CONHEÇA!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

CATEQUESE DO PAPA

                                       A FORÇA DO CRISTÃO É O EVANGELHO
 O Papa Francisco na Praça de São Pedro para a Audiência Geral com cerca de 20 mil pessoas se encontravam ali para ouvir as suas palavras nesta última audiência geral antes da pausa de verão – as audiências serão retomadas no próximo mês de agosto.

Na sua catequese, Francisco falou da esperança cristã como força dos mártires. Partiu do Evangelho de São Mateus em que Jesus dá a entender aos doze apóstolos que os mandava como ovelhas para o meio dos lobos. Recomendou-lhes que fossem prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Sereis odiados por causa de mim – disse-lhes - mas quem tiver perseverado até ao fim será salvo.

Os cristãos amam, mas nem sempre são amados. A profissão da fé acontece, em grau maior ou menor - num clima de hostilidade. E Jesus leva os seus discípulos desde o início a ter isto presente – disse o Papa, que adiantou:

“Os cristãos são, portanto, homens e mulheres “contracorrente”. E isto, a seu ver, é normal, pois que o mundo está marcado pelo pecado que se manifesta em várias formas de egoísmos e injustiças. Quem segue Cristo caminha em direção contrária, fiel à lógica do Reino de Deus que é a lógica da esperança e se traduz no estilo de vida baseado nas indicações de Jesus”.

E a primeira indicação é a pobreza, a humildade, o desapego das riquezas e do poder, mas sobretudo desapego de si próprio. “O cristão caminha pelas vias deste mundo com o essencial para a caminhada, mas com o coração repleto de amor. Sem foices, sem grilhões, sem armas: “como cordeiros no meio de lobos”. “

Nunca fazer uso da  violência. Para derrotar o mal, não se pode adoptar os métodos do mal. A única força do cristão é o Evangelho. Em tempos de dificuldades, é preciso acreditar que Jesus está perante nós, e não cessa de acompanhar os seus discípulos”

O Papa continuou dizendo que a perseguição não está em contradição com o Evangelho, pois que se perseguiram Jesus, como podemos esperar que não o façam também conosco. Mas – recomendou - nunca desesperar, porque Deus vê e, seguramente protege e resgata.

Os cristãos devem, por isso, estar sempre do lado oposto de quem pratica injustiças, oprime os outros, age de forma mafiosa, tece tramas obscuras, faz lucro na pele dos desesperados… Os cristãos não podem ser “perseguidores, mas perseguidos, não arrogantes, mas simples, não vendedores de fumo, mas submetidos à verdade, não impostores, mas honestos. “

Esta fidelidade ao estilo de Jesus” – que é um estilo de esperança – continuou Francisco  - foi designado pelos primeiros cristãos com o belo nome de “martírio” que significa “testemunho”, um nome que perfuma de discipulado. Com efeito, os mártires não vivem, nem aceitam os sofrimentos em nome próprio, mas por fidelidade ao Evangelho.

Mas o martírio – advertiu o Papa – não é o ideal supremo da vida cristã, pois acima dele está a caridade, como aliás recorda São Paulo no hino à caridade:
“Mesmo que eu desse em pasto todos os meus bens e entregasse o meu corpo para me vangloriar, mas não praticasse a caridade, de não serviria.”

Repugna aos cristãos a ideia de que aqueles que provocam atendados suicidas possam ser chamados “mártires”: não há nada nos seus objetivos que possa ser comparado com as atitudes dos filhos de Deus.

O Papa disse ainda que lendo as histórias de tantos mártires de ontem e de hoje – que são mais numerosos do que os mártires dos primeiros tempos – ficamos admirados perante a força com que enfrentaram as provações.

“Esta força é sinal da grande esperança que os animava: a esperança certa de que nada e ninguém os podia separar do amor de Deus que nos foi dada em Jesus Cristo.

E Francisco concluiu pedindo a Deus para nos dar sempre a força de sermos seus testemunhos e nos permita viver na esperança cristã, sobretudo no martírio escondido de fazer bem e com amor os nossos deveres de cada dia. 


DOS CULPADOS ÀS SOLUÇÕES...

Um texto que já publicamos aqui há algum tempo, mas, vale uma nova leitura!

Você se preocupa mais em procurar as soluções ou em procurar os culpados?
Vamos refletir um pouco sobre os tantos problemas que encontramos pelo caminho... ou pelo corredor!

Aqui está um dos segredos fundamentais do coração sábio, que implica uma nova maneira de olhar e agir: Preocupar-se em procurar de maneira mais comprometida as Soluções, do que os Culpados!

Vamos a um exemplo: estou passando e encontro uma bolacha caída no chão do corredor. Quando eu passo, o primeiro pensamento é a pergunta sobre o culpado:
Quem deixou aqui esta bolacha?!
Depois, é possível que, em vez de apanhar a bolacha, eu faça antes uma caminhada até à sala para perguntar:
“Quem deixou cair uma bolacha no corredor?”
Ao ouvir a confissão do culpado, talvez volte atrás e a apanhe, enquanto dou algum “sermão moralista” sobre a importância de não deixar cair bolachas no chão do corredor (como se a pessoa que deixou cair tivesse feito de propósito!...). Aí, ao voltar para apanhar a bolacha, já vou sereno porque já sei quem foi o culpado. Ou, melhor ainda: talvez não a apanhe mesmo, e diga ao “culpado” que ele mesmo vá apanhar. Claro, ele que se torne solução das suas próprias culpas!

Há ainda outras hipóteses. Por exemplo: vejo a bolacha caída, e imediatamente a apanho do chão (claro, acompanhado pelas frases do costume: “é sempre a mesma coisa… blá, blá, blá…”). No entanto, a mente não serena… as soluções para os problemas não nos costumam chegar… só sossegamos quando descobrimos os culpados. Por isso, apesar de me ter tornado solução para o “problema”, ao chegar à sala perguntarei:
Quem deixou cair uma bolacha no chão?”

Uma pergunta que já é totalmente desnecessária e inconsequente, porque a situação já está resolvida e, num grupo de adultos, ninguém deixa uma bolacha no chão de propósito para depois ter que ser “educado” por mim! E você pode pensar em muitos exemplos do seu dia-a-dia… As crianças são mestras neste tipo de imaturidade: “Não fui eu! Se não fui eu o culpado, porque vou ser a solução?”

Mas, se fossem só as crianças…

Tudo pode mudar – tudo vai mudar! – na medida em que você estiver disposto a encontrar sempre as soluções de maneira mais urgente que os culpados. A maior parte das vezes, essa lógica é apenas uma sutil maneira de estarmos sossegados…

Mas, ainda assim, atenção! Porque o sábio não é aquele que sabe as soluções para tudo e tem sempre na manga uma cartada milagrosa. Esses não são sábios mas, algo parecido com fanfarrões, sábio é aquele que se torna solução para as situações em que se sentir capaz de intervir validamente.

Rui Santiago cssr
Centro de Espiritualidade Redentorista - Porto Portugal

segunda-feira, 3 de julho de 2017

APONTAMENTOS Nº 4

"SUPORTAI-VOS UNS AOS OUTROS..."

Muitas vezes tive que ouvir ou ler interpretações estranhas deste apelo que o Apóstolo Paulo faz à comunidade cristã que vivia em Colossos. Dizem que havia problemas e divisões tão graves dentro da comunidade, que Paulo já nem pode dizer-lhes “Amai-vos uns aos outros!”, mas se fica pelo apelo a que todos se aturem o melhor possível.

“Suportai-vos uns aos outros” não significa “Aturai-vos!”, mas antes “Sede o suporte uns dos outros!” É um apelo à comunhão mais profunda, à solidariedade mais consequente, à presença mais fraterna!

As comunidades de discípulos de Jesus devem nascer da escuta do Evangelho proclamado como um grito pascal que abre as pessoas à Esperança, ao desejo de uma Alegria maior e de uma  Liberdade duradoura...


No centro destas comunidades deve estar a experiência de Deus descoberto progressivamente no encontro com o Jesus dos evangelhos, no encontro com os irmãos, no discernimento dos acontecimentos quotidianos e na celebração  da Vida.

Deve tornar-se um espaço de partilha e confidência, suficientemente aberto para que todos se sintam acolhidos e queridos, mas suficientemente íntimo para que todos saibam que o que se partilha no âmbito da comunidade não sai dela.

Na medida em que cada um se disponibiliza à ação do Espírito Santo no seu interior, as riquezas pessoais vão convergindo para o centro da comunhão, o que cria também novas possibilidades de enriquecimento para todos. Os dons pessoais são postos ao serviço e tornam-se carismas.

As relações começam a acontecer numa densidade nova, que ao princípio toda a gente sente que é “diferente” mas ninguém sabe ainda muito bem definir… É a progressiva emergência da Família nos laços do Espírito, uma dinâmica própria da marcha do Reino de Deus entre nós.

Entretanto, o Evangelho de Jesus é anunciado e acolhido verdadeiramente como tal, isto é, como Boa Notícia! Os encontros comunitários tornam-se uma fonte de “oxigênio espiritual” e o sentido de pertença de cada um aos outros vai gerando um “espírito de corpo”. Não há importantes e indiferentes, não há irmãos de primeira nem de segunda. Há temperamentos diferentes e jeitos relacionais próprios, mas todos se reconhecem e amam como iguais.

Então, todos começam a perceber que é fundamental os irmãos suportarem-se uns aos outros. Que cada um seja para outros um suporte, um apoio, um esteio. É isso que significa “Suportai-vos uns aos outros!”

Que ninguém no seio da comunidade se sinta tão só que acabe por cair! Que ninguém fique sem o suporte fraterno que lhe permite manter-se firme na procura  da Verdade que liberta e constrói o Reino.

“Suportai-vos uns aos outros!” significa: “Que ninguém se sinta abandonado entre vós, que ninguém se sinta desapoiado, que ninguém caia na prostração, no medo ou na tristeza por não ter tido suporte, por não ter encontrado quem se disponibiliza a suportá-lo”.

Quem me dera que existissem mais comunidades onde os irmãos se suportassem uns aos outros, ou seja, em que os contextos comunitários fossem acolhedores e fraternos, em vez de serem frios e moralistas. Quem me dera que ninguém tivesse de “aturar” ninguém, mas antes houvesse muitas possibilidades para aprender as artes do amor comunitário inspirado pelo Espírito de Deus.

Olha, hoje sinto que somos mais do que ontem a acreditar que só em contextos comunitários simples e profundos se pode fazer uma caminhada de aprofundamento e descoberta da Verdade libertadora do Amor de Deus por nós.

Sim, somos mais hoje, garanto-te… Se soubermos suportar-nos uns aos outros, não como quem se atura, mas como quem se ama e compadece... Saibamos fazê-lo, porque agora somos mais!

E Deus ainda há pouquinho me segredou que isto está apenas a começar. E bem de mansinho, por sinal... Xiu...



Pe. Rui Santiago

sexta-feira, 30 de junho de 2017

CATEQUESE DO PAPA

A  ESPERANÇA É A FORÇA DOS MÁRTIRES

O papa Francisco dedicou a catequese da audiência geral de hoje ao tema da esperança como força dos mártires.
Os fiéis chegados do mundo todo, receberam o Papa na praça de São Pedro com entusiasmo, gritando com força o seu nome, agitando as mãos e levantando as bandeiras dos seus países. Antes de chegar à praça, o pontífice recebeu uma delegação do sindicato italiano CISL.
No resumo final da audiência em português o Santo Padre disse: “Quando lemos a vida dos mártires, de ontem e de hoje, ficamos maravilhados ao ver a fortaleza com que enfrentam as provações. Esta fortaleza é sinal da grande esperança que os animava: nada e ninguém poderia separá-los do amor de Deus que lhes foi dado em Cristo Jesus”.
“Nos tempos de tribulação, devemos crer que Jesus vai à nossa frente e não cessa de acompanhar os seus discípulos”, disse e precisou que “a perseguição não está em contradição com o Evangelho; antes pelo contrário, faz parte dele: se perseguiram o divino Mestre, como podemos esperar que nos seja poupada a luta?”
Assim, mesmo no meio do turbilhão, o cristão não deve perder a esperança, julgando-se abandonado. Jesus assegura-nos: ‘Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais!’. Como se dissesse: Nenhum dos sofrimentos do homem, nem mesmo os mais íntimos e ocultos, passam despercebidos ou são invisíveis aos olhos de Deus. Deus vê; e, seguramente, protege e resgata-nos do mal”.
“De facto, no nosso meio, há Alguém que é mais forte do que o mal; Alguém que sempre ouve a voz do sangue de Abel que clama da terra. Com esta certeza, os mártires não vivem para si, não combatem para afirmar as próprias ideias e aceitam morrer apenas por fidelidade ao Evangelho”.
“A única forma de vida do cristão é o Evangelho. O martírio não é sequer o ideal supremo da vida cristã, porque, como diz o apóstolo Paulo, acima dele está a caridade, o amor a Deus e ao próximo”.
“Repugna aos cristãos –precisou o Papa– a ideia de que, nos atentados suicidas, aqueles que os fazem se possam chamar ‘mártires’: naquele desfecho final, não há nada que lembre a atitude dos filhos de Deus.
“A lógica evangélica aceita, nos cristãos, a prudência e até a esperteza, mas nunca a violência. Para derrotar o mal, não se podem adotar os métodos do mal”.
O Papa Francisco concluiu: Amados peregrinos vindos do Brasil e doutros países lusófonos, a todos saúdo, agradecido pelo afeto e as orações com que diariamente sustentais o meu ministério de Sucessor de Pedro. À nossa Mãe comum, a Virgem Maria, confio as vossas vidas e famílias, para elas implorando a graça de crescerem na intimidade com o seu divino Filho, fonte da verdadeira vida”.

