segunda-feira, 22 de julho de 2019

"MEU FILHO VIVE E RESPIRA GAMES: O QUE EU FAÇO?"


Esta foi a pergunta de uma mãe no final de uma palestra que dei a respeito do Universo dos games e as crianças. Com tantas notícias sobre jogos de vídeo transformar crianças em alienados ou zumbis, viciados e antissociais; e um número crescente de especialistas advertindo sobre os perigos do tempo demasiado no computador; pode ser tentador proibir nossos filhos de usar computadores e smarphones. Mas, isso não é a solução, vamos a elas!

Se você proibir o jogo, você vai perder a oportunidade de influenciar o comportamento de seu filho. Uma abordagem bem melhor é jogar com eles. Claro que no começo você vai se perder geral, mas, comece com jogos educativos online grátis. Depois, informe-se sobre os jogos preferidos dos jovens, a temática, o que os atrai, etc.

A chave para garantir que seus filhos tenham um relacionamento saudável com jogos de vídeo game (e, sim, existe tal coisa!) é tirar proveito de experiências prazerosas que eles experimentam, também fora desses jogos. Um estudo publicado na revista científica Nature em 1998 mostrou que jogar jogos de vídeo game libera o neurotransmissor dopamina, que causa a sensação de bem estar, realização, prazer. Qualquer outra atividade prazerosa pode causar o mesmo efeito.

O simples fato de uma criança ou jovem passar muito tempo no computador jogando, não significa que ele é um “viciado”. O jogo assim como qualquer outra atividade toma tempo, envolve dedicação, é entretenimento, é socialização e possui vários níveis de aproveitamento. Nem todos os jogos são iguais e reação de cada pessoa para os jogos é diferente, também. Perguntar quais são os efeitos dos jogos de vídeo game é como perguntar quais são os efeitos da ingestão de alimentos, é importante conhecer a realidade específica do jogo em questão e do contexto social do jogador, antes de se fazer qualquer julgamento.

ALGUMAS DICAS:

Atenção com o uso do computador: Hoje em dia os estudantes precisam do computador para estudos e trabalhos escolares. De acordo com o Center for Internet and Technology Addiction (Centro que estuda o vício em internet e tecnologia), 80% do tempo que uma criança gasta no computador não tem nada a ver com estudos. Colocar computadores, smartphones e outros dispositivos de jogos em uma localização central da casa, e não a portas fechadas, permite monitorar suas atividades. Aprenda a verificar o histórico de pesquisa do computador para confirmar o que seus filhos tem visto e feito na Internet.

Estabelecer limites: é bom impor limites no tempo de utilização do computador. As crianças são muitas vezes incapazes de avaliar com precisão a quantidade de tempo que passam de jogo. Além disso, eles são inconscientemente incentivados a permanecer no jogo. Estabeleça não mais que uma ou duas horas de tempo de computador durante a semana. Usar firewalls, limites eletrônicos e bloqueios em telefones celulares e sites da Internet pode ajudar.

Começar a conversar: Discuta o uso da Internet e jogos desde o início com os seus filhos. Defina expectativas claras para ajudar e oriente em uma direção saudável antes de um problema começar. Comunicação não significa necessariamente uma conversa formal. Em vez disso, trata-se de dar ao seu filho uma oportunidade de compartilhar seus interesses e experiências com você.

Conhecer seu filho: Se o seu filho está se dando bem no mundo real, participando da escola, esportes e atividades sociais, então limitar o jogo pode não ser tão importante. A chave, dizem os especialistas, é a manutenção de uma presença em suas vidas e estar ciente de seus interesses e atividades. Por outro lado, se você tem uma criança que já tem problemas de raiva, é importante limitar jogos violentos. 

Procure ajuda: Para alguns jovens, o jogo se torna uma obsessão irresistível. Se o seu filho está mostrando sinais de vício em videogames, procure ajuda. As opções de tratamento existem. Pode ser uma terapia ou até mesmo uma intervenção familiar.

Mas, nem todos os jogos são ruins. Jogos de vídeo game podem ajudar o cérebro de várias maneiras, tais como percepção reforçada visual, melhoria da capacidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo, melhor processamento de informações. "De certa forma, o modelo de jogo de vídeo é brilhante", diz Judy Willis, MD, da Academia Americana de Neurologia (AAN), "Ele pode alimentar as informações para o cérebro de uma maneira que maximiza o aprendizado", diz ela.

Agora, se o seu filho se recusa a deixar o jogo até para comer, começa a dormir tarde ou fazer as tarefas em tempo record para jogar, comece a se preocupar. Um não grande hoje, pode evitar problemas bem mais sérios no futuro.

ALGUNS COMPORTAMENTOS QUE CARACTERIZAM O "VÍCIO" EM GAMES (JOGOS):


Somente um especialista capacitado pode diagnosticar que alguém está “viciado em jogos”, mas existem alguns sintomas comuns que devem ser considerados e que podem indicar um problema:

1. Passa muito tempo no computador ou vídeo game;
2. Entra na defensiva quando confrontado sobre o problema;
3. Perde a noção do tempo;
4. Prefere passar mais tempo nos jogos que com amigos e familiares;
5. Perde o interesse em atividades que antes eram importantes;
6. Torna-se socialmente isolado, irritável ou rabugento;
7. Estabelece uma nova vida social, apenas com amigos online;
8. Negligencia trabalhos escolares e sofre para conseguir boas notas na escola;
9. Gasta dinheiro em atividades inexplicáveis;
10. Tenta esconder que passou algum tempo jogando.

Apesar disso, alguns especialistas dizem que é difícil definir o “vício em jogos”. Enquanto uns creem que isso pode ser um transtorno de ordem psicológica, outros acreditam que é apenas parte de outros problemas de ordem psicológica e social. A versão atual do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-V, afirma que mais estudos precisam ser feitos antes incluir a "Disorder Gaming Internet" (vício em jogos da internet).

Por trás do vício em games, sempre podem existem causas psicológicas e sociais, além do prazer causado pelo jogo. Nenhuma criança fica trancada num quarto 10, 12 horas sem que pais "responsáveis" não percebam. Que criança ou jovem sai de casa a “caça de Pokémon” sem que os pais saibam que saiu? Que criança ou jovem não tem hora para voltar para casa? Claramente, aqueles que não tem uma vivência familiar ou controle por parte dos pais e responsáveis. Se o problema é excesso de celular, porque é que seu filho tem um celular? Por que uma pessoa fica viciada em jogos? Porque na sua vida real não tem nada equiparado ao prazer e a satisfação que um jogo proporciona.

Vamos olhar nossos filhos com mais atenção e buscar informações fidedignas, de médicos e psicólogos, cientistas, pessoas que trabalham na área da tecnologia, que fazem estudos sérios a respeito do assunto.


FONTES: 
Paturel, Amy M.S., M.P.H. Neurology Now. Centro Americano de Neurologia.
Academia Americana de Neurologia: Neurology Now: Junho / Julho de 2014 - Volume 10 - Número 3 - p 32-36

DEIXAR RASTROS SACRAMENTAIS


A Igreja católica ensina que são SETE os sacramentos:  Batismo, Reconciliação ou Penitência, Eucaristia, Crisma ou Confirmação, Matrimônio, Ordem e Unção dos enfermos.

São muitos os versículos que narram a vivência dos sacramentos nas comunidades antigas:

Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3:5). 

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tito 3,5).

“Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra” (Efésios 5,26).

“Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos” (João 20, 23).

"E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tiago 5,15). 

“Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo” (Atos 8,17). 

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6,54-55).

Os sacramentos  representam algumas obras que a Igreja ministra todos os dias em diversificados cantos do mundo. São ritos que impulsionam pessoas a viver sua fé em comunidade, criando uma tradição histórica da Igreja. No entanto, estamos presenciando uma geração que se desapegou desta tradição e que muitas vezes não vê importância de tal. Por que esse menosprezo à adesão dos sacramentos? Há culpados?

Culpado não é a palavra certa. É necessário entender que há pessoas descuidadas em dar o exemplo que prometeram. Há pais e padrinhos que, de tantas atividades que a vida impõe diariamente, esqueceram-se que por intermédio do Batismo além de receber o perdão do pecado original, se tornaram filhos de Deus e parte integrante da Igreja. Recebe-se a missão de ser cristão e de viver os ensinamentos de Jesus.

Os sacramentos nada mais são do que ensinamentos de Jesus. Um ensinamento que Ele concedeu pessoalmente aos apóstolos, que por sua vez, transmitiram aos seguidores que aderiram ao cristianismo.

Faltam exemplos. Falta tempo. Falta comprometimento. Falta compreender que é necessário tomar como estilo  de vida a fé recebida no Batismo. 

A catequese deve recordar os fiéis desse compromisso. É necessário ter catequistas vivendo esse batismo com mais intensidade, pois trabalhando em parceria com os pais, conseguirão transferir  por meio do exemplo, os benefícios de se ter uma fé ativa.

Missão áspera aos evangelizadores! Preparar crianças e jovens para receber seriamente  os sacramentos é uma responsabilidade dignificante e comprometedora. A partir do momento que um catequista abraça essa missão, abraça consigo a tarefa de viver o que ensina.

Reflita querido catequista, como tem recebido o Jesus que pregas?  

Recordo de um breve momento que fui agraciada durante uma missa. Em nossa comunidade é costume o sacerdote entregar Jesus Eucarístico não mão e dizer "Corpo de Cristo". Neste dia, a missa foi celebrada por um sacerdote vindo recentemente da África, no momento em que ele dispôs Jesus Eucarístico em minha mão, ele pronunciou algo que mexeu com meu espiritual. Ele disse: "Receba o Corpo de Cristo!". Fui para o genuflexório com aquela palavra "receba" martelando em minha mente. Ali senti fortemente a presença de Jesus me conduzindo em sua sabedoria. Receber é aceitar o que é oferecido. Eu recebi Jesus e naquele momento eu estava indo me ajoelhar com ele. E meu coração questionava: “Agora que O recebi, o que farei com Ele?”. O Espirito Santo embriagou-me e vivi de fato, pela primeira vez, o sacramento da Eucaristia (por volta dos meus trinta e dois anos)Compreendi que tinha recebido Jesus e agora tinha a missão de leva-lo comigo para todos os lugares. Eu era um sacrário ambulante! E não estava somente recebendo-O, eu estava aceitando-O na minha vida, na minha indigna morada! Minha fé nesse sacramento tornou-se mais intensa.”

Um simples exemplo, nos faz enxergar os sacramentos com maior fé e como sinal de amor de Deus por nós. Meros detalhes que Deus providencia em nossos rumos.

Quem foi seu exemplo de fé? Como te conquistou pra Jesus? Para muitos esses modelos de fé vieram da própria família. Porém, nem todos tem essa oportunidade neste novo molde social em que vive essa nova geração.

Que todo testemunho e o nosso catequizar sejam como rastros que ficarão no caminho onde se adere a Jesus, direcionando para os que vierem depois de nós. Principalmente para os que não têm exemplos dentro de casa.

Aproveitando o sagrado que há neste instrumento sacramental que o próprio Jesus ensinou. Já dizia São Francisco: "Evangelize, e se preciso use palavras".


Sandra Fretta Gomes Malagi
Laranjeiras do Sul-PR  /Paróquia Sant’Ana.




sexta-feira, 19 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE A "IMPLANTAÇÃO" DA IVC? - 4: Introdutor, quem é ele?


QUEM É ESTE TAL DE "INTRODUTOR"?

Bom, vocês devem já ter lido bastante sobre o modelo catecumenal e visto que, o primeiro Tempo, ou seja, o Pré-catecumenato, ou até antes dele, exige uma "figura", que se chama INTRODUTOR. Mas, que figura é essa? Quem seria essa pessoa, responsável pelo "primeiro anúncio" e introdução na comunidade? Dá para "nomear" alguém pra sair por aí buscando ovelhas perdidas do redil do Senhor? É possível fazer "curso" para ser introdutor?

E cada vez que me fazem estas perguntas, mais pulgas se mudam para detrás da minha orelha... Já escrevi um texto sobre isso e vou reeditá-lo para vocês entenderem meu ponto de vista.

“Quem é, afinal, a figura do INTRODUTOR, no processo de Iniciação à Vida Cristã”?

E muito se discute e muito se atribui a tão importante figura que, no entanto, ninguém sabe direito quem é. Algumas paróquias “preparam” pessoas para ser esse introdutor, outras até constituem grupos de introdutores. E muitas ainda estão procurando o dito cujo...

Primeiro vamos ao conceito mais simples do que seria um “introdutor” em qualquer lugar que seja:

É aquele que leva alguém a algum lugar, fazendo com que esta pessoa participe de um clube, instituição, agremiação, grupo, etc. Claro que antes ele precisa fazer com que essa pessoa partilhe dos objetivos e ideais daquele grupo.

Agora vamos aos nossos conceitos na iniciação cristã:

Primeiro vamos pensar que “cabe a todo discípulo de Cristo a missão de difundir a fé” (Conc. Vat, II – Lumien Gentium, 17). A este respeito podemos encontrar no item 41 do RICA, uma explanação mais completa a este respeito. E no item 42 temos que:

O candidato que solicita sua admissão entre os catecúmenos é acompanhado por um introdutor, homem ou mulher que o conhece, ajuda e é testemunha de seus costumes, fé e desejo”.

Ou seja, o introdutor é aquele que dá testemunho a respeito do candidato a ponto de tornar-se seu “padrinho” se assim for a vontade do catecúmeno. Esta pessoa "conhece" e sabe da vontade do outro em entrar para a comunidade cristã e o acompanha durante todo o processo.

Com certeza é um “papel” sério demais para se exercer na vida de alguém e não uma “designação” que se dê a uma pessoa específica, cuja função seja acompanhar a quem não conhece e não convive no dia a dia.

Por isso, e por acreditar que “introdutor” não é um título e nem um ministério que se dê a alguém depois de um "curso", penso que é necessário a comunidade se atentar ao que diz o Decreto Ad Gentes (14):

O povo de Deus, representado pela Igreja local, sempre compreenda e manifeste que a iniciação dos adultos é algo de seu e interessa a todos os batizados”.

Portanto, a nós, todos os batizados, compete o papel de “introdutores” na fé. Não sou só eu, catequista ou agente de pastoral. Somos todos nós que vivemos e participamos da comunidade católica. Que são aqueles que devemos "introduzir"? São todas aquelas pessoas que conosco convivem: nossos vizinhos, nossos amigos e todos aqueles a quem a mensagem do Reino de Deus precisa chegar. São pessoas do nosso convívio que se encontram afastadas da Igreja e de Jesus por um motivo ou outro. Ou ainda aqueles que nunca ouviram falar do que se vive ao acompanhar Jesus pela vida afora. |Obviamente vamos encontrar mais "desiludidos" na fé do que pessoas que não conhecem Jesus.

Falaremos mais disso numa outra publicação...

Aproveite para levantar suas dúvidas sobre o "INTRODUTOR"...

Ângela Rocha
Administradora




quinta-feira, 18 de julho de 2019

DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE - RESUMO PARA ESTUDO


DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE -DNC
RESUMO PARA ESTUDO

"A Catequese é um ato essencialmente eclesial. Não é uma ação particular. A Igreja se edifica a partir da pregação do evangelho, da Catequese, da Liturgia e do amor Fraterno e solidário” O fruto da evangelização e da catequese é fazer discípulos: acolher a Palavra, aceitar Deus na vida como dom da fé”. (DNC 32)

“O que nos contaram nossos pais, não o esconderemos aos filhos deles, nós o contaremos à geração futura"(Sl 78, 3-4).

O Concílio Vaticano II aconteceu de 1962 a 1965. Mudanças ocorreram e muitas coisas boas e bonitas foram aparecendo no decorrer da história da Igreja e da catequese, uma grande riqueza de documentos foram sendo escritos, e estes deram um novo rosto à catequese. Foi assim que em 1971, preparado pela Congregação para o Clero e aprovado por Paulo VI, tivemos o Diretório Catequético Geral (DCG).

Vinte e seis anos depois da publicação deste diretório a Congregação para o Clero decidiu pela sua renovação. Assim, publicou-se o Diretório Geral para a Catequese (DGC) em 1979, e aprovado pelo Papa João Paulo II. Inspirado neste diretório e no documento Catequese Renovada nº 26, nasceu o Diretório Nacional de Catequese (DNC) no Brasil.

O que é um Diretório e especialmente sobre o DNC?

É um "Manual, um conjunto de princípios, critérios e normas de natureza bíblico-teológica e metodológico-pastoral com a função de coordenar a ação pastoral"

Qual o objetivo do DNC?

O objetivo do Diretório Nacional de Catequese é apresentar a natureza e finalidade da catequese, traçar os critérios de ação catequética, orientar, coordenar e estimular a atividade catequética nas diversas regiões. Ele pretende delinear uma catequese Litúrgica, bíblica, vivencial, profundamente ligada à mística evangélico-missionária, mais participativa e comunitária.

Quais as finalidades?

a) estabelecer princípios bíblico-teológico-Litúrgico-pastorais para promover e impulsionar a renovação da mentalidade catequética;
b) orientar o planejamento e a realização da atividade catequética nos diversos regionais e dioceses;
c) coordenar as diversas iniciativas catequéticas;
d) articular a ação catequética com as outras dimensões de nossa pastoral (litúrgica, comunitário-participativa, missionária, dialogal-ecumênica e sócio-transformadora);
e) estimular a atividade catequética, principalmente onde as comunidades sentem mais dificuldade na promoção da educação da fé (DNC 8).
  
O DNC ESTÁ DIVIDIDO EM DUAS PARTES:

PRIMEIRA PARTE: Fundamentos teológico-pastorais da Catequese

Primeiro Capítulo: As conquistas do recente Movimento Catequético, Pós-Conciliar: conquistas e desafios, isto é, do Concílio Vaticano II (1962-1965), passando por Medellín, Puebla, os grandes documentos pontifícios e os documentos da CNBB e de modo especial, “Catequese Renovada, orientações e conteúdos” (1983);

Segundo: A Catequese na Missão Evangelizadora da Igreja. A Revelação divina, a centralidade da Palavra de Deus, a Bíblia como livro de catequese, a evangelização e a catequese, o ministério da catequese;

Terceiro: A Catequese contextualizada: História e Realidade. A catequese na história, desde os inícios no Brasil, e no contexto do Brasil e da Igreja de hoje;

Quarto: Catequese: Mensagem e Conteúdo: a especificidade da mensagem cristã, a Sagrada Escritura: compreensão, seu uso na Igreja, Bíblia e catequese, a liturgia, o Catecismo da Igreja Católica.

SEGUNDA PARTE: Orientações para a Catequese na Igreja Particular.

Quinto: Catequese como Educação da Fé. A pedagogia de Deus, elementos das ciências da educação, métodos, a pessoa, a comunicação, a comunidade catequizadora;

Sexto: Os Destinatários, como interlocutores, no processo catequético. O direito dos fiéis e da comunidade à catequese, a catequese conforme as idades, a catequese na diversidade, a catequese conforme o contexto sócio-religioso, a catequese conforme o contexto sócio-cultural;

Sétimo: Ministério da Catequese e seus Protagonistas. O ministério da catequese na Igreja Particular, a formação de catequistas, no ser, saber, saber fazer, diferentes escolas de formação;

Oitavo: Lugares e Organização da Catequese. O capitule trata da família, da comunidade, da paróquia, das pastorais, dos grupos, movimentos e de outros ambientes de catequese. Dedica urra atenção especial ao ministério da catequese e dá orientações para a animação e a coordenação de catequese em vários níveis.

INTRODUÇÃO

A Meta: O DNC é um instrumento de pastoral. Foi aprovado para dar mais vida à catequese e, conseqüentemente, a todos nós. São Pedro escreve: "Deveis dar as razões de vossa esperança” (2Pd 3,15), e, obviamente, as razões da fé e do amor.

Nesta mudança de civilização em que estamos mergulhados, é fundamental para nós, para a Igreja e para a missão de cristãos, solidificar nossa fé, nossa esperança, nosso amor, nossa experiência de fé, nosso sentido de pertença e de compreensão do que significa ser cristãos. Na verdade, existimos para fazer a vontade do Pai, como Jesus viveu. Ele mesmo disse "são minhas irmãs, meus irmãos e minha mãe quem faz a vontade de meu Pai" (Mc 3, 34-35). E a vontade do Pai é assim expressa por São Paulo "Deus quer que todas as pessoas se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (lTm 2,4).

A catequese, como parte indispensável da missão da Igreja, tem esta grande missão. E o Diretório visa dar pistas para formar e subsidiar todos os que direta e indiretamente estão envolvidos com a renovação da missão da Igreja, no mundo de hoje, respondendo basicamente a duas perguntas:

 - Qual a importância do DNC para a nossa catequese?
 - Como o DNC pode ajudar a nossa catequese, no seu dia-a-dia?

Destaques da Caminhada da Catequese.  O que dá um novo rosto à catequese:

1. O uso da bíblia na catequese
2. A comunidade como lugar da catequese
3. A catequese como o processo permanente da fé
4. Uma catequese que ajuda a fazer a experiência viva de Jesus Cristo
5. Uma catequese transformadora
6. Uma catequese que usa o princípio metodológico de interação fé e vida.
7. Catequese que faz um caminho de espiritualidade
8. Uma catequese inculturada.
9. Uma catequese integrada nas pastorais


2. JESUS CRISTO, A CENTRALIDADE DA CATEQUESE.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Jo 14,6).

O encontro com o Cristo vivo leva, necessariamente, o catequizando à conversão, a uma mudança de vida. De fato, a catequese, procura favorecer este encontro pessoal e comunitário com Jesus.  “No centro da catequese nós encontramos especialmente uma pessoa: É a Pessoa de Jesus de Nazaré, Filho único do Pai, cheio de graça e de verdade, que sofreu e morreu por nós, e que agora, ressuscitado, vive conosco para sempre. É este mesmo Jesus que é o “Caminho, a Verdade e a Vida. A vida cristã consiste em seguir a Cristo” (CT 5).

Jesus está no centro da proclamação da mensagem catequética, cuja meta final é o Pai. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. Jesus é o ponto de encontro dos seres humanos com o Pai, que nele se tornou visível: “Quem me viu, viu o Pai”. Como é que você diz: Mostra-nos o Pai? Você não acredita que eu estou no Pai e que o Pai está em mim”? (Jo 14, 9-10).

Jesus Cristo escolhe e chama (Lc 6, 12-13). O discípulo experimenta que a escolha é manifestação de amor. “Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19).

“O fruto da Evangelização e catequese é fazer discípulos: acolher a Palavra, aceitar Deus na própria vida, como dom da fé. As exigências são: conversão e seguimento”.

O seguimento de Jesus Cristo realiza-se, porém, na comunidade fraterna. O discipulado implica renúncia a tudo o que se opõe ao projeto de Deus e que diminui a pessoa. Leva à proximidade e intimidade com Jesus Cristo e ao compromisso com a comunidade e com a missão (cf. CR 64-65; AS 127; DNC 34).


