sábado, 13 de abril de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: CRISTO OU BARRABÁS?



                 HOMILIA DO DOMINGO DE RAMOS – ANO C

Jesus é aclamado pela multidão. Até hoje conservamos o “Hosana nas alturas!”. Ele, que fez milagres, que curou doentes, que multiplicou pães, que falou palavras bonitas, somente poderia ser aclamado com hosanas, mesmo na sua humildade ao entrar em Jerusalém montado em um jumentinho. Mas a euforia não se prolongou. Como num programa de Reality show, a opinião pública eliminou o Filho de Deus e deu imunidade a Barrabás, o assassino. Por quê? Talvez por medo de enfrentar as autoridades judaicas e pagar o preço da verdade. Talvez porque um messias calado, humilde, simples, despojado não nos interesse. Melhor seria um guerreiro destruidor das forças políticas, o entusiasta curador e milagreiro. Esse messias amoldado aos nossos interesses egoístas não seria rejeitado.

Jesus nos mostrou o caminho um tanto desconcertante: “Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado!” (Lc 14, 11). “Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua dignidade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até a morte e morte de cruz.” (Fp 2, 6-7). Ao longo dos séculos continuam havendo paredões. Hoje somos nós os expectadores desse show. E mais uma vez podemos escolher. Teremos a coragem de vencer a fama e o poder desse mundo em troca da humildade dos seguidores do Deus de Jesus Cristo? A glória dos homens não significa nada. Essa não perdura. A verdadeira exultação não depende dos que olham de fora, mas daquilo que construímos ao longo da vida pelas nossas opções.

Jesus é o homem da angustia, dos dramas psicológicos, de uma dúvida que quase o sufoca... É o homem do abandono, que se vê deixado pelos amigos. É o homem que vê tudo ir embora, exceto sua convicção! É o homem da dor, homem condenado, humilhado, sofredor. É o homem que morre. É o ser humano que vive nossas experiências, inclusive naquilo que é mais dramático a qualquer humano. Ele se rebaixa para nos ensinar. Ao se rebaixar, eleva toda a raça humana unida a ele!

Ao morrer nos ensina a morrer, a sofrer, a lutar, a resistir, a amar! Lucas deixa transparecer algo muito precioso no drama de Jesus: ao morrer, Jesus nos ensina a perdoar! Deixa Judas o beijar, sem o ofender; olha com profundidade para Pedro enquanto este o nega; perdoa todos os seus assassinos, dizendo ao Pai que eles não sabem o que fazem; acolhe um bandido que na cruz clama por perdão! Se já era grande vê-lo curar o coração de Izabel no ventre de Maria, antes de nascer, se já é sublime ver Jesus curar os corações de Zaqueu e Simão, da Samaritana e da adultera arrependida, mais sublime ainda é vê-lo curar um pecador enquanto morre. Mesmo morrendo, ainda sobram gotas de misericórdia, palavras, palavras cansadas e sofridas parta salvar. Diante desse amor, eu me sinto pequeno, diante desse amor, eu me sinto fraco, pecador, indigno. Diante desse amor eu não digo “hosana!” – diante desse amor eu medito. Diante desse amor, silencio e deixo-me possuir pela misericórdia que vai expandindo um pouco do meu coração duro para celebrar com um pouco mais de dignidade a Páscoa do Senhor!

Diante desse amor eu peço para ter uma boa língua de discípulo para saber dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos: Coragem! Alguém sofreu as nossas dores. Alguém consola, perdoa, cura e nos ensina a vencer toda a dor, todo o cansaço, toda lágrima, toda luta, toda doença, toda morte! Hosana ao que vem em nome do Senhor, Hosana nas alturas!


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

 FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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