domingo, 24 de janeiro de 2016

ENCONTRO: VOCAÇÃO E MISSÃO DO CATEQUISTA

 

Um tema muito forte na Bíblia é o chamado de Deus e sua relação com a própria Palavra. Palavra de Deus e vocação são duas realidades profundamente ligadas. Toda a Escritura manifesta um chamado radical que Deus dirige ao homem para que ele seja, na sua vida, aquilo que já é na sua essência: imagem de Deus e filho de Deus!

A Escritura é o lugar em que se gera uma relação com Deus e se aprofunda a relação gerada. É por isso que chamamos a Bíblia de “Palavra de Deus”. Seguindo essa linha de pensamento, fica bem mais fácil entender o que significa “ser chamado”. O profeta Isaías descreve com estas palavras todo o mistério do “chamado”, da “relação nova” que Deus deseja estabelecer com alguém sobre o qual pousa o seu olhar:

“Eu te escolhi, te chamei pelo teu nome e te pus um nome novo, ainda que não me conheças” (Isaías 45,4).

Apenas com um versículo, o Profeta nos indica tudo o que acontece quando nos sentimos envolvidos por um mistério profundo que chamamos “vocação”. A primeira coisa que percebemos nesse mistério é que Deus dá início a um novo relacionamento: “EU te escolhi...”. Quem é chamado precisa sempre reconhecer o privilégio de ter sido envolvido num relacionamento com Deus de modo diferente.

O segundo elemento que deve sempre ficar claro a quem se percebe escolhido está contido nesta outra expressão: “chamei pelo nome”. Não se trata apenas de um “convite”. Nunca na Escritura o verbo usado tem essa característica, pois o Senhor não “convida alguém”, mas sim o “convoca”.

O que isso significa? Significa que não é apenas uma solicitação, mas um apelo que Deus faz a quem “Ele considera capaz para a missão que Ele conhece”. É o maravilhoso e encantador agir de Deus que deseja “precisar do homem” para salvar o homem. “Eu preciso de você; não de outro! Apenas você pode ser para os outros aquilo que Eu desejo dar-lhes! ”.

O terceiro elemento que fica claro em toda vocação autêntica é que Deus não nos pede para sermos algo diferente daquilo que já somos. “Eu te chamei pelo nome” indica o respeito profundo que Deus tem para com aquilo que nós somos; Ele respeita o nosso “nome”, a nossa personalidade, a nossa cultura, história, dramas, expectativas etc. Ele não pediu a Pedro para ser “marceneiro”, mas sim para continuar sendo “pescador”. Apenas o objetivo da vida mudaria. Isso é o sinal de que um chamado é autêntico. Todos os apelos da Escritura refletem esse respeito profundo de Deus por aquilo que somos. Ele não pede para “substituir” a nossa vida por outra coisa que, às vezes, existe apenas na nossa imaginação. Deus respeita tudo aquilo que somos, mas pede que usemos tudo o que somos para unir nossa vida à beleza do projeto de Deus.

Por último, para poder apreciar e acolher a maravilhosa escolha que Deus faz e que chamamos “vocação”, consideremos a última parte do mesmo versículo: “...um nome novo, ainda que não me conheças”. É o encantador e aventuroso caminho da vocação que não esgota o seu potencial, apenas no momento de responder “sim”; é um longo processo de assimilação entre a vontade de Quem convoca e de quem é convocado; Paulo dirá: “Não sou mais eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20). Não se trata de substituição de personalidade, trata-se apenas de “sintonia de corações”, “com participação”, “fusão de sentimentos”, do mesmo modo que Jesus dirá sobre o Pai: “Eu e o Pai somos um”. É sentir o que o outro sente, é viver o que o outro vive. Enfim, é permitir que Deus aja livremente em nossa vida “para que o mundo creia” no amor e na bondade de Deus.

A vocação implica sempre numa escolha específica que apenas Deus faz! Ser chamado por Jesus implica uma escolha que Ele faz de alguém, por mistérios da sua vontade. É um privilégio do qual não podemos nos envergonhar, como dizia João Paulo II:

Quão grande privilégio é conferido àqueles que são chamados a serem consagrados a Deus, a serem anunciadores do Evangelho! Quão extraordinária satisfação se descobre quando respondemos ao apelo de comunicar Cristo ao outro! ” (23/02/1981).

Toda vocação é relacionada a uma missão: o catequista é chamado a educar e conduzir o discípulo para a experiência profunda de encontro com o Senhor, escutando e refletindo em si a pessoa de Jesus vivo.

Partilhando com o grupo:
• O que mais lhe chamou atenção na reflexão sobre vocação?
• Como essa realidade está presente em sua vida?



FONTE: Apostila Catequese Diocese de Ponta Grossa – PR.

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO