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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

QUERIDA AMAZONIA: EXORTAÇÃO PÓS SINODAL DO PAPA FRANCISCO

A EXORTAÇÃO DO PAPA POR UMA IGREJA COM ROSTO AMAZÔNICO

A Exortação pós-sinodal sobre a Amazônia foi publicada esta quarta-feira (12/02). O documento traça novos caminhos de evangelização e cuidados do meio ambiente e dos pobres. Francisco auspicia um novo ímpeto missionário e encoraja o papel dos leigos nas comunidades eclesiais.

“A Amazônia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério.” Assim tem início a Exortação apostólica pós-sinodal, Querida Amazônia. O Pontífice, nos primeiros pontos, (2-4) explica “o sentido desta Exortação”, rica de referências a documentos das Conferências episcopais dos países amazônicos, mas também a poesias de autores ligados à Amazônia. Francisco destaca que deseja “expressar as ressonâncias” que o Sínodo provocou nele. E esclarece que não pretende substituir nem repetir o Documento final, que convida a ler “integralmente”, fazendo votos de que toda a Igreja se deixe “enriquecer e interpelar” por este trabalho e que a Igreja na Amazônia se empenhe “na sua aplicação”. O Papa compartilha os seus “Sonhos para a Amazônia” (5-7), cujo destino deve preocupar a todos, porque esta terra também é “nossa”. Assim, formula “quatro grandes sonhos”: que a Amazônia “que lute pelos direitos dos mais pobres”, “que preserve a riqueza cultural”, que “que guarde zelosamente a sedutora beleza natural”, que, por fim, as comunidades cristãs sejam “capazes de se devotar e encarnar na Amazônia”.


O sonho social: a Igreja ao lado dos oprimidos
O primeiro capítulo de Querida Amazônia é centralizado no “Sonho social” (8). Destaca que “uma verdadeira abordagem ecológica” é também “abordagem social” e, mesmo apreciando o “bem viver” dos indígenas, adverte para o “conservacionismo”, que se preocupa somente com o meio ambiente. Com tons vibrantes, fala de “injustiça e crime” (9-14). Recorda que já Bento XVI havia denunciado “a devastação ambiental da Amazônia”. Os povos originários, afirma, sofrem uma “sujeição” seja por parte dos poderes locais, seja por parte dos poderes externos. Para o Papa, as operações econômicas que alimentam devastação, assassinato e corrupção merecem o nome de “injustiça e crime”. E com João Paulo II, reitera que a globalização não deve se tornar um novo colonialismo.
Os pobres sejam ouvidos sobre o futuro da Amazônia
Diante de tanta injustiça, o Pontífice fala que é preciso “indignar-se e pedir perdão” (15-19). Para Francisco, são necessárias “redes de solidariedade e de desenvolvimento” e pede o comprometimento de todos, inclusive dos líderes políticos. O Papa ressalta o tema do “sentido comunitário” (20-22), recordando que, para os povos amazônicos, as relações humanas “estão impregnadas pela natureza circundante”. Por isso, escreve, vivem como um verdadeiro “desenraizamento” quando são “forçados a emigrar para a cidade”.
A última parte do primeiro capítulo é dedicado às “Instituições degradadas” (23-25) e ao “Diálogo social” (26-27). O Papa denuncia o mal da corrupção, que envenena o Estado e as suas instituições. E faz votos de que a Amazônia se torne “um local de diálogo social” antes de tudo “com os últimos. A voz dos pobres, exorta, deve ser “a voz mais forte” sobre a Amazônia.
O sonho cultural: cuidar do poliedro amazônico
O segundo capítulo é dedicado ao “sonho cultural”. Francisco esclarece que “promover a Amazônia” não significa “colonizá-la culturalmente” (28). E recorre a uma imagem que lhe é cara: “o poliedro amazônico” (29-32). É preciso combater a “colonização pós-moderna”. Para Francisco, é urgente “cuidar das raízes” (33-35). Citando Laudato si’ Christus vivit, destaca que a “visão consumista do ser humano” tende a “a homogeneizar as culturas” e isso afeta sobretudo os jovens. A eles, o Papa pede que assumam as raízes, que recuperem “a memória danificada”.
Não a um indigenismo fechado, é preciso um encontro intercultural
A Exortação se concentra depois sobre o “encontro intercultural” (36-38). Mesmo as “culturas aparentemente mais evoluídas”, observa, podem aprender com os povos que “desenvolveram um tesouro cultural em conexão com a natureza”. A diversidade, portanto, não deve ser “uma fronteira”, mas “uma ponte”, e diz não a “um indigenismo completamente fechado”.
A última parte do segundo capítulo é dedicada ao tema “culturas ameaçadas, povos em risco” (39-40). Em qualquer projeto para a Amazônia, esta é a recomendação do Papa, “é preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos”. Estes, acrescenta, dificilmente podem ficar ilesos se o ambiente em que nasceram e se desenvolveram “se deteriora”.

 O sonho ecológico: unir cuidado com o meio ambiente e cuidado com as pessoas
O terceiro capítulo, “Um sonho ecológico”, é o mais relacionado com a Encíclica Laudato si’. Na introdução (41-42), destaca-se que na Amazônia existe uma relação estreita do ser humano com a natureza. Cuidar dos irmãos como o Senhor cuida de nós, reitera, “é a primeira ecologia que precisamos”. Cuidar do meio ambiente e cuidar dos pobres são “inseparáveis”. Francisco dirige depois a atenção ao “sonho feito de água” (43-46). Cita Pablo Neruda e outros poetas locais sobre a força e a beleza do Rio Amazonas. Com suas poesias, escreve, “ajudam a libertar-nos do paradigma tecnocrático e consumista que sufoca a natureza”.
Ouvir o grito da Amazônia, o desenvolvimento seja sustentável
Para o Papa, é urgente ouvir o “grito da Amazônia” (47-52). Recorda que o equilíbrio planetário depende da sua saúde. Escreve que existem fortes interesses não somente locais, mas também internacionais. A solução, portanto, não é “a internacionalização” da Amazônia; ao invés, deve crescer “a responsabilidade dos governos nacionais”. O desenvolvimento sustentável, prossegue, requer que os habitantes sejam sempre informados sobre os projetos que dizem respeito a eles e auspicia a criação de “um sistema normativo” com “limites invioláveis”. Assim, Francisco convida à “profecia da contemplação” (53-57).
Ouvindo os povos originários, destaca, podemos amar a Amazônia “e não apenas usá-la”; podemos encontrar nela “um lugar teológico, um espaço onde o próprio Deus Se manifesta e chama os seus filhos”. A última parte do terceiro capítulo é centralizada na educação e hábitos ecológicos” (58-60). O Papa ressalta que a ecologia não é uma questão técnica, mas compreende sempre “um aspecto educativo”.
O sonho eclesial: desenvolver uma Igreja com rosto amazônico
O último capítulo, o mais denso, é dedicado “mais diretamente” aos pastores e aos fiéis católicos e se concentra no “sonho eclesial”. O Papa convida a “desenvolver uma Igreja com rosto amazônico” através de um “grande anúncio missionário” (61), um “anúncio indispensável na Amazônia” (62-65).
Para o Santo Padre, não é suficiente levar uma “mensagem social”. Esses povos têm “direito ao anúncio do Evangelho”; do contrário, “cada estrutura eclesial transformar-se-á em mais uma ONG”. Uma parte consistente é dedicada ainda à inculturação. Retomando a Gaudium et spes, fala de “inculturação (66-69) como um processo que leva “à plenitude à luz do Evangelho” aquilo que de bom existe nas culturas amazônicas.
Uma renovada inculturação do Evangelho na Amazônia
O Papa dirige o seu olhar mais profundamente, indicando os “Caminhos de inculturação na Amazônia”. (70-74). Os valores presentes nas comunidades originárias, escreve, devem ser valorizados na evangelização. E nos dois parágrafos sucessivos se detém sobre a “inculturação social e espiritual” (75-76). O Pontífice evidencia que, diante da condição de pobreza de muitos habitantes da Amazônia, a inculturação deve ter um “timbre marcadamente social”. Ao mesmo tempo, porém, a dimensão social deve ser integrada com aquela “espiritual”.
Os Sacramentos devem ser acessíveis a todos, especialmente aos pobres
Na sequência, a Exortação indica “pontos de partida para uma santidade amazônica” (77-80), que não devem copiar “modelos doutros lugares”.
Destaca que “é possível receber, de alguma forma, um símbolo indígena sem o qualificar necessariamente como idolátrico”. Pode-se valorizar, acrescenta, um mito “denso de sentido espiritual” sem necessariamente considerá-lo “um extravio pagão”. O mesmo vale para algumas festas religiosas que, não obstante necessitem de um “processo de purificação”, “contêm um significado sagrado”.
Outra passagem significativa de Querida Amazônia é sobre a inculturação da liturgia (81-84). O Pontífice constata que já o Concílio Vaticano II havia solicitado um esforço de “inculturação da liturgia nos povos indígenas”.
Além disso, recorda numa nota do texto que, no Sínodo, “surgiu a proposta de se elaborar um «rito amazônico»”. Os Sacramentos, exorta, “devem ser acessíveis, sobretudo aos pobres”. A Igreja, afirma evocando a Amoris laetitia, não pode se transformar numa “alfândega”.


Bispos latino-americanos devem enviar missionários à Amazônia
Relacionado a este tema, está a “inculturação do ministério” (85-90) sobre a qual a Igreja deve dar uma resposta “corajosa”. Para o Papa, deve ser garantida “maior frequência da celebração da Eucaristia”. A propósito, reitera, é importante “determinar o que é mais específico do sacerdote”.
A resposta, lê-se, está no sacramento da Ordem sacra, que habilita somente o sacerdote a presidir a Eucaristia. Portanto, como “assegurar este ministério sacerdotal” nas zonas mais remotas? Francisco exorta todos os bispos, especialmente os latino-americanos, “a ser mais generosos”, orientando os que “demonstram vocação missionária” a escolher a Amazônia e os convida a rever a formação dos presbíteros.
Favorecer um protagonismo dos leigos nas comunidades
Depois dos Sacramentos, Querida Amazonía fala das “comunidades cheias de vida” (91-98), nas quais os leigos devem assumir “responsabilidades importantes”. Para o Papa, com efeito, não se trata “apenas de facilitar uma presença maior de ministros ordenados”. Um objetivo “limitado” se não suscitar “uma nova vida nas comunidades”. São necessários, portanto, novos “serviços laicais”. Somente através de “um incisivo protagonismo dos leigos”, reitera, a Igreja poderá responder aos “desafios da Amazônia”.
Para o Pontífice, os consagrados têm um lugar especial e não deixa de recordar o papel das comunidades de base, que defenderam os direitos sociais, e encoraja em especial a atividade da REPAM e dos “grupos missionários itinerantes”.
Novos espaços às mulheres, mas sem clericalizações
Francisco dedica um espaço à força e ao dom das mulheres (99-103). Reconhece que, na Amazônia, algumas comunidades se mantiveram somente “graças à presença de mulheres fortes e generosas”. Porém, adverte que não se deve reduzir a Igreja a “estruturas funcionais”. Se assim fosse, com efeito, teriam um papel somente se fosse concedido a elas acesso à Ordem sacra.
Para o Pontífice, deve ser rejeitada a clericalização das mulheres, acolhendo, ao invés, a contribuição segundo o modo feminino, que prolonga “a força e a ternura de Maria”. Francisco encoraja o surgimento de novos serviços femininos, que – com um reconhecimento público dos bispos – incidam nas decisões para as comunidades.
Os cristãos devem lutar juntos para defender os pobres da Amazônia
Para o Papa, é preciso “ampliar horizontes para além dos conflitos” (104-105) e deixar-se desafiar pela Amazônia a “superar perspectivas limitadas” que “permanecem enclausuradas em aspetos parciais”. O quarto capítulo termina com o tema da “convivência ecumênica e inter-religiosa” (106-110), “encontrar espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum”. “Como não lutar juntos? – questiona Francisco – Como não rezar juntos e trabalhar lado a lado para defender os pobres da Amazônia”?
Confiemos a Amazônia e os seus povos a Maria
Francisco conclui a Querida Amazônia com uma oração à Mãe da Amazônia (111). “Mãe, olhai para os pobres da Amazônia – é um trecho da sua oração –, porque o seu lar está a ser destruído por interesses mesquinhos (…) Tocai a sensibilidade dos poderosos porque, apesar de sentirmos que já é tarde, Vós nos chamais a salvar o que ainda vive”.

FONTE: https://www.vaticannews.va/pt.

Para acessar o documento na íntegra clique AQUI




COMO TRATAR OS PAIS QUE PROCURAM CATEQUESE PARA SEUS FILHOS PEQUENOS? CATEQUESE NELES!

Cada vez mais as famílias procuram a Igreja para catequese de crianças pequenas que ainda não tem idade para iniciar a catequese "formal". São crianças de 3 até os 7 ou 8 anos, idade em que a maioria das paróquias oferece a 1ª Etapa.
Isso vem - infelizmente! - do fato de que as crianças estão indo para a escola cada vez mais cedo. Então, procuram também a catequese. E da catequese fragmentada que os pais receberam que fez muitos "catequizados" e não evangelizados".
Só que o processo catequético deve ser uma "iniciação a vida cristã", não uma "escolinha" ou "creche" para deixar os livros no final de semana. E a iniciação nesta idade deve, mais ainda do que as demais, fugir do conceito"aula", "teoria". Isso porque as crianças precisam entender que a catequese não é "mais uma" ocupação, aula ou curso que elas precisam fazer. E cuidado com a idade das crianças! Aos três, quatro anos, as crianças tem que contar com o exemplo dos pais, PRIMEIROS CATEQUISTAS! A catequese não é creche e muito menos os catequistas são babás.
Aqui quero passar algumas considerações nossas feitas ao longo de mais de 10 anos de catequese nas paróquias e também pensando a catequese como INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ:
  • A catequese nesta etapa (pré) deve ser de INICIAÇÃO à fé, feita de momentos lúdicos e interessantes e, COMPLEMENTADA pela catequese (formação) que os pais dão em casa. 
  • A "pré-catequese", "catequese infantil", "sementinha" ou o nome que se dê, pode acontecer sim. É uma caminhada importante para a criança pequena. Mas, lembre sempre: Envolva os pais nesta fase da  catequese infantil! 
  • Ela não é, e não deve ser nunca, uma "terceirização" da primeira catequese que é dever dos pais. Aprender as primeiras orações, o Santo Anjo, o conceito de "Papai do céu", o ser "bom", perdoar, repartir... é uma coisa que a família precisa trabalhar em primeiro lugar. Se  os pais tem deficiência nesta área, não sabem como iniciar os filhos, a primeira coisa a fazer é trazê-los para catequese junto com a criança. Eles precisam mais de catequese que as crianças!
  • Outra coisa, crianças nesta idade não precisam ter "pontos", ou seja, "conteúdos" formais. É uma fase em que elas estão começando a entender a vivência em comunidade e estão conhecendo Jesus. Nada de formalidades, conteúdos explicados em papel. 
  • Esqueça por exemplo de "explicar" a missa por enquanto; ou explicar a Bíblia e como esta se divide; evite falar da doutrina da Igreja, ainda é cedo pra isso. Trabalhe as várias parábolas de Jesus e histórias que envolvam a sua caminhada. Apresente Jesus como um "amigo", um "protetor. Elas precisam de atenção, carinho, aconchego: Jesus é essa imagem, do amigo que não abandona, que estará sempre ali por mais que ela não veja. Relacione Deus com a família, com os pais, com aqueles que elas amam e que a protegem.
  • Com relação à missa, peça às crianças para sempre que forem com os pais, "escutar" as histórias de Jesus que são contadas lá. No encontro, use muito canto, brincadeiras, dinâmicas e orações espontâneas. 
  • A ludicidade e o aprender da criança por imagens deve ser levada em consideração. Mas, veja bem, faça isso NO ENCONTRO! A missa não é lugar de encenação, brincadeira e dinâmica, ela precisa ser "celebrada" como é. Trata-se de um Rito milenar e importante da nossa fé, que precisa de respeito. Qualquer coisa que for feita que altere o Rito, fere a Liturgia da Igreja. E a missa tem adultos também, que não estão ali para ouvir teatrinho.
  • Se quer relacionar a catequese à missa dominical, faça um itinerário relacionado aos evangelhos do domingo, assim, elas vão relacionando o que veem na catequese com o que escutam na Igreja (catequese/liturgia). 
  • Use, nos encontros, leituras bíblicas numa linguagem que elas entendam, pois na Igreja as leituras são de difícil compreensão pra elas. Confie que seu padre (se a missa é com crianças também), saberá fazer uma homilia condizente. Saberá chamar os pequenos, abençoá-los e dirigir-se a eles na hora certa. Nada, nada mesmo, deve chamar a atenção na missa, mais do que Jesus e o padre que o representa nesta hora.
  • Oriente-se sobre o conteúdo da catequese de Eucaristia e Crisma, aquela que a criança fará na idade condizente. O catequista de pré-catequese PRECISA saber o que acontece nas fases posteriores (formais). A catequese formal tem um processo gradual e contínuo de conteúdos a serem trabalhados. Não "antecipe" conteúdos, as crianças terão tempo para aprofundar o ensino da fé. Agora, elas precisam de anúncio, querigma, apaixonar-se por Jesus e sua mensagem. Precisam "gostar" de estar ali, na Igreja, saber que estão se encontrando com "alguém" especial: Jesus.
  • Didaticamente e pedagogicamente falando, crianças nesta idade não tem capacidade de percepção do abstrato,ou seja, daquilo que elas não podem ver e tocar, use muita imagem e exemplos que elas conheçam, que elas consigam relacionar ao seu cotidiano. Não tente fazê-las "sentir" a "mistagogia" da fé porque elas não conseguem. 
  • Jesus precisa ser mostrado como uma "pessoa", que existiu, teve uma família e fez as coisas que eles fazem, mas, que é especial, diferente, pois veio para tirar as coisas ruins do mundo, mostrar a beleza da natureza, do ser humano e do que é ser "bom". 
  • "Acolha" as crianças. Ensinar conteúdos é para a catequese mais madura, quando eles estiverem preparados.
  • Sugiro ainda, que seja adquirido um livro/manual de catequese Infantil para orientar os encontros. As editoras: Vozes, Paulinas, Paulus, Saraiva, Ave Maria, etc.; tem ótimos manuais. Se puder, vá até uma livraria católica e olhe os vários livros que o mercado oferece e veja qual pode ser adequado à sua realidade.
Mas, o que é, realmente, que devemos fazer com esta legião de famílias, pais, que trazem seus pequenos à Igreja buscando catequese?

Uma resposta me passa a cabeça cada vez com mais força, nestes tempos em que falamos de IVC - Iniciação à Vida Cristã, onde percebemos adultos com uma fé infantil e fragilizada...
CATEQUESE NELES!

Não é sempre que temos essa oportunidade, de ter os pais, a família, ali na nossa frente, procurando a Igreja e a FÉ! Precisamos ENVOLVÊ-LOS! Não pegar só as crianças e mandá-los para casa. É difícil? Complicado? É. Mas, evangelização nunca foi fácil. Os primeiros discípulos morreram por ela.
Mas, vamos pensar em soluções!

Há alguns anos iniciamos um projeto numa das paróquias em que estive em Londrina. Eu chamei de "Catequese Iniciática". Um projeto ousado de envolver os pais das crianças que buscavam a paróquia. E tive apoio das minha queridas amigas catequistas, principalmente da Rosa Toffolo, minha companheira de "etapa" e da Cláris Romero, minha coordenadora. 

Os dois párocos que estiveram lá nesta época nunca pisaram no centro catequético pra ver o que a gente fazia... O encontro acabava e os pais,a vós, irmãos e crianças - a família toda era convidada para passar 50 minutos conosco -  iam pra missa no domingo. Nunca receberam um "bem-vindos" do padre, por mais que eu insistisse nisso. Não relato isso para desabafar ou falar mal do padre. Conto para que os catequistas não percam a coragem e a persistência e desanimem na primeira dificuldade.

Este projeto era uma "pré-catequese" que buscava envolver a família antes do início do ano catequético e das primeiras etapas. Não durava muito, de 2 a 3 meses no máximo. E envolvia o período da Quaresma, um Tempo mais que mistagógico. Mas, aqueles 12, 13 encontros faziam uma enorme diferença na vida dos pais. Relembrávamos a catequese que eles tiveram, ou não tiveram, e fazíamos um novo "querigma" nos corações adormecidos. Lembro-me de um pai me dizendo que nunca soube porque a estola e a toalha da Igreja mudavam de cor...



 O tema "Bíblia", como manuseá-la, conhecê-la, AT, NT... nós fazíamos com a família, com os pais, para que soubessem ensinar os filhos. A Entrega solene da Bíblia, no começo da 1ª Etapa era um momento esperado com ansiedade pelos pais (que faziam a entrega aos filhos) e celebrado com intensidade. 

É indescritível a alegria dos pais em conhecer muita coisa sobre a nossa fé e nossa Igreja.

Enfim... A IVC precisa ser pensada mais com os adultos do que com as crianças. Os pais precisam de Iniciação mais do que os filhos. Não "consertaremos" anos de indiferença com relação à fé, fazendo catequese somente com as crianças, ainda mais se forem pequeninos. Precisamos mais do que uma hora por semana, precisamos de envolvimento na vida das pessoas. Jesus não pode ter "hora marcada" no cotidiano das pessoas. Precisa ser lembrado, celebrado e VIVIDO as 24 horas do dia, em todas as nossas ações.

Ângela Rocha
Catequistas em Formação

* Mais informações sobre a catequese iniciática e roteiros, na nossa apostila CATEQUESE FAMILIAR, que pode ser adquirida em arquivo digital por R$ 30,00. Contato: whats (41) 99747-0348.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

COMPROMETIMENTO: QUAL É A SUA MISSÃO? E SEU PROPÓSITO?

* Texto-base da palestra: Comprometimento – 07/02/2020 no Catequistas Brasil – Aparecida SP.

Escolhi trazer para vocês hoje um assunto bem preocupante da catequese...

A FALTA de COMPROMETIMENTO!

A falta de comprometimento e engajamento de muitos catequistas com a missão, além da falta de comprometimento das famílias e dos próprios catequizandos, é preocupação recorrente de muitos coordenadores (as).

Isso vem de encontro a missão e propósito. Que nada mais são do que o que quero fazer e como vou fazer para chegar onde quero.

As causas desta falta de comprometimento têm muito a ver com o modo de viver contemporâneo: o individualismo que permeia o comportamento do ser cada vez mais urbanizado; a “catequese pelo social” feita por tradição e para contentar a família; a catequese infantilizada que leva a uma fé imatura; a cultura do descarte, onde nada parece permanente e durável; e o relativismo que leva a pessoa a buscar aquilo que lhe agrada naquele momento e circunstância, podendo mudar de ideia e propósito a qualquer momento.

Nem é preciso me aprofundar muito no que seria a falta de engajamento: o catequista não engajado e não comprometido é aquele que está lá, na catequese. “LÁ” mesmo: na sala. Sair, nem pensar! Está só na hora do encontro e quando muito, na missa do final de semana (fica feio não ir!). Além disso ele está acima da necessidade de formação e de comparecer em reuniões: sabe tudo! E não precisa saber de recado nenhum e nem planejamento nenhum, porque é ele com ele mesmo e só.

E isto se reflete no seu comportamento social e com a família, sem dúvida. Para estes, os grupos de catequese na internet são "páginas amarelas" onde se busca roteiro de encontro. De preferência descrito em suas minúcias e com molde e desenho até da disposição das cadeiras no encontro.

Enfim... O que será que poderíamos fazer e falar para estes catequistas? Isso se eles fossem numa formação...

Pela minha experiência de palestras por aí eu diria que "falar", palestrar ou discorrer um tema, seja ele qual for; é perder o verbo, o substantivo, o pronome e tudo que diga respeito a linguagem. Quando a pessoa que nos escuta NÃO ESTÁ CONVERTIDA, pode se falar à vontade! Entrará por um ouvido e sairá pelo outro.

COMO??? Tem catequista não convertido?? Isso mesmo gente! Existem as pencas! Não temos “católicos de ocasião” de punhado? Podem acreditar que temos catequistas também!
As (os) coordenadoras (es) vão ratificar isso, tenho certeza.

Algumas pessoas se engajam numa religião por questões puramente "sociais". A Igreja se transforma num lugar onde o "pessoal frequenta". E participar de uma pastoral se transforma numa forma de aparecer à sociedade. E assim, nos aparecem catequistas às vezes. Cujo entendimento da catequese é esse: um evento social onde compareço porque fica "bem para minha imagem" e não vou se aparecer outro compromisso. Estes são os (as) não engajados e não comprometidos. Alguma semelhança com alguns pais e famílias?

Mas, devemos excluir de vez estes catequistas? Claro que não! Alguma formação eles (elas) têm, algum preceito católico, mesmo que seja lá no fundo, estas pessoas possuem. Falta "provocar" isso, trazer para fora. Mostrar que há um mundo "novo" a se conhecer. São pessoas para "evangelizar"!

E tem outra questão mais grave ainda: Quando são os líderes que não são comprometidos! E por líderes, me refiro aos coordenadores (as) e padres. Aí é complicado! Catequistas engajados e comprometidos veem seus esforços podados antes mesmo de brotar. E o catequista quer fazer e acontecer e são os líderes que não querem nada, são os coordenadores e padres que não animam.

Mas, por que EU não posso liderar? Em minha opinião, qualquer pessoa pode ser um líder. Claro que algumas já nascem com esse dom e essa característica em suas personalidades, mas, isso também pode ser construído. Se eu vejo que alguma coisa pode ser mudada e eu sei como mudar, por que não posso tomar a iniciativa e "provocar" essa mudança? Um líder não precisa estar num “cargo” para ser "líder" e influenciar as pessoas. Uma das características da liderança é saber “convencer”, além de ser, é claro, o que se faz na evangelização.

Vamos a solução! Qual?

Vamos fazer INICIAÇÃO CRISTÃ com nossos catequistas não comprometidos. Vamos mostrar que existe uma "pessoa" que está doida para encontrá-la: JESUS! E para trabalhar pela "causa do Reino", é preciso conhecer o "Rei". Como se faz isso? EVANGELIZANDO! Lembrando que evangelização é:

ANÚNCIO + CATEQUESE + SEGUIMENTO = EVANGELIZAÇÃO

 Urge re-evangelizar muitos dos nossos catequistas e famílias!

Em minha trajetória na catequese, já estive em várias paróquias e dioceses. Em algumas, minha capacidade de “convencimento” não foi lá muito bem e confesso que não tive sucesso. Tudo isso porque eu não me contentei em "aceitar" as coisas como elas são quando estão equivocadas. Eu cobro, eu luto, eu brigo para mudar as coisas... e se não consigo, sigo o conselho que Jesus deu aos seus discípulos quando os mandou sair a evangelizar: “Quando não querem mesmo me ouvir, bato o pó das sandálias e parto para outro lugar”.

Existem muitos lugares que precisam de catequistas, que precisam de evangelizadores. E evangelizar não é "sofrer" e "padecer". Evangelizar é ser feliz. Ninguém aguenta ser catequista e viver eternamente contrariada, triste, frustrada. Servimos à Deus para nos completarmos, não para nos diminuirmos. E também não concordo com a afirmação de que “estou lá para Jesus", estou lá para as pessoas! Jesus quer que eu mude as pessoas, QUE EU EVANGELIZE AS PESSOAS!

DISCÍPULO MISSIONÁRIO é isso que eu sou!


Ângela Rocha
Whatsapp: (41) 99747-0348
Redes sociais: Ângela Rocha

LINK DA PALESTRA:
Disponível apenas PARA MEMBROS DO GRUPO.













quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Começa amanhã o Catequistas Brasil 2020!

Foto: Caroline Azevedo
 Maior encontro de Catequistas do Brasil tem início nesta sexta-feira no Santuário Nacional de Aparecida

Começa amanhã em Aparecida (SP) a 2ª edição do Catequistas BrasilO Evento, que tem a missão de educar para a evangelização, reunirá quase 3 mil catequistas de todos os estados do país.

O Catequistas Brasil possui o objetivo de capacitar o catequista, além do propósito e da missão de contribuir para que ele se dedique à pastoral de forma evangelizadora e missionária, munido de estratégias e métodos construtivos que beneficiam na formação do discípulo de Jesus, mas, também oferecer conhecimentos técnicos e didáticos. O encontro quer proporcionar momentos onde o catequista possa exercer sua vocação missionária com inspiração, motivação e conhecimento para unir e viver a catequese na comunidade com alegria e entusiasmo. Os principais catequetas do Brasil ministrarão palestras no Evento.

A edição de 2020 contará com mais de 50 atividades que acontecerão simultaneamente em sete locais, sendo três auditórios, três arenas temáticas e uma grande plenária. Além dessas atrações, Estações Dinâmicas serão apresentadas pelas principais editoras católicas do Brasil, entre elas: Vozes, Paulus, Paulinas, Ave Maria, Santuário, Canção Nova, Edições CNBB e Scala, além da Distribuidora Loyola de Livros. A programação nesses espaços é voltada para encontros de autores de catequese com os congressistas.

Artistas no Catequistas Brasil

Além das atividades simultâneas que acontecerão durante todo o período do evento, os congressistas poderão contar ao término da sexta e do sábado com shows de artistas da música católica.

Sexta-feira

Os catequistas presentes na sexta-feira poderão rezar e aprofundar a sua espiritualidade com as músicas de Ziza Fernandes. A cantora que conta com mais de 25 anos de carreira, estará animando a primeira noite de atividades do Catequistas Brasil. Ziza é conhecida por suas famosas músicas, entre elas: O Que Agrada a Deus, Fogo Suave e Doce é Sentir. Além de cantora, é compositora e escritora e possui como objetivo aliar-se à beleza em todos os seus projetos e, além disso, dar formação humana e musical a cantores e artistas em todo o país.

Sábado

No sábado, segundo dia do evento, a animação fica por conta do show “Padre Joãozinho e convidados”, onde o sacerdote irá dividir o palco com diversos nomes da música católica, entre eles: Dunga, Adriana Arydes, Pitter Di Laura, Leo (Dominus) e Eros Biondini. Os convidados irão cantar músicas que marcaram suas histórias em um grande show de evangelização.

Além dos nomes divulgados, o evento contará com participações surpresa de cantores católicos que irão animar ainda mais o público que estará presente nos três dias de evento.

Venha e Veja!

Serviços:
Evento: Catequistas Brasil 2020
Local: Santuário Nacional de Aparecida, SP
Data: de 7 a 9 de fevereiro de 2020
Realização: Revista Paróquias
Organização: Promocat Promotora Católica
Inscrições pelo site: https://evento.catequistasbrasil.com.br/
Facebook: www.facebook.com/catequistasbrasil
Para mais informações e inscrições entrar em contato: (12) 3311-0665 | (12) 99630-1989 (WhatsApp)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Catequistas Brasil 2020 receberá grandes nomes da Música Católica

Foto: Caroline Azevedo

Artistas da música católica irão se reunir na casa da Mãe Aparecida para os shows do Catequistas Brasil 2020

De 7 a 9 de fevereiro de 2020 a cidade de Aparecida-SP estará em festa para receber catequistas de todo o Brasil para o grande encontro Catequistas Brasil. O Evento, que tem a missão de educar para a evangelização, reunirá quase 3 mil catequistas de todos os estados do Brasil.

A edição desse ano contará com mais de 50 atividades que acontecerão simultaneamente em sete locais, sendo três auditórios, três arenas temáticas e uma grande plenária. Além dessas atrações, Estações Dinâmicas serão apresentadas pelas principais editoras católicas do Brasil, entre elas: Vozes, Paulus, Paulinas, Ave Maria, Santuário, Canção Nova, Edições CNBB e Scala, além da Distribuidora Loyola de Livros e a presença dos Devotos Mirins. A programação nesses espaços é voltada para encontros de autores de catequese com os congressistas.

Artistas no Catequistas Brasil

Além das atividades simultâneas que acontecerão durante todo o período do evento, os congressistas poderão contar ao término da sexta e do sábado com shows de artistas da música católica.

Sexta-feira

Os catequistas presentes na sexta-feira poderão rezar e aprofundar a sua espiritualidade com as músicas de Ziza Fernandes. A cantora que conta com mais de 25 anos de carreira, estará animando a primeira noite de atividades do Catequistas Brasil. Ziza é conhecida por suas famosas músicas, entre elas: O Que Agrada a Deus, Fogo Suave e Doce é Sentir. Além de cantora, é compositora e escritora e possui como objetivo aliar-se à beleza em todos os seus projetos e, além disso, dar formação humana e musical a cantores e artistas em todo o país.

Sábado

No sábado, segundo dia do evento, a animação fica por conta do show “Padre Joãozinho e convidados”, onde o sacerdote irá dividir o palco com diversos nomes da música católica, entre eles: Dunga, Adriana Arydes, Pitter Di Laura, Leo (Dominus) e Eros Biondini. Os convidados irão cantar músicas que marcaram suas histórias em um grande show de evangelização.

Além dos nomes divulgados, o evento contará com participações surpresa de cantores católicos que irão animar ainda mais o público que estará presente nos três dias de evento.

Venha e Veja!
Com o tema “Venha e Veja!”, o evento é realizado pela Revista Paróquias que, há mais de 15 anos, publica conteúdos sobre gestão eclesial e prática pastoral e promove a Semana da Gestão Eclesial onde realiza seis Congressos voltados para a administração de igrejas e casas religiosas, como o CONAGE – Congresso Nacional de Gestão Eclesial, o CONASPAR – Congresso Nacional de Secretários Paroquiais e o CONADIZ – Congresso Nacional da Pastoral do Dízimo e da Partilha, entre outros. Na organização do conteúdo programático, a Revista conta com a colaboração de leigos e religiosos que dominam a catequese em suas missões evangelizadoras.

Inscrições:

As inscrições para o Catequistas Brasil 2020 podem ser feitas até hoje, 5 de fevereiro, pelo site evento.catequistasbrasil.com.br ou no local após esta data.

Serviços:

Evento: Catequistas Brasil 2020
Local: Santuário Nacional de Aparecida, SP
Data: de 7 a 9 de fevereiro de 2020
Realização: Revista Paróquias
Organização: Promocat Promotora Católica
Inscrições pelo site: https://evento.catequistasbrasil.com.br/
Facebook: www.facebook.com/catequistasbrasil
Para mais informações e inscrições entrar em contato: (12) 3311-0665 | (12) 99630-1989 (WhatsApp)


ACOLHER É EVANGELIZAR!


Acolher... Acolher significa aceitar, receber. Acolher é sentir o outro e assim, enxergar sua alma. É enxergar no outro o reflexo de si mesmo que pede acolhida e que precisa, mais do que de uma solução, um exemplo ou uma palavra amiga. É como um abraço, e “dentro de um abraço, tudo mais já se está dito”.

Quem “chega”, seja de onde for, precisa de acolhida. A Igreja precisa ser acolhedora. Foi justamente por falta de acolhida na Igreja que hoje sou catequista. E muito, muito, apaixonada pela missão.

Desde que comecei a trabalhar pelas pastorais na Igreja, dediquei-me à comunicação. Começou porque sempre gostei de escrever e trabalhar com o visual. A apresentação dos ambientes, o que a Igreja fala por meio da música, das apresentações, em encontros, retiros, etc. Assim, fui convidada a ajudar na implantação da “Pascom” (Pastoral da Comunicação) na Paróquia. E foi um dos trabalhos mais apaixonantes que já fiz.

Durante dois anos me dediquei totalmente à Pastoral da Comunicação, cujo objetivo maior é a integração de todas as Pastorais e Movimentos que existem na Igreja. Aprendi muito neste tempo, apaixonei-me pela comunicação.

Depois, mudei de paróquia e fiquei meio “sem chão”. Uma das coisas que mais me deixou triste, foi ter que deixar aquela missão maravilhosa que Deus tinha me dado na Igreja: Comunicar as coisas Dele. Logo que cheguei na nova cidade, fui procurar a Paróquia do meu bairro. Conversei com o padre e me coloquei à disposição para qualquer coisa, disse-lhe o que eu sabia fazer e que estava disposta a ajudar em que eles precisassem.

Durante o ano que morei no bairro, frequentando a missa todos os domingos, nunca me chamaram para ajudar em nada. Senti-me tão vazia e tão sem objetivo. A Igreja que eu frequentava ficava ao lado da Universidade onde trabalhava e a três quadras da minha casa. Eu queria “pertencer”, mas, não fui acolhida.

Ainda bem que eu tinha feito muitos amigos junto a Pascom Diocesana e fui convidada a fazer parte dela e do Conselho editorial do boletim. Mas aquele era um serviço que não me parecia suficiente, esporádico, “de vez em quando”, não era ação de fato. Tínhamos que divulgar a pastoral da comunicação nas Paróquias, organizar os eventos da diocese, ajudar a montar o boletim e só. Senti-me muito frustrada. Nos últimos dois anos eu não tinha parado um minuto sequer. Mas, o que fazer? Não precisavam de mim.

Um ano depois, mudei de bairro e comecei a ir às missas em outra paróquia, era mês de janeiro, meu segundo ano na cidade. E, no final da missa, o padre falou que precisavam muito de catequistas na paróquia. E eu pensei: por que não? Quem sabe posso ajudar em alguma coisa.

E esse foi o início de uma outra paixão. Nos primeiros seis meses, foi desafiador. As crianças eram difíceis, eu não tinha preparo nenhum para aquilo e a organização da catequese era uma “desorganização”. Na verdade, pensei que primeiro ia fazer um curso, sei lá. Mas foi apenas com a “cara e a coragem” que enfrentei aquelas doze crianças.

Foi um ano de provações e de provocações. Ao mesmo tempo em que me abalou um pouco tanta falta de vontade das crianças, falta de participação dos pais, falta de comprometimento das catequistas, falta de uma coordenação efetiva; me deu uma vontade enorme de fazer alguma coisa. Pensei em sair da catequese logo que pudesse. Aquilo não parecia para mim. Mas, quando vi, já fazia parte da coordenação, ia a todas as formações e eventos da catequese e me envolvia cada vez mais.

E aquilo que parecia ser só por aquele ano, já está no 12º. E parece que vai durar até eu não ter mais forças para estar lá! Porque Deus quer que eu esteja lá, manda sinais sempre!

E um deles foi a “acolhida”, ou falta dela, que me faz permanecer na Igreja e tentar mudar as coisas. Não fosse a primeira “rejeição” eu não teria descoberto o quanto a missão de catequista é maravilhosa. Mas, eu poderia, simplesmente, nunca mais ter tentado...

Importante é fazer com que as pessoas se sintam acolhidas e que o "Bem vindos" não fique só no cartaz da parede.


Ângela Rocha
Catequistas em Formação
angprr@gmail.com


* Ângela Rocha estará coordenando também, de uma oficina sobre ACOLHIDA, no Catequistas em Formação, dias 7 a 9, em Aparecida SP.

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