quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

COMO TRATAR OS PAIS QUE PROCURAM CATEQUESE PARA SEUS FILHOS PEQUENOS? CATEQUESE NELES!

Cada vez mais as famílias procuram a Igreja para catequese de crianças pequenas que ainda não tem idade para iniciar a catequese "formal". São crianças de 3 até os 7 ou 8 anos, idade em que a maioria das paróquias oferece a 1ª Etapa.
Isso vem - infelizmente! - do fato de que as crianças estão indo para a escola cada vez mais cedo. Então, procuram também a catequese. E da catequese fragmentada que os pais receberam que fez muitos "catequizados" e não evangelizados".
Só que o processo catequético deve ser uma "iniciação a vida cristã", não uma "escolinha" ou "creche" para deixar os livros no final de semana. E a iniciação nesta idade deve, mais ainda do que as demais, fugir do conceito"aula", "teoria". Isso porque as crianças precisam entender que a catequese não é "mais uma" ocupação, aula ou curso que elas precisam fazer. E cuidado com a idade das crianças! Aos três, quatro anos, as crianças tem que contar com o exemplo dos pais, PRIMEIROS CATEQUISTAS! A catequese não é creche e muito menos os catequistas são babás.
Aqui quero passar algumas considerações nossas feitas ao longo de mais de 10 anos de catequese nas paróquias e também pensando a catequese como INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ:
  • A catequese nesta etapa (pré) deve ser de INICIAÇÃO à fé, feita de momentos lúdicos e interessantes e, COMPLEMENTADA pela catequese (formação) que os pais dão em casa. 
  • A "pré-catequese", "catequese infantil", "sementinha" ou o nome que se dê, pode acontecer sim. É uma caminhada importante para a criança pequena. Mas, lembre sempre: Envolva os pais nesta fase da  catequese infantil! 
  • Ela não é, e não deve ser nunca, uma "terceirização" da primeira catequese que é dever dos pais. Aprender as primeiras orações, o Santo Anjo, o conceito de "Papai do céu", o ser "bom", perdoar, repartir... é uma coisa que a família precisa trabalhar em primeiro lugar. Se  os pais tem deficiência nesta área, não sabem como iniciar os filhos, a primeira coisa a fazer é trazê-los para catequese junto com a criança. Eles precisam mais de catequese que as crianças!
  • Outra coisa, crianças nesta idade não precisam ter "pontos", ou seja, "conteúdos" formais. É uma fase em que elas estão começando a entender a vivência em comunidade e estão conhecendo Jesus. Nada de formalidades, conteúdos explicados em papel. 
  • Esqueça por exemplo de "explicar" a missa por enquanto; ou explicar a Bíblia e como esta se divide; evite falar da doutrina da Igreja, ainda é cedo pra isso. Trabalhe as várias parábolas de Jesus e histórias que envolvam a sua caminhada. Apresente Jesus como um "amigo", um "protetor. Elas precisam de atenção, carinho, aconchego: Jesus é essa imagem, do amigo que não abandona, que estará sempre ali por mais que ela não veja. Relacione Deus com a família, com os pais, com aqueles que elas amam e que a protegem.
  • Com relação à missa, peça às crianças para sempre que forem com os pais, "escutar" as histórias de Jesus que são contadas lá. No encontro, use muito canto, brincadeiras, dinâmicas e orações espontâneas. 
  • A ludicidade e o aprender da criança por imagens deve ser levada em consideração. Mas, veja bem, faça isso NO ENCONTRO! A missa não é lugar de encenação, brincadeira e dinâmica, ela precisa ser "celebrada" como é. Trata-se de um Rito milenar e importante da nossa fé, que precisa de respeito. Qualquer coisa que for feita que altere o Rito, fere a Liturgia da Igreja. E a missa tem adultos também, que não estão ali para ouvir teatrinho.
  • Se quer relacionar a catequese à missa dominical, faça um itinerário relacionado aos evangelhos do domingo, assim, elas vão relacionando o que veem na catequese com o que escutam na Igreja (catequese/liturgia). 
  • Use, nos encontros, leituras bíblicas numa linguagem que elas entendam, pois na Igreja as leituras são de difícil compreensão pra elas. Confie que seu padre (se a missa é com crianças também), saberá fazer uma homilia condizente. Saberá chamar os pequenos, abençoá-los e dirigir-se a eles na hora certa. Nada, nada mesmo, deve chamar a atenção na missa, mais do que Jesus e o padre que o representa nesta hora.
  • Oriente-se sobre o conteúdo da catequese de Eucaristia e Crisma, aquela que a criança fará na idade condizente. O catequista de pré-catequese PRECISA saber o que acontece nas fases posteriores (formais). A catequese formal tem um processo gradual e contínuo de conteúdos a serem trabalhados. Não "antecipe" conteúdos, as crianças terão tempo para aprofundar o ensino da fé. Agora, elas precisam de anúncio, querigma, apaixonar-se por Jesus e sua mensagem. Precisam "gostar" de estar ali, na Igreja, saber que estão se encontrando com "alguém" especial: Jesus.
  • Didaticamente e pedagogicamente falando, crianças nesta idade não tem capacidade de percepção do abstrato,ou seja, daquilo que elas não podem ver e tocar, use muita imagem e exemplos que elas conheçam, que elas consigam relacionar ao seu cotidiano. Não tente fazê-las "sentir" a "mistagogia" da fé porque elas não conseguem. 
  • Jesus precisa ser mostrado como uma "pessoa", que existiu, teve uma família e fez as coisas que eles fazem, mas, que é especial, diferente, pois veio para tirar as coisas ruins do mundo, mostrar a beleza da natureza, do ser humano e do que é ser "bom". 
  • "Acolha" as crianças. Ensinar conteúdos é para a catequese mais madura, quando eles estiverem preparados.
  • Sugiro ainda, que seja adquirido um livro/manual de catequese Infantil para orientar os encontros. As editoras: Vozes, Paulinas, Paulus, Saraiva, Ave Maria, etc.; tem ótimos manuais. Se puder, vá até uma livraria católica e olhe os vários livros que o mercado oferece e veja qual pode ser adequado à sua realidade.
Mas, o que é, realmente, que devemos fazer com esta legião de famílias, pais, que trazem seus pequenos à Igreja buscando catequese?

Uma resposta me passa a cabeça cada vez com mais força, nestes tempos em que falamos de IVC - Iniciação à Vida Cristã, onde percebemos adultos com uma fé infantil e fragilizada...
CATEQUESE NELES!

Não é sempre que temos essa oportunidade, de ter os pais, a família, ali na nossa frente, procurando a Igreja e a FÉ! Precisamos ENVOLVÊ-LOS! Não pegar só as crianças e mandá-los para casa. É difícil? Complicado? É. Mas, evangelização nunca foi fácil. Os primeiros discípulos morreram por ela.
Mas, vamos pensar em soluções!

Há alguns anos iniciamos um projeto numa das paróquias em que estive em Londrina. Eu chamei de "Catequese Iniciática". Um projeto ousado de envolver os pais das crianças que buscavam a paróquia. E tive apoio das minha queridas amigas catequistas, principalmente da Rosa Toffolo, minha companheira de "etapa" e da Cláris Romero, minha coordenadora. 

Os dois párocos que estiveram lá nesta época nunca pisaram no centro catequético pra ver o que a gente fazia... O encontro acabava e os pais,a vós, irmãos e crianças - a família toda era convidada para passar 50 minutos conosco -  iam pra missa no domingo. Nunca receberam um "bem-vindos" do padre, por mais que eu insistisse nisso. Não relato isso para desabafar ou falar mal do padre. Conto para que os catequistas não percam a coragem e a persistência e desanimem na primeira dificuldade.

Este projeto era uma "pré-catequese" que buscava envolver a família antes do início do ano catequético e das primeiras etapas. Não durava muito, de 2 a 3 meses no máximo. E envolvia o período da Quaresma, um Tempo mais que mistagógico. Mas, aqueles 12, 13 encontros faziam uma enorme diferença na vida dos pais. Relembrávamos a catequese que eles tiveram, ou não tiveram, e fazíamos um novo "querigma" nos corações adormecidos. Lembro-me de um pai me dizendo que nunca soube porque a estola e a toalha da Igreja mudavam de cor...



 O tema "Bíblia", como manuseá-la, conhecê-la, AT, NT... nós fazíamos com a família, com os pais, para que soubessem ensinar os filhos. A Entrega solene da Bíblia, no começo da 1ª Etapa era um momento esperado com ansiedade pelos pais (que faziam a entrega aos filhos) e celebrado com intensidade. 

É indescritível a alegria dos pais em conhecer muita coisa sobre a nossa fé e nossa Igreja.

Enfim... A IVC precisa ser pensada mais com os adultos do que com as crianças. Os pais precisam de Iniciação mais do que os filhos. Não "consertaremos" anos de indiferença com relação à fé, fazendo catequese somente com as crianças, ainda mais se forem pequeninos. Precisamos mais do que uma hora por semana, precisamos de envolvimento na vida das pessoas. Jesus não pode ter "hora marcada" no cotidiano das pessoas. Precisa ser lembrado, celebrado e VIVIDO as 24 horas do dia, em todas as nossas ações.

Ângela Rocha
Catequistas em Formação

* Mais informações sobre a catequese iniciática e roteiros, na nossa apostila CATEQUESE FAMILIAR, que pode ser adquirida em arquivo digital por R$ 30,00. Contato: whats (41) 99747-0348.


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