sábado, 30 de novembro de 2013

ADVENTO: UM TEMPO FAVORÁVEL

Mais um artigo muito bom de D. Orlando Brandes - Arcebispo de Londrina Pr.

Este é o momento favorável. Deus está no nosso agora, no nosso cotidiano, no nosso minuto. Nossa hora é sempre “hora de Deus”. O advento de Deus acontece em nossas circunstâncias, em nossa história, nossa existência. Senhor, em Vós respiramos e por Vós suspiramos. Tu conheces nossos pensamentos, sentimentos e as batidas dos nossos corações.. Todo dia é dia de Deus. Ele está em nós e no meio de nós. Deus faz o nosso caminho.

Celebrar, porém, o tempo do Advento é reviver a história da encarnação de Jesus, portanto, a plenitude dos tempos. É o tempo de preparar os caminhos, tempo de dar tempo para Deus e para os irmãos. Nestes tempos de consumismo, os esposos não tem tempo pra si e pais não encontram tempo para seus filhos. A grande maioria das pessoas não tem tempo para Deus. Tempo é questão de preferência. Muitos preferem dar tempo para o shopping, para time de futebol, para a correria estressante da vida.

O tempo do Advento é tempo da realização das promessas de Deus sobre a vinda do Messias. Quanto tempo Deus dedica a nós e como temos pouco tempo para as coisas de Deus. Sofremos fadiga, esgotamento, cansaço, stress, vazio, frustração por não respeitar o tempo do silêncio, do lazer, da oração, nem o tempo para diálogo, a visita, a amizade.

O Advento é tempo para a gente parar, meditar, silenciar. Assim poderemos recuperar a saúde, a paz, a alegria, a bússola da verdade. Advento é hora de reencontro e reencantamento. Estamos celebrando um tempo de renovação da fé: o Ano da Fé.  Do grau da fé depende o tipo de cristianismo que vivemos. Da intensidade ou da superficialidade da fé, depende a vivencia do tempo do Advento e do Natal. A fé é o impulso que rompe com nossa rotina e mesmice que são entraves e amarras à  dedicação do nosso tempo  para a evangelização. A fé é couraça e escudo que nos defende do mal, e nos ajuda a viver de modo adequado o tempo que nos é dado, inclusive a não perder tempo à toa.

A fé nos livra das preocupações que nos enganam, estressam e deprimem tomando o maior tempo da nossa vida. A fé destrói nossos apegos que são a raiz de todo sofrimento emocional e psíquico. A fé nos impele a sair do comodismo e da omissão que atrofiam a missão, fracassam a Igreja e deixam espaços para os ídolos. A fé é a vitória sobre nossa mediocridade tão nociva, porque prejudica a credibilidade do evangelho.  Não podemos ter uma fé morna. Eis o tempo favorável do Advento que nos conduz ao deserto para reavivarmos a força da fé. Eis o tempo para retornar ao poço, à fonte, a exemplo da samaritana, que abandonou a vida errada e tornou-se anunciadora da fé.

Há um tempo para tudo (cf Ecl 3,1-8). Sim, há tempo para perder a fé e tempo para reencontrá-la. Tempo para tudo abandonar e tempo para voltar. Tempo para a incredulidade e tempo para a conversão. Tempo para naufragar na fé e tempo para recuperar o tesouro perdido.

O Advento é um tempo que nos interpela á decisão, opção, resolução para nossa conversão. Não podemos subsistir sem a necessária conversão. Jesus veio, vem e virá. Os que o recebem se tornam filhos de Deus. Entremos neste Advento pela porta da fé, prossigamos no caminho de Jesus até chegarmos à porta do céu, do fim que não terá fim, da luz sem ocaso, onde seremos coroados pelo bem que realizamos no tempo de nossa existência. No tempo preparamos a eternidade. A experiência nos faz perceber que tudo passa, que o crepúsculo da vida vem. “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor” (S. João da Cruz). Sejamos gratos ao Criador que na sua sabedoria nos chamou viver nestes tempos da história da humanidade.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina
Folha de Londrina, 1º de dezembro de 2012.




* Colaboração da  Ir. Zuleides Andrade, ASCJ. Curitiba – Pr.

Dez mandamentos do Advento

 1.      Abrir as portas do coração. Deus desce e vem. Quer estar no meio de nós. Vamos abrir nossos corações e a porta da fé. Advento é Deus nos procurando para o dialogo, a aliança de amizade, a oferta da salvação. Não fecheis vossos corações, vamos acolher receber, ouvir a Deus que vem. Escancarai as portas do coração a Jesus Cristo. Ele bate à nossa porta.

2.      Respeitar o direito e a justiça. Os textos bíblicos do Advento enfocam a nova ordem, a nova terra que o Messias trará. O seu trono pousa sobre o direito e a justiça, a paz e a convivência fraterna. O que o Messias vai trazer é o reino de Deus que consiste em “amar a misericórdia, praticar a justiça e viver na presença de Deus” (Miq. 6, 8). O reino de Deus transforma o deserto em jardim, as espadas em arados, as lanças em foices.

3.      Estar vigilantes, não distraídos. Quem espera deve estar vigilante, acordado, atento. São três as vindas de Deus: no Natal, no fim do mundo e no nosso cotidiano. Precisamos estar antenados, conectados, sintonizados com Deus, sua presença, sua vontade, seus desígnios. Agitação, barulho, dispersão nos afastam da oração, do silêncio e, portanto da vigilância. Vivemos apressados, atulhados com mil preocupações e também cansados, apáticos, indiferentes no que diz respeito a Deus e ao próximo. Vigiai, pois não sabeis nem o dia, nem a hora.

4.      Endireitar os caminhos tortuosos. Advento é tempo de conversão. Caminhos tortuosos levam à perdidão. O rumo, a bússola, a direção de nossa vida é Jesus Cristo, que pela mediação da Igreja, é luz do nosso caminho. É hora de sair de si, peregrinar, ir ao povo, endireitar os caminhos em direção ao irmão e a Deus.
5.      Preparar a chegada. A mãe prepara a chegada do bebê, a cozinheira prepara as refeições, a noiva prepara o casamento. Tudo o que é preparado tem sucesso. Devemos estar preparados para a vinda do Senhor. Nunca ociosos, desligados, desinteressados. Longe de nós a mediocridade, a sonolência, a mesmice, o desinteresse. Preparemos um belo presépio para acolher o Menino. Preparemos nossos corações.

6.      Escutar a voz que chama. João Batista clama no deserto, chamando-nos ao silêncio, à escuta, à meditação. Saber parar, silenciar, contemplar é remar contra a corrente do consumismo, da dissipação, do barulho. Advento tem tudo a ver com deserto onde Deus fala ao coração.

7.      Uma criança vai nascer. Maria esta grávida por obra do Espírito Santo graças a sua resposta de fé. Advento leva-nos a pensar na gravidez, nos cuidados e respeito com o nascituro, na generosidade de acolher a vida de mais um filho. O embrião é um de nós, é um filho. Jesus foi também embrião e Maria cuidou dele.

8.      Viver o tempo que nos é dado. Advento é um tempo especial. Que fazemos com nosso tempo? É preciso viver o hoje, o agora, o instante, o momento presente com intensidade, consciência e alegria. Percebemos que o tempo passa, a vida é breve o fim vem. Demos tempo a nós mesmos, aos outros, a Deus. É no tempo que construímos a historia e acolhemos a salvação.

9.      Visitar e ir ao encontro. Visita e encontro são os dois pés do Advento. Recebemos a visita de Deus e no propomos a visitar casas, asilos, hospitais, cadeias, creches. A missão hoje depende da visitação. A visita proporciona a experiência do encontro, do diálogo, da comunicação.

10.  Participar das novenas. Façamos de nossa rua, prédio, condomínio, uma família. Façamos a experiência da alegria que vem da comunhão e participação e de novas amizades. Superemos a solidão, o egoísmo, e isolamento e busquemos a socialização, a comunicação, a convivência.
                                                              

 Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina
Folha de Londrina, 30 de novembro de 2013


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

CREIO...

Aquele que diz "SIM" para Deus deve saber a que se compromete.
Por isso é importante que cada cristão se esforce em conhecer e compreender o Creio.
Ele deve saber o que significa crer!




VAMOS FALAR SOBRE O TEMPO DO ADVENTO?

O Tempo do Advento


Introdução

A palavra “advento” quer dizer “que está para vir”. O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.
O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.
Esse Tempo possui duas características: As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa.
Origem
Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal. No final do século IV na Gália (atual França) e na Espanha tinha caráter ascético com jejum abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos.
Só após a reforma litúrgica é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.
Teologia do Advento
O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo. Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor. Jesus que de fato se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15) . O Advento recorda também o Deus da revelação, Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no “dia do Senhor”, no final dos tempos. O caráter missionário do Advento se manifesta na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Batista e Maria são exemplos concretos da missionariedade de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar. Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.
A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referencia e fundamento, dispondo-nos a “perder” a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.
Espiritualidade do advento
A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.
Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é “Marana tha”! Vem Senhor Jesus!
O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.
O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que “preparemos o caminho do Senhor” nas nossas próprias vidas, “lutando até o sangue” contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.
No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza econômica, mas principalmente aquela que leva a confiar, se abandonar e depender inteiramente de Deus (e não dos bens terrenos), que tem n’Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.
As Figuras do Advento:
ISAIAS
É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 – 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados.
As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos.
JOÃO BATISTA
É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, “mais que um profeta”, “o maior entre os que nasceram de mulher”, o mensageiro que veio diante d’Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 – 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).
A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-lO como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo.
João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.
MARIA

Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se “preparou” para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de “Faça-se em mim segundo a sua Palavra” (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc.
Em Maria encontramos se realizando, a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento.
JOSÉ
Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de “Filho de Davi”.
José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.
A Celebração do Advento
O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus.
As vestes litúrgicas (casula, estola etc) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do libertador que está bem próxima e se refere a segunda leitura que diz: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto.(Fl 4, 4).
Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A coroa pode ser pendurada no prebistério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo salvador e luz do mundo brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem. O círculo sem começo e sem fim simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, nos chama a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.
Podemos também, em nossas casas, com as nossas famílias, mergulhar no espírito do Advento celebrando-o com a ajuda da coroa do Advento que pode ser colocada ao lado da mesa de refeição.
A coroa do Advento
Desde a sua origem a Coroa de Advento possui um sentido especificamente religioso e cristão: anunciar a chegada do Natal sobretudo às crianças, preparar-se para a celebração do Santo Natal, suscitar a oração em comum, mostrar que Jesus Cristo é a verdadeira luz, o Deus da Vida que nasce para a vida do mundo. O lugar mais natural para o seu uso é família.
Além da coroa como tal com as velas, é uso antigo pendurar uma coroa (guirlanda), neste caso sem velas, na porta da casa. Em geral laços vermelhos substituem as velas indicando os quatro pontos cardeais. Entrou também nas igrejas em formas e lugares diferentes, em geral junto ao ambão. Cada domingo do Advento se acende uma vela. Hoje está presente em escolas, hotéis, casas de comércio, nas ruas e nas praças. Tornou-se mesmo enfeite natalino. Já não se pode pensar em tempo de Advento sem a coroa com suas quatro velas.
Simbolismo da Coroa de Advento
Pelo fato de se tratar de uma linguagem simbólica, a Coroa de Advento e seus elementos podem ser interpretados de diversas formas. Desde a sua origem ela possui um forte apelo de compromisso social, de promoção das pessoas pobres e marginalizadas. Trata-se de acolher e cuidar da vida onde quer que ela esteja ameaçada. Podemos dizer que a Coroa de Advento constitui um hino à natureza que se renova, à luz que vence as trevas, um hino a Cristo, a verdadeira luz, que vem para vencer as trevas do mal e da morte. É, sobretudo, um hino à vida que brota da verdadeira Vida.
A mensagem da Coroa de Advento é percebida a partir do simbolismo de cada um de seus elementos.
O Círculo
A coroa tem a forma de círculo, símbolo da eternidade, da unidade, do tempo que não tem início nem fim, de Cristo, Senhor do tempo e da história. O círculo indica o sol no seu ciclo anual, sua plenitude sem jamais se esgotar, gerando a vida. Para os cristãos este sol é símbolo de Cristo.
Desde a Antigüidade, a coroa é símbolo de vitória e do prêmio pela vitória. Lembremos a coroa de louros, a coroa de ramos de oliveira, com a qual são coroados os atletas vitoriosos nos jogos olímpicos.
Os ramos verdes
Os ramos verdes que enfeitam o círculo constumam ser de abeto ou de pinus, de ciprestes. É símbolo nórdico. Não perdem as folhas no inverno. É, pois, sinal de persistência, de esperança, de imortalidade, de vitória sobre a morte.
Para nós, no Brasil, este elemento é um tanto artificial e, por isso, problemático, menos significativo, visto que celebramos o Natal no início do verão e com isso não vivenciamos esta mudança da renovação da natureza. Por isso, a tendência de se substituir o verde por outros elementos ornamentais do círculo: frutos da terra, sementes, flores, raízes, nozes, espigas de trigo.
Para ornar a coroa usam-se também laços de fitas vermelhas ou rosas, símbolo do amor de Jesus Cristo que se torna homem, símbolo da sua vitória sobre a morte através da sua entrega por amor.
Deste modo, nas guirlandas penduradas nas portas das casas, os laços ocupam o lugar das velas.
Lembram os pontos cardeais, a cruz de Cristo, que irradia a luz da salvação ao mundo inteiro.
As velas
As quatro velas indicam as quatro semanas do Tempo do Advento, as quatro fases da História da Salvação preparando a vinda do Salvador, os quatro pontos cardeais, a Cruz de Cristo, o Sol da salvação, que ilumina o mundo envolto em trevas. O ato de ascender gradativamente as velas significa a progressiva aproximação do Nascimento de Jesus, a progressiva vitória da luz sobre as trevas.
Originariamente, a velas eram três de cor roxa e uma de cor rosa, as cores dos domingos do Advento.
O roxo, para indicar a penitência, a conversão a Deus e o rosa como sinal de alegria pelo próximo nascimento de Jesus, usada no 3º domingo do Advento, chamado de Domingo “Gaudete” (Alegrai-vos).
Mas existem também outras tradições acerca das cores das velas, podendo-se usar velas brancas, vermelhas, ou até mesmo uma de cada cor (branca, verde, vermelha e roxa ou rosa).
Existem diferentes tradições sobre os significados das velas. Uma bastante difundida:
§                     a primeira vela é do profeta;
§                     a segunda vela é de Belém;
§                     a terceira vela é dos pastores;
§                     a quarta vela é dos anjos.
Outra tradição vê nas quatro velas as grandes fases da História da Salvação até a chegada de Cristo. Assim:
§                     a primeira é a vela do perdão concedido a Adão e Eva, que de mortais se tornarão seres viventes em Deus;
§                     a segunda é a vela da fé dos patriarcas que crêem na promessa da Terra Prometida;
§                     a terceira é a vela da alegria de Davi pela sua descendência;
§                     a quarta é a vela do ensinamento dos profetas que anunciam a justiça e a paz.
Nesta perspectiva podemos ver nas quatro velas as vindas ou visitas de Deus na história, preparando sua visita ou vinda definitiva no seu Filho Encarnado, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo:
§                     o tempo da criação: de Adão e Eva até Noé;
§                     o tempo dos patriarcas;
§                     o tempo dos reis;
§                     o tempo dos profetas.

 Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição – São Paulo (http://www.franciscanos.org.br/) e BECKHÄUSER, Frei Alberto, Coroa de Advento – história, simbolismo e celebrações, Ed. Vozes, 2006.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Uma entrega diária...


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Pensando...


RITOS DE ENTREGA NA CATEQUESE

Outro dia, em nosso grupo de catequistas no Facebook, um catequista fez um questionamento a respeito de um comentário meu numa postagem sobre as os RITOS DE ENTREGA NA MISSA: "Colocando "ritos" demais na liturgia, corremos o risco de banalizá-la...". Me perdoe, não compreendi seu ponto de vista, poderia esclarecer? Obg. Sou catequista do crisma na comunidade São Francisco de Assis e novo nessa caminhada."

Eu até demorei um pouquinho a responder, porque queria dar uma resposta mais “elaborada” a ele. E esta, com certeza é uma questão interessante.

A catequese de INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ, que costumamos chamar de IVC simplesmente, pede que se faça um "retorno" aos primeiros tempos da nossa Igreja, à Igreja construída pelos apóstolos de Cristo nos primeiros séculos. 

Obviamente que este "retorno", carece de atualização aos tempos atuais. Então, temos orientação da Igreja e de vários padres estudiosos do tema, para que se faça uma catequese de "inspiração catecumenal", lembrando alguns preceitos do CATECUMENATO, como era chamada a catequese naquele tempo. Estas orientações estão no DNC – Diretório Nacional de Catequese, no Documento da Conferencia de Aparecida e pode ser estudado nas publicações da CNBB, principalmente no Estudo 97 e na 3ª Semana Brasileira de catequese. Vários autores também se dedicam ao tema: Pe. Antonio Lelo, Pe. Luiz Lima, Pe. Lucio Zorzi, Ir. Israel Nery,  Pe. Leomar Brustolin, Pe. Almeida e vários outros.

O que eu considero (pessoalmente), o grande "entrave", para nós catequistas, a respeito da IVC, é que ela é destinada principalmente a catequese de adultos e ao "resgate" dos adultos que foram catequizados, receberam os sacramentos e, no entanto, a gente percebe que não foram devidamente evangelizados. Estão afastados da Igreja e da comunidade, e só retornam mesmo para receber algum sacramento. Não existe mais pertença alguma à comunidade.

E nós, tão acostumados a catequese com crianças (e no máximo, adolescentes e jovens até os 15, 16 anos), nos vimos, de repente, no "olho do furacão". A máxima de que: "criança se acolhe e se evangeliza adultos", tem dado um nó na nossa cabeça. Preocupadas com esta nova evangelização, as pastorais catequéticas assumiram, sozinhas praticamente, a tal IVC... que é para adultos mas a gente quer adaptar à catequese das crianças... 

E aí vem o: Como? Onde? De que forma?

Isso tem sido uma confusão só e temos vários casos acontecendo:

1 - Algumas dioceses e algumas paróquias, isoladas até, tem tomado "pé da coisa" e entendido que, para se voltar à Catequese Catecumenal ou para se implantar uma IVC de verdade, é preciso uma "reviravolta" inteira da Igreja: CPP, presbíteros, todas as pastorais, grupos e movimentos; precisam se envolver para que isso funcione, não só a catequese como uma pastoral "isolada". E devagar estão fazendo a IVC acontecer.

2 - Encontramos também algumas "implantações" da IVC aos moldes das próprias dioceses. Adaptações desta ou daquela orientação às características locais, com nomes os mais diversificados possíveis.

3 - Outras, no entanto, tem se voltado exclusivamente para a "implantação dos ritos" descritos no RICA (Ritual de Iniciação Cristã de Adultos), livro litúrgico da Santa Sé que disciplina a liturgia da Iniciação Cristã Catecumenal. 

4 - E a grande maioria nem sequer sabe do que estou falando.

Bom, por aí se vê, o quanto é difícil falar de uma realidade tão equidistante uma da outra. Mas, a minha fala de que "excesso de rito banaliza a liturgia" se deve principalmente ao 2º e 3º casos que citei. 

Tem se cometido alguns equívocos misturando um pouco a utilização do RICA e a implantação de uma catequese mais "mistagógica". Vamos "separar" um pouco os dois:

O RICA, Ritual de Iniciação Cristã de Adultos, disciplina os ritos da Iniciação cristã e os sacramentos que fazem parte dela: batismo, crisma e eucaristia. E tem também, para se adequar a realidade de hoje na Igreja, um capítulo destinado à iniciação de crianças em idade de catequese. Estes ritos fazem parte da catequese mistagógica. Mas, não é só isso que faz uma catequese mistagógica.

A "catequese mistagógica" pede que se volte a "conduzir" os catequizandos ao mistério da fé. Mistério este que prescinde de simbologia, ritos e uma volta ao sentido do "sagrado". Para isso encontramos várias orientações de celebrações catequéticas. Celebrações, ritos e momentos orantes, que podem ser feitos nos encontros de catequese e não só na celebração da missa com a comunidade.

Precisamos pensar que a Liturgia da nossa Igreja - e aqui vou simplificar para "missa" - tem suas orientações e sentidos. Ela é sagrada, milenar e regida por orientações específicas. Nem todos os "ritos" e "entregas" da catequese, "cabem" nela. O que cabe, está descrito no RICA. Mas, o que vemos em alguns casos é entrega de tudo que se possa imaginar, feitos na missa: mandamentos, sacramentos, dons do Espírito Santo, Bem Aventuranças, mandamento do amor... etc., etc.

E aqui cabe um pequena explicação: a IVC prevê o catecumenato em quatro tempos: Pré-Catecumenato ou primeiro anúncio; Catecumenato (catequese e tempo mais longo); Purificação ou Iluminação (Quaresma) e; Mistagogia (tempo pascal onde se inicia o serviço pastoral/missionário). Entre estes "tempos", temos as três grandes passagens de etapa. 

E cada um destes tempos, prevê etapas a serem cumpridas. Depois do pré-catecumenato (conversão), o candidato é acolhido na comunidade e se faz o Rito da Admissão (acolhida) - 1ª ETAPA; ao se passar do Catecumenato (catequese) para a Purificação, é feita outra "eleição" aos sacramentos - 2ª ETAPA; e na purificação é feita uma preparação especial nos domingos da quaresma para que no sábado santo se receba os sacramentos da iniciação. Vejam só, os SACRAMENTOS recebidos aqui é o marco da passagem ao último tempo - 3ª ETAPA, chamado de mistagogia, onde se aprofunda e se mergulha no mistério cristão, no mistério pascal, na vida nova e onde se faz uma vivência na comunidade cristã para, então, adaptar-se a ela e ser um verdadeiro discípulo missionário de Cristo.

Durante o tempo do catecumenato (Catequese) o RICA prevê algumas entregas de símbolos: 
- NA ADESÃO (passagem do pré-catecumenato ao catecumenato): entrega da Palavra (Bíblia), aqui, no rito da acolhida (descrito também do RICA), pode ser entregue uma cruz ao candidatos;
- NO CATECUMENATO: entrega do SÍMBOLO (Credo), entrega da ORAÇÃO DO SENHOR (Pai Nosso), precedidos de uma catequese adequada sobre isso.

Pronto. Não existem mais "entregas" de símbolos previstos no RICA.

Existem sim, vários RITOS que podem ser feitos: Rito do Éfeta, Rito da Unção, Exorcismos (orações), Bênçãos, rito penitencial, Escrutínios (são feitos três a partir do 3º domingo da Quaresma).

Vale uma orientação para que todos procurem o RICA para conhecer a beleza dos ritos de iniciação cristã de nossa Igreja. Lembrando sempre que o RICA é um LIVRO LITÚRGICO de apoio à catequese de Iniciação a Vida Cristã, com orientações preciosas de catequese, mas, não disciplina o que é a catequese. E não se pode seguir um "ritual" sem que se faça catequese antes. E nem se pode "inventar" entregas de símbolos nas celebrações litúrgicas (missa).

É claro que podemos enriquecer muito nossa catequese valorizando as grandes colunas da nossa fé: Mandamentos, Sacramentos, Bem Aventuranças; fazendo celebrações CATEQUÉTICAS, ou seja, celebrações nos encontros de catequese: com o grupo, com a presença de um diácono ou até do padre, com a presença da família, padrinhos; sem que estas envolvam necessariamente toda a comunidade e mude a liturgia da Missa. O catecumenato há muito foi abandonado pela nossa Igreja, nem mesmo nossos pais e avós conhecem os ritos usados pela Igreja da antiguidade. Sempre que possível, fazer uma catequese com a família sobre a simbologia e os ritos que pretendemos resgatar. 

Enfim, é isso que eu quis dizer com "excessos de ritos e entregas banalizam a missa e a liturgia". As entregas dos símbolos e os ritos da iniciação, são especiais demais para que se faça "por fazer", somente porque é "bonito". A comunidade precisa sentir o quão especial são os ritos e entregas e não achar que é um ritualismo desnecessário e "demorado" que algum catequista "inventou". Infelizmente muita gente vai á missa com o tempo "cronometrado" no relógio. A nós, cabe fazer com que eles se "apaixonem" pela nossa Igreja e queiram voltar sempre e não, se aborrecer com a demora em acabar a celebração.

Outra coisa: os ritos do catecumenato foram pensados, em princípio, PARA ADULTOS, maduros, conscientes do que querem para si. Nós fazemos catequese com crianças que, muitas vezes, ainda não tem capacidade e maturidade para entender o mistério da fé e não sabem exatamente, que "escolha" estão fazendo agora. Cabe aqui, nossas orações para que estes ritos e entregas sejam momentos "marcantes" o bastante em suas vidas para que eles busquem sempre conhecer e aprofundar a sua fé.


Catequista

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO