sábado, 12 de abril de 2014

Ainda uma visão sacramental...

Vocês me perdoem, mas, eu ainda me assusto com a visão "sacramental" que muitos catequistas ainda têm da catequese da nossa Igreja. Isso porque, por mais que a gente leia, discuta, divulgue e promova a visão que a Igreja pós-concílio prega, ainda tem gente achando que se faz catequese para receber sacramento!

Numa recente discussão em nosso grupo, estávamos debatendo a validade de se ter crianças na catequese, cujos pais são evangélicos.

Não dá, simplesmente não dá, para pensar que em nossa catequese tenha CRIANÇAS SENDO CATEQUIZADAS a despeito da religião de seus pais. Que eles não sigam religião nenhuma, e a criança procure uma crença que seja dela, até vai. É um direito da criança. Assim como é dever dos pais orientá-la nisso. Mas, quando os pais seguem uma religião protestante ou evangélica e o filho, criança ainda, quer ser católico, é de doer. Essa desculpa de que a criança "quer", me lembra do mesmo querer que uma criança tem de um brinquedo que o amigo da escola possui e ele não.

Que eu saiba, uma pessoa só atinge a maioridade aos 18 anos e pode, assim, fazer o que quiser e escolher a vida que quer seguir. Nossos filhos menores não fazem o que querem nem vão aonde querem sem permissão. Eles não têm maturidade suficiente para decidir, sozinhos, nada na vida, nem sequer o que vão comer. É nosso dever de pais proporcionar uma alimentação saudável para eles e, por “incrível” que pareça, dizer a eles a hora de dormir. Eles também não decidem se querem ou não ir para a escola, ou ao dentista ou visitar a Vovó.  E assim é com muita coisa. Inclusive com a fé. Um pai e uma mãe, responsáveis, jamais deixariam seus filhos na porta de uma Igreja: que não frequentam, de uma religião que eu não seguem; seja para frequentar culto, pregação, catequese ou o que quer que seja.

Onde então, nós catequistas, estamos com a cabeça ao aceitar semelhante coisa? Por que tem criança na catequese católica com pais de outra religião?Por que não vamos evangelizar e converter estes pais? Que "merreca" de discípulos missionários nós somos?

Um trecho do DNC só pra esclarecer umas coisas (Itens 33 e 34):

Catequese e evangelização

A evangelização é uma realidade rica, complexa e dinâmica, que compreende momentos essenciais, e diferentes entre si (cf. CT 18 e 20; DGC 63): o primeiro momento é o anúncio de Jesus Cristo (querigma); a catequese, um desses “momentos essenciais”, é o segundo, dando-lhe continuidade. Sua finalidade (da catequese) é aprofundar e amadurecer a fé, educando o convertido para que se incorpore à comunidade cristã. A catequese sempre supõe a primeira evangelização. Por sua vez, à catequese segue-se o terceiro momento: a ação pastoral para os fiéis já iniciados na fé, no seio da comunidade cristã (cf. DGC 49), através da formação continuada.

(Em resumo: Evangelização= Anúncio, depois catequese, depois ação pastoral).

Catequese e ação pastoral se impregnam do ardor missionário, visando à adesão mais plena a Jesus Cristo. A atividade da Igreja, de modo especial a catequese, traduz sempre a mística missionária que animava os primeiros cristãos. A catequese exige conversão interior e contínuo retorno ao núcleo do Evangelho (querigma), ou seja, ao mistério de Jesus Cristo em sua Páscoa libertadora, vivida e celebrada continuamente na liturgia. Sem isso, ela deixa de produzir os frutos desejados. Toda ação da Igreja leva ao seguimento mais intenso de Jesus (cf. CR 64) e ao compromisso com seu projeto missionário.

Conversão, Seguimento, Discipulado, Comunidade

O fruto da evangelização e catequese é o fazer discípulos: acolher a Palavra, aceitar Deus na própria vida, como dom da fé. Há certas condições da nossa parte, que se resumem em duas palavras evangélicas: conversão e seguimento. A fé é como uma caminhada, conduzida pelo Espírito Santo, a partir de uma opção de vida e uma adesão pessoal a Deus, através de Jesus Cristo, e ao seu projeto para o mundo. Isso supõe também a aceitação intelectual, o conhecimento da mensagem de Jesus. O seguimento de Jesus Cristo realiza-se, porém, na comunidade fraterna. O discipulado, que é o aprofundamento do seguimento, implica renúncia a tudo o que se opõe ao projeto de Deus e que diminui a pessoa. Leva à proximidade e intimidade com Jesus Cristo e ao compromisso com a comunidade e com a missão (cf. CR 64- 65; AS 127c).

Para maior esclarecimento e aprofundamento dos conceitos de evangelização, catequese, ação pastoral, iniciação cristã, formação continuada, catecumenato etc., pode-se consultar o documento da CNBB: Com adultos catequese adulta, Estudos da CNBB 80, 2001, cap. IV, nn. 86-124. Sobre a “originalidade da pedagogia da fé”.

Agora, pergunto eu: Uma criança de 11, 12 anos ou um adolescente de 13, 14 anos, recém-crismado, tem maturidade para entender tudo isso sem a mediação dos adultos? Neste caso, a família, que é a base de sua formação? Porque, sem entender isso, receber a Eucaristia e a Crisma é mera formalidade sacramental. Não é a isso que a IVC tanto fala? Mais que uma catequese com adultos, uma catequese adulta, se faz urgente! A começar por muitos de nossos catequistas...


Angela Rocha

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO