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sábado, 9 de agosto de 2014

ARTIGOS - O BELO, LUDICO E A MISTICO NA CATEQUESE - parte lll

Trechos do material produzido pelo Regional Leste II da CNBB: O belo, o lúdico e o místico na Catequese. Belo Horizonte – MG.


A BELEZA QUE SEDUZ

Este artigo é uma adaptação, com ligeiras interferências, do texto de Inês Broshuis apresentado no Encontro Regional de Coordenadores de Catequese promovido pela Dimensão Bíblico Catequética do Secretariado Regional Leste II, em Belo Horizonte, no dia 23 de julho de 2010. 

1. Que é o “belo”? Primeiro precisamos perguntar que é o “belo”. É algo objetivo, subjetivo, intuitivo...? Por que temos conceitos diferentes do “belo”? Independente da resposta dada, o conceito de belo nos leva a entender que o bom gosto pode ser formado, educado. Compreendemos também que toda experiência de beleza é uma experiência religiosa, leva a Deus, que é a Beleza por excelência. A beleza é transmissora de fé. 

2. Para perceber o belo, precisa-se silenciar
No barulho ou na agitação não se percebe o belo. A beleza é para ser sentida; não é dirigida à nossa inteligência, mas ao coração. Observar um quadro bonito, uma flor, ouvir uma música clássica, exige silêncio. O belo também faz silenciar. O belo é o contrário do superficial. Perceber a beleza das coisas significa penetrar em sua realidade mais profunda. Quando nos encantamos com a beleza da criação chegamos à contemplação de Deus. A primeira revelação de Deus se deu na criação. A proposta da beleza é gratuita, exige tempo, contemplação, admiração... abre ao Transcendente, conduz ao mistério. 

3. Para descobrir o belo, deve-se desenvolver a admiração A admiração levou a grandes descobertas científicas. Os sábios da antiguidade diziam: “a admiração é o princípio de toda sabedoria”. Newton se perguntou, maravilhado, porque uma maçã cai de uma árvore, em linha reta, na terra. E ele descobriu que são as mesmas forças que fazem a maçã cair no chão que levam os planetas a girarem ao redor do sol. James Watt se maravilhou com o fato da tampa de uma panela com água fervendo ficar pulando e, com base nisso, inventou a máquina a vapor. Milhares de pessoas de milhares de gerações viam cair frutas das árvores, mas ninguém ficou tão maravilhado como Newton. Milhares também viram a tampa da panela pulando, mas ninguém se admirou. 

A capacidade de se maravilhar é a capacidade fundamental de todos os investigadores, cientistas e descobridores. É também o impulso para aqueles que acreditam. A admiração que sentimos diante das belezas da natureza, de tudo que nos cerca, nos leva a sentir o mistério que nos envolve. Nada é “normal”, sempre está acontecendo algo bem superior à nossa realidade. Admirando o céu estrelado sentimos nossa pequenez. Ouvindo as descobertas da astronomia ficamos estupefatos diante daquilo que ela nos revela. 

O sol é uma das 400 bilhões de outras estrelas da nossa Via Láctea. Os astrônomos acreditam que há cerca de 100 bilhões de galáxias no universo. Em cada uma dessas galáxias existem centenas de bilhões de estrelas. Nenhuma galáxia do universo está parada. Todas estão em movimento e se distanciam umas das outras a uma velocidade impressionante. O universo é um acontecimento, uma explosão. Diante da grandeza da natureza exclamamos: “O céu manifesta a glória de Deus; o firmamento proclama a obra de suas mãos!” (Sl 19,2). 

O que dizer da maravilha do corpo humano? O corpo humano tem cerca de 100 trilhões de células. Dentro de cada uma dessas células há um núcleo. Cada núcleo contém 46 cromossomos, agrupados em 23 pares. Os cromossomos são compostos de cordões helicoidais do DNA. Genes são segmentos de DNA que arquivam instruções para fabricar proteínas, os tijolos da construção da vida. Que maravilha é o nosso corpo! Que mundo de segredos, de maravilhas contém! Podemos dizer que tudo é normal? Que não há nada a admirar? 

O modo com que meu corpo e minha mente funcionam é outra maravilha. Cada órgão, cada parte do cérebro é um mundo incrível. Admirável é também que cada ser humano é único. Não há repetição. Cada um é um indivíduo irrepetível. O nascimento de uma criança é uma nova maravilha. Podemos dizer que sempre presenciamos um milagre. Viver é um milagre.
Admirável também é a capacidade que o próprio ser humano tem de questionar, de penetrar os segredos da natureza e descobrir o funcionamento. Basta pensar na tecnologia, na informática, na comunicação e na engenharia. Diz o Salmo 8: “Que é o homem, para dele e lembrares? Tu o fizeste pouco menos do que um deus e o coroaste de glória e esplendor”. 

4. A beleza na catequese Somente quem é capaz de admirar, de se maravilhar, é capaz de contemplar, de mergulhar em Deus e em seu mistério, cair em silêncio profundo e se entregar! Devemos desenvolver em nós e em nossos catequizandos o dom de admirar, de maravilhar-nos. Vivemos dentro de um grande mistério: Deus. Através do belo, fazemos a experiência de Deus. Cada encontro catequético deve levar à experiência de Deus. Como podemos criar em nossa catequese um ambiente que favoreça o silêncio, a admiração, a contemplação? 

Quando entramos numa igreja bonita, limpa e organizada, o próprio ambiente nos leva ao silêncio. A ornamentação, a luz que passa pelos vitrais, algumas imagens de bom gosto, a luz do sacrário... tudo nos faz contemplar o belo. Também o ambiente da catequese deve levar a isto. Em geral, não temos um espaço próprio e os centros comunitários e paroquiais não contribuem para se criar ambiente onde se sinta o Sagrado. 

Devemos preparar, de antemão, o ambiente e, para isto, estar no local pelo menos 15 minutos antes de começar o encontro. A sala limpa, algum cartaz bonito sobre o tema (não muitos), uma mesinha com toalha, alguma flor ou planta bonita (natural), uma estante para a Bíblia, uma vela acesa, cadeiras em círculo... Tudo isso expressa zelo, cuidado, contemplação, comunicação que revela a beleza da mensagem cristã. A(o) própria(o) catequista faz parte deste ambiente. Ela(e) se comunica: 70% com a postura (roupa decente, atitudes dignas); 25% com a voz (tom suave, boa articulação); 5% com o conteúdo (bem preparado). 

É preciso cultivar o silêncio. O contrário do silêncio é o barulho, a bagunça, a agitação, a desordem, o desequilíbrio. Podemos fazer exercícios de silêncio, ouvir alguma música suave (mantras), selecionar bem os cantos. As gravuras precisam ser de bom gosto, principalmente as que retratam o Cristo. Devemos evitar imagens ou desenhos de Deus e reforçar as imagens de Deus contidas na Bíblia. É muito importante que o catequista cresça na arte de narrar. Basta lembrar as narrativas bíblicas, como as que se encontram nos Atos dos Apóstolos... 

Símbolos são objetos que transmitem uma realidade interior mais profunda que o objeto apresentado. A Liturgia se expressa (além da Palavra) por gestos e símbolos: água, vela, pão, vinho, óleo, espaço, vestes, vestes, silêncio, música, imagens, Bíblia, expressão corporal... A Liturgia é escola de beleza pela riqueza de seus símbolos. Nós podemos usá-los também na catequese, ligando-os à vida de cada dia. Plantas, flores, retratos, pedras, tudo pode se tornar um símbolo. O símbolo não toca as pessoas do mesmo jeito. O sentido mais profundo é diferente para cada um. 

A Bíblia é um livro cheio de poesia e linguagem simbólica que pode inspirar a catequese e a oração, como acontece com os Salmos. Na catequese não pode faltar formação para a oração. Se a catequese não ensina, onde a pessoa vai aprender a orar?

Devemos, então, ensinar fórmulas meditadas, orações espontâneas, celebrações, culminando na oração silenciosa e contemplativa.
(Inês Broshuis)

*Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O belo, lúdico e a mistica na Catequese - parte ll

Trechos do material produzido pelo Regional Leste II da CNBB: O belo, o lúdico e o místico na Catequese. Belo Horizonte – MG. *por conta da extensão do arquivo estaremos publicando em três partes. Acompanhe a sequência!

A MÍSTICA QUE TRANSFORMA

Este artigo é uma adaptação do texto de Lucimara Trevizan, apresentado no Encontro Regional de Coordenadores de Catequese promovido pela Dimensão Bíblico Catequética do Secretariado Regional Leste II, em Belo Horizonte, no dia 24 de julho de 2010.
Mística é a motivação densa e profunda da caminhada cristã. É o ponto de apoio da vida, o gancho onde a gente prende o sentido da vida. Falar em mística é falar do sentido da existência. É falar da experiência amorosa de Deus, experiência fundante do cristão. É ser iniciado no Mistério.

1. Deus é Mistério de Amor
A experiência do amor é a chave para o conhecimento de Deus, para ser iniciado no Mistério, já nos diz a carta de São João. A gente só se conhece quando se reconhece
amado. Ninguém se conhece se não reconhece que é conhecido amorosamente. O olhar de Deus é olhar amoroso.


Jesus vê o que os outros não vêem. Vê numa pecadora bondade e amor. A verdadeira profecia de Deus é ser capaz de ver o bem onde aparentemente existe pecado e mal. O método para conhecer uma pessoa é amá-la, é confiar, é crer. Deus nos conhece e reconhece com amor. O olhar de Deus é bondade, amor... Deus tem fé no amor. Só enxergo na media em que olho o que Deus vê.

Para Santa Teresa, orar é olhar o olhar de Deus para mim. Sentimos saudade e fome desse olhar amoroso de Deus. O olhar de Deus me devolve, me faz ser eu mesmo. Jesus nos permite conhecer como Deus nos conhece.

2. Como Deus me conhece e como posso conhecer que sou conhecido?
Chamar de Deus de Pai supõe que, se quero conhecer como ele me conhece, preciso escutar sua voz que diz: Filho. Se pelo batismo fomos incorporados no Filho, precisamos reconhecer: sou filho(a) amado(a). Esta é a resposta à pergunta fundamental: Deu quem sou, ou quem sou eu? Somos filhos do amor.

Deus nos amou primeiro. Nossa bondade é porque Deus nos ama. Para Deus a criação é uma aposta. Cria gratuitamente. Fomos feitos à imagem e semelhança daquele que nos criou livremente. A liberdade é parte da criação. Deus nos criou livremente nos criou para a liberdade. Deus nos criou criadores (do nosso próprio destino, ou seja, para criar a forma concreta da vida, desenvolver as capacidades que temos). O original em nós é a Graça, o amor, a liberdade, a criatividade.

Jesus “me conhece”. Ele faz tudo por nós, pela nossa salvação. O que Jesus faz em nossa vida é garantir com sua Palavra e vida a certeza de que ninguém nos afasta do amor de Deus. Não é preciso ser Deus para ser filho de Deus. É preciso parar de sonhar em ser onipotente, grandioso, vendo limite como algo que oprime. É possível amar ainda quando parece que tudo acabou: o amor, a vida...

Jesus, o Filho, nos ensina que é possível amar a humanidade. O Filho se encarnou para mostrar o que Deus queria com a criação. A humanidade definitivamente faz parte de Deus. Quando dizemos “Jesus subiu aos céus” não queremos dizer que deixou de ser humano. Jesus Ressuscitado voltando ao Pai volta humano. Por ser solidário radicalmente com a humanidade, a nossa humanidade está em Deus. Mesmo com a ressurreição e ascensão de Jesus, nossa humanidade continua em Deus.

A beleza da Encarnação é ver que Deus nos faz tão filhos dele que nos participar de sua vida. O amor de Deus faz com que a vida não acabe, o perdão seja possível, a morte não tenha a última palavra. Sou filho, alguém que está a salvo. A vida vai dar na Plenitude, na Glória. Acreditar no Espírito Santo é acreditar que não é só na morte que vamos para Deus, mas é já aqui. A vida é sopro de Deus em nós.

O Espírito nos foi dado para vivificar/santificar. É o Espírito que nos inspira a bondade (que às vezes a pessoa nem percebe). Deixar o Espírito vivificar é deixar que o nosso coração vá ficando bom. Que a criação volte à bondade original. Que cada um encontre
o caminho para a bondade. Deus nos chama a todos à santidade, ou seja, à bondade que nos faz parecidos com o único bom: Deus Pai.


3. A mística na catequese
Catequese é lugar da experiência da beleza do amor de Deus, revelado em plenitude em Jesus Cristo. A catequese tem a missão de ajudar as pessoas a se reconhecerem filhos amados de Deus. Precisamos considerar os seguintes aspectos:
* A nossa catequese é ainda muito escolar, somos presos ao livro, ao texto.
* É necessário rever os conteúdos dos encontros. Perde-se tempo com temas que são secundários.
* Devemos cuidar mais da acolhida, da partilha e da convivência.
* É importante investir na espiritualidade da comunhão e perceber o outro como obra de arte de Deus.
Em relação ao grupo de catequistas:
* Cuidar do encantamento inicial (formação).
* Resgatar a alegria de ser catequista, a alegria do chamado (vocação: é Deus quem chama).
* Ajudar o grupo a melhorar a intimidade com o Amado: Deus mesmo.
* Organizar manhãs, tardes de espiritualidade para silêncio, oração pessoal, partilha.
* Cuidar da preparação das celebrações e orações.
* Zelar pela boa acolhida e acompanhamento das pessoas.
* Melhorar o jeito de trabalhar a espiritualidade nos cursos, nas escolas catequéticas.
(Lucimara Trevizan)


*Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

Homilia do Domingo - 19º Domingo do Tempo Comum

Encontrar Deus…
Elias talvez esperasse encontrar a Deus no terremoto, na ventania ou no fogo. Acabou o encontrando na suavidade da brisa mansa. É uma experiência interessante: Deus está onde agente menos espera que Ele esteja.
Onde vamos encontrá-lo hoje? Nos milagres, nas grandes pregações, nas fervorosas novenas? Acredito que sim, mas pode estar onde menos esperamos: “numa tarde bela, diante da beleza da natureza, aquele que não é a mata, aquele que não é a luz, se revela…” (Juan A. Ruiz de Gopegui). Deus sempre se revela por uma mediação, cabe a nós encontrarmos estes lugares de epifania divina: por vezes seremos surpreendidos, pois Ele pode estar tão perto que não o percebemos, como experimentou Santo Agostinho, ao entender que Ele estava no seu interior. Assim, Deus pode estar muito perto no dia a dia da vida: no Sol que nasce, na flor que desabrocha, no sorriso da criança, na conversa simples de uma velhinha enferma que deseja um pouco de atenção, na nossa casa, no nosso trabalho, na rua… Ali Deus está como a brisa mansa de Elias.
A brisa é o lugar do encontro. O barulho, por sua vez, significa, na primeira leitura, a idolatria do povo que se rendeu ao deus Baal – o deus do barulho. Hoje, na busca desenfreada por experiências religiosas, pode-se cair facilmente na idolatria de uma falsa experiência de Deus. Há também barulhos fora da religião, barulhos que não elevam, que servem apenas para anestesiar consciências. A verdadeira experiência é o amor que se revela no silêncio. Onde reina o amor, Deus ali está. Onde está a brisa mansa, Deus ali aparece. Também vemos no Evangelho que Jesus se retirava para o silêncio o passava um bom tempo alimentando sua intimidade com o Pai. Desta intimidade brotava seu amor e confiança.
A presença de Deus também se manifesta no meio das contrariedades da vida. Elias havia caminhado muito, fugindo de Jezabel que queria matá-lo. Caiu desfalecido pelo caminho e foi encorajado por Deus para ir até o Horeb. Na profunda angústia, tem o consolo do Senhor. Do mesmo modo, no Evangelho, Pedro encontra o Senhor no meio da tempestade. No meio do agito das ondas, Deus permite ser tentado. Permite que o discípulo o questione na condicional: “Se tu és,…”, como que quisesse uma prova, uma confirmação. Os papéis às vezes se invertem: é Deus que nos prova: Ele deixa que a barca balance, deixa Pedro afundar, para provar a fé no momento de aflição. Quando Deus nos prova, quando o barco balança e tudo parece estar indo por água abaixo, temos a chance de clamar Àquele que acalma as águas turbulentas.
Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O belo, lúdico e a mistica na Catequese - PARTE l

Trechos do material produzido pelo Regional Leste II da CNBB: O belo, o lúdico e o místico na Catequese. Belo Horizonte – MG. *por conta da extensão do arquivo estaremos publicando em três partes. Acompanhe a sequência!

O LÚDICO QUE LIBERTA

Este texto, de Edwar Neves M. B. Guimarães, foi apresentado no Encontro Regional de Coordenadores de Catequese promovido pela Dimensão Bíblico Catequética do Secretariado Regional Leste II, em Belo Horizonte, no dia 23 de julho de 2010. 

1. O “lúdico” aos olhos da fé cristã Esta é uma dimensão profunda da vida humana. Ela está presente em todas as culturas. Ela tem a função de preparar o coração para saborear a vida. Há uma diversidade enorme de manifestações típicas de nossa natureza lúdica: criação de jogos, brincadeiras, diversões, festas, ritos, expressões de humor...

Criação de instrumentos musicais, canções, danças, poemas, teatro, cinema, jardins, parques... O lúdico é a expressão externa do prazer de viver, da harmonia e alegria presente na interioridade humana. O ser humano além de homo sapiens, homo faber, homo socialis é também homo ludens.

O sinal mais imediato, comprovador de nossa dimensão lúdica, estampa-se em nosso próprio rosto através das inúmeras expressões do sorriso humano. Somos insaciavelmente famintos e sedentos de sorriso. Pode-se perceber, na verdade, uma dupla necessidade: a de sorrir e, principalmente, a de colher sorrisos. E aqui não se trata de qualquer sorriso, mas da autêntica expressão diante da realização humana na intimidade do amor, da acolhida sincera, do prazer da convivência nas muitas formas de amor experimentado e compartilhado.

Entre as experiências mais profundas da vida humana, fundamental para nosso equilíbrio afetivo e segurança pelos caminhos da vida, destaca-se o sorriso. O sorriso de uma mãe tem o poder de acalentar e trazer tranqüilidade e paz para a criança. O sorriso de um amigo ou da pessoa amada tem o dom de restaurar as forças do cansaço, revigorar o ânimo e promover a saúde do coração. Quem não se lembra das emoções provocadas pelas narrativas de um avô/avó, de um pai/mãe ou um professor/professora? 

A grandeza e as maravilhas da criação revelam a face amoroso do Deus que cria por amor, com amor e para o amor. A pessoa de fé, quando contempla admirada a criação, colhe a transcendência do “sorriso” da gratuidade terna do Deus estradeiro conosco e experimenta, dentro de si, o chamado divino para ser co-criador: cuidar e defender a vida, alegrar-se com e saborear as possibilidades oferecidas e, sobretudo, participar da comunhão amorosa com Deus. 

2. Nem toda experiência lúdica liberta Toda realidade humana é ambivalente. Pode ajudar ou atrapalhar, ser boa ou ruim, construir ou destruir... Nesse sentido, toda experiência humana exige contínua avaliação crítica. Pode-se, de fato, observar que muitas entre as experiências lúdicas não libertam. Ao contrário, frequentemente viciam, escravizam e destroem. Entre nós há grande variedade de manifestações deturpadas da dimensão lúdica. O ser humano é capaz de criar jogos violentos, jogos que são até chamados de azar... Há jogos que são verdadeiras experiências de degradação da dignidade da vida humana. Há entre nós brincadeiras de péssimo gosto. Algumas podem ser denominadas desumanas, pois promovem a humilhação e ofendem a moral e a dignidade da pessoa. O mesmo pode ser observado em nossos modos de divertir. Há diversões que são cansativas, outras que são excludentes e exploradoras, e outras ainda que são violentas, perigosas e que colocam em risco a própria vida. Há modos de festejar dos quais saímos piores, sentimos mau estar no dia seguinte... 

3. Alguns critérios de avaliação do lúdico A vida humana precisa de contínua avaliação. A sabedoria produzida pela reflexão ética promove como critério fundamental de avaliação a própria vida, a dignidade da vida humana. Bom e desagradável é tudo aquilo que promove a dignidade da vida. E, portanto, o que deve ser evitado e combatido é o que ofende e agride a beleza da vida. Desse modo, diante de qualquer manifestação da dimensão lúdica pode-se e deve-se perguntar: Em que sentido este jogo, esta brincadeira, este modo de divertir, alegrar e festejar promove ou agride a dignidade da vida das pessoas envolvidas ou do meio ambiente? As pessoas tornam-se mais amigas? Em que sentido este jogo, esta brincadeira, este modo de divertir, alegrar e festejar impulsiona ou destrói a integração, a boa convivência, os sentimentos e a paz entre as pessoas? Alguém sai magoado ou ferido? Em que sentido este jogo, esta brincadeira, este modo de divertir, alegrar e festejar favorece ou impede o processo de amadurecimento e de aperfeiçoamento das pessoas? As pessoas ficam felizes? A catequese encontra aqui um critério importante de avaliação da caminhada, dos fatos acontecidos e de cada atividade planejada ou realizada. 

4. A pessoa de Jesus e o lúdico na catequese O rosto de Deus, revelado através da pessoa de Jesus Cristo, em seus ensinamentos e ações, o Abba (paizinho querido), pode ser caracterizado pela ternura, pelo encanto e pela proximidade amorosa... Para Jesus de Nazaré, Deus é, sobretudo, aquele que promove a vida em plenitude, aquele que se alegra com cada ser humano feliz e realizado. Jesus encontrou no Abba uma fonte inesgotável de amor e de sentido, de modo que sua experiência religiosa configurou-se muito diferente da de João Batista. No centro de sua pregação estava o projeto salvífico universal. O Deus de Jesus quer salvar a todos: pecadores, excluídos e marginalizados. Diante do rosto deste Deus não há lugar para o mau humor, a postura carrancuda, o semblante sombrio... Ele é o Deus da vida, fonte da verdadeira alegria e amor. A catequese que pretende revelar esta experiência de salvação, uma verdadeira “Boa Nova” precisa encontrar uma expressão adequada, esperançada, lúdica, alegre, bem humorada... A cruz para o cristão é um “fardo leve” e um “desafio suave”. Neste sentido, o seguimento de Jesus não pode ser compreendido como um peso a mais para a vida. Mas, ao contrário, o que torna a dureza da vida algo mais suave.

As exigências da vida cristã tornam a vida mais gostosa de ser vivida. Deus não é um inimigo da vida. Ao contrário, Ele é o que dá sentido à vida. Por isso, a experiência de Deus alegra o coração do ser humano. Uma configuração do cristianismo e, portanto, da catequese, que não expresse essa autêntica alegria da “Boa Nova” denuncia a sua falta de autenticidade. Como diziam os antigos, ainda que santo, “um santo triste é um triste santo”. Uma das marcas do cristão é sua alegria e o encantamento diante da vida. Mesmo diante da derrota, da dor, da perda, o cristão é chamado a contemplar a presença amorosa de Deus, nossa fonte inesgotável de sentido, nosso destino último, nossa pátria definitiva.

5. Algumas sugestões práticas Não há uma receita geral e infalível, a dimensão lúdica da catequese deve ser uma preocupação constante de cada catequista: O que fazer para que cada encontro seja vivenciado em um clima de alegria e encantamento com a pessoa e com a proposta de seguimento de Jesus de Nazaré? Há vasta literatura sobre a prática catequética e uso de dinâmicas e brincadeiras. Aqui daremos apenas alguns lembretes que julgamos importantes. Importa diversificar o uso de criatividades, inserido na realidade de cada lugar onde a catequese acontece, com a preocupação constante de ajudar a tornar o aprendizado de cada conteúdo uma experiência marcante, leve, agradável, interativa, participativa, nas palavras do nosso congresso, sedutora, libertadora e transformadora... Importa buscar e preparar dinâmicas, músicas, filmes, aplicativos, gestos, ritos, símbolos, narrativas, teatros (encenações), imagens e brincadeiras, que sejam adequadas a cada encontro.
(Edwar Neves Guimarães)


*Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

OFICINAS PARA ENCONTROS

OFICINA – PROPAGANDA A SERVIÇO DA CATEQUESE

1. Fazer “memória” de algumas propagandas vistas recentemente na TV
2. Usar a mesma idéia (transposição) compondo uma propaganda de um tema que o grupo acredita que seja significativo na catequese. Não se esquecer de pensar no público alvo.
3. Depois de tudo pronto é só divulgar
4. Avaliação do trabalho desenvolvido


OFICINA – O COTIDIANO E AS FORMULAÇÕES DA FÉ

Questões desafio: das notícias, qual fato social vale a pena ser trabalhado na catequese
1. Material: Jornais e Revistas
2. Selecionar o artigo
3. Estabelecer justificativa, objetivo, para quem, quando...
4. Que texto bíblico pode ser utilizado para iluminar este assunto?


OFICINA – TUDO PODE SER LIDO À LUZ DA FÉ

1. Material: objetos de arte, gibis, história infantil, charge, gravuras, fita de vídeo, panfletos, CD
2. Observar o material escolhido com os “olhos da catequese”
3. Para qual temas de catequese serviria este material?
4. Das possibilidades que percebemos em qual nos fixaríamos?
5. Com qual objetivo?
6. Em qual momento do encontro de catequese?
7. Esse material serviria para comunicar a mesma mensagem às crianças, jovens e adultos? De que forma e ocasião?
8. Apresentar em plenário e Avaliar


OFICINA – CANTO

1. Ler de forma individualizada a canção
2. Cantá-la, sublinhando as idéias principais
3. Discutir o que mais chamou a atenção de cada um
4. Verificar o que mais questiona a letra do canto e se a mensagem é falsa ou verdadeira. Por que?
5. Cada participante escreve em um papel uma mensagem de vida retirada da canção que será partilhada em grupos pequenos
6. Verificar que conteúdos queremos refletir ou completar com a canção
7. Retirar as palavras principais da letra, escrevê-las em tiras e montar com as mesmas, um símbolo que represente a idéia principal do canto.


OUTRAS SUGESTÕES
1. ilustrar cada verso com desenhos, fotos, notícia ou palavras de jornal
2. Compor um cartaz com a escolha da mensagem principal
3. Desenhar um símbolo (coração, vela, barco, rede, folhas...) referente ao tema da canção e distribuí-las aos participantes
4. Criar versos com a mensagem principal do canto
5. Relacionar outros cantos e músicas com o conteúdo que queremos trabalhar na
catequese
6. Avaliar o processo feito – procurar perceber o crescimento na vida e na fé, a entre ajuda, a partilha, o relacionamento...


OFICINA – CARTAZ
1. Escolher o tema.
2. Discutir o assunto
3. Anotar as idéias principais do grupo de modo a formar palavras ou frases principais
4. Escolher o modo da montagem do cartaz
5. Avaliação – como caminhamos? Como cada um se sentiu? O que foi mais interessante, proveitoso, gostosos na experiência? Em que crescemos?

ALGUMAS DICAS
1. Todos participam – cada membro precisa sentir-se parte integrante e responsável do trabalho desenvolvido
2. Não importa se nem tudo está 100%. Vale a experiência feita em grupo e a vivência conjunta de valores
3. Recomenda-se que haja imagens claras e poucas palavras
4. Precisa estar de acordo com as necessidades e os objetivos do grupo
5. A imagem pode ser representada com símbolos, figuras, fotografias, desenhos, recortes de jornais, revistas, elementos da natureza...
6. Usando desenho, os participantes colocam elementos básicos como o espírito religioso, as emoções, os sentimentos, as motivações que de forma verbal ficam inexpressivas


OFICINA – GRAVURAS
1. Recolher gravuras – jornais e revistas
2. Perceber os interesses que temos e com que olhos críticos enxergamos a realidade de cada gravura
3. Organizar um tempo para trabalhar as gravuras
4. Escolher uma dinâmica para trabalhar com as gravuras, relacionada com um conteúdo
5. Criar um conteúdo utilizando gravuras e enriquecendo-os com textos bíblicos
6. Avaliar o crescimento vivencial e as mudanças percebidas no grupo

ALGUMAS IDÉIAS
1. Escolher gravura sugestivas de jornais e revistas que representam sinais de morte e sinais de vida; fazer montagem com as gravuras e fazer um confronto com a realidade familiar, escolar, comunidade e escrever ao lado o compromisso
2. Utilizá-las para uma oração inicial – gravuras no chão, cada participante escolhe sua gravura e reflete – o que a gravura diz para minha vida, o que Deus quer falar a mim, o que posso rezar a Deus através da figura, compromissos
3. Colecionar pequenas gravuras e criar cartões escrevendo em cada um, uma frase bíblica
4. Escolher figuras, colar em papel mais duro, recortar em pedaços formando um quebra-cabeça e colocar as peças em um envelope – uma peça de cada figura será misturada nos outros envelopes. Na montagem o grupo perceberá o que está faltando e irá procurar até completar o quebra-cabeça. – Refletir sobre a figura e questionar as atitudes assumidas ao fazer a montagem


OFICINA – DOBRADURA
1. Ter clareza do conteúdo ou tema que se quer desenvolver
2. Discutir o tema criando o conteúdo
3. Se for dobradura em torno de uma história ou parábola, ler, discutir, aprofundar a mensagem nelas contidas
4. Buscar em comum os objetivos, o porque queremos refletir e construir a dobradura
5. Fazer a montagem das dobraduras escrevendo atitudes mensagens
6. Escrever frases em torno da dobradura, aprofundando o conteúdo
7. Avaliar o processo feito – em que crescemos, com que nos comprometemos


OFICINA – ACRÓSTICO
1. Escolher um tema a ser trabalhado ou memorizado
2. Trabalhar o tema em equipe para melhor partilhar e aprofundar o conteúdo
3. Montar o acróstico a partir da reflexão
4. Apresentar o acróstico em papelógrafo, ilustrando-o com figuras, desenhos
5. Fazer a avaliação em torno do crescimento nas relações de partilha, solidariedade, ajuda e compromisso pessoal

ALGUMAS SUGESTÕES
1. Para maior integração do grupo, sortear os nomes e cada participante formará um acróstico com qualidades do nome recebido
2. Exercícios para memorização de algum conteúdo
3. Fazer concurso do acróstico que melhor expresse conteúdos como: bíblia, mandamentos...
4. Trabalhar temas como: CF, ano ou mês vocacional, bíblico, missionário


OFICINA – JOGOS E BRINCADEIRAS

1. Fazer um levantamento de jogos e brincadeiras conhecidas e ou usadas na catequese ( jogos populares, cantigas de roda)
2. Escrevê-las (se forem animadores ou catequistas) e discuti-los como podem ser recriados e retrabalhados no grupo de catequese
3. Levantar os objetivos que queremos alcançar, os conteúdos, os valores a serem trabalhados
4. Pensar no desenvolvimento e no processo do jogo
5. Provocar uma reflexão sobre os valores e os contravalores percebidos no jogo
6. Refletir a brincadeira ligando com algum conteúdo ou texto bíblico
7. Avaliar à partir dos objetivos propostos, para cada jogo ou brincadeira
8. Avaliar a condução do processo na troca de saberes, a participação, cooperação, crescimento como pessoa e como grupo


CARACTERÍSTICAS A OBSERVAR
1. Os jogos não podem ser vistos como um trabalho, mas perceber que se aprende jogando. Não importam os resultados, mas jogar com prazer
2. Todos devem participar no planejamento, na execução e na avaliação do processo desenvolvido no jogo
3. Cada um deve ser motivado a fazer sua auto-avaliação
4. Incentivar par superar as dificuldades, seja do medo de não saber fazer, o comodismo, a competição. Sentir o prazer de transpor os obstáculos e valorizar a participação
5. Todo jogo precisa ter objetivos e algumas regras claras que podem ser construídos a partir do jogo
6. O jogo pode estar relacionado com algum conteúdo que se quer trabalhar
7. É importante esclarecer que, em jogos catequéticos, não há prêmios para os vencedores. Os participantes necessitam sentir a alegria e a gratuidade da convivência e da participação


OFICINA – HISTÓRIA

1. Ler e comentar a história
2. Comentá-la de forma participativa através de perguntas, questionamentos
3. Opinar sobre o seu conteúdo principal
4. Anotar as idéias principais
5. Discutir o modo de apresentar (dramatizada, com palavras, símbolos, desenhos, mímica, gestos...)
6. Cada participante deve sentir-se à vontade para assumir um personagem e representá-lo
7. Importante é provocar a participação de todos (atores, figurantes)
8. Após a apresentação provocar uma discussão e fazer um confronto com atitudes, comportamentos, valores vividos na história e na vida do dia a dia
9. Trazer presente alguma iluminação com a Palavra de Deus ou algum documento da Igreja
10. Avaliar o processo, a experiência vivida, a contribuição de crescimento


DICAS PARA MELHOR APROVEITAR AS HISTÓRIAS
1. Ler, compreender o sentido ou ser contada por um narrador
2. Ter um objetivo claro no uso da história
3. Saber adaptá-la ao grupo que se vai trabalhar
4. Acompanhar o conteúdo a ser desenvolvido
5. Refletir, provocar mudanças de atitudes - não só passatempo
6. Envolver todos os participantes a partilha de suas experiências vividas em confronto com a história
7. Identificar e caracterizar cada personagem da história
8. Motivar para dar um final diferente ou para que outros personagens participem da história
9. As narrações podem ser diversificadas como: fábulas, parábolas, histórias verdadeiras, fatos acontecidos que aparecem nos jornais, revistas
10. Reinventar a história com personagens atuais
11. Fazer comparação com a vida e tirar as lições necessárias
12. Ilustrar com desenhos ou figuras os personagens principais escrevendo sobre eles e iluminar a reflexão com algum texto bíblico

