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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A ARTE DE LIDERAR - Formação sobre liderança

 

A ARTE DE LIDERAR

A palavra liderar significa, em sua raiz, “ir, viajar, guiar”. Liderança implica sempre num movimento. Os líderes “vão primeiro”, são pioneiros. Iniciam a busca de uma ordem. Aventuram-se em território inexplorado e nos guiam em rumo a lugares novos e desconhecidos. O papel do líder é nos conduzir a lugares onde nunca estivemos antes.

Ser líder não é uma herança genética, nem determinação do destino. É algo que se pode aprender, exercitar e aperfeiçoar pela prática. Trabalhando com valores, confiança e desafios, é possível criar oportunidades no contexto do desempenho cotidiano e fazer delas seu campo de treinamento. E, com a prática poder até transformar a liderança em um novo modelo de vida, como fez Jesus.

Liderar não é uma tarefa fácil, é algo que exige muita paciência, disciplina, humildade, respeito e compromisso. Desta forma, pode-ser definir liderança como o processo de dirigir e influenciar as atividades relacionadas às tarefas da equipe. Não podemos esquecer também que o líder precisa saber gerir conflitos e direcionar as energias aos objetivos do grupo.

No início do século quando se pensava em liderança a primeira coisa que vinha a mente era algo do tipo “mandar”, “exigir”, em outras palavras uma liderança autocrática. Em nossos dias, mencionada a palavra liderança, associamos a um trabalho diferente. Alguns teóricos sobre o estudo de liderança procuraram verificar a influência causada por três diferentes estilos de liderança nos resultados de desempenho e no comportamento das pessoas. Os autores abordaram três estilos básicos de liderança: a autocrática, a liberal e a democrática.

- Liderança autocrática: o líder centraliza totalmente a autoridade e as decisões. Os subordinados não têm nenhuma liberdade de escolha. O líder autocrático é dominador, emite ordens e espera obediência cega dos subordinados. Os que se sujeitam à liderança autocrática tendem a apresentar maior volume de trabalho produzido, mas com evidentes sinais de tensão, frustração e agressividade. O líder é temido pelo grupo, que só trabalha quando ele está presente. A liderança autocrática enfatiza somente o líder. Este tipo de liderança na vida eclesial é desastrosa, porque só traz medos e inseguranças. Para a catequese também não ajudaria por que essa liderança não gera protagonistas.

- Liderança liberal: o líder permite total liberdade para tomada de decisões individuais ou grupais, participando delas apenas quando solicitado pelo grupo. O comportamento do líder é sempre “em cima do muro” e sem firmeza. Os que se sujeitam à liderança liberal podem apresentar fortes sinais de individualismo, divisão do grupo, competição, insatisfação, agressividade e pouco respeito ao líder. O líder é ignorado pelo grupo. A liderança liberal enfatiza somente o grupo. Esse tipo de liderança também só tem a prejudicar a caminhada da comunidade. A catequese também não funcionaria desse modo.

- Liderança democrática: o líder é extremamente comunicativo, encoraja a participação das pessoas e se preocupa igualmente com o trabalho e com o grupo. O líder atua como um facilitador para orientar o grupo, ajudando na definição dos problemas e nas soluções, coordenando as atividades e sugerindo idéias. Os que se sujeitam à liderança democrática apresentam boa quantidade de trabalho e qualidade surpreendentemente melhor, acompanhadas de um clima de satisfação, integração grupal, responsabilidade e comprometimento das pessoas. Esse é o tipo de liderança que se espera florescer no ambiente eclesial e catequético.

James C. Hunter, autor da obra “O Monge e o Executivo” traz propostas do que é chamada de liderança servidora, que tem como teoria: liderar significa servir. Jesus sempre exercia liderança por meio de autoridade e não de poder, ou seja, as pessoas seguiam Jesus por livre espontânea vontade. Quando se usa o poder você obriga as pessoas a fazerem sua vontade, mas quando se usa a autoridade, as pessoas fazem o que quer de boa vontade, por sua influência pessoal.

Outro princípio bíblico é aprender a servir, que requer do líder a humildade de encarar as mesmas tarefas feitas por seus subordinados. Na prática, ao serem incorporadas essas atitudes da liderança servidora, como partilhar poder e valorizar o desempenho das pessoas na equipe, leva as pessoas a ter um bom êxito em tarefas desafiantes. Isso faz toda a diferença.

Atividade em grupo:

1. Fazer a leitura do texto: Ex 18,13-27.
2. De que trata o texto? Qual o problema a ser solucionado?
3. Quais a atitudes de Moisés e de Jetro?
4. O que aprendemos com o texto?

Uma ajuda para o grupo:

Aqui encontramos dois princípios fundamentais para uma liderança bem-sucedida:
a) O texto aponta para a necessidade de uma autoridade exercida de forma participativa, com a organização de grupos menores e com a escolha de lideranças experientes.
b) O sogro alerta Moisés que se ele não mudar a metodologia, todo o povo vai morrer. O caminho é descentralizar. Concentrar poder é matar-se a si mesmo e matar o povo!
c) O que este texto e estas afirmações têm a dizer para a nossa catequese?

QUADRO COMPARATIVO

Você sabe qual a diferença básica entre um chefe/gerente e um líder?

CHEFE / GERENTE
LÍDER

Existe para controlar as decisões que vêm de cima para baixo
Existe para articular as funções e responsabilidades de cada um através do diálogo e da partilha.
Os chefes são obedecidos.
Os líderes são respeitados.
Busca o controle.
Busca a mudança e a inovação.
Trabalha o presente, olhando para o passado.
Trabalha o presente, olhando para o futuro.
Mantém o “sistema”.
Inova o “sistema”.
Enxerga funções e estruturas.
Enxerga pessoas e aptidões.
Segue projetos e idéias estabelecidos.
Estabelece novos projetos e idéias.
Vê as coisas como estão funcionando.
Busca novos caminhos para a organização.
Faz certo as coisas – eficiente.
Faz as coisas certas – eficaz.
Trabalha baseando na obrigação.
Serve baseando na motivação.
Interessa-se pelo que as pessoas podem fazer.
Interessa-se pelo que as pessoas são.
Trabalha pensando na remuneração e no dinheiro.
Trabalha voluntariamente em vista do bem comum.
Busca a produtividade no trabalho.
Busca a felicidade dos outros no serviço.
Movido pelos interesses da corporação.
Movido pela fé e por princípios de nobreza.
Preza regras e regulamentos.
Preza os relacionamentos inter-pessoais.
Prima pela competição.
Prima pela compaixão.
Adora subserviência.
Ele ama a humildade.
Exalta as conquistas pessoais.
Exalta as conquistas do grupo.
Trabalha sozinho, tendo poder sobre os outros.
Trabalha em equipe, em comunhão com o grupo.

PARA DEBATER EM GRUPO:

O catequista é mais chefe/gerente ou mais líder? Isto se verifica concretamente em nossa realidade?


Fontes de consulta:

BULLARA, Cesar Furtado de Carvalho. A evolução do conceito de liderança. Disponível em www.ise.org.br?informe/artigos. Acessado em 06/02/2005.

CIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas. São Paulo: Campus, 1999.

MOREIRA, Maria Elisa. Liderar não é preciso - Um guia prático para o dia a dia dos líderes. São Paulo: Paulinas, 

sábado, 30 de novembro de 2013

ADVENTO: UM TEMPO FAVORÁVEL

Mais um artigo muito bom de D. Orlando Brandes - Arcebispo de Londrina Pr.

Este é o momento favorável. Deus está no nosso agora, no nosso cotidiano, no nosso minuto. Nossa hora é sempre “hora de Deus”. O advento de Deus acontece em nossas circunstâncias, em nossa história, nossa existência. Senhor, em Vós respiramos e por Vós suspiramos. Tu conheces nossos pensamentos, sentimentos e as batidas dos nossos corações.. Todo dia é dia de Deus. Ele está em nós e no meio de nós. Deus faz o nosso caminho.

Celebrar, porém, o tempo do Advento é reviver a história da encarnação de Jesus, portanto, a plenitude dos tempos. É o tempo de preparar os caminhos, tempo de dar tempo para Deus e para os irmãos. Nestes tempos de consumismo, os esposos não tem tempo pra si e pais não encontram tempo para seus filhos. A grande maioria das pessoas não tem tempo para Deus. Tempo é questão de preferência. Muitos preferem dar tempo para o shopping, para time de futebol, para a correria estressante da vida.

O tempo do Advento é tempo da realização das promessas de Deus sobre a vinda do Messias. Quanto tempo Deus dedica a nós e como temos pouco tempo para as coisas de Deus. Sofremos fadiga, esgotamento, cansaço, stress, vazio, frustração por não respeitar o tempo do silêncio, do lazer, da oração, nem o tempo para diálogo, a visita, a amizade.

O Advento é tempo para a gente parar, meditar, silenciar. Assim poderemos recuperar a saúde, a paz, a alegria, a bússola da verdade. Advento é hora de reencontro e reencantamento. Estamos celebrando um tempo de renovação da fé: o Ano da Fé.  Do grau da fé depende o tipo de cristianismo que vivemos. Da intensidade ou da superficialidade da fé, depende a vivencia do tempo do Advento e do Natal. A fé é o impulso que rompe com nossa rotina e mesmice que são entraves e amarras à  dedicação do nosso tempo  para a evangelização. A fé é couraça e escudo que nos defende do mal, e nos ajuda a viver de modo adequado o tempo que nos é dado, inclusive a não perder tempo à toa.

A fé nos livra das preocupações que nos enganam, estressam e deprimem tomando o maior tempo da nossa vida. A fé destrói nossos apegos que são a raiz de todo sofrimento emocional e psíquico. A fé nos impele a sair do comodismo e da omissão que atrofiam a missão, fracassam a Igreja e deixam espaços para os ídolos. A fé é a vitória sobre nossa mediocridade tão nociva, porque prejudica a credibilidade do evangelho.  Não podemos ter uma fé morna. Eis o tempo favorável do Advento que nos conduz ao deserto para reavivarmos a força da fé. Eis o tempo para retornar ao poço, à fonte, a exemplo da samaritana, que abandonou a vida errada e tornou-se anunciadora da fé.

Há um tempo para tudo (cf Ecl 3,1-8). Sim, há tempo para perder a fé e tempo para reencontrá-la. Tempo para tudo abandonar e tempo para voltar. Tempo para a incredulidade e tempo para a conversão. Tempo para naufragar na fé e tempo para recuperar o tesouro perdido.

O Advento é um tempo que nos interpela á decisão, opção, resolução para nossa conversão. Não podemos subsistir sem a necessária conversão. Jesus veio, vem e virá. Os que o recebem se tornam filhos de Deus. Entremos neste Advento pela porta da fé, prossigamos no caminho de Jesus até chegarmos à porta do céu, do fim que não terá fim, da luz sem ocaso, onde seremos coroados pelo bem que realizamos no tempo de nossa existência. No tempo preparamos a eternidade. A experiência nos faz perceber que tudo passa, que o crepúsculo da vida vem. “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor” (S. João da Cruz). Sejamos gratos ao Criador que na sua sabedoria nos chamou viver nestes tempos da história da humanidade.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina
Folha de Londrina, 1º de dezembro de 2012.




* Colaboração da  Ir. Zuleides Andrade, ASCJ. Curitiba – Pr.

Dez mandamentos do Advento

 1.      Abrir as portas do coração. Deus desce e vem. Quer estar no meio de nós. Vamos abrir nossos corações e a porta da fé. Advento é Deus nos procurando para o dialogo, a aliança de amizade, a oferta da salvação. Não fecheis vossos corações, vamos acolher receber, ouvir a Deus que vem. Escancarai as portas do coração a Jesus Cristo. Ele bate à nossa porta.

2.      Respeitar o direito e a justiça. Os textos bíblicos do Advento enfocam a nova ordem, a nova terra que o Messias trará. O seu trono pousa sobre o direito e a justiça, a paz e a convivência fraterna. O que o Messias vai trazer é o reino de Deus que consiste em “amar a misericórdia, praticar a justiça e viver na presença de Deus” (Miq. 6, 8). O reino de Deus transforma o deserto em jardim, as espadas em arados, as lanças em foices.

3.      Estar vigilantes, não distraídos. Quem espera deve estar vigilante, acordado, atento. São três as vindas de Deus: no Natal, no fim do mundo e no nosso cotidiano. Precisamos estar antenados, conectados, sintonizados com Deus, sua presença, sua vontade, seus desígnios. Agitação, barulho, dispersão nos afastam da oração, do silêncio e, portanto da vigilância. Vivemos apressados, atulhados com mil preocupações e também cansados, apáticos, indiferentes no que diz respeito a Deus e ao próximo. Vigiai, pois não sabeis nem o dia, nem a hora.

4.      Endireitar os caminhos tortuosos. Advento é tempo de conversão. Caminhos tortuosos levam à perdidão. O rumo, a bússola, a direção de nossa vida é Jesus Cristo, que pela mediação da Igreja, é luz do nosso caminho. É hora de sair de si, peregrinar, ir ao povo, endireitar os caminhos em direção ao irmão e a Deus.
5.      Preparar a chegada. A mãe prepara a chegada do bebê, a cozinheira prepara as refeições, a noiva prepara o casamento. Tudo o que é preparado tem sucesso. Devemos estar preparados para a vinda do Senhor. Nunca ociosos, desligados, desinteressados. Longe de nós a mediocridade, a sonolência, a mesmice, o desinteresse. Preparemos um belo presépio para acolher o Menino. Preparemos nossos corações.

6.      Escutar a voz que chama. João Batista clama no deserto, chamando-nos ao silêncio, à escuta, à meditação. Saber parar, silenciar, contemplar é remar contra a corrente do consumismo, da dissipação, do barulho. Advento tem tudo a ver com deserto onde Deus fala ao coração.

7.      Uma criança vai nascer. Maria esta grávida por obra do Espírito Santo graças a sua resposta de fé. Advento leva-nos a pensar na gravidez, nos cuidados e respeito com o nascituro, na generosidade de acolher a vida de mais um filho. O embrião é um de nós, é um filho. Jesus foi também embrião e Maria cuidou dele.

8.      Viver o tempo que nos é dado. Advento é um tempo especial. Que fazemos com nosso tempo? É preciso viver o hoje, o agora, o instante, o momento presente com intensidade, consciência e alegria. Percebemos que o tempo passa, a vida é breve o fim vem. Demos tempo a nós mesmos, aos outros, a Deus. É no tempo que construímos a historia e acolhemos a salvação.

9.      Visitar e ir ao encontro. Visita e encontro são os dois pés do Advento. Recebemos a visita de Deus e no propomos a visitar casas, asilos, hospitais, cadeias, creches. A missão hoje depende da visitação. A visita proporciona a experiência do encontro, do diálogo, da comunicação.

10.  Participar das novenas. Façamos de nossa rua, prédio, condomínio, uma família. Façamos a experiência da alegria que vem da comunhão e participação e de novas amizades. Superemos a solidão, o egoísmo, e isolamento e busquemos a socialização, a comunicação, a convivência.
                                                              

 Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina
Folha de Londrina, 30 de novembro de 2013


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

CREIO...

Aquele que diz "SIM" para Deus deve saber a que se compromete.
Por isso é importante que cada cristão se esforce em conhecer e compreender o Creio.
Ele deve saber o que significa crer!




VAMOS FALAR SOBRE O TEMPO DO ADVENTO?

O Tempo do Advento


Introdução

A palavra “advento” quer dizer “que está para vir”. O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.
O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.
Esse Tempo possui duas características: As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa.
Origem
Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal. No final do século IV na Gália (atual França) e na Espanha tinha caráter ascético com jejum abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos.
Só após a reforma litúrgica é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.
Teologia do Advento
O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo. Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor. Jesus que de fato se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15) . O Advento recorda também o Deus da revelação, Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no “dia do Senhor”, no final dos tempos. O caráter missionário do Advento se manifesta na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Batista e Maria são exemplos concretos da missionariedade de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar. Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.
A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referencia e fundamento, dispondo-nos a “perder” a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.
Espiritualidade do advento
A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.
Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é “Marana tha”! Vem Senhor Jesus!
O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.
O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que “preparemos o caminho do Senhor” nas nossas próprias vidas, “lutando até o sangue” contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.
No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza econômica, mas principalmente aquela que leva a confiar, se abandonar e depender inteiramente de Deus (e não dos bens terrenos), que tem n’Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.
As Figuras do Advento:
ISAIAS
É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 – 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados.
As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos.
JOÃO BATISTA
É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, “mais que um profeta”, “o maior entre os que nasceram de mulher”, o mensageiro que veio diante d’Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 – 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).
A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-lO como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo.
João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.
MARIA

Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se “preparou” para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de “Faça-se em mim segundo a sua Palavra” (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc.
Em Maria encontramos se realizando, a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento.
JOSÉ
Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de “Filho de Davi”.
José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.
A Celebração do Advento
O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus.
As vestes litúrgicas (casula, estola etc) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do libertador que está bem próxima e se refere a segunda leitura que diz: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto.(Fl 4, 4).
Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A coroa pode ser pendurada no prebistério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo salvador e luz do mundo brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem. O círculo sem começo e sem fim simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, nos chama a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.
Podemos também, em nossas casas, com as nossas famílias, mergulhar no espírito do Advento celebrando-o com a ajuda da coroa do Advento que pode ser colocada ao lado da mesa de refeição.
A coroa do Advento
Desde a sua origem a Coroa de Advento possui um sentido especificamente religioso e cristão: anunciar a chegada do Natal sobretudo às crianças, preparar-se para a celebração do Santo Natal, suscitar a oração em comum, mostrar que Jesus Cristo é a verdadeira luz, o Deus da Vida que nasce para a vida do mundo. O lugar mais natural para o seu uso é família.
Além da coroa como tal com as velas, é uso antigo pendurar uma coroa (guirlanda), neste caso sem velas, na porta da casa. Em geral laços vermelhos substituem as velas indicando os quatro pontos cardeais. Entrou também nas igrejas em formas e lugares diferentes, em geral junto ao ambão. Cada domingo do Advento se acende uma vela. Hoje está presente em escolas, hotéis, casas de comércio, nas ruas e nas praças. Tornou-se mesmo enfeite natalino. Já não se pode pensar em tempo de Advento sem a coroa com suas quatro velas.
Simbolismo da Coroa de Advento
Pelo fato de se tratar de uma linguagem simbólica, a Coroa de Advento e seus elementos podem ser interpretados de diversas formas. Desde a sua origem ela possui um forte apelo de compromisso social, de promoção das pessoas pobres e marginalizadas. Trata-se de acolher e cuidar da vida onde quer que ela esteja ameaçada. Podemos dizer que a Coroa de Advento constitui um hino à natureza que se renova, à luz que vence as trevas, um hino a Cristo, a verdadeira luz, que vem para vencer as trevas do mal e da morte. É, sobretudo, um hino à vida que brota da verdadeira Vida.
A mensagem da Coroa de Advento é percebida a partir do simbolismo de cada um de seus elementos.
O Círculo
A coroa tem a forma de círculo, símbolo da eternidade, da unidade, do tempo que não tem início nem fim, de Cristo, Senhor do tempo e da história. O círculo indica o sol no seu ciclo anual, sua plenitude sem jamais se esgotar, gerando a vida. Para os cristãos este sol é símbolo de Cristo.
Desde a Antigüidade, a coroa é símbolo de vitória e do prêmio pela vitória. Lembremos a coroa de louros, a coroa de ramos de oliveira, com a qual são coroados os atletas vitoriosos nos jogos olímpicos.
Os ramos verdes
Os ramos verdes que enfeitam o círculo constumam ser de abeto ou de pinus, de ciprestes. É símbolo nórdico. Não perdem as folhas no inverno. É, pois, sinal de persistência, de esperança, de imortalidade, de vitória sobre a morte.
Para nós, no Brasil, este elemento é um tanto artificial e, por isso, problemático, menos significativo, visto que celebramos o Natal no início do verão e com isso não vivenciamos esta mudança da renovação da natureza. Por isso, a tendência de se substituir o verde por outros elementos ornamentais do círculo: frutos da terra, sementes, flores, raízes, nozes, espigas de trigo.
Para ornar a coroa usam-se também laços de fitas vermelhas ou rosas, símbolo do amor de Jesus Cristo que se torna homem, símbolo da sua vitória sobre a morte através da sua entrega por amor.
Deste modo, nas guirlandas penduradas nas portas das casas, os laços ocupam o lugar das velas.
Lembram os pontos cardeais, a cruz de Cristo, que irradia a luz da salvação ao mundo inteiro.
As velas
As quatro velas indicam as quatro semanas do Tempo do Advento, as quatro fases da História da Salvação preparando a vinda do Salvador, os quatro pontos cardeais, a Cruz de Cristo, o Sol da salvação, que ilumina o mundo envolto em trevas. O ato de ascender gradativamente as velas significa a progressiva aproximação do Nascimento de Jesus, a progressiva vitória da luz sobre as trevas.
Originariamente, a velas eram três de cor roxa e uma de cor rosa, as cores dos domingos do Advento.
O roxo, para indicar a penitência, a conversão a Deus e o rosa como sinal de alegria pelo próximo nascimento de Jesus, usada no 3º domingo do Advento, chamado de Domingo “Gaudete” (Alegrai-vos).
Mas existem também outras tradições acerca das cores das velas, podendo-se usar velas brancas, vermelhas, ou até mesmo uma de cada cor (branca, verde, vermelha e roxa ou rosa).
Existem diferentes tradições sobre os significados das velas. Uma bastante difundida:
§                     a primeira vela é do profeta;
§                     a segunda vela é de Belém;
§                     a terceira vela é dos pastores;
§                     a quarta vela é dos anjos.
Outra tradição vê nas quatro velas as grandes fases da História da Salvação até a chegada de Cristo. Assim:
§                     a primeira é a vela do perdão concedido a Adão e Eva, que de mortais se tornarão seres viventes em Deus;
§                     a segunda é a vela da fé dos patriarcas que crêem na promessa da Terra Prometida;
§                     a terceira é a vela da alegria de Davi pela sua descendência;
§                     a quarta é a vela do ensinamento dos profetas que anunciam a justiça e a paz.
Nesta perspectiva podemos ver nas quatro velas as vindas ou visitas de Deus na história, preparando sua visita ou vinda definitiva no seu Filho Encarnado, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo:
§                     o tempo da criação: de Adão e Eva até Noé;
§                     o tempo dos patriarcas;
§                     o tempo dos reis;
§                     o tempo dos profetas.

 Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição – São Paulo (http://www.franciscanos.org.br/) e BECKHÄUSER, Frei Alberto, Coroa de Advento – história, simbolismo e celebrações, Ed. Vozes, 2006.