3. A CAMINHADA HISTÓRICA DA CATEQUESE

A contextualização da Catequese, hoje:

“A catequese encontrou no “principio de interação fé e vida” (Cf. CR 110-117) uma das chaves mais importantes para inculturar-se na vida dos catequizandos, assumindo a realidade como parte dos seus conteúdos. (DNC 85).

Por isso a realidade social, política, econômica, cultural e religiosa é, também, conteúdo de catequese. Alguns sinais desta realidade:

- A presença do sistema neoliberal tendo como expressão maior um mercado explorador
- A força da comunicação moderna na formação de opinião pública e das convicções das pessoas (DNC 88).
- A cultura moderna prioriza a razão, o conhecimento, à ciência, à tecnologia, o lucro, e os interesses individuais (DNC 83).
- O uso irresponsável dos recursos produz: guerras, prejuízo da saúde do planeta, perda do sentido de viver, violência.... (DNC 89).
- O mundo contemporâneo é um mundo onde predomina o pluralismo, também no campo religioso. A catequese precisa aprender o caminho do diálogo religioso, do diálogo com a cultura, da promoção da liberdade religiosa e do ecumenismo (DNC 91).
- A urbanização do Brasil influencia o modo de ser cidadão e de ser cristão (DNC 93).
- Forças sociais secularizadas, a influência dos meios de comunicação, o relativismo religioso, a migração, a urbanização, as condições sociais, econômicas, culturais agridem a família cristã (DNC 95).

4. PALAVRA DE DEUS: FONTE POR EXCELÊNCIA DA CATEQUESE

“A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva” (Ap 21, 6-b).

Ao falar do uso da Bíblia nas pastorais, o papa João Paulo II lembra que a catequese tem como primeira fonte a Escritura que, explicada no contexto da Tradição, fornece o ponto da partida, o fundamento e a norma de ensinamento catequético. “Na catequese procura-se critérios para o uso da Bíblia a serviço da educação de uma fé engajada; as circunstâncias locais hão de inspirar adaptações no uso da Bíblia pela catequese: formar comunidade de fé e alimentar a identidade cristã”. (Cf DNC nº 108).

O quarto Capítulo do DNC resume as várias modalidades de leitura e uso da Bíblia e, nos dá alguns critérios para apresentar bem a mensagem:
- A centralidade de Jesus Cristo, como Deus e homem.
- Valorização da pessoa humana através do mistério da encarnação;
- Anúncio da Boa Nova do Reino de Deus para a salvação. Isso implica uma mensagem de conversão e libertação;
- Mensagem situada dentro da vida e da história da Igreja;
- Inculturação, para que cada um perceba a mensagem com toda a pureza, de um jeito que lhe seja familiar;
- A organicidade da mensagem cristã, pois há uma hierarquia de verdades. A visão harmoniosa do Evangelho tem um significado profundo para o ser humano (DGC 97; DNC 105).
- “A catequese sempre há de haurir o seu conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus, transmitida na Tradição e na Escritura”. A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito inviolável da Palavra de Deus, confiado à Igreja. (CT 27).

A leitura orante da Bíblia está crescendo no meio do povo mais simples, com a ajuda de Biblistas competentes, em comunhão com os pastores da Igreja, meditam a Palavra de Deus de modo atualizado, buscando ser fiel ao espírito em que foi escrita.

A Leitura da Bíblia nos grupos, círculos bíblicos se pequenas comunidades, está favorecendo ao desenvolvimento de uma importante consciência critica que leva à ação; ajuda a descobrir novos aspectos da mensagem sem correr o risco da leitura fundamentalista que muitas vezes acaba desviando membros da comunidade das exigências de sua caminhada. “Essa leitura pode ajudar a prevenir e corrigir objetivos e procedimentos distorcidos”, como zelo agressivo, medo de Deus, legalismo” (cf DNC nº 111).

“A formação bíblica deve ser gradual, cuidadosa, para que se possa passar a uma leitura mais adequada, de modo construtivo” (DNC 114) e libertadora.

É preciso ainda proporcionar uma experiência de comunidade ou grupo acolhedor, em que se pratique uma leitura, serena, orante, viva e respeitosa (DNC 114).

Catequese e Liturgia

A liturgia é o ápice para o qual tende a ação da Igreja, e ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força. Ela é, portanto, o lugar privilegiado da catequese do Povo de Deus”. (CIC-1074).

A liturgia ocupa um lugar importante na nossa catequese. As duas necessitam viver de mãos entrelaçadas. A catequese é um processo permanente. Não termina com a preparação para um sacramento. A caminhada da fé dos catequizandos necessariamente passa pela liturgia. A palavra liturgia significa ação sagrada.

Na liturgia precisamos levar em conta:
- A ação do povo: celebramos a ação de Deus na história, na vida e nos acontecimentos.
- Celebração: celebramos a relação amorosa de Deus com o povo.
- O sentido de festa: nos encontramos para festejar e comemorar a presença de Deus vivo e dos irmãos e irmãs.
- Comemoração: fazer memória, atualizar o mistério pascal e mistério da nossa vida.

A liturgia é ação sagrada por excelência, cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, fonte da qual deriva a sua força, e requer uma participação plena, consciente e ativa.
- A liturgia ao realizar sua missão, torna-se uma educação permanente da fé.
- A proclamação da Palavra, a homilia, as orações, ritos sacramentais, a vivência do ano litúrgico e as festas são verdadeiros momentos de educação e crescimento na fé.
- A liturgia é fonte inesgotável da catequese, não só pela riqueza do seu conteúdo, mas pela sua natureza de síntese e cume da vida cristã (SC 10; CR 89).
- A proclamação da Palavra na liturgia torna-se para os fiéis a primeira e fundamental escola da fé (DGAE 21).
- As festas e as celebrações são momentos privilegiados para a afirmação e a interiorização da experiência da fé (DNC 118).

Catequese Litúrgica

- A liturgia, com seu conjunto de sinais, palavras, ritos, em seus diversos significados, requer da Catequese uma iniciação gradativa e perseverante para ser compreendida e vivenciada.
- A catequese litúrgica prepara aos sacramentos e ajuda a vivenciá-los.
- A catequese explica o conteúdo das orações, o sentido dos gestos e dos sinais, educa à participação ativa, à contemplação e ao silêncio (DNC 121).

Para melhor unir catequese e liturgia é preciso levar em conta:

- A centralidade do Mistério Pascal de Cristo na vida dos cristãos e em todas as celebrações;
- A liturgia como um momento celebrativo da história da Salvação.
- A compreensão dos ritos e símbolos como reveladores da ação Pascal de Cristo;
- A participação comunitária na liturgia com sua variedade de Ministérios.
- Preparação de boas celebrações com a proclamação clara da Palavra.
- Participação dos cristãos na Eucaristia, o coração do domingo. (Cf NMI 36).
- Conhecimento da Palavra na catequese para ajudar na celebração da Palavra de Deus.
- A espiritualidade de conversão mediante a celebração do sacramento da Reconciliação;
- O sentido dos sacramentos, especialmente a Eucaristia como sinais de comunhão com Deus, em Cristo.Os Sacramentos entendidos como momentos fortes da vida, atualizam a salvação no nosso dia.

No centro da celebração cristã está o memorial, a recordação viva da Páscoa libertadora, a passagem das trevas para a luz, da morte para a vida, das condições menos humanas para as condições mais humanas.

A liturgia é o ápice e a fonte da vida da Igreja, um encontro com Deus e os irmãos.

A catequese litúrgica é um processo que visa enraizar uma união madura, consciente e responsável com Cristo, através das celebrações es leva ao compromisso com o serviço da evangelização nas diversas realidades da vida (DNC 121).

5. O PROCESSO PEDAGÓGICO E METODOLÓGICO

Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras”?  Lc 24, 32).

Jesus é a grande revelação do Pai. Ele se encarna e por meio de sua vida, suas palavras, sua mensagem, seu projeto, sinais e atitudes dão continuidade à Revelação iniciada na 1ª Aliança. A catequese inspira-se na pedagogia de Jesus:

- Acolhe às pessoas, especialmente os mais excluídos;
- Anuncia o Reino de Deus que é de amor, justiça, liberdade, fraternidade.
- Convida para segui-lo, vivendo a fé, a esperança e a caridade, numa constante conversão.
- Envia discípulos para anunciarem a Palavra que transforma a sociedade.
- Dá atenção às necessidades e às situações concretas da vida das pessoas.
- Usa uma conversa simples, utilizando parábolas, gestos...
- Apresenta firmeza diante das tentações, crises, buscando forças na oração (DNC 141).

O Espírito Santo é o grande iluminador da catequese. Ele é o “Mestre interior”. Através dele podemos entender melhor as palavras e os gestos de Jesus, fazer uma síntese entre fé e vida, assumir com interesse a liturgia, o ano litúrgico, a oração quotidiana como caminho de crescimento na fé.

“Iluminada pelo Espírito Santo a catequese: anuncia a verdade revelada, cria meios de comunhão filial com Deus, a construção da comunidade de irmãos, o estabelecimento da justiça, da solidariedade, da fraternidade” (DNC 144).

O método VER, ILUMINAR, AGIR, CELEBRAR e REVER:

Método é o caminho para podermos alcançar os objetivos. Para chegar aos objetivos precisamos levar em conta: as pessoas, a realidade, a comunidade, as experiências, a linguagem, o conteúdo, e a comunicação...

É preciso ter em mente também, os meios, os recursos que utilizaremos em nossos encontros para podermos alcançar os objetivos.

Para o/a catequista é importante entender e praticar o método de interação fé e vida. “A vida manifesta problemas e esperanças para a fé e a fé ilumina a vida; a fé se coloca a serviço da vida, e a vida faz com que a fé seja encarnada e atuante. Uma age dentro da outra para que todos tenham vida e vida plena” (CR 112-113).

Dentro do método, alguns elementos ajudam a fazer a catequese mais dinâmica, atraente e interativa. Vejamos:

1 - Linguagens, meios e instrumentos

É necessário saber adaptar-se aos interlocutores, usando uma linguagem compreensível levando em conta a idade, cultura e circunstâncias (DNC 163).
São muitos, hoje os meios e os instrumentos que podemos utilizar: teatro, música, símbolos, cartazes. DVDs, entrevistas, passeios, retiros...

2 - Trabalho em grupo

É importante trabalhar em grupo para favorecer o desenvolvimento dos valores individuais e coletivos dentro de um determinado campo social e catequético (DNC 164). Utilizar a técnica de oficinas.

3 - Experiência humana.

Todo ser humano carrega em sua vida uma grande bagagem que são as experiências ao longo de sua vivência.
A riqueza da mensagem evangélica permanece ineficaz se não se levar seriamente em conta a experiência dos catequizandos, o contexto em que vivem, as barreiras que têm, os sonhos e esperanças que alimentam (DNC 165).

4- Memorização na catequese

A memorização não foi banida da catequese. Ela não deve ser descuidada, mas entendida como algo que passa pelo “coração”. Portanto, o que se memoriza deve antes passar, pelo coração, pela experiência, pelo sentimento de quem aprende.
Memorizar o que? As palavras de Jesus, passagens bíblicas importantes, dez mandamentos, o credo, textos litúrgicos, orações e noções de doutrina. (Cf CT 55; DNC 167).

5-Comunicação.

É importante a catequese utilizar os mais diversos meios de comunicação. Mas antes de tudo, o/a catequista tem que ser uma pessoa de comunicação clara, expressiva, de entusiasmo e de testemunho. O DNC recomenda que é preciso “capacitar catequistas como comunicadores: sejam pessoas conhecedoras dos processos de comunicação humana e estejam habilitados a integrar recursos como músicas, vídeos, teatro... (DNC 171).

6- Criatividade de catequistas e catequizandos.

A alma de todo método está no carisma do catequista, na sua sólida espiritualidade, no seu transparente testemunho de vida, no seu amor aos catequizandos, na sua competência quanto ao conteúdo, ao método e à linguagem (DNC 172). O catequista com estas qualidades poderá suscitar maior criatividade e participação de seus catequizandos.

6. INTERLOCUTORES NO PROCESSO CATEQUÉTICO

Vivendo o amor autêntico cresceremos sobre todos os aspectos em direção a Cristo” (Ef 4, 15)

A catequese tem como interlocutor à pessoa humana em suas diversas fases dentro do contexto sócio-cultural, econômico e religioso. Catequese conforme a idade:
- Catequese com adultos: Os adultos são os primeiros interlocutores da mensagem cristã, pois deles dependem as decisões no mundo social, político e religioso.
- Catequese com pessoas idosas
- Catequese com jovens
- Catequese com adolescentes
- Catequese com crianças
- Grupos indígenas, afro-brasileiros e outros,
- Pessoas com deficiência

7. MINISTÉRIO e FORMAÇÃO DE CATEQUISTAS

“Avance para águas mais profundas, e lancem as redes para a pesca! ”. (Lc 5,4).

Exercer o ministério da Catequese é antes de tudo uma missão em benefício de uma comunidade. Para bem exercê-lo é preciso gratuidade, doação, empenho e perseverança.

Perfil do catequista:

- O ser catequista, seu rosto humano e cristão.
- O saber do catequista-conhecimento em diferentes áreas
- O saber do catequista: a questão metodológica.

Para isto é preciso:

Relacionamento – Educação – Comunicação – Pedagogia – Metodologia

Características da formação:

O Ser do catequista, seu rosto humano e cristão (258-264). A realização humana e afetiva, a maturidade humana, a espiritualidade, a experiência de Deus, a integração na comunidade, o cultivo da formação. O crescimento como pessoa.

O saber do catequista (265). O saber enquanto conteúdo e experiência cristã, mas o saber enquanto ciências humanas, sociais, políticas, culturais, o uso dos modernos equipamentos, a comunicação, os métodos, a linguagem,

O saber fazer. (266-270). A pedagogia, a metodologia, a psicologia. O mundo mudou, as pessoas estão mais conhecedoras. Tudo é questionado, até a fé, as verdades, a família, a Igreja.
O saber fazer em conjunto: O trabalho em comunidade, em equipes, com as demais lideranças das pastorais, movimentos e organismos.


8. LUGARES PRIVILEGIADOS DE CATEQUESE

“Coloquem-se a serviço uns dos outros através do amor” (Gl 5, 13).

Depois de uma breve introdução sobre a necessidade de se aproveitar as novas conquistas tecnológicas, pedagógicas e científicas para o anúncio do Evangelho, o documento exorta, do item 296 em diante, a aproveitar os espaços já ‘constituídos’ como lugares de catequese. A saber: a família, a comunidade cristã e por último a paróquia.

A família: “... o lugar onde se colocam os fundamentos para a construção da personalidade do ser humano a partir de valores humanísticos, enriquecidos pelo evangelho” (DNC 296) e entende-se que os pais são os primeiros e principais responsáveis pela educação dos filhos na fé.  O processo de crescimento da fé brota da convivência familiar, da harmonia e do testemunho dos pais. Os pais são os primeiros mestres da fé e, se os filhos não tiverem tais mestres, a catequese como pastoral, necessitará de muito mais competência e acolhimento para ter sucesso (DNC 299).

Outro lugar é a comunidade cristã: as famílias precisam estar engajadas na comunidade onde, através de um clima fraterno, da percepção da realidade e da leitura da Palavra de Deus busca-se uma sociedade mais justa e uma catequese integral. Para isso é preciso que a comunidade seja espaço acolhedor, de amizade, de convivência fraterna, de solidariedade e de celebração da Eucaristia. A comunidade cristã deve ter iniciativas como: novenas, terços, festa do padroeiro, grupos de reflexão, círculos bíblicos, grupos de oração, grupos de caridade, encontros de preparação para os sacramentos e outros momentos propícios ao engajamento social. A criança deve ser incentivada a participar destes momentos para que aprenda os fundamentos da vida comunitária e cristã.

Por último, como espaço privilegiado de catequese, encontramos a Paróquia, que é uma rede de comunidades que acolhe, educa e anima a vida dos cristãos (DNC 303). É a casa do povo de Deus. É lugar da celebração dos sacramentos e da caridade. É onde encontram-se as Pastorais, movimentos, grupos e associações dedicados a multiplicar o número de fiéis e a disseminar a palavra de Deus. Ali é o coroamento da educação para a vida em comunidade.

Ministério e organização da catequese

A organização da catequese na diocese (dnc 327) tem como ponto de referência o bispo e sua equipe de coordenação. A COORDENAÇÃO DIOCESANA DA CATEQUESE, formada por uma equipe (bispo, padres, diáconos, religiosos e catequistas), assume TAREFAS FUNDAMENTAIS, como:

-  estabelecer os itinerários e a modalidade da catequese segundo a pedagogia catecumenal para as diversas idades, especialmente para adultos, tanto batizados como não-batizados;

-  discernir sobre a idade, duração das etapas, celebrações e outros elementos necessários para o bom andamento da catequese;

-  elaborar ou indicar para toda a diocese instrumentos necessários para a educação da fé de seus membros, como: textos, manuais, subsídios, programas para diferentes idades;

- promover uma aprimorada formação dos catequistas, sobretudo das coordenações paroquiais, envolvendo-os em jornadas, reuniões, escolas catequéticas, retiros, momentos de oração e de confraternização;

- apoiar as coordenações paroquiais em suas iniciativas, dando-lhes sustento através de reuniões, subsídios, jornais catequéticos, revistas;

No total são quinze itens elencados, todos da maior importância, para o bom andamento do processo catequético nas Igrejas particulares (dioceses). No entanto, a que ser observar e destacar os itens D, E, F, que disciplinam sobre ITINERÁRIOS (temas), PEDAGOGIA CATECUMENAL, IDADE e indicação de LIVROS, SUBSÍDIOS para a catequese. Já os itens G e H, disciplinam a FORMAÇÃO de CATEQUISTAS e COORDENAÇÕES.

Portanto, não cabe a nenhum catequista em particular, ou qualquer coordenação paroquial, decidir sobre qual ITINERÁRIO adotar, ou seja, quais TEMAS abordar, qual o TEMPO necessário para a catequese, que MODALIDADE de catequese utilizar e quais DIMENSÕES atingir com a catequese. A catequese existe para conduzir o processo de iniciação à fé, para levar à espiritualidade e à vida cristã, promovendo a integração do catequizando com a comunidade e a experiência enriquecedora dos sacramentos, sinais marcantes na caminhada dos discípulos de Jesus.

Lembrando também que a catequese, por ser educação orgânica e sistemática da fé, se concentra naquilo que é comum para todo cristão, educa para a vida de comunidade, celebra e testemunha o compromisso com Jesus. Ela exerce, portanto, ao mesmo tempo, as tarefas de iniciação, educação e instrução (conforme DGC 68). É um processo de educação gradual e progressivo, respeitando os ritmos de crescimento de cada um.


CONCLUSÃO

O Diretório Nacional de Catequese, síntese de 50 anos de movimento catequético, faz parte do propósito da Igreja no Brasil de se aperfeiçoar sempre mais, no cumprimento do mandato de Jesus Cristo a seus discípulos de levar ao mundo o seu Evangelho (cf. Mt 28,19-20). Ele é oferecido como mediação para um novo impulso de renovação da catequese, parte fundamental do ministério da Palavra, sem o qual a Igreja não subsiste.
“A catequese ajuda a pessoa a ser inteiramente impregnada pelo Mistério de Cristo, à luz da Palavra. Ela, no conjunto da evangelização corresponde ao período em que o cristão, depois de ter aceitado pela fé a pessoa de Jesus Cristo, como único Senhor e após lhe ter dado uma adesão global por uma sincera conversão do coração, se esforça por melhor conhecer o mesmo Jesus Cristo, ao qual se entregou; conhecer a sua mensagem evangélica e os caminhos que ele traçou para aqueles que o querem seguir” (328).
Catequese para ajudar um cristão a descobrir as razões de sua fé no mundo plural, marcado pelo poder econômico, pelo contraste, pelo pluralismo, pela relativização dos valores, pela desconstrução da família, da comunidade eclesial, pelas imagens quebradas: família, valores, ética, pessoa humana, cidadania, ecologia, sentido de vida.

Que este Diretório seja bem acolhido por todos, prontamente estudado e colocado em prática, de modo inculturado, segundo as várias realidades. Ele dá orientações e pistas para a formação dos que direta e indiretamente estão envolvidos com a catequese para que, fiéis à Sagrada Escritura e à Igreja, realizem uma eficaz educação da fé.

Itaici, 15 de agosto de 2005.

DIRETÓRIO NACIONA DE CATEQUESE – DNC
Conferencia nacional dos Bispos do Brasil. Brasília: CNBB, 2006.

 

NÚCLEOS OU EIXOS PARA A LEITURA DO DNC:


1. Catequese e Missão Evangelizadora da Igreja: Catequese evangelizadora. O fruto da evangelização e da catequese é fazer discípulos (30-32)

2. Catequese a serviço da iniciação cristã (35)

3. Catequese inspirada no processo catecumenal (45s)

4. Catequese e liturgia – liturgia e catequese – a dimensão celebrativa da Catequese (115s)

5. O Ministério da Catequese (231s) (245 = mandato de catequista)

6. A Palavra de Deus – fontes da catequese (106s)

7. Catequese como educação da fé: A pedagogia de Deus, a pedagogia da catequese e o a pedagogia do processo educativo. (146s). A experiência de Deus.

8. Os interlocutores: Adultos, jovens, situações diversificadas: índios, motoristas, operários de turno, casais de segunda união... (183s)

9. O Novo Catequista e a formação de catequistas e espiritualidade (252-277)

10. A formação ética e moral do cristão. Formar um cristão ético, honesto e evangelizador.

11. Os Meios de comunicação social – e a linguagem (168s)

12. A catequese no contexto sócio-cultural, religioso: Novos contextos e cenários, (88s) (211ss)

13. Formação catequética nos seminários e nas casas de formação da vida religiosa, (242s)

14. A organização da catequese na Igreja particular. Responsabilidade da diocese – o Projeto Diocesano de Catequese (295-323)

15. Catequese e o discipulado (34)

ENFOQUES DO DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE QUE NECESSITAM DE APROFUNDAMENTO ATRAVÉS DE ESTUDOS, CURSOS, FORMAÇÃO:

ü  A compreensão de evangelização e catequese – correlação e complementaridade

ü  A compreensão de catequese de iniciação,

ü  A correlação e complementaridade entre catequese e liturgia e liturgia e catequese
ü  Os adultos no processo de educação da fé
ü  A igreja particular como espaço para a dinamização da educação da fé
ü  A compressão da dimensão do ministério da catequese e do “ministério dos catequistas”.
ü  O processo metodológico da inculturação
ü  Catequese e a linguagem narrativa
ü  Catequese no mundo plural: diálogo, convivência com o diferente e ecumenismo.
ü  Catequese e o desafio de promover a “experiência de Cristo”.



 * O DNC - Diretório Nacional de Catequese
é o Documento 84 da CNBB.