É importante que não fiquem dúvidas a respeito daquilo que é explicitado neste texto 3, quer seja no entendimento do conteúdo, nos documentos citados ou nas palavras "desconhecidas" (termos que não estamos acostumados). USEM os comentários para levantam dúvidas e observações. As respostas estarão aqui e no Grupo do Facebook, onde se farão partilhas mais interativas a respeito.
Algumas observações importantes sobre o Catecismo:
Homens e mulheres precisam conhecer e amar a Deus. A fim de que este chamado ressoe pela terra inteira, Jesus Cristo chamou e depois enviou os seus discípulos para que fossem em busca de mais discípulos. Pelo amor de Cristo aqueles que acolheram a sua Palavra foram impulsionados a anunciar por todas as partes do mundo a Boa notícia. Este tesouro recebido dos apóstolos foi guardado pelos seus sucessores e todos são chamados, de geração em geração, a anunciar a fé, vivendo-as na partilha fraterna e celebrando-a na liturgia e na oração.
1. O catecismo e a correlação com a Catequese:
Logo nos primeiros tempos da Igreja, chamou-se de Catequese, o conjunto de esforços empreendidos pela Igreja para fazer discípulos e ajudar os homens a acreditar que Jesus é o Filho de Deus, e para os educar e instruir nessa vida, construindo assim o Corpo de Cristo:
“A catequese é uma educação da
fé das crianças, dos jovens e dos adultos, que compreende especialmente o
ensino da doutrina cristã, ministrado em geral dum modo orgânico e sistemático,
em ordem à iniciação na plenitude da vida cristã” (CT 18).
A catequese articula-se, mas não se confunde, com alguns
elementos da missão pastoral da Igreja que têm aspectos catequéticos:
- O
primeiro anúncio do Evangelho ou pregação missionária, para suscitar a fé;
- a
busca das razões de acreditar;
- a
experiência da vida cristã;
- a
celebração dos sacramentos;
- a
integração na comunidade eclesial;
- o
testemunho apostólico e missionário
Assim, conforme a Catechesi tradendae (13), a
catequese está intimamente ligada a toda a vida da Igreja e dela dependem, não
só a sua expansão geográfica e o crescimento numérico, mas também, e muito mais
ainda, o crescimento interior da Igreja e a sua conformidade com os desejos de
Deus.
2. A Sigla para identificação:
Conforme documentos e publicações da Igreja Católica, a sigla que se usa atualmente para se identificar o Catecismo da Igreja Católica é CIgC, a saber:
C = cateciscmo
Ig = Igreja
C = Católica
Usávamos até recentemente, a sigla: CIC, no entanto, para que não se confundisse com o Código de Direito Canônico em latim: Códex Iuri Canonicio, ou mesmo com outros documentos comumente relacionados a esta sigla, optou pela mudança para uma sigla um pouco mais personalizada. Acostume-nos então a chamá-lo de CIgC de agora em diante.
3. Objetivos e Destinatários:
(...) apresentar uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina católica, tanto sobre a fé como sobre a moral, à luz do II Concilio do Vaticano e do conjunto da Tradição da Igreja. As suas fontes principais são a Sagrada Escritura, os santos Padres, a liturgia e o Magistério da Igreja. E destina-se a servir como ponto de referência aos catecismos ou compêndios a publicar nos diversos países. (CIgC 11).
A quem ele é destinado:
(...) principalmente aos
responsáveis pela catequese, que são em primeiro lugar os bispos,
enquanto doutores da fé e pastores da Igreja. É-lhes oferecido como
instrumento para o desempenho da sua missão de ensinar o povo de Deus. E,
através dos bispos, dirige-se aos redatores de catecismos, aos sacerdotes e aos
catequistas. Será também uma leitura útil para todos os outros fiéis
cristãos. (CIgC 12).
4. Estrutura do Catecismo:
O CIgC estrutura-se na tradição dos catecismos em torno de quatro grandes pilares: A profissão de fé -Credo apostólico; os Sacramentos da fé (celebrações, ritos); a vida de fé (Mandamentos) e a oração do crente – Pai Nosso. Ou seja, a fé crida, celebrada, vivida e rezada.
Parte I – A profissão de fé:
Aqueles que acreditam devem confessar a sua fé diante de todos. O catecismo começa expondo o que é a Revelação, manifestada quando Deus se dirige ao homem e a fé com a qual é o homem responde a esta revelação. O Símbolo da fé (profissão) resume os dons que Deus deu ao homem, sendo ele Autor, Redentor e Santificador, assim articulado: Deus pai todo poderoso, seu filho Jesus Cristo Salvador e o Espírito santo manifesto na Santa Igreja.
*Aproximadamente 300 páginas na Edição Típica Vaticana
Parte II – Os sacramentos da fé:
A salvação de Deus, realizada em Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, se torna presente nas ações sagradas da liturgia da Igreja e na ação dos sete sacramentos.
*Aproximadamente 160 pgs.
Parte III – A vida de fé:
Apresenta a finalidade do homem criado a imagem de Deus: viver os mandamentos e as Bem-Aventuranças como caminhos para construção do Reino e meios de ação livre e reta para viver na graça de Deus.
* Aproximadamente 200 pgs.
Parte IV – A oração na vida de fé:
Trata do sentido e da importância da oração na vida dos homens, ou seja, daquilo que o homem pode esperar e de que o Pai celeste quer conceder. O Pai Nosso é o exemplo da intimidade do homem de dirigir-se a Deus como Pai em seus sete pedidos.
* Em torno de 75 pags.
O CIgC traz ainda, mais 70 pgs. com informações adicionais.
5. Indicações práticas do Catecismo:
Esta indicações tem como objetivo favorecer o uso Catequético do Catecismo.
- O catecismo foi pensado como uma exposição orgânica de toda fé e doutrina católica, por isso é necessário lê-lo como uma “unidade”, nunca tomando qualquer texto “fora” do conjunto da fé em que foi construído.
- Numerosas referências dentro do texto e os índices analíticos do final permitem ver a ligação de cada tema com o conjunto da fé.
- Os textos das Sagradas Escrituras nem sempre são citados, apenas referenciados como “cfe”. É preciso consultar os próprios textos para aprofundar os textos das passagens.
- Algumas informações no Catecismo são didaticamente apresentadas em “corpo menor” (letras menores) indicando observações históricas, apologéticas ou de exposições doutrinais complementares. As citações em corpo menor de fontes patrísticas, litúrgicas, magisteriais e hagiográficas, são destinadas a enriquecer a exposição doutrinal.
- No final das unidades temáticas, são apresentados textos suscintos que resumem em fórmulas condensadas o essencial do ensinamento, oferecendo sugestões à catequese local para fórmulas s9intéticas e memorizáveis. Estes textos encontram-se grafados em itálico.
6. Adaptações necessárias:
É muito importante observar os itens 23 e 24 do prólogo do Catecismo, no que se refere à utilização do mesmo na catequese e adaptações necessárias.
A exposição doutrinal da fé Católica é a ênfase do Catecismo. O documento quer aprofundar o conhecimento da fé católica e está orientado para o amadurecimento da fé, seu enraizamento na vida do fiel e sua irradiação no testemunho (CT 20-22).
Por sua finalidade, o Catecismo não se propõe a fazer adaptações de linguagem e exposição aos métodos catequéticos exigidos pelos diferentes destinatários e contextos culturais. Não há a pretensão de fazer adaptação às idades, à maturidade espiritual e contextos sociais das pessoas a quem a catequese é dirigida. As adaptações devem ser feitas pelos responsáveis pela catequese dos fiéis e por catecismos locais (CIgC 24).
O prólogo do CIgC traz, em seu final, duas citações do Catecismo Romano que se fazem atuais e sempre presentes. A primeira delas é de que, aquele que ensina, deve observar que nem todas as pessoas são iguais, aprendem de igual forma e pelos mesmos métodos:
“(...) uns são como
crianças recém-nascidas, outros como adolescentes e outro, finalmente, já são
efetivamente adultos, é necessário que pondere com toda a diligência quais são
os que precisam de leite e quais os que carecem de um alimento mais sólido.
(...) Os que são chamados ao ministério da pregação devem, ao
transmitir o ensino dos mistérios da fé e das normas dos costumes, adaptar as
suas palavras à mentalidade e à inteligência dos seus ouvintes”. (Catech R.
11-12).
Utilizar portanto, somente o Catecismo, sem as devidas adaptações para a catequese do fiéis, não é aconselhável e nem trará os objetivos desejados. Junto com a doutrina, vem os ensinamentos das Sagradas Escrituras e o Magistério da Igreja com sua interpretação. Prescindir de qualquer destes elementos, é deixar a catequese da nossa Igreja mais “podre” e limitada, sem considerar também o viés antropológico e social quem que hoje, as pessoas encontram-se envolvidas.
A segunda observação feita no prólogo do CIgC, se refere ao princípio pastoral dos catecismos:
Toda a finalidade da doutrina e do ensinamento
deve ser posta no amor que não acaba. Com efeito, pode-se facilmente expor o
que se deve crer, esperar ou fazer; mas, sobretudo, é preciso fazer sempre
com que apareça o amor de nosso Senhor, para que cada um compreenda que cada
ato de virtude perfeitamente cristão não tem outra origem senão o Amor, e outro
fim se não amor. (Catech R. 10).
Toda e qualquer Catequese
precisa ser feita no amor a Deus e em suas criaturas. Nenhum ensinamento pode
ser feito na “obrigação” e no “dever”, sob pena de fazer “oprimidos” aqueles
que tão somente desejam a liberdade que a fé em Deus traz.
Texto complementar
CT - Catechesi Tradendae AQUI
A Catechesi Tradendae (CT) é uma Exortação
Apostólica pós-sinodal, do Papa João Paulo II, de 16 de outubro de 1979, "sobre
a catequese do nosso tempo".
A exortação foi dirigida aos presbítetros e a toda a Igreja. Este documento concluiu
a IV Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos celebrada em Roma, em 1977, com o tema A catequese em nosso tempo,
com particular referência à catequese de crianças e de jovens. Sendo este sínodo, já um reflexo do Concílio Vaticano II. A redação deste
documento foi iniciado pelo papa Paulo VI, com base nos documentos dos padres
sinodais e concluída por João Paulo II. Duas convicções fundamentais, são enunciadas
de modo explícito no documento:
- A função fundamental da catequese é "comunicar em sua integridade a Revelação de Deus" (N° 30);
- A existência de uma "pedagogia fundamental da fé" que encontra seu modelo na Pedagogia de Deus e de Jesus Cristo e que deve constituir o critério supremo no emprego das ciências humanas no âmbito da catequese.
A partir da Catechesi Tradendae a catequese passa a
assumir sua função de ensino nos moldes escolares, na organização,
didática e pedagogia.
Catequistas em Formação
20/03/2021












