sábado, 8 de outubro de 2016

HOMILIA DO 28º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Obrigado Senhor!

Muitas pessoas se lembram de Deus apenas em momentos pontuais da vida: quando precisam batizar os filhos, quando precisam dos demais sacramentos, quando querem se casar, quando estão doentes, quando morre um ente querido... Há quem nunca se lembra de Deus, mas no meio da desgraça, pergunta revoltado: “Por que Deus permitiu esta desgraça?” E este mesmo Deus não participou de tantos momentos felizes da vida deste que agora reclama? Há quem busca Deus apenas para ganhar um benefício. A liturgia deste domingo nos ajuda a refletir sobre tais atitudes.

É preciso sempre alimentar a amizade com Deus, nos momentos bons e ruins. Deus não é um operador de marionetes que fica arbitrariamente concedendo graças e desgraças. Tudo que é bom é dom dele. Tudo que é ruim faz parte da ambiguidade da história, e o Senhor certamente não se alegra com tais infortúnios. O Senhor sofre junto conosco, como nos manifesta em Cristo Jesus – alguém solidário com todos os dramas humanos.

O Evangelho fala de gratidão. Trata-se de um estilo de vida. Devemos viver na gratidão. Devemos viver sabendo que tudo o que recebemos vem de Deus, que Ele é graça em nossa história. Olhar para a história, para o presente e para o passado, percebendo as maravilhas que Deus realiza em nós. Agradecer pelas coisas boas: pela família, pela saúde, pelo alimento, pelos amigos... Quem vive a vida na gratidão, sabe também agradecer pelas coisas ruins. “Gratidão, em seu sentido mais profundo, significa viver a vida como um presente para ser recebido com agradecimentos. E a gratidão verdadeira abarca tudo na vida: o bom e o ruim, a alegria e a dor, o santo e o não tão santo” (H. Nouwen).

A atitude de gratidão faz com que nossa relação com Deus não seja interesseira, pois o doador da graça é mais importante do que a graça recebida. Reconhecer que há um Deus que se importa conosco, que nos presenteia, que nos dá vida nova e que cura a nossa lepra é mais importante do que a própria cura. No Evangelho, os nove leprosos do Evangelho não perceberam esta dinâmica. Foram embora após cura, e apenas um samaritano voltou agradecido. Os dez foram curados da lepra, porém apenas um foi salvo: aquele que se abriu à presença benevolente do Senhor.

Na primeira leitura, Naamã, como os leprosos ingratos, também tinha uma concepção comercial na relação com Deus, pois considerava que era possível comprar a cura. Ele tinha dinheiro e poder, no entanto, era leproso. Quando descobriu que a cura se encontrava em Israel, levou dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez vestes de festa para o rei de Israel. Foi curado por Deus por intermédio do profeta, contudo de nada serviu o seu dinheiro. Eliseu fez questão de mostrar que é por graça de Deus que ele recebeu a cura, não aceitando nada em troca e lhe trazendo o benefício, mesmo sendo ele um estrangeiro. A prepotência não pode nos obter a cura. Às vezes achamos que podemos negociar com Deus, que as coisas devem acontecer da maneira como planejamos. Graça é um benefício de Deus em nosso favor. Tudo o que o Senhor realiza em nossa vida é graça, é um presente sem preço. Com Deus não há trocas, não há comércio, não há méritos. Deus nos ama por pura gratuidade. Ama porque é puro amor.

Os leprosos eram judeus e, por isso, consideravam que tiveram a cura por direito. Preocupavam-se mais com as obrigações legais do que com o Senhor das graças. Jesus os manda ir aos sacerdotes, pois eles acreditavam em tais fiscalizações de pureza. Enquanto os nove se preocuparam apenas com a prescrição legal sobre a lepra, foi um samaritano, considerado indigno, que voltou para agradecer. Isso nos ensina que ninguém é dono da graça divina. Por isso, não podemos fazer separação alguma: grupos de salvos e condenados, grupos de santos e pecadores, grupos dos que pertencem e dos que não pertencem. Nossos critérios humanos miram as aparências, enquanto Deus vê o coração de cada um.

Pe. Roberto Nentwig

Arquidiocese de Curitiba – PR.teste de velocidade

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