quinta-feira, 11 de junho de 2020

UM DIA DE CORPUS CHRISTI...



Hoje é o dia de Corpus Christi mas... Não dá para festejarmos e levar Jesus para "tomar sol".

Então vou contar um dia de Corpus Christi, trazer as lembranças deste dia maravilhoso. Não exatamente o dia, mas, a “preparação” para ele. Vou contar como foi meu "Corpus Christi", lá no longínquo ano de 2009...

Flashback... tcham, tcham, tcham!

Manhã de Catequese...
(04/06/2009)

Em algumas manhãs, acordar é brabo! Dá vontade de fechar os olhos e fingir que ainda é de noite. Mas tem dias que acordar é um espetáculo. O sol entrando pela janela, derramando seus raios e espalhando seu calor pelo quarto, faz com que a gente acredite só no bem. Que só existem pessoas boas e que o mundo, de maneira geral, é maravilhoso. Deus existe, em toda sua glória, nesses dias. Nenhum mal-humorado pode estragar um dia assim.
O dia hoje está sendo assim. Acordei assim que o dia amanheceu. E ele prometia. Apesar do frio, um sol, quietinho, já ia se espalhando. Fogo aceso, café quentinho e... Dia de Catequese!

Há muito tempo não tinha um encontro como hoje. Preparei-me para falar de Corpus Christi: como surgiu, sobre Ir. Juliana, Papa Urbano, tradição dos tapetes, dos altares e procissão. Chegando ao encontro falei para as crianças sobre a procissão e que nosso encontro da semana que vêm, apesar de feriado, vai acontecer. Claro que a princípio a ideia não foi das mais bem aceitas, mas...

Antes mesmo que a gente começasse o encontro de verdade, falei que é uma pena que as tradições acabem morrendo e que, antigamente, a procissão de Corpus Christi mobilizava praticamente toda a comunidade. Que as famílias preparavam altares nas calçadas e que as ruas ficavam maravilhosas com os tapetes em serragem e outras sucatas, tipo tampinha de garrafa, papel, papelão, etc. As crianças começaram a se animar.

Comentei que a gráfica que estava imprimindo os panfletos para distribuir na cidade, ainda não havia entregue o material, senão, eu entregaria o folheto para eles levarem para casa e convidar a família. Comentei que os folhetos ainda iam ser distribuímos na cidade.

Imediatamente as crianças sugeriram que fossemos à gráfica buscar e saíssemos para distribuir no centro. A princípio, vetei a ideia. A gráfica fica mais ou menos no fim do percurso da procissão, um quilometro e meio da catedral. Mas as crianças insistiram: “Tia a gente pega na gráfica e volta distribuindo!”. Bom, é preciso avisar os pais, pedir autorização...

Pais avisados, somente duas meninas que não estavam muito bem decidiram ficar. Se as crianças não aguentassem os três quilômetros de ida e volta, ficamos de chamar um pai que possui uma Van para nos trazer de volta. Que voltar que nada! Fizeram o percurso todo sem desanimar!

Saímos, eu e quinze crianças pelas ruas movimentadas do centro da cidade. Antes, claro, uma preleção de como andar na rua, atravessar na faixa e olhar o sinal. Riram de mim: “Tia, quem é que não sabe andar na rua?”. E lá fomos nós, caminhando e cantando (Vítor e Léo e outras mais).

Fomos muito bem recebidos na gráfica. Conhecemos as máquinas e vimos cortar os nossos panfletos. Dali saímos às ruas para fazer a nossa “panfletagem”. O panfleto só informava a data e o horário da concentração para a procissão, mas as crianças fizeram mais: convidaram realmente as pessoas para participar. As meninas chegavam a dizer: “Esperamos vocês lá!”.

Salvo duas exceções, fomos muito bem recebidos. Não perguntamos a religião de ninguém, simplesmente convidamos para participar de uma celebração à Jesus. Uma senhora perguntou às crianças: “Evangélico pode ir?”. E as crianças responderam: “Claro!”.

Num percurso de mais ou menos dois quilômetros, a crianças distribuíram seiscentos panfletos. Foram lojas, casas, estacionamentos, supermercado, farmácia, transeuntes... Ninguém escapou. Encontramos até o nosso pároco! (achei que ia levar um baita "pito"!) Mas, Pe. Acácio é incapaz de ser desmancha-prazeres, chegou a perguntar às crianças o que era aquilo que estavam distribuindo (como se ele não soubesse). E elas explicaram direitinho.

Fiquei orgulhosa dos meus catequizandos! Eles se mostraram católicos de verdade. Não tiveram medo de mostrar a sua fé, de falar e convidar para um evento católico. Fizeram até melhor que eu que, em algumas vezes, fiquei até constrangida em estar na rua distribuindo folhetos.

Alguém pode até pensar se isso é catequese? Alguns pais podem até me questionar sobre o porquê de eu ter feito seus filhos saírem às ruas distribuindo folhetos da igreja. 

Sim. Posso estar errada na opinião de muitos, mas isso É CATEQUESE.

Assim como sair de chinelo e meia na rua, como fizemos outro dia para que as pessoas nos notassem. Catequese é fazer com que as crianças percebam o mundo ao redor. É fazê-las se sentir parte da comunidade. É fazer com que elas “vivam” os eventos, amem as tradições e respeitem a doutrina e os ritos da nossa Igreja.

A catequese não se faz só dentro de uma sala, lendo um livrinho. Na catequese se aprende de fé e também: se brinca, se junta, se come, se é amigo, se caminha. A gente reza junto também, acende uma vela em todo encontro e pede a iluminação do Espírito Santo. Antes de ir para casa a gente pede ao Santo Anjo que nos guarde. E somos amigos.

Angela Rocha
(Catedral de Nossa Senhora de Belém - Guarapuava - PR)

*As fotos são da procissão de 2009, em Guarapuava - Pr.