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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Catequese Quaresmal

(...) O tempo da Quaresma facilita maior familiaridade e intimidade com Jesus de Nazaré. Conquistados e cativados por Ele, cheios de admiração, assumimos seu estilo de vida, seus pensamentos e afetos, seus critérios e valores. Mais ainda, nos propomos a acolher o destino de Jesus, a morte de cruz. O bom ladrão, o centurião romano, o Cireneu, a Verônica, as filhas de Jerusalém deixaram-se tocar e transformar vendo o jeito sereno, filial, obediencial de Jesus. Sempre fiel ao Pai e sempre compassivo e solidário com os outros. Jesus é a vitima que vai vencer, é o perdedor que vai ganhar, é a pedra rejeitada que se torna a pedra angular. Ele é o último que se tornou o primeiro.
Eis algumas questões que podem facilitar a nossa meditação: o que acolhi da mensagem de Jesus? Como manifestei a misericórdia concretamente em minha casa, em minha família, no meu bairro, na minha comunidade, na minha paróquia? Sou um entusiasmado da misericórdia de Deus manifestada no rosto de Jesus?
A conversão é um processo de mudança de mentalidade, de afetividade, de vontade e de personalidade. Todo convertido atesta: “Eu sou outro, não sou mais aquele que eu era”. Estamos tão perdidos nos pecados que chegamos a criar o “princípio de nossa autodestruição”. Pensemos na ecologia, na fome, na AIDS, na pobreza, na miséria, na violência e guerra, no fracasso familiar. Só nos resta dizer: “ou mudamos, ou perecemos”.
Jesus, rico em misericórdia, deu à Igreja, através dos apóstolos, o dom e o poder de perdoar pecados. Esta é uma das grandes revelações do Novo Testamento; é uma das maravilhas da salvação; é uma boa notícia, mais ainda; uma grande notícia da Boa Nova de Jesus, que é o Evangelho. Quanta gratidão, alegria e exultação por este dom inestimável que é o perdão dos pecados e o sacramento da confissão, do desabafo, de verbalização das emoções e sentimentos íntimos, dos pecados mais recônditos que até médicos e psicológicos recomendam a prática. 
A Quaresma é o tempo propício para a conversão. Convertei-vos e vivereis. Os frutos da conversão são a alegria, a paz, a saúde e a felicidade. Quem faz a experiência do amor de Deus percebe logo onde se manifesta o pecado. Portanto, se o pecado é um fascínio, só um fascínio maior vencerá o veneno do pecado. Este fascínio maior é o amor de Deus. Deixemo-nos, porquanto, surpreender sempre de novo por Jesus de Nazaré e teremos mais razões para lutar pela justiça, para usar de compaixão com os fracos e viver com alegria.
Desejo vivamente que a Quaresma seja para os fiéis cristãos um período propício para propagar e testemunhar o Evangelho da misericórdia em todo lugar, pois a misericórdia constitui o âmago de uma autêntica evangelização. Com razão, confio à intercessão de Maria, Mãe da Igreja. Seja Ela quem nos acompanhe no itinerário quaresmal. Com tais sentimentos, de coração abençoo a todos com afeto.

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Publicado:10 Fevereiro 2016
CNBB


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