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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ser comunidade...


 O que é, afinal, ser comunidade?

Fui ao dicionário buscar as várias definições de comunidade. Desde a definição da Biologia que diz que comunidade é o conjunto de todos os organismos vivos, de todos os tipos, que habitam um dado ecossistema, até a simples definição de que comunidade é qualidade do que é comum; congregação, comunhão; agremiação; sociedade. E achei também uma definição muito “chique” de um escritor: “É uma aglomeração de pessoas relacionadas entre si, que contam com recursos físicos, de pessoas, de conhecimento, de vontade, de instituições, de tradições, etc.” Cheguei até a aprender também uma nova palavra: Biocenose, que é: O Conjunto de todas as populações (microorganismos, animais e vegetais) que coexistem em um determinado lugar (região) e que mantém relações entre si, isso quem diz é a ecologia. A sociologia define como o: Agrupamento que se caracteriza por forte coesão baseada no consenso espontâneo dos indivíduos. E a Política considera o Grupo social cujos membros ocupam uma área geopolítica determinada e compartilha interesses, valores e aspirações.

Não encontrei lá, no dicionário, nenhuma definição dada pela nossa Igreja ou pela religião. Lendo aqui e ali achei uma informação que diz que a palavra comunidade, referindo-se à religião ou a igrejas, surgiu nos Estados Unidos no movimento neo-pentecostal. Mais nada. Podemos claro, encontrar documentos preciosos como a Constituição Dogmática “Lumien Gentium” (LG) que trata sobre a Igreja e ensina que ela é “sinal e instrumento, da união íntima com Deus e da unidade de todo o gênero humano”. A Constituição pronuncia que a Igreja é o reino de Cristo sem, no entanto, referir-se a ela como comunidade.

Mas acho que não é bem isso que significa SER COMUNIDADE...

E eu digo que não é fácil ser comunidade. Muitas vezes, tratando-se de nossa igreja, eu não me sinto comunidade. Porque, para mim, ser comunidade está intrinsecamente ligado a ser Igreja. E essa Igreja é aquela com letra maiúscula. È a grande construção formada por pedras vivas e como diz tão poeticamente um dos nossos mestres catequetas, “ligados pela argamassa da catequese”. Ser comunidade para mim, é ser IGREJA! E ouso dizer que poucos de nós, conseguem ser de verdade.

Etimologicamente a palavra grega ekklesia é composta de dois radicais gregos: ek que significa para fora e klesia que significa chamados. Se traduzirmos literalmente a palavra “Igreja”, veremos fica: “chamado para fora”, se referindo a sair do pecado e atender o chamado fazendo parte do grupo e servindo ao Senhor. Deste conceito podemos tirar que a Igreja deixa de ser uma simples instituição ou um objeto inanimado e passa a ser VIVA. Somos tirados do pecado para viver na Igreja, em comunidade, tendo um Pai em comum e um exemplo vivo, Cristo, cujo objetivo maior é lutar pelo bem comum de todos, como irmãos.
E aí eu me pergunto: Somos mesmos estes tijolinhos todos unidos, formando a verdadeira Igreja de Cristo?

Ângela Rocha

sábado, 21 de abril de 2012

Homilia do Domingo


3º. Domingo do Tempo Pascal

Os discípulos de Emaús voltaram para a comunidade e contaram à experiência que tiveram no caminho. Aqueles que tiveram o coração abrasado pela Palavra e que reconheceram o Senhor no partir do Pão estavam tão maravilhados, que não podiam deixar de contar aos seus amigos sua experiência. A Igreja faz isso há séculos: conta a história do passado, transmite o seu legado marcado pela experiência de fé de homens e mulheres. Mais do que isso: faz a memória do passado, atualiza a história da salvação, a presença do Cristo Ressuscitado.

Porém, o anúncio dos discípulos não foi suficiente. Mesmo a aparição do próprio Cristo não tirou todas as dúvidas do coração da comunidade reunida. O texto do Evangelho nos diz que estavam tão alegres que ainda não foram capazes de acreditar no que viam. No dizer popular: “era bom demais pra ser verdade!” Jesus deseja dissipar o medo, mas ainda encontra discípulos vacilantes, que tardam em acreditar. Mesmo diante dos sinais da vitória do Senhor, somos ainda tantas vezes tardos em crer.

A aparição de Jesus tem um aspecto pedagógico importante. O Senhor insiste sobre sua presença real: os discípulos podem o tocar e verificar que ele tem carne e osso, que pode comer peixe assado. Portanto, não é uma aparição fantasmagórica.

Esta insistência de Jesus mostra a continuidade entre o Ressuscitado e o Jesus humano. A ressurreição é uma nova realidade (Jesus não está condicionado ao tempo e ao espaço), mas o Ressuscitado é o mesmo Jesus que comia, bebia e conversava com sua comunidade de discípulos, o mesmo que morreu na cruz. Por isso, traz nas mãos e pés as marcas da crucifixão. Os pés surrados que calçavam rudes sandálias e que o levaram pelas estradas empoeiradas da Palestina. As mãos que tanto acolheram e mostraram o amor. Mãos e pés agora feridos por chagas estão presentes no corpo do Ressuscitado. Também nossas mãos deveriam ter as marcas do amor, e nossos pés os instrumentos dos passos de entrega.

A Páscoa é “junção” da vida, morte e ressurreição de Jesus. Este é o anúncio querigmático dos apóstolos: “Este Jesus que viveu entre nós, foi por nós condenado e morto, ressuscitou, está vivo!” A Igreja iria proclamar a totalidade do mistério. Seria um erro enfatizar apenas uma destas duas etapas da vida do Cristo. Por um lado, os discípulos poderiam ficar com saudade do Jesus que vivia com eles (em um dos relatos, Jesus pede que Maria Madalena não o detenha no seu retorno ao Pai). Por outro, poderiam ficar com a felicidade da ressurreição e esquecer-se de todas as ações e palavras de Jesus de Nazaré. Hoje se corre o risco de uma visão unilateral sobre Jesus. Muitos têm apenas o Cristo da Glória e vivem uma fé verticalista ou que se limita a uma experiência religiosa sem consequências na vida. Outros têm Jesus como um mestre, mas perderam a dimensão da fé naquele que venceu a morte e está conosco presente até o fim dos tempos.

Sem isolar alguma dimensão de Cristo, acreditamos que a vida de Deus encarnado se dá no cotidiano, na nossa inserção no mundo e no enfrentamento das cruzes do dia a dia. Por outro lado, temos a certeza de que a vida com suas contingências será superada pela vida nova oferecido pelo Senhor ressuscitado. Mas somente chegaremos à glória pela cruz. Assim, não existe vida e morte sem ressurreição, como não existe ressurreição sem a nossa história. A Palavra nos convida a viver a totalidade do mistério cristão, oferecendo nossa vida, enfrentando as lágrimas da existência, enquanto esperamos a vitória de toda dor e sofrimento.

Diante do mistério da cruz e ressurreição, não podemos ficar de braços cruzados. No final do discurso de Pedro, há um convite à conversão. A segunda leitura nos convida a romper com o pecado. Jesus, o Cristo, convida-nos a não termos medo. Que o Tempo da Páscoa nos traga vida nova de ressuscitados. Que vençamos as mortes diárias, que enchamos o mundo com a Ressurreição, com a vida de Deus.

Pe Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!"
(2Cor 12,9)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA



Doutrina Social da Igreja (DSI) é o conjunto dos ensinamentos contidos na doutrina da Igreja Católica e no magistério da Igreja Católica. Faz parte dela, numerosas encíclicas e pronunciamentos dos Papas e tem suas origens nos primórdios do cristianismo.  A DSI tem por finalidade fixar princípios, critérios e diretrizes gerais a respeito da organização social e política dos povos e das nações. É um convite a ação. A finalidade da doutrina social da Igreja é "levar os homens a corresponderem, com o auxílio também da reflexão racional e das ciências humanas, à sua vocação de construtores responsáveis da sociedade terrena" (Encíclica Sollicitudo rei socialis, de João Paulo II, publicada em 1987, pelo 20º aniversário da Populorum progressio).

Foi enriquecida pelos Padres da Igreja, teólogos e canonistas da idade média e pelos pensadores e filósofos católicos dos tempos modernos. "A doutrina social da Igreja se desenvolveu no século XIX  por ocasião do encontro do Evangelho com a sociedade industrial moderna, suas novas estruturas para a produção de bens de consumo, sua nova concepção da sociedade, do Estado e da autoridade, suas novas formas de trabalho e de propriedade" (CIC 2420). A Doutrina Social da Igreja considera que a "a norma fundamental do Estado deve ser a prossecução da justiça e que a finalidade de uma justa ordem social é garantir a cada um, no respeito ao princípio da subsidiariedade, a própria parte nos bens comuns." (Deus caritas est, 26-27)

Através de numerosos documentos e pronunciamentos, a Doutrina Social da Igreja aborda vários temas fundamentais, como a pessoa humana, sua dignidade, seus direitos  e suas liberdades, a família, sua vo­ca­ção e seus direitos, inserção e participação responsável de cada homem na vida social,  a promoção da paz, o sistema econômico e a iniciativa privada, o papel do Estado, o trabalho humano, a comunidade política, o bem comum e sua pro­mo­ç­ão, no respeito dos princípios da solidariedade e subsidiariedade,  o destino universal dos bens da natureza e cui­dado com a sua preservação e de­fe­sa do ambiente, o desenvolvimento in­tegral de cada pessoa e dos povos e o primado da justiça e da caridade. (Compêndio da Doutrina Social da Igreja)

A existência da Doutrina Social da Igreja, no entanto, não implica a participação do clero na política, que é proibida pela Igreja, exceto em situações urgentes. Isto porque “a missão de melhorar e animar as realidades temporais, nomeadamente através da participação cívico-política, é destinada aos leigos” (CIC 2242). Logo, a hierarquia eclesiástica, não está aí para formar ou dirigir governos, nem para escolher regimes políticos; ela está para formar pessoas que consigam formar e dirigir governos nos quais a liberdade leve à genuína realização humana.
Em 1891, com a revolução industrial, o papa Leão XIII, sentindo a urgência dos novos tempos e das "coisas novas" promulgou a encíclica Rerum Novarum. A ela seguiu-se a encíclica Quadragesimo anno, de Pio XI em 1931. O beato papa João XXIII publicou, em 1961, a Mater et magistra e Paulo VI a encíclica Populorum Progressio, em 1967, e a carta apostólica Octagesima adveniens, em1971.João Paulo II, publicou três encíclicas:Laborens exercens (1981), Sollicitudo rei socialis (1987) e, finalmente Centesimus annus em 1991.

No entanto, a Doutrina Social da Igreja somente foi apresentada de modo sistematizado e orgânico em 2004 no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, fruto de trabalho do Pontifício Conselho Justiça e Paz.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja, é um dos documentos mais belos sem e falando de valores sociais, e  pode ser encontrado  neste link:


Fonte: Internet.

sábado, 24 de março de 2012

O grão de trigo...

“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.” – (Jo 12,24)


Estas palavras de Jesus, muito mais eloqüentes do que um tratado, revelam o segredo da vida. Não existe alegria de Jesus que não seja fruto de uma dor abraçada. Não há ressurreição sem morte.

Aqui Jesus fala de si mesmo e explica o significado da sua existência. Faltam poucos dias para a sua morte. Será dolorosa, humilhante. Por que morrer, justamente Ele que se definiu “Eu sou a Vida”? Por que sofrer, Ele que é inocente? Por que ser caluniado, esbofeteado, escarnecido, pregado numa cruz, a morte mais desonrosa? E sobretudo por que Ele, que viveu na união constante com Deus, haveria de sentir-se abandonado pelo seu Pai? Também Ele sente medo da morte. No entanto, ela terá um sentido: a ressurreição.

Jesus tinha vindo para reunir os filhos de Deus dispersos, para derrubar toda e qualquer barreira que separa povos e pessoas, para irmanar os homens divididos entre si, para trazer a paz e construir a unidade. Mas havia um preço a ser pago: para atrair todos a si, Ele deveria ser levantado da terra, na cruz. Daí a parábola, a mais bonita de todo o Evangelho: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.” Aquele grão de trigo é Ele.

Neste tempo de Páscoa Ele se apresenta a nós do alto da cruz – seu martírio e sua glória – como sinal de amor extremo. Ali Ele doou tudo: aos carrascos, o perdão; ao ladrão, o Paraíso; a nós, sua mãe e o próprio corpo e sangue. Deu a sua vida até o ponto de gritar: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”.

Eu escrevia em 1944: “Sabes que Ele nos deu tudo? Que mais poderia dar-nos um Deus que, por amor, parece esquecer-se de que é Deus?” E deu-nos a possibilidade de nos tornarmos filhos de Deus: gerou um povo novo, uma nova criação.
 
No dia de Pentecostes o grão de trigo caído na terra e morto já florescia qual espiga fecunda: três mil pessoas de todos os povos e nações são transformadas “num só coração e numa só alma”. Depois são cinco mil, e depois… “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.”

Esta Palavra dá sentido também à nossa vida, ao nosso sofrimento, à nossa morte, quando ela chegar.

A fraternidade universal pela qual desejamos viver, a paz, a unidade que queremos construir ao nosso redor é um vago sonho, uma ilusão, se não estivermos dispostos a percorrer o mesmo caminho traçado pelo Mestre.
O que fez Ele para “produzir muito fruto”?
 
Compartilhou todo o nosso modo de ser. Assumiu sobre si os nossos sofrimentos. Conosco, Ele se fez trevas, melancolia, cansaço, contraste… Experimentou a traição, a solidão, a orfandade… Numa palavra: Ele “se fez um” conosco, carregando tudo aquilo que para nós era um peso.
 
Assim devemos fazer também nós. Enamorados deste Deus que se faz nosso “próximo”, temos um modo para demonstrar-lhe a nossa imensa gratidão pelo seu infinito amor: viver como Ele viveu. E a nossa chance está em nos tornarmos “próximos” de quem passa ao nosso lado na vida, estando dispostos a “nos fazermos um” com ele, a abraçar a dor de uma divisão, a partilhar um sofrimento, a resolver um problema, com um amor concreto que sabe servir.

Jesus no abandono se doou completamente. Na espiritualidade centralizada Nele, Jesus Ressuscitado deve resplandecer plenamente e a alegria deve testemunhar que isso é verdade.

Chiara Lubich

* Ver também VIDEO:  http://youtu.be/kTsVX-MHWUY  -A Caminho de Jerusalem

sábado, 3 de março de 2012

HOMILIA DO DOMINGO

2º. Domingo da Quaresma – B

A Quaresma e a Páscoa manifestam dois momentos da existência. Por um lado, enfrentamos a cruz, a dor, o drama, a renúncia, as lágrimas... De outro, temos a vida, a alegria, o gozo, a paz, a ressurreição. O Mistério Pascal é composto das realidades de morte e ressurreição, cruz e vida.

Abraão enfrentou a dor da renúncia, quando o Senhor pediu o sacrifício de seu filho amado e único. O Primogênito deveria ser consagrado a Deus, e Abraão levou isso a sério, não se opondo ao desejo divino. No momento crucial, Deus poupou a vida de Isaac e se alegrou pela fidelidade de seu servo. A dor de Abraão não é sem sentido, mas é sinal de fidelidade. Desta dor, nasce a vida. Também somos convidados a renunciar, em algumas ocasiões, aquilo que nos é precioso. Precisamos identificar que é o nosso Isaac. O Senhor o convida a oferecer alguma coisa a ele. O que? Deus fará a renúncia se transformar em alegria.

O sacrifício de Abraão prefigura o sacrifico divino. Deus ofereceu o seu próprio filho, ofereceu-se a si mesmo. Nas palavras de Paulo, se Deus é capaz de oferecer seu filho, como não nos daria tudo junto com ele? Deus deseja nos dar a vida.

No Tabor, Deus antecipa a sua ressurreição, concede um gostinho prévio do que espera os discípulos. Mas não deixa que fiquem sobre o monte, pois a cruz os espera. Por vezes, discursos romantizados falam da alegria de se fabricar tendas para que se usufrua das consolações divinas. No entanto, Jesus deixa claro que não quer tendas, pois estas simbolizam o imobilismo, o comodismo diante da vida e da missão. É preciso descer o Monte Tabor.

Na lógica do evangelho, não existe ressurreição sem cruz, mas não existe cruz sem a antecipação gratificante da transfiguração do Senhor. Poderíamos esperar o Deus das gratificações, do milagre, da prosperidade, a religião utilitarista afeita ao tempo de Pós Modernidade. Mas Deus nos quer seguidores capazes de enfrentar a cruz.

Porém, a cruz não deve ser uma busca do sofrimento em si mesmo. Deve ser a doação de nosso tempo, de nossos sentimentos, de nossos esforços, de nossa energia em função do bem, dos irmãos. A cruz torna-se possível pela graça. A transfiguração é o sinal do combustível que Deus nos concede para que a cruz não se torne um fardo pesado, mas um caminho para a vida verdadeira. A Quaresma é uma oportunidade para que Deus conceda este combustível que nos faz oferecer a vida. Mesmo diante das propagandas do valor da preservação de si mesmo como caminho para a felicidade, a Palavra de Deus é um apelo forte que nos conduz a fazer da vida um dom. Não construamos tendas que escondem a realidade, mas tenhamos a coragem de descer do monte para que o Mistério da Páscoa aconteça em nossa vida.

Pe. Roberto Nentwig

Um bom final de semana a todos!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Pedagogia de Deus


Saber e Saber fazer, faz parte de nossa caminhada catequética. São processos que constroem o catequista. E nessa busca pelo saber, encontramos o alerta de que temos que nos apoiar nas ciências modernas (DNC 150 e 151). Uma delas a Pedagogia. Não a pedagogia tradicional descrita como “teoria da educação e da instrução” (Dic. Aurélio), mas a Pedagogia Catequética, que vai além, sendo, também, a “condução” de nossos catequizandos ao caminho da fé. “A pedagogia catequética tem uma originalidade específica, pois seu objetivo é ajudar as pessoas no caminho rumo à maturidade da fé, no amor e na esperança. (...) Para isso Deus se serve de pessoas, grupos, situações, acontecimentos...” (DNC 146).

A palavra Pedagogia tem origem grega, formada por: paidós (criança) e agogé (condução). No entanto, é preciso entender que, aplicada à catequese, ela vai além da mera condução da “criança”, palavra que descreve uma das etapas do crescimento do indivíduo. Ela conduz a “pessoa”, em qualquer idade cronológica.

Como princípio, temos a Pedagogia de Deus como modelo a seguir. Seguidas da pedagogia de Jesus, da ação do Espírito Santo e do modo de proceder da Igreja (DNC, capítulo quinto, inteiramente dedicado a Catequese como educação da fé). Mas o que é afinal essa pedagogia? Pois bem, a Pedagogia de Deus é proporcionar ao homem , encontrar-se, crescer e assim, conquistar a paz e o sentido de sua existência.  Deus dá todas as condições necessárias para que isto aconteça, através de Sua Palavra, por meio dos acontecimentos do cotidiano e das vivências do dia a dia. 

Para ilustrar melhor o conceito, encontramos nos itens 40 a 48 da Catequese Renovada – Orientações e Conteúdo – DOC 26 da CNBB, orientações a respeito da Pedagogia de Deus e sua revelação.

Deus se revela por meio de um processo, uma caminhada, não é uma coisa que acontece de uma vez só. Não porque Deus não quer comunicar-se por inteiro a nós. Deus é comunicação, Deus é amor, Ele está sempre junto de nós. Nós é que nos afastamos, somos nós que precisamos desse processo lento e permanente de Revelação, porque somos seres em construção.

Em outras palavras, a humanidade não está preparada par acolher a Deus plenamente, inteiramente. Muitos obstáculos nos separam de Deus, muitos pecados nos desviam.

Deus então, procura guiar a humanidade de volta ao caminho. Procura orientá-la, aproximá-la de Si. Torna-se para seu povo como um pai ou uma mãe que ensina à criança os caminhos da vida. Torna-se um mestre ou educador, que ensina aos alunos caminhos mais adiantados em busca da verdade e da felicidade. “Como um pai educa seu filho, assim Deus educa seu povo.” (Dt 8, 5)

Nos encontros de Deus com o seu povo e seus profetas, é possível reconhecer que Ele fala partindo de algo que os homens já conhecem, que pertence à experiência deles, e procura levá-los a descobrir e compreender algo novo do seu ser, do seu amor, da sua vontade. Ou ainda: Deus ilumina o seu povo e seus profetas para que compreendam o sentido da história que estão vivendo, dos acontecimentos que Deus quis ou permitiu.

Nesse sentido, a catequese, inspirada na pedagogia de Deus busca incentivar a participação ativa dos catequizandos na mudança da sociedade, com a missão permanente de inculturar-se buscando uma linguagem capaz de comunicar a Palavra de Deus e a Profissão de Fé da Igreja (Credo), conforme a realidade de cada pessoa. É preciso assumir as realidades humanas e iluminá-las com o Evangelho, a Boa Nova.

Nisso temos o exemplo de Jesus, o Verbo, que se fez carne, assumiu a natureza humana e a cultura de um povo conforme o seu tempo (EN 18 e 20).

Ângela Rocha

Fontes:

CNBB, Diretório Nacional de Catequese. Catequese como educação da fé. Pgs. 97-115. Brasília, Edições CNBB, 2006.

CNBB, Catequese Renovada – Orientações e Conteúdo. Pgs. 20-22. 39ª Ed. São Paulo, Paulinas, 2009.

Paulo PP VI, Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi. Roma, dezembro de 1975. Encontrada em:


PEDAGOGIA CATEQUÉTICA



Fonte: Blog do Manoel Xavier
http://deusnaminhafamilia.blogspot.com/2011/07/o-modo-de-proceder-de-deus-e-pedagogia.html

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Catequistas em Formação no Facebook

 CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO está no facebook também:

http://www.facebook.com/groups/catequistasemformacao


Formação para catequistas, conteúdo e material pedagógico catequético.
Participe!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

METODOLOGIA CATEQUETICA: Evolução

 Evolução do trabalho pedagógico e metodológico da catequese no século XX e XXI

Início do século: a catequese era conceitual e mnemônica, com o método da assimilação de conteúdos. O objetivo era memorizar as formulações da fé cristã.
Os avanços das ciências da educação começaram a se inquietar com esse método.

Em 1928, surge na Alemanha a Catequese ativa, fruto do trabalho do 2º Congresso Internacional de Munique. O método disseminado por Munique tinha como base: “Apresentação, exposição e aplicação”. Que foi enriquecido pela Escola Ativa de Maria de Montessori e outros, passando a ter como base: “Apresentação, exposição, atividade e aplicação”. No entanto este método ainda priorizava o desenvolvimento das capacidades intelectuais da pessoa, sem levar em conta as dimensões humanas como as afetivas, comunicativas ou vivenciais.

Nas décadas de 40 a 50, a Teologia Kerigmática de Jungmann e seu manual “Catequética”, foram decisivos para os conteúdos da catequese. Esta teoria tinha um cunho mais evangelizador do que doutrinário.

Em 1960, o Congresso Internacional de Eichstatt na Alemanha, oficializa o método da Catequese Querigmática, que se preocupa em como a mensagem cristã pode ser assimilada pelo crente.

O Concílio Vaticano II, de 1965, enfim propõe novo estilo para a pedagogia da fé sem, no entanto, publicar um documento específico para a catequese. Fica apenas a orientação de que se crie um diretório para a catequese, publicado pela Congregação para o Clero em 1971.
Esta nova pedagogia da fé é discutida na Conferência Episcopal de Medellín, 1968, onde aconteceu a 6ª Semana Internacional de Catequese, cuja idéia fundamental foi propor conteúdos e métodos orientados para a conversão da pessoa. Nascia aí a Catequese Antropológica, preocupada com a pessoa nas diferentes etapas de sua vida.

Além de Medellín é interessante mencionar as várias Semanas Catequéticas Internacionais que impulsionaram a catequese mundial:
Nimega, Holanda – 1959: “Missão e Liturgia”; Eichstatt, Alemanha – 1960: “Missão e Catequese”; Katigondo, África – 1964: “mensagem cristã para a África” e, Manila, Filipinas – 1967.

Mas, sem dúvida alguma, foi após o Concílio Vaticano II (1962-1965), que a Igreja produziu mais documentos sobre catequese. Citamos entre outros, por exemplo:

- Diretório Catequético Geral (Congregação para o Clero, 1971)
- Catechesi Tradendae (João Paulo II, 1980), 
- Catequese Renovada, Orientações e Conteúdo (CNBB, 1983)
- Catecismo da Igreja Católica (João Paulo II, 1992/1997),
- Diretório Geral para a Catequese (Congregação para o Clero, 1997),
- Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (2005)
- Diretório Nacional de Catequese (CNBB, 2005).

Inclui-se aqui, ainda que seja especificamente de cunho litúrgico:
- Ritual de Iniciação Cristã dos Adultos – RICA (1972); que veio ajudar no cumprimento da recomendação do Concílio quanto à retomada na catequese, de modo atualizado, do modelo catequético do Catecumenato, da época dos Santos Padres.

E é preciso acrescentar, também, o capítulo sobre Catequese nas Conferências Episcopais latino-americanas, especialmente as de Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007). E, sem dúvida, foi e é imprescindível para a renovação da catequese o Sínodo sobre Evangelização, em 1974, do qual brotou a Exortação Apostólica, Evangelii Nuntiandi  de  Paulo VI (1975).

No Brasil, a CNBB, além do documento Catequese Renovada: orientações e conteúdo (1983), produziu uma série de estudos que são de grande valor para esclarecimentos e para pistas de organização da catequese.
Assim, na série Estudos da CNBB, encontramos, por exemplo:
- N° 53 - Textos e Manuais de Catequese;
- N° 55 - Primeira Semana Brasileira de Cateques (SBC);
- N° 59 - Formação de Catequistas: critérios pastorais;
- N° 61 - Orientações para a Catequese da Crisma;
- N° 73 - Catequese para um mundo em mudança;
- N° 78 - O hoje de Deus em nosso chão;
- N° 80 - Com adultos, catequese adulta;
- N° 82 - O itinerário da fé na iniciação cristã de adultos;
- N° 84 - Segunda Semana Brasileira de Catequese (2 SBC);
- N° 86 - Crescer na Leitura da Bíblia;
- Nº 91 - Ouvir e proclamar a palavra: seguir Jesus no caminho - a catequese sob a inspiração da Dei Verbum;
- Nº 93 - Evangelização da juventude. Desafios e perspectivas pastorais;
- Nº 94 - Catequistas para a Catequese com adultos: Processo formativo;
- Nº 95 - Ministério do Catequista;
- Nº 96 - Deixai-vos reconciliar: Seminário Nacional sobre a reconciliação;
- Nº 97 – Iniciação á Vida Cristã, um processo de inspiração catecumenal.

E há, ainda, o caderno Ler a Bíblia com a Igreja hoje, da coleção do Projeto da CNBB “Queremos Ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida”.
E também o livro da Terceira Semana Brasileira de Catequese, sobre Iniciação à Vida Cristã, de 2010.

Vamos falar um pouco de metodologia?

“Os métodos deverão ser adaptados à idade, à cultura, à capacidade das pessoas, tratando de fixar sempre à memória, a inteligência e ao coração as verdades essenciais que deverão impregnar a vida inteira.” (Evangelii Nutiandi, 44).
Exortação Apostólica do Papa Paulo VI, ao Episcopado, ao Clero, aos Fiéis de toda a Igreja, sobre a Evangelização no mundo contemporâneo, de 1975.
“Desde o ensinamento oral dos apóstolos às cartas que circulam entre as Igrejas e até os meios mais modernos, a catequese não cessou de buscar os métodos e meios mais apropriados para sua missão.” (Catequesi Tradendae, 46).
Exortação Apostólica pós-sinodal, do Papa João Paulo II, de 16 de outubro de 1979, "Sobre a catequese do nosso tempo".
"A catequese é um processo dinâmico, gradual e progressivo de educação na fé." (Puebla, 984).
A Conferencia de Puebla, México, foi a Terceira Conferencia Geral do Episcopado latino americano, foi aberta em 28 de Janeiro de 1979, e presidida pessoalmente pelo Santo Padre João Paulo II.
Estas palavras dão a dimensão exata de que, os métodos pedagógicos são fundamentais à catequese: não há educação da fé sem metodologia que a sustente. A enorme variedade de situações humanas, os diferentes meios, as variáveis de tempo e lugar, obriga a catequese a buscar uma metodologia diferente, porém nunca definitiva nem absoluta; ela brota das condições que favorecem ou retardam o encontro e a resposta entre Deus e a pessoa.O catequista deve assumir as atitudes pedagógicas que acentuem os valores que quer transmitir. Sem isso, o ato catequético perde seu valor educativo. O caráter de testemunho no catequista é a condição essencial da evangelização.
"O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos próprios olhos, o que contemplamos, o que tocaram nossas mãos... vô-lo anunciamos." 
(1Jo 1,1).