CONHEÇA!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O aniversário do Meu Pai...

O Natal sempre foi uma época mágica para mim. Claro, além de ser o dia de Jesus,  também tem um outro motivo. 

Essa magia vem da minha infância. Quando eu era criança não havia presépio, árvore de natal, ceias fartas, mas, havia Natal! Para mim o dia 25 de dezembro era o dia do meu Pai. Não era o menino Jesus que eu esperava com ansiedade. Era o dia do aniversário do meu pai. Natalino era o nome dele.

Nesse dia tão especial, quando nossas condições permitiam, ele matava um cabrito, minha mãe fazia maionese, macarrão e tinha bolacha de sobremesa. E o almoço do dia 25 de dezembro era muito especial. No dia anterior, já bem de noite, meu pai aparecia com um saco cheio de brinquedos pra nós. Éramos dez filhos e, às vezes, era um brinquedo para cada dois filhos (ou então ele havia esquecido alguém, não sei). Eram coisas muito simples. Se naquela época existissem as lojas de 1,99, com certeza, era lá que ele teria comprado os brinquedos. E a minha mãe costurava roupas novas para a gente.

Às vezes passávamos o ano inteiro comendo frango só no dia de domingo, mas, no natal havia um monte de coisa. Era festa! E como ele era alegre, brincalhão, sorridente. Posso escutar sua risada até hoje, ecoando em meus ouvidos. Posso ver seu rosto nitidamente como se fosse hoje. E já fazem quase quarenta anos que eu não o vejo.

Ah! Mas, o natal não ficou triste para nós depois que ele se foi. Nunca ficamos tristes, sempre comemoramos o nascimento de meu pai, mesmo sem ele estar presente. Minha família é assim.  Já não tenho mais dois dos meus irmãos e os oito que restam, já não se encontram mais com tanta freqüência. Mas mesmo assim, quem pode, se reúne no natal. Agora tem árvore de natal, tem presépio, tem ceia farta, tem presente para todo mundo, mas não é mais tão bom como era antes.

Lembro que numa cerimônia do Lava-pés com minhas crianças, lembrei-me de algo também muito especial relacionado ao meu pai. Ele costumava ficar fora trabalhando vários dias, mas quando voltava, sentava-se em uma cadeira e pedia para que a gente tirasse suas botinas e lavasse seus pés. Naquela época, banho era uma coisa difícil, não havia água encanada e a casinha de banho era lá fora, precisava esquentar água no fogão a lenha, não havia chuveiro elétrico. Tudo bem mais difícil e complicado.

O lava-pés do meu pai era um ritual disputado pelas crianças mais novas. Brigávamos para fazer isso. Ainda me lembro como era uma honra ser chamada por ele para lavar-lhe os pés. Ele trabalhava para as serrarias cortando árvores e seu cheiro era sempre de madeira: canela, imbuia, pinheiro. Posso sentir ainda hoje esse cheiro. Claro que com o passar dos anos, as crianças já não achavam tão bom lavar os pés do pai e a gente fugia para não ter que fazer isso. Quando ele morreu, eu tinha doze anos e já não gostava tanto disso. Achava aquilo um “mico”, como diriam meus filhos.

Quando fiz a cerimônia do Lava-pés com as minhas crianças da catequese, contei-lhes essa lembrança da minha infância. Tive que me segurar para não chorar, ao lavar os pés deles, parecia que eu lavava os pés do meu pai. Ah, como eu gostaria de estar fazendo isso até hoje!

E o Natal, além de ser o nascimento do nosso Salvador, é a ocasião em que recordo meu pai, a magia de ter uma família e o ficar juntos. Hoje tenho a minha família e os meus filhos e só espero que eles levem para os filhos deles, também essa magia. E não fico de forma alguma triste! É uma lembrança muito bonita a que eu tenho. É proibido ficar triste no natal! Afinal, é o aniversário do meu Pai!

Ângela Rocha 
Catequista

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

RECUPERE O SENTIDO DA CEIA DE NATAL


* Içami Tiba

Nós, seres humanos, somos gregários. Gostamos de viver em bandos, no meio das pessoas. Somos instintivos, com dois instintos básicos: de sobrevivência e de perpetuação da espécie, e afetivos, resultado de uma apuração das emoções básicas de relacionamento. 

Viver todos queremos. É nosso instinto de vida. Amar todos amamos. É a nossa qualidade de vida afetiva proporcionada pela nossa inteligência que nos destaca dos outros seres vivos. Assim vivemos e assim amamos. Assim construímos a civilização, característica da humanidade. 

Não existiríamos hoje se nossos ancestrais não conseguissem sobreviver nas cavernas. Nenhum homem ou mulher, que vivesse absolutamente solitário, teria perpetuado a espécie humana.

Nós, humanos, nascemos de reprodução sexuada. Da formação do zigoto (ovo, célula ovo) formado pela fusão de dois gametas, o masculino e o feminino. Portanto, um ser humano totalmente solitário não teria como deixar descendentes. Com ele morreria também a sua espécie. Pelos estudos antropológicos, hoje sabemos que nossos ancestrais da caverna podiam nem ter família própria, mas tinham os seus bandos para sobrevivência.

Cada humano sozinho seria alimento fácil a qualquer fera de qualquer ambiente dotada naturalmente de garras e dentes, velocidade e força física. Não existiriam os adultos nas cavernas se eles não tivessem recebido proteção de outros adultos do bando quando eram criancinhas ainda totalmente indefesas e tenrinhas.

Pelos estudos, sabemos que os homens das cavernas, viviam em bandos. E quando traziam uma caça para o grupo, imagino eu, que deveriam acontecer as comilanças festivas. Ou comiam ou perdiam porque não sabiam como conservar alimentos. Festiva porque era uma alegria de mais um dia (ou mais) poderem viver e passar os saberes de um para outro.

Hoje, nosso menor grupo de sobrevivência é a família, cuja vida começa quando chega o primeiro filho. O final de uma unidade de vida (trabalho, escola, promoções, acontecimentos sociais), tem que ser avaliado, não só do ponto de vista de resultados, mas também do compartilhar das emoções, sensações e afetos envolvidos, do saber a passar para o outro. 

Uma refeição familiar deveria ser mais que uma comilança. É uma excelente oportunidade para alimentar também os relacionamentos, acompanhar a empreitada de cada um, estimular quem está desanimando, acolher num abraço apertado quem está exagerando, ajudar quem está necessitado, para alguém precisado ou carente se manifestar, para um feedback que venha do coração e não da crítica.

Hoje não só a família está ficando menor, cada um se isolando mais dentro dela, como trazendo rapidamente um mundo para dentro de si, pelo virtual, pelas relações distanciadas.

Nada como uma Ceia de Natal, quando a maioria dos humanos comemora, para reunirmos a grande família. Para todos atualizarem tudo, regada a presentes, carinho e afeto. Hoje, sabemos o quanto é importante o networking, isto é, a rede de relacionamentos dos conhecimentos e dos afetos. 

Comecemos no dia-a-dia dentro da própria família, para ampliarmos à grande família e chegarmos ao social, o qual mantemos numa sociedade sem saber nem agradecer o que para quem, e ajudar nossos irmãos sociais mais necessitados. 

O que é impossível de se fazer todos os dias, que façamos pelo menos na Ceia de Natal.
 

 (* psiquiatra, educador e conferencista)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

ASPECTOS CENTRAIS DA FORMAÇÃO DE CRIANÇAS NA CATEQUESE

Muita gente me pergunta no grupo de formação para catequistas, o QUE colocar na catequese de crianças, QUAIS conteúdos abordar e qual o roteiro ou itinerário ideal. Normalmente referindo-se aos conteúdos que devem ser abordados durante o tempo em que as crianças frequentam os encontros de preparação para a Eucaristia ou Crisma. E não é uma pergunta muito fácil de responder em se tratando de um país continental como o nosso.

O que acontece é que cabe a cada "Igreja Particular" (Diocese ou Arquidioceses) estabelecer os rumos da catequese por meio de diretórios ou orientações. E temos em nosso país, 17 Regionais que congregam em suas divisões espaciais, mais de 270 circunscrições eclesiásticas, entre arquidioceses, dioceses, eparquias e prelazias. Um fato que vale uma referência é que, mesmo a maioria TENDO um diretório ou orientações a respeito, elas são praticamente DESCONHECIDAS dos catequistas de base. Quando pergunto, ninguém sabe, ninguém viu. E lá vamos nós, colocar na catequese aquilo que "alguém" acha que deve ou, na maioria das vezes, o que o próprio catequista, sem qualquer tipo de formação, "acha" que deve.

Pior ainda é tentar sugerir um "Itinerário" para a catequese de crianças, já que temos, dentro de um mesmo país, uma Igreja que possuiu diferentes tempos, idades e referências para uma mesma catequese. Encontramos desde 7 anos de preparação para sacramentos, até menos de 2 em alguns lugares. E falo "preparação aos sacramentos" porque é exatamente isso que nossa catequese faz, com raras exceções. A verdadeira "iniciação à vida cristã", sem a preocupação com o sacramento-fim, é uma coisa bem rara. E quanto à idade de início, temos desde os 3 anos até 10,11. Em alguns lugares a crisma encerra a catequese aos 12/13 anos, em outros inicia aos 15/16. Complicado então, responder aos vários questionamentos de vocês sobre "o que devo dar de conteúdo para minhas crianças?".

Mas, vamos aqui tentar simplificar um pouco as coisas. Primeiro que nós temos as orientações do DGC (128 -130) e também DNC (130), que estabelece em linhas gerais os "pilares" da catequese. Você pode ver isso em nossas publicações antigas aqui e no blog:


ou ainda:


Continuando... Vejamos ainda, em que as nossas crianças devem ser "educadas" ou preparadas:

Primeiro a catequese deve EDUCAR para a ORAÇÃO. E esta oração deve ser PESSOAL, COMUNITÁRIA e LITÚRGICA.

- Como PESSOAL, ela deve ensinar a falar com Deus, a ver em Deus um Pai, em Jesus um amigo. E aí, além da oração que cada um pode e deve fazer, vem as orações tradicionais: Santo Anjo, Ave Maria, Pai Nosso.
- Como COMUNITÁRIA, vem a oração com a comunidade: Profissão de fé, Via sacra, Adoração, Terço, momentos fortes do ano litúrgico (Quaresma, Natal), novenas, procissões.
- Como LITÚRGICA, vem a participação na missa, nas celebrações eucarísticas e da Palavra.

Em segundo lugar temos o ACOLHIMENTO NA COMUNIDADE. Fazer com que a criança sinta-se "parte" da comunidade orientando e incentivando a participação em: corais, grupos de canto, coroinhas, acólitos, Infância Missionária, etc.

Em terceiro lugar vem a CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA. Desde pequenos eles podem ser "discípulos", falar ao outro sobre sua fé, espalhar a Palavra e a boa nova. Para isso, o catequizando precisa entender a sua responsabilidade como batizado. Uma excelente catequese sobre o batismo é prioritária e precisa ser feita sempre, guardando as devidas idades e capacidade de discernimento.

Em quarto lugar temos a INICIAÇÃO AO CORRETO USO DA SAGRADA ESCRITURA. E daí vem o conhecer a Bíblia, manusear a Bíblia e entender a Palavra. Aqui uma leitura orante da Palavra, ADAPTADA ás crianças e jovens é muito frutífera.

E tudo isso precisa ser feito CUIDANDO DA APRESENTAÇÃO DOS CONTEÚDO, com adaptação da linguagem e simplificação de conceitos. No entanto, esta simplificação precisa de qualidade teológica. E para entender isso o catequista precisa de boa formação e criatividade. Uma mera infantilização em nome da "mentalidade infantil" é um erro teológico grave que pode causar uma crise de fé no futuro. Assim como o excesso de "regras" e "normas" pode levar a uma compreensão equivocada da religião.

A catequese, como ação básica da Igreja, estende-se pela vida afora. É preciso respeitar o "tempo" de cada um, principalmente das crianças, sem querer "despejar" nelas crianças todo o conteúdo doutrinário da nossa Igreja, que só um adulto é capaz de entender.

Fiquemos atentos então para o que diz o item 233 do DNC:

"233. A catequese é um ato essencialmente eclesial. Não é uma ação particular. A Igreja se edifica a partir da pregação do Evangelho, da catequese e da liturgia, tendo como centro a celebração da Eucaristia. A catequese é um processo formativo, sistemático, progressivo e permanente de educação da fé. Promove a iniciação à vida comunitária, à liturgia e ao compromisso pessoal e com o Evangelho. Mas prossegue pela vida inteira, aprofundando essa opção e fazendo crescer no conhecimento, na participação e na ação."

Não queria, portanto, que a criança "aprenda" tudo de uma vez. Lembre que você a está "iniciando" na fé, junto com a iniciação que a família e a comunidade também proporcionam. Devagar com o andor. O sacramento nunca é o "fim", ele é um rito de passagem que marca etapas vencidas e o começo de uma nova vida a cada uma das nossas crianças que, fortalecidos, se tornarão os discípulos de amanhã.

Catequista

FELIZ NATAL!!

domingo, 20 de dezembro de 2015

TOQUES DE LUZ


E porque é Natal... e a gente costuma pensar coisas bonitas no  Natal.. lembrei dos “toques de luz do Senhor”... E tantas pessoas em minha vida que são toques da luz de Deus.

E entre essas pessoas, um destaque especial aqui para este Grupo: Catequistas em Formação. Um grupo de amigos, de pessoas especiais que dedicam suas vidas a difundir o projeto de Jesus. E que tem se mantido forte, e cada vez maior com a passagem do tempo. E nosso grupo, neste natal, já tem quase os mesmos números que a vinda de Jesus! Ah! Este é um “toque da luz de Deus” muito especial mesmo!

E nós devemos aproveitar, sábia e amorosamente, os toques de graça que vêm ao nosso encontro. Antecipando festas, celebrações e passagens constantes em nossa vida! Celebrando, sobretudo, estes nossos encontros proporcionados pela tecnologia. Esses momentos, acompanhados de expectativa, doçura, música, felicitações, presenças, presentes e agrados são, de certa forma, toques da luz de Deus, toques de amor dos familiares e amigos que nos impulsionam a seguir em frente com mais clareza e a certeza de que fazemos parte de uma grande família.

Estes toques de graça pedem parada, reflexão, revisão, reconsideração e redirecionamento em algumas dimensões de nossa vida! E agradecimento! Por nos proporcionar um encontro diário com outras pessoas, com irmãos de caminhada, com gente que tem os mesmos projetos, as mesmas aspirações. Que faz do nosso dia, um dia melhor com um simples “Bom dia”!

São passagens de misericórdia divina, são toques de luz do Redentor. Somos melhores e somos perdoados por nossas falhas, na medida em que perdoamos o outro e os aceitamos também. Na medida em que somos amigos e fazemos amigos nesta caminhada.

E espero que este “toque” nos mude! Que possamos adquirir a arte e a virtude de caminhar para a simplicidade, o desapego e o real sentido das situações que vivemos e passamos. Sejam elas boas ou não. Que a cada dia das nossas vidas, possamos aprender a ser melhores do que fomos ontem. Eu, quero sempre ter a humildade de admitir que não sei tudo, que erro, caio e me levanto, tantas vezes quanto for necessário nessa caminhada, e que preciso de vocês para isso

E um dia, sabendo que terei que deixar tudo o que recebi de presente, depois da definitiva passagem, quero que permaneça entre as pessoas que amei, a lembrança do que fui e o legado do bem que construí, resultado de minhas interações com a humanidade e o mundo. E que meus erros, por enormes que sejam, tornem-se pequenos diante do amor que dediquei a cada um. Que eu possa criar condições para que a Luz de Cristo resplandeça em mim, ilumine meus pensamentos, clareie meus caminhos e me aponte direções! Sempre! Que o toque de luz do Senhor, me faça luz também!

Que as passagens de ano em minha vida e as tantas outras “passagens” e experiências que eu viver, sejam agraciadas pela fé, aquecidas pelo amor, purificadas pela oração e fortificadas pela esperança.

Que cada passagem de Deus, que cada toque de luz possa chegar também em situações de sofrimento e dor e sejam prenúncios de uma vida nova, a cada ano que passa! E que eu possa, repartir com vocês, meus queridos amigos e amigas, todos os toques de Deus que eu receber!

Que sejamos todos, toques de luz, uns na vida dos outros!

Amém!

Um grande abraço a todos! Deus os abençoe sempre!

Ângela Rocha
Catequista em Formação.

P.S.: E obrigado a Ir. Zuleides M. de Andrade, ASCJ, pelo texto que serviu de inspiração!


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

CELEBRAÇÃO – IV DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

Introdução ao Espírito da Celebração

Neste último domingo de Advento, unimo-nos de coração a Maria que espera o nascimento do seu filho. Através do anúncio do Anjo, sabemos que Deus veio até nós. Vamos recebê-lo para que possa transformar as nossas vidas. Queremos segui-Lo, queremos caminhar pelo Seu caminho para chegar, pela sua paixão e pela sua cruz, à vida nova da sua ressurreição. Unamo-nos à fé e à alegria de Maria, unamo-nos à esperança dos profetas, unamo-nos ao caminho de conversão de João Batista e preparemos o nosso íntimo para celebrar a vinda do Filho de Deus.

As quatro velas da Coroa do Advento que agora acendemos, recordam-nos que o Natal está a chegar.  

♫ Cantemos...



Rito Penitencial

Tal como Maria, que se pôs a caminho ultrapassando a montanha apressadamente, também nós peçamos perdão ao Senhor e ultrapassemos apressadamente os obstáculos da nossa vida em direção ao encontro com Jesus, para que Ele possa exultar de alegria pelo nosso regresso aos seus braços.
- Senhor, que vos dignastes nascer na mais humilde das cidades, tende piedade de nós. Senhor…
- Cristo, que viestes ao mundo para realizar a vontade do Pai, tende piedade de nós. Cristo…
- Senhor, que, tal como a Maria, quereis encher-nos de alegria pela vossa presença no seio da humanidade, tende piedade de nós. Senhor…

Leituras


O Evangelho desta Eucaristia coloca-nos perante duas grandes personagens da História da Salvação: Maria, senhora do “sim”, Mãe de Jesus, Aquele que vem salvar; e Isabel, mãe de João Baptista, que veio preparar os caminhos do Senhor. Em ambas se manifestou a omnipotência de Deus, cujo mistério continua a ecoar neste encontro, a Visitação, em que parecem dialogar não somente as duas mulheres, mas também, de forma silenciosa, os seus filhos. O pôr-se a caminho de Maria é pedido também a nós, se queremos alcançar a paz: na primeira leitura, o profeta apresenta o Messias a Israel. Ele será o pastor universal que salvará o Seu povo e trará a paz a todos quantos, com liberdade, O quiserem seguir. Com o espírito de serviço e disponibilidade de Maria e Isabel, escutemos a Palavra de Deus.

EVANGELHO – Lc 1,39-47

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas:

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: “ Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor”. Palavra da Salvação.

Reflexão

Nestes últimos dias antes do Natal, a mensagem fundamental da Palavra de Deus gira à volta da definição da missão de Jesus: propor um projeto de salvação e de libertação que leve os homens à descoberta da verdadeira felicidade. O Evangelho sugere que esse projeto de Deus tem um rosto: Jesus de Nazaré veio ao encontro dos homens para apresentar aos prisioneiros e aos que jazem na escravidão uma proposta de vida e de liberdade. Ele propõe um mundo novo, onde os marginalizados e oprimidos têm lugar e onde os que sofrem encontram a dignidade e a felicidade. Este é um anúncio de alegria e de salvação, que faz rejubilar todos os que reconhecem em Jesus a proposta libertadora que Deus lhes faz. Essa proposta chega, tantas vezes, através dos limites e da fragilidade dos “instrumentos” humanos de Deus; mas é sempre uma proposta que tem o selo e a força de Deus.

Ação de Graças

Morria a noite…
Um murmúrio sorria de boca em boca:
O mensageiro! O mensageiro! Aí vem o Mensageiro!
Inclinei a cabeça e perguntei: vem já?
De todas as partes parece que estalava o Sim da resposta.
O meu pensamento, atormentado, dizia:
Não tenho ainda pronta a cúpula do meu palácio, nada está completo…
Veio uma voz do Céu:
Derruba o teu palácio.
Porquê? – perguntou o meu pensamento.
Porque Ele está mesmo mesmo a chegar e o teu palácio estorva a passagem!

Fonte:
Portal Dehoniano

Catequese Rendufinho – PT.

ABREM-SE AS PORTAS DA MISERICÓRIDA


No dia 8 de dezembro (2015), o Papa Francisco abriu solenemente a Porta Santa – a Porta da Misericórdia em Roma. Com esta cerimônia inicia-se oficialmente o Ano Santo da Misericórdia (8/12/2015 – 20/11/2016). O gesto simbólico da abertura da porta é muito profundo. Em todas as catedrais do mundo, santuários e outras igrejas designadas pelo Bispo diocesano aconteceu a mesma ação litúrgica.

Eis alguns significados da Porta Santa.

Primeiro, Jesus é a porta (cf. Jo 10,7). Passar por esta porta significa mudar de vida, buscar uma conversão mais profunda, crescer na santificação, prosseguir na cristificação de todo o nosso ser. Jesus com o coração transpassado na cruz, abriu a porta da salvação para todos e derrubou as muralhas da inimizade. Trouxe a paz ao mundo. Ele mesmo está à porta do nosso coração e bate (cf. Apoc. 3,26).

Segundo, somos convidados e interpelados a abrir a porta dos nossos corações a Cristo e aos irmãos. Ter o coração aberto para amar e servir significa estar aberto à mística e à missão, à contemplação interior e à transformação da realidade.

Terceiro, a porta do perdão. O Ano Santo da Misericórdia é antes de tudo um apelo à reconciliação. Perdoar é um “imperativo do Ano Santo” (Papa Francisco). Perdoar sempre, logo, de todo coração e com alegria.

Quarto, a porta do diálogo. Comunicar-se, relacionar-se, acolher, saber ouvir, entrar em comunhão são modalidades de diálogo interpessoal e social. O Papa pede a “cultura do diálogo”.

Quinto, a porta das casas. Quantas portas blindadas, trancadas, fechadas, cerradas. Quanto medo, isolamento, separação, distância que precisam ser superadas. É necessário abrir as portas da hospitalidade, das fronteiras, dos condomínios, dos edifícios para ver o lado de fora e ir ao encontro do irmão.

Sexto, as portas dos hospitais, dos presídios, das repartições públicas, das secretarias paroquiais, como também a portaria dos edifícios, precisam ser mais abertas para as pessoas entrar e sair. Quando fechamos as portas da frente, as portas de trás correm perigo de serem arrombadas.

Sétimo, as portas da justiça. Através das sete obras de misericórdia corporais e espirituais
abrem-se as portas da justiça. A sete obras de misericórdia corporais são: dar de comer, de beber, de vestir o nu, acolher o forasteiro, assistir os presos, visitar os doentes, sepultar os mortos. As obras espirituais são: dar bom conselho, ensinar os analfabetos, corrigir os que erram, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar os defeitos, rezar pelos vivos e mortos.

Oitavo, as portas das Igrejas são as portas dos templos e das secretarias paroquiais, mas, principalmente o acolhimento, a boa recepção, a gentileza, o atendimento dos fiéis. Nossos rigidismos, legalismos e moralismos fecham as portas aos sacramentos, à participação na vida da Igreja, à partilha dos bens.

Nono, a porta da fé (cf. Atos 14,27). Esta é a “porta das portas” que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na Igreja, isto é, a porta do batismo. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira.

Décimo, referindo-se à “Grande Porta da Misericórdia”, O Papa Francisco convida-nos a ter coragem para passar por esta porta porque temos dentro de nós coisas que pesam. Por outro lado, todos que têm incumbência da “gestão da porta” como os recepcionistas, os telefonistas, os guardiões, os ascensoristas: tenham paciência, bondade e gentileza com todos. Isso vale em primeiro lugar para nossas secretarias paroquiais. Ser porteira(o) não é ser patroa, nem patrão, mas recepcionista. Hóspede vem, Cristo vem; ensinava São Bento.

Abrir as portas das estruturas humanas e eclesiásticas é uma urgência, diz o Papa. Lembremos que Deus, em sua misericórdia, não se cansa de nos acolher de braços
abertos, pois a porta do seu coração está sempre aberta.

Por fim, Jesus nos convida a entrar no quarto, fechar a porta, para rezar ao Pai. Na oração silenciosa, com as portas fechadas, abrem-se as portas da nossa mente, nosso coração, ou seja, as portas da esperança.

D. Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina –Paraná.

sábado, 12 de dezembro de 2015

DOMINGO DA ALEGRIA: CELEBRAÇÃO

CELEBRAÇÃO CATEQUÉTICA PARA O 3ª DOMINGO DO ADVENTO


 Rosa: esta é a cor dos paramentos e da vela do terceiro domingo do Advento, "Domingo Gaudete".

Espírito da Celebração

Entramos hoje na segunda metade do Tempo de Advento, palavra que significa “vinda” ou “chegada” de uma pessoa importante. Podia ser, por exemplo, o imperador que, depois de uma grande viagem, regressava a casa em triunfo. Para nós, significa a vinda de Jesus na humildade de um menino. É por ele que esperamos. Neste “Domingo da alegria”, conjugamos o verbo partilhar. Como cristãos, devemos, antes de mais nada, testemunhar a alegria de sermos todos filhos de Deus. O Advento torna-se, assim, um tempo em que manifestamos saudades do futuro. É que o Natal não é quando o Homem quer. É quando Deus quer!

Vivemos este Domingo com a especial marca da alegria. A verdade da alegria que nos habita e nos brota do coração, faz-nos assumir, no dinamismo do testemunho alegre, um espírito de abertura para com todos à nossa volta. Dando continuidade à construção do nosso presépio, colocamos sobre o musgo as acostumadas “figuras populares” significando assim o necessário contágio e a transmissão da alegria.

3ª Vela do Advento

Vamos iniciar nossa celebração, acendendo a 2ª vela do Advento, cantando... (anexo).

Rito Penitencial

Tal como as multidões do Evangelho, reconheçamos a necessidade de mudar a nossa vida e perguntemos ao Senhor, como elas a João Batista, aquilo que devemos fazer. Reconheçamos as nossas faltas e peçamos-lhe perdão para recomeçar um novo caminho. Confessemos os nossos pecados:

Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos e irmãs, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa. E peço à Virgem Maria, aos anjos e santos e a vós, irmãos e irmãs, que rogueis por mim a Deus, Nosso Senhor.

Leitura

O tema deste 3º Domingo gira à volta da pergunta: “e nós, que devemos fazer? ” Preparar o “caminho” por onde o Senhor vem, significa questionar os nossos limites, o nosso egoísmo e comodismo e operar uma verdadeira transformação da nossa vida no sentido de Deus.

Evangelho – Lc 3,10-18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas:
Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Batista: “Que devemos fazer? ” Ele respondia-lhes: “Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo. ” Vieram também alguns publicanos para serem batizados e disseram: “Mestre, que devemos fazer? ” João respondeu-lhes: “Não exijais nada além do que vos foi prescrito”. Perguntavam-lhe também os soldados: “E nós, que devemos fazer? ” Ele respondeu-lhes: “Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo”. Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: “Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga”. Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova. Palavra da Salvação. Glória a vós Senhor!

Oração Universal

Irmãs e irmãos caríssimos: fiéis à recomendação de São Paulo de não nos inquietarmos com coisa alguma, mas de erguermos para Deus as nossas mãos, peçamos confiadamente:
R. Atendei-nos, porque é eterna a vossa misericórdia.

1. Neste tempo de esperança e misericórdia, rezemos pela Igreja Universal: transpareça, em todos os seus membros, a alegria do Evangelho. Oremos.
2. Neste tempo de esperança e misericórdia, rezemos pelas pessoas do poder e da riqueza: não pratiquem violência com ninguém, sejam justos e repartam com os pobres. Oremos.
3. Neste tempo de esperança e misericórdia, rezemos por todos os cristãos: disponham-se a um verdadeiro encontro com Jesus e deem um testemunho alegre da sua fé. Oremos.
4. Neste tempo de esperança e misericórdia, rezemos pelos que sofrem e andam desanimados: encontrem corações que os acolham e mãos amigas que se lhes estendam. Oremos.
5. Neste tempo de esperança e misericórdia, rezemos por todos nós aqui presentes: batizados no Espírito Santo e no fogo, sejamos trigo que Deus recolhe no seu celeiro. Oremos.

Deus, Pai de misericórdia, que encheis os nossos corações de santa alegria, ouvi as nossas preces e ensinai-nos a matar a sede nas fontes da vossa salvação. Por Cristo, Senhor nosso.

Ação de Graças

Pai Nosso, alegria dos corações simples, vinde salvar-nos do desânimo, vinde confirmar-nos perante a desilusão, vinde dar coragem aos perturbados, vinde desatar a nossa língua para o louvor.
Por vezes, ó Deus anunciado por Jesus, fico hesitante e quase assustado: quando vejo o ímpeto da violência e Tu cheio de amor compassivo; quando deparo com a enorme ineficácia dos cristãos e Tu a querer transformá-los por dentro!
Será que devemos esperar outro para nos salvar e libertar, para nos oferecer a felicidade?
Ó Pai Nosso e Senhor da alegria, queres que exponha ao teu Jesus as minhas questões, porque Ele foi capaz de fazer do Teu sonho uma realidade. Aceito o teu plano de felicidade para o mundo e redobro o desejo de transformação, do individualismo em solidariedade, das hesitações em robustez de valores, do medo em confiança no futuro.

Rezemos juntos a Oração do Advento:

Senhor, estou te esperando… Com uma mistura de esperança, impaciência, inquietude e entusiasmo, mas ao mesmo tempo misturados com certo medo de que tudo continue igual, de que nada mude na minha vida.
Continuo precisando te encontrar, descobrir onde moras, em que lugar te escondes, onde buscar-te quando te perco. Mas ao mesmo tempo sei que tu me buscas em todo momento, que buscas mil maneiras de vir ao meu encontro.
Dá-me teus olhos para poder ver-te, dá-me ouvidos de discípulo, para poder escutar-te e seguir-te. Dá-me um coração de criança para continuar admirando teus caminhos, teu jeito, teus tempos, tuas revelações… Dá-me um coração simples para poder receber-te.
Escolheste um lugar pobre, retirado, humilde e escuro para nascer. Sei que agora queres
nascer no meu coração.  Ajuda-me a ser dócil para deixar que Tu me transformes!

Amém!


Fonte: 
Adaptado de:


ANEXO:

CANTO: ♫ A Coroa do Advento

1º Domingo
Uma vela, na coroa, acendemos,
Toda sombra se esvai com sua luz;
Vigilantes, o Senhor esperemos:
Chegou o tempo do Advento de Jesus !

Refrão:
Meus irmãos, penitência e oração !
Arrumemos nossa casa co’alegria !
Logo a ela, o Senhor vai chegar,
Pelo ventre imaculado de Maria !

2º  Domingo:
Outra vela, na coroa, acendemos,
Penitentes nos caminhos do Senhor.
Consolando os aflitos, busquemos.
Novos céus e nova terra, com ardor!

3º Domingo:
A terceira vela hoje acendemos
E cantamos: “Alegrai-vos no Senhor!”
No deserto, uma voz escutemos:
Praticai a justiça e o amor!

4º domingo:
Acendemos hoje a última vela,
Pois tão logo o Emanuel vai chegar.
Com Maria, todos juntos, na espera,
“Deus-Conosco”, pro seu Reino implantar!



HOMILIA DO DOMINGO - 3º DOMINGO DE ADVENTO ANO C

“E a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois?...” (Lc 3, 10)

Já estamos no terceiro domingo do Advento. Como no domingo passado é a pessoa de João Batista que quer ajudar-nos a preparar, mais uma vez, para acolher a presença do Senhor.

Profeta, é aquela pessoa que tem uma visão clara da vida e da história, que sabe discernir quais coisas estão bem e quais estão equivocadas, porque olha a todas as cosas com os olhos de Deus.

O profeta, como enviado de Deus, não pode ‘tapar o sol com a peneira’, não pode fazer de conta que não viu nada, não pode ter medo de dizer o que está errado. Seu desejo não é estragar a vida de ninguém, ao contrário, é levar a plenitude, é ajudar a ser melhores, sem máscaras, sem enganos, sem equivocações ...

As vezes isto é uma tarefa um pouco dolorosa. Porém o profeta deve ser maduro, e enfrentar a situação. É como quando encontramos uma pessoa que se espetou com um anzol, tirá-lo é momentaneamente doloroso, mas deixá-lo é mortal.

O profeta, como enviado de Deus, não pode dizer ao corrupto, tranqüilo, não tem problema, existem pecados piores que este. Ou dizer ao que desperdiça seus bens, tiveste sorte de nascer rico ou soubeste ganhar muito, então podes usar como te parece. O profeta não pode bendizer ao que explora os demais, dizendo que o importante é que ele está dando emprego a tanta gente. Ou ao pai ou a mãe de família que não cumpre com sua missão, o profeta não pode dizer que o que conta é que não falte a comida ou os outros bens materiais.... e tantos outros exemplos.

As pessoas perguntavam a João Batista: o que eu devo fazer?, E ele respondia muito concretamente a cada um: “o que tem dois mantos dê um ao que não tem, e quem tem de comer que faça o mesmo”. Vieram também os cobradores de impostos para que João os batizasse. Lhe disseram: ‘Mestre, que temos que fazer?’ Respondeu João: ‘Não cobrem mais do devido.’ A sua vez uns soldados lhe perguntaram : ‘E nós , que devemos fazer?’ João interpelou: ‘Não abusem das pessoas, não façam denuncias falsas, e fiquem contentes com os que lhes pagam.”

Penso que neste domingo cada um de nós deveria apresentar-se diante de João Batista, perguntar-lhe que coisa devo fazer para preparar-me ao encontro com o Senhor?

Estou seguro que através de nossa consciência, ele nos dirá exatamente quais ações e atitudes devemos mudar imediatamente.

Eu sei que não é fácil para ninguém, mudar sua própria vida. Até mesmo reconhecer nossos próprios pecados é um processo muito difícil. É por isso que o caminho de conversão é também chamado caminho de penitencia. Pois a verdadeira penitencia, a mais exigente, não é fazer jejuns, caminhadas e abstinências. A verdadeira penitencia é mudar o coração, é mudar nosso modo de ver, é assumir nossos defeitos e lutar por transformar-los. Por isso, esta penitencia é absolutamente necessária se queremos realmente humanizar-nos, se desejamos crescer na graça de Deus, se aspiramos ser plenamente felizes.

O pecado é o caminho da morte. Sutilmente, ele destrói nossas vidas. Nos ilude com uma aparência de felicidade, mas nos corroe, nos consome, nos escraviza.

Preparar-se para o Natal, é muito mais que enfeitar uma árvore, que enviar cartões, preparar luzes, comprar presentes, limpar toda a casa, mandar fazer novas roupas, visitar aos parentes e amigos, comer bem ... Estas são coisas externas, algumas delas puramente comerciais. Uma boa preparação para o natal, sem duvidas é criar a coragem de perguntar a João Batista, de acordo com nossa condição (cobrador de impostos, soldados, médicos, sacerdotes, marido, esposa, pai, mãe, cristão, trabalhador...) o que devo fazer?. 


O Senhor te abençoe e te guarde,
O Senhor te faça brilhar seu rostro e tenga misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.

Frei Mariosvaldo Florentino, capuchinho

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

AVALIAÇÃO DE CONTEUDO NA CATEQUESE: TEM ISSO?

Muitos catequistas se perguntam se devem fazer (e muitos fazem!), “avaliação” de conteúdos na catequese. Penso que essa é uma ação que não cabe no processo de evangelização. Claro que podemos usar alguns recursos pedagógicos para trabalhar os temas: atividades, dinâmicas, brincadeiras, canto, etc. Na verdade, todos estes recursos, são técnicas ou métodos didáticos para tornar os conteúdos mais atraentes e não uma "avaliação". Da mesma forma, uma ou outra atividade para fixação de conteúdo, pode se fazer necessária, mas, nunca pensando em "corrigir" e apontar erros.

Estou na catequese de crianças há um bom tempo já, normalmente fico com elas na catequese até receberem a primeira Eucaristia. E NUNCA fiz qualquer tipo de avaliação, mesmo porque, se fizesse, ia chegar à conclusão de que elas não “aprenderam” nada... Pois, além de serem apenas crianças e adolescentes o universo da evangelização é de “experiências”, encontros; muito mais do que de “saber” ou reter “conhecimento”.

E essa é a questão na catequese: ela não existe para se "aprender” alguma coisa. E isso o documento Catequese renovada, já apontou em 1983.. A Catequese é “iniciação à vida cristã”. E vida, remete à “vivência” cristã.

Outra coisa também: Até quando a gente vai teimar em conduzir o barco com remos se a gente tem "motores" potentes hoje? Temos "informações"! Temos ajuda das ciências (pedagogia/psicologia). E estas nos ajudam a entender o universo da criança e do adolescente, e como eles “aprendem” e incorporam na sua vida as experiências que vão tendo. 

Mas, muitos catequistas se deparam com um "modelo pronto" já e é comum em suas paróquias avaliar o catequizando, o que ele aprendeu ou não aprendeu. E ficamos com aquele, "sempre foi assim" e acabamos incorporando em nossa prática a tal avaliação. No entanto, isso é meio fora dos propósitos da evangelização. Como se avalia a fé de uma pessoa? Como saber, “decor e salteado", mandamentos e sacramentos, indica que essa pessoa se converteu? Como esse "saber" pode mudar a vida de uma pessoa? Não tem, simplesmente não tem, como a gente saber se o que estamos trabalhando na catequese hoje, vai ou não mudar a vida de uma criança no futuro, portanto, "relax"!


Ao invés de esquentar a cabeça pensando numa "avaliação", vão lá fora, em algum lugar que tenha uma grama bem gostosa pra deitar, e fiquem uma meia hora olhando para o céu azul, brincando de “desenhar” figuras nas nuvens. Olhando e se maravilhando com a criação do Altíssimo. Garanto a vocês que daqui uns 30 anos, seus catequizandos vão "voltar ao passado" e pensar: "Como foi bom estar na catequese!".

O que se pode, e deve fazer sempre, é uma avaliação conjunta, pela equipe de catequese e pelo padre, sobre a eficácia e o alcance da evangelização que está sendo feita pela paróquia. Analisando isso, se está pondo a "prova" a catequese feita por todos nós.


Ângela Rocha - Catequista

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

ESTÁ ABERTA A "PORTA SANTA" DA MISERICÓRDIA!

Que a "porta" do coração de todos os homens e mulheres do mundo se abra para a misericórdia, a paz e a comunhão!


"Hoje, ao cruzar a Porta Santa, queremos também recordar outra porta que, há cinquenta anos, os Padres do Concílio Vaticano II escancararam ao mundo. Esta efeméride não pode lembrar apenas a riqueza dos documentos emanados, que permitem verificar até aos nossos dias o grande progresso que se realizou na fé. Mas o Concílio foi também, e primariamente, um encontro; um verdadeiro encontro entre a Igreja e os homens do nosso tempo. Um encontro marcado pela força do Espírito que impelia a sua Igreja a sair dos baixios que por muitos anos a mantiveram fechada em si mesma, para retomar com entusiasmo o caminho missionário".

(Papa Francisco)



VOCÊ SABE O QUE É UMA "PORTA SANTA"?

O rito inicial do Jubileu da Misericórdia (que será o Ano Santo de 08/12/2015 a 20/11/2016) é a abertura da Porta Santa. Trata-se de uma porta que se abre apenas durante o Ano Santo, enquanto nos outros anos permanece selada. Têm uma Porta Santa as quatro basílicas maiores de Roma: São Pedro, São João de Latrão, São Paulo fora dos Muros e Santa Maria Maior. O rito de abertura expressa simbolicamente o conceito de que, durante o tempo jubilar, se oferece aos fiéis um “caminho extraordinário” para a salvação.

Após a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro, serão abertas sucessivamente as portas das outras basílicas maiores e em vários dioceses do mundo. Descubra se a sua terá uma "Porta Santa".


Catequistas em Formação