sexta-feira, 3 de agosto de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: JESUS, O PÃO DESCIDO DO CÉU


                    HOMILIA DO 18° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

O povo que havia presenciado a multiplicação dos pães foi atrás de Jesus. O que buscavam? Jesus interpreta o desejo que estava em seus corações: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes os sinais, mas porque comestes o pão e ficastes satisfeitos” (Jo 6, 26). A busca religiosa pode não ser autêntica. A autenticidade depende de um critério: buscamos o prodígio ou o sinal? Ir em direção do prodígio é o interesse pelo vislumbre da religião e pela saciês imediata operada de modo mágico, provedora de comida, saúde e bem-estar. Não devemos buscar os milagres de Deus, mas o Deus dos milagres.


Para que Jesus nos dê o verdadeiro pão, precisamos passar do desejo do pão terreno, para o desejo do Pão do Céu, o Pão da Vida. A fé nasce do reconhecimento como sinal – este indica algo mais profundo, que vai além, da fome material. Aponta para uma vida nova, que nasce da fé no doador dos dons que é o Senhor. Jesus procura nos mostrar que existe uma realidade mais sublime que pode ficar escondida, justificando o famoso dito: “Enquanto o sábio indica as estrelas, o tolo olha o dedo”. Porém, cuidemos para que uma interpretação superficial não tome conta da nossa mente. Desejar o Pão do Céu não significa a busca de doutrinas sublimes, do brilho glorioso, da divagação sobre as coisas da vida após a morte. Ou seja, buscar o Pão do Céu não é um alienação em detrimento do pão que sacia a fome material. Pelo contrário, alimentar-se com o Pão do Céu e crer que Jesus transforma a nossa vida aqui e agora.


Corre-se um risco de um apego ao passado. Não é fácil mudar a mentalidade, mudar de residência, rumar novos horizontes. O povo de Israel reclamou porque perderam as seguranças do Egito e não tinham o que comer. O povo do Evangelho pediu um sinal e preferiu o Jesus da Multiplicação, àquele que fazia um discurso um tanto mais exigente.


É preciso realizar um êxodo, uma saída, um deslocamento. O povo de Israel saiu do Egito e foi para o lago. São Paulo no fala na segunda leitura de outro tipo de deslocamento: deixar a antiga humanidade, renovando o espírito e a mentalidade. Esta humanidade recriada leva à procura à verdadeira imagem de Deus. Lembremos que Deus mesmo nos moldou e nos deu o seu espírito. Esta argila continua sendo modelada, mostrando ser verdadeira imagem de quem a esculpiu? O que precisa ser feito desta argila, animada agora com o espírito novo do Senhor? Que nova mentalidade devemos ter diante da vida?


“Senhor, dai-nos sempre deste pão” (Jo 6,34). O povo não entendia o que estava pedindo; pedia comida material, como a samaritana pediu a água do poço. O Senhor, porém, oferece o verdadeiro pão: “Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede” (Jo 6,35). Hoje, na mesa da Eucaristia nós podemos comer do Pão da Vida: Pão que não nos deixa sentir fome, que preenche a fome de Deus, a fome de sentido, a fome do coração.


Pe Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.


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