Fonte: Comissão Diocesana de Catequese

*Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

MENSAGEM DO PAPA AO CONGRESSO DO CELAM SOBRE FAMILIA

Mensagem do Papa Francisco ao I Congresso Latino-americano para a Pastoral Familiar (Cidade do Panamá, 4 a 9 de agosto de 2014)
Quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Queridos irmãos,
Uno-me de coração a todos os participantes neste I Congresso latino-americano de Pastoral Familiar, organizado pelo Celam, e os parabenizo por esta iniciativa em favor de um valor tão querido e importante hoje em nossos povos.
O que é a família? Para além de seus prementes problemas e de suas necessidades urgentes, a família é um “centro de amor”, onde reina a lei do respeito e da comunhão, capaz de resistir aos ataques da manipulação e da dominação dos “centros de poder” mundanos. Na casa familiar, a pessoa se integra natural e harmonicamente em um grupo humano, superando a falsa oposição entre indivíduo e sociedade. No seio da família, ninguém é descartado: tanto o idoso como a criança são bem vindos. A cultura do encontro e o diálogo, a abertura à solidariedade e à transcendência têm nela o seu berço.
Por isso, a família constitui uma grande “riqueza social” (cf Bento XVI, Cart. Enc. Caritas in veritate, 44). Neste sentido, gostaria de destacar duas contribuições primordiais: a estabilidade e a fecundidade.
As relações baseadas no amor fiel, até a morte, como o matrimônio, a paternidade, a filiação ou a irmandade, aprendem-se e se vivem no núcleo familiar. Quando estas relações formam o tecido básico de uma sociedade humana, dão-lhe coesão e consistência. Pois não é possível formar parte de um povo, sentir-se próximo, ter em conta os mais distantes e desfavorecidos, se no coração do homem estão quebradas estas relações básicas, que lhes oferecem segurança em sua abertura aos demais.
Além disso, o amor familiar é fecundo, e não somente porque gera novas vidas, mas porque amplia o horizonte da existência, gera um mundo novo; faz-nos acreditar, contra toda desesperança e derrotismo, que uma convivência baseada no respeito e na confiança é possível. Frente a uma visão materialista do mundo, a família não reduz o homem ao estéril utilitarismo, mas dá canal aos seus desejos mais profundos.
Finalmente, queria dizer-lhes que, desde a experiência fundante do amor familiar, o homem cresce também em sua abertura a Deus como Pai. Por isso, o Documento de Aparecida indicou que a família não deve ser considerada só como objeto de evangelização, mas também agente evangelizador (cf. nn. 432, 435). Nela se reflete a imagem de Deus que em seu mistério mais profundo é uma família e, deste modo, permite ver o amor humano como sinal e presença do amor divino (Carta Enc. Lumen fidei, 52). Na família, a fé se mescla com o leite materno. Por exemplo, esse sincero e espontâneo gesto de pedir a benção, que se conserva em muitos de nossos povos, reflete perfeitamente a convicção de que a benção de Deus se transmite de pais para filhos.
Conscientes de que o amor familiar enobrece tudo o que o homem faz, dando-lhe um valor agregado, é importante incentivar as famílias a cultivarem relações sadias entre seus membros, como dizer uns aos outros “perdão”, obrigada”, “por favor”, e a se dirigir a Deus com o belo nome de Pai.
Que Nossa Senhora de Guadalupe alcance de Deus abundantes bençãos para os lares da América e os faça sementes de vida, de concórdia e de uma fé robusta, alimentada pelo Evangelho e as boas obras. Peço-lhes o favor de rezar por mim, pois necessito.
Fraternalmente,
FRANCISCO

CATEQUESE COM O PAPA FRANCISCO, 06 DE AGOSTO DE 2014.

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Queridos irmãos e irmãs, bom dia !
Nas catequeses anteriores vimos como a Igreja é um povo, um povo preparado com paciência e amor de Deus, e ao qual todos nós somos chamados a pertencer. Hoje eu gostaria de destacar a novidade que caracteriza este povo:  é realmente um novo povo que se fundamenta na nova aliança estabelecida pelo Senhor Jesus com o dom de sua vida. Esta novidade não nega o caminho anterior, ou se opõe a ele, mas sim o leva adiante, o leva ao cumprimento.
1. Há uma figura muito significativa, que atua como um elo entre o Antigo e o Novo Testamento: a de João Batista. Para os Evangelhos Sinóticos, ele é o “precursor”, aquele que prepara a vinda do Senhor, predispondo o povo à conversão do coração e a receber o consolo de Deus que está próximo. No Evangelho de João é a “testemunha”, pois permite-nos reconhecer em Jesus, Aquele que vem do alto para perdoar os nossos pecados e fazer de seu povo a sua esposa, primícias da nova humanidade. Como um “precursor” e “testemunha”, João Batista desempenha um papel central em toda a Escritura, pois atua como uma ponte entre a promessa do Antigo Testamento e seu cumprimento, entre as profecias e a realização em Jesus Cristo . Com o seu testemunho, João nos mostra Jesus e nos convida a segui-Lo, e nos diz, sem meio termo, que isso requer humildade, arrependimento e conversão: é um convite que faz se à humildade, arrependimento e conversão.
2. Assim como Moisés realizou uma aliança com Deus em virtude da lei recebida no Sinai, assim Jesus, em uma colina à beira do lago da Galiléia, entrega aos seus discípulos e à multidão um novo ensinamento, que começa com as bem-aventuranças. Moisés deu a Lei no Sinai e Jesus, o novo Moisés, dá a lei na montanha, à beira do lago da Galiléia. As bem-aventuranças são o caminho que Deus mostra como uma resposta ao desejo de felicidade que é inerente ao homem, e aperfeiçoa os mandamentos da Antiga Aliança. Estamos acostumados a aprender os Dez Mandamentos – é claro, todos vocês sabem, aprenderam na catequese – mas não estamos acostumados a repetir as bem-aventuranças. Vamos memorizá-las e imprimi-las em nosso coração. Façamos uma coisa: eu vou dizer uma depois da outra e vocês repetem. Concordam?
Primeira: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”.
“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.
“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”.
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados”.
“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.
“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”.
“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.
“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.
“Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por minha causa.” Eu ajudo vocês: [o Papa repete com as pessoas] “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por minha causa”.
“Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso recompensa nos céus”.
Bravo! Mas vamos fazer uma coisa: eu vou dar uma lição de casa, uma tarefa para fazer em casa. Peguem o Evangelho, aquele que vocês têm … Lembrem-se que vocês devem sempre levar um pequeno Evangelho com vocês, no seu bolso, bolsa, sempre; aquele que vocês têm em casa. Peguem o Evangelho, e nos primeiros capítulos de Mateus – creio que no capítulo quinto – estão as bem-aventuranças. E hoje, amanhã, vocês leem em casa. Vocês irão ler? [O povo responde: Sim] Não se esqueçam, porque é a lei que Jesus nos dá! Vocês irão fazer? Obrigado.
Nestas palavras, há toda a novidade trazida por Cristo, e toda a novidade de Cristo está nestas palavras. De fato, as bem-aventuranças são o retrato de Jesus, seu modo de vida; é o caminho para a verdadeira felicidade, que também nós podemos trilhar com a graça que Jesus nos dá.
3. Além da nova Lei, Jesus nos dá também o “protocolo” com o qual seremos julgados. No fim do mundo seremos julgados. E quais são as perguntas que vão nos fazer lá? Quais são essas questões? Qual é o protocolo com o qual o juiz vai nos julgar? É isso o que encontramos no vigésimo quinto capítulo do Evangelho de Mateus. Hoje a tarefa é ler o quinto capítulo do Evangelho de Mateus, no qual existem as bem-aventuranças e ler o 25º capítulo, no qual existe o protocolo, as perguntas que farão no dia do julgamento. Nós não teremos títulos, créditos ou privilégios para nos garantir. O Senhor vai reconhecer-nos se, por nossa vez,  O tivermos reconhecido nos pobres, nos que passam fome, nos indigentes e marginalizados, em quem sofre e está sozinho … Este é um dos critérios fundamentais de verificação da nossa vida cristã, com os quais Jesus nos convida a medir-nos a cada dia. Eu leio as bem-aventuranças e penso como deve ser a minha vida cristã, e depois faço um exame de consciência com o capítulo 25 de Mateus. Todos os dias: eu fiz isso, eu fiz isso, eu fiz isso … Nos fará bem! Essas coisas são simples, mas concretas !
Queridos amigos, a nova aliança consiste precisamente nisto: em reconhecer-se em Cristo, envolvido na misericórdia e compaixão de Deus. É isso que enche o nosso coração de alegria, e é isso que torna a nossa vida bela e crível do amor de Deus por todos os nossos irmãos e irmãs que encontramos todos os dias. Lembrem do dever de casa! O quinto capítulo de Mateus e capítulo 25 de Mateus. Obrigado!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

