CONHEÇA!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

OS DOCUMENTOS DO PAPA

Afinal, quais são os documentos que o Papa usa, e quais as diferenças de um para outro?

Os documentos pontifícios são designados por diversos nomes: Bula, Breve, Rescrito, Motu Próprio, Encíclica, Constituição, Exortação, Carta apostólica. Vamos às definições e aos objetivos de cada um:


Bula - As definições sobre fé e à Moral (dogmas) são geralmente publicadas sob forma de Bula. A partir do século VI os Papas empregaram a bula a fim de autenticar os seus documentos; Bulla conseqüentemente passou a designar o selo ou sinete do Papa. A partir do século XIII Bula designa não apenas o globo de metal que contem a mensagem, mas a própria carta à qual ele se prende. Por Bula o Papa geralmente exprime algo de muito solene, tal foi o caso da Bula Ineffabilis Deus, que em 1854 formulou a definição do dogma da Imaculada Conceição. Por Bula o Papa convoca os participantes de um Concílio geral, cria ou desmembra uma diocese. As Bulas de grande importância têm, pendentes de cordões coloridos, um globo de chumbo no qual está gravada a imagem das cabeças de São Pedro e São Paulo.

Breve - O Breve é um documento normalmente mais curto e menos solene do que uma Bula, que normalmente trata de questões privadas, como dispensa de irregularidades para exercer alguma função na Igreja, dispensa de certos impedimentos do matrimônio, autorização de oratório doméstico com o Santíssimo Sacramento, autorização para vender bens da Igreja, outros benefícios e favores especiais.

Rescrito - vem do latim rescribere, que significa responder por escrito a uma carta ou a uma pergunta escrita.

Motu Proprio - do latim, “motivo próprio”, é um documento de iniciativa do próprio Papa, com pleno conhecimento de causa, em cujo conteúdo o Papa quer recomendar algo com particular empenho. Tal tipo de documento traz sempre em seu título a cláusula Motu Próprio. Pode por exemplo recomendar alguns aspectos da celebração de um sacramento.

Encíclica - é uma Circular. Já nos primeiros séculos da Igreja os Bispos escreviam cartas circulares aos seus irmãos no episcopado a respeito de assuntos doutrinários ou disciplinares; ficando o termo (carta) encíclica reservado aos escritos papais, ao passo que os demais Bispos escrevem Cartas Pastorais. A encíclica passou a ser entendida em nossos dias como a forma mais pessoal e espontânea pela qual o Papa exerce seu ministério de Pastor universal. Geralmente as encíclicas se dirigem aos Patriarcas, Arcebispos, Bispos, Presbíteros, Filhos e Filhas da Igreja; todavia o círculo pode-se alargar para compreender também os homens de boa vontade (um exemplo é a Redempto Hominis de João Paulo II), como pode estreitar-se, abrangendo apenas o episcopado e os fiéis de uma nação, usando a língua de tal povo. As encíclicas não promulgam definições dogmáticas; abordam, sim, algum ponto doutrinário que esteja sendo mal entendido; propõem orientações em situação difícil, exaltam a figura de algum (a) Santo (a), procurando sempre fortalecer a vida cristã do povo de Deus.

Constituição - É um documento de grande autoridade, que pode ser sobre os mais diversos temas. Pode ser uma Constituição Dogmática, tais como a Lumen Gentium, a Gaudium et Spes, a Sacrosanctum Concillum e a Dei Verbum, do Concílio do Vaticano II, promulgadas pelo Papa Paulo VI; ou pode ser uma Constituição Apostólica que pode ser relativa ao governo da Igreja, por exemplo, a Regimini Ecclesiae Universae, de Paulo VI e a Pastor Bonus de João Paulo II. Pode versar também sobre a Liturgia assim como a Divini Cultus, de Pio XI, sobre estudos e formação doutrinária existe a Deus Scientiarum Dominus, de Pio XI.
Exortação Apostólica: (Adhortatio Apostolica) Forma de documento menos solene que as encíclicas. Antigamente era dirigida a um determinado grupo de pessoas. Por exemplo, "Menti Nostrae" (Pio XII) para o clero. O termo é usado, atualmente, em sentido mais amplo: não somente como documento para determinado grupo de pessoas, mas recomendações feitas pelo Romano Pontífice aos bispos, presbíteros e todos os fiéis, sobre temas mais diretamente relacionados a um grupo de pessoas, por exemplo, as exortações pós-sinodais: "Familiaris Consortio"; "Christifideles laici"; “Pastores dabo vobis”.

Cartas Apostólicas - Carta Apostólica é denominação genérica. Apostólica aqui significa “do Apóstolo Pedro, que fala por seu sucessor”. As Cartas Apostólicas simplesmente ditas, podem tratar de assuntos ligados ao governo da Igreja: nomeação de Bispos, Cardeais, criação de nova diocese, canonização de santos, temas doutrinários ou morais, comemoração de alguma data ou de evento importante.

Sínodo - uma reunião universal, periódica e consultiva de bispos da Igreja Católica (incluindo os das igrejas orientais católicas), convocada pelo Papa, com o objetivo de refletir, discutir e aconselhar o Papa sobre diversos assuntos, nomeadamente as políticas e orientações diretivas gerais da Igreja. Neste conselho, não estão todos os bispos do mundo inteiro, mas apenas os representantes episcopais eleitos pelas suas respectivas conferências episcopais. Este organismo consultivo, chamado de Sínodo dos Bispos, foi criado pelo Concílio Vaticano II (1962-1965). 

Ângela Rocha

Catequista

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO NO FACEBOOK

Quem ainda não conhece a ainda não curtiu a página dos CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO?
Vai lá! Dá uma força pra gente!




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

OS NÚMEROS NA BÍBLIA

*Estudo de Frei Ildo Perondi

Devemos prestar muita atenção ao valor dos números na Bíblia, sobretudo no texto hebraico, pois estamos diante de uma mentalidade diferente da nossa. Os números, na maioria das vezes, não querem transmitir uma quantidade exata, um dado preciso, mas sim expressar uma realidade, um valor teológico, um dado simbólico.

Vejamos o significado dos principais números e alguns exemplos interessantes.


Número

Significado e algumas passagens bíblicas onde aparece

1 (um)
Deus é Um (Dt 6,4; Zc 14,9).
2 (dois)
É o par perfeito. Dos animais puros Noé levará para a arca sempre pares (Gn 7,2). É o dobro e pode significar de sobra, como em Is 40,2; 61,7; Ap 18,6.
3 (três)
Número da unidade e da Trindade. É usado para reforçar ou dar ênfase a uma expressão. Assim, quando se quer dizer que Deus é Santo,repete-se três vezes: Deus é Santo, Santo, Santo (Is 6,3; Ap 4,8). Deus abençoa três vezes (Nm 6,24-26). Três são os mensageiros que anunciam o nascimento de Isaac (Gn 18,1ss). É o número da plenitude (Ap 21,13) e da santidade (Ap 4,8).
4 (quatro)
Número da totalidade: os quatro cantos da terra; quatro evangelhos; quatro Seres vivos (Ap 4,6; 7,1; 20,8). Os quatro elementos do universo: terra, fogo, água e ar. Quadrangular (Ap 21,16). Representa sinal de plenitude.
5 (cinco)
Cinco dedos da mão. O primeiro bloco da Bíblia (a Lei) têm 5 livros, o Pentateuco. No Apocalipse pode ser negativo.
6 (seis)
Número imperfeito, não chegou à perfeição, que é o número 7. No Apocalipse (13,18) é repetido três vezes, por isso o número da besta é 666. Imperfeição total!
7 (sete)
É a soma de 4 + 3. Por isso é o número perfeito, indica o máximo da perfeição (Nm 23,4; Mt 15,36); grande quantidade (Is 30,26; Pr 24,16; Mt 18,21); totalidade (Ap 1,4); indica séries completas como no Apocalipse: 7 Cartas (Ap 2-3); 7 Selos (Ap 6,1-17); 7 cabeças (Ap 12,3). O Cordeiro imolado recebe 7 dons (Ap 5,12).
O sábado é o sétimo dia; Deus fez a Criação em 7 dias; a festa de Pentecostes acontece 7 vezes 7 dias depois da Páscoa. Cada sétimo ano é sabático (descanso para a terra e libertação dos oprimidos – Lv 25) e depois de 7 vezes 7 anos vem o Jubileu. Não se deve perdoar 7 vezes, mas 70 vezes 7 (Mt 18,22).
É importante ver que no Apocalipse aparece a metade de 7, isto é 3,5 (Ap 11,9). Às vezes se diz: um tempo, dois tempos, meio tempo (Ap 12,14; Dn 7,25), isto é três anos e meio. Também pode ser 42 meses (Ap 11,2), é igual a 1.260 dias (Ap 12,6), isto é, sempre a metade de 7. É a duração limitada das perseguições. É o tempo controlado por Deus.
8 (oito)
É sete mais um, é como que o transbordamento. As bem-aventuranças em Mateus são sete mais uma.
10 (dez)
Indica grande quantidade (Gn 31,7) ou é simplesmente um número redondo (Mt 25,1). Indica também listas completas. Pelos dez dedos das mãos é fácil lembrar a lista. Indica um tempo limitado; curta duração (Dn 1,12.14; Ap 2,10). Pode indicar também imperfeição: a besta só tem 10 chifres (Ap 12,3).
12 (doze)
É o resultado de 4 vezes 3, isto é um número bem completo. É o número da escolha: 12 tribos no AT; 12 Apóstolos no NT; 12 legiões de anjos (Mt 26,53). Os anciãos são 24, isto é: 2 X 12 (Ap 4,4). Os que serão salvos (Ap 7,4) serão 144.000, isto é 12 X 12 X 1000! Número de totalidade (Ap 21,12-14).
40 (quarenta)
Número que indica um tempo necessário de preparação para algo novo que vai chegar: 40 dias e quarenta noites do dilúvio (Gn 7,4.12); 40 dias e 40 noites Moisés passa no Monte (Ex 24,18; 34,26; Dt 9,9-11; 10,10); 40 anos foi o tempo da peregrinação pelo deserto (Nm 14,33; 32,13; Dt 8,2; 29,4, etc); Jesus jejuou 40 dias antes de começar seu ministério (Mt 4,2; Mc 1,12; Lc 4,2); a ascensão de Jesus acontece 40 dias depois da Ressurreição (At 1,3). Quando alguém errava era corrigido com 40 chicotadas (Dt 25,3) e Paulo também recebeu cinco vezes as 40 chicotadas menos uma (2Cor 11,24).
70 (setenta)
Jogo de números 10 X 7. Moisés comunica o espírito profético aos 70 anciãos (Nm 11,16-17.24-25). O exílio na Babilônia é interpretado como a duração de 70 anos (Jr 25,11; 29,10; 27,7; 2Cr 36,21; Dn 9). A tradução da Bíblia hebraica para o grego foi feita por 70 escribas e por isso recebeu o nome de LXX ou Septuaginta.
1000 (mil)
Uma quantidade tão grande que não se pode contar. Prazo de tempo completo e comprido. Reino de mil anos (Ap 20,2). Ver as combinações: 7 X 1000 (Ap 11,13; 12 X 1000 (Ap 7,5-8); 144 X 1000 (Ap 7,4).

É interessante também notar como os hebreus faziam combinações de números. Por exemplo: Abraão fez a Aliança com Deus quando tinha 99 anos (Gn 17,24), assim a Aliança completou o número 100. É o sábado que dá valor aos demais dias da semana, assim transforma os 6 dias (imperfeitos) em 7 dias (perfeito). O único dia da semana que tem um nome. Outro exemplo: seis povos habitavam a Terra Prometida (Ex 3,8). Mas são imperfeitos. Israel será o sétimo povo, aquele que tornará a terra perfeita (7). 

Ver também o jogo numérico feito na elaboração de alguns provérbios (Pr 6,16-19; 30,15-33).

Interessante é saber que os israelitas escreviam seus números com letras alfabéticas (não tinham vogais), assim se podia escrever um nome com um valor numérico genial. Por exemplo, Mateus divide a genealogia de Jesus em três grupos de 14 gerações. Ora, o número 14 é o resultado das somas das letras do nome de Davi (d + w + d): 4 + 6 + 4 = 14. Então Jesus é três vezes Davi, é o Davi por excelência.

Em Ap 13,18, o famoso número da “besta do Apocalipse” é 666, que provém da soma das consoantes hebraicas (n + w + r + n + r + s + q) de KAISAR NERON: Imperador Nero, o grande perseguidor dos cristãos (100 + 60 + 200 + 50 + 200 + 6 + 50 = 666). Ou César Deus no grego.

No capítulo 17 do Evangelho de João, a palavra “mundo” aparece 18 vezes, isto é: 6 + 6 + 6. Ora, para João não é a terra ou o mundo - como nós entendemos hoje - que era mau. “Mundo” significava: o sistema, ou seja, aqueles que não aceitavam Jesus (podiam ser os judeus do Templo ou também os romanos).

No capítulo 9 do Evangelho de João, o verbo “abrir” aparece 7 vezes, justamente no relato em que Jesus abre os olhos ao cego; um sinal importante no quarto Evangelho.

Muitas vezes, no AT, se fala de personagens que viveram idades incrivelmente avançadas. Neste caso os números têm um valor simbólico. Querem indicar que estas foram pessoas importantes, fiéis a Deus, e que a época em que elas viveram foi de muito valor. Quanto maior o número de anos, mais importante essa pessoa foi diante de Deus.

Outro exemplo: na expressão “filhos de Israel” temos também um exemplo de como os escritores bíblicos gostavam de fazer os jogos de palavras baseadas no valor numérico das letras do alfabeto hebraico. Em laer'f.yI ynEB. (filhos de Israel), a soma dos valores das consoantes é: 2 + 50 + 10 + 10 + 300 + 1 + 30 = 603. Isto é a cifra da multidão do primeiro total do povo no recenseamento antes de partir em direção ao Sinai: 603.550 (Nm 1,46; 2,32). É o mesmo número dos homens que deixaram o Egito (Ex 12,37).


* Frei Ildo Perondi é Frei Capuchinho da Província São Lourenço de Brindes, do Paraná, Santa Catarina e Paraguai. Formado em Teologia Bíblica em Roma. Atua dando cursos bíblicos e é professor universitário da PUC Londrina e de outros Institutos Teológicos. Site web: www.capuchinhosprsc.org.br/biblia/ 


Bibliografia

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Introduções e notas de rodapé (São Paulo 2002).
BUIS, P. El libro de los Números (Cuadernos bíblicos 78; Estella 1996).
CRB. O sonho do povo de Deus (Coleção Tua Palavra é Vida nº 7; Rio de Janeiro 1996).
DEIANA, G. – SPREAFICO A. Guida allo studio dell’ebraico biblico (Roma 31998).
GRUEN,W. Pequeno Vocabulário da Bíblia (São Paulo 91995).
MESTERS, C. Esperança de um povo que luta. O Apocalipse de São João (São Paulo 1983).



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O MÉTODO VER-JULGAR-AGIR NO DNC

O MÉTODO VER-JULGAR-AGIR no DNC
Diretório Nacional de Catequese (nº. 157-162) 

Você conhece o Método que o DNC indica para o ensino da fé na catequese?

O método ver, Julgar, Agir, por experiência e tradição pastoral latino americana tem trazido segurança e eficácia na educação da fé, respondendo às necessidades e aos desafios vividos pelo nosso povo. Entre nós o termo “julgar” está sendo substituído por ILUMINAR. Nesse processo do ver-iluminar-agir, acrescentaram-se o CELEBRAR e o REVER. Não são passos estanques nem sequência de operações, mas, trata-se de um processo dinâmico na educação da fé.

VER (158) - É um olhar crítico e concreto a partir da realidade da pessoa, dos acontecimentos e dos fatos da Vida. A catequese motiva os catequizandos a conhecer e analisar criticamente a realidade social em que vivem, com seus condicionamentos econômicos, sócio-culturais, políticos e religiosos... 

É necessário que o próprio catequista tenha formação contínua, para que se habitue a fazer análise de conjuntura e sensibilizar-se com seus problemas de realidade, descobrindo os sinais dos tempos. O ver cristão já traz em si a iluminação da fé.

ILUMINAR (julgar) (159) - É o momento de escutar a Palavra de Deus. Implica a reflexão e o estudo que iluminam a realidade, questionando-a pessoal e comunitariamente. Para acolher a realidade, como cristãos, é necessária a conversão contínua na busca da vontade do Pai. Com cobertura à presença do Espírito Santo, na escuta orante da Palavra de Deus, com atitude contemplativa e fidelidade á mesma Palavra, à Tradição e ao magistério, o catequista cresce na capacidade de questionar a realidade.

AGIR (160) - É o momento de tomar decisões, orientando vida na direção das exigências do Projeto de Deus. É o tempo de vivenciar e assumir conscientemente o compromisso e dar as necessárias respostas para a renovação da Igreja e a transformação da realidade. Isto exige de catequistas e catequizandos confiança em Deus, coerência entre a Fé e vida e a fortaleza para acolher as mudanças que são necessárias na caminhada da sociedade e na sua vida pessoal, com suas profundas exigências éticas e morais.
O agir é compromisso de viver como irmãos, promover integralmente as pessoas e as comunidades, servir aos mais necessitados, lutar por justiça e paz, denunciar profeticamente e transformar evangelicamente as estruturas e as situações desumanas, buscando o bem comum.
O compromisso do agir aparece hoje muito enriquecido com os princípios e critérios expostos no COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA (2005) que fundamenta e aplica nas realidades sociais uma ética e moral cristã.

CELEBRAR (161) - É momento privilegiado para a experiência da graça divina. É o feliz encontro com Deus na oração e no louvor, que anima e impulsiona o processo catequético. Supera a oração puramente rotineira. Esta dimensão orante e celebrativa deve caracterizar a catequese, para que ela não caia na tentação de ser feita de encontros só de estudo e compreensão intelectual da mensagem evangélica. A celebração também educa a pessoa o grupo para a oração e contemplação, para o dialogo filial e amoroso, pessoal e comunitário com o Pai. A dimensão catecumenal da Catequese tem aqui sua maior expressão.

REVER (162) - É o momento para sintetizar a caminhada catequética, valorizar os catequistas e os catequizandos, aprofundar as etapas do planejamento proposto, revendo os conteúdos e os compromissos assumidos.
O rever é o ver de novo a caminhada da Catequese; é tomar consciência, hoje, de como agimos ontem para melhor agir amanhã. Faz surgir novos questionamentos para ajudar a tomar as decisões e determinar o grau de eficácia e de eficiência, favorecendo uma contínua realimentação.
O rever é uma construção do Reino. Para rever com eficiência a sua ação, os catequistas devem ter um conhecimento básico dos princípios de planejamento participativo e a atitude firme de levar em conta as avaliações feitas, mudando o que deve ser mudado, libertando-se de rotinas paralisantes, confirmando a caminhada feita sob o impulso do Espírito Santo. 

Fonte: DNC – pgs 106 a 108.
Diretório Nacional de Catequese (nº. 157-162)

Você conhece o Método que o DNC indica para o ensino da fé na catequese?
O método Ver-Julgar-Agir, por experiência e tradição pastoral latino americana tem trazido segurança e eficácia na educação da fé, respondendo às necessidades e aos desafios vividos pelo nosso povo. Entre nós o termo “julgar” está sendo substituído por ILUMINAR. Nesse processo do ver-iluminar-agir, acrescentaram-se o CELEBRAR e o REVER. Não são passos estanques nem sequência de operações, mas, trata-se de um processo dinâmico na educação da fé.
VER (158) - É um olhar crítico e concreto a partir da realidade da pessoa, dos acontecimentos e dos fatos da Vida. A catequese motiva os catequizandos a conhecer e analisar criticamente a realidade social em que vivem, com seus condicionamentos econômicos, sócio-culturais, políticos e religiosos...
É necessário que o próprio catequista tenha formação contínua, para que se habitue a fazer análise de conjuntura e sensibilizar-se com seus problemas de realidade, descobrindo os sinais dos tempos. O ver cristão já traz em si a iluminação da fé.
ILUMINAR (julgar) (159) - É o momento de escutar a Palavra de Deus. Implica a reflexão e o estudo que iluminam a realidade, questionando-a pessoal e comunitariamente. Para acolher a realidade, como cristãos, é necessária a conversão contínua na busca da vontade do Pai. Com cobertura à presença do Espírito Santo, na escuta orante da Palavra de Deus, com atitude contemplativa e fidelidade á mesma Palavra, à Tradição e ao magistério, o catequista cresce na capacidade de questionar a realidade.
AGIR (160) - É o momento de tomar decisões, orientando vida na direção das exigências do Projeto de Deus. É o tempo de vivenciar e assumir conscientemente o compromisso e dar as necessárias respostas para a renovação da Igreja e a transformação da realidade. Isto exige de catequistas e catequizandos confiança em Deus, coerência entre a Fé e vida e a fortaleza para acolher as mudanças que são necessárias na caminhada da sociedade e na sua vida pessoal, com suas profundas exigências éticas e morais.
O agir é compromisso de viver como irmãos, promover integralmente as pessoas e as comunidades, servir aos mais necessitados, lutar por justiça e paz, denunciar profeticamente e transformar evangelicamente as estruturas e as situações desumanas, buscando o bem comum.
O compromisso do agir aparece hoje muito enriquecido com os princípios e critérios expostos no COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA (2005) que fundamenta e aplica nas realidades sociais uma ética e moral cristã.

CELEBRAR (161) - É momento privilegiado para a experiência da graça divina. É o feliz encontro com Deus na oração e no louvor, que anima e impulsiona o processo catequético. Supera a oração puramente rotineira. Esta dimensão orante e celebrativa deve caracterizar a catequese, para que ela não caia na tentação de ser feita de encontros só de estudo e compreensão intelectual da mensagem evangélica. A celebração também educa a pessoa o grupo para a oração e contemplação, para o dialogo filial e amoroso, pessoal e comunitário com o Pai. A dimensão catecumenal da Catequese tem aqui sua maior expressão.
REVER (162) - É o momento para sintetizar a caminhada catequética, valorizar os catequistas e os catequizandos, aprofundar as etapas do planejamento proposto, revendo os conteúdos e os compromissos assumidos.
O rever é o ver de novo a caminhada da Catequese; é tomar consciência, hoje, de como agimos ontem para melhor agir amanhã. Faz surgir novos questionamentos para ajudar a tomar as decisões e determinar o grau de eficácia e de eficiência, favorecendo uma contínua realimentação.
O rever é uma construção do Reino. Para rever com eficiência a sua ação, os catequistas devem ter um conhecimento básico dos princípios de planejamento participativo e a atitude firme de levar em conta as avaliações feitas, mudando o que deve ser mudado, libertando-se de rotinas paralisantes, confirmando a caminhada feita sob o impulso do Espírito Santo.


Fonte: DNC – Diretório Nacional de Catequese. pgs 106 a 108.Brasilia: Edições CNBB, 2006.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

SACUDA O PÓ DAS SANDÁLIAS!

Muitos catequistas, ao procurar o melhor e o mais correto em termos de Evangelização, não são bem aceitos em suas comunidades. É o medo de mudança, insegurança e até inveja; que causam este tipo de reação nas pessoas.
Jesus, ao enviar seus discípulos para anunciar o Reino de Deus, fez questão de ensiná-los a tomar uma atitude diante das possíveis rejeições: “Mas se forem mal recebidos, saiam logo daquela cidade. E, na saída, sacudam o pó das suas sandálias, como sinal de protesto contra aquela gente” (Lucas 9, 5).
Ser mal recebido causa frustração profunda, não ser aceito é a pior das situações. Principalmente quando temos a melhor das intenções. Isto acontece na relação entre família, amigos, cônjuges, pais e filhos e, na Igreja, por incrível que pareça, entre irmãos na mesma fé.
Machuca muito constatar que nosso melhor em termos de ajuda não foi recebido e, ainda por cima, foi mal interpretado. Dói e nos deixa desesperançados. Muitos de nós ficamos até irritados com aqueles que, mesmo vendo nosso testemunho cristão, não somente não nos aceitam, mas até nos desprezam.
Então eu sempre lembro deste "protesto" que Jesus orientou os discípulos a fazerem. E o que significa sacudir “o pó das sandálias”?
Jesus é tolerante nas nossas limitações. É insistente, no sentido de dar novas chances. É desconcertante, quando nos perdoa setenta vezes sete... conservar o pó de nossas sandálias é o mesmo que trazer sempre à mente as injustiças que sofremos e as rejeições quando decidimos ir no caminho de Jesus. Porque nossa missão de testemunhas precisa ser constante, nosso cuidado de limpar o pó das sandálias precisa ser regular. Pó que não é jogado fora só serve para cultivar nossos ressentimentos. Só serve para nos debilitar espiritualmente. Então, sacuda o pó das sandálias!
E, quem sabe, neste pó não ficarão algumas sementinhas daquilo que você tentou semear...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2015


“Fortalecei os vossos corações” (Tg 5,8)

Amados irmãos e irmãs!

Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo, um “tempo favorável” de graça (cf. 2 Cor 6,2). Deus nada nos pede, que antes não nos tenha dado: “Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4,19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem no peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece.

Coisa diversa se passa conosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual  quero me deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença. Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar. A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5,6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n’Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida. Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.

1. “Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros”. (1 Cor 12,26) – A Igreja.

Com o seu ensinamento e, sobretudo, com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentamos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem nos recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa “tem parte com Ele” (cf. Jo 13,8), podendo assim servir o homem.

A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos aquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n’Ele, um não olha com indiferença o outro. “Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria”  (1 Cor 12,26). A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos, mas, também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.

2. “Onde está o teu irmão?”, (Gn 4,9) – As paróquias e as comunidades.

Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16,19-31)? Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direções. Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o fato de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham conosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofre e geme, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: “Muito espero não ficar inativa no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas” (Carta 254, de 14 de Julho de 1897). Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens. Esta missão é o paciente testemunho d’Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. At 1,8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. “Fortalecei os vossos corações”. (Tg 5,8) – Cada um dos fiéis.

Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência? Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa “24 horas para o Senhor”, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração. Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum. E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos.

Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos. Para superar a indiferença e as nossas pretensões de onipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador, mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: “Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso” (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

CATEQUESE: MUDANÇA DE PARADIGMA NECESSÁRIO


“Mais que um caminho metodológico, a dinâmica catecumenal é um espírito que deve permear todas as ações da ‘nova evangelização’”. Esta é uma frase dita pelo Padre Luiz Alves de Lima, um dos maiores, senão o maior, defensor e articulador da IVC pelo processo catecumenal na nossa Igreja. E ele lembra também que a Igreja pede, desde o Concílio Vaticano II, há 50 anos, o retorno dos processos catecumenais de evangelização. Estranho é que, força mesmo, somente de uns 10 anos pra cá a Igreja tem dado para que se faça este resgate.

Mas, o que nos intriga mesmo é: COMO FAZER ACONTECER? Que metodologias, que itinerários, que roteiros seguir?  O RICA, sendo um livro litúrgico, traça o caminho das celebrações, ritos, entregas, exorcismos e outras práticas litúrgico-rituais do processo catecumenal. No entanto, além das dificuldades normais de se integrar tais práticas desconhecidas da tradição catequética com a catequese de instrução e aprendizado, temos que o RICA é em linguagem pouco entendida pelos agentes de pastoral e praticamente desconhecido até dos presbíteros. Sem contar ainda que vemos paróquias que, equivocadamente, estão usando o RICA como “itinerário” para a catequese. O livro não é uma “metodologia” ou um itinerário de iniciação, é apenas um complemento litúrgico a ela!
Tratando-se de textos, a catequese é o resultado de três livros: A BÍBLIA, o CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA e RICA. Sabemos até trabalhar com a Bíblia e o CIC, mas, como fazê-los interagir com o RICA? Quais seriam os itinerários ou roteiros para colocar em prática esses processos catecumenais?

Pensando nisso, uma Comissão Nacional da CNBB, reuniu-se para criar um Itinerário de iniciação cristã para 4 idades distintas: adultos não batizados, jovens-adolescentes e crianças. Esses itinerários baseiam-se nos 4 tempos do chamado processo catecumenal: Pré-Catecumenato, Catecumenato, Purificação/iluminação e Mistagogia. Cada um com seus objetivos, eixos temáticos e celebrações. Quanto à catequese propriamente dita (2º tempo ou catecumenato), seria o mais longo (dois anos ou mais), é subdividido em fases, igualmente com seus objetivos e eixos temáticos.

O Itinerário Catequético, lançado no mercado pelas Edições CNBB, no final de 2014, é, segundo as palavras de D. Jacinto Bergmann: “um instrumento que vai servir muito às Igrejas uma vez que apresentará grandes orientações sobre como fazer a iniciação à vida cristã. Essas orientações gerais criarão unidade e ajudarão as igrejas locais a elaborarem os seus roteiros e manuais.” As várias igrejas particulares ou regionais deverão, então, traduzir tais linhas de ação em prática concreta e inculturada. Que se pese aqui que muitas dioceses do Brasil, já se adiantaram e criaram seus itinerários sem estas orientações. Infelizmente, em alguns textos a Iniciação Cristã permanece somente no título.
E aqui fica a grande pergunta: Como trabalhar o primeiro tempo do catecumenato? O chamado “pré-catecumenato”, ou seja, o querigma, primeiro anúncio, a evangelização propriamente dita; como fazer isso no ambiente fortemente secularizado de hoje? Tem como dar indicações práticas às paróquias e dioceses de como fazer o anúncio querigmático para a multidão de pessoas afastadas da Igreja?  Mesmo o Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização (2012) apontando algumas sugestões, não se pensa em grandes mudanças na estrutura da Igreja para promover uma nova evangelização de fato. Ainda há uma grande carência de vocações sacerdotais e os padres que estão trabalhando não dão conta de atender plenamente os anseios da comunidade.

No Brasil, em todos os 18 regionais há tentativas isoladas de se promover a implantação do catecumenato, algumas com resultados positivos. Mas sempre quando esta implantação é fruto de um esforço coletivo de toda paróquia. Não se muda somente a catequese, muda-se toda a paróquia. Com renovado ardor missionário vai-se em busca daqueles que estão afastados, cria-se novos ministérios, renovam-se as estruturas paroquiais.

Quase todos os catequistas com quem conversamos ao longo dos últimos dez anos (depois do DNC, DAp, Estudo 97...), estão convencidos de que uma mudança radical se faz necessária nos processos catequéticos. A ânsia é saber o “Como?”. Como colocar em prática o esquema catecumenal proposto pelo RICA, como envolver toda a comunidade nesse processo, sobretudo o clero, os religiosos? Nós catequistas leigos nos mostramos, muita vezes, extremamente entusiasmados com isso tudo, mas, levamos um “banho de água fria” de nossos párocos, que parecem não sentir necessidade de mudanças ou não tem tempo para isso. E também há sempre o perigo do “nominalismo”, ou seja, dar-se o nome de Iniciação a Vida Cristã a processos que, no fundo, permanecem os mesmos, só ligeiramente modificados. "Dar uma nova capa ao mesmo conteúdo".  Pior ainda é a tentação do Ritualismo, incluindo no processo catequético alguns ritos a mais sem a preocupação de que os mesmos sejam compreendidos e realizados corretamente. Quantas celebrações de entregas e ritos temos visto sem a presença dos padres e da comunidade...

Mais que convencer os catequistas, é preciso que a Igreja, em suas estruturas arcaicas, se abra a este "nem tão novo" processo, com uma vontade sincera de promover, de fato, uma nova evangelização, tão necessária a sobrevivência da nossa fé em Jesus Cristo e da nossa Igreja.

Ângela Rocha
Catequista

FONTES DE CONSULTA:
- Revista de Catequese 143/144. UNISAL, 2014.
- Itinerário Catequético. Brasília: Edições CNBB, 2014.


domingo, 25 de janeiro de 2015

UM DOS MELHORES EXEMPLOS SOBRE A “PEDAGOGIA DE JESUS”...


“Jesus cresceu no meio da natureza com os olhos muito abertos para o mundo que o rodeia. Basta ouvi-lo falar. A abundância de imagens e observações tomadas da natureza nos mostra um homem que sabe perceber a criação e desfrutá-la. Jesus observou muitas vezes os pássaros que revoam em torno da sua aldeia; não semeiam nem armazenam em celeiros, mas voam cheios de vida, alimentados por Deus, seu pai. Entusiasmaram-no as anêmonas vermelhas que em abril cobrem as colinas de Nazaré; nem Salomão em toda a sua glória vestiu-se como uma delas. Observa com atenção os ramos das figueiras: dia após dia vão brotando neles folhas tenras anunciando que o verão se aproxima. Vê-se Jesus desfrutando o sol e a chuva e dando graças a Deus, que “faz nascer seu sol sobre bons e maus e manda a chuva sobre justos e injustos”. Observa as nuvens densas e escuras que anunciam a tempestade e sente em seu corpo o vento úmido do sul, que indica a chegada dos calores. ¹

(...) Mais tarde convidará as pessoas a ir além do que se vê nela. Seu olhar é um olhar de fé. Admira as flores do campo e os pássaros do céu, mas intui por trás deles o cuidado amoroso de Deus por suas criaturas. Alegra-se pelo sol e pela chuva, mas muito mais pela bondade de Deus para com todos os seus filhos, sejam bons ou maus. Sabe que o vento “sopra onde quer”, sem que se possa precisar “donde vem e para onde vai”, mas ele percebe através do vento uma realidade mais profunda e misteriosa: o Espírito Santo de Deus.² Jesus não sabe falar senão a partir da vida. Para sintonizar com ele e captar sua experiência de Deus é necessário amar a vida e mergulhar nela, abrir-se ao mundo e escutar a criação.”

¹ Mateus 6,26; 6,28; 24,32; 5, 45; Lucas 12,55
² Mateus 6, 25-30; Mateus 5,45; João 3,8.


(PAGOLA, José Antonio. Jesus: Aproximação histórica. Petrópolis: Vozes, 2014.)

QUEM SÃO OS DESTINATÁRIOS OU INTERLOCUTORES DA CATEQUESE?

Por mais que a realidade que vivemos nas nossas paróquias com relação à catequese ainda não seja a ideal, é preciso pensar que muita coisa aconteceu nos últimos 50 anos, na prática catequética. Claro que saberíamos melhor disso se por acaso um de nós tivesse sido catequista há cinquenta anos, tempo em que a catequese ainda estava, na maioria das vezes, nas escolas e colégios católicos e era responsabilidade de padres e religiosas e religiosos. 

Hoje vemos uma integração da dimensão bíblico-litúrgica na educação da fé que praticamente não existia; a catequese hoje é mais experiencial e menos doutrinal (infelizmente não tanto quando deveria ser); o catequista hoje é, em sua grande maioria, leigo; na medida do possível a Igreja tem dado mais atenção à pessoa do catequista, sua formação e testemunho de vida; foram renovados textos e manuais de catequese e se busca uma catequese mais adulta para os adultos. No entanto, a grande maioria da catequese brasileira ainda gira ao redor de práticas sacramentalistas, sobretudo a Primeira Comunhão e a Crisma, e para crianças e adolescentes. Os jovens tem tido mais atenção em grupos de jovens e na Pastoral Juvenil, que não deixa de ser uma catequese também. E falta ainda muita formação catequética ao presbiterado, o que tem sido um dos maiores entraves a qualquer tipo de renovação profunda, como pede as práticas catecumenais de evangelização.

Um dos grandes desafios para esta renovação também vem da estrutura com que se organizam os sacramentos na Igreja. A maioria das dioceses ainda tem como desafio a catequese de adultos, que ainda é excessivamente voltada para aqueles que apenas procuram a Igreja para regularizar situações matrimoniais. Por mais que muita coisa esteja sendo feita neste sentido, ainda não se pode dizer que a paróquia dê prioridade ao adulto. Outro problema são os “cursos de batismo” e os “cursos de noivos”, de pouca ou quase nula eficácia evangelizadora: eles não convertem, não integram as pessoas à comunidade e não se preocupam com a missão apostólica; e com isso, continua-se a gerar pessoas sacramentalizadas, mas não evangelizadas. Com relação à “catequese” mesmo, esta que tanto se discute, temos um largo sistema de educação na fé que vai desde a pré-catequese para crianças menores de sete anos até a adolescência. Em geral a Primeira Comunhão se faz por volta dos 11, 12 anos e a crisma por volta dos 13, 14 anos. Aí a maioria esmagadora sai da Igreja e volta, para casar e batizar os filhos. Quando voltam.

E assim, perde-se o vínculo que se deveria ter entre Batismo, Confirmação e Eucaristia. O próprio Papa Bento XVI levantou esta questão na Exortação Sacramentum Caritatis dizendo que é preciso não esquecer que somos batizados e crismados para a Eucaristia, e isso implica favorecer uma compreensão mais unitária do percurso da iniciação cristã: “(...) é necessário prestar atenção ao tema da ordem dos sacramentos da iniciação. (...) é necessário verificar qual seja a prática que melhor pode, efetivamente, ajudar os fiéis a colocarem no centro o sacramento da Eucaristia, como realidade para a qual tende toda a iniciação.” (SC, 17, 18). Assim, não seria melhor colocar a recepção da Eucaristia numa idade maior, como ápice da iniciação cristã? O Sínodo dos Bispos de 2012 chegou a levantar esta proposição, mas, o medo da Igreja é causar uma grande ruptura nas práticas que se vem fazendo e criar “vácuos” pastorais muito grandes no processo de evangelização. Realmente, fazer um transatlântico, como é a Igreja católica, mudar de rumo de repente é desafio enorme.

Ângela Rocha
Catequista

Fontes de Consulta: Revista de Catequese, 143 – Jan/Jul 2014. Pg. 14.  “A situação da catequese hoje no Brasil” (Pe. Luiz Alves de Lima).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2015


A Campanha da Fraternidade 2015 será oficialmente lançada no dia 18 de fevereiro, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. 


Para auxiliar na vivência e divulgação da Campanha nas dioceses, paróquias e comunidades, a Comissão Executiva da CF 2015 disponibiliza materiais para serem baixados, entre eles o cartaz, textos formativos, hino e partitura, oração e apresentações. Confira aqui.


Com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45), a Campanha da Fraternidade (CF) 2015 buscará recordar a vocação e missão de todo o cristão e das comunidades de fé, a partir do diálogo e colaboração entre Igreja e Sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II.

O texto-base utilizado para auxiliar nas atividades da CF 2015 está disponível nas Edições CNBB. O documento reflete sobre a dimensão da vida em sociedade que se baseia na convivência coletiva, com leis e normas de condutas, organizada por critérios e, principalmente, com entidades que “cuidam do bem-estar daqueles que convivem”.

FONTE: http://www.cnbb.org.br

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