RADIOVATICANA.VA

quarta-feira, 28 de junho de 2017

CATEQUESE CRISMAL - ITINERÁRIO CATEQUÉTICO


NOSSA MAIS NOVA APOSTILA!

"CATEQUESE CRISMAL"

Itinerário para dois anos de catequese em preparação para crisma: 
60 encontros - 55 páginas.


Baseado no Subsidio Crescer em Comunhão - Vol 4 - Ed. Vozes - Adaptado ao Ano Litúrgico.

Traz ainda:
- Vários sugestões de encontros
- Sugestão de encontro "online" com os catequizandos
- Sugestão de encontros com Pais e padrinhos
- Roteiro de celebrações

Disponibilizada em Arquivo PDF para impressão
Valor R$ 20,00.

➽Para adquirir, envie e-mail para: angprr@gmail.com

segunda-feira, 26 de junho de 2017

COMO DIZER "NÃO" A UM CHAMADO DESTES?

PARÓQUIA SENHOR BOM JESUS DOS PERDÕES
PRAÇA RUI BARBOSA - CURITIBA PR

Os fardos precisam ser divididos...


Na última terça-feira, a coordenadora de catequese da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões, mandou um recadinho no whatsapp: se eu podia ir até lá, no Centro de Pastoral, falar com ela. Como me dispus a ajudar a catequese da paróquia no que fosse preciso, lá fui eu.

A Paróquia Bom Jesus dos Perdões fica na Praça Rui Barbosa, um dos centros mais movimentados de Curitiba por ser, também, terminal de ônibus urbano. No passado, esta praça se chamava Largo da Misericórdia. Um nome bem apropriado para abrigar a Igreja Franciscana de Bom Jesus dos Perdões e a devoção à Santo Antônio com a distribuição de pão aos pobres.

Quando cheguei, entrei pela porta da Rua 24 de maio. A tarde estava bem fria e havia várias pessoas na porta, no corredor e nas escadas. Pela aparência, pedintes, mendigos, moradores de rua. E eu ali na minha “visão de mundo”, fui ficando com medo, protegendo a bolsa, o celular... Ah! Que atitude preconceituosa a minha!

Subindo as escadas, no topo, me deparei com uma cena inusitada: Um homem deitado no corredor, mal embrulhado num cobertor, enregelado de frio. E junto dele, uma outra pessoa trocando suas roupas, tentando reanimá-lo e aquecê-lo. Uma moça providenciando mais blusas, agasalho, meias, sapatos para que a pessoa se reanimasse.

Depois eu descobri que aquele morador de rua foi trazido pelos outros que encontrei lá embaixo. Estava “congelando” na rua, com pouco agasalho, somente enrolado num cobertor úmido. E as pessoas que o estavam ajudando ali, era um dos freis da paróquia e a assistente social que colabora nas obras sociais. Obras estas que oferecem, de segunda a sexta-feira, todas as semanas, o “café da tarde” para moradores de rua. A paróquia tem um espaço para isso, onde, além do café, eles proporcionam atendimento de assistentes sociais e uma psicóloga para conversar. E, se precisam de médico, remédio, de uma instituição, ajuda para encontrar a família, eles são encaminhados e atendidos. Não se pode fazer tudo, mas, se faz muita coisa.

Confesso que foi uma cena “chocante” para mim. Diferente daquilo que tenho visto nas paróquias por onde andei.

E eu, que vinha subindo as escadas, carregada com o fardo dos meus “preconceitos”, me deparei com a mais pura “misericórdia” que é possível se ter por outro ser humano. Não poderia ser diferente numa paróquia com o carisma franciscano, mas, mesmo assim, foi algo que não se vê todos os dias. E, depois, fiquei pensando que era o que Deus queria que eu visse naquela hora, naquele momento. Que eu sentisse que os fardos que carrego são muito mais de indiferença, do que “peso pelo sofrimento” dos meus irmãos. Nunca me sento tão... inútil, essa é a palavra, como naquele momento!

Na sequência, fui conversar com a coordenadora. E o assunto que ela queria tratar comigo, ia muito além do que uma simples “ajudinha”. Ela precisa cuidar da mãe doente e faz viagens frequentes por isso, então me pediu para assumir a coordenação da catequese na paróquia. E mais espantada ainda fiquei, quando ela me disse que não seria somente pelos dois meses em que estaria viajando: Era “para sempre”! Ou pelo tempo que dura o “mandato” de uma coordenadora. E, enquanto conversávamos, o Frei, que é também o pároco, ligou para ela... “Sim, frei, ela está aqui comigo, já vamos descer para conversar com o senhor...”.

Bom, além de me parecer uma certa “doideira” da parte dos dois, chamando uma pessoa que mal conhecem para assumir tamanha responsabilidade, aquilo me pareceu também um “complô” contra mim (risos) ... Tinham “armado” para mim!

Conversando com o Frei, eu fui pensando: Que loucura, meu Deus! Que desafio! Assumir a coordenação de catequese de uma paróquia que frequento há seis meses só! Enfrentar a coordenação de uma catequese onde me engajei só “para ajudar”, tem menos de 2 meses! A garantia de apoio da coordenadora atual, mesmo estando afastada; a garantia de apoio irrestrito do Frei e da paróquia; liberdade para coordenar e proporcionar mudanças e melhorias; a garantia de que as demais catequistas estão de acordo e apoiam isso... pesou na decisão. Mas, não foi o que me “ganhou” e me fez dizer SIM. Foi outra coisa...

O que “me ganhou” e ganhou meu coração, foi aquele Frei e aquela moça ajudando aquele morador de rua que vi, logo que cheguei ali.

Como dizer não para uma paróquia assim? Como dizer não a um chamado destes?

Então, Frei Alexandre, não foram às suas “propostas” tentadoras e nem o apoio e confiança que a Iandaira demonstrou, que me fizeram dizer sim. Foi um morador de rua. E vocês não sabem o tamanho da “encrenca” que arranjaram me chamando! Rsrsrsrrsrs...

E, pensando no que vi quando cheguei e numa fala sua, ao dizer que a Iandaira até parecia mais “leve” depois que eu aceitei... lembrei de uma música....

ELE NÃO PESA... ELE É MEU IRMÃO!

Ele não pesa, ele é meu irmão! A estrada é longa com muitas voltas sinuosas. Isso nos conduz a quem sabe onde. Quem sabe onde? Mas, eu sou forte, forte o bastante para carregá-lo, ele não pesa, ele é meu irmão. Assim nós vamos.
O bem-estar dele é a minha preocupação. Ele não é nenhum fardo para aguentar.
Nós chegaremos lá, porque eu sei, ele não me atrapalha. Ele não pesa, ele é meu irmão. 
Se eu estou carregando tudo, eu estou carregando tristeza também.
Pois, os corações não estão cheios com a alegria do amor de um para com o outro, como deveria ser. 
É uma estrada longa, longa, da qual não há nenhum retorno.
Enquanto nós estamos a caminho de lá, por que não dividirmos? 
E a carga, não me pesa em nada. Ele não pesa, ele é meu irmão. Ele é meu irmão.
Ele não pesa, ele é meu irmão.


* Esta música foi composta em 1969. Fez sucesso com o Grupo The Hollies, na década de 70. Dizem que o que inspirou essa canção foi o seguinte: certa noite, em uma forte nevasca, na sede de um orfanato em Washington DC, um padre plantonista ouviu alguém bater na porta. Ao abri-la ele deparou-se com um menino coberto de neve, com poucas roupas, trazendo em suas costas, um outro menino mais novo. A fome estampada no rosto, o frio e a miséria dos dois comoveram o padre. O sacerdote mandou-os entrar e exclamou: “Ele deve ser muito pesado”. O que o que carregava disse: “ele não pesa, ele é meu irmão. (He ain’t heavy, he is my brother). Mas, eles não eram irmãos de sangue realmente. Eram irmãos de rua. O autor da música soube do caso e se inspirou para compô-la. E da frase fez-se o refrão. Esses dois meninos, foram adotados pela instituição ”Missão dos Órfãos”, em Washington, DC.

(Fonte: https://pt.aleteia.org/2017/01/11/a-historia-por-tras-da-musica-he-aint-heavy-hes-my-brother/)
 


Ângela Rocha
Catequista em Formação.

Frei Alexandre, escrevi este texto do fundo do meu coração, e sou assim, metade gente racional e outra metade, pura emoção. Mesmo que as coisas não deem certo, saiba que, eu VI, vi mesmo, como Jesus é “Bom” em sua paróquia! Deus os abençoe infinitamente!


Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões - Praça Rui Barbosa Curitiba PR
Ao fundo: Colégio Bom Jesus e FAE - Centro Universitário  Grupo Educacional Bom Jesus

Velário da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões
Tradicional Bolo de Santo Antonio oferecido durante a Festa de Santo Antonio na Paróquia.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

HOMILIA DO DOMINGO: O MEDO É QUE NOS "LIXA" A VIDA



"PORTANTO, NÃO TENHAIS MEDO!"

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


Estamos num território cheio de nomes. É o capítulo 10 do evangelho de Mateus, um capítulo todo discipular. A abertura é uma lista de discípulos nomeados pessoalmente, alguns com direito a alcunha, outros com alusão ao nome do pai, outros ainda com a referência ao lugar de origem. É assim que o capítulo 10 deste evangelho começa, delimitando a familiaridade em que os nomes todos são conhecidos e aparecem na boca de Jesus. Mais as alcunhas e as origens, repito, que nisto de sublinhar a tensão verdadeiramente relacional do evangelho, acho que nunca seremos exagerados.
Depois de lhes dizer os nomes como quem sabe de cor as linhas da mão de cada um, começa Jesus a falar-lhes da missão em termos de “cordeiros no meio de lobos”. O Reinado de Deus vai sofrer violência, avisa o Mestre, vai ser rejeitado até às últimas consequências. Então, percebemos que a nomeação dos Doze é uma cena de “inscrição”: inscritos na luta do Reinado de Deus, é suposto saberem de que lado estão e que uma das originalidades mais específicas do Reinado de Deus, segundo Jesus, é a não-violência radical.
Então, é preciso meter-lhes espírito no corpo, salgar-lhes as carnes. É aqui que chegamos, e a mensagem não podia ser mais clara: não tenhais medo! Três vezes repetido. Temos que levar a sério aquilo que Jesus se dá ao trabalho de repetir três vezes em tão poucas linhas…
É claro que esta valentia não pode vir deles mesmos. O segredo é uma confiança desmedida no Pai. Jesus era assim. As coisas são tão assombrosamente claras e críticas como isto!
Peço desculpa por meter aqui o grego, mas há uma palavrinha no original que não está traduzida no texto em português. Onde lemos simplesmente “Não tenhais medo” ou “Não temais”, o que está lá em grego é “Mê oun fobêtete”.
"Mê" é a partícula negativa, o nosso “não”. “Fobêtete” soa ao ouvido, por causa da palavra “fobia” que daí derivou para o português: medo.
Daqui se forma o “Não temais” ou “Não tenhais medo”. Mas está lá também aquele “oun”, que é uma palavra chave. Significa “Por isso” ou “Portanto” ou “Então”. É um artigo que implica sequência, consequência, resposta a algo prévio. Quer dizer: o motivo da valentia é outro, é doutro, iniciativa recebida.
POR ISSO, não tenhais medo.
PORTANTO, não temais.
ENTÃO, não entreis em "paniqueis".      

Este artigo “oun” mostra-nos que a coragem que Jesus pede aos seus nasce de um “Por isso”, de um “Portanto”, de um “Então”.
É Jesus quem nos diz coisas no segredo da noite em que ninguém nos vê…
POR ISSO, anunciemos em plena luz, ou até ser luz.
É Jesus quem nos conta ao ouvido os detalhes do Reino…
PORTANTO, apregoemos no cimo dos telhados.
A sua vida está homologada por Deus, a sua Palavra está homologada pelo Pai…
ENTÃO, entremos nessa homologação, digamos com ele e vivamos como ele.
Já podes desfranzir o sobrolho. Não foi por acaso que usei esta palavra, tão pouco costumeira nos assuntos da Fé: homologação. Mas é isto mesmo que está lá no texto grego: o verbo “homologeô”. Homologar, em português. “Então, cada um que me homologar diante dos homens, também eu o homologarei diante do Pai dos Céus”. Literalmente, é isto. Homologar é dizer a mesma palavra (logos), ter uma palavra comum. Palavra não é som, mas comunicação! Por isso é da palavra “logos” que se faz “lógica” também… Homologar é sintonizar na mesma palavra (logos), pactuar na mesma lógica (logikê).
Relembro, para quem já tenha esquecido: isto começa tudo com nomes, e alcunhas trocadas entre amigos íntimos, e nomes de pais e lugares de origem e tudo! Quer dizer: estamos no território da relação, da amizade, do pacto. E o que Jesus pede é seriedade absoluta nesta relação. Não há neutralidade possível! Só há duas possibilidades: homologá-lo ou rejeitá-lo; confirmá-lo ou desmenti-lo; aceitá-lo ou recusá-lo; sim ou não. Não há “via do meio”. E as consequências são relacionais. É verdade que uma relação só pode construir-se com a colaboração dos dois lados, mas basta um deles para se quebrar. O lado pelo qual o nosso pacto com Jesus pode quebrar é sempre. e só, o nosso. Mas, é bastante. É essa crueldade real que está colocada na boca de Jesus em forma de consequência 2+2=4. Quem confirmar o meu testemunho, será confirmado pelo meu testemunho. Quem desdisser o meu testemunho, será desdito pelo meu testemunho. Jesus é sempre um Sim. O seu Sim confirmará os nossos sins; o seu Sim desmascarará os nossos nãos. Recuso-me a falar dos nins (aqueles que não são nem sim e nem não), desgraça ainda maior.
Uma última palavrinha sobre a consolação que nos vem desta Palavra assegurada por Jesus: “Então, não tenhais medo!” Porque, pelos visto, é o medo que nos “lixa”! O medo lixa-nos a vida. Foi Jesus que disse, não fui eu! A Geena como sabemos, é o vale a sudoeste de Jerusalém onde, no tempo de Jesus, estava a lixeira da cidade. É disso que Jesus fala quando diz que a vida pode acabar na lixeira… Lixada (jogada fora), portanto. O aviso é forte e claro, a metáfora dispensa explicações. É o único medo permitido por Jesus, aquele que nos põe vigilantes em relação ao que nos pode lixar a vida, o que nos pode arrastar para a lixeira, umas vezes puxando-nos pelos cabelos e outras vezes (a maior parte) seduzindo-nos com encantos e promessas feitas ao ouvido do “Homem Velho” que ainda existe em nós…
Olha: a Fé de Jesus no carinho de Deus era tal que a maneira que arranjou para dizer que O Pai está conosco foi afirmar que nem um cabelo da nossa cabeça cai sem que Ele consinta (a ser verdade, pressinto que Deus tem uma obsessão por mim nos últimos anos…).
Jesus, que até nos disse que não se consegue entrar no Reinado de Deus sem apreciar os lírios dos campos e a atividade dos pássaros, voltou a falar dos passarinhos para nos contar estas coisas importantes do carinho paternal de Deus: somos mais importantes que os passarinhos! Aliás, para citar mesmo o evangelho: “Vós excedeis todos os passarinhos!” Na boca de Jesus, que gostava de passarinhos, isto é enorme.
POR ISSO, POR TANTO, ENTÃO... não tenhais medo!
Porque, por mais exigente que seja a confiança, é o medo que nos "lixa".

Pe. Rui Santiago, cssr

Redentorista - Porto Portugal

quinta-feira, 22 de junho de 2017

CATEQUESE DO PAPA

PODEMOS SER SANTOS NA VIDA DE CADA DIA

Audiência com Papa Francisco na Praça de S. Pedro, na última quarta-feira. Partindo da Carta aos Hebreus, caps 11 e 12, Francisco prosseguiu o ciclo das suas catequeses sobre a esperança cristã.

Os santos são, para nós – sublinhou Francisco - testemunhas e companheiros de esperança mostrando-nos que a vida cristã não é um ideal inatingível; são companheiros da nossa peregrinação nesta vida; partilharam as nossas lutas e fortalecem a nossa esperança de que o ódio e a morte não têm a última palavra na existência humana.

Por isso, invocamos o auxílio dos santos nos sacramentos, disse o Papa, primeiro no dia do nosso Batismo, quando pouco antes da unção com o óleo dos catecúmenos, o sacerdote convidou toda a assembleia a rezar pelos batizandos invocando a intercessão dos santos:

“Essa era a primeira vez que, no curso da nossa vida, nos era doada esta companhia de irmãos e irmãs "mais velhos", que passaram pela mesma estrada, que conheceram as mesmas canseiras e vivem para sempre no abraço de Deus. A Carta aos Hebreus chama esta companhia que nos rodeia com a expressão "multidão de testemunhas”.

Os cristãos, prosseguiu Francisco, não se desesperam na luta contra o mal, porque cultivam uma incurável confiança: que as forças negativas e destrutivas não podem prevalecer, a última palavra na história do homem não é ódio, não é a morte, não é guerra, pois em cada momento da vida, nos assiste a mão de Deus e a presença discreta daqueles que nos precederam com o sinal da fé e que, pela ação do Espírito Santo, estão envolvidos nas questões dos que ainda vivem aqui.

E o Pontífice citou também o caso do matrimônio, quando dois namorados consagram o seu amor e é novamente invocada para eles a intercessão dos santos. Uma invocação, reiterou o Papa, que é fonte de confiança para os jovens que partem para a "viagem" da vida conjugal. Na verdade, para ter a coragem de dizer "para sempre", o cristão sabe que precisa da graça de Cristo e da ajuda dos santos.

“E nos momentos difíceis, devemos ter a coragem de elevar os olhos para o céu, pensando em muitos cristãos que passaram pela tribulação, e conservaram brancas as suas vestes baptismais, lavando-as no sangue do Cordeiro”.

Deus nunca nos abandona, sublinhou ainda o Papa, sempre que precisarmos virá o seu anjo para nos levantar e infundir consolação. Também os sacerdotes conservam a memórias de uma invocação dos santos pronunciada sobre eles no momento da ordenação, quando toda a assembleia, guiada pelo Bispo, invoca a intercessão dos santos.

O candidato sabe que conta com a ajuda de todos os que estão no Paraíso para poder suportar o peso da missão que lhe é confiada, disse Francisco, acrescentando que não estamos sozinhos, e que os santos nos lembram que, apesar das nossas fraquezas, a graça de Deus é maior nas nossas vidas.
Por isso, devemos manter sempre viva a esperança de ser santos, pois este é
o maior presente que podemos dar ao mundo.

“Que o Senhor nos dê a esperança de sermos santos. É o grande presente que cada um de nós pode fazer ao mundo”.

O Papa Francisco, como habitualmente, também se dirigiu aos fiéis de língua portuguesa, tendo saudado em particular os provenientes de Jundiaí, São Carlos e Santo André, convidando a todos a não ter medo mas, com a ajuda dos que já estão no céu, a deixar-se transformar pela graça misericordiosa de Deus:

“Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular os fiéis de Jundiaí, São Carlos e Santo André. Queridos amigos, o mundo precisa de santos e todos nós, sem exceção, somos chamados à santidade. Não tenhamos medo! Com a ajuda daqueles que já estão no céu, deixemo-nos transformar pela graça misericordiosa de Deus que é mais forte do que qualquer pecado. E que Ele sempre vos abençoe!”

Nas saudações ao grupo de língua italiana o Papa acolheu cordialmente os diáconos do Pontifício Colégio Urbano da Propaganda Fide, as Clarissas Franciscanas Missionárias do SS. Sacramento e os missionários de Scheut, por ocasião dos respectivos Capítulos gerais, exortando-os a viver a missão com os olhos atentos às periferias humanas e existenciais.

Uma cordial saudação também para a comunidade Amor e Liberdade, que o Papa encorajou a apoiar pelos seus esforços em favor da educação dos jovens na República Democrática do Congo. E sobre o Dia do Refugiado que ontem se celebrou o Papa acrescentou:

“Por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, que a comunidade internacional comemorou ontem, na segunda-feira passada eu quis encontrar uma representação de refugiados que são hospedados pelas paróquias e instituições religiosas de Roma. Queria aproveitar esta ocasião do Dia de ontem para exprimir o meu sincero apreço pela campanha para a nova lei migratória: "Eu era estrangeiro – A Humanidade que faz bom", que conta com o apoio oficial da Caritas italiana, a Fundação Migrantes e de outras organizações católica”

E por último, uma cordial saudação aos jovens, os doentes e os recém-casados, a quem o Papa convidou a participar na Eucaristia para que, alimentados por Cristo, sejam famílias cristãs tocadas pelo amor do Coração divino de Cristo. E a concluir o Papa recordou próxima sexta-feira é a Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, o dia em que a Igreja apoia com a oração e afeto todos os sacerdotes.

Pai Nosso …
O Papa Francisco a todos deu a sua bênção.

RADIOVATICANA.VA