segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

AVALIAÇÃO DE CONTEÚDO NA CATEQUESE: TEM ISSO?


Muitos catequistas se perguntam se devem fazer - e alguns fazem - “avaliação” de conteúdos na catequese. Penso que essa é uma ação que não cabe no processo de evangelização. Claro que usamos alguns recursos pedagógicos para trabalhar os temas, como por exemplo: dinâmicas, brincadeiras, canto, etc. Na verdade, a “dinâmica” mesmo, é uma técnica ou método didático para tornar os conteúdos mais atraentes e não uma "avaliação". Da mesma forma, algumas atividades para fixação de conteúdos podem se fazer necessárias, mas, nunca pensando em "corrigir" e apontar erros.

Estou na catequese de crianças há quase 15 anos. Normalmente fico com a mesma turma até receberem a primeira Eucaristia, ou seja, três anos, e nunca fiz qualquer tipo de avaliação, mesmo porque, se fizesse, ia chegar à conclusão de que elas não “aprenderam” nada. Nosso universo é muito mais de “experiências” do que aprender conteúdos ou reter “conhecimento”.

E essa é a questão na catequese: ela não existe para se "aprender” alguma coisa. E isso o documento Catequese renovada, já apontou em 1983. A Catequese é “iniciação à vida cristã”! E vida, leva à “vivência” cristã. E essa é uma das características apontadas pelo DNC (2006, item 13) é: “catequese como processo de iniciação à vida de fé: é o deslocamento de uma catequese simplesmente doutrinal para uma modelo mais experiencial (...)”

E até quando a gente vai teimar em conduzir um barco a remo se temos "motores" potentes hoje? Temos informação! Temos ajuda das ciências (pedagogia/psicologia). E elas nos ajudam a entender o universo da criança e como ela “aprende” e incorpora na sua vida as experiências que vai tendo. É simplesmente fora de propósito avaliar a “experiência” de fé de alguém, ainda mais de uma criança que está construindo seu mundo e suas crenças.

Como se avalia a fé de uma pessoa? Saber, “decor e salteado", os mandamentos e sacramentos, indica que essa pessoa se converteu? Em que grau isso vai proporcionar mudanças na vida do nosso catequizando? Não tem como a gente saber se o que estamos trabalhando na catequese hoje vai ou não mudar a vida de uma criança no futuro, portanto, vamos nos acalmar e pensar que catequese é a vida toda e não simplesmente aqueles três ou cinco anos da infância.

Ao invés de esquentar a cabeça pensando numa "avaliação", vá lá fora, em algum lugar que tenha uma grama bem gostosa para deitar, e fique uma meia hora olhando para o céu azul, brincando de “pintar” figuras nas nuvens. Olhando e se maravilhando com a criação do Altíssimo. Garanto a você que daqui uns 30 anos suas crianças vão "voltar ao passado" e pensar: "Como foi bom estar na catequese!".

O que se pode, e deve fazer sempre, é uma avaliação conjunta, pela equipe de catequese e pelo padre, sobre a eficácia e o alcance da evangelização que está sendo feita pela paróquia. Analisando isso, se está pondo a "prova" a catequese feita por todos nós.

Ângela Rocha – Catequista
Especialista em Catequética pela FAVI – Curitiba
Graduando em Teologia pela PUCPR - Curitiba