quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

BOM SAMARITANO OU SAMARITANO MISERICORDIOSO

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“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

Este ano, a parábola do Bom samaritano é inspiração para a Campanha da Fraternidade 2020. Acompanhe esta bela reflexão!

A parábola do “Bom Samaritano” ou “Samaritano Misericordioso” (Lc 10, 25-37) é contada por Jesus após o primeiro debate sobre uma pergunta de um entendido da Lei sobre o que era necessário para ganhar a vida eterna (cf. Lc 10,25-28). O legista não se dá por vencido e lança outra questão: “Quem é meu próximo?” (10,29). Jesus responde com uma parábola que ilustra muito bem a nova proposta de vida que Ele veio inaugurar.

Tudo acontece na estrada que ligava Jerusalém a Jericó, esta encontra-se a 270 metros abaixo do nível do mar e a Cidade Santa Jerusalém está 760 metros acima do mar. Jericó era uma cidade habitada por sacerdotes que, periodicamente, de acordo com seu turno, subiam à Jerusalém. Eles ficavam uma semana no Templo a “serviço do altar”. No entanto, para fazer esse serviço, os religiosos judeus deveriam estar “limpos”. O sacerdote da parábola já havia exercido seu serviço divino, ele não estava em perigo de ficar impuro porque “estava descendo de Jerusalém”.

A vítima que caiu nas mãos dos bandidos não é conhecida, mas era bem provável que fosse judeu. Ele (como o sacerdote e o levita) descia pelas estradas em direção a Jericó. Jesus não descreve o pobre homem com particularidade porque Nosso Senhor queria, nele, representar todos os que estavam e estão na mesma situação.

Jesus continua sua história e diz que um religioso “Um sacerdote tendo visto ... passou do outro lado”. O sacerdote não teve dúvidas: entre a observância da lei de Deus e acudir o homem caído, ele escolheu a lei de Deus, pois era prescrito que se alguém tocasse um ferido (por causa do sangue), a pessoa se tornava “impura”. Para o sacerdote, Deus e a Lei sempre vêm diante do bem dos homens. Para ele, a religião (isto é, Deus e a Lei) deve prevalecer sempre (ficar acima de tudo e de todos).

O sacerdote não é uma pessoa insensível ou uma pessoa cruel, ele é um observador da Lei. Para ele havia dois lados da estrada: um lado era da lei e o outro a da pessoa (do ferido). O sacerdote escolheu o lado da lei: “quando ele viu, ele passou do outro lado”. O sacerdote faz o mal convencido de fazer o bem e não faz o bem para não ir contra a Lei.

“Igualmente também um Levita”. Os levitas também estavam envolvidos em tudo relacionado ao culto ao Templo, de modo que ele também precisava permanecer em condições de pureza ritual, no entanto, também ele já tinha terminou os seus serviços no Templo. Ele, infelizmente, fez o mesmo que o sacerdote: “ele viu o homem e passou do outro lado”. Importante notar que são pessoas religiosas! Os bandidos machucaram, mas os religiosos judeus estavam fazendo o mesmo mal em não ajudar o homem caído na rua. O sacerdote e o levita estavam tomados pelo respeito da lei de Deus, que não percebem que esta lei causava sofrimento às pessoas.

“Um samaritano, em sua viagem, veio até ele”. Para os judeus da época, o terceiro personagem (samaritano) era o pior tipo de pessoa que um judeu poderia imaginado. Com o sacerdote e o levita havia a esperança de que eles pudessem ajudar o infeliz homem à beira da estrada, mas nada fizeram; Com o samaritano nada de bom se poderia esperar. Ademais imperava um ódio entre os judeus e os samaritanos; Os samaritanos eram considerados inimigos do povo de Israel. Jesus nada diz se o samaritano era ou não religioso, mas um simples comerciante (tinha dinheiro e um animal); Ele estava na terra da Judeia e não no seu território (Samaria); Os samaritanos eram considerados impuros, pecaminosos, heréticos, etc. O samaritano estava em uma viagem, ocupado com seus negócios. Os outros dois já tinham completado seus serviços, mas na realidade não tinham feito nada.

“E tendo o visto, ele teve compaixão”. O verbo “ter visto” junto com “ter compaixão” é uma terminologia usada no AT, exclusivamente, para indicar uma função de Deus, enquanto no NT é aplicado exclusivamente para Jesus: é, portanto, uma ação divina. Assim, para os homens, a expressão que se usava é “ter misericórdia” (Tg 2,13); Para Deus, em vez disso, a expressão é “ter compaixão”. Em Lucas reserva o termo “compaixão” e usa somente em três passagens: o filho da viúva de Nain (Lc 7, 11-17); o bom samaritano (Lc 10, 25-37) e o filho pródigo (15: 11-32). Jesus não conseguiu encontrar uma pessoa mais afastada da religião oficial do que um samaritano que é descrito como sendo o mais próximo de Deus (“teve compaixão”): o único que se comporta como o próprio Deus. Compaixão é o terceiro movimento que descreve muito bem quem é Deus. O samaritano (como Jesus) vê (1º movimento), mas não fica somente neste estágio (o sacerdote e o levita também veem): ele muda seu caminho, entrega-se complemente a serviço do próximo e gasta seu tempo com o pobre homem. Ele vai em direção (2º movimento). O samaritano vê e faz algo (3º movimento): isto é compaixão!

“Ele se aproximou dele, juntou suas feridas, derramou óleo e vinho e carregou-o em seu animal”. O samaritano entrega sua montaria a um estranho e, assim, coloca-se em posição de servo. O servo que anda a pé e o cavalheiro é que vai no animal. O samaritano se comporta como Deus, porque Deus é o amor que se coloca a serviço dos outros.

Com Jesus o conceito de “crer” muda radicalmente. O crente é aquele que assemelha ao Pai, praticando um amor semelhante ao seu. Não é mais uma Lei a obedecer, mas um amor a que assemelhar. São a Lei e a religião que dividem as pessoas em “observantes” e “não observantes”, “puros” e “impuros”. O amor não! O amor une as pessoas. Para muitos o amor de Deus depende dos méritos da pessoa; com Jesus o amor de Deus se encontra no sofrimento e nas necessidades do próximo. Amar não é praticar Lei, mas envolver-se a tal ponto que o outro passa a ser o centro. O caminho mais curto para Deus – segundo Jesus – é o próximo e suas necessidades.

Nesta parábola, Jesus muda dois conceitos importantes: conceito de próximo – Próximo não é quem é amado, mas quem ama. Não é aquele que eu escolho e vou em direção, mas quem Deus coloca na minha estrada. Não é alguém que interrompe o meu caminho, mas aquele que dá sentido à minha jornada. Com o próximo não se gasta ou perde, mas se ganha, pois em cada um, Deus está presente. A Lei, segundo Jesus, jamais deve ser colocada à parte ou em oposição ao próximo, mas observar a Lei no amor ao próximo.

Outro conceito é sobre a fé (religião). Nossa fé e a nossa religião jamais devem ser usadas para separar ou discriminar as pessoas (o mundo sem Deus assim, o faz). Acreditar em Deus e observar seus preceitos devem nos abrir ao próximo e, principalmente, acudir suas necessidades. Os dois religiosos, cheios de regras e preceitos, não conseguiram enxergar a pessoa necessitada . O samaritano, desprovido das regras e normas, não teve dificuldade de exercer toda compaixão que uma pessoa poderia colocar em prática em relação ao próximo.

A interrogação não pode ser colocada a partir de mim (v.29: quem é o meu próximo?), mas quem se coloca diante de mim como necessitado, ele é quem faz de mim o próximo. “Ser próximo” não é o outro que está diante de mim, mas cada um que deve se “aproximar” do outro. O próximo é que “necessita de mim”, e não somente quem está “diante de mim”: não é o próximo que cria o amor, mas o amor que cria o próximo!

Dois personagens são desprezados: “o quase morto” e o samaritano (conforme mentalidade da época). O samaritano demonstra que entre os últimos é possível aprender algo tão grande e divino que é a compaixão. Ao final, Jesus conclui: “Vai e tu também faze o mesmo!”

Dirlei Abércio da Rosa 
Pároco da Comunidade de Nossa Senhora Aparecida - Cambuí MG
Arquidiocese de Pouso Alegre 



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

MENSAGEM PAPA FRANCISCO PARA A CF 2020

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!
Iniciamos a Quaresma, tempo forte de oração e conversão em que nos preparamos para celebrar o grande mistério da Ressurreição do Senhor.
Durante quarenta dias, somos convidados a refletir sobre o significado mais profundo da vida, certo de que somente em Cristo e com Cristo encontramos resposta para o mistério do sofrimento e da morte. Não fomos criados para a morte, mas para a vida e a vida em plenitude, a vida eterna (cf. Jo 10,10).
Alegro-me que, há mais de cinco décadas, a Igreja do Brasil realize, no período quaresmal, a Campanha da Fraternidade, anunciando a importância de não separar a conversão do serviço aos irmãos e irmãs, sobretudo os mais necessitados. Neste ano, o tema da Campanha trata justamente do valor da vida e da nossa responsabilidade de cuidá-la em todas as suas instâncias, pois a vida é dom e compromisso; é presente amoroso de Deus, que devemos continuamente cuidar. De modo particular, diante de tantos sofrimentos que vemos crescer em toda parte, que “provocam os gemidos da irmã terra, que se unem os gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo” (Carta Enc. Laudato Si’, 53), somos chamados a ser uma Igreja samaritana (cf. Documento de Aparecida, 26).
Por isso, estejamos certos de que a superação da globalização da indiferença (cf. Exort. Ap. Evangelii gaudium, 54) só será possível se nos dispusermos a imitar o Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Esta Parábola, que tanto nos inspira a viver melhor o tempo quaresmal, nos indica três atitudes fundamentais: ver, sentir compaixão e cuidar. À semelhança de Deus, que ouve o pedido de socorro dos que sofrem (cf. Sl 34,7), devemos abrir nossos corações e nossas mentes para deixar ressoar em nós o clamor dos irmãos e irmãs necessitados de serem nutridos, vestidos, alojados, visitados (cf. Mt 25, 34-40).
Queridos amigos, a Quaresma é um tempo propício para que, atentos à Palavra de Deus que nos chama à conversão, fortaleçamos em nós a compaixão, nos deixemos interpelar pela dor de quem sofre e não encontra quem o ajude. É um tempo em que a compaixão se concretiza na solidariedade, no cuidado. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7)!
Por intercessão de Santa Dulce dos Pobres, que tive a alegria de canonizar no passado mês de outubro e que foi apresentada pelos Bispos do Brasil como modelo para todos os que veem a dor do próximo, sentem compaixão e cuidam, rogo ao Deus de Misericórdia que a Quaresma e a Campanha da Fraternidade, inseparavelmente vividas, sejam para todo o Brasil um tempo em que se fortaleça o valor da vida, como dom e compromisso.
Envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.
Vaticano, 26 de fevereiro de 2020.

FONTE: vaticannews

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

ATIVIDADE PARA A QUARESMA: 5 PEDRINHAS

Boas idéias sempre podem gerar outras idéias!

Recebi esta atividade das 5 pedrinhas (não tenho registro do autor, se for você apareça para darmos os créditos).
Como minha turma ainda não fez a Eucaristia, fiz então o meu calendário.
Vou entregar um para cada, com a proposta de a cada dia praticarem uma ação, sendo que a cada ação praticada pintamos a cor correspondente no calendário.
Mas lembre: não basta apenas entregar para eles, acompanhe a cada encontro o seu preenchimento; incentivando sempre, mesmo que em alguns casos ele apareça em branco.

Ah! eu imprimi em folha sulfite e vou colar no papel cartaz, para ficar mais firme!

ATIVIDADES

Nossas atitudes na Quaresma*
Oração/Jejum/Caridade
 * Adaptação para a turma

ORAÇÃO 
Participar da Santa Missa
Ler uma passagem da Bíblia
Rezar pelos doentes
Rezar uma dezena do terço com sua família


JEJUM
Ficar o dia sem comer doces
Ficar o dia sem tomar refrigerante
Não contar mentiras
Colocar no prato apenas aquilo que irá comer


CARIDADE
Conversar com um idoso
Alimentar algum animal na rua
Limpar o que sujou em casa
Repartir seu lanche com um amigo que não levou nada
Animar alguém que esteja triste
Lembrar a alguém distante o quanto você o ama.

Vamos colorir nosso calendário?

Pinte com a cor indicada o dia em que praticou a ação proposta. Lembrando que boas ações, podem ser repetidas, então nestes 40 dias podemos fazer várias boas ações.
Catequista Gisele Araújo
Paróquia Santo Antônio -  Bocaiúva do Sul PR


ROTEIRO DE ENCONTRO: CRISMA


PRIMEIRO ENCONTRO DE CATEQUESE - CRISMA
Seguindo os passos de Jesus
                                                                       
PREPARAR: o catequista durante a semana que antecede o encontro com os catequizandos medita ou contempla o texto Bíblico. Prepara a partilha sobre a semana que passou e o ambiente com mesa, toalha, cruz e vela.  Cadeiras em distribuídas em círculo. Pequenos pés recortados em papel que serão colocados no chão até a mesa.

ACOLHIDA E SILENCIAMENTO: receba todos com alegria, carinho, música. Ao tomarem seus lugares dialogue: como foi a semana, o que aprenderam do Evangelho do domingo que passou, como foi as férias...

APRESENTAÇÃO: Fazer uma conversa com os catequizandos de conhecimento um dos outros. Fazer apresentação da seguinte forma.

1) Dividir a turma ao meio.
2) Fazer papeis com números, sempre dois números iguais, por exemplo: se a turma tem 12 catequizandos, fazer números de 1 a 6 repetidos (1-1, 2-2, etc).
3) Distribuir os números aos catequizandos e pedir para que encontrem seus pares.
4) Pedir para que conversem um tempinho e depois cada um terá que apresentar o outro para o grupo.
5) Sugestões de perguntas para conhecimento:

Nome:                      Idade:                        Com quem mora:
Onde Estuda:            Que série (ano)           O que gosta de fazer:
Comida preferida:      Pratica esporte:           Estilo de música que gosta:
Uma música:             Uma viagem:              Quem é Jesus para Você:

Catequista: 
Dialogar com os catequizandos sobre como foi a experiência de conhecer o outro, saber do que ele gosta. Como é que a gente faz amigos? Espera ser procurado? Procura amigos?

Agora que nos conhecemos melhor, vamos ver como Jesus conheceu seus amigos de caminhada. Então ouvir a Palavra de Deus, e que ela seja alimento para entendermos os ensinamentos de Jesus .....................

Invoquemos a presença da Santíssima Trindade. E clamemos a presença do Espírito Santo:

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação. Por Cristo Senhor Nosso. Amém.

LEITURA: Evangelho de Mateus 4, 18 – 22

“Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Eles estavam lançando redes ao mar, pois eram pescadores.
E disse Jesus: ‘Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens’.
No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram.
Indo adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Eles estavam num barco com seu pai, Zebedeu, preparando as suas redes. Jesus os chamou, e eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, o seguiram.”

O catequista continua: Mais a frente Jesus encontrou alguns jovens, eram eles (citar os nomes dos catequizandos): Andrey, Ayumi, Camila, Fernanda, Isabela, Laura Donati, Laura Neves, Luana, Lucas, Marcos, Maria Eduarda, Matheus, Rodrigo.
E termine fazendo a seguinte colocação: Jesus os chamou e todos eles o seguiram. Palavra do Senhor.

REFLEXÃO: Eu particularmente, sempre achei estranha essa coisa de Jesus acabar de conhecer alguém, olhar nos olhos e dizer: Vem e segue-me e esse alguém vai imediatamente. Acho que esta é a forma poética do chamado. Na vida real, imagino um Jesus que senta a beira do mar e puxa um papo, uma prosa. E nesta conversa, fala das coisas da vida, dificuldades, belezas, esperanças, sonhos. E isso faz brilhar os olhos dos discípulos, de tal maneira, que quando o convite vem, a resposta vem direto do coração: Sim. Isso tem muito haver com o caminhar nesta fase de preparação para a Crisma, aqui estamos para compartilhar a vida, nossas experiências e principalmente para conhecer e se apaixonar por Jesus Cristo.

Incentivar a partilha...
  
MEDITAÇÃO: (música – sugestão: Instrumental)
Catequista: Faça agora sua oração pessoal a Deus. Peça a Jesus, que está aqui nesse momento, pois onde dois ou mais estiverem reunidos falando em nome de Jesus, Ele está presente. Então, aproveitem esse momento para bater um papo com Jesus. Quais marcas Jesus já deixou em você .... Conversem sobre a sua vida, dificuldades, sonhos....  Reflita e converse sobre questões existenciais: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? O que desejo para mim? Quem é Jesus para você? Você se considera um jovem feliz? Sintam em seu coração a presença de Jesus. Deixe Jesus fazer morada em seu coração e converse com Ele no seu íntimo .....
(o catequista dê um tempo para orar).

ORAÇÃO CONDUZIDA: após um tempo, com voz calma e serena diga: 
Rezemos juntos (pedir para os catequizandos pegarem os pezinhos que estão no caminho): 
Jesus, divino Mestre, nós vos adoramos, Filho muito amado do Pai, caminho único para chegarmos a ele. Nós vos louvamos e agradecemos, porque sois o exemplo que devemos seguir. Com simplicidade queremos aprender de vós o modo de ver, julgar e agir. Queremos ser atraídos por vós, para que, caminhando nas vossas pegadas, possamos viver dia a dia a vontade do Pai. Aumentai nossa esperança, impulsionando plenamente o nosso ser e o nosso agir. Amém.

FINAL

Antes de se despedir dos catequizandos, orientá-los para não deixar de participar da missa na comunidade no final de semana, pois é nela que encontramos Jesus vivo e podemos encher nosso coração de amor verdadeiro, para fazer a vontade de Deus.

Estivemos reunidos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Catequista Giuliano William Neves
Paróquia São José Operário - Maringá PR



terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

É DIA DE CATEQUESE! (Testemunho)


Hoje retornamos com a catequese.
Fotos? Não tiramos. Mas foi tão bom, que resolvi compartilhar.
Como era o primeiro dia resolvi levá-los para fora: na pracinha do lado da igreja. Preparei na noite anterior umas gelatinas de copinho e hoje coloquei em uma bolsa térmica rezando que não derretesse. Esticamos um  tecido de TNT verde(tempo Litúrgico) no chão e nos sentamos.
Iniciei o encontro com aquele versículo bem conhecido: Mateus 18,20. Aquela passagem que diz: "Onde dois ou mais estiverem reunidos em Meu nome, ali estarei". Após uma conversa informal sobre o versículo, fiz aquela dinâmica que pede para eles fecharem os olhos e desenharem coisas comuns. E depois concluímos com mais uma conversa. 

Afinal, todos sabemos desenhar uma casa, certo? Mas porque a nossa não ficou perfeita? Porque estávamos sem enxergar. Isso também é em nossa vida. Sem Jesus nos perdemos e apesar de sabermos o que é certo, nos falta luz para seguir nossa caminhada. E onde podemos encontrar Jesus?Em vários lugares ,mas, principalmente, na Santa Missa.
E assim entramos no tema do dia: Missa. Comprei uma revistinha sobre o assunto e então cada um foi lendo uma parte e depois conversamos e tiramos as dúvidas. Eles são muito curiosos! Pena que o tempo acabou sendo curto. 😥

Se eles aprenderam tudo? Não. Mas observar eles na missa, cantando o glória com entusiasmo e não respondendo o Amém depois do Pai Nosso e olhando p mim, me fez acreditar que algo, eles vão levar com eles.
Catequista Gisele Araújo 
Paróquia Santo Antônio Bocaiúva do Sul- PR
3°Ano Eucaristia.

* Aqui na página tem um material excelente sobre a Missa. Eu sei porque também li para me preparar.

NESTE LINK http://www.catequistasemformacao.com/2015/10/a-missa-conhecendo-e-celebrando.html

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

QUERIDA AMAZONIA: EXORTAÇÃO PÓS SINODAL DO PAPA FRANCISCO

A EXORTAÇÃO DO PAPA POR UMA IGREJA COM ROSTO AMAZÔNICO

A Exortação pós-sinodal sobre a Amazônia foi publicada esta quarta-feira (12/02). O documento traça novos caminhos de evangelização e cuidados do meio ambiente e dos pobres. Francisco auspicia um novo ímpeto missionário e encoraja o papel dos leigos nas comunidades eclesiais.

“A Amazônia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério.” Assim tem início a Exortação apostólica pós-sinodal, Querida Amazônia. O Pontífice, nos primeiros pontos, (2-4) explica “o sentido desta Exortação”, rica de referências a documentos das Conferências episcopais dos países amazônicos, mas também a poesias de autores ligados à Amazônia. Francisco destaca que deseja “expressar as ressonâncias” que o Sínodo provocou nele. E esclarece que não pretende substituir nem repetir o Documento final, que convida a ler “integralmente”, fazendo votos de que toda a Igreja se deixe “enriquecer e interpelar” por este trabalho e que a Igreja na Amazônia se empenhe “na sua aplicação”. O Papa compartilha os seus “Sonhos para a Amazônia” (5-7), cujo destino deve preocupar a todos, porque esta terra também é “nossa”. Assim, formula “quatro grandes sonhos”: que a Amazônia “que lute pelos direitos dos mais pobres”, “que preserve a riqueza cultural”, que “que guarde zelosamente a sedutora beleza natural”, que, por fim, as comunidades cristãs sejam “capazes de se devotar e encarnar na Amazônia”.


O sonho social: a Igreja ao lado dos oprimidos
O primeiro capítulo de Querida Amazônia é centralizado no “Sonho social” (8). Destaca que “uma verdadeira abordagem ecológica” é também “abordagem social” e, mesmo apreciando o “bem viver” dos indígenas, adverte para o “conservacionismo”, que se preocupa somente com o meio ambiente. Com tons vibrantes, fala de “injustiça e crime” (9-14). Recorda que já Bento XVI havia denunciado “a devastação ambiental da Amazônia”. Os povos originários, afirma, sofrem uma “sujeição” seja por parte dos poderes locais, seja por parte dos poderes externos. Para o Papa, as operações econômicas que alimentam devastação, assassinato e corrupção merecem o nome de “injustiça e crime”. E com João Paulo II, reitera que a globalização não deve se tornar um novo colonialismo.
Os pobres sejam ouvidos sobre o futuro da Amazônia
Diante de tanta injustiça, o Pontífice fala que é preciso “indignar-se e pedir perdão” (15-19). Para Francisco, são necessárias “redes de solidariedade e de desenvolvimento” e pede o comprometimento de todos, inclusive dos líderes políticos. O Papa ressalta o tema do “sentido comunitário” (20-22), recordando que, para os povos amazônicos, as relações humanas “estão impregnadas pela natureza circundante”. Por isso, escreve, vivem como um verdadeiro “desenraizamento” quando são “forçados a emigrar para a cidade”.
A última parte do primeiro capítulo é dedicado às “Instituições degradadas” (23-25) e ao “Diálogo social” (26-27). O Papa denuncia o mal da corrupção, que envenena