quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024
quinta-feira, 18 de maio de 2023
O QUE SÃO ESCRUTÍNIOS E EXORCISMOS
A Quaresma é um tempo
propício para renovar a comunidade dos fiéis e os catecúmenos pela Liturgia,
pelos exercícios quaresmais, pela preparação para o Batismo, pela penitência.
No Catecumenato
(Catequese) com Adultos, o Rito da Eleição (celebrado no 1º Domingo
da Quaresma) assinala a entrada neste tempo forte, no qual são celebrados os Escrutínios
(no 3º, 4º e 5º Domingos da Quaresma).
“Os escrutínios,
solenemente celebrados aos Domingos, têm em vista (…) descobrir o que houver de
imperfeito e fraco no coração dos eleitos, para curá-los; e o que houver de
bom, forte, santo, para consolidá-lo.” (RICA 25)
Escrutínio é na
verdade, um exame minucioso no coração de cada um, quanto as suas disposições
em abraçar a fé cristã. Em cada celebração, os eleitos são chamados a examinar
sua consciência para identificar tudo o que os afasta da proposta de vida
oferecida por Jesus. É convidado a discernir suas escolhas à luz da Palavra de
Deus e a reconhecer sua fragilidade como pessoa humana e acolher a graça divina
que lhes é oferecida.
As celebrações dos
escrutínios são, portanto, momentos de discernimento, na oração, sobre a
situação de conversão de cada um e de estímulo a uma vida verdadeiramente unida
a Cristo. Junto, a comunidade, também é enriquecida pela escuta e meditação da
Palavra, sendo chamada a examinar sua vida e a crescer no seguimento de Jesus.
Na celebração dos
escrutínios há dois “momentos” fortes: a oração de exorcismo e a imposição
das mãos.
§
O objetivo da oração
é pedir que o Espírito Santo ajude os catecúmenos em seu crescimento interior e
que eles se coloquem abertos à ação do Espírito.
§
O gesto de impor as
mãos sobre os catecúmenos que acompanha a oração de exorcismo significa a vinda
do poder de Deus, isto é, de seu Espírito sobre eles – para libertá-los de toda
incredulidade e de toda dúvida e fortificá-los na virtude da fé, da esperança e
da caridade.
A palavra vem do grego, ex-orkizein
(conjurar, lançar fora). O Evangelho, relata, com frequência, episódios em que
Jesus, com o seu poder, liberta os possessos do demônio. Esse mesmo encargo foi
transmitido aos discípulos, no dia da Ascensão: “Eis os milagres que
acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demônios em meu nome…” (Mc
16,17).
O exorcismo é uma ação, como a
bênção, constituída de palavras e gestos – insuflação, imposição das mãos,
sinal da cruz ou aspersão com a água benta –, pela qual a Igreja, em nome de
Deus, liberta e protege do mal. Não é um sacramento, mas sim um sacramental que
se aplica a uma pessoa ou a uma coisa (exorciza-se a água, os óleos, os
lugares), que transmite o poder salvador e a vitória pascal de Cristo,
libertando-as da influência do demônio (cf. Lc 8,26-39; Jo 12,31).
No novo Ritual do Batismo de
Crianças, o exorcismo usa a forma de súplica: a oração dos fiéis prolonga-se
com uma oração que pede fortaleza para as crianças no caminho da vida, e
proteção contra todo o mal. Este exorcismo está acompanhado pela unção
pré-batismal no peito, ou, se parecer melhor, a imposição das mãos sobre a
cabeça, significando, em ambos os casos, a fortaleza que se pede a Deus para
esta luta.
No Ritual de Adultos fala-se,
para o tempo do catecumenado, de uns “primeiros exorcismos” ou “exorcismos
menores”, que se realizam com as mãos estendidas sobre os catecúmenos,
pedindo a força de Deus para “a luta entre a carne e o espírito” e
mostrando a necessidade e a confiança do auxílio divino (RICA 101 e 109-118).
Depois, na Quaresma, na celebração dos escrutínios, volta-se a
repetir este gesto:
“No rito do exorcismo, celebrado
pelos sacerdotes ou pelos diáconos, os eleitos, já instruídos pela Igreja sobre
o mistério de Cristo que salva do pecado, são libertados das consequências do
pecado e da influência diabólica, são robustecidos para prosseguirem a sua
caminhada espiritual, e abrem o coração para receberem os dons do Salvador”
(RICA 156).
A oração deste exorcismo é muito
expressiva (cf. RICA 164). Num tempo em que a figura do demônio é objeto de
dúvidas e discussões, o exorcismo é um ato de fé no Mistério Pascal de Cristo e
a aplicação da sua força vitoriosa na luta contra o mal.
A palavra “escrutínio” vem do
latim, scrutari (esquadrinhar, examinar). Aplica-se o termo, por
exemplo, à recontagem de votos nas eleições. No mundo cristão, dá-se este nome
às provas e celebrações – feitas de oração, leitura e exorcismos – que se fazem
sobretudo no caminho do catecumenado batismal.
No Ritual da Iniciação Cristã de
Adultos explica-se a razão de ser destes escrutínios, na Quaresma que
precede o Batismo (RICA 154-159). A sua finalidade é purificar as almas e os
corações, proteger contra as tentações, retificar a intenção, conseguir um
sério conhecimento de si mesmo e promover a vontade a seguir, fielmente, a
Cristo (RICA 154).
Em outras ocasiões, o escrutínio
adquire sobretudo o sentido de exame dos candidatos a um sacramento: por
exemplo, na ordenação ministerial ou na Profissão religiosa. Toma então a forma
de um diálogo com eles, a respeito da sua intenção e disposições.
Apesar de alguns estudiosos
orientarem para se fazer os escrutínios somente com os catecúmenos, na
Arquidiocese de Curitiba é entendimento geral, que se faça o Rito da Eleição e
os escrutínios com todos por razões pastorais. Muito mais do que por motivos
sacramentais, o catecumenato deve ter por objetivo aprofundar o mistério da fé
e a vivência cristã. É difícil explicar, mas basta ver as experiências com
aqueles que participam, como ficam tocados e emocionados. Isso é fazer
"mistagogia", conduzir ao mistério. Já com as crianças não se faz
escrutínios e sim, Celebrações penitenciais adaptando os escrutínios.
A Liturgia dos
escrutínios marca profundamente toda a caminhada catequética de inspiração
catecumenal com gestos, símbolos, orações e textos bíblicos; as celebrações são
momentos privilegiados para a experiência de fé e a Palavra nelas proclamada
chama a atenção de cada catecúmeno e catequizando para a ação de Deus em suas
vidas.
Celebram-se três escrutínios,
para favorecer o progresso no conhecimento do pecado e no desejo de salvação em
Cristo. Têm lugar, sendo possível, nos domingos III, IV e V da Quaresma, com as
leituras do *ciclo A (samaritana, O Cego de nascença e a Ressurreição de
Lázaro), na presença da comunidade, que ora pelos *eleitos. Também no caso de
crianças em idade de catequese se fazem estes escrutínios (RICA 330-333), que
se convertem praticamente em celebrações penitenciais para os que vão ser
batizados e seus familiares. Trata-se sempre de escrutar o coração do
catecúmeno e ajudá-lo a conhecer a sua própria debilidade, a vencer o mal e a
aderir a Jesus Cristo (RICA 25).
* Eleitos : Assim se
chamam os catecúmenos, depois do rito da inscrição do seu nome, que dá entrada
ao Tempo da Purificação e Iluminação, anterior ao Batismo.
Os
escrutínios, seguindo a pedagogia quaresmal, querem proporcionar aos eleitos o
conhecimento de si mesmos por meio do exame de consciência e da verdadeira
penitência; instruir e formá-los para que tenham consciência do pecado,
querendo libertar-se de suas consequências e da influência do mal, purificando
o espírito e o coração. As orações estimulam as vontades para que se unam mais
estreitamente a Cristo, se impregnem do senso da redenção, ser fortaleçam
contra as tentações e adquiram um sentido mais profundo de Igreja. Assim
fortalecidos em seu caminho espiritual, reavivam o desejo de amar a Deus e
abrem os corações para receber os dons do Senhor no sacramento. (RICA 154-159).
O 1º Escrutínio tem como tema a água viva que Jesus promete à samaritana. A celebração segue o RICA para os catecúmenos. Para os crismandos, as orações dos exorcismos desse escrutínio serão feitas em forma positiva, evitando todo o aceno à culpa original e referindo-se somente às culpas pessoais e às tentações. “Celebra-se o 1° Escrutínio no 3° Domingo da Quaresma, usando-se sempre as fórmulas do Missal e do Lecionário do Ano A (Evangelho da Samaritana)” conforme RICA 160.
Celebra-se o 2° Escrutínio no 4° Domingo da Quaresma, usando-se sempre as fórmulas do Missal e do Lecionário do Ano A (Evangelho do Cego de nascença), conforme RICA 167.
O 2º Escrutínio tem como tema a Cura do cego de nascença. A celebração segue o RICA para os catecúmenos. Para os crismandos, as orações dos exorcismos desse escrutínio serão feitas em forma positiva, evitando todo o aceno à culpa original e referindo-se somente às culpas pessoais e às tentações.
Celebra-se o
3° Escrutínio no 5° Domingo da Quaresma, usando-se sempre as fórmulas do Missal e do Lecionário do Ano A (A
ressurreição de Lázaro) conforme RICA 174.
O 3º Escrutínio tem como tema Jesus ressuscita Lázaro. A celebração segue o RICA para os catecúmenos. Para os crismandos, as orações dos exorcismos desse escrutínio serão feitas em forma positiva, evitando todo o aceno à culpa original e referindo-se somente às culpas pessoais e às tentações.
Na liturgia, o Escrutínio começa após a Proclamação da Palavra e da homilia.
Ângela Rocha
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
I V C - Iniciação à Vida Cristã de inspiração Catecumenal
É tarefa da Igreja neste terceiro milênio, e exigência dos documentos – que a catequese da nossa Igreja, "assuma" a IVC – Processo de Iniciação à vida cristã pelo modelo catecumenal [1], como "Itinerário para formar discípulos missionários", conforme destaca o documento da CNBB, fruto da 55ª Assembleia dos Bispos do Brasil.
Mas, nos deparamos com a seguinte questão:
Como inserir um
processo de Iniciação à Vida Cristã (IVC), um modelo catecumenal, que remonta à
Igreja dos primeiros séculos, neste mundo atual, tão midiatizado?
Tentando responder a esta questão, vamos discutir aqui os
desafios e as perspectivas da IVC Catecumenal na catequese, sobretudo, de
crianças, que são o maior “público” ou maior “demanda” hoje na pastoral. Sem
contar a “catequese se adultos” que exige a implantação do modelo de
catecumenato dos primeiros séculos, desde os documentos catequéticos pós Concílio.
Segundo o padre Luiz Lima (2014), a catequese nasceu nos
primeiros séculos da Igreja, dentro de um processo chamado Iniciação à Vida Cristã, conhecido também por catecumenato; “nele os que se
convertiam ao Evangelho eram verdadeiramente iniciados, mergulhados na vida
nova de Cristo Jesus” (LIMA, 2014, p. 8). Nesse processo, a catequese era a etapa onde acontecia a instrução
e o aprendizado da doutrina cristã, o aprofundamento a partir das
Escrituras e o ensino dos Apóstolos, guiados por catequistas, pessoas especializadas e preparadas para este fim.
Essa catequese, além de ser “ensino”, estava imersa em muitas
outras práticas como a oração, celebrações mistagógicas, liturgia, ritos, exercícios
de vivência cristã, acompanhamento pessoal, etc. Era um processo
verdadeiramente “iniciático” na vida cristã. No entanto, os destinatários ou
interlocutores desse Catecumenato eram adultos e não crianças.
Dentro desse
grande processo, a catequese, como momento do ensino, não era educação ou
formação do tipo escolar, onde alunos adquirem conhecimentos de seus
professores e são avaliados por eles. Não! Era uma iniciação que
verdadeiramente tocava as raízes da vida, o sentido e orientação de toda existência.
Dessa iniciação cristã, da qual fazia parte a catequese, saiam pessoas muito
bem formadas, convictas da própria fé, da própria opção por Jesus Cristo e seu
Evangelho, vivendo em comunidades vivas que davam autêntico testemunho de vida
cristã. E aí estava a força da expansão rápida do cristianismo.[2]
Mas, com tantos anos de “conversas” (DGC, DAp DNC, DpC, Doc 107, etc), como está o processo
de iniciação à vida cristã em nossas paróquias? Em nossa Diocese? Documentos,
encontros, seminários, formações que a Igreja vem fazendo e mostrando, tem tido
representação dos catequistas de base? Está chegando aos catequistas estas
informações? Quem está trabalhando com os novos manuais e itinerários criados
pelas dioceses, está levando em conta esta proposta? Quem está se reunindo para
criar roteiros de catequese está adaptando os roteiros a esta realidade? Ou
está adaptando para crianças coisas de adultos? Será que não corremos o risco
de mudarmos a "capa" e deixar o mesmo conteúdo?
Pergunto isso porque no contato com catequistas na internet,
via redes sociais, tem me assustado um pouco a quantidade de solicitações de
"roteiros" e dúvidas sobre isso ou aquilo da IVC pelo modelo
catecumenal.
Se as comunidades estão "implantando" um modelo
baseado no Ritual de Iniciação a Vida Cristã - RICA, o mínimo que se precisa
ter são orientações da diocese e um itinerário. A catequese pelo processo
catecumenal é um passo grande demais para ser "solitário". Não é um
(a) catequista só ou uma comunidade só, que resolve. É e deve ser um processo global
que envolve toda a Igreja.
Os ritos, celebrações e entregas não são uma "moda"
a se aderir, coisas bonitas para impressionar a família e a comunidade, são
ações dentro da liturgia da Igreja. Precisam que os padres liderem e presidam
as celebrações, que a comunidade esteja informada, que as famílias sejam
participantes e, sobretudo, que essas ações dentro do rito da missa, não atrapalhe
os ritos litúrgicos. Não é só uma simples "festa", não é ritualismo e
enfeite, penduricalho, é mistério,
anúncio e deve levar à espiritualidade e ao aprofundamento da fé,
principalmente dos adultos!
Segundo o padre Lima (2014)[3]:
Diante do
pluralismo de hoje e de uma sociedade descristianizada, a proposta da Igreja é
retornar ao catecumenato, esse eficaz processo iniciático da Igreja Primitiva.
Então a catequese retornará ao seu verdadeiro lugar e não será uma atividade
independente dentro da Igreja, como acontece hoje. Além do anúncio da Palavra
de Deus e do ensino da doutrina conduzidos pelos catequistas, o processo de
Iniciação Cristã envolve muitas outras forças da comunidade (introdutores,
acompanhantes, padrinhos, apoio da família), sobretudo a Liturgia, pois é nela
que se faz a verdadeira experiência do mistério de Cristo Jesus.
Cuidemos para não cometermos os mesmos erros da catequese
sacramental que vem sendo praticada há anos em nossa Igreja. Vamos dar
significado às coisas, fazendo jus ao apelo na carta de Pedro: “Estejam sempre preparados para responder a
qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês“ (1Pd
3, 15).
[1] CATECUMENAL vem de Catecumenato
ou Catecúmeno, do Latim catechumenu, do Grego katechoúmenos, que significa “o que é
instruído de viva voz”, aquele que se prepara e se instrui para receber o
batismo.
[2]
LIMA, Luiz. A situação da catequese
hoje no Brasil. Revista de Catequese 143.
Jan-jun 2014. São Paulo: UNISAL, 2014, p. 6-7.
[3]
Idem.
terça-feira, 30 de julho de 2019
CATEQUESE DE INSPIRAÇÃO CATECUMENAL
PERÍODO
|
TEMPO/ETAPA
|
TEMÁTICA
|
Fevereiro à Abril de 2011
|
Pré-catecumenato
(3 encontros com cada sub-grupo)
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Quem é Jesus (a partir do Evangelho de
Marcos).
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Janeiro e Fevereiro/2012
|
Catecumenato:
Rito de entrada com os catequistas (Entrega da Cruz e da Bíblia).
|
- Reflexões sobre o Pai Nosso e Creio;
-Sacramento da Penitência (Catequese com o
Padre)
|
Março e Abril/2012
|
Purificação –
Ao final deste tempo participamos de uma celebração para Renovação das
Promessas do Batismo e Envio dos catequistas.
|
- Evangelho da Samaritana, Cego de nascença e
Ressurreição de Lázaro;
- Catequese com o Padre (Sacramento da
Penitência e o perdão).
|
Maio e Junho/2012
|
Mistagogia – Retiro:
Ser missionário
|
- Estudo 97 e planejamento das atividades
para as turmas de catequese
|
Junho/2012 |
Início do Processo com as turmas de catequese
|
*A prioridade para as alterações na catequese
se deram com as turmas de adultos e jovens em preparação para a Crisma.
|
- Convite: Mudar a forma como
chamamos os catequistas para o Serviço da Catequese;
- Necessidade de mudança de mentalidade em relação ao processo de catequese e compromisso da comunidade, esclarecer e sensibilizar os catequisas para o “novo”;
- No ano de 2012 mudamos o calendário para a catequese começar em Maio, enquanto os catequistas vivenciavam o novo estilo de catequese;
- Celebramos Sacramentos de Eucaristia e Crisma somente de catequizandos que faziam preparação há mais de dois anos;
- Iniciamos as inscrições para novos catequizandos a partir de Junho;
- Organização da catequese e da Celebração dos Sacramentos de acordo com o ano litúrgico;
- Promover o Batismo dos catecúmenos na Vigília Pascal;
- Engajamento dos eleitos nas pastorais;
- Turmas reduzidas de catequizandos para melhor acompanhamento dos mesmos;
- Início de implantação do catecumenato com catequizandos priorizando os adultos e jovens em preparação para CRISMA.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
OS RITOS E ENTREGAS NA CATEQUESE DE INICIAÇÃO A VIDA CRISTÃ COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Vamos pensar sempre que,
vivemos numa mudança de época e não numa época de mudanças, onde as pessoas tem
que se adequar a Igreja. Ao contrário, a Igreja é que tem que se adequar aos
novos tempos. E, infelizmente para nós e Deus, o tempo é de pressa.









