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sexta-feira, 27 de maio de 2022

FESTA DA ASCENÇÃO 2022: REFLEXÃO

 

CEBI.ORG

Domingo da Ascensão

No calendário cristão, a Ascensão de Cristo celebra a subida de Jesus ao céu 40 dias depois de sua ressurreição. O dia da ascensão comemora-se este ano dia 26 de maio, transferindo-se a Festa para o domingo seguinte. Após ter ressuscitado, Jesus permaneceu na Terra entre seus discípulos durante 40 dias, período em que os instruiu sobre o reino de Deus1. Seu último momento de vida humana termina com sua subida aos céus e sua passagem para o mundo divino.

REFLEXÃO:

TESTEMUNHAMOS A EXALTAÇÃO DE UM MESSIAS HUMILHADO

Uma das tentações que ameaçam limitar ou eliminar a força revolucionária do Evangelho de Jesus Cristo é considerar a encarnação e a humilhação do Filho de Deus como algo transitório, como uma espécie de parêntesis superado pela ressurreição e pela ascensão ao céu. A ascensão seria seu afastamento definitivo das contradições do mundo, onde teria vindo apenas para nos falar das coisas de Deus. A glorificação e o poder seriam o prêmio pelos sofrimentos suportados e teriam apagado os sinais de uma vida de filho da humanidade, de homem pobre e sonhador.

Os primeiros cristãos evitaram essa tentação sublinhando que a humanidade do Filho de Deus, inclusive sua rejeição e morte na cruz, não foram uma espécie de acidente de percurso, ou um descuido de Deus, mas a realização das Escrituras. Em Jesus realizou-se plenamente o essencial daquilo que as leis, os profetas e os salmos intuíram e anunciaram. Mas isso não autoriza a conclusão de que Deus Pai teria desejado o sofrimento e a morte do próprio Filho. O que a igreja apostólica sublinha é que as Escrituras apontam para a encarnação e a humanização de Deus.

Sabemos que o dinamismo da encarnação não conhece paradas nem limites. A glória de Deus brilha no ser humano livre e solidário. Aquilo que começou no seio de Maria e se manifestou aos pastores continuou na carpintaria de Nazaré, prolongou-se nas cidades e aldeias da Galileia e culminou no calvário. Quando os cristãos resumem as Escrituras com a expressão ‘o Messias sofrerá’, estão afirmando que o Enviado de Deus se caracteriza mais pela vulnerabilidade compartilhada com os seres humanos que pelo poder e pela glória acima ou à margem da história.

Este movimento de abaixamento e esvaziamento de Deus é libertador, uma vez que é guiado e sustentado pelo amor, e continua em nós pelo Espírito que nos é concedido. Assumindo solidariamente a humanidade humilhada, Jesus Cristo assina o decreto de reconhecimento público e universal da dignidade de todos os seres humanos e, ao mesmo tempo, concede-lhes o Respiro que lhes faz povo e lhes permite reinventar a sociedade em parâmetros de justiça e de comunhão. Este movimento expressa a verdadeira glória e a admirável grandeza de Deus e do ser humano.

Não é correto imaginar a ressurreição de Jesus Cristo como a passagem da fase transitória e limitada da sua vida para uma etapa definitiva e potente, como a premiação que se segue a uma submissão obediente e desonrosa.  E é um desvio teológico imaginar a ascensão de Jesus como afastamento da sua condição humana.  A ascensão deve ser compreendida no quadro da sua crucifixão, da demonstração cabal da sua identificação com o ser humano oprimido. Proclamar a ascensão de Jesus significa aprofundar o nosso modo de ver o mistério do seu esvaziamento.

Ressurreição, ascensão, glorificação e acolhida à direita de Deus são imagens e conceitos que, de forma complementar, procuram dar conta deste complexo dinamismo e afirmar que Deus se manifesta exatamente no amor que assume a carne humana, serve e dá a vida. É este Filho de Deus humanado e esvaziado que está acima de todos os poderes e forças, de todos os senhores e autoridades. Só o amor solidário merece crédito, submissão e reverência! É disso que somos testemunhas: de um Deus que mostra sua grandeza fazendo-se pequeno.

Jesus Cristo é a cabeça do corpo composto pelos homens e mulheres que acreditam nele. Como cabeça, Ele não é refém da Igreja, que é convocada a assumir a forma de vida de Cristo, sua cabeça. E isso significa não buscar outra glória que não seja servir, outra honra que não seja partilhar o destino dos deserdados da terra. Assim, podemos dizer que a ascensão de Jesus é a maturidade missionária daqueles/as que o seguem. “Recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas”.  Que ninguém fique extático/a, olhando para o céu!

Jesus de Nazaré, Cordeiro ferido e Servo exaltado! Não nos deixes cair na tristeza, na inércia e na resignação. Faze-nos abertos/as ao teu Espírito, vibrantes no louvor, generosos no amor. Guia-nos na missão de testemunhar o amor que se faz carne, que nos faz servidores de todos. Faze que sejamos profetas da alegria, agradecidos por descobrir que a ascensão é teu mergulho definitivo no coração do mundo, honrados por continuar tua missão de tirar o pecado do mundo. Assim seja!

Itacir Brassiani msf

FONTE: CEBI

https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/testemunhamos-a-exaltacao-de-um-messias-humilhado/

 

sexta-feira, 14 de maio de 2021

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: OS SINAIS QUE ACOMPANHAM A BOA-NOVA

 


 ASCENSÃO DO SENHOR:  Marcos 16,15-20

Jesus aparece aos onze discípulos e os repreende por não terem acreditado nas pessoas que o tinham visto ressuscitado. Novamente, Marcos se refere à resistência dos discípulos em crer no testemunho daqueles e daquelas que experimentaram a ressurreição de Jesus. Por que será? Provavelmente, para ensinar duas coisas. Primeiro, que a fé com Jesus passa pela fé nas pessoas que dão testemunho dele. Segundo, que ninguém deve desanimar quando a descrença nasce no coração. Até os onze discípulos tiveram dúvidas!

Em seguida, Jesus lhes dá a missão de anunciar a boa-nova a toda criatura. A exigência que ele coloca é esta: crer e ser batizado. Aos que tiverem a coragem de crer na boa-nova e forem batizados, ele promete os seguintes sinais: expulsarão demônios, falarão línguas novas, pegarão em serpentes e não serão molestados pelo veneno, imporão as mãos aos doentes e eles ficarão curados. Isto acontece até hoje:

·         EXPULSAR OS DEMÔNIOS: é combater o poder do mal que estraga a vida. A vida de muita gente ficou melhor pelo fato de ter entrado na comunidade e de ter começado a viver a boa-nova da presença de Deus em sua vida.

·         FALAR LÍNGUAS NOVAS: é começar a comunicar-se com os outros de maneira nova. Às vezes, encontramos uma pessoa que nunca vimos antes, mas parece que já nos conhecemos há muito tempo. É porque falamos a mesma língua, a língua do amor.

·         VENCER O VENENO: há muita coisa que envenena a convivência. Muita fofoca que estraga o relacionamento entre as pessoas. Quem vive a presença de Deus dá a volta por cima e consegue não ser molestado por este veneno terrível.

·         CURAR DOENTES: em todo canto onde aparece uma consciência mais clara e viva da presença de Deus aparece também um cuidado especial para com as pessoas excluídas e marginalizadas, sobretudo para com os doentes. Aquilo que mais favorece a cura é a pessoa sentir-se acolhida e amada.

Através da comunidade Jesus continua a sua missão

Mc 16,19-20

O mesmo Jesus que viveu na Palestina e lá acolhia os pobres do seu tempo, revelando assim o amor do Pai, este mesmo Jesus continua vivo no meio de nós, nas nossas comunidades. E através de nós, ele continua a sua missão para revelar a boa-nova do amor de Deus aos pobres. Até hoje, a ressurreição acontece. Ele nos leva a cantar: “Quem nos separará, quem vai nos separar do amor de Cristo, quem nos separará?”

Poder nenhum deste mundo é capaz de neutralizar a força que vem da fé na ressurreição (Rm 8,35-39). Uma comunidade que quiser ser testemunha da ressurreição deve ser sinal de vida, deve lutar contra as forças da morte, para que o mundo seja um lugar favorável à vida, deve crer no outro mundo possível. Sobretudo aqui na América Latina, onde a vida do povo corre perigo por causa do sistema de morte que nos foi imposto, as comunidades devem ser uma prova viva da esperança que vende o mundo, sem medo de ser feliz!

As surpresas de Deus

Estamos no fim da leitura do Evangelho de Marcos. Procuramos saber quem é Jesus. Marcos enumerou muitos nomes e títulos. Mas um nome ou título, por mais bonito ou importante que seja, nunca chega a revelar o mistério da pessoa, muito menos da pessoa de Jesus. Além disso, ao longo do Evangelho, alguns dos nomes dados a Jesus, inclusive os mais importantes e os mais tradicionais, foram questionados e colocados em dúvida pelo próprio Marcos. Assim, na medida em que se avança na leitura, é preciso rever nossas ideias e a nos perguntar, cada vez de novo: “Afinal, quem é Jesus para mim, para nós?”

Bem no início do evangelho, a primeira exigência era esta: “Esgotou-se o prazo. O Reino de Deus chegou! Mudem de vida! Tenham fé nesta boa-nova!” (Mc 1,15). Este pedido inicial de conversão e de fé indica a porta por onde temos acesso a Jesus e à boa-nova de Deus que ele nos traz. Não há outro acesso. A fé exige crer em Jesus, na sua Palavra, aceitá-lo sem impor condições. Somos convidados a não nos fechar em nenhum nome ou título, doutrina ou costume, e a manter-nos sempre abertos para as surpresas de Deus, que pedem uma conversão constante.

Os nomes e os títulos, as doutrinas e os costumes, as devoções e as rezas são como o crachá que carregamos no peito para identificação. O crachá é importante, pois nos ajuda e nos orienta para encontrar a pessoa que procuramos. Mas quando a encontrar, você já não olha o crachá, mas sim o rosto! A pessoa que você procura, quando a encontrar, quase sempre será diferente da ideia que você fazia a respeito dela. O encontro sempre traz surpresas! Sobretudo o encontro com Deus em Jesus.

Ao longo do Evangelho de Marcos, as surpresas de Deus são muitas, e elas vêm de onde menos se espera:

·         de um pagão que reconheceu a presença de Deus no crucificado (Mc 15,39);

·         de uma pobre viúva que ofereceu do seu necessário para partilhar com os outros (Mc 12,43-44);

·         de um cego cujos gritos incomodaram e que nem sequer tinha a doutrina certa (Mc 10,46-52);

·         dos pequenos que viviam marginalizados, mas creram em Jesus (Mc 9,42);

·         dos grupos que usavam o nome de Jesus para combater o mal, mas não estavam sob o controle da “Igreja” (Mc 9,38-40);

·         de uma senhora anônima, cuja atividade escandalizava os discípulos (Mc 14,3-9);

·         de um pai de família que foi forçado a carregar a cruz atrás de Jesus e tornou-se discípulo modelo (Mc 15,21);

·         de José de Arimatéia, que arriscou tudo pedindo o corpo de Jesus para poder enterrá-lo (Mc 15,43);

·         das mulheres que, naquela época, não eram reconhecidas como testemunhas oficiais, mas que foram escolhidas por Jesus para serem testemunhas qualificadas da sua ressurreição (Mc 15,40.47; 16,6.9-10).

Resumindo. Os doze homens, especialmente chamados e eleitos por Jesus (Mc 3,13-19) e por ele enviados em missão (Mc 6,7-13), fracassaram. Mas no reverso do fracasso deles apareceu a força da fé de outros que não faziam parte do grupo dos doze eleitos. A comunidade, a Igreja, deve ter consciência bem clara de que ela não é proprietária de Jesus, nem tem o controle dos critérios da ação de Deus no meio de nós. Jesus não é nosso, mas nós, a comunidade, a Igreja, somos de Jesus, e Jesus é de Deus (1Cor 3,23).

Texto de Mesters e Lopes.

Fonte: cebi.org.br

quinta-feira, 21 de maio de 2020

SOLENIDADE DA ASCENÇÃO: RENOVAR O COMPROMISSO AO TESTEMUNHO


Durante as saudações no final da Audiência Geral desta quarta-feira (20), o Papa Francisco falou sobre a Solenidade da Ascensão, que será celebrada amanhã no Vaticano. Francisco destacou que o ensinamento da palavra de salvação de Cristo e seu anúncio na vida diária, devem ser o ideal e o compromisso de cada um.

Mais uma vez um convite à missão, ao anúncio do Evangelho e ao testemunho diário. São palavras do Papa no final da Audiência Geral desta quarta-feira (20), durante as saudações em italiano aos fiéis conectados via streaming. Francisco antecipa a Solenidade da Ascensão do Senhor, exortando todos a serem "testemunhas generosas de Cristo Ressuscitado", conscientes de que Ele, subindo aos céus, não abandona ninguém, ao contrário, "Ele está sempre conosco e nos sustenta ao longo do caminho". "Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos idosos, aos doentes e aos recém-casados. Jesus Cristo, subindo ao céu, deixa uma mensagem e um programa para toda a Igreja:

“Ide e ensinai todas as nações... ensinando-as a observar tudo o que vos ensinei. Que seja seu ideal e seu compromisso, tornar conhecida a palavra de salvação de Cristo e dar testemunho dela na vida diária. A todos minha bênção!”

ORIGENS DA SOLENIDADE

Na quinta-feira da sexta semana da Páscoa, 40 dias após a Ressurreição, a Solenidade da Ascensão é celebrada no Vaticano e em alguns países do mundo, e em outros, é adiada para o domingo seguinte. Neste dia é lembrada a Ascensão ao céu de Jesus que, de fato, conclui sua estada terrena entre os homens para se unir fisicamente ao Pai e não aparecer novamente na Terra até sua Segunda Vinda (Parusìa) para o Juízo Final. Trata-se de uma festividade muito antiga da qual existem vestígios já no século IV. No Credo dos Apóstolos é mencionada com estas palavras: "Jesus subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai". E novamente ele virá, em glória, para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim". O episódio está bem descrito nos Evangelhos de Marcos e Lucas e nos Atos dos Apóstolos.

AS PALAVRAS DO PAPA

Para a Igreja Católica, a Ascensão é o prelúdio ao Pentecostes e de alguma forma marca o início de sua história e de sua missão junto com a humanidade. Francisco o recorda todos os anos nesta ocasião, insistindo no compromisso de cada cristão com o anúncio da salvação. Durante Regina Coeli, em 13 de maio de 2018, o Papa disse: “Trata-se de ser homens e mulheres da Ascensão, ou seja, buscadores de Cristo pelas sendas do nosso tempo, levando a sua palavra de salvação até aos confins da terra. Neste itinerário, encontramos o próprio Jesus nos irmãos, sobretudo nos mais pobres, em quantos sofrem na própria carne a dura e mortificadora experiência de antigas e novas pobrezas. Assim como inicialmente Cristo Ressuscitado enviou os seus apóstolos com a força do Espírito Santo, também hoje Ele nos envia, com a mesma força para dar sinais concretos e visíveis de esperança. Porque Jesus que nos dá a esperança, foi elevado ao céu, abriu as portas do céu e a esperança que nós para lá iremos”.

No Regina Caeli de 1º de junho de 2014, o Papa falava da missão como comando necessário e não facultativo, quando afirmava: “Ir”, ou melhor, “partir” torna-se a palavra-chave da festa de hoje: “Jesus parte, sobe ao Céu, isto é, volta para o Pai pelo qual tinha sido enviado ao mundo. Cumpriu o seu trabalho, e depois voltou para o Pai. Mas não se trata de uma separação, porque Ele permanece para sempre conosco, de uma forma nova. Com a sua Ascensão, o Senhor ressuscitado atrai o olhar dos Apóstolos — e também o nosso — às alturas do Céu para nos mostrar que a meta do nosso caminho é o Pai.

Por fim, durante a homilia da Missa na Casa Santa Marta de 26 de maio de 2017, o Pontífice pedia para que este episódio nos desse estímulo para subir ao Céu, conhecer Cristo de perto e contar aos homens as suas obras e os seus prodígios: “Jesus, antes de partir disse: ‘Ide e fazei discípulos em todas as nações’. O lugar do cristão é o mundo para anunciar a Palavra de Jesus, para anunciar que fomos salvos, que Ele veio para nos dar a graça, para nos levar todos com Ele diante do Pai”. 

FONTE: vaticannews

sexta-feira, 11 de maio de 2018

HOMILIA DO DOMINGO


                    SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR - ANO B

Senhor Jesus apareceu aos seus discípulos durante 40 dias. O Ressuscitado já havia prevenido a comunidade nas palavras dirigidas à Madalena sobre sua nova maneira de estar presente: “Não me toque (Não me detenha)” (Jo 20,27). Ou seja, não é possível impedir que o filho retorne ao Pai. Portanto, a ascensão é uma espécie de rito de passagem, marca a transição para uma nova forma de ser presente até volte outra vez. 

As aparições do ressuscitado têm um sentido pedagógico. Os 40 dias são importante par que os discípulos compreendam o mistério que terá sua culminância em Pentecostes. Porém, a ressurreição não é uma retorno à vida plena. O modo de o Senhor estar presente será agora repetido seu Espírito, seu destino. “é estar a direita de Deus Pai” (Mc 16, 19).

Havia certamente nos discípulos uma acomodação à presença mais visível. Talvez, por isso, houve uma estupefação diante da ascensão, de modo que eles ficam olhando para o céu: “Homens da Galileia, por que ficais a olhar para o céu?” (At 1, 11). O questionamento do anjos é uma chamada de atenção aos discípulos que agora precisam ir e anunciar a Boa-Nova até os confins do mundo, não podendo penas ficar olhando para cima.


Hoje existem grandes desafios para o anúncio do Evangelho. A Igreja é vista como uma sonegadora da liberdade, diante da dificuldade de responder às perguntas surgidas a partir da mudança de costumes e do avanço da ciência. Como a confrontação e a abertura são fardos pesados, alguns cristãos preferem ficar olhando para o Céu, numa postura reacionária e vertical que reforça a espera de respostas prontas, vindas de cima ou do passado. É mais fácil esperar que Deus faça tudo e que nossa religião se resuma há algumas práticas rituais do que dialogar com o mundo sedento da Palavra de Deus.

A ascensão marca o tempo da Igreja e do início da missão: “Ide por todo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). A Igreja é, por fé, a continuadora da presença do Senhor no mundo. Esta graça é realizada pelos Sacramentos, pela Palavra, pelas obras. Precisamos crer que o Senhor não foi embora, mas está aqui conosco. Ele não nos abandonou. Devemos alimentar a certeza que o Espírito atua e deseja o Reino, portanto, não nos deixará órfãos, perdidos e desalentados. Sua presença é garantia de que a Boa-Nova de vida e salvação sempre será atual, independentes dos questionamentos e barreiras dos tempos. Por isso tudo, não podemos nos dar ao luxo de ficarmos olhando para o Céu, esperando passivamente o retorno do Senhor.

Há por fim, um aspecto positivo do olhar para o Céu, pois o Céu também é parte integrante de nossa vida de fé. Na verdade, temos saudade de Deus. Desejamos a plenitude inscrita em nós. A vida não é plena aqui, mas prepara para algo muito maior. A vida em plenitude é uma esperança, uma consciência de que fomos chamados, como afirma São Paulo na segunda leitura, à “herança dos santos” (Ef 1, 15). Por vezes, desejamos que essa plenitude aconteça aqui e agora, pois a cultura pós moderna nos acostumou ao imediatismo e ao presente. É preciso que tenhamos consciência de que a vida eterna começa aqui, mas neste mundo não teremos a completude tão almejada. A Ascensão de Jesus é a manifestação de nossa ida ao Céu e de nossa ressurreição. Que esta solenidade aumente nosso desejo de eternidade.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.




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quarta-feira, 9 de maio de 2018

ASCENSÃO DO SENHOR



Ao final do Tempo Pascal nos deparamos com a solenidade da Ascensão do Senhor. Essa celebração marca o final desse período de particular alegria por celebrar a vitória de Cristo sobre a morte e, com ela, a nossa reconciliação com Deus. Mas se a ascensão é a subida de Jesus ao Pai, podemos nos alegrar? Parece que Jesus está nos deixando, qual é então o motivo da celebração?
Essas são perguntas que, de alguma forma, podemos refleti-las na meditação do Evangelho de Lucas 24, 51-52, onde percebe-se a reação dos discípulos mediante o fato de Jesus elevar-se ao céu. A reação deles é de alegria, o que nos deixa muito intrigados. Como assim os discípulos puderam se alegrar com isso? Mas efetivamente se alegraram como podemos ver no final do evangelho de Lucas: “Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo.” (Lc 24, 51-52)
Se, à primeira vista, não conseguimos uma explicação na bíblia para isso, pelo menos a leitura deve fazer-nos pensar que alguma coisa está escapando a nossa compreensão. O que fica evidente é que os discípulos não se sentem abandonados, não acreditam que Jesus tenha partido para um céu inacessível e distante.... Se olharmos a comunidade primitiva e o seu anuncio, perceberemos que se bem eles anunciam a vinda de Cristo novamente, o que eles fizeram foi, sobretudo, dar testemunho de uma presença viva de Jesus. Testemunho de que ele está vivo, que é a Vida mesma.
O catecismo da Igreja Católica no número 664 nos diz que essa figura na qual Cristo aparece sentado à direita do Pai significa a inauguração do Reino do Messias, realização da visão do profeta Daniel: “A ele foram dados império, glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-no. Seu domínio será eterno; nunca cessará e o seu reino jamais será destruído.”(Dn 7, 14).
O papa Bento XVI, em seu livro “Jesus de Nazaré” explica que o “sentar-se à direita”, não faz referência a um local concreto, porque Deus é espírito puro. Deus não está no espaço, Ele é aquele que sustenta o espaço sem estar nele. Jesus retorna ao Pai e por isso retorna a essa condição na qual não está limitado pelo espaço e justamente por isso pode estar presente de uma forma distinta no mundo inteiro. Diz Bento XVI: “Seu ir é precisamente uma vinda, um novo modo de proximidade, de presença permanente”. E é essa presença a causa da alegria dos discípulos no Evangelho de Lucas que vimos acima.
Um bom exercício é se perguntar se realmente conseguimos nos alegrar com a presença permanente de Cristo no mundo e em nossas vidas dessa maneira distinta. As vezes gostaríamos que essas realidades fossem mais concretas, que pudéssemos ver com esses olhos materiais aquilo que, atualmente, apenas os olhos da fé nos permitem ver. Lembremos que Jesus chamou de felizes aqueles que conseguem acreditar sem ver e peçamos a Ele que aumente cada vez mais a nossa fé. Que essa presença viva seja a força da nossa própria vida. E que consigamos, com a alegria que advém dessa presença viva, anunciar a todas as pessoas que Jesus não nos abandonou e que estará sempre ao nosso lado, guiando-nos até a comunhão plena com Deus por meio do Espírito Santo...
“Jesus Cristo Cabeça da Igreja, nos precede no reino Glorioso do Pai para que nós, membros do seu corpo, vivamos na esperança de estarmos um dia eternamente com Ele” (Cic n. 666).
Fonte:
em 6/5/2018 às 16 h. Catecismo da Igreja Católica


                                                                                                            Adaptação
                                                                                                     Abigail Martins
                                                                        Catequista de Ribeirão Preto-SP


sexta-feira, 26 de maio de 2017

HOMILIA: A ASCENSÃO DO SENHOR

A Ascensão é a festa que marca uma nova forma do Senhor estar presente. Não somos adoradores de um defunto que ficou enterrado no passado, mas temos certeza de que Ele está aqui em nossa história. No Céu e ao mesmo tempo em nosso peregrinar.“Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. 

Ainda assim alguns duvidaram” (Mt 28,17). Incrível o que nos traz o Evangelho de Mateus. Embora estivessem vendo o Senhor, ainda vacilavam em sua fé, como é possível?! Realmente, é difícil crer. Também nós vacilamos na caminhada. O interessante é perceber que os discípulos, mesmo duvidando, se prostraram. Ou seja, havia uma intenção em crer, um desejo de ser incendiado pelo Senhor. Quando nos sentimos frios e duros para crer e seguir, quando não nos percebemos dignos, podemos também nos prostrar e esperar Nele, confiando em seu amor.

“Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20). Jesus não prometeu que, depois de sua subida ao Céu, cessariam os problemas. Jesus não prometeu a cura de todas as doenças e o desaparecimento de todos os infortúnios. Não! O que Ele prometeu? Que sempre estará conosco, ao nosso lado, caminhando junto de nós, até o fim dos tempos.
Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos (Ef 1,18). Olhar para o Céu, como fizeram os discípulos, não deve ser um gesto de imobilidade, mas de abertura para a esperança de um dia participarmos da vida plena que o Senhor prepara para cada um de nós. Esta é a razão de nossa esperança, recebida através de nossa vocação.
Pe. Roberto Nentwig

Arquidiocese de Curitiba - PR

quinta-feira, 25 de maio de 2017

ENCONTRO SOBRE A ASCENSÃO DO SENHOR

SUGESTÃO PARA O ENCONTRO SOBRE ASCENSÃO DO SENHOR: VAMOS ANUNCIAR?
Com a ascensão de Jesus, começa o tempo de se anunciar Jesus como o Senhor de todos os povos. Ele mandou que os apóstolos fizessem de todos os povos discípulos seus.
Nessa missão, ele está sempre conosco, até o fim dos tempos. Assim é indispensável que demos testemunho da nossa fé, para orientar o mundo sobre àquele que é a fonte de nossa prática: Jesus Cristo.
A ideia do testemunho levou a Igreja a fazer da festa da Ascensão, o Dia Mundial dos Meios de Comunicação Social. A “mídia”: imprensa, rádio, televisão, internet, etc , precisa de uma uma espiritualidade “ativa”, a comunidade eclesial deve se tornar presente na mídia. Como é possível que num país tão “católico” como o nosso, haja tão pouco espírito cristão na mídia e tanto sensacionalismo, consumismo e até ações maliciosas dos meios de comunicação em favor da opressão e da injustiça?
Neste contexto, acredito que um bom exercício para fazer com nossos catequizandos, seria, depois da leitura do Evangelho, focar no "anúncio" e na missão que Jesus nos pediu: ANUNCIÁ-LO a todos os povos.
Aproveite e leia com eles a MENSAGEM DO PAPA para o 51º Dia Mundial das comunicações (está AQUI em nosso blog). 
E depois abra uma discussão com eles de como o anúncio do Evangelho a todos os povos. Peça que criem maneiras de anunciar Jesus nas mídias, em suas redes sociais, em seu whats, enfim... 
Se não for possível, criem cartazes para a comunidade, pequenas "cartas", cartão, bilhete; cartões pra entregar na missa... muitas ideias podem vir daí... peça que usem a sua criatividade para fazer este anúncio.

CLIQUE NOS LINKS E SAIBA MAIS:


quarta-feira, 24 de maio de 2017

ASCENSÃO DO SENHOR: CRISTO E A EVANGELIZAÇÃO


INTRODUÇÃO GERAL

Quarenta dias depois da Páscoa, a Igreja celebra a Ascensão do Senhor. Na realidade, o que se celebra hoje é bem mais do que uma aparição na qual Jesus é elevado ao céu. É toda a realidade de sua glorificação que celebramos, aquilo que os primeiros cristãos chamaram de “estar sentado à direita do Pai”. Assim, a última aparição de Jesus aos apóstolos aponta para uma realidade que ultrapassa o quadro da narração. Por isso, não precisamos preocupar-nos em “harmonizar” a ascensão segundo At 1,1-11, em Jerusalém (Primeira leitura), com a de Mt 28,16-20, na Galileia (Evangelho). Pode tratar-se de duas aparições, dois acontecimentos diferentes, que têm o mesmo sentido: Jesus, depois de sua ressurreição, não veio retomar sua atividade de antes na terra (cf. sua advertência a Maria Madalena em Jo 20,17) nem implantar um reino político de Deus no mundo, como muitos achavam que ele deveria ter feito (cf. At 1,6). Não. Jesus realiza-se agora em outra dimensão, a dimensão de sua glória, de seu senhorio transcendente. A atividade aqui na terra, ele a deixa para nós (“Sede as minhas testemunhas… até os confins da terra” [At 1,8]), e nós é que devemos reinventá-la a cada momento. Na ressurreição, Jesus volta a nós, não mais “carnal”, mas em condição gloriosa, para nos animar com seu Espírito (At 1,8; Mt 16,20; cf. Jo 14,15-20, evangelho do domingo passado).

COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. Primeira leitura (At 1,1-11)

A primeira leitura narra a ascensão de Jesus e a missão dos apóstolos segundo o livro dos Atos dos Apóstolos. Os dias entre a Páscoa e a ascensão formam “o retiro de preparação para o desabrochar da Igreja”: 40 dias, como os 40 dias de Moisés e de Elias no Horeb, como os 40 anos de Israel no deserto. Nesses dias, Jesus deu as últimas instruções aos seus: a promessa do Espírito e a missão de evangelizar. Os discípulos não devem ficar olhando o céu, mas deverão levar a mensagem de Jesus ao mundo inteiro, “até os confins da terra” (At 1,8), e para isso receberão a força do Espírito. Até o Senhor voltar, sua Igreja será missionária.

2. Segunda leitura (Ef 1,17-23)

Na exaltação do Cristo, revela-se a força de Deus. A carta aos Efésios se inicia com um hino de louvor (vv. 2-10), seguido por um enunciado sobre o plano da salvação (vv. 11-14) e uma súplica pelos fiéis (vv. 15-19), que se expande numa proclamação dos grandes feitos de Deus em Cristo (vv. 20-23). Essa súplica e contemplação constituem a leitura de hoje. Deus ressuscitou Jesus e o fez cabeça da Igreja e do universo. A Igreja é seu “corpo”, ela o torna presente no mundo, ela é a presença atuante de Cristo no mundo. Celebrando a glorificação do Cristo, tomamos consciência de nossa própria vocação à glória. Também a oração do dia e os prefácios próprios falam nesse sentido.

Nestes tempos de “diminuição” da Igreja, podemos encontrar nessa leitura uma perspectiva maior e um ânimo mais firme. Cristo se completa em sua Igreja, e esta encontra no Senhor ressuscitado e glorioso a sua firmeza. Não há por que ficarmos medrosos e desanimados.

3. Evangelho (Mt 28,16-20)

O evangelho é o final do Evangelho de Mateus. Traz as últimas palavras do Senhor ressuscitado: a despedida de Jesus e a missão dos apóstolos. Tudo isso à luz da compreensão que Mateus tem do evangelho. No início do evangelho, Jesus é entendido como aquele que realiza o sentido pleno da profecia do “Emanuel”, Deus-conosco (Mt 1,23). Depois, Mt 4,15-16 ressaltou que a atuação desse “Emanuel” se iniciou na “Galileia dos gentios”, primeiro destinatário da mensagem da salvação, realizando assim o sentido pleno de Is 8,23-9,1. Mas, durante sua missão terrestre, Jesus se restringiu a ovelhas perdidas de Israel (Mt 10,5-6). Agora, na cena final (28,16-20), o Senhor glorioso transcende os limites de Israel. Suas palavras finais significam o universalismo da missão dos apóstolos e da expansão da Igreja. Todos os povos serão discípulos de Cristo (assinalados pelo batismo). O fim do Evangelho de Mateus revela o sentido universal de todo o ensinamento nele consignado (cf. sobretudo o Sermão da Montanha, Mt 5-7).

Assim, ao celebrarmos a entrada de Jesus na glória, não celebramos uma despedida, mas um novo modo de presença; celebramos que ele é, realmente, o Emanuel, o Deus-conosco, para sempre e para todos (Mt 28,20). Esse novo modo de presença é um aperitivo da realidade final: assim como ele entra na sua glória, isto é, como Senhor glorioso, assim ele voltará, para concluir o curso da história (cf. At 1,11). Pouco importa como a gente imagina isso, o sentido é que, desde já, Jesus é o Senhor do universo e da história (cf. o salmo responsorial, Sl 47[46]) e nós, obedientes a sua palavra, colaboramos com o sentido definitivo que ele estabelece e há de julgar.

DICAS PARA REFLEXÃO: O senhorio de Jesus e a evangelização

Temos o costume de considerar a ascensão de Jesus (como também a ressurreição) principalmente como um milagre. Mas o sentido principal desse fato é o que exprimem os termos “exaltação” ou “enaltecimento”, a entronização de Jesus na glória de Deus. Esses termos, evidentemente figurativos, significam o seguinte. Os donos deste mundo haviam jogado Jesus lá embaixo (se não fosse José de Arimateia a sepultá-lo, seu corpo teria terminado na vala comum…). Mas Deus o colocou lá em cima, “à sua direita”. Deu-lhe o “poder” sobre o universo não só como “Filho do homem”, no fim dos tempos (cf. Mc 14,62), mas, desde já, por meio da missão universal daqueles que na fé aderem a ele. E nós participamos desse poder, pois Cristo não é completo sem o seu “corpo”, que é a Igreja, como nos ensina a segunda leitura.

Com a ascensão de Jesus, começa o tempo para anunciá-lo como Senhor de todos os povos. Mas não um senhor ditador! Seu “poder” não é o dos que se apresentam como donos do mundo. Jesus é o Senhor que se tornou servo e deseja que todos, como discípulos, o imitem nisso. Mandou que os apóstolos fizessem de todos os povos discípulos seus (evangelho). Nessa missão, ele está sempre conosco, até o fim dos tempos.

O testemunho cristão, que Jesus nos encomenda, não é triunfalista. É fruto da serena convicção de que, apesar de sua rejeição e morte infame, “Jesus estava certo”. Essa convicção se reflete em nossas atitudes e ações, especialmente na caridade. Assim, na serenidade de nossa fé e na vivência radical da caridade, damos um testemunho implícito. Mas é indispensável o testemunho explícito, para orientar o mundo àquele que é a fonte de nossa prática, o “Senhor” Jesus.

A ideia do testemunho levou a Igreja a fazer da festa da Ascensão, o Dia dos Meios de Comunicação Social – a “mídia”: imprensa, rádio, televisão, internet. Para uma espiritualidade “ativa”, a comunidade eclesial deve se tornar presente na mídia. Como é possível que num país tão “católico” como o nosso haja tão pouco espírito cristão na mídia e tanto sensacionalismo, consumismo e até militância maliciosa em favor da opressão e da injustiça?

Ao mesmo tempo, para a espiritualidade mais “contemplativa”, o dia de hoje enseja um aprofundamento da consciência do “senhorio” de Cristo. Deus elevou Jesus acima de todas as criaturas, mostrando que ele venceu o mal mediante sua morte por amor e dando-lhe o poder universal sobre a humanidade e a história. Por isso, a Igreja recebe a missão de fazer de todas as pessoas discípulos de Jesus.

Uma ideia que permeia a liturgia deste dia (como de todo o tempo pascal) e se exprime na oração sobre as oferendas e na oração depois da comunhão é que o cristão deve viver com a mente no céu, comungando na realidade da glorificação do Cristo. Essa participação é novo modo de presença junto ao mundo; não uma alienação, mas, antes, o exercício do senhorio escatológico sobre este mundo. Viver com a mente junto ao Senhor glorioso não nos dispensa de estar com os dois pés no chão; significa encarnar, neste chão, aquele sentido da história e da existência que em Cristo foi coroado de glória.

Pe. Johan Konings, sj


FONTE: Vida Pastoral – Roteiros Homiléticos www.vidapastoral.com.br