quinta-feira, 27 de junho de 2019

A PEDAGOGIA DO GESTO



Por que a Igreja Católica não "conquista" como algumas igrejas evangélicas?

Esta é uma pergunta que a gente sempre se faz. Aí eu me lembrei lá das minhas velhas "lições" de "pedagogia", que aprendi ao longo da minha vida de catequista. No quanto precisamos IMITAR e aprender com Jesus em sua pedagogia.

Entre tantas outras coisas, Jesus era uma pessoa COMPROMETIDA. Partia da vida concreta das pessoas; entrava pela porta das preocupações, sabia aquilo que estava tocando o coração das pessoas (Lc 24,18-24). Jesus partia das experiências, das necessidades, temores, lutas e aspirações das pessoas. Ele falava do Reino de Deus depois de ter escutado as pessoas. Seus ensinamentos partiam de imagens simples e populares, como a luz, o sal, o grão de mostarda, as ovelhas, as aves e os lírios do campo. Hoje podemos dizer que estas imagens foram substituídas por coisas como aluguel vencido, contas para pagar, luta diária pelo emprego, etc e tal.

E, na catequese - que é onde agimos em nome de Jesus - os anseios, as dificuldades, as alegrias e tristezas, as angústias e esperanças, os sonhos e os fracassos dos nossos catequizandos são pontos de partida. O catequista verdadeiro, sabe respeitar o ritmo de cada um para chegar à fé. Não se arrisca a começar a falar da fé antes de conhecer o que toma conta do coração deles. Conhece suas famílias, suas vivências, suas expectativas. Não é escravo do tempo (ou da falta dele), não se deixa guiar pelas limitações de espaço ou de organização - ou falta dela. Vive e prega numa COMUNIDADE. E só a partir dessa conscientização que faremos verdadeiramente nosso papel como catequistas.

O que quero dizer com tudo isso?

Que precisamos deixar de focar nossos esforços na simples "sacramentalização", no ato findo de receber o sacramento. E quando e onde, se deve, se não deve, com que roupa, com que vela. Questões tão pequenas perto do tamanho da FÉ que temos a missão de aprofundar.

Muitos catequistas ainda "pensam" a catequese como meio de “chegar lá” no sacramento. Então, o objetivo da catequese deixa de ser INICIAÇÃO para ser um simples curso de formação em doutrina.

Sim, o sacramento é importante. E como é! É graça, é sinal sagrado da presença de Deus em nossas vidas. Mas, quando começamos a pensar se este ou aquele "merece" ou não, estamos indo na contramão da Iniciação cristã, dando mais importância a um gesto que muitas vezes acontece só naquele momento, prescindindo de uma coisa muito maior: o SEGUIMENTO a Ele. O sacramento é a "água" que se bebe ao longo do caminho, não é o fim dele. O sacramento é "parte" e não ponto de chegada.

Compreender o "gesto" é muito maior do que ele simplesmente. Que o digam as pessoas impedidas de fazê-lo (por algum impedimento da Igreja), que comungam apenas espiritualmente e que em todas as confissões sentem o peso de seus erros.

Não vamos nos iludir achando que todas as crianças que recebem a comunhão conseguem compreender o tamanho e a importância deste gesto. Muitas estão ali para "pertencer" somente, e não à Igreja, como Corpo de Cristo e sim a uma comunidade no sentido social. E falamos tanto na ação do Espírito Santo... Por que então não damos mais "crédito" a Ele? Ele age, age onde as pessoas deixam que ele o faça.

A preocupação se o catequizando está ou não preparado para "beber a água do caminho", começa no ato da inscrição dele na catequese, na conversa com os pais neste momento, na visita que se faz à família; nas conversas com ele desde o primeiro encontro, no convite sempre "novo" de se participar das celebrações, das festas, dos encontros de pais.

O que lembra outra característica pedagógica de Jesus: Ele era uma pessoa ATENCIOSA e RESPEITOSA aos outros e suas carências, valorizava o melhor de cada pessoa, em seus encontros e diálogos, mostrando-se atento a quem estava com ele. Lembram dos discípulos de Emaús? (Lc 24,17). Jesus não intimida, faz uma pergunta natural, familiar, coloca-se ao lado e inspira confiança. Não exerce nenhum tipo de imposição. A pergunta de Jesus deixa os discípulos surpresos e os motiva a falar do que estão experimentando naquele momento. E a partir dali ele fala, fala a ponto de deixar nossos corações ardentes de vontade de ouvir e ouvir, ouvir sempre. E quando parece que já não cabe mais em nós tanta coisa, aí sim! Saciamos a nossa fome do pão vivo e saímos a espalhar a boa nova.

Não será isso que está faltando em nossa catequese? Um pouco da pedagogia desse gesto?

Especialista em Catequética
Graduanda em teologia
Administradora do Catequistas em Formação
Junho de 2017.

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