terça-feira, 4 de outubro de 2016

DINHEIRO É ASSUNTO SÉRIO... MAS, NÃO É ASSUNTO DA CATEQUESE!

FINANCEIRO NA CATEQUESE??

Já observei em várias conversas com catequistas aí pelo Brasil afora, que existe nas coordenações de catequese o serviço ou a função de TESOURARIA ou FINANCEIRO. E que a catequese se "vira como pode" nas paróquias.

Bom, só para esclarecer: cabe à ADMINISTRAÇÃO DA PAROQUIA se preocupar se tem dinheiro ou não para manter as várias pastorais. E a catequese é uma delas (senão, a principal delas) na dimensão evangelizadora. Dentre as três dimensões de custos, que o DÍZIMO deve cobrir na paróquia, está a dimensão EVANGELIZADORA (Missionária). As outras duas são a Religiosa e a Social.

Claro que existem custos com material de expediente, material didático catequético, livros, etc., mas, não cabe à coordenação da catequese a gestão de fundos para custear isso! Mesmo porque o serviço da catequese é "ensino da fé", é serviço de evangelização e serviço missionário. O Dízimo da paróquia é para isso! Inclusive o Dízimo Catequético ou "Mirim". Quando se implanta "Dízimo catequético" a função dele não é cobrir custos da catequese e sim, levar os catequizandos a conhecer o Dízimo e sua função no Templo. Se, desde pequenos eles aprenderem que é uma "partilha", quando crescerem terão essa consciência.

E falando "legalmente", todo recurso que entra na paróquia deve ser CONTABILIZADO, pois a paróquia deve prestar contas à diocese a que pertence, já que uma porcentagem destes valores sustenta as dioceses, que não tem "fiéis" para recolher dízimo e tem, também, seus custos. Quando não passa pelo sistema de caixa da paróquia este recurso, é como se estivéssemos fazendo "Caixa 2", portanto, "sonegando" valores a quem de direito. Como bem disse nosso mestre: “A César o que é de César...".

A EQUIPE DE COORDENAÇÃO tem, é óbvio que levar ao pároco estes custos, as informações a respeito de gastos, mas, isso pode ser feito pelo (a) coordenador (a) que é a ligação da pastoral com o pároco. De forma alguma o pároco pode se negar a cobrir despesas de evangelização. Ele bem o sabe como administrador da paróquia.

"Dinheiro" é, e tem que ser, a MENOR DAS PREOCUPAÇÕES de vocês. Além de cuidar da evangelização e ter que gerir praticamente uma "escola", é demais querer que os catequistas ainda se preocupem se vão ter dinheiro para comprar material, não acham?

Agora, se a catequese vive "inventando" lembrancinha pra tudo quanto é data, o custo disso é alto, e é claro, o conselho econômico da paróquia vai vetar e querer ver a catequese "pelas costas". A catequese NÃO É ESCOLA e não precisa imitar a escola nisso. "Lembrancinhas" tem que ter uma razão de ser, um motivo evangelizador e não social.

Outra coisa, se a catequese cobra "taxas", quem tem que receber isso é a SECRETARIA PAROQUIAL que tem um sistema de caixa para isso. Também não é "proibido" aos catequistas ajudarem nas promoções para angariar fundos para a paróquia ou fomentar o dízimo junto às famílias dos catequizandos... E nem ser dizimista!

E eu quero lembrar que o nosso país está nessa situação, justamente porque o CORRETO sempre parece mais difícil, então todo mundo sempre quer dar um jeitinho na coisa, não é mesmo? O que eu estou falando aqui é uma NORMA da Igreja, está no Código de Direito Canônico, que é a lei que rege nossa Igreja. E que, no entanto, como nas diversas situações no Brasil, muitos preferem ignorar.

Nós somos CATEQUISTAS, responsáveis pela EVANGELIZAÇÃO na nossa Igreja. Para gerir os custos da paróquia existe um CONSELHO ECONÔMICO PAROQUIAL, e o pároco está ciente disse. E para isso existe o dízimo, que é para custeio da evangelização, também.

E existem também várias promoções que a PAROQUIA faz e que cada catequista pode ajudar a promover. Se a equipe de catequese ajuda a paróquia, por que a paróquia não ajudaria a catequese? E se a equipe de coordenação da catequese for boa, planejar as despesas antecipadamente e levar ao pároco, ele estará ciente do que será preciso. O coordenador (a), junto com a (o) secretaria (o), podem perfeitamente fazer uma lista do que vão precisar de material pedagógico/catequético durante o ano e passar ao pároco, não podem? Sem contar que a Coordenação da Catequese deve participar das reuniões do CPP, Conselho Pastoral paroquial, onde pode levar as necessidades da pastoral ao conhecimento de todas as lideranças. É preciso trabalhar a Evangelização JUNTOS, em UNIDADE e não separadamente como se cada pastoral fosse uma empresa. 

E pensemos também que, quando a paróquia investe demasiadamente em sua manutenção física: construções, reformas, imagens, etc.; e esquece das "pessoas" que nela entram, que precisam dela; corremos o risco de, no futuro, termos lindos Templos, sem ninguém lá dentro!

Ângela Rocha

Catequista 

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO