas quero possuir e tanto mais necessito defender o já que tenho. Crescem as preocupações e o isolamento. Diminui a liberdade e a capacidade de amar e de ser gratuitos. Enfeitiçado pelo dinheiro, o homem se desfigura e em tudo somente se interessa pelo lucro e o ganho. 

É diante desta realidade humana que o evangelho nos desafia a viver a pobreza. A pobreza evangélica é o ideal da vida cristã. Contudo, devemos aclarar que essa pobreza não é viver na miséria. Ser pobre como ideal de vida evangélica é: utilizar os bens materiais, sem a preocupação de acumular, é buscar o conforto e o bem-estar normal para uma vida digna, e o que for a mais, ou o supérfluo doar a quem mais o necessite. Ser pobre no modo evangélico é ter os bens necessários mas sem perder a liberdade, sem ser escravos das coisas. É ser feliz em ter somente o necessário.

Por isso, ser capaz de doar os bens materiais que possuímos, é um sinal claro de nossa liberdade diante de tais bens. Quando estamos apegados as coisas materiais, não podemos encontrar paz na vida, pois somos escravos do que pensamos possuir.
São Francisco de Assis entendeu muito bem este ideal e se propôs de não apropriar-se de nada neste mundo. Tendo necessidade, ele utilizava todas as coisas que estavam ao seu alcance, mas se negava a sentir-se dono delas, se recusava em amarrar o coração em tais coisas, em sentir-se apegado . Foi assim que ele gozou de uma invejada liberdade e foi um homem feliz e realizado.

Ao contrario, do que pensa o mundo, não são as riquezas que podem trazer a felicidade a uma pessoa, mas a pobreza evangélica, isto é, o possuir o normal para uma vida digna, sem avareza, sem apegos e com um coração aberto a caridade.

Infelizmente é muito difícil aceitar isto e conseguir praticá-lo, mas Jesus continua a olhar-nos com carinho e a desafiar-nos com firmeza a dar esse passo na vida.

O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.


Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.

sábado, 10 de outubro de 2015

DIA DE CATEQUESE: Dúvidas...

Hoje tive encontro de catequese... E eu gostaria de saber onde foi que perdi a magia desses momentos.

Falamos hoje sobre a Eucaristia. Lemos Lucas 22, 14-20, a instituição da Eucaristia. E as crianças sabem responder na ponta da língua o que isso significa. Sabem as respostas sem piscar...

Mas, sinto que elas o fazem mais na "decoreba" do que no coração. Perguntei de um por um se eles realmente acreditavam que a hóstia consagrada era o Corpo e Sangue de Jesus. E na hora, do meu menino mais velho, que daqui uns dias vai fazer 14 anos, veio o titubeio: "Não Tia, não acredito!"... 

É, quem pergunta quer resposta, né? .... Aí eu lhe disse com o maior carinho possível: "Se você não tem certeza, não o faça, não receba a comunhão enquanto ela não tiver significado para você." Ele então parou um instante e quase com lágrimas nos olhos me disse: "É que vem tanta coisa ruim na cabeça da gente..." E como eu queria ter tempo para descobrir essas "coisas ruins" e acabar com elas! Mas só pude dizer: "É para isso que Deus existe, para tirar essas coisas ruins da vida da gente!".

Nesta hora me senti fracassando... Sei que não sou infalível e que nem todos a gente resgata e coloca no caminho, mas dá uma tristeza enorme saber que os adolescentes estão tão longe de saber o que é a verdadeira "comunhão". Claro que eu seria uma tola se imaginasse que todas as crianças que passam pela catequese se transformam em "católicos-modelo". Sei muito bem que a adolescência é a época "das dúvidas" na vida da gente. É mudança física demais e exigências do "crescer" que a gente não quer e ao mesmo tempo anseia.

Lembro ainda do quanto xinguei Deus nos meus catorze anos. Não me conformava com as atrocidades do mundo e culpava a Ele por tudo. Mas, eu acreditava NELE! Nos meus momentos de angústia pedia ajuda e proteção a Ele. E hoje as crianças sequer sentem que ele existe. Estão assim descrentes de tudo...

Pior, também não se importam com muita coisa também.... Na semana passada, uma de minhas catequizandas apareceu pela primeira vez no semestre, em pleno mês de setembro. Veio com a mãe. E quis justificar o fato de ter ficado quase dois meses de "férias". Falei que precisávamos conversar muito, colocar as coisas “em dia”, porque ela já tinha faltado muitas vezes no semestre anterior. E ela simplesmente não apareceu hoje. E as outras crianças me disseram que ela comentou na escola que não tem o menor problema: Ano que vem ela faz tudo de novo...

