sábado, 5 de abril de 2014

A simbologia da Páscoa


A terminologia Páscoa surgiu do hebraico Pessach (passagem), que para o povo hebreu, lembra o fim da escravidão e o início da liberdade. Para os cristãos a Páscoa é a passagem de Cristo, da morte para a vida, ou seja, a Ressurreição. É considerada na Igreja católica, a festa das festas, a solenidade maior que celebra a vida, a comunhão de Deus com os homens e, a esperança do reencontro.

Todos os anos trabalhamos na catequese, a temática da Páscoa, dando uma ênfase especial aos símbolos que a representam: o Pão e o Vinho, as Velas, o Círio Pascal, as vestes brancas, o cordeiro, a Cruz... Lembramos o Domingo de Ramos, a Paixão de Cristo, a benção dos santos óleos, a benção da água e do fogo e o domingo da Ressurreição do Senhor. Tentamos tocar o coração das crianças para lembrar o que essa data representa para nós, cristãos.

No entanto, às vezes nos sentimos um pouco frustrados com relação à lembrança que a palavra Páscoa traz às crianças. A Festa da Ressurreição perde sua importância para o Theobroma Cacau, o “néctar dos deuses” para os gregos: o chocolate. Tomando a forma de ovos e coelhos, que representam respectivamente a força da vida e a fecundidade, ele tomou o lugar daquela que seria a Festa da Vida.

As crianças já nem lembram mais que Jesus ressuscitou no Domingo de Páscoa. Elas querem chocolate: Ovo da Barbie, Heelo Kitty, Ben 10, Trakinas, Pucca, Batman, meninas super-poderosas... São tantos nomes e temas que é praticamente impossível à criança escolher. Melhor nem levá-las ao supermercado, corre-se o risco de sair falido dali...

Mas de onde vem essa tradição?

Começou com os povos antigos, que costumavam presentear os amigos com ovos. Os chineses costumavam distribuir ovos coloridos entre amigos, na primavera, lembrando à renovação da vida. Os cristãos foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando o nascimento para uma nova vida e a ressurreição de Jesus Cristo. Os ovos eram mais um presente decorativo.

Lembro de quando criança, nossos vizinhos ucranianos presentearem as crianças com ovos pintados à mão, recheados de amendoim açucarado. A substituição dos ovos cozidos e pintados à mão por ovos de chocolate, pode ser justificada pela abstinência no consumo de alguns alimentos de origem animal por alguns cristãos durante a quaresma. A indústria do chocolate viu aí uma grande oportunidade de colocar definitivamente o produto no mercado.

E os ovos de chocolate viraram o símbolo maior da Páscoa. Não se concebe mais Páscoa sem chocolate. E vemos, a cada ano que passa, embalagens mais sofisticadas e chamativas. Temos até ovos quadrados. São cestas, coelhos, cenouras, ovos de todos e tipos e tamanhos. Chocolate com todas as misturas possíveis. Corredores e corredores apinhados de guloseimas.

E novamente vemos uma data que deveria ser de alegria, festa, oração, partilha e encontro, corrompidos pelo poder do consumismo. Já não lembramos mais de, na manhã do domingo, visitar o sepulcro e nos alegrarmos por vê-lo vazio, porque Jesus Ressuscitou. Acordamos e vamos ver o que o “Coelhinho da Páscoa” trouxe para nós: quantos e de que tamanho, são os ovos que ganhamos, se Lacta, Garoto, Nestlé, Arcor, Kinder, Ferrero Rouché...

A gente também nem lembra, que aí pelo mundo afora, existem crianças que sequer sabem o gosto que o chocolate tem.

Ângela Rocha
Catequista
3ª Etapa - Eucaristia

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO