terça-feira, 28 de abril de 2020

É TEMPO DE CUIDAR: CNBB AÇÃO EMERGENCIAL

A prática da solidariedade é inerente à vida e aos ensinamentos cristãos como um chamado permanente para olhar as realidades de vulnerabilidade e, principalmente, os necessitados. Não é um olhar de desprezo como o daqueles que passaram pelo caminho e foram indiferentes à dor e sofrimento daquele homem que foi atacado por assaltantes, mas um olhar bondoso e repleto de caridade como o que teve o bom samaritano. “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34).

IGREJA CATÓLICA NO BRASIL ESPALHA SOLIDARIEDADE PELO PAÍS DURANTE PANDEMIA


Neste momento de combate ao novo coronavírus, a solidariedade se tornou uma das principais armas contra a pandemia. Arquidioceses e dioceses têm se mobilizado para ajudar pessoas em estado de vulnerabilidade social, idosos — mais suscetíveis à COVID-19 — e quem precisa de apoio psicológico.


Arquidiocese de Curitiba - PR
A arquidiocese de Curitiba (PR), por exemplo, lançou um serviço de escuta telefônica solidária, criado para ouvir e acolher as pessoas que se sentem sós ou emocionalmente abaladas neste momento de isolamento social. Foi instalada uma central de atendimento, que funciona pelo telefone (41) 3550-0003, das 6hs às 22h30, todos os dias, contando hoje com 65 voluntários se revezando, neste período de 16 horas de atendimento.


Do outro lado da linha está um voluntário, que já atua no SOS Família ou projeto SobreViver, ambos serviços pastorais de acolhida na arquidiocese de Curitiba. Eles estão à disposição para atender e acolher, recebendo instruções para os atendimentos das coordenadoras do SOS Família, as psicólogas Mara Avelino e Carmen Simon.

O atendimento é voltado a todas as pessoas que se sentem sós, abaladas emocionalmente ou que queiram apenas desabafar, podendo ser de todas as idades, regiões e crenças religiosas. O objetivo é ouvir, acolher e transmitir mensagem de esperança e de paz.

Arquidiocese de Belo Horizonte

Também desde o início da pandemia da covid-19, a arquidiocese de Belo Horizonte (MG), a partir da articulação de seu Vicariato Episcopal para Ação Social e Política, tem oferecido ajuda emergencial às famílias. É a ação Solidariedade em Rede, que mobiliza voluntários, pessoas e instituições solidárias. As ações envolvidas vão desde a doação de cestas básicas, confecção de máscaras que são doadas a instituições e comunidades, entre outras iniciativas.

Ação Solidária Emergencial


Desde o dia 12 de abril, domingo de Páscoa, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu início a Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil, uma iniciativa nacional que tem como lema ‘É tempo de cuidar’ para estimular a solidariedade, a começar pela arrecadação de alimentos, produtos de higiene e limpeza. Além de incentivar a ajuda material, a iniciativa promove o cuidado no campo religioso, humano e emocional. Assim, a CNBB se une a diversas campanhas e projetos de solidariedade que já estão em curso pelo país.

Diocese de Marabá - PA
Inspirando-se na iniciativa da CNBB, a diocese de Marabá (PA), através de leigos, sacerdotes, paróquias e o bispo diocesano estão realizando ações solidárias emergenciais em favor dos mais pobres, moradores de rua, sobretudo na cidade de Marabá. “O ponto importante é que muitas pessoas estão ajudando com alimentação, algumas com cestas básicas, mulheres que estão confeccionando máscaras, e também o governo do Estado contribuindo nesta missão que é para o bem de pessoas mais vulneráveis”, afirma dom Vital Corbellini, bispo de Marabá.

Diocese de Cruz Alta - RS

A diocese de Cruz Alta (RS), também inspirada pela iniciativa da CNBB, tem realizado inúmeras campanhas buscando arrecadar alimentos, material de higiene e limpeza, roupas e, também, em alguns casos, máscaras para aqueles que não têm condições de adquiri-las. Até o momento, das 31 paróquias, 12 estão realizando ações solidárias emergenciais.

A diocese de Caicó, no Rio Grande do Norte, agora conta com 30 pontos de arrecadação de donativos e de apoio às famílias em situação de vulnerabilidade social. A campanha “É tempo de cuidar” da Igreja potiguar soma-se aos esforços da CNBB e da Cáritas Brasileira de proteger as pessoas mais suscetíveis aos impactos da pandemia do novo coronavírus.

Todo o trabalho de planejamento, atendimento, arrecadação e distribuição das doações está sendo feito por cada uma das 29 paróquias existentes no território da diocese de Caicó (RN), além da Área Pastoral Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Todas contam com o apoio da Cáritas Diocesana local para orientações e divulgação das ações.

Ação Diocesana de Patos - PB

Também em sintonia com a Ação Solidária Emergencial, a Ação Diocesana de Patos, organização membro da Cáritas do regional Nordeste 2 da CNBB, na Paraíba, garantiu a entrega de 521 cestas básicas a famílias quilombolas. A aquisição e distribuição dos donativos foram feitas em parceria com a Gerência de Igualdade Racial do Governo do Estado.

Os kits foram destinados aos moradores de dez comunidades quilombolas do médio sertão paraibano que há mais de 15 anos são assistidos pelo Programa de Promoção e Ação Comunitária (Propac), com apoio da Misereor. Cada família recebeu arroz, feijão, macarrão, floco de milho, café, açúcar, sardinha, leite em pó, biscoito e óleo.

Como participar?

A Ação Solidária Emergencial oferece orientações importantes para quem tem interesse em ajudar. Um documento que poderá ajudar é o Plano de Contingência da Cáritas Brasileira que pode ser acessado AQUI. E também o material com orientações sobre como organizar a Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

EU VIVI...

E quando andávamos contando os segundos que nem víamos passar de tantas coisas pra fazer e como num fôlego tomado acabávamos nos cansando, hoje cansamos por procurar algo para fazer porque parece que fazemos as mesmas coisas todos dias devagar para passar o tempo.

E quando andávamos por aí respirando um ar que dizíamos poluídos, hoje necessitamos respirar por baixo de máscaras que acabou sendo o utensílio mais procurado deixando pra traz os cordões, os brincos, entre outros.

E quando pensávamos que beijar, abraçar nos sustentava no amor, fomos vencidos por algo ao ponto de nem o simples toque não podemos dar se não passar um tal de álcool nas mãos.

E a presença se tornou tão limitada ao ponto de querer estar perto e não poder neste instante.

E os abraços ficaram na lembranças ao ponto de apertar o peito de saudades.

E nossas casas tornaram-se refúgios a sete chaves, lugar do esporte, do trabalho, do estudo, entre tantas novas invenções pra este espaço que denominamos de lar.

E o silêncio ganhou gritos, e os gritos foram silenciados pelo diálogo.

E o medo veio com o novo diferente e inesperado.

E a esperança é a palavra que nos mantém a calma enquanto a fé segue sendo nosso sustento.

E a igreja tomou lugar em nossas casas, e as missas adentrou nosso lar pela TV.

E a vida segue segura, inquieta, um mix de sentimentos e emoções.

E a vida segue assim como uma nova realidade trazida em quarentena.

Realidade está que um dia poderemos olhar pra trás e dizer como na canção: Eu vivi!


Rosevânio de Britto Oliveira, CRL
Religioso da ordem dos Cônegos Regulares Lateranense, estudante do 2º Ano de Teologia da  PUCPR. 
Paróquia São Miguel Arcanjo - Curitiba - PR
🙏🏾💙🙏🏾

sábado, 11 de abril de 2020

A DESCIDA DO SENHOR À MANSÃO DOS MORTOS


Iconografia: Dom Ruberval Monteiro, OSB.
  
Uma antiga meditação sobre a frase do Creio: "Desceu à mansão dos mortos".  É o mistério que celebramos hoje no Sábado Santo. O narrador nos apresenta o significado salvífico da morte de Jesus e de sua descida à mansão dos mortos por meio de um diálogo de Jesus Cristo com Adão

A descida do Senhor à mansão dos mortos

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos. O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração:

- “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão:
- “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse:

- “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: Saí!; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’.

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. 

Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa. Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado. Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida. Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso. Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti. 

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus. Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”

 *Antiga homilia para Sábado Santo: Pg. 43. 440.452.461 (Sábado Santo, 2ª Leitura do Ofício de Leituras: Liturgia das Horas, s. 2). Gráfica de Coimbra: 1983. p. 454-4551.



FONTE:



VIVENDO A SEMANA SANTA: SÁBADO DO SILÊNCIO

Imagem: Jornal GGN 
Muitas pessoas se perguntam qual o sentido religioso e cristão desse tempo que vai da celebração da paixão na sexta-feira santa e a Vigília Pascal, no sábado à noite. Pois bem! Antes de tudo é preciso entender quais são os três dias do Tríduo Pascal. A liturgia não se guia pelo nosso calendário solar no qual o dia começa de noite. Após a meia noite temos o começo de um novo dia. Essa convenção do relógio parece muito lógica, mas convenhamos que não é.

Para a tradição judaico-cristã, o dia começa quando surge a lua. Utilizamos o calendário lunar. Com isso tudo faz mais sentido. A tarde de quinta-feira santa com sua celebração da instituição da Eucaristia já é sexta-feira. Esse primeiro dia do Tríduo termina com a celebração da paixão. A partir da tarde de sexta-feira começa o segundo dia do Tríduo Pascal. Vai até a tarde de sábado. Somente nessa tarde é que começa o terceiro dia que atravessará toda a noite em vigília até a madrugada da ressurreição no domingo de Páscoa. Fim do terceiro dia do Tríduo Pascal. O primeiro é o dia da paixão (quinta-sexta); o segundo é o dia do silêncio (sexta-sábado) e o terceiro é o dia da ressurreição (sábado domingo).

Normalmente conseguimos perceber muito bem o dia da paixão e o da ressurreição, mas o sábado do silêncio passa sem que a maioria perceba seu denso significado. É o dia da sepultura. Nesse dia a liturgia não prevê qualquer rito. É como se fosse um não-dia. Devemos vivê-lo na meditação, no escondimento, na reflexão, no silêncio. Tradicionalmente a Igreja não toca sinos nem instrumentos musicais nesse dia. Nas famílias é um dia de limpeza da casa preparando a páscoa. As santas mulheres do Evangelho passaram esse sábado preparando os óleos para a unção de Jesus  no primeiro dia da semana, o primeiro domingo da história. Por isso foram de madrugada ao túmulo. Encontraram Jesus vivo e ressuscitado.

O sábado santo é o dia em que até Deus se calou. Devemos fazer um silêncio profundo nesse dia para que possamos ter os ouvidos preparados para a boa notícia da Páscoa: O Senhor está vivo, Ele ressuscitou!

Pe. Joãozinho, scj (11/04/2020)

sexta-feira, 10 de abril de 2020

LITURGIA, TRADIÇÕES E QUARENTENA DA SEMANA-SANTA



No Domingo de Ramos, deu-se início à Semana Santa, o tempo mais forte de nossa fé cristã. Fiz algumas anotações sobre a Liturgia (leituras e ritos), tradições (gerais ou da paróquia na qual participo) e a forma de vivenciar essas importantes celebrações nesta quarentena (por causa da pandemia do corona vírus), para melhor vivenciar essas celebrações.

SEGUNDA-FEIRA SANTA

A leitura de Isaías 42,1-7 descreve "o eleito de Deus", "centro da aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas". O Salmo 26 (27) confirma o que diz a leitura: "O Senhor é minha luz e Salvação". No evangelho (João 12,1-11), Maria lava os pés de Jesus com suas lágrimas (seu sentimento mais profundo), seca-os com os seus cabelos (sua vaidade), banhando-os também com um precioso perfume. Como Maria, precisamos aprender a dar o melhor de nós para o Senhor. Começamos a recordar o caminho de Jesus até o calvário.

Há alguns anos, fazíamos a Procissão do Encontro. Arrumávamos um andor com a imagem do Senhor dos Passos (carregado pelos homens) e outro com a imagem de Nossa Senhora das Dores (carregado pelas mulheres). Saindo de duas comunidades diferentes, percorríamos as ruas da cidade, cantando e rezando... e nos encontrávamos e voltávamos para a matriz.

    

Neste ano, tivemos a missa online da Segunda-feira Santa, recordando que somos chamados a escolher sempre o melhor para dar para Deus. Como o gesto de Maria Madalena com o perfume, as lágrimas e os cabelos, busquemos sempre entregar e oferecer o melhor de nós a serviço de Deus e dos irmãos. Rezemos por todos os irmãos que estão trabalhando para que nós fiquemos em casa com segurança.

TERÇA-FEIRA SANTA

A leitura de Isaías 49,1-6 anuncia a vocação de profeta "Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado", bem como o Salmo 70 (71), "Minha boca anunciará vossa justiça!" No evangelho segundo João 13,21-33.36-38 Jesus anuncia a traição e sua morte, mas Pedro e os discípulos não compreendem como as coisas vão acontecer.


Na paróquia, costumamos fazer a celebração penitencial, com um bom exame de consciência e cantos que nos ajudam a refletir, rezar e nos reconciliar com Deus. Ao final, o padre atende confissões.

Neste ano, com a celebração penitencial online, não foi diferente. Fizemos um belo exame de consciência. Depois de cada reflexão, cantamos: "Piedade, Senhor! Tende piedade, Senhor! E liberta a minha alma para o amor!" Ao final, a música "Abraço de Pai" firmou nossa reconciliação com Deus e houve um momento de adoração online, onde tivemos que prestar mais atenção na celebração e perceber o sentido de cada parte: arrependimento, exame de consciência com pedido de perdão e o abraço do Pai (com o canto e a adoração). Desta maneira, centramo-nos mais na reflexão, na importância de obter o perdão de Deus para voltar à Sua presença. E o valor do perdão: perdoar também é amar. A consciência precisa denunciar nossos pecados, mas também nos acolher de volta, nos devolver a esperança.

QUARTA-FEIRA SANTA

A leitura de Isaías 50,4-9 explica que o discípulo do Senhor tem ouvidos atentos, língua afiada, coragem e resistência diante da violência e da humilhação, porque está com o Senhor. O Salmo 68 (69) vai confirmar essa confiança: "Respondei-me ó Senhor, pelo vosso imenso amor!" No evangelho segundo Mateus 26,14-25 Judas entrega Jesus à morte por trinta moedas de prata, o preço de um escravo.



Normalmente, fazemos a Via Sacra nas ruas ao redor da igreja, recordando o caminho do Calvário. Levamos os quadros das 14 estações, acompanhados de um carro de som.


Essas fotos são de uma Via Sacra transmitida "online" na semana passada. As duas catequistas mais a musicista da animação basearam-se no livrinho da Campanha da Fraternidade da CNBB e rezaram as 15 estações, apresentando as imagens e cantos que ajudaram na meditação.


 
Uma amiga minha mora no sítio e montou lá mesmo a Via Sacra e rezou com a família. 

Na minha turma de catequese, também fizemos este momento no 5º Domingo da Quaresma. Enviamos as imagens da Via Sacra e o canto de cada estação, para que os catequizandos refletissem e rezassem em família. Muitos deles nunca tinham rezado a Via Sacra. 

 
Fiz um pequeno altar em casa para este momento, com um tecido roxo (representando o tempo penitencial da Quaresma), uma cruz (recordando a Paixão de Cristo) e uma vela (lembrando que Cristo é a Luz que ilumina a nossa vida). 

Uma das famílias também enviou a foto do altar que fez para a oração. Como não tinham uma cruz, colocaram o terço.
  
QUINTA-FEIRA SANTA

Celebração da Manhã: SANTOS ÓLEOS

Na primeira leitura (Isaías 61,1-3a.6a.8b-9), recordamos que o profeta é ungido por Deus para proclamar a libertação e ser sacerdote, a serviço do povo de Deus. O Salmo 88(89),21-22.25.27 mantém o sentido de missão e envio, porque assim como naquele tempo o Senhor encontra em Davi seu servo e o unge com óleo para o proteger e salvar, hoje quer encontrar em nós a mesma disposição. "Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor." Na Segunda Leitura (Apocalipse 1,4-8), compreendemos que Cristo é o Alfa e o Ômega, princípio e fim da liberdade e da vida eterna, para os quais fomos gerados. E por fim, o Evangelho (Lucas 4,16-21) confirma a Segunda Leitura, colocando a busca do "ano da graça do Senhor", em obras visíveis de fraternidade, justiça e partilha, em Cristo Jesus.

Essa missa é celebrada nas catedrais das dioceses, com a bênção dos óleos do batismo (ou dos catecúmenos) e da unção dos enfermos, da consagração do óleo do crisma e da renovação das promessas sacerdotais. Neste ano, com as missas ocorrendo de maneira privada, a renovação das promessas sacerdotais ocorrerá num outro dia, depois de passada a quarentena.

TRÍDUO PASCAL

É a maior celebração cristã. Inicia com a acolhida da missa da Quinta-feira Santa e termina com a bênção final do Sábado Santo. E na Sexta-feira, não é missa, pois não há consagração. Vamos ver uma a uma.

Celebração da noite: INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA, LAVA-PÉS

A leitura do Êxodo 12,1-8. 11-14 nos recorda a celebração da Páscoa dos judeus: a oferta do cordeiro, a refeição em família (comunidade), o sangue para marcação (sinal de proteção das casas), os pães ázimos (sem fermento), os rins cingidos e sandálias nos pés (indicando a pressa: não podiam esperar!).

No Salmo 115 (116), damos graças e nos unimos ao Cristo, pelo Seu Sangue derramado na Paixão, sinal de Amor e da nossa Salvação. "O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor." 

Na Leitura da 1ª Carta aos Coríntios, ouvimos a instituição da Eucaristia "Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória." O evangelho João 13, 1-15 nos recorda a celebração do lava-pés e que "se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também deveis lavar os pés uns dos outros". É partilhando com os irmãos na humildade, na caridade e na misericórdia que mostramos quem é o nosso Mestre e o nosso Salvador.

Nesta missa, cantamos o Glória, porque é o início do Tríduo Pascal e há um prefácio próprio na Oração Eucarística. Não há bênção final, pois as celebrações de Quinta a Sábado estão unidas numa única liturgia. A missa se encerra com a Oração depois da Comunhão, após a qual o padre costuma fazer a transladação do Santíssimo para uma capela, onde normalmente fazemos a Adoração ao Santíssimo até as 23h, recordando que Jesus se retirou para rezar no Monte das Oliveiras, antes de ser entregue à morte. Na igreja, o Santíssimo é retirado do altar principal (e do sacrário) e cobrimos as imagens, porque Jesus foi condenado à morte. Às vezes, o padre atende confissões.

Neste ano, haverá a missa online, sem o rito do lava-pés e o canto será mantido. A proposta do padre é que os fiéis separarem um jarro com água, uma bacia e façam o rito do lava-pés com os seus familiares. (É interessante que, no ano passado, o outro padre já havia sugerido esse mesmo gesto.) Uma catequista postou a sugestão de colocar um jarro de água e uma toalha num local de destaque da casa desde cedo, simbolizando a celebração que vivenciaremos à noite.

SEXTA-FEIRA SANTA (15 horas - CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR)

A Primeira Leitura (Isaías 52,13-53,12) traz a figura do servo sofredor, sobre o qual "o Senhor fez recair o pecado de todos nós", antecipando a imagem do próprio Salvador. O Salmo 30(31),2.6.12-13.15-17.25 canta a confiança de que Deus que vem salvar o seu servo: "Ó Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!". A leitura de Hebreus 4,14-16. 5,7-9 confirma esta confiança em Cristo, nosso Salvador. Por fim, o evangelho (João 18,1-19,42) relata a Paixão do Senhor, desde a condenação injusta até a morte de cruz! O mesmo povo que ora o aclamava o condena. Esse povo somos nós, quando nos afastamos de Deus.

A celebração inicia em silêncio. O padre faz a reverência e se prostra no chão (de bruços) por um breve momento. Aqueles que podem se ajoelham, unindo-se ao padre, em sinal de adoração e entrega a Deus. Em seguida, todos se levantam e fazem uma oração:

Ó Deus, foi por nós que o Cristo, vosso Filho, derramando o seu sangue, instituiu o mistério da Páscoa. Lembrai-vos sempre de vossas misericórdias e santificai-nos pela vossa constante proteção. Por Cristo, nosso Senhor.

Segue-se a liturgia normalmente (e sem o Glória) até a homilia. No lugar da Oração da Assembleia, reza-se a Oração universal, na qual a igreja apresenta suas intenções (dez) e suas orações, encerrando esse momento com a adoração da cruz. Onde é possível, temos a comunhão.

A celebração se encerra com esta Oração sobre o Povo: “Que a vossa bênção Senhor desça copiosa sobre o vosso povo, que acaba de celebrar a morte do vosso Filho, na esperança da sua ressurreição. Venha o vosso perdão, seja dado o vosso consolo; cresça a fé verdadeira e a redenção se confirme, por Cristo Senhor nosso”.

A tradição aqui em Ferraz de Vasconcelos é fazer a Procissão do Senhor Morto e Nossa Senhora das Dores de uma paróquia a outra, ambas as paróquias ficam no centro da cidade, mas uma em cada lado da linha do trem que divide a cidade. É uma procissão bem grande e também participam pessoas da cidade toda, visto que essas duas são as paróquias mais antigas da cidade (as outras seis surgiram há menos de 20 anos).

Procissão com teatro da Paixão

Neste ano, é claro, não haverá a procissão. Lembramos do jejum e abstinência de carne. Podemos colocar uma cruz no centro da sala ou num lugar de destaque e ficar um pouco ajoelhado e em adoração silenciosa, lembrando a Paixão e morte de Jesus. Se você não tiver uma cruz, faça-a com dois pedaços de madeira ou qualquer material firme. Numa paróquia aqui da região, haverá “procissão” sem povo com as imagens de Nossa Senhora e de Jesus por todos os bairros da paróquia.

SÁBADO SANTO (também chamada VIGÍLIA PASCAL)

É a celebração mais importante e mais solene da Igreja.

Na Leitura do Gênesis 1,1. 26-31 temos o relato da Criação e do compromisso do homem para cuidar dela. No Salmo 103 (104), também rezado no dia de Pentecostes (fim do tempo Pascal), pedimos ao Espírito que o homem e a mulher se recordem de sua responsabilidade com a Criação e com os irmãos. Envia o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai!” Na Epístola (Romanos 6,3-11), Paulo nos alerta que “aquele que vive, é para Deus que vive”. Com o Salmo 117 (118), 1-2. 16-17. 22-23 (também rezado no Domingo) cantamos a alegria e a confiança na ressurreição do Senhor. “Aleluia, aleluia, aleluia!” E, por fim, no Evangelho (Mateus 28,1-10) ouvimos o relato da ressurreição e o nosso envio. “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”.

Neste dia, tudo é ritual e solene: Bênção do fogo (fora da Igreja), procissão para dentro da Igreja, Proclamação da Páscoa (canto “Exulte, pela equipe de animação), Liturgia da Palavra (com oito leituras e salmos), Liturgia Batismal, Renovação das Promessas do Batismo, Liturgia Eucarística e Ritos Finais. Normalmente, iniciamos a celebração fora da igreja e celebramos todos esses ritos.



Neste ano, haverá a missa online. Numa paróquia aqui da região, as famílias que são do ECC, Dízimo e Pastoral Familiar receberam o Círio da Família e poderão acendê-lo em suas casas durante a Vigília Pascal.

PÁSCOA DO SENHOR

Na Primeira Leitura (Atos 10,34. 37-43), Pedro relata a ressurreição de Cristo como razão de sua fé. Com o Salmo 117 (118) respondemos que nós cremos. “Este é o dia que o Senhor fez para nós! Alegremo-nos e nele exultemos!” Na Carta aos Colossenses 3,1-4, Paulo nos exorta “esforçai-vos para alcançar as coisas do alto”, pois a nossa vida “está escondida, com Cristo, em Deus”. E o Evangelho traz testemunho de Maria Madalena sobre a ressurreição do Senhor.

Nesta Missa, após a Segunda Leitura, cantamos a Sequência Pascal. Na paróquia, também costumamos fazer o Batismo de crianças, jovens e adultos da catequese.

Neste ano, não haverá os Batismos. Na paróquia, remarcaremos para outra data festiva da Igreja. A Missa será completa e online. Após a Missa, o padre sairá com o Santíssimo, a percorrer as ruas da cidade.

Em outra paróquia da região, junto com essa “procissão” sem povo (que também foi feita no Domingo de Ramos), haverá arrecadação de alimentos numa outra caminhonete, como gesto concreto desta Quaresma e da quarentena. Em outra, junto com a “procissão”, vão distribuir saquinhos com água benta para o povo abençoar suas casas no Domingo de Páscoa.

Sugestão: Jarra com água

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Meu nome é Rossana Suzuki e sou catequista na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ferraz de Vasconcelos, Diocese de Mogi das Cruzes - SP.

VIVENDO A SEMANA SANTA: PROCISSÃO DO ENCONTRO

Procissão do encontro - Belém PA - 2019.

Uma das tradições da Semana Santa é a Celebração do encontro, onde as procissões do Senhor dos Passos, encontra-se com a de Nossa Senhora das Dores.

Em muitos lugares do Brasil, chama-se Festa de Nosso Senhor dos Passos, é uma manifestação religiosa católica comum a muitas cidades brasileiras e realizada anualmente nas duas últimas semanas da Quaresma ou na Semana Santa, na quarta ou na manhã de sexta-feira, tendo como figuras centrais Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores, representados, na maioria das vezes em imagens barrocas centenárias.

Trazida ao Brasil pelos portugueses durante a colonização, além de ter sido uma demonstração pública de fé, devoção e gratidão ao sagrado, era também um movimento de manutenção e reafirmação da própria identidade portuguesa.
A Festa de Passos faz memória do padecimento de Jesus no caminho para o Calvário e das dores que transpassam o coração de Maria, sua mãe, ao acompanhá-lo durante seu suplício. Reatualiza um tempo mítico e prepara os católicos, a partir de uma experiência de consternação e contrição, para as celebrações da Semana Santa e a Páscoa do Senhor, ápice das celebrações católicas. 

São realizadas duas procissões que saem simultaneamente ao mesmo tempo de capelas ou igrejas diferentes; onde uma leva Nossa Senhora das Dores e outra leva Nosso Senhor dos Passos, num pequeno altar com Jesus carregando a Cruz, que é geralmente acompanhado por orquestras e coro que executam cânticos. No ponto ápice da procissão ocorre o encontro das imagens com o sermão das Sete últimas palavras de Jesus na cruz: Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34) .

Após este, ambas procissões se fundem formando uma só, chamando a partir daí Procissão do Encontro, encerrando na mesma Igreja.

Todos os anos a cidade de Curitiba vive uma tradição na sexta-feira da paixão eu é o encontro das procissões de Nosso Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores. Este ano, por conta do isolamento social causado pela pandemia do corona vírus, esta tradição tão linda, teve que ser deixada de lado.

Mas, fica aqui a linda mensagem do prefeito da cidade, Rafael Greca, que nos traz lágrimas aos olhos, a chorar pela cidade, pelo povo e por todo o país.


Curitiba, 10 de abril de 2020.

Oremos e peçamos a Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, que traga alento ao nosso medo e nos traga esperança neste tempo de dor.


Ângela Rocha
Catequistas em Formação

quinta-feira, 9 de abril de 2020

VIVENDO A SEMANA SANTA: QUINTA-FEIRA


QUINTA FEIRA SANTA

É o início do Tríduo Pascal, a preparação para a grande celebração da Páscoa, a vitória de Jesus Cristo sobre a morte, o pecado, o sofrimento e o inferno. Este é o dia em que a igreja celebra a instituição dos sacramentos da Ordem e da Eucaristia, e também é feita a Benção dos Santos Óleos.

Benção dos Santos óleos

É a bênção dos óleos que serão usados durante todo o ano pelas paróquias para a celebração dos sacramentos:

 - O óleo do Crisma, ele é confeccionado com óleo e perfumes. Esse óleo também é usado na unção dos novos sacerdotes.
- O óleo dos Catecúmenos, utilizado para conceder a força do Espirito Santo para os que serão batizados. O catecúmeno é ungido no peito
 - O óleo dos Enfermos, utilizado no sacramento da unção dos enfermos, trazendo conforto e a força do Espírito Santo para o doente no momento de seu sofrimento. O doente é ungido na fronte e na palma das mãos.

A bênção dos óleos conta com a presença de bispos e sacerdotes de toda a diocese. É um momento de reafirmar o compromisso de servir a Jesus Cristo.

Lava-pés

O Lava-pés é um ritual litúrgico realizado, durante a celebração da Quinta-feira Santa, quando recorda a última ceia do Senhor. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, quer demonstrar Seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de Sua mensagem; portanto, esta celebração é a maior explicação para o grande gesto de Jesus, que é a Eucaristia.

O rito do lava-pés não é uma encenação dentro da Missa, mas um gesto litúrgico que repete o mesmo gesto de Jesus. O bispo ou o padre, que lava os pés de algumas pessoas da comunidade, estão imitando Jesus no gesto; não como uma peça de teatro, mas como compromisso de estar a serviço da comunidade, para que todos tenham a salvação.
  
Instituição da Eucaristia

Com a Santa Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou na noite da Quinta-feira Santa, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e faz memória da Última Ceia, quando Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu ao Pai o Seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou aos apóstolos para que os tomassem, mandando-os também oferecer aos seus sucessores.


Instituição do sacerdócio

A Santa Missa é, então, a celebração da Ceia do Senhor, quando Jesus, às véspera de Sua Paixão, “durante a refeição, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo”. (cf. Mt 26,26).

Ele quis, assim como fez na última ceia, que Seus discípulos se reunissem e se recordassem d’Ele abençoando o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim”. Com essas palavras, o Senhor instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes poder para celebrar a Eucaristia.

Dicas para viver em família a Quinta Feira Santa


Preparem juntos o ambiente: jarra com água, bacia e toalha para reproduzir o momento do lava pés, vela, cruz e bíblia.

Meditem e partilhem juntos sobre o evangelho (Jo13,1-17) e em seguida iniciem o momento do lava pés. Todos fazem a experiência de lavar os pés uns dos outros, inclusive o das crianças; pode-se cantar ou colocar uma música religiosa enquanto lavam os pés.

Participem juntos da Santa Missa da Ceia do Senhor que serão transmitida pelas redes católicas.

FONTES:

quarta-feira, 8 de abril de 2020

VIVENDO A SEMANA SANTA: OFÍCIO DE TREVAS


Ofício de Trevas, por mais que o nome evoque coisas obscuras, é uma das orações mais belas da Semana Santa. Em alguns lugares ele é celebrado na Segunda Feira Santa, mas o dia mais correto para esta celebração é entre a noite de Quarta-Feira até antes do amanhecer da Quinta, marcando o início do Tríduo Pascal. Ao longo dos séculos houve muitas formas musicadas, inclusive não apenas na forma gregoriana, mas também na forma de música clássica. Durante muito tempo este rito permaneceu guardado pela igreja em celebrações mais restritas, mas, atualmente vem sendo retomado em diversas paróquias e dioceses do Brasil.
O Ofício de trevas mostra, de forma bastante clara, a figura do servo Sofredor e, junto dEle, nos colocamos rezando e meditando sobre os Sofrimentos de Sua Paixão e Morte na Cruz. 

O nome da cerimônia é Ofício "de Trevas" e não "das Trevas" (matutina tenebrarum), como se pensa. É uma liturgia Cristã relacionada à Paixão de Cristo, que existe desde o século XIII, e uma das cerimônias mais místicas da Semana Santa, nas noites de quarta, quinta e sexta-feira. Consiste nos Ofícios de Matinas (nove Salmos, nove leituras) e Laudes (cinco Salmos, o Benedictus, uma antífona, Salmo 50 e uma Coleta) do Breviário.

O nome deriva-se de três situações de trevas:

1 – As trevas naturais de meia-noite ao anoitecer, ou seja, as horas destinadas à recitação do ofício, lembrando as palavras de Cristo preso nas trevas da noite: “Haec est hora vestra et potestas tenebrarum” (Esta é a vossa hora e do poder das trevas.) (Lc 22, 53).

2 – As trevas litúrgicas, quando durante as cerimônias da paixão apagam-se todas as luzes na igreja, exceto uma.

3 – As trevas simbólicas da paixão de Cristo.

Como este ofício é cantado ao cair da noite, o auxílio das luzes de velas torna-se indispensável. No coro é colocado um candelabro de quinze velas (Tenebrário). Uma delas é de cor branca e todas as outras são feitas de cera amarela e comum, como sinal de luto e pesar. No final de cada um dos Salmos que vão sendo cantados, o cerimoniário apaga uma das velas. Ao mesmo tempo, as luzes da igreja vão sendo apagadas também.


As velas que vão se apagando representam os discípulos, que pouco a pouco abandonaram Nosso Senhor Jesus Cristo durante a Paixão.

A vela branca escondida atrás do altar e, mais tarde, outra vez visível, significa Nosso Senhor que, por breve tempo, se retira do meio dos homens e baixa ao túmulo, para reaparecer, pouco depois, fulgurante de luz e de glória.

No fim, apagam-se as luzes para simbolizar o luto da Igreja e a escuridão que baixou sobre a terra quando Nosso Senhor morreu, enquanto o coro canta a antífona Christus factus est (Cristo Se fez obediente até a morte) e então o Salmo 50, o Miserere.

A razão histórica do rito de apagar pouco a pouco as velas do tenebrario provavelmente é uma lembrança. Semelhantemente se apagava uma vela depois de cada salmo, para constar quantos foram recitados. Este rito remonta, portanto, ao tempo em que ainda não havia ofícios metodicamente organizados ou quando havia, conforme a estação do ano, mudança no número de salmos. Ao término do ofício, o oficiante e os que o seguem, fecham o livro com estrépito.

Ao final do ofício, todos os fiéis batem os pés no chão ou seus livros no banco. O ruído no fim do ofício de trevas significa o terremoto e a perturbação dos inimigos e recordam a desordem que sucedeu na natureza, com a morte de Nosso Senhor. Por isso é comum que os participantes batam os pés ou nos bancos, fazendo um barulho ensurdecedor.

Se você nunca participou do Ofício de Trevas, informe-se na sua paróquia ou diocese onde a celebração acontece, e quando tiver oportunidade, vá participar e rezar, é um dos momentos mais lindos e profundos da Semana Santa.

Oficio das Trevas Catedral Frederico Westplan
Por Emílio Portugal Coutinho

 Fontes:
- Arautos do Evangelho
- Dominus Vosbicum.
- Fotos: Diocese de Frederico Westphalen)