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domingo, 7 de setembro de 2025

EVANGELHO DO DOMINGO 07 DE SETEMBRO DE 2025

 


07 DE SETEMBRO DE 2025.
Evangelho do Domingo: O Caminho do Discípulo
Evangelho: Lucas 14,25-33


– Aleluia, Aleluia, Aleluia.
– Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor

Naquele tempo, 25 grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26 “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28 Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29 ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30 ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ 31 Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32 Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33 Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”. Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


Hoje, no 23º Domingo do Tempo Comum, o Evangelho nos apresenta um discurso de Jesus que pode parecer duro à primeira vista: “Quem não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). Essas palavras nos convidam a refletir sobre o verdadeiro significado de seguir a Cristo.

O que significa "renunciar a tudo"?

Jesus não está pedindo que abandonemos literalmente nossas famílias ou bens materiais. O que Ele nos convida é a colocar tudo em perspectiva, reconhecendo que nada deve ocupar o lugar central em nosso coração, a não ser Ele. É um chamado a viver com desapego, colocando o Reino de Deus acima de tudo.

Jesus utiliza duas parábolas para ilustrar a necessidade de planejamento: a do construtor que calcula os custos antes de iniciar uma obra e a do rei que avalia suas forças antes de ir à guerra. Essas imagens nos ensinam que seguir a Cristo exige discernimento e compromisso. Não se trata de uma decisão impulsiva, mas de uma escolha consciente e deliberada.

Para nós, discípulos de hoje, isso significa avaliar nossas prioridades. Estamos dispostos a colocar Cristo no centro de nossas vidas? Estamos prontos para carregar nossa cruz diária, seja ela qual for? Essas questões nos desafiam a viver nossa fé de maneira autêntica e comprometida.

Que neste domingo, possamos refletir sobre o verdadeiro custo de seguir a Jesus e renovar nosso compromisso com Ele, colocando-O no centro de nossas vidas.






sexta-feira, 29 de julho de 2016

HOMILIA DO DOMINGO: QUAL É O SENTIDO DA VIDA? POR QUE TRABALHAMOS?


HOMILIA DO 18º. DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Qual é o sentido da vida? Por que trabalhamos? Qual é o sentido de nossas ocupações? Essas perguntas eram feitas por um homem sábio que escreveu o Livro de Eclesiastes no séc. III a. C. Sua resposta: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". O termo vaidade também pode ser traduzido por ilusão, fantasia, absurdo, algo vazio. O versículo 22 da 1ª. Leitura diz que o mero trabalhar por trabalhar, ou por dinheiro ou para se preencher, é vaidade porque não leva a nada. Assim, corremos o risco de fazermos da vida um sofrimento em vão. O sentido da existência depende do porquê fazemos as coisas, da finalidade de nossas ações. O insensato do Evangelho achou uma solução para sua existência: “Descansa, come, bebe, aproveita!” É o esbanjar a vida que está por detrás da filosofia de nossa sociedade: dinheiro, prazer, posses, vícios, o mínimo de esforço pelo máximo de prazer.

São Paulo nos traz uma advertência (2ª Leitura). Já estamos revestidos do homem novo, mas ele ainda está se revelando: ainda escondemos o homem novo pelo barro do pecado; quando lavamos a sujeira, o homem novo vai aparecendo. Devemos morrer para as coisas da terra: isso não significa desprezar o que Deus criou, mas utilizar bem o que Deus criou. Devemos deixar de lado a imoralidade, a impureza, a paixão, os maus desejos, a idolatria, a cobiça.

Jesus nos conta uma parábola que mostra o fim de um homem que apenas pensou em aproveitar a vida. Fez a riqueza na terra, mas ficou pobre de Deus. Jesus não condena a riqueza em si, mas condena a causa do problema – o ganancioso acumula só para si, eis seu pecado. É interessante observar quantas vezes o personagem da parábola fala para si mesmo no singular: “O que eu vou fazer? Não tenho onde guardar a minha colheita (...) eu já sei o que eu vou fazer: eu vou derrubar meus celeiros, eu vou construir celeiros maiores, então eu direi a mim mesmo...” (13 palavras no singular). Onde está a sua família? Ele certamente tinha filhos, esposa, amigos, mas não há espaço para eles na sua ganância. O acúmulo estava em função dele mesmo e, por isso, não estava certo. O Evangelho nos propõe uma maneira de viver: a felicidade acontece pelo dom, pela partilha, pelas relações fraternas. A riqueza deve estar em função do próximo, nossos pertences em favor da vida do outro, os bens materiais dos que tem mais devem servir aos pobres.

A ganância é uma falsa segurança. Quando não confiamos verdadeiramente que Deus traça a nossa história, confiamos em muletas que nos dão segurança. Diante do mundo capitalista, pobres e ricos precisam se posicionar. A lógica do capitalismo está na nossa cultura, faz parte do nosso cotidiano e muitas vezes nem percebemos como esta lógica nos escraviza. É esta insistência do papa em seus pronunciamentos: “Queria que nos perguntássemos com sinceridade: em quem depositamos a nossa confiança? Em nós mesmos, nas coisas, ou em Jesus? Sentimo-nos tentados a colocar a nós mesmos no centro, a crer que somos somente nós que construímos a nossa vida, ou que ela se encha de felicidade com o possuir, com o dinheiro, com o poder. Mas não é assim! É verdade, o ter, o dinheiro, o poder, podem gerar um momento de embriaguez, a ilusão de ser feliz, mas, no fim de contas, são eles que nos possuem e nos levam a querer ter sempre mais, a nunca estar saciados. ‘Bote Cristo’ na sua vida, deposite n’Ele a sua confiança e você nunca se decepcionará” (Papa Francisco).

Os 3 últimos desejos de Alexandre, o Grande

1º - Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
2º - Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados como prata, ouro e pedras preciosas;
3º - Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.
Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões desses pedidos e ele explicou:
1º - Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm poder de cura perante a morte;
2º - Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
3º - Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.  


Pe. Roberto Nentwighttp://img.copel.online/img-testecopel.gif.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

HOMILIA DO DOMINGO - 15º Domingo do Tempo Comum - Ano C

Lc 10,25-37

A liturgia deste domingo procura definir o caminho para encontrar a vida eterna. É no amor a Deus e aos outros – dizem os textos que nos são propostos – que encontramos a vida em plenitude.

O Evangelho sugere que essa vida plena não está no cumprimento de determinados ritos, mas no amor (a Deus e aos irmãos). Como exemplo, apresenta-se a figura de um samaritano – um herege, um infiel, segundo os padrões judaicos, mas que é capaz de deixar tudo para estender a mão a um irmão caído na berma da estrada. “Vai e faz o mesmo” – diz Jesus a cada um dos que o querem seguir no caminho da vida plena.

O que está em jogo no texto que nos é proposto é uma pergunta de um mestre da Lei: “o que fazer, a fim de conseguir a vida eterna?” 

A resposta é previsível e evidente, de tal forma que o próprio mestre da Lei a conhece: amar a Deus, fazer de Deus o centro da vida e amar o próximo como a si mesmo. Neste “resumo” dos mandamentos, cita-se Dt 6,5 (no que diz respeito ao amor a Deus) e Lv 19,18 (no que diz respeito ao amor ao próximo). Jesus concorda: até aqui, a proposta de Jesus não acrescenta nada de novo àquilo que a própria Lei sugere.

A dúvida do mestre da Lei vai, no entanto, mais fundo: “e quem é o meu próximo?” É uma questão pertinente, neste contexto. Na época de Jesus, os mestres de Israel discutiam, precisamente, quem era o “próximo”. Naturalmente, havia opiniões mais abrangentes e opiniões mais particularistas e exclusivistas; mas havia consenso entre todos no sentido de excluir da categoria “próximo” os inimigos: de acordo com a Lei, o “próximo” era apenas o membro do Povo de Deus (cf. Ex 20,16-17; 21,14.18.35; Lv 19,11.13.15-18). Jesus, no entanto, tinha uma perspectiva diferente da perspectiva dos “fazedores de opinião” de Israel. É precisamente para explicar a sua perspectiva que Jesus conta a “parábola do bom samaritano”.

A parábola situa-nos nessa estrada de cerca de 30 quilômetros entre a cidade santa de Jerusalém e o oásis de Jericó. Na época de Jesus, é uma estrada perigosa, sempre infestada de bandos armados. Ora “um homem” não identificado (não se diz quem é, de que raça é, qual a sua religião, mas apenas que é “um homem”, embora, pelo contexto, possa depreender-se que é um judeu) foi assaltado pelos bandidos e deixado caído na berma da estrada. Trata-se, portanto (e isso é que é preponderante), de “um homem” ferido, abandonado, necessitado de ajuda.

Recordemos que a pergunta inicial era: “o que fazer para alcançar a vida eterna”… A conclusão é óbvia: para alcançar a vida eterna é preciso amar a Deus e amar o próximo. O “próximo” é qualquer um que necessita de nós, seja amigo ou inimigo, conhecido ou desconhecido, da mesma raça ou doutra raça qualquer; o “próximo” é qualquer irmão caído nos caminhos da vida que necessita, para se levantar, da nossa ajuda e do nosso amor. Neste gesto do samaritano, a Igreja de todos os tempos (a comunidade dos que caminham ao encontro da vida plena, da salvação) reconhece um aspecto fundamental da sua missão: a de levantar todos os homens e mulheres caídos nos caminhos da vida.

Catequistas, vamos refletir: 

As nossas comunidades são clubes fechados, “reservados a sócios”, onde é “proibida a entrada aos estranhos”, ou comunidades onde são amados e têm lugar todos aqueles que a vida atira para a beira da estrada?

Fonte

sexta-feira, 1 de julho de 2016

E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?

O Evangelho deste domingo é belíssimo e nos faz pensar em várias coisas, desde os questionamentos de Jesus, as respostas dos discípulos até a postura de Pedro que culminou nele como nosso primeiro Papa, tamanha a sua fidelidade para com Deus.

No entanto, o que queremos é te convidar a refletir nesta semana que se inicia é o trecho dos versículos 15 e 16: “Então Jesus lhes perguntou: ‘E vós, quem dizeis que eu sou?’

Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo’”.

Deus se vira para cada um de nós e nos pergunta: E você? Quem diz que eu sou na sua vida? Nas suas dificuldades e nas suas alegrias. Como você tem me reconhecido para si mesmo e para os demais? Que papel tenho desempenhado em sua vida? Tenho sido seu Salvador? Seu Messias?

Acredito que estes trechos do evangelho nos oferecem um momento propício para realizar um deserto interior e deixar emanar de nossa alma a resposta, tal qual aconteceu com Simão Pedro. Ele declarou para si mesmo, para os outros e para Jesus naquele momento o que o seu coração já havia entendido, ou seja, estava diante do Messias, o Rei Salvador de sua vida.

Pedro tanto assumiu esta verdade que toda a sua trajetória de vida mudou.

Se reconhecemos Jesus como nosso Messias, nosso Salvador, não podemos nos permitir não mudar nossas atitudes dia após dia. Jesus é aquele que intervém em nossa trajetória e modifica tudo para melhor. Não podemos nos permitir ficar nas situações como meras vítimas e passar pela vida reclamando. 

Precisamos juntamente com Jesus assumir a postura de que tudo pode ser diferente se eu assumir que o primeiro a mudar tem de ser eu em tudo. Independente do que você está vivendo, eu te convido a fazer esta experiência: olhe para Jesus como teu Salvador, assuma isto para si e para os outros e não deixe que as situações do dia a dia te acorrentem. Jesus já te salvou. Assuma isto!

Boa semana para nós…e que venham as mudanças!

Paz de Cristo!

sexta-feira, 18 de março de 2016

DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR - ANO C

Refletindo...  A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

Com a chegada de Jesus a Jerusalém e os acontecimentos da semana santa, chegamos ao fim do “caminho” começado na Galileia. Tudo converge, no Evangelho de Lucas, para aqui, para Jerusalém: é aí que deve irromper a salvação de Deus. Em Jerusalém, Jesus vai realizar o último ato do programa enunciado em Nazaré: da sua entrega, do seu amor afirmado até à morte, vai nascer esse Reino de homens novos, livres, onde todos serão irmãos no amor; e, de Jerusalém, partirão as testemunhas de Jesus, a fim de que esse Reino se espalhe por toda a terra e seja acolhido no coração de todos os homens.

Para além da reflexão geral sobre o sentido da paixão e morte de Jesus, convém ainda notar alguns dados que são exclusivos da versão lucana da paixão:
·         No relato da instituição da Eucaristia, só Lucas põe Jesus a dizer: “fazei isto em memória de Mim” (cf. Lc 22,19). A expressão não quer só dizer que os discípulos devem celebrar o ritual da última ceia e repetir as palavras de Jesus sobre o pão e sobre o vinho; mas quer, sobretudo, dizer que os discípulos devem repetir a entrega de Jesus, a doação da vida por amor.
·         Só Lucas coloca no contexto da última ceia a discussão acerca de qual dos discípulos seria o “maior” e a resposta de Jesus (cf. Lc 22,24-27). Jesus avisa os seus que “o maior” é “aquele que serve”; e apresenta o seu próprio exemplo de uma vida feita serviço e dom. Estas palavras soam a “testamento” e convocam os discípulos para fazerem da sua vida um serviço aos irmãos, ao jeito de Jesus.
·         No jardim das Oliveiras, só Lucas faz referência ao aparecimento do anjo e ao “suor de sangue” (cf. Lc 22,42-44). Esta cena acentua a fragilidade humana de Jesus que, no entanto, não condiciona a sua submissão total ao projecto do Pai; e sublinha a presença de Deus, que não abandona nos momentos de prova aqueles que acolhem, na obediência, a sua vontade.
·         Também no relato da paixão aparece a ideia fundamental que perpassa pela obra de Lucas: Jesus é o Deus que veio ao nosso encontro, a fim de manifestar a todos os homens, em gestos concretos, a bondade e a misericórdia de Deus. Essa ideia está presente no gesto de curar o guarda ferido por Pedro no Jardim do Getsemani (cf. Lc 22,51); está também presente nas palavras de Jesus na cruz: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem” – Lc 23,34 (é desconcertante o amor de um Filho de Deus que morre na cruz pedindo desculpa ao Pai para os seus assassinos); está, ainda, presente nas palavras que Jesus dirige ao criminoso que morre numa cruz, ao seu lado: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso” – Lc 23,43 (é desconcertante a bondade de um Deus que faz de um assassino o primeiro santo canonizado da sua Igreja).
·         Todos os sinópticos falam da requisição de Simão de Cirene para levar a cruz de Jesus (cf. Mt 27,32; Mc 15,21); no entanto, só Lucas refere que Simão transporta a cruz “atrás de Jesus” (cf. Lc 23,26). Este dado serve a Lucas para apresentar o modelo do discípulo: é aquele que toma a cruz de Jesus e O segue no seu caminho de entrega e de dom da vida (“se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz dia após dia e siga-mM” – Lc 9,23; cf. 14,27).

sexta-feira, 4 de março de 2016

4º Domingo da Quaresma - Ano C

Meditação Evangelho (Lc 15,1-3.11-32)


São Lucas apresenta uma catequese sobre a bondade e o amor de um Deus que quer estender a mão a todos os que a teologia oficial excluía e marginalizava. O ponto de partida é a murmuração dos fariseus e dos escribas que, diante da avalanche de publicanos e pecadores que escutam Jesus, comentam: “este homem acolhe os pecadores e come com eles”. Acolher os publicanos e pecadores é algo de escandaloso, na perspectiva dos fariseus; no entanto, comer com eles, estabelecer laços de familiaridade e de irmandade com eles à volta da mesa, é algo de inaudito… A conclusão dos fariseus é óbvia: Jesus não pode vir de Deus pois, na perspectiva da doutrina tradicional, os pecadores não podem aproximar-se de Deus.

A parábola apresenta-nos três personagens de referência: o pai, o filho mais novo e o filho mais velho. Detenhamo-nos um pouco nestas figuras.

A personagem central é o pai. Trata-se de uma figura excepcional, que conjuga o respeito pelas decisões e pela liberdade dos filhos, com um amor gratuito e sem limites. Esse amor manifesta-se na emoção com que abraça o filho que volta, mesmo sem saber se esse filho mudou a sua atitude de orgulho e de auto-suficiência em relação ao pai e à casa. Trata-se de um amor que permaneceu inalterado, apesar da rebeldia do filho; trata-se de um pai que continuou a amar, apesar da ausência e da infidelidade do filho. A consequência do amor do paisimboliza-se no “anel” que é símbolo da autoridade (cf. Gn 41,42; Est 3,10; 8,2) e nas sandálias, que é o calçado do homem livre.

Depois, vem o filho mais novo. É um filho ingrato, insolente e obstinado, que exige do pai muito mais do que aquilo a que tem direito (a lei judaica previa que o filho mais novo recebesse apenas um terço da fortuna do pai – cf. Dt 21,15-17; mas, ainda que a divisão das propriedades pudesse fazer-se em vida do pai, os filhos não acediam à sua posse senão depois da morte deste – cf. Sir 33,20-24). Além disso, abandona a casa e o amor do pai e dissipa os bens que o pai colocou à sua disposição. É uma imagem de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de frivolidade, de total irresponsabilidade. Acaba, no entanto, por perceber o vazio, o sem sentido, o desespero dessa vida de egoísmo e de auto-suficiência e por ter a coragem de voltar ao encontro do amor do pai.

Finalmente, temos o filho mais velho. É o filho “certinho”, que sempre fez o que o pai mandou, que cumpriu todas as regras e que nunca pensou em deixar esse espaço cômodo e acolhedor que é a casa do pai. No entanto, a sua lógica é a lógica da “justiça” e não a lógica da “misericórdia”. Ele acha que tem créditos superiores aos do irmão e não compreende nem aceita que o pai queira exercer o seu direito à misericórdia e acolha, feliz, o filho rebelde.
 É a imagem desses fariseus e escribas que interpelaram Jesus: porque cumpriam à risca as exigências da Lei, desprezavam os pecadores e achavam que essa devia ser também a lógica de Deus.

A “parábola do pai bondoso e misericordioso” pretende apresentar-nos a lógica de Deus. Deus é o Pai bondoso, que respeita absolutamente a liberdade e as decisões dos seus filhos, mesmo que eles usem essa liberdade para procurar a felicidade em caminhos errados; e, aconteça o que acontecer, continua a amar e a esperar ansiosamente o regresso dos filhos rebeldes. Quando os reencontra, acolhe-os com amor e reintegra-os na sua família. Essa é a alegria de Deus. É esse Deus de amor, de bondade, de misericórdia, que se alegra quando o filho regressa que nós, às vezes filhos rebeldes, temos a certeza de encontrar quando voltamos.

A parábola pretende ser também um convite a deixarmo-nos arrastar por esta dinâmica de amor no julgamento que fazemos dos nossos irmãos. Mais do que pela “justiça”, que nos deixemos guiar pela misericórdia, na linha de Deus.

Um bom e santo fim de semana a todos!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Refletindo 2º Domingo da Quaresma!

ANO C
Lc 9, 28b-35

O Evangelho apresenta-nos Jesus, o Filho amado do Pai, cujo êxodo (a morte na cruz) concretiza a nossa libertação. O projeto libertador de Deus em Jesus não se realiza através de esquemas de poder e de triunfo, mas através da entrega da vida e do amor que se dá até à morte. 

É esse o caminho que nos conduz, a nós também, à transfiguração em Homens Novos!

O relato da transfiguração de Jesus,  é uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que através da cruz concretiza um projeto de vida.

O episódio está cheio de referências ao Antigo Testamento. O “monte” situa-nos num contexto de revelação (é “no monte” que Deus Se revela e que faz aliança com o seu Povo); a “mudança” do rosto e as vestes de brancura resplandecente recordam o resplendor de Moisés, ao descer do Sinai (cf. Ex 34,29); a nuvem indica a presença de Deus conduzindo o seu Povo através do deserto (cf. Ex 40,35; Nm 9,18.22;10,34).

Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas (que anunciam Jesus e que permitem entender Jesus); além disso, são personagens que, de acordo com a catequese judaica, deviam aparecer no “dia do Senhor”, quando se manifestasse a salvação definitiva (cf. Dt 18,15-18; Mal 3,22-23).  Eles falam com Jesus sobre a sua “morte” que ia dar-se em Jerusalém. A palavra usada por Lucas situa-nos no contexto do “êxodo”: a morte próxima de Jesus é, pois, vista por Lucas como uma morte libertadora, que trará o Povo de Deus da terra da escravidão para a terra da liberdade.

A mensagem fundamental é, portanto, esta: Jesus é o Filho amado de Deus, através de quem o Pai oferece aos homens uma proposta de aliança e de libertação.
O Antigo Testamento (Lei e Profetas) e as figuras de Moisés e Elias apontam para Jesus e anunciam a salvação definitiva que, n’Ele, irá acontecer. Essa libertação definitiva dar-se-á na cruz, quando Jesus cumprir integralmente o seu destino de entrega, de dom, de amor total. É esse o “novo êxodo”, o dia da libertação definitiva do Povo de Deus.

E o “sono” dos discípulos e as “tendas”? O “sono” é simbólico: os discípulos “dormem” porque não querem entender que a “glória” do Messias tenha de passar pela experiência da cruz e da entrega da vida; a construção das “tendas,  parece significar que os discípulos queriam deter-se nesse momento de revelação gloriosa, de festa, ignorando o destino de sofrimento de Jesus.

 O fato fundamental deste episódio reside na revelação de Jesus como o Filho amado de Deus, que vai concretizar o plano salvador e libertador do Pai em favor dos homens através do dom da vida, da entrega total de Si próprio por amor. É dessa forma que se realiza a nossa passagem da escravidão do egoísmo para a liberdade do amor. A “transfiguração” anuncia a vida nova que daí nasce, a ressurreição.

Os três discípulos que partilham a experiência da transfiguração recusam-se a aceitar que o triunfo do projeto libertador do Pai passe pelo sofrimento e pela cruz. Eles só concebem um Deus que Se manifesta no poder, nas honras, nos triunfos; e não entendem um Deus que Se manifesta no serviço, no amor que se dá.

Qual é o caminho da Igreja de Jesus (e de cada um de nós, em particular): um caminho de busca de honras, de busca de influências, de promiscuidade com o poder, ou um caminho de serviço aos mais pobres, de luta pela justiça e pela verdade, de amor que se faz dom? É no amor e no dom da vida que buscamos a vida nova aqui anunciada?


Os discípulos, testemunhas da transfiguração, parecem também não ter muita vontade de “descer à terra” e enfrentar o mundo e os problemas dos homens. Representam todos aqueles que vivem de olhos postos no céu, mas alheados da realidade concreta do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. No entanto, a experiência de Jesus obriga a continuar a obra que Ele começou e a “regressar ao mundo” para fazer da vida um dom e uma entrega aos homens nossos irmãos. A religião não é um “ópio” que nos adormece, mas um compromisso com Deus que Se faz compromisso de amor com o mundo e com os homens.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

REFLEXÃO DO EVANGELHO - 1º Domingo da Quaresma - Ano C

Vamos refletir e viver bem no deserto?


No início da Quaresma, a Palavra de Deus apela a repensar as nossas opções de vida e a tomar consciência dessas “tentações” que nos impedem de renascer para a vida nova, para a vida de Deus.


Evangelho (Lc 4,1-13)

O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Lucas sugere que Jesus recusou radicalmente um caminho de materialismo, de poder, de êxito fácil, pois o plano de Deus não passava pelo egoísmo, mas pela partilha; não passava pelo autoritarismo, mas pelo serviço; não passava por manifestações espetaculares que impressionam as massas, mas por uma proposta de vida plena, apresentada com simplicidade e amor. É claro que é esse caminho que é sugerido aos que seguem Jesus.

AMBIENTE

Estamos no começo da atividade pública de Jesus. Ele acabou de ser baptizado por João Batista e recebeu o Espírito para a missão (cf. Lc 3,21-22). Agora, confronta-Se com uma proposta de atuação messiânica que pretende subverter a proposta do Pai.


Também aqui não estamos diante de uma reportagem histórica, feita por um jornalista que presenciou o desafio entre Jesus e o diabo, algures no deserto… Estamos, sim, diante de uma página de catequese, cujo objetivo é ensinar-nos que Jesus, como nós, sentiu a mordedura das tentações. Ele também sentiu a tentação de prescindir de Deus e de seguir um caminho humano de êxitos, de aplausos, de poder e de riqueza; no entanto, Ele soube dizer não a todas essas propostas que O afastavam do plano do Pai.


Vamos refletir sobre as seguintes coordenadas:  

Jesus não escolhe partir para o deserto. É conduzido pelo Espírito Santo. E aí, é afrontado pelo espírito do mal.    

Também nós não escolhemos viver no coração deste mundo em que Deus Se tornou desinteressante. Deserto para as nossas vidas de crentes… para a nossa Igreja… com todas as tentações ligadas às nossas faltas: lassidão, desencorajamento, desejo de nos retirarmos de uma Igreja que nos desconcerta e de abandonarmos Deus… 

Por causa de Jesus sabemos que a travessia do deserto é possível. O seu Espírito acompanha-nos e apoia as nossas escolhas de crentes. “Acredita no teu coração…”, diz-nos Paulo na Carta aos Romanos. A Quaresma, travessia do deserto… A Quaresma, convite a reavivar a nossa esperança!