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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CATECUMENATO DE ADULTOS


SÉRIE: Catequese com Adultos

Atualmente, a Igreja oferece duas diferentes lógicas de iniciação: de um lado o Batismo de crianças, que se adequa em uma sociedade cristã, e de outro se supõe famílias organizadas que o complementam com a educação da fé. Ao lado do Batismo de crianças, a Igreja contempla a iniciação de adultos com uma metodologia que segue a lógica da conversão da fé própria dos primeiros séculos do cristianismo, que recupera o catecumenato. Este foi restaurado pelo Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), em 1972.

O sucesso de conversões rápidas que desencadeiam uma participação mais numerosa, às vezes barulhenta, não significa, necessariamente, uma evangelização consistente. Em alguns lugares chegam a dizer que vale mais uma aceitação rápida, após uma catequese superficial para o Batismo, do que um processo demorado! O catecumenato vai na contramão destas motivações.

A proposta catecumenal não é uma oferta superficial, mas se direciona por um caminho de transformação na fé em Jesus Cristo, de conhecimento e acolhida de seu Evangelho, de ser introduzido na vida da comunidade cristã. Acaba sendo uma vivência de fé que integra visceralmente as crenças e os valores fundamentais da pessoa. Por isso, não é sumário organizar um grupo de adultos e, menos ainda, ter apenas a motivação da recepção sacramental.

Por outro lado, o catecumenato de adultos não é algo tão especializado, capaz de retrair a comunidade, impedindo-a de responder a esta necessidade. Sensibilizar as pessoas para perceberem a hora de Deus em suas vidas é divino. Ajudá-las a dar o passo seguinte de predisporem-se a acolher a novidade do Espírito em sua rotina, com uma motivação honesta e abrangente do que implica pôr-se a caminho com o Senhor, significa iniciar um diálogo honesto que evitará a evasão do grupo logo nos seus inícios.

A importância do catecumenato dos adultos se impõe pela urgência dos tempos de hoje. Muitos pais que procuram o Batismo, ou a catequese de Eucaristia ou de Crisma para seus filhos, sentem a necessidade de ser evangelizados e completar a própria iniciação. Por isso, muitos párocos se dão conta de priorizar a catequese com adultos e entender o catecumenato dos adultos como uma modalidade complementar e necessária da catequese por etapas. Não se prendem à mentalidade de que a catequese seja coisa só de criança, pois muitos adultos buscam um sentido mais pleno para suas vidas e encontram na fé em Jesus Cristo um recomeço.

O traço mais potente de sua pedagogia é a resposta de fé dada pelo adulto após um tempo de amadurecimento e conversão. Após percorrer cada etapa planejada, a resposta de fé é gerada pela progressividade da catequese ritmada pelas celebrações de passagem. Este processo culmina na celebração unitária dos três sacramentos na noite pascal e se prolonga na mistagogia, como treinamento de vida comum dada pela experiência dos sacramentos celebrados.

Dá-se um grande envolvimento tanto da comunidade na formação de seus novos membros, particularmente durante as celebrações que acontecem durante todo o processo, quanto desses novos membros na aproximação na vida da comunidade e na sua atuação pastoral. Por isso, é necessário que os catequistas estejam engajados na comunidade e testemunhem uma vida de fé e oração, centrada na Palavra e na Eucaristia, cumprindo seu testemunho cristão na sociedade.

Formar um grupo de catecumenato de adultos em vista da iniciação cristã torna-se uma tarefa cuidadosa, ao considerar a necessidade de catequistas preparados adequadamente para o diálogo entre fé e vida, capacitados culturalmente, tolerantes e com tempo disponível para dedicar a este ministério. A partir do diálogo, da escuta, que se pode desenvolver uma adequada catequese com adultos. Exige-se também da própria Igreja uma mentalidade de abertura e diálogo com a mulher e o homem modernos, que são críticos e, justamente por isso, muitas vezes se acham afastados da Igreja.

Necessariamente, as paróquias que optarem pela integração catecumenal na catequese com adultos e nas demais formas de catequese terão que investir na formação de seus agentes catequistas e conscientizar a comunidade para a mudança na forma de conceber a iniciação cristã. Sem perceber a novidade que a inspiração catecumenal agrega na evangelização paroquial, dificilmente essa catequese conseguirá produzir os efeitos esperados.

Antonio Francisco Lelo
NUCAP – Núcleo de Catequese Paulinas.


“Olá, sou o Padre Antonio Francisco Lelo.
Quero apresentar-me a vocês como um irmão que gosta de anunciar e de celebrar o mistério de nossa fé em Cristo. Aos 27 anos fui ordenado padre nos anos 80, no auge da teologia da libertação, que respondia ao clamor de uma Igreja pobre voltada para as periferias. Desde esta época, sempre atuei como educador da fé, seja na periferia da zona leste paulistana ou com os adolescentes marginalizados da cidade de Campinas-SP, seja como escritor ou assessor.
Junto com o trabalho com os pobres, fui me especializando nas áreas de pedagogia e de ciência litúrgica. Sempre foi a minha paixão compreender mais profundamente o que envolvia a celebração do mistério de Cristo. Iniciei minha especialização no antigo Instituto de Liturgia ligado à Faculdade N. Senhora Assunção (hoje PUC-SP) e segui para Salamanca - Espanha, onde estudei a adaptação do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos. Comecei a lecionar sobre os sacramentos. Passado algum tempo, cursei o doutorado em iniciação cristã na Faculdade de Teologia da Catalunha.
Aqui coincidiram dois fatores que modificaram minha vida. A partir de 2004, começou no Brasil uma reflexão que fez caminho: a iniciação cristã com inspiração catecumenal, e também houve o convite da Paulinas Editora para cuidar da editoria de catequese e liturgia. Desta forma, desde 2005, me dedico integralmente ao campo editorial da catequese e da liturgia. Este trabalho me possibilita assessorar grupos, dioceses e regionais em todo Brasil e também produzir, com certo pioneirismo, a tão sonhada catequese com inspiração catecumenal. Uma catequese e liturgia mais brasileira, refletida a partir de nossa vivência de fé, do nosso jeito de ser e de nosso meio cultural e geográfico é o que procuro fazer”.


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

PREPARE ENCONTROS CATEQUÉTICOS SOBRE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE



Durante a Campanha da Fraternidade (CF), as crianças ocupam lugar-chave e estratégico na divulgação, propagação e reflexão do tema “Fraternidade e superação da violência”. Geralmente, as crianças levam para casa os argumentos estudados nos encontros catequéticos e, assim, ajudam os adultos a refletir sobre o assunto.

Mas como trabalhar o tema da CF 2018 nos encontros catequéticos?

Confira algumas sugestões abaixo:

Comece com uma história

Crianças – e adultos também – gostam muito de histórias. Nada melhor do que criar uma narrativa envolvendo algum personagem dentro do contexto do tema da Campanha da Fraternidade. Aproveite o lema da campanha “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8) e conte uma história sobre um personagem que sofre discriminação – que é uma forma de violência muito comum. Destaque os sofrimentos do protagonista por ser rejeitado e a maneira como ele enfrentou essa dificuldade. A moral da história deve ressaltar às crianças que não podemos discriminar ninguém, pois todos somos irmãos.

Jogos educativos

São inúmeras as formas de violência às quais estamos expostos diariamente: fome, violência física, verbal, racial etc. Que tal fazer com as crianças o “jogo do antônimo”.
Funciona assim: escreva em pequenos papéis palavras sobre violência. Uma palavra para cada papelzinho. Coloque tudo em um pacote. Cada criança vai sortear uma palavra e o restante da turma terá que dizer uma palavra antônima para anular aquela forma de violência. Por exemplo: se a palavra sorteada foi “xingamentos”. Pode-se responder com “elogios”, “diálogo”. Anote no quadro a palavra sorteada e todos os antônimos encontrados para aquela atitude de violência. No fim, converse com os catequizandos sobre a diferença que podemos fazer no cotidiano quando, ao invés de uma atitude de violência, promovemos a cultura da paz.

Reflexão

No próximo encontro, apresente para as crianças dois cenários. A casa da “família tranquila”, onde todos vivem em paz apesar de suas diferenças. E a casa da “família tormenta”, onde moradores não se respeitam e não têm paciência uns com os outros. Crie situações de paz para a família que vive na paz e de conflito para a família tormenta. Em seguida, pergunte às crianças com qual dessas famílias elas se identificam, ou sob o exemplo de qual dessas famílias elas querem viver. Por fim, conversem sobre que atitudes devemos ter para ter um lar de paz e sossego, apesar das dificuldades.

Monte uma peça teatral

Agora é hora de os pequenos entrarem na história. Crie um roteiro para a apresentação de uma peça teatral. Envolva os elementos da CF 2018, destacando a diferença entre atitudes de paz e atitudes de violência. Monte, por exemplo, uma história com dois fins. Um dos finais com desfecho negativo. E outro final, para a mesma história, com desfecho positivo. A ideia é fazer com que todos reflitam sobre as atitudes do dia a dia, sobre como o nosso comportamento e atitude pode determinar o desenrolar dos fatos.
Feito o roteiro, ensaie com as crianças e convide os pais ou responsáveis para assistir à apresentação. Provavelmente levarão uma mensagem de paz para casa.

Faça a diferença

Prepare encontros catequéticos dinâmicos e aproveite a Campanha da Fraternidade para gerar novas ideias de como trabalhar com as crianças. Lembre-se de que elas são importantes para mudar o futuro da nossa sociedade. A cultura da paz promove a paz.
Ajude outras pessoas a também fazerem a diferença, compartilhe esse texto nas suas redes sociais, e encaminhe-o para os catequistas que você conhece.
Até mais!

FONTE: CNBB.org

QUANDO CRIANÇAS ESTÃO NA CATEQUESE E TAMBÉM FREQUENTAM OUTROS TEMPLOS DE DENOMINAÇÕES RELIGIOSAS DIFERENTES


E por falar em catequese...
Com Ângela Rocha

Depois de escrever o título aí em cima, eu percebi o quanto ele é "ridículo" falando da nossa prática catequética e do que é a catequese na nossa Igreja.

Mas, como é uma coisa que acontece, e sei que acontece muito. Mas, vamos ao que EU PENSO. Destacado aqui que é um pensamento MEU e não da Igreja, e que minhas atitudes sempre são corroboradas pela consulta prévia e aconselhamento do PÁROCO, se for o caso.

O que fazer com testemunhos como esse: "Temos catequizandos que frequentam outras igrejas, estão na catequese, quase não frequentam missa, mas, costumam ir à cultos evangélicos".

A catequese da Igreja católica é para cristãos católicos convertidos, que receberam um “querigma” (anúncio) e desejam aprofundar a sua fé, conhecendo mais de Jesus Cristo e da Igreja. Se fazemos catequese para grupos que frequentam outras denominações religiosas, eu diria que isso seria tema para um estudo antropológico, coisa que eu não sou capaz e nem estou preparada para fazer. E é um caso para ser levado às autoridades da nossa Igreja.

Penso que cabe aqui uma visita à família e uma CATEQUESE FAMILIAR ou de adultos, antes de mais nada. Se a família não vai acompanhar a criança, sinto muito, mas, não serei catequista dela.

Legalmente falando, cabe aos pais prover educação e orientação aos filhos menores, inclusive a religiosa. Aqui o caso é, volto a frisar, de CATEQUESE DE ADULTOS e não de crianças. Se estou fazendo catequese com crianças cujos pais são de outra religião, posso até mesmo, ser acusada pelos pais de assédio moral e psicológico à criança. Criança não "se manda", vai aonde os pais levam e permitem. Por isso, obviamente, não vão frequentar a missa. Nem nossos catequizandos que são católicos de pai e mãe o fazem!

Eu, Ângela Rocha, catequista há 12 anos na Igreja Católica, não faço catequese com crianças e jovens que frequentam outra Igreja. Para mim isso é um desvio de conduta nossa, se percebo essa situação, imediatamente tomo uma atitude.

Já tive casos assim na catequese. Chamei os pais e perguntei se estavam se convertendo ao catolicismo também e se gostariam de frequentar a catequese de adultos da nossa Igreja. A resposta foi "não". Então pedi que levassem a criança com eles à Igreja em que frequentavam, buscassem catequese lá, pois, nossa doutrina não é a mesma e até mesmo nossas crenças diferem bastante. O mesmo se deve fazer com relação a pais (pai e mãe) cujas religiões são diferentes. O mínimo que um pai e mãe, responsáveis, precisam fazer, é escolher uma das religiões para orientar o filho ou esperar que adulto, ele mesmo faça essa escolha.

Outro caso são os avós, tias, madrinhas... Avós, tias, madrinhas não "mandam" nas crianças, a não ser que tenham a guarda legal delas. Quem tem pátrio poder, são os pais. Logo, por mais boa vontade que tenham, estão interferindo no futuro de uma criança que não lhes "pertence". Obviamente que existem casos em que estas pessoas é que "cuidam" (legalmente e não só no fim de semana) da educação destas crianças. Neste caso, se forem católicas, problema algum.

E pode ter muita gente que pense diferente de mim. Que acha este meu pensamento muito radical e lógico. Só que a "lógica" da evangelização não é esse "oba-oba" que está por aí, onde se oferece "catolicidade" e "catequese" como se fosse um produto de prateleira. Pega quem aparece e quem quer fazer. Se somos frutos de uma Igreja e herdeiros dela, devemos respeito a ela. "Conversão" verdadeira leva a catequese e frutifica em fiéis seguidores da nossa Igreja. E nossa Igreja tem uma doutrina e uma tradição a ser respeitada.

E lembrando que devemos respeito também às outras denominações religiosas cristãs. Deus está tão lá, quanto está na nossa. Nem todas as religiões são práticas levianas de "pastores" aproveitadores. Nem todas são maléficas. O que pode causar mal a uma criança talvez seja estar com os pés em dois mundos diferentes, com práticas e maneiras de professar suas crenças, também diferentes.

Muitas e muitas vezes, esquecemos o que é de fato "evangelização". Ela parte sempre de um querigma, de um anúncio que leva a uma conversão; que por sua vez leva a uma catequese de aprofundamento; e esta culmina no "seguimento". Se nem com nossos pequenos de berço católico conseguimos o tal seguimento, como vamos conseguir com aqueles que frequentam cultos evangélicos? Se é culto das grandes Igrejas protestantes tradicionais, ainda vai, mas, e se é daqueles templos de esquina cujo sucesso maior é a "lavagem cerebral" e a exploração econômica que fazem dos fiéis? Destes últimos talvez nos caiba salvá-los, mas, façamos isso com os ADULTOS maduros e responsáveis, não com crianças e jovens, cuja maior carência, talvez não seja de fé ou religião, e sim do AMOR da sua família.

Claro que precisamos acolher a todos que nos procuram, mas, devemos lembrar que esse "todos", precisam ser adultos maduros e conscientes do que estão fazendo, não crianças ingênuas em busca de adesão a um "grupo" que vá suprir suas necessidades sociais e de afeto. A Catequese é e sempre será para ADULTOS. Nós é que continuamos e teimamos em fazer com crianças que não receberam anúncio algum dos seus pais.

Abraço a todos!
Ângela Rocha


domingo, 11 de fevereiro de 2018

40 ANOS NO DESERTO



40 anos indicam a duração de uma geração, ou o tempo necessário para uma "mudança de mentalidade".

Para os que primam pela exatidão científica, especialmente os ocidentais, 40 anos são a sucessão matemática de dias, meses e anos. Para outros – como, por exemplo, o povo da Bíblia – 40 anos indicam a duração de uma geração, ou o tempo necessário para uma “mudança de mentalidade”.

Quando o povo hebreu saiu do Egito, após longos anos de escravidão – 430 anos como narra Ex 12,40 -, sua cabeça estava “contaminada” pelos costumes daquele país. Era normal pensar que, na sociedade, alguns seriam ricos e mandavam, enquanto a maioria devia trabalhar em regime de escravidão. O politeísmo era uma prática religiosa comum, bem como venerar o Faraó como “deus” e obedecê-lo cegamente. Os que exerciam funções religiosas estavam a serviço e na defesa deste “status quo”.

Outros costumes também foram sendo assimilados durante a escravidão egípcia.

O projeto de Deus, fundamentado numa religião libertadora e na construção de uma sociedade justa e igualitária (cf. Ex 19,1 – 24,11), não combinava com a “cabeça” daqueles que saíram do Egito. Por isso, Deus os leva para o deserto e durante 40 anos, entre provações e gestos amorosos, procura “convertê-los” ao seu projeto. Não foi fácil porque murmurações e revoltas eram constantes (Ex 16,1-5; Nm 14,20-38) e, acima de tudo, as tentativas de escolher um chefe que os fizesse “voltar ao Egito” (cf. Nm 14,1-4; Ex 16,1-3), isto é, viver no mesmo sistema anterior.

Javé (= aquele que é presença libertadora no meio do povo), com a paciência histórica que lhe é própria, tenta educar seu povo dentro deste novo jeito de viver em sociedade. Mas também não deixa de chamá-lo de “cabeça dura” (Dt 9,13) e que todos morreriam no deserto (Nm 14,33-35). Ninguém entraria na Terra Prometida, nem mesmo seu líder Moisés (Dt 34,1-12).

Este é um dos significados de “40 anos no deserto”. Um tempo de mudança de mentalidade que, na maioria das vezes, demora anos e – quem sabe! – até de gerações. O apóstolo Paulo assim se expressa: “Não vos conformeis com os esquemas deste mundo, mas transformai-vos pela renovação da mente para que possais conhecer qual é a vontade de Deus” (Rm 12,2).

Quaresma (= 40 dias) é tempo propício de conversão. Normalmente, somos convidados a abandonarmos os vícios (fumo, bebida, prostituição, drogas), a não ficarmos indiferentes diante dos problemas sociais (corrupção, fome, tráfico humano, crimes ecológicos), ou de professarmos uma fé em sintonia com a vida.

Tudo isso é válido, mas não deixemos de lado a “mudança de mentalidade”. Ela é mais difícil do que o abandono de vícios ou a prática do jejum, esmola e oração.

“40 anos no deserto” significa, também, semear o projeto de Deus, cujos frutos só as próximas gerações colherão. “Quem perseverar até o fim será salvo” (Mt 10,22).

Frei Luiz Iakovacz
Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.


sábado, 10 de fevereiro de 2018

DICA DE LIVRO: "A PEDAGOGIA DA INICIAÇÃO CRISTÃ"


Nos dias 30 de janeiro a 01 de fevereiro, estive na Paróquia São Jose Operário em Maringá - PR. E, além da grata surpresa de contar com mais de 110 pessoas, de várias paróquias, inclusive da cidade vizinha de Santa Fé;  nestes dias de formação, também tive o prazer de conhecer o Padre Renato Quezini, autor do livro A PEDAGOGIA DA INICIAÇÃO CRISTÃ, publicado pelas Paulinas em 2013.

O livro trata da Iniciação cristã de adultos como itinerário de fé que conduz ao seguimento comprometido de Jesus Cristo. Num primeiro momento, ele faz um resgate histórico muito interessante, de como se deu a iniciação cristã desde os primórdios da Igreja até o Concílio vaticano II. O centro do trabalho, fruto da conclusão do curso de teologia, é a proposta oferecida pela Igreja por meio do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos - RICA, de restaurar o catecumenato adaptado às realidades de hoje. O catecumenato constitui um processo de formação envolvente que integra a liturgia à vida. Depois, o padre Renato elenca perspectivas pastorais para a implantação eficaz do RICA, consequente com a vivência comprometida ao Evangelho no cotidiano da vida.

Assim que recebi o convite para a formação em Maringá e soube do livro do Padre Renato, imediatamente fui à livraria adquirir o livro. Afinal, como poderia ir à paróquia falar de IVC sem conhecer o trabalho daquele que me convidara? E para mim foi, com certeza, uma excelente aquisição. Padre Renato soube trazer à luz, partes da história da iniciação à vida cristã em nossa Igreja. Numa linguagem simples e de fácil entendimento ele nos deixa ao final a pergunta: Será que não está na hora de seguirmos o exemplo do Mestre? Que abençoava as crianças e evangeliza os adultos?


QUEZINI, Renato. A pedagogia da iniciação cristã. São Paulo: Paulinas, 2013. Coleçao catequética.

O livro pode ser encontrado nas livrarias católicas ou no site das Paulinas:

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: JESUS CURA O LEPROSO


                            6º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B

“Durante todo o tempo em que estiver leproso será impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento” (Lv 13, 46). O texto do Levítico, na primeira leitura, deixa claro como o leproso era tratado pela lei. Uma lei com objetivos sanitários foi revestida com roupas religiosas e acabou se tronando um meio de exclusão para os doentes desde o Antigo Testamento até o tempo de Jesus.

Ao curar um leproso, Jesus se opõe a exclusão. Como imagem viva do Deus invisível, revela que o Senhor ama a todos e que ninguém deve ficar excluído da mesa do Reino. Hoje criamos também nossas barreiras de exclusão: excluímos as pessoas indesejadas, as que não pensam como nós ou aquelas que não nos adulam ou beneficiam. A própria comunidade pode isolar os seus leprosos: os pobres, os jovens, os cristãos de ocasião que nem sempre encontram o seu espaço por omissão das lideranças eclesiais. Na sociedade impera uma crescente consciência de direitos humanos que clama a igualdade de todos e que luta contra a discriminação das minorias, como vemos nas discussões sobre o racismo e homofobia. Apesar de tais discussões, as lepras ainda continuam existindo, como rótulos de exclusão. O Evangelho é um convite para uma nova mentalidade.

Deus teve compaixão, ou seja, sentiu no seu coração a dor daquele pobre excluído. Mas a misericórdia divina não anula a parte humana: “Senhor, eu sei que o Senhor pode me curar se quiser”. O enunciado carrega a certeza da fé. A certeza de que o amor de Deus não tem barreiras. Neste ano será proclamado o ano da fé pelo Papa Bento XVI. É um sinal visível de que a fé é uma verdade que precisa ser mais proclamada, pois vivemos em um mundo descrente, no qual as pessoas enxergam o mundo espiritual apenas quando convém ou quando despertam a curiosidade pelo extraordinário. Urge uma fé que toca o profundo do ser, que transforma vidas, que gera o comprometimento.

A fé é o caminho para que o Senhor cure nossas lepras. As piores não estão na superfície de nossa pele, mas aquelas que destroem muito mais do que nosso corpo. As piores lepras são aquelas que destroem nossa vontade, nossa dignidade, nossa integridade e nossas relações humanas. Que cada um examine a si mesmo e perceba quais são as lepras que atingem o coração. Hoje o Senhor nos pedirá a fé como caminho de cura para arrancar nossos males.

“O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso”.

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”. (Madre Teresa de Calcutá)


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR.

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.
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Palavras sobre o Reino na vida a partir dos Evangelhos. São três livros: Ano Litúrgico A, B e C. Cada livro tem o valor de R$ 15,00. Kit com os três livros: R$ 30,00 + frete.



quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CATEQUESE DO PAPA: SANTA MISSA


“Homilias breves e bem preparadas”, pede o Papa.

Cidade do Vaticano – Dando continuidade a sua série de catequeses sobre a Santa Missa, o Papa Francisco falou na Audiência Geral desta quarta-feira sobre “o Evangelho e a homilia”, ressaltando que a homilia não deve ter mais de dez minutos. O diálogo entre Deus e o seu povo, que tem lugar na Liturgia da Palavra, alcança a sua plenitude na proclamação do Evangelho, que é precedida pelo canto do Aleluia ou, na Quaresma, por outra aclamação, na qual “a assembleia dos fiéis acolhe e saúda o Senhor que está para falar no Evangelho”.

O Evangelho, de fato, é a luz que ajuda a entender o sentido dos demais textos bíblicos proclamados na Missa, explicou o Papa; por isso é objeto de uma veneração particular: somente um ministro ordenado pode proclamá-lo, que ao final beija o livro. “Os fiéis ficam de pé para escutá-lo e fazem o sinal da cruz na testa, na boca e no peito. As velas e o incenso honram Cristo que, mediante a leitura evangélica, faz ressoar a sua eficaz palavra”.

Precisamente deste sinais “a assembleia reconhece a presença de Cristo que dirige a “boa nova” que converte e transforma”. “É um discurso direto aquele que acontece” como comprovam as aclamações com que se responde à proclamação: “Graças a Deus” e “Glória a vós Senhor”.

“Nós nos levantamos para ouvir o Evangelho, mas é Cristo que nos fala ali. E por isto nós estamos atentos, porque é uma conversa direta. É o Senhor que nos fala”: “Portanto, na Missa não lemos o Evangelho – estejam atentos a isto – para saber como foram as coisas, mas ouvimos o Evangelho para tomar consciência que aquilo que Jesus fez e disse uma vez, e aquela Palavra é viva, a Palavra de Jesus que está nos Evangelhos é viva e chega ao meu coração. Por isto escutar o Evangelho é tão importante, com o coração aberto, porque é Palavra viva”.

Como dizia Santo Agostinho, “a boca de Cristo é o Evangelho – “bonita imagem!” – Ele reina no céu, mas não deixa de falar na terra”. “Se é verdade que na Liturgia “Cristo anuncia ainda o Evangelho, então, participando da Missa, devemos dar uma resposta. Nós ouvimos o Evangelho e devemos dar uma resposta na nossa vida”.

A homilia

E, para fazer chegar a sua mensagem ao seu povo, Cristo também se serve da palavra do sacerdote durante a homilia: “Vivamente recomendada desde o Concílio Vaticano II como parte da própria Liturgia, a homilia está longe de ser um discurso de circunstância, tampouco uma catequese como esta que estou fazendo agora, nem uma conferência, nem mesmo uma aula. A homilia é outra coisa. O que é a homilia?”:

É “retomar aquele diálogo que já está aberto entre o Senhor e seu povo, para que encontre cumprimento na vida. A exegese autêntica do Evangelho é a nossa vida santa!”. Neste sentido o Papa recordou o que havia dito na última catequese, de que “a Palavra do Senhor entra pelos ouvidos, chega ao coração e vai até as mãos, às boas obras. E também a homilia segue a Palavra do Senhor e também faz este percurso para nos ajudar para que a Palavra do Senhor chegue às mãos, passando pelo coração”.

“Eu já tratei do tema da homilia na Exortação Evangelii Gaudium, onde recordava que o contexto litúrgico “exige que a pregação oriente a assembleia, e também o pregador, para uma comunhão com Cristo na Eucaristia que transforme a vida”: “Quem profere a homilia deve realizar bem o seu ministério. Aquele que prega, o sacerdote, o diácono, o bispo, oferecendo um real serviço a quem participa da Missa, mas também aqueles que ouvem devem fazer a sua parte. Antes de tudo prestando a devida atenção, assumindo, isto é, as justas disposições interiores, sem pretensões subjetivas, sabendo que cada pregador tem méritos e limites”. “Se às vezes existem motivos para chatear-se pela homilia longa ou não focada ou incompreensível, outras vezes é, pelo contrário, o preconceito a ser o obstáculo”.

O Papa observou que quem faz a homilia, “deve estar consciente de que não está fazendo uma coisa própria, está pregando, dando voz a Jesus. Está pregando a Palavra de Jesus”: “E a homilia deve ser bem preparada, deve ser breve, breve! Um sacerdote me dizia que uma vez havia ido a outra cidade onde viviam os pais. E seu pai lhe disse: Sabes, estou contente, porque com os meus amigos encontramos uma igreja onde tem Missa sem homilia!”.

“E quantas vezes – observou Francisco – nós vemos que na homilia alguns dormem, outros conversam ou saem para fumar um cigarro. Por isto, por favor, que seja breve a homilia, mas que seja bem preparada”.

“E como se prepara uma homilia, queridos sacerdotes, diáconos, bispos? Como se prepara?”, pergunta o Papa.

“Com a oração, com o estudo da Palavra de Deus e fazendo uma síntese clara e breve, não deve ir além de 10 minutos, por favor”.

Ao concluir, o Papa recordou que na Liturgia da Palavra, por meio do Evangelho e da homilia, Deus dialoga com o seu povo, que o escuta com atenção e veneração e, ao mesmo tempo, o reconhece presente e operante. Assim, se nos colocamos na escuta da “boa notícia”, por ela seremos convertidos e transformados, portanto, capazes de mudar nós mesmos e o mundo. Por que? Porque a Boa Nova, a Palavra de Deus entra pelos ouvidos, vai ao coração e chega ás mãos para fazer as boas obras”.

FONTE: www.franciscanos.org

domingo, 4 de fevereiro de 2018

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO


                              5º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B


Jó é o ícone do sofrimento. Apesar de sua fidelidade a Deus, não ficou imune a dor: “Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra?” A dor é uma realidade humana, faz parte da nossa vida independente de nossas escolhas. Hoje se difunde a teologia da prosperidade, quando se realiza uma troca com Deus: fidelidade gera ausência da dor. Esta posição foi combatida pelo livro de Jó.

Podemos ver o sofrimento como um castigo ou como uma oportunidade. Podemos colocar a nossa dor no altar de Deus ou no altar do diabo: do altar de Deus vem a paciência, as lições, a fortaleza, o consolo como nos diz o Salmista (“Ele é bom e conforta os corações”); do altar do diabo vem a revolta. Do sofrimento de Jó brotou uma prece: “Lembra-te”. Diante da dor, resta-nos a confiança que nos faz pedir para que o Senhor não se esqueça de seus filhos.

O sofrimento não é assunto resolvido no Antigo Testamento. É Jesus que revela o sentido da dor humana. Ele que carregou sobre si as nossas dores e foi homem experimentado nas adversidades humanas. Jesus assume a nossa dor, portanto, tem um coração sintonizado, solidário com nossas dores: mostra que conhece a dor do ser humano por dentro, e não é indiferente a ela. Esta compaixão move Jesus para ir ao encontro dos sofridos. O Senhor Jesus vive o princípio proclamado por São Paulo “Fiz-me tudo para todos para salvar alguns”. Jesus se fez doente para curar os feridos, experimentou as limitações humanas para ter compaixão de todos os que sofrem.

A cura da sogra de Pedro é apenas um sinal, pois só no fim dos tempos ele acabará com toda dor. As curas são antecipações do que virá: o mundo sem males e sem dores. O Reino prometido já é realizado, mas ainda está por vir. Jesus não veio para resolver todos os problemas de saúde de Cafarnaum ou da Galiléia. Quando o procuram porque encontraram uma espécie de curandeiro, Jesus os deixa e vai a outros lugares, pois não pode se prender à vontade egoísta das pessoas: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza!” Jesus deixa claro que não deseja atender os desejos da multidão, que seu principal objetivo não é a popularidade, como muitos dos ministros cristãos. Ele prefere o ministério da ausência, ou seja, a fuga estratégica que cria a possibilidade de que a presença tenha sentido; também prioriza os momentos de solidão e silêncio que o alimentam para que possa seguir em sua missão de realização da vontade do Pai. Por fim, a fuga de Jesus significa sua missionariedade: Ele vai em busca de todos, não prioriza os mais agradáveis, os mais ricos, os mais fáceis. É o missionário do Pai, e precisa ir  outros lugares.

São Paulo, na 2ª leitura, fala do prazer e da gratuidade em pregar o Evangelho. Também se reconhece como missionário que não se prende por desejos humanos, a exemplo de Jesus. Mereceria salário, mas não quer ser peso para a comunidade, nem escandalizar. Sua vida não é movida por dinheiro, pois existem verdadeiras motivações que o fazem evangelizar.

Algumas perguntas importantes diante dos textos deste domingo: quais são as dores que mais oprimem a minha alma? Como é minha reação diante da dor? O que espero de Deus: cura milagrosa ou fortaleza? Desejo que Deus atenda meus desejos egoístas ou estou aberto para que a vontade de Deus seja realizada?


Pe  Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR



FONTE:
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas, Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. Pg. 79.

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

SEMANA CATEQUÉTICA

  

         FORMAÇÃO DO VICARIATO NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO 
                                        DIOCESE DE SÃO CARLOS-SP 
O encontro de catequistas do Vicariato Nossa Senhora do Patrocínio, na cidade de Jaú-SP, no domingo dia 28/02, teve uma duração de 4 horas. Foi muito alegre e festivo, com mais de 650 catequistas de IVC (Iniciação à Vida Cristã): Batismo, Eucaristia e Crisma.

Todos responderam alegremente ao chamado de Jesus. Tivemos um breve comentário do documento 107, muito mais uma apresentação do mesmo, pois muitos ainda não o conheciam e nos comprometemos a estar com o coração disponível para juntos estudarmos as novas diretrizes de nossa Igreja de como deve ser a IVC.

A alegria em nossa Diocese de São Carlos-SP, é geral, visto que depois de 13 anos, sem qualquer orientação em nosso ministério, tivemos em 2016 a graça de receber o novo bispo, bem jovem, vindo do Rio de Janeiro, Dom Paulo Cezar Costa, uma pessoa extraordinária, alegre, dinâmica e com notável carinho  pela catequese.

Somente agora com ele, juntos, elaboramos o plano da pastoral e para o ano de 2019, já teremos um itinerário catequético único, para todos os vicariatos. Recebemos também um calendário para esse ano, com todas as datas das formações que teremos esse ano, dividido em 4 etapas:

- Catequese: método e planejamento-itinerário catequético;  
- Catequese: Igreja – Comunidade – Conversão Pastoral;
- Catequese e família: Pastoral Familiar;
- Catequese: Palavra e Missão – Plano de Pastoral, Formação de Catequese de Adulto, Formação para Pastoral do Batismo.

Tudo isso para nós é uma grande graça. Estamos muito entusiasmados com as mudanças já provocadas pelo nosso bispo. Sempre buscamos formações por conta própria, uma dessas fontes, é esse grupo, Catequistas em Formação e, agora, com o entusiasmo do nosso bispo, temos muita esperança de conseguirmos realizar o IVC da forma que deve ser.

Sabemos que encontraremos obstáculos, vindo até dos próprios padres, mas estamos com o coração cheio de alegria e vontade de trabalhar com amor na nossa messe.
Que Deus nos ajude e o Espírito Santo nos ilumine.
Suzana Lossurdo – Barra Bonita-SP