AS CRIANÇAS E A MISSA

Nós aqui já discutimos muito a MISSA e um "modelo" para que nossos catequizandos participem dela. Neste texto tem um síntese das minhas e de muitas outras idéias para tornar a missa mais atrativa:

AS CRIANÇAS E A MISSA

Essa questão da "chamada" na missa é uma coisa, em minha opinião, total e completamente fora de propósito. Sem falar que os pais ficam possessos com isso. E os pais, via de regra, estão menos interessados em ir à missa do que as crianças. Quem já viveu a experiência da obrigatoriedade sabe que isso não dá certo.
E a missa, pelo ritual e simbolismo que representam, também não é lá a coisa mais interessante do mundo para uma criança.

Mas então, o que fazer?

Primeiro acho que todos os catequistas deveriam conhecer e se aprofundar no estudo do DIRETÓRIO PARA MISSA COM CRIANÇAS, um documento produzido pela Igreja para direcionar e dirimir eventuais dúvidas sobre o que “pode” e “não pode” fazer durante a missa. E, só depois, pensar numa missa PARA AS CRIANÇAS. E essa missa não pode ser aquela que o padre faz para os adultos, ela precisa ser diferente, mas, sem perder a sua essência, que é de "celebração". Jamais pode ser transformada numa festa qualquer, com pipoca, pirulito, teatro, brincadeira, palhaço e por aí vai...

E para que a missa possa se tornar “interessante”, por mais que isso não seja exatamente o que deveríamos fazer, já que deveríamos isto sim, fazer a missa se transformar em catequese também, eis aí algumas sugestões:

- Deve haver uma missa da catequese, com dia e horário específico. Isso significa que a missa vai ser DIFERENTE, todo adulto que lá estiver deve saber que a missa é PARA os catequizandos; 
- Homilia e monições voltadas para os catequizandos, mas sem infantilismo;
- Utilização de imagens, ilustrações, encenações. As crianças até a segunda infância (entre 7 e 10 anos) são mais "visuais", elas assimilam muito mais imagens do que escutam (palavra).
- Não distribuição guloseimas na missa (pãozinho, biscoitinho, pirulito). Algumas crianças acabam indo a missa SÓ por isso;
- Promover a participação dos catequizandos nos vários momentos da missa: acolhida, procissão de entrada, ofertório, coleta, leituras, preces; fazendo rotatividade entre turmas e catequistas responsáveis. Uma turma faz a acolhida, outra o ofertório, coleta, etc.
- Fazer encenações do Evangelho com os catequizandos, evitando teatrinhos "nada a ver" com as leituras do dia. Algumas leituras não são ideais para encenação, não caia na tentação de substituir por uma historinha, personagens, bichinhos, etc... trazendo um “zoológico” para a Igreja. Missa é “ritual”, a celebração da Palavra deve ser aquela instituída pela Igreja;
- Promover homenagens em datas especiais, mas sempre após a oração final. A critério do padre pode ser utilizado o memento de ação de graças;
- Envolver e dar responsabilidades aos catequizandos, fazê-los participar também da organização. Isso caberia aos catequizandos com uma fazia etária maior ou crismandos; 
- Treinar os leitores da Palavra e das preces. Não é porque são crianças que as leituras podem ser mal proclamadas;
- Envolver os pais e as famílias neste momentos também. Por exemplo: num ofertório, pedir à família (mãe, pai, irmãos) que entre com as ofertas;
- A acolhida precisa ser bem feita, treinar os catequizandos para, efetivamente, receber as pessoas com alegria... Distribuir os folhetos, folhas de canto, lembrancinhas, etc.
- Enviar "convites" da missa. Dar-se ao trabalho de confeccionar estes convites, entregar com antecedência aos catequizandos, pedir que convidem os familiares. Não meramente imprimir um papel com data, local, horário. Fazer no capricho, de preferência com imagem do tema do domingo;
- Se possível utilizar um coral infantil ou promover um na catequese. Senão, integrar-se com as equipes de canto no sentido de se cantar músicas de criança. Mas nada de sair por aí buscando música secular. A Igreja tem música sacra infantil também...
- A catequese precisa ter uma equipe "de missa", catequistas que se preocupem com essas coisas, que se preocupem com a organização, com os temas, com convites, com cartões/lembranças, com quem vai fazer o que. Em hipótese alguma se deve convidar sempre as mesmas pessoas (pais) e as mesmas crianças para fazer as coisas.

Enfim, é algo que dá trabalho! E essas, são apenas algumas das coisas que se pode fazer. Tenho certeza que a equipe de catequese pode pensar em bem mais. Exceto qualquer tipo de papel que seja meramente parecido com "folha de presença", obrigatoriedade. Se a paróquia tem que chegar a esse ponto, significa que não só a catequese, mas também a Liturgia deixam muito a desejar...

Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A CATEQUESE ORIENTADA PARA O MISTÉRIO DE CRISTO

O Diretório Nacional de Catequese – DNC, em seu primeiro capítulo, cita as conquistas e desafios do movimento catequético pós Concílio Vaticano II, trazendo em seu item 14, “os grandes desafios à tarefa de se realizar uma catequese verdadeiramente voltada para a iniciação à vida cristã”. São listados quinze itens, todos de suma relevância, colocados ali para despertar a consciência do catequista no sentido de acordar para uma realidade que se faz urgente: devolver à catequese o verdadeiro sentido de complemento à Iniciação Cristã que deveria ter começado com a família nos primeiros anos de vida da criança.

Mas, o que chama a atenção, num primeiro momento, é o desafio de “(...) passar de uma catequese só orientada para os sacramentos, para uma catequese que introduza ao mistério de Cristo e à vida eclesial” (item g, DNC 14). Este é, sem dúvida, um dos maiores desafios que a catequese nos apresenta hoje.

Percebe-se uma catequese longe da mistagogia catequética dos primeiros tempos da Igreja, distante da liturgia e, mais ainda, de introduzir o cristão a uma participação efetiva na comunidade/igreja.

Ao longo do tempo, construiu-se a crença de que a família estaria fazendo o papel do primeiro anúncio de Cristo, do “querigma”, da conversão, enfim. Porém, o que se vê é uma família frágil em suas crenças e na condução de uma educação cristã de seus filhos. Isso porque ela já vem de uma catequese totalmente voltada para os sacramentos, sem profundidade na fé. Hoje, a grande maioria das famílias cristãs, encontra-se despreparada para ser “a primeira catequese dos filhos”. O mundo secularizado, o apelo consumista e a urgência de se colocar num mercado de trabalho cada vez mais concorrido, tem feito pais e mães deixarem a religião de lado. Isso quando não os próprios filhos, que são educados hoje, muito mais pela TV e pela internet, do que por eles. Isso para não falar da educação nas “ruas”, nas gangues e nas “tribos”.

Para vencer este desafio é necessário mudança de mentalidade e de postura. Não só com crianças e pais, como da própria mentalidade do catequista. Nosso catequista foi educado por uma catequese “sacramental”. Por mais que ele tente mudar sua postura, muitas vezes, os encontros de catequese ainda estão por demais apegados à doutrina e aos costumes. Exige-se dos catequizandos o “decorar”. São orações, mandamentos, sacramentos, dons do Espírito Santo, enfim... Sem que eles, os catequizandos, realmente os tenham “decora...ção”.

A catequese em si, vem tentando “doutrinar” o catequizandos. As crianças e adolescentes, ao serem “doutrinadas”, e não evangelizadas, recebem a fé como mais um “conteúdo escolar” (vê-se pela dificuldade que eles têm em trocar o “professor (a)” pelo “catequista”). Outra coisa, os conteúdos da catequese não são “cobrados” em avaliação (nem deveriam sê-lo!), portanto, não são considerados importantes para fazer parte de uma bagagem de conhecimentos. Estas questões nos levam a concluir que não se vive o “mistério da fé” na catequese.


Acredita-se ainda, que toda a conversão ao mistério da morte e ressurreição de Cristo é uma coisa “implícita” na pessoa do catequizando, algo que vem de berço. É uma “obrigação” da família. E, sabemos hoje, que nada pode estar mais longe dessa realidade. A família encontra-se presa a conceitos “sacramentalizados” de catequese. A primeira comunhão e a crisma são obrigações “sociais”. Os pais colocam os filhos na catequese para “adquirir” o sacramento. Pura e simplesmente. Não raro, os adolescentes não vêem a hora de acabar a catequese e, portanto, a obrigação religiosa de se estar indo à igreja uma vez por semana. Nem contamos aqui a missa dominical, que seria o “segundo” encontro semanal.

As coordenações de catequese, têm lançado mão de artifícios e mais artifícios para “levar” o catequizando à missa. Sem sucesso. A liturgia, o “celebrar” foi deixado de lado pela catequese durante muito tempo. Privilegiou-se o “saber” em detrimento do “sentir”. A mistagogia foi dissociada da catequese. Não há, na maioria dos corações que chamamos “cristãos”, a necessidade de celebrar o mistério pascal. A missa tornou-se somente uma repetição considerada sem necessidade pelo catequizando.

Para se vencer esse desafio, é preciso rever posturas e conceitos. É preciso “(...) assumir o processo catecumenal como modelo de toda a catequese e, consequentemente, intensificar o uso do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos - RICA” (outro desafio listado no DNC 14). O catequista precisa estar consciente de que mudanças começam, não por uma doutrina ou por um documento imposto pelas autoridades da igreja. Começa pela mudança do “SER” catequista. Começa pelo “primeiro anúncio” feito ao seu próprio coração. O catequista está realmente consciente de seu papel nessa mudança tão necessária de conceitos?

O trabalho é árduo e o caminho é longo. A Igreja tem delineado alguns “mapas”, como o RICA, o próprio DNC, o Documento de Aparecida e o Documento 97. Mas eles não são suficientes. Precisa-se do “mapa” do nosso “DNA” cristão. Saber como fomos “construídos”, como se deu a nossa construção como catequistas, como fiéis, como discípulos. Precisamos achar Jesus em nosso íntimo. Só assim saberemos, com nosso exemplo, levar outros, ao Cristo Jesus, verdadeiramente assumido pelos primeiros discípulos e catequistas.


Ângela Rocha
Catequista de Primeira Eucaristia

CATEQUESE E A NOVA EVANGELIZAÇÃO


O Congresso Internacional de Catequese, que aconteceu em setembro de 2013 em Roma, está quase fazendo um ano. Vamos relembrar de algumas reflexões que ele nos trouxe, lembrando que o catequistas é "testemunha da fé":

“A catequese deve hoje procurar renovar a forma de transmitir a fé com novas abordagens de ensino, reformulando as palavras para facilitar a compreensão dos catequizados”. 

“Ao embarcar no caminho da Nova Evangelização, a catequese não pode permanecer com as mesmas características do passado”, ou seja, o mundo digital e as redes sociais devem ser utilizados pela Igreja para fazer ouvir a mensagem do Evangelho no mundo contemporâneo.

“Ser catequista é uma vocação e não um trabalho; o mundo de hoje exige dos catequistas grande criatividade, simplicidade de vida, espírito de oração, obediência e humildade, renúncia de si mesmo, muita generosidade e autêntica caridade para todos, em particular com os pobres”.


“A catequese deve estar profundamente unida à liturgia que a Igreja é o primeiro sujeito de evangelização e que a transmissão de fé deve ser feita com palavras de vida e não com linguagem de simples refrão de sobrevivência”.

Fonte: Site da Rádio Vaticano. Palestra do Secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Arcebispo Octavio Ruiz Arenas.