sábado, 16 de abril de 2016

HOMILIA - 4º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO C

"A minhas ovelhas conhecem a minha voz e eu as conheço. Elas me seguem e eu lhes dou a vida eterna." (Jo 10, 27)
Depois da morte e ressurreição de Jesus, a vida dos seus discípulos não podia ser mais a mesma. Eles agora sabiam que Jesus é o Senhor, que é o Deus vivente e todo-poderoso. Todas as coisas que ele tinha dito antes, as suas promessas, os seus ensinamentos, os seus mandamentos... agora encontram muito mais sentido e valor. A luz da ressurreição de Cristo iluminava todo o passado que eles tinham vivido juntos e abria perspectivas muito interessantes para o futuro.
Certamente foi muito confortante para os discípulos quando eles recordaram que Jesus tinha dito "eu sou o Bom Pastor!"  Depois que já tinha passado tudo ( a paixão, a cruz, a morte, a sepultura e a sua gloriosa ressurreição), eles podiam entender melhor o que significavam aquelas palavras, antes tão enigmáticas: "O bom Pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas" ou também "eu mesmo dou a minha vida, e a retomarei."
Na época de Jesus, todos eram acostumados com os pastores. Eles sabiam que muitos pastores trabalhavam apenas pelo dinheiro, e jamais correriam perigo para defender uma ovelha. Sabiam que muitos pastores eram incapazes de renunciar a alguma das suas comodidades para sair a procurar uma ovelha que se perdesse. Ou ainda, que mesmo os melhores pastores cuidavam das ovelhas por interesse: para ter a lã, para ter o leite, para um dia ter a carne ou poder vender e ter o dinheiro, ninguém fazia este trabalho só por amor. Por isso tudo, as palavras de Jesus quando foram ditas, antes do seu mistério
pascoal, não tinham sentido. Jesus lhes falava de um modo de ser pastor que eles nunca tinham visto antes. Não podiam imaginar que um pastor pudesse dar a vida por as suas ovelhas, isto era simplesmente um absurdo, pois um homem vale muito mais que estes animais. E muito menos, poderiam pensar na possibilidade que Deus pudesse aceitar a tortura e a morte para salvar aos homens.
Por isso, eu imagino a consolação e a força que sentiram os apóstolos quando começaram a recordar as palavras de Jesus.  Também nós somos convidados neste domingo a escutar Cristo ressuscitado que repete a cada um: "Eu sou o teu Bom Pastor. Eu estou disposto a sofrer tudo de novo por ti. Sou capaz de dar a minha vida para que tu sejas feliz. Ninguém me obriga, mas com o amor que eu tenho por ti, não posso ficar com os braços cruzados e deixar-te. Não quero perder nenhum daqueles que o Pai me deu."
Mas, por outro lado os discípulos se sentiam comprometidos com este Senhor. Não era somente uma lembrança sentimental, que deixava tudo igual. Eles queriam escutar a voz deste Bom Pastor. Eles queriam seguir o seus passos. Eles queriam ter já a vida eterna. E o fizeram com muita força e decisão. E nós?

O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.

Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.

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