Ângela Rocha

08/set/2010

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

DOS CULPADOS ÀS SOLUÇÕES…

Você se preocupa mais em procurar as soluções ou em procurar os culpados?
Vamos refletir um pouco sobre os tantos problemas que encontramos pelo caminho... ou pelo corredor!


Ora aqui está um dos segredos fundamentais do coração sábio. Que implica uma nova maneira de olhar e agir. Preocupar-se em procurar de maneira mais comprometida as Soluções, do que os Culpados!

Vamos a um exemplo: estou passando e encontro uma bolacha caída no chão do corredor. Quando eu passo, o primeiro pensamento é a pergunta sobre o culpado:
Quem deixou aqui esta bolacha?!
Depois, é possível que, em vez de apanhar a bolacha, eu faça antes uma caminhada até à sala para perguntar:
“Quem deixou cair uma bolacha no corredor?”
Ao ouvir a confissão do culpado, talvez volte atrás e a apanhe, enquanto dou algum “sermão moralista” sobre a importância de não deixar cair bolachas no chão do corredor (como se a pessoa que deixou cair tivesse feito de propósito!...). Aí, ao voltar para apanhar a bolacha, já vou sereno porque já sei quem foi o culpado. Ou, melhor ainda: talvez não a apanhe mesmo, e diga ao “culpado” que ele mesmo vá apanhar. Claro, ele que se torne solução das suas próprias culpas!

Há ainda outras hipóteses. Por exemplo: vejo a bolacha caída, e imediatamente a apanho do chão (claro, acompanhado pelas frases do costume: “é sempre a mesma coisa… blá, blá, blá…”). No entanto, a mente não serena… as soluções para os problemas não nos costumam chegar… só sossegamos quando descobrimos os culpados. Por isso, apesar de me ter tornado solução para o “problema”, ao chegar à sala perguntarei:
Quem deixou cair uma bolacha no chão?”
Uma pergunta que já é totalmente desnecessária e inconsequente, porque a situação já está resolvida e, num grupo de adultos, ninguém deixa uma bolacha no chão de propósito para depois ter que ser “educado” por mim! Podes pensar em muitos exemplos do teu dia-a-dia… As crianças são mestras neste tipo de imaturidade: “Não fui eu! Se não fui eu o culpado, porque vou ser a solução?”

Mas, se fossem só as crianças…

Tudo pode mudar – tudo vai mudar! – na medida em que você estiver disposto a encontrar sempre as soluções de maneira mais urgente que os culpados. A maior parte das vezes, essa lógica é apenas uma sutil maneira de estarmos sossegados…

Mas, ainda assim, atenção! Porque o sábio não é aquele que sabe as soluções para tudo e tem sempre na manga uma cartada milagrosa. Esses não são sábios mas, algo parecido com fanfarrões, sábio é aquele que se torna solução para as situações em que se sentir capaz de intervir validamente.

Rui Santiago cssr

Padre Redentorista

RETIRO PARA CATEQUISTAS: PIQUENIQUE ESPIRITUAL

Um belo roteiro de encontro para catequistas, que a Paula Arcanjo, de Limeira SP, partilhou em nosso grupo e que reproduzimos aqui em detalhes. Lindo!


PIQUENIQUE ESPIRITUAL

Contemplando a Deus com os cinco sentidos: olfato, visão, tato, audição e paladar

Ambientação: Chácara ou casa de retiros – a noite.
- Som;
- Vendas para os olhos de todos os participantes;
- Velas acesas;
- Uma bacia/recipiente com água perfumada e pétalas de flores.

1º MOMENTO:
- No portão ou entrada, pedir que coloquem numa caixa, as coisas materiais que podem tirar sua atenção: celular, relógios, etc.;
- Antes de entrar no local, fazer uma oração inicial;
- Pedir que lavem as mãos na água com pétalas de flores e óleo perfumado.



Figura 1 - Olfato
Figura 1 - Quando elas chegavam eu pedia para deixar as coisas materiais que pudessem distraí-los nesta caixinha. E ao lavar as mãos, pedia que neste momento elas pudessem sentir Deus na presença da água que significa vida, na beleza das flores simbolizada pelas pétalas e no perfume que ficaria em suas mãos, pois tudo que é tocado por Deus tem o seu perfume. (Olfato).


Figura 2 - 1º Ambiente

Figura 2 - Este é o primeiro ambiente, onde todos são recebidos depois de lavarem as mãos. No centro estão as vendas para os olhos e as folhas são as letras de todas as músicas cantadas tocadas no retiro para que possam acompanhar se quiserem.
- Pedir que todos sentem em círculo;
- Ler a história “Travessia do Rio”;
- Vendar os olhos dos participantes ao som da música: ♫ Incendeia minha alma.



Figura 3- Tato

Figura 3 - No círculo, todos escutam a história da “Travessia do rio”.  Depois pedi para colocarem as vendas. Vendados eles foram trocados de lugar e colocados em duplas um de frente para o outro. Tocando a música “Amigos pela fé” (Anjos de Resgate), elas iam tocando uma na outra: nas mãos, no rosto, no cabelo... para tentar descobrir quem estava a sua frente. Quando descobriam quem era, davam um abraço um no outro. (Tato).

Link da música:

LEITURA: A travessia do rio

Em um largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para o outro. Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora. Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro:
- Meu caro barqueiro, você entende de leis?
- Não entendo, não, senhor - responde o barqueiro. E o advogado, compadecido:
- É uma pena... Você perdeu metade da vida! O barqueiro nada responde.
A professora, muito social, entra na conversa:
- Seu barqueiro, o senhor sabe ler e escrever?
- Também não sei, senhora - responde o remador.
- Que pena... - condói-se a mestra. - Você perdeu metade da vida!
Nisso, chega uma onda bastante forte e vira o barco. O canoeiro, preocupado, pergunta:
- Vocês sabem nadar?
- Não! - responderam eles rapidamente.
- Então, é pena... - conclui o barqueiro. - Vocês perderam toda uma vida!
MORAL DA HISTÓRIA: "Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes". 

2º MOMENTO:

- Pedir que vão se levantando um a um e começar a caminhar por um “corredor” feito no chão com: pedras, gelo, lixa, tapete bem macio... Quando o primeiro passar, o “guia” vai buscar o próximo e assim sucessivamente.


Figura 4- Caminho

Reflexão:
Ao caminhar na vida passamos por diversos caminhos, uns bons outros ruins, mas nunca estamos sozinhos, sempre somos guiados por Deus, e na catequese, nunca estamos sozinhos pois temos o apoio da nossa equipe. Provocar reflexão sobre a insegurança, a confiança no outro e o medo do diferente. (Visão/ confiança).

Música:Sou teu anjo.

3º MOMENTO


Figura 5-  Ambiente de oração

Figura 5 – Logo depois de passarem pelo “caminho” feito de pedras e flores, foram levados a este ambiente, onde foi feito um momento com Maria e a Leitura Orante.
Oração à Maria:

Comentário: É o amor que inventa os nomes, e no nome se diz o que se mais gosta na pessoa amada. Quanto mais amada, tanto mais nomes! O amor do povo inventou muitos nomes para a Mãe de Jesus. (Pedir que cada um lembre um dos nomes dados a mãe de Jesus: N.Sra. das dores, Aparecida, Mãe Rainha etc.).
São tantos nomes que não acabaríamos de falar hoje. Nossa Senhora nos acompanha na tristeza e na solidão, nas dores e nas alegrias. Vai conosco em todo canto e alimenta a nossa esperança com a sua ajuda, com os seus conselhos, com a sua consolação. É ela a nossa catequista maior, que nos ensina com seu exemplo de Mãe e mulher, quem dera pudéssemos, como ela, levar  em nosso regaço toda a humanidade.
Carregando a imagem Maria, carregamos a esperança de um dia poder chegar lá aonde ela já chegou, e murmuramos sem parar: Ave Maria...

- Canto “Colo da Mãe”.

- Convidar a todos para a Leitura.

Leitura Orante
1Cor 13,13: A fé, a esperança, o amor. Mas a maior delas é o amor.

1º Passo: Pedir a presença do Espirito Santo em nosso meio para que possamos ouvir com o coração a palavra de Deus
Cantar como mantra:
♫ Nada te perturbes, nada te espante, tudo passa só Deus não muda, a paciência tudo alcança, nada te falta com Deus no coração, só Deus, só Deus te basta

2º passo (Leitura):
Ler, reler, cada um lê um versículo e sublinha o versículo que mais o chamou a atenção, ler no rodapé da bíblia as informações, etc.

3º passo (Meditação):
Ao som de música instrumental:
- As pessoas são convidadas a responder as perguntas. Podem se levantar, escolher um outro lugar, permanecer ali se quiserem.
1- Para mim, o que mais me falta? Fé, esperança ou amor?
2- Estou deixando estes sentimentos se abrirem em mim?
3- Como estes sentimentos podem me ajudar na catequese?


Figura 6- Leitura e meditação.

- Findo o tempo (mais ou menos 10 minutos), pedir que todos voltem aos seus lugares.
- Tocar a música “Minha essência” (Thiago Brado), até que todos se acomodem novamente.

4º Passo (Oração):
O que o texto me faz dizer a Deus?

- Colocar o áudio com a reflexão)
“Parar é importante” (Pe. Rui Santiago).

Todos são convidados a pegarem suas almofadas, deitarem confortavelmente e ouvir a reflexão que estará sendo tocada. (Audição).


Figura 7 - Ouvindo o áudio de reflexão.

5º Passo( Contemplação):
- Qual é o meu olhar sobre as coisas da minha vida, depois desta leitura?
- A partir desta Palavra, como devo agir diante de tudo o que li, orei e meditei?
- A palavra de Deus é transformadora, temos que colocá-la em prática. Como eu me vejo fazendo isso? E como eu me vejo no grupo.
- Abrir para comentários.

Depois dos comentários todos são convidados a cantar a música “O dom”, de maneira bem alegre, dançando no ambiente.


Figura 8- Indo ao piquinique

Depois de uma breve conclusão do momento, em fila, feito “trenzinho”, cantando a música “Obra nova” (Vida reluz), todos foram encaminhados ao outro ambiente: a “mesa do piquenique”.Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=-xPqIF_0NWs


4º MOMENTO:
Hora do Piquenique no salão

Ao chegar no ambiente da “mesa do piquenique”, foi lida a história do “Piquenique das tartarugas”, e depois foram distribuídas as lembrancinhas (Tartaruguinhas  de tecido com a história e conclusão enroladinhos). Ao som da música cada uma das pessoas pegava uma lembrancinha e dedicava a uma outra Catequista desejando a paz e força de Cristo para a caminhada.

Figura 9- Sugestão

Figura 10-Entrega das lembrancinhas

Texto: O piquenique das tartarugas

Uma família de tartarugas decidiu sair para um piquenique, e por serem naturalmente lentas, levaram alguns dias para prepararem-se para seu passeio. Finalmente a família de tartarugas saiu de casa para procurar um lugar apropriado, e depois de dois dias de viagem encontraram o lugar ideal!

Elas levaram algumas horas para limpar a área, desembalaram a cesta de piquenique e terminaram os arranjos. Quando elas estavam prontas para comer, descobriram que tinham esquecido o sal. Poxa! Todas concordaram que um piquenique sem sal seria um desastre, e após uma longa discussão, a tartaruga mais nova foi escolhida para voltar em casa e pegar o sal, pois era a mais rápida das tartarugas.

A pequena tartaruga lamentou, chorou, e esperneou, mas concordou em ir com uma condição: que ninguém comeria até que ela retornasse. A família concordou e a pequena tartaruga então saiu para buscar o sal.

Três dias se passaram e a pequena tartaruga ainda não havia retornado. Cinco dias… Seis dias… Então, no sétimo dia, a tartaruga mais velha, que já não aguentava de tanta fome, anunciou que ia comer, e começou a desembalar um sanduíche. Quando ela deu a primeira “dentada” no sanduíche, a pequena tartaruga saiu detrás de uma árvore e gritou:
- Ahhãããããã! Eu tinha certeza que vocês não iam me esperar. Agora é que eu não vou mesmo!

No trabalho em equipe, e também em nossas vidas, muitas vezes as coisas acontecem mais ou menos desse jeito. Desperdiçamos muito tempo esperando que as pessoas vivam à altura de nossas expectativas, e ficamos tão preocupados com o que os outros estão fazendo, que deixamos de fazer a nossa parte; de fazer o que se espera de nós. Entre o estímulo e a resposta, há um espaço, onde estão a liberdade e o poder de mudar as nossas escolhas.

Entre qualquer coisa que tenha acontecido ou esteja acontecendo a você neste momento, e a sua resposta a elas, há um espaço em que você tem a liberdade e o poder de escolher a sua resposta. E estas respostas é que vão governar o seu crescimento, suas realizações e suas contribuições para que você e sua equipe se tornem cada vez melhor.

Se os outros não estão fazendo a parte que lhes compete, em vez de deixar-se influenciar por esta situação, escolha fazer o melhor, decida fazer a sua parte com excelência, porque dessa maneira você é quem influenciará as pessoas, ajudando a tornar a equipe e o ambiente de trabalho melhores a cada dia.

- Para finalizar: ♫ Hoje livre sou.


Figura 11 - Confraternização.

No final cada catequista também ganhou de presente a almofada usada nos ambientes do retiro como lembrança.

Confraternização:
- Convidar a todos para partilhar os alimentos da “festa”. (Paladar).

Música: ♫ O Céu inteiro está rezando por ti.

OBS.: As músicas são sugestões, podem ser substituídas por outras.

Colaboração:




Paula Arcanjo
Paróquia São Paulo Apóstolo

Limeira – SP.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

ENCONTRAR JESUS NO EVANGELHO DE JOÃO

 
Jesus é a palavra do Pai

A liturgia aborda, nos anos A, B, e C, os evangelhos de Mateus (Ano A), de Marcos (Ano B) e de Lucas (Ano C). João não tem um ano especial, mas seu Evangelho perpassa a Liturgia o ano todo, especialmente durante o tempo pascal.

O Evangelho de João, um dos 12 apóstolos, foi atribuído a ele pela tradição da Igreja antiga. O toque final foi dado por volta dos anos 90-95 depois de Cristo, portanto, depois da destruição do Templo (70 d.C.).

O Judaísmo exercia grande atração sobre os primeiros cristãos que eram judeus. Constituíam a maior parte da comunidade joanina. João, sendo judeu, tem um grande conhecimento das Escrituras de Israel. Sua linguagem é simbólica, poética, e não pode ser lida como um relato concreto de fatos ocorridos. João quer mostrar quem é Jesus, o Senhor Ressuscitado, para os seus seguidores e, consequentemente, para nós hoje.

Para explicar isto, ele recorre a uma narração simbólica para mostrar que o Ressuscitado é como vinho, água, luz, pão e vida para nós. Mostra Jesus como Caminho, como uma videira que dá abundantes frutos. Devemos levar isto em conta quando lemos os milagres (sinais) no Evangelho de João. Melhor que palavras, os símbolos mostram a presença e atuação do Senhor Ressuscitado em nossa vida. Não devemos nos perguntar se “isto” aconteceu assim mesmo, mas qual mensagem João quer passar.

A Palavra de Deus se fez Homem

No início do seu Evangelho, João diz: A PALAVRA se fez homem (ou: “O Verbo se fez carne”) e habitou entre nós (“Fez sua tenda entre nós”).

A palavra comunica, interroga, quer dialogar. Deus também quer no falar, se comunicar conosco. Quando é que Deus nos fala? Deus nos “fala” pela criação, sua beleza, sua organização. Quem nunca se silenciou diante de uma bela paisagem, diante de uma flor...
Deus nos fala através das pessoas. Cada um de nós é uma “palavra” de Deus para o outro. Deus falava ao seu Povo pelos profetas e sábios. O Antigo Testamente está cheio de belos e grandiosos textos dos profetas que enfatizavam, a cada hora: isto é “Oráculo do Senhor”.

Quando a gente lê a Bíblia, nota que Deus fala a cada hora. Como entender isto? Deus não fala com palavras humanas. Nunca alguém ouviu a voz de Deus. É uma linguagem metafórica. Deus se comunica, sim, como já vimos, através da criação, da história do seu Povo, dos profetas... Os profetas descobriram que Deus quis comunicar alguma coisa ao seu Povo, na sua situação de sofrimentos, nas lutas e conquistas. Assim, Deus “fala” constantemente.

Já no primeiro capítulo da Bíblia, lemos: “E Deus disse: faça-se a luz...” Quase não se encontra alguma página na Bíblia em que Deus não fale. Também os salmos são “Palavra de Deus”. É como um diálogo: a pessoa que reza dirige-se a Deus com palavras humanas, e Deus responde. Por exemplo, abram a Bíblia no salmo 85, 1 a 8. O orador fala. Dos versículos 9 a 12 ouvimos o que diz o Senhor. Observem a beleza das palavras de Deus.

Quando João diz que a Palavra de Deus se fez homem, ele quer dizer que Deus fala a nós, de modo especial, na pessoa de Jesus, por suas palavras, suas atitudes, sua morte e ressurreição. Jesus é a Palavra do Pai, a face humana de Deus para nós. 

Vamos terminar com uma breve celebração. 

Coloquemos a Bíblia aberta em João 14,5-10. Acendamos uma vela bonita. Cantemos um mantra, por ex. “Tua Palavra é lâmpada para os meus pés, Senhor”.

Leitura de Jo 14,5-10. Pode ser lido duas vezes, por pessoas diferentes, com muita atenção.

Partilha:
Como Jesus diz que ele é a Palavra do Pai? Quais os versículos que falam disto? Como Cristo nos fala, hoje, na nossa vida?
Guardemos alguns instantes de silêncio para oração pessoal.

Canto final:
♫ Envia tua Palavra, Palavra de salvação,
Que vem trazer esperança; aos pobres libertação.

Inês Broshuis
Comissão Bíblico-Catequética do Regional Leste 2 da CNBB


REFLETINDO SOBRE CATEQUESE

Estou tentando, com todas as minhas forças, ser catequista... Acordo todos os dias achando que estou cada dia mais perto... no entanto, ainda não me encontro nem na metade do caminho.

Quando fui procurar a secretaria da paróquia para ser catequista, eu tinha sim, um objetivo: descobrir afinal de contas que coisa é essa que, ao invés de ajudar meus filhos a permanecer na igreja, se transformou numa enorme “chatice”. A ponto até, de fazê-los questionar a utilidade da mesma. E não me venham dizer que estou sendo radical! Porque não estou não. É assim com a grande maioria dos jovens.

Acontece que algum tempo depois eu realmente atendi ao chamado que Jesus me fez na pessoa daquele padre chamando gente pra ser catequista... “Venha caminhar comigo!”, disse Jesus. E eu fui...

E comecei a entender o que era o caminho. Não é uma estrada para se chegar “lá”, nem tampouco um objetivo a ser alcançado. É um “estar com ele” cada segundo, minuto, hora, dia da minha vida. É tropeçar nas pedras, se ferir em espinhos e colher flores... É caminhar sem tentar entender aonde isso vai dar. Não é um caminho fácil. Nem é uma estrada que tem fim. Ou “objetivo”, como preferir. Assim, se eu tenho um objetivo sendo catequista, não sei dizê-lo.

Como não sei dizer o que espero dos meus catequizandos... Acho que vou roubar a fala de uma outra catequista que disse que o que mais gosta na catequese é: “O dia do encontro”. Sim é isso. Espero sempre o "dia do encontro". E venha o que vier, aceito com alegria. Amo sem restrições e sem porquês. Apenas amo aquelas crianças como se fossem minhas. Só. 

Também não sei se há uma coisa que gosto mais na catequese. Já disse muitas vezes: a catequese parece correr nas minhas veias junto com meu sangue. Nem me imagino fora dela. Faz parte de mim. Ela não se divide em “pedaços” para que eu possa escolher um. Ela é “inteira”, com todos os seus desafios, alegrias e decepções. Talvez a coisa tenha começado a ficar mais difícil quando passei a me preocupar com mais do que "o dia do encontro". 

Agora, responder o que precisa mudar na catequese, então... É um trabalho de Hércules! Não posso mesmo fazê-lo. Caberia aqui um tratado político-religioso-social-humano-filosófico... Para dizer pouco! 

São muitas mudanças a serem feitas. Muitas mesmos. Começa pelas famílias, passa pela inclusão, pelo comprometimento com a comunidade, por uma maior atenção por parte dos padres, por investimentos em recursos, por espaço adequado, por coordenações efetivas, por uma formação adequada dos catequistas. E poderia citar aqui inúmeras coisas que poderiam ser diferentes, mas não são. Bem melhores, mas não são. 

Mas tem uma coisa que precisa mudar na catequese. O fato de que muita gente esqueceu o que é ser testemunho. Que é a primeira coisa que faz parte do "ser" catequista. Claro que conhecer e saber do que se vai falar é importante igualmente. Mas, ser, é imprescindível. E que muita gente busca na pastoral uma "realização pessoal" que não existe ou então um local para resolver suas carências afetivas, é um fato que não podemos esconder. E lá vamos nós brigar por pequenas diferenças e pelo "papel principal", que deveria ser de uma pessoa só: Jesus Cristo. E isso mata a pastoral! Faz dela um arremedo do que deveria ser. Pessoas com mais maturidade, humana e cristã. É disso que precisamos urgentemente! Pessoas que orem, celebrem e sejam, acima de tudo: Catequistas. 

Ângela Rocha
Catequistas em Formação