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quarta-feira, 19 de julho de 2023

O ESPÍRITO DA FÉ E DA ESPERANÇA

O Mestre morrera... Medo e incerteza assolavam o coração e a mente. Aquele que viera cumprir o que os profetas disseram havia partido.

Não restara um “Reino” a ser desfrutado. O Rei estava morto. Fora condenado, surrado e sofrera na carne o que nenhum ser humano suportaria sofrer.

Sim, ele ressuscitara. Aparecera diversas vezes a eles naqueles dias. Mas, o que o Mestre quereria deles?

Estavam fracos, abatidos sem a sua presença, escondidos e com medo de falar Dele. Pessoas os procuravam querendo consolo. Consolo que mesmo eles, mesmo na presença de Maria, mãe e força para todos, não estavam tendo.

Quando é que o Senhor devolveria o Reino aos filhos de Israel? Quando eles deixariam de ter medo e teriam certeza de que Deus estava mesmo com eles?

Então veio a promessa! Ele os faria forte e derramaria sobre eles o dom do Seu Espírito. O Espírito Santo de Deus que tudo pode e fortalece.

E no 50º dia, um vento forte abriu as janelas do cenáculo e o ar circulou envolvendo a todos, línguas de fogo se espalharam e cada um dos que estavam presentes foi tocado. Imediatamente eles se viram cheios de sabedoria e podiam falar em todas as línguas.

Jesus cumprira a promessa: o Espírito Santo estava com eles. 

Pedro lembra o Profeta Joel:

“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar”. (Joel 2, 28-32).

Deus derramará seu espírito sobre todos. Seus filhos e filhas anunciarão a sua mensagem, os jovens terão visões e os velhos sonharão. Até os servos e servas serão tocados por Ele e anunciarão suas palavras. No céus aparecerão coisas espantosas e na terra haverá milagres. E no fim, quando vier o glorioso Dia do Senhor, todos que pediram ajuda do Senhor serão salvos.

A partir daquele momento os apóstolos passaram a fazer muitos milagres e maravilhas e todos se admiravam. Os cristãos se uniram e passaram a repartir uns com os outros tudo o que tinham...

Essa é a mensagem. O Espírito Santo se derrama sobre nós. Esse é o pedido de Jesus: Espalhemos a sua palavra sem medo. Façamos de nossa vida uma partilha.

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra! Oremos: Ó Deus que instruístes os corações dos Vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e gozemos sempre de Sua consolação, por Cristo, Senhor Nosso. Amém!


Ângela Rocha
Catequista graduada em Teologia pela PUCPR



sábado, 4 de junho de 2022

O ESPIRITO NOS VEM COMO DINAMISMO DE AÇÃO QUE LIBERTA

REFLEXÃO DO EVANGELHO: JOÃO 20, 19-23  

O envio do Espírito por Jesus é a culminância da experiência pascal.  Reunimo-nos como assembleia de chamados/as para pedir que o Espírito renove em nós os prodígios que realizou no início do cristianismo, esperando que o Sopro de Deus nos dê respiro e vida, nos ajude a testemunhar e anunciar o Reino de Deus na língua das diversas culturas, nos ajude a derrubar os muros que nossos medos e prepotências ergueram, abra as portas das nossas Igrejas sitiadas pelas leis e dogmas, e nos empurre para fora, em ritmo de missão.

O Espírito Santo atua e3m nós para q

ue não sejamos como papagaios, que repetem palavras e discursos que não entendem. Um dos primeiros frutos da ação do Espírito Santo é uma palavra nova e viva. Com a força do Espírito, as pessoas caladas vencem o medo e começam a falar. São palavras de protesto que saem da boca dos marginalizados, clamores que reivindicam reconhecimento e respeito; palavras proféticas que denunciam as injustiças praticadas contra os oprimidos e anuncia uma nova ordem social e rompe com as velhas lições.

