sexta-feira, 10 de maio de 2019

O PAPA CATEQUISTA


Durante a celebração da missa na Igreja do Sagrado Coração de Rakovsky, 245 crianças receberam a Primeira Comunhão e justamente a elas foi dedicada a homilia do Pontífice.

A missa com as crianças que recebiam a primeira eucaristia em Rakovsky representa um fato excepcional na história das viagens do Papa Francisco. Embora tivesse sido programada de outro modo, o Papa decidiu no último instante distribuir pessoalmente a Eucaristia sob as duas espécies às 245 crianças vindas de três dioceses da Bulgária. Foi a maior liturgia de Primeiras Comunhões celebrada pelo Papa e fazendo assim Francisco quebra a regra de seu pontificado, pois normalmente limita-se a comunicar os diáconos no altar, mas não distribui a Eucaristia aos fiéis a não ser em raríssimas ocasiões. Praticamente todas as crianças búlgaras que receberam a Primeira Comunhão neste ano, a receberam do Bispo de Roma.

Há momentos nos quais o Papa fica mais a vontade, um deles é quando pode ser pastor e celebrar os sacramentos para o povo de Deus. Nos passos de um outro Papa pastor, São Pio X, que decidiu abaixar a idade para a Primeira Comunhão com intenção de doar o quanto antes a graça sacramental a cada pequeno cristão. O único requisito era que tivesse condições de distinguir a diferença entre o Pão eucarístico e o pão que consumimos nas nossas mesas diariamente. Uma abertura que confiava de modo particular na ação da graça, e, portanto na ação de Deus através do sacramento, mais do que na preparação dos comungantes. Um olhar de confiança que algumas vezes corre o risco de ser esquecido.

Em junho de 2016, ao receber um grupo de crianças com deficiências, o Papa dissera: “Quando, há muitos anos — há cem ou mais — o Papa Pio X disse que se devia dar a comunhão às crianças, muitos se escandalizaram. ‘Mas aquela criança não compreende, é diversa, não entende bem...’. ‘Deem a comunhão às crianças’, disse o Papa, e transformou uma diversidade em igualdade, porque ele sabia que a criança compreende de outra forma.

Na igreja de Rakovsky o Papa estava feliz, a igreja estava inundada pelo sol e no final da missa uma chuva de pétalas brancas e amarelas caiu sobre todos. E mais uma vez, fora da programação, o Papa conversou com as crianças para explicar-lhes qual é a nossa carteira de identidade: “Deus é nosso Pai, Jesus é nosso Irmão, a Igreja é nossa família, nós somos irmãos, a nossa lei é o amor. E o nosso “sobrenome” é “Cristãos”.



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