segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

CATEQUESE: MUDANÇA DE PARADIGMA NECESSÁRIO


Mais que um caminho metodológico, a dinâmica catecumenal é um espírito que deve permear todas as ações da ‘nova evangelização’”. Esta é uma frase dita pelo Padre Luiz Alves de Lima, um dos maiores, senão o maior, defensor e articulador da IVC pelo processo catecumenal na nossa Igreja. E ele lembra também que a Igreja pede, desde o Concílio Vaticano II, há 50 anos, o retorno dos processos catecumenais de evangelização. Estranho é que, força mesmo, somente de uns 10 anos pra cá a Igreja tem dado para que se faça este resgate.

Mas, o que nos intriga mesmo é: COMO FAZER ACONTECER? Que metodologias, que itinerários, que roteiros seguir?  O RICA, sendo um livro litúrgico, traça o caminho das celebrações, ritos, entregas, exorcismos e outras práticas litúrgico-rituais do processo catecumenal. No entanto, além das dificuldades normais de se integrar tais práticas desconhecidas da tradição catequética com a catequese de instrução e aprendizado, temos que o RICA é em linguagem pouco entendida pelos agentes de pastoral e praticamente desconhecido até dos presbíteros. Sem contar ainda que vemos paróquias que, equivocadamente, estão usando o RICA como “itinerário” para a catequese. O livro não é uma “metodologia” ou um itinerário de iniciação, é apenas um complemento litúrgico a ela!
Tratando-se de textos, a catequese é o resultado de três livros: A BÍBLIA, o CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA e RICA. Sabemos até trabalhar com a Bíblia e o CIC, mas, como fazê-los interagir com o RICA? Quais seriam os itinerários ou roteiros para colocar em prática esses processos catecumenais?

Pensando nisso, uma Comissão Nacional da CNBB, reuniu-se para criar um Itinerário de iniciação cristã para 4 idades distintas: adultos não batizados, jovens-adolescentes e crianças. Esses itinerários baseiam-se nos 4 tempos do chamado processo catecumenal: Pré-Catecumenato, Catecumenato, Purificação/iluminação e Mistagogia. Cada um com seus objetivos, eixos temáticos e celebrações. Quanto à catequese propriamente dita (2º tempo ou catecumenato), seria o mais longo (dois anos ou mais), é subdividido em fases, igualmente com seus objetivos e eixos temáticos.

O Itinerário Catequético, lançado no mercado pelas Edições CNBB, no final de 2014, é, segundo as palavras de D. Jacinto Bergmann: “um instrumento que vai servir muito às Igrejas uma vez que apresentará grandes orientações sobre como fazer a iniciação à vida cristã. Essas orientações gerais criarão unidade e ajudarão as igrejas locais a elaborarem os seus roteiros e manuais.” As várias igrejas particulares ou regionais deverão, então, traduzir tais linhas de ação em prática concreta e inculturada. Que se pese aqui que muitas dioceses do Brasil, já se adiantaram e criaram seus itinerários sem estas orientações. Infelizmente, em alguns textos a Iniciação Cristã permanece somente no título.
E aqui fica a grande pergunta: Como trabalhar o primeiro tempo do catecumenato? O chamado “pré-catecumenato”, ou seja, o querigma, primeiro anúncio, a evangelização propriamente dita; como fazer isso no ambiente fortemente secularizado de hoje? Tem como dar indicações práticas às paróquias e dioceses de como fazer o anúncio querigmático para a multidão de pessoas afastadas da Igreja?  Mesmo o Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização (2012) apontando algumas sugestões, não se pensa em grandes mudanças na estrutura da Igreja para promover uma nova evangelização de fato. Ainda há uma grande carência de vocações sacerdotais e os padres que estão trabalhando não dão conta de atender plenamente os anseios da comunidade.

No Brasil, em todos os 18 regionais há tentativas isoladas de se promover a implantação do catecumenato, algumas com resultados positivos. Mas sempre quando esta implantação é fruto de um esforço coletivo de toda paróquia. Não se muda somente a catequese, muda-se toda a paróquia. Com renovado ardor missionário vai-se em busca daqueles que estão afastados, cria-se novos ministérios, renovam-se as estruturas paroquiais.

Quase todos os catequistas com quem conversamos ao longo dos últimos dez anos (depois do DNC, DAp, Estudo 97...), estão convencidos de que uma mudança radical se faz necessária nos processos catequéticos. A ânsia é saber o “Como?”. Como colocar em prática o esquema catecumenal proposto pelo RICA, como envolver toda a comunidade nesse processo, sobretudo o clero, os religiosos? Nós catequistas leigos nos mostramos, muita vezes, extremamente entusiasmados com isso tudo, mas, levamos um “banho de água fria” de nossos párocos, que parecem não sentir necessidade de mudanças ou não tem tempo para isso. E também há sempre o perigo do “nominalismo”, ou seja, dar-se o nome de Iniciação a Vida Cristã a processos que, no fundo, permanecem os mesmos, só ligeiramente modificados. "Dar uma nova capa ao mesmo conteúdo".  Pior ainda é a tentação do Ritualismo, incluindo no processo catequético alguns ritos a mais sem a preocupação de que os mesmos sejam compreendidos e realizados corretamente. Quantas celebrações de entregas e ritos temos visto sem a presença dos padres e da comunidade...

Mais que convencer os catequistas, é preciso que a Igreja, em suas estruturas arcaicas, se abra a este "nem tão novo" processo, com uma vontade sincera de promover, de fato, uma nova evangelização, tão necessária a sobrevivência da nossa fé em Jesus Cristo e da nossa Igreja.

Ângela Rocha
Catequista

FONTES DE CONSULTA:
- Revista de Catequese 143/144. UNISAL, 2014.
- Itinerário Catequético. Brasília: Edições CNBB, 2014.


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