Mas o Espírito suscita também palavras orantes e celebrativas, cânticos novos que reconhecem e louvam a ação libertadora de Deus no coração das pessoas e do mundo. São palavras despertadas por uma compreensão espiritual das Escrituras, não mais lidas como coisa do passado ou simples doutrina, mas como Palavra viva e plena de sentido para os homens e mulheres de hoje. Esta palavra nova, suscitada pelo Espírito, assume a gramática das culturas e anuncia o Reino de Deus de tal modo que os povos possam compreender na sua própria cultura.

O Espírito também nos livra da ameaça de sermos fragmentos desarticulados, perdidos no tempo e no espaço. Ele cria vínculos de amor, amizade e solidariedade. Onde o Espírito é acolhido e age, as pessoas isoladas se reúnem, os membros formam um corpo, nasce um povo novo e peregrino. Cria-se uma comunhão que transcende os indivíduos e o tempo, pois o Espírito une pessoas e gerações diferentes numa unidade familiar, étnica e nacional, as pessoas e culturas numa comunidade eclesial, centrada na memória de Jesus de Nazaré.

A presença do Espírito Santo é força que nos livra do risco de sermos sempre e apenas escravos, indivíduos que reproduzem, sob pressão e por medo, as ações determinadas pelos senhores. Ele nos faz pessoas livres, capazes de agir por iniciativa própria, inclusive na arena política. Aos macacos fica bem a imitação e a repetição, mas não aos filhos e filhas de Deus! O Espírito nos é dado para superar a condição de escravos e alcançar a condição de filhos e filhas maiores, livres de todas as tutelas, herdeiros do Reino de Deus. Onde está o Espírito, ali está a liberdade!

Esta liberdade não é apenas ‘liberdade de’ algo que oprime, mas principalmente ‘liberdade para’ alguma coisa nova. O Espírito nos faz livres da dependência das forças da natureza, dos condicionamentos inconscientes, do poder de persuasão dos meios de comunicação social, do constrangimento das instituições e sistemas políticos, econômicos, culturais e religiosos. O Espírito nos assegura a liberdade radical e nos possibilita agir sem medos em favor da vida dos outros, em vista da criação de uma realidade social nova, baseada na liberdade e na cooperação.

O Espírito Santo impede ainda que sejamos mortos-vivos, pois ele não se coaduna com os sistemas e instituições que impõem silêncio, com o individualismo narcisista e com a passividade omissa. Ele é a força de Deus na história, a força libertadora de Jesus Cristo. Aos cristãos ele é enviado como dinamismo missionário, como capacidade de agir no plano do homem novo: partilhar o pão, curar as doenças, perdoar e acolher os pecadores, anunciar a Boa Notícia aos pobres, desarmar para amar, percorrer o êxodo missionário. “Envias teu Espírito e assim renovas a face da terra…”

Vem Espírito Santo, e suscita em nós o desejo de sermos dom, de engajar-nos na luta para que todos tenham vida. Não permita que te aprisionemos na intimidade do coração ou no silêncio dos templos. Faz que nossa vida seja semente de liberdade, solidariedade e eternidade. E que o Filho do Homem ungido por ti, seja o Caminho que percorremos, a Verdade que acolhemos e a Vida que aspiramos ardentemente e promovemos generosamente. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

 

sábado, 14 de maio de 2016

ORAÇÃO PARA ALCANÇAR OS SETE DONS DO ESPÍRITO SANTO

"Peristeria Elata" - Orquídea da Pomba ou Flor do Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso amor!
   
Ó Espírito Santo, concedei-me o dom do temor de Deus, para que eu sempre me lembre, com suma reverência e profundo respeito, da vossa divina presença; trema, como os mesmos anjos, diante de vossa divina majestade, e nada receie tanto como desagradar aos vossos santos olhos.

Espírito Santo, concedei-me o dom de piedade, que me tornará delicioso o trato  e o colóquio convosco na oração e me fará amar a Deus com íntimo amor, como a meu Pai, a Maria Santíssima como a minha Mãe e a todos os homens como a meus irmãos em Jesus Cristo.

Espírito Santo, concedei-me o dom da ciência, para que eu conheça cada vez mais as minhas próprias misérias e fraquezas, a beleza da virtude e o valor inestimável da alma; e para sempre veja claramente as ciladas do demônio, da carne e do mundo, a fim de poder evitá-las.     

Espírito Santo, concedei-me o dom da fortaleza, para que eu despreze todo respeito humano, fuja do pecado, pratique a virtude com santo fervor e afronte com paciência, e mesmo com alegria de espírito, os desprezos, prejuízos, perseguições e a própria morte antes que renegar por palavras e por obras ao meu amabilíssimo Senhor Jesus Cristo.

Espírito Santo, concedei-me o dom do conselho, tão necessário em tantos passos melindrosos da vida, para que sempre escolha o que mais vos agrade, siga em tudo a vossa divina graça e com bons e carinhosos conselhos socorra ao próximo.

Espírito Santo, concedei-me o dom da inteligência, para que eu, alumiado pela luz celeste de vossa graça, bem entenda as sublimes verdades da salvação, a doutrina da santa religião.

Espírito Santo, concedei-me o dom da sabedoria, a fim de que eu, cada vez mais, goste das coisas divinas e, abrasado no fogo do vosso amor, prefira com alegria as coisas do céu a tudo que é mundano e me una para sempre a Jesus, sofrendo tudo neste mundo por seu amor. 


Vinde, Espírito Criador, visitai-me e enchei o meu coração que vós criastes, com a vossa divina graça. Vinde e repousai sobre mim, Espírito de sabedoria e inteligência, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito de ciência, de piedade e de temor de Deus. Vinde, Espírito divino, ficai comigo e derramai sobre mim a vossa divina bênção. 

Amém.

(Santo Afonso de Ligório)

quinta-feira, 12 de maio de 2016

RUAH...


Pouco a pouco, vamos aprendendo a viver sem interioridade. Já não necessitamos de estar em contato com o melhor que há dentro de nós. Basta-nos vivermos entretidos. Contentamo-nos com funcionar sem alma e alimentarmo-nos só de pão. Não queremos expor-nos a buscar a verdade.

Vem Espírito Santo e livra-nos do vazio interior.

Já sabemos viver sem raízes e sem metas. Basta-nos deixarmo-nos programar a partir de fora. Movemo-nos e agitamo-nos sem cessar, mas não sabemos o que queremos nem aonde vamos. Estamos cada vez melhor informados, mas sentimo-nos mais perdidos que nunca!

Vem, Espírito Santo e liberta-nos da desorientação.

Às vezes interessam-nos as grandes questões da existência, mas não nos preocupa ficarmos sem luz para enfrentarmos a vida. Fizemo-nos mais céticos, mas também mais frágeis e inseguros. Queremos ser inteligentes e lúcidos… Então, porque não encontramos sossego e paz?! Porque nos visita tanto a tristeza?!

Vem Espírito Santo e liberta-nos da escuridão interior.

Queremos ser livres e independentes e encontramo-nos cada vez mais sozinhos. Necessitamos viver e encerramo-nos no nosso pequeno mundo, às vezes tão aborrecido. Necessitamos sentir-nos queridos e não sabemos criar contatos vivos e amistosos. Ao sexo chamamos “amor” e ao prazer chamamos “felicidade”, mas quem há de saciar a nossa sede?!

Vem Espírito Santo e ensina-nos a amar.

Na nossa vida parece não haver lugar para Deus. A Sua presença ficou reprimida ou atrofiada dentro de nós mesmos. Cheios de ruídos por dentro, já não podemos escutar a Sua voz. Submergidos em mil desejos e sensações, não chegamos a perceber a Sua proximidade. Sabemos falar com todos menos com Ele. Aprendemos a viver de costas para o Mistério.

Vem Espírito Santo e ensina-nos a ter fé.

Crentes ou não crentes, pouco crentes e mau crentes, assim peregrinamos todos muitas vezes pela vida. Na festa cristã do Espírito Santo, Jesus diz-nos a todos o que um dia disse aos seus discípulos, exalando sobre eles o seu alento: “Recebei o Espírito Santo!” Este Espírito que sustém as nossas pobres vidas e dá alento à nossa débil fé pode penetrar em nós por caminhos que apenas Ele conhece...




Texto de José Antonio Pagola, para o dia de Pentecostes.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

DONS DO ESPÍRITO SANTO



A Tradição cristã costuma enunciar sete dons do Espírito, baseando-se no texto de Isaías 11,1-3 traduzido para o grego na versão dos LXX: 


“Brotará uma vara do tronco de Jessé e um rebento germinará das suas raízes. E repousará sobre ele o espírito do Senhor: Espírito de sabedoria e entendimento, Conselho e fortaleza, Ciência e temor de Deus, Piedade…” 



1. Fortaleza 

Por essa virtude, Deus nos propicia a coragem necessária para enfrentarmos as tentações, A fraqueza diante das circunstâncias da vida e também firmeza de caráter nas perseguições e tribulações causadas por nosso testemunho cristão. A fidelidade à vocação cristã depara-se com obstáculos numerosos, alguns provenientes de fora do cristão; outros, ao contrário, do seu íntimo ou das suas paixões. Por isto diz o Senhor que “o Reino dos céus sofre violência dos que querem entrar, e violentos se apoderam dele” (Mt 11, 12).Foi, com muita coragem, com muito heroísmo, que os santos desprezaram as promessas, e ameaças do mundo. Destes, muitos testemunharam a fé com o sacrifício da própria vida. O Espírito Santo lhes imprimiu o dom da Fortaleza e só isto explica a serenidade com que encontraram a morte!

2. Sabedoria

O sentido da sabedoria humana reside no reconhecimento da sabedoria eterna de Deus, Criador de todas as coisas que distribui seus dons conforme seus desígnios. Para alcançarmos a vida eterna devemos nos aliar a uma vida santa, de perfeito acordo com os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. 

3. Ciência

Todo o saber vem de Deus. Se temos talentos, deles não nos devemos orgulhar, porque de Deus é que os recebemos. Se o mundo nos admira, aplaude nossos trabalhos, a Deus é que pertence esta glória, a Deus, que é o doador de todos os bens.Pelo dom da ciência cristão penetra na realidade deste mundo sob a luz de Deus,  vê cada criatura como reflexo da sabedoria do Criador e como aceno ao Supremo Bem.

4. Conselho

Permite à pessoa o reto discernimento e santas atitudes em determinadas circunstâncias. Nos ajuda a sermos bons conselheiros, guiando o irmão pelo caminho do bem. É sob a influência deste dom que a mãe ensina o filhinho a rezar, a praticar os primeiros atos das virtudes cristãs, da caridade, da obediência, da penitência, do amor ao próximo. Por este dom, o Espírito Santo, em seu divino estilo, inspira a reta maneira  de agir no momento oportuno e exatamente nos termos devidos.

5. Entendimento ou inteligência

A palavra “inteligência” é, segundo alguns, derivada de intellegere = intuslegere, ler dentro, penetrar a fundo. O dom do entendimento faz entender, penetrar, ler no íntimo das verdades reveladas por Deus, é ter a intuição do seu significado profundo. Pelo dom do entendimento, o cristão contempla com mais lucidez o mistério da SS. Trindade, o amor do Redentor para com os homens, o significado da S. Eucaristia na vida cristã. 

6. Piedade

É uma graça de Deus na alma que proporciona salutares frutos de oração e práticas de piedade ensinadas pela Santa Igreja. Um dom do Espírito que orienta divinamente todas as relações que temos com Deus e com o próximo, tornando-as mais profundas e perfeitas. São Paulo implicitamente alude a este dom quando escreve: “Recebestes o espírito de adoção filial, pelo qual bradamos: “Abá, ó Pai” (Rm 8, 15). O Espírito Santo, mediante o dom da piedade, nos faz, como filhos adotivos, reconhecer Deus como Pai. 

7. Temor de Deus

Para entender o significado desde dom, distingamos diversos tipos de temor: a) o temor covarde ou da covardia; b) o temor servil ou do castigo; c) o temor filial. Este consiste na repugnância que o cristão experimenta diante da perspectiva de poder-se afastar de Deus; brota das próprias entranhas do amor. Não se concebe o amor sem este tipo de temor. Teme a Deus quem procura praticar os seus mandamentos com sinceridade de coração. Como nos diz as Escritura, devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus, e o resto nos será dado por acréscimo.