quarta-feira, 13 de abril de 2016

RETIROS ESPIRITUAIS NA CATEQUESE: PORQUE FAZER, COMO FAZER...


A IMPORTÂNCIA DOS RETIROS ESPIRITUAIS

Retiro significa sair do seu lugar de convívio, afastar-se; deixar suas atividades para buscar uma reflexão...

Lembro ainda que a palavra Retiro é mais ampla, pois se refere a todos aqueles que se recolhem para orar, tendo assim um encontro mais profundo com Deus (Mt 6, 5-8). Todas as pastorais deveriam ter, em seu cronograma anual, um retiro espiritual. E também os catequistas deveriam participar te tais atividades, pois precisam também encher “suas talhas” com a Graça de Deus, visando que elas não fiquem secas.

POR QUE DEVEMOS FAZER RETIROS?

O Retiro é fundamental para fortalecer a fé das pessoas, pois elas deixam suas preocupações diárias para voltar seu pensamento para o Senhor. E nesses dias de refúgio, os jovens e adultos podem perceber a importância de suas famílias, a valorização das amizades, além de todos poderem passar pelo “deserto” entendendo a plenitude da fé. Lembro que o “deserto” não dever ser visto como algo sem vida, estéril, ou duro de caminhar, mas como algo fértil. E essa fertilidade poderá nos transformar e nos renovar na caminhada. Não podemos esquecer que Jesus, em vários momentos, saía várias vezes para rezar, para meditar:

“Venham vocês também para um lugar deserto e descansem um pouco” (Mc 6, 31)
“Partiram na barca para um lugar solitário, à parte”. (Mc 6, 32)

“Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ali se detinha com seus discípulos. ” (Jo 11, 54).

Num daqueles dias ele subiu com os seus discípulos a uma barca. Disse ele: Passemos à outra margem do lago. E eles partiram. (Lc 8, 22)

“A hora já estava bem avançada quando se achegaram a ele os seus discípulos e disseram: Este lugar é deserto, e já é tarde”. (Mc 6, 35).

“Mas ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar”. (Lc 5, 16).

Os retiros espirituais, de formação, as vivências ou os chamados acampamentos são muito importantes para aprofundar nossa fé. Os retiros podem ser de metade de um dia, de um dia, de três dias, de uma semana... Depende da sua finalidade e do público-alvo.

PLANEJAMENTO

É interessante dividir a coordenação em equipes visando dinamizar a organização e também impedir que alguém fique sobrecarregado. Equipe de finanças, cozinha, música, momentos de oração, formação, intercessão, apoio, dinâmica, ornamentação, dentre outros, são necessários.

Nem sempre nossa coordenação é numerosa e essas “mini-equipes” ficam representadas por uma ou duas pessoas, todavia, já é uma boa divisão de tarefas. Nas reuniões preparatórias cada equipe apresenta seus avanços e o retiro vai tendo sua estrutura montada. Peça, se possível, a presença do sacerdote em algumas dessas reuniões, visando apresentar o que vem sendo estruturado e pedindo orientações e sugestões.

COMO PREPARAR O EVENTO

Para a realização dessa atividade, é necessário ter em mente o objetivo do retiro, ver a realidade do grupo e buscar apoio e orientação com o sacerdote de sua comunidade. A equipe de coordenação precisa estar fortalecida e sem problemas internos, pois algo assim pode comprometer seu evento. Eis as principais etapas da organização:
- Pensar o tema do retiro (ponto fundamental que abrangerá as demais partes do evento);
- Projetar o programa (corpo do retiro com as pregações, os momentos de oração, animações, desertos, lembrancinhas, celebração com o padre, as músicas, as dinâmicas, a ornamentação...)
- Pesquisar o melhor local (é necessário pesquisar um local que traga as melhores condições para receber os participantes e para a realização das atividades pensadas no programa do Retiro).

Além dessas medidas, é necessário lembrar do transporte, da alimentação, lista do que levar, Missa de entrega ou envio (se houver), autorização dos responsáveis, possíveis gastos, os horários, material de primeiros socorros, mensagens dos amigos e responsáveis.

COLHENDO OS FRUTOS

Cada Retiro é um momento único, mesmo que você repita o tema e as atividades nos anos seguintes. Não se pode prever as suas consequências na vida de cada pessoa, mas tenha certeza que o Espírito Santo irá agir e fará que essa pessoa tenha um encontro maior com Deus. Talvez você pense que essa atividade requer muitas atenções, traz inúmeras dificuldades e obstáculos para a sua realização, porém não se esqueça que você não estará sozinho (a)! O sacerdote é o seu maior aliado e ainda você dispõe da sua equipe de coordenação.

Ao iniciar esse grandioso projeto, você irá compreender a importância dos retiros na vida das pessoas; entenderá que será necessária persistência e trabalho árduo para montar toda a sua estrutura; tenha toda a calma e paciência para executá-lo junto com sua equipe; você achará as respostas para suas principais dúvidas e verá o quão maravilhoso é o seu resultado, pois os retiros são magníficos momentos de forte interiorização e maior sintonia com nosso amado Deus. Lance essa ideia em seu grupo, movimento ou pastoral. 

COMO REALIZAR UM RETIRO DE CATEQUESE

Um retiro de Catequese deve ser um momento especial de vivência da fé, onde o catequizando tem a oportunidade de sentir a presença de Deus em sua vida de modo mais intenso.
Assim um retiro de catequese deve transpirar espiritualidade, levando ao encontro consigo mesmo e com o Espírito que o anima.  Para isso, é importante que quem organize esteja atento a todos os detalhes  que podem propiciar o ambiente necessário a essa experiência.
Planejar, escolher, preparar, acolher, vivenciar e enviar; são ações imprescindíveis num retiro.
1.   PLANEJAR: “Quem se põe a construir sem antes sentar para calcular…” (cf Lc 14,28). Para que um retiro seja uma experiência de fé é preciso planejar bem, estabelecendo o objetivo principal, o caminho a seguir, os meios para alcançá-lo.

Exemplo: um retiro para a vivência do perdão.
Objetivo: descobrir o perdão de Deus como dom gratuito de amor.
Caminho: evangelho do Filho pródigo – Lc 15, 11-24
Meios: encenação do evangelho, meditação, dinâmica de perdão.

2.    ESCOLHER: é preciso escolher quem, onde, quando e como tudo será feito.
Quem vai participar, quem vai se colocar a serviço, quem vai assessorar, buscando pessoas da comunidade, que sejam próximas do processo catequético e comunguem dos  mesmos ideais da comunidade. De nada adianta levar pessoas importantes para falar aos adolescentes e jovens se essas pessoas não falarem a mesma língua da comunidade e não forem conhecidas por eles.
Aonde se realizará o retiro, escolhendo um local que seja propício à meditação ao silêncio, tranquilidade. Um lugar que tenha espaço agradável, bonito e aconchegante, onde os catequizandos se sintam bem.
Quando será  realizado o retiro, levando em conta que deve ser num momento importante para a vida de fé. Ex.: um retiro para a vivência do perdão  antes da celebração do sacramento da penitência (alguns dias ou mesma algumas horas antes), dando sentido para ambos.
Como realizar o retiro, buscando os recursos materiais que irão dar condições para que tudo corra bem e não falte nada.

3.    PREPARAR: desde o convite para participar do retiro até a lembrança de despedida, tudo deve ser preparado com antecedência e com muito amor. Fazer os convites com
capricho e carinho. Entregar esses convites pessoalmente. Preparar o ambiente
com flores, quadros, imagens que reflitam o tema. Preparar a alimentação, fazer
as mensagens de incentivo que vão ser entregues ao longo do dia. Essas mensagens são estratégicas e ajudam a refletir.

4.    ACOLHER: no dia do retiro, durante todo o tempo, os catequizandos devem sentir-se acolhidos. O acolhimento não pode ser restrito à chegada, quando recebem as boas vindas, mas deve ser constante em todo tempo. Acolher é estar atento aos sentimentos e necessidades de todos, é ter uma palavra amiga e carinhosa em todos os momentos, é ajudar nas dificuldades de cada um.

5.    VIVENCIAR: o retiro deve levar á vivência da espiritualidade, num processo crescente de participação pessoal. É preciso que tudo colabore para que haja uma verdadeira experiência de fé. Não uma catarse emocional coletiva, onde o que fica é apenas uma emoção momentânea, mas uma experiência pessoal e profunda, que leve à confiança plena em Deus.

6.    ENVIAR:Senhor, é bom estarmos aqui…” (cf. Lc 9,30) os participantes de um retiro sempre se sentem felizes após essa experiência, mas não podem ficar parados, devem
descer a montanha e voltar para casa, para a vida cotidiana, onde serão testemunhas do que vivenciaram e sentiram no mais íntimo, não por palavras, mas com a vida transformada.
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DICA: Este material foi retirado do livro “Como preparar um Retiro” que orienta todas essas tarefas descritas acima e ainda traz inúmeros exemplos de retiros já realizados para exemplificar toda a teoria explicada no decorrer do mesmo.



FONTE: 
SANTOS, Juberto de Oliveira. Como Preparar um Retiro. Petrópolis: Vozes, 2009.





AGORA ALGUMAS DICAS DA “TIA ÂNGELA”...

É muito comum os retiros “pré-eucaristia” e “pré-crisma”, feitos alguns dias ou semanas antes dos sacramentos, mas, é bom lembrar que estes retiros devem priorizar momentos de “espiritualidade” e reflexão, nunca queira fazer uma catequese “emergencial” nestes momentos. Os temas da catequese já foram explorados nos encontros, agora é a hora de nos “recolhermos” em nós mesmos e refletirmos sobre tudo que aprendemos neste tempo de catequese. Nada de “ensino”. É momento de “espiritualidade” mesmo!

Outra observação é que na primeira eucaristia, algumas crianças ainda têm pouca idade, 10, 11 anos. Cuidado com os temas e os momentos “meditativos” com eles. Pode ser que estejamos exigindo algo além da maturidade deles. Mas vale, neste caso, explorar a relação de amizade e companheirismo do grupo. Rezar juntos e desejar continuar a caminhada juntos para o sacramento da crisma é o principal objetivo agora. Explore este sentimento de “companheirismo” que eles têm. É um passo para se pensar em “ser uma comunidade”.

E por fim, é preciso dar uma atenção especial aos PAIS. Quem sabe um retiro com os pais não seja mais frutífero para a caminhada dos filhos na Igreja, do que com os próprios? Ou, melhor ainda, um retiro com a família. Não é preciso que sejam “dias”, podem ser somente algumas horas, um dia todo. Experiências neste sentido tem sido frequente e os relatos impressionantes. Tente!

Ângela Rocha

Catequistas em Formação

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO