terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

COMO DEVE SER A CATEQUESE INFANTIL NA PARÓQUIA? DICAS PRECIOSAS...

Uma pergunta interessante colocada em nossa "Caixa do Chinês" esta semana...

"Uma dúvida pra "Caixinha do Chinês": aqui na nossa paróquia, especialmente nas comunidades, existe uma grande procura para catequese de crianças menores de 7 anos. A gente trabalha um pouco perdida. Portanto, vai a pergunta: existe um planejamento, roteiro específico para trabalhar com essas crianças?"



A resposta é SIM. Nenhuma ação catequética deve existir sem planejamento e itinerário. E cabe às Comissões diocesanas de catequese essa preocupação e orientação.

Uma tendência que se observa nos últimos tempos nas paróquias é a "Catequese Infantil" ou "Pré-Catequese". E muitos catequistas fazem questionamentos e pedem orientação com relação à roteiros, sugestões, dicas de material, itinerários, etc.

A primeira coisa que se observa é que ainda se tem um grande vínculo com a escola quando o assunto é este. Ainda se pensa muito a catequese como AULA. Alguns pais, inclusive, usam o termo "curso de catequese" e se referem frequentemente aos encontros dos filhos, como "aula de catequese". Parece que, se os pequenos entram na "pré-escola", precisam também de "pré-catequese".

Primeiramente gostaria de esclarecer que o catequista não "dá aulas". Nós fazemos "encontros" e devemos fugir sempre da terminologia que lembre a "escola". Não é implicância com a escola e tem uma razão de ser. Se observamos a evolução da catequese veremos que isso tem muito sentido.

O processo catequético é uma "iniciação a vida cristã", não é um "curso", logo, não damos aulas ou palestras. E a iniciação nesta idade deve, mais ainda do que as demais, fugir do conceito de "aula" ou qualquer coisa teórica ou doutrinal. Isso porque as crianças precisam entender que a catequese não é "mais uma" ocupação, aula ou curso que elas precisam fazer. E cuidado com a idade das crianças! Aos três, quatro anos, as crianças precisam ainda do exemplo dos pais, são estes que precisam dar as primeiras orientações de fé para as crianças. A catequese não é creche e muito menos os catequistas são babás.

DICAS:

- A catequese nesta etapa (pré) deve ser de INICIAÇÃO à fé.

- Feita de momentos lúdicos e interessantes e, COMPLEMENTADA pela catequese (formação) que os pais dão em casa.

- Envolver os pais na catequese infantil. Eles precisam saber o que está sendo desenvolvido nela. A catequese infantil nesta fase, não é e não deve ser nunca, uma "terceirização" da primeira catequese, que é DEVER dos pais. Se você sentir que os pais tem deficiência nesta área, não sabem como iniciar os filhos, a primeira coisa a fazer é trazê-los para a catequese junto com a criança. Eles precisam mais de catequese que as crianças.

- Crianças nesta idade não precisam ter "pontos", ou seja, "conteúdos" formais. É uma fase em que elas estão começando a entender a vivência em comunidade e estão conhecendo Jesus. Nada de formalidades, conteúdos explicados em papel. Esqueça, por exemplo, de "explicar" a missa por enquanto; ou explicar a Bíblia e como esta se divide; evite falar da doutrina da Igreja, ainda é cedo pra isso.

- Trabalhe as várias parábolas de Jesus e histórias que envolvam a sua caminhada.

- Apresente Jesus como um "amigo", um "protetor”. Elas precisam de atenção, carinho, aconchego: Jesus é essa imagem.

- Relacione Deus com a família, com os pais, com aqueles que elas amam e que a protegem.

- Com relação à missa, as crianças devem ser orientadas a acompanhar os pais e "escutar" as “histórias de Jesus” que são contadas lá. Os pais são EXEMPLOS  a seguir.

- No encontro, use muito canto, brincadeiras, dinâmicas e orações espontâneas.

Veja bem, faça isso NO ENCONTRO. A celebração da missa não é lugar de teatro, brincadeira e dinâmica. Trata-se de um Rito Milenar e importante da nossa fé, que precisa de respeito e aprendizado. Qualquer coisa que for feita que altere o rito, fere a Liturgia da Igreja. Sem contar que, na maioria das vezes, a missa é COM crianças e tem muitos adultos lá que não foram à missa para ver brincadeiras infantis.

- Relacionar a catequese à missa dominical: faça um itinerário relacionado aos evangelhos do domingo, assim, elas vão relacionando o que veem na catequese com o que escutam na Igreja (catequese/liturgia).

- Use, nos encontros, leituras bíblicas numa linguagem que elas entendam, pois na Igreja as leituras são de difícil compreensão pra elas. Confie que seu padre (se a missa é com crianças também), saberá fazer uma homilia condizente. Saberá chamar os pequenos, abençoá-los e dirigir-se a eles na hora certa. Nada, nada mesmo, deve chamar a atenção na missa, mais do que Jesus e o padre que o representa nesta hora.

- Importante: oriente-se sobre o conteúdo da catequese de Eucaristia e Crisma. O catequista de catequese infantil PRECISA saber o que acontece nas fases subsequentes. A catequese formal tem um processo gradual e contínuo de conteúdos a serem trabalhados. Não "antecipe" conteúdos, as crianças terão tempo para aprofundar o ensino da fé. Agora, nesta fase, elas precisam de anúncio, querigma, precisam apaixonar-se por Jesus e sua mensagem. Precisam "gostar" de estar ali, na Igreja, saber que estão se encontrando com "alguém" especial: Jesus.

- É preciso usar muita imagem e exemplos que elas conheçam, que elas consigam relacionar ao seu cotidiano. O “mistério da fé” é um conceito muito abstrato. Didática e pedagogicamente falando, crianças nesta idade não tem capacidade de percepção do abstrato, ou seja, daquilo que elas não podem ver ou tocar. Não tente fazê-las "sentir" a "mistagogia" da fé porque elas não conseguem. Jesus precisa ser mostrado como uma "pessoa", que existiu, teve uma família e fez as coisas que eles fazem, mas, é especial, diferente, pois veio para tirar as coisas ruins do mundo, mostrar a beleza da natureza, do ser humano e do que é ser "bom". "Acolha" as crianças. Ensinar conteúdos é para a catequese mais madura, quando eles estiverem preparados.

Sugiro que paróquias que tem essa demanda e querem oferecer esta catequese, não façam ou implantem qualquer modalidade de catequese, sem a devida orientação da COMISSÃO DIOCESANA (ou ARQUIDIOCESANA) DE CATEQUESE, que é a instância que orienta a catequese nas diversas bases (paróquias). Também cabe às comissões diocesanas providenciar orientações/diretórios de catequese bem como roteiros específicos para trabalhar com esta faixa etária.

Lembrando também que, precisamos do auxílio das ciências, como a pedagogia e a psicopedagogia, para levar em frente esta pretensão, já que é uma RESPONSABILIDADE enorme, a educação dessas crianças nesta idade.

Pode ser adquirido um livro/manual de catequese Infantil para orientar os encontros. As editoras: Vozes, Paulinas, Paulus, Saraiva, Ave Maria, etc.; tem ótimos manuais. Mas, muito cuidado ao pegar este ou aquele livro/projeto/manual/sugestão, sem que se faça uma análise criteriosa de tudo que envolve a comunidade e suas características.

  
 


Para a catequese infantil ou pré-catequese, não é só abrir inscrição, arrumar uma catequista e um manual. É preciso fazer um planejamento minucioso, estudar a estrutura da comunidade e tudo que isso vai envolver. Já temos inúmeros problemas na nossa catequese habitual: falta catequista, falta formação, falta espaço, falta recursos, etc. ; e isso são agravantes que se precisa pensar.

E, é bom lembrar, que umas das preocupações mais prementes da nossa Igreja, não são as crianças, e sim os ADULTOS que foram catequizados, mas, infelizmente, não foram evangelizados, a ponto de assumirem sua condição de discípulos missionários. Mais que pensar numa estrutura para uma catequese infantil, nossos esforços precisam se concentrar na IVC de adultos!

Um grande abraço a todos!


Ângela Rocha
Catequistas em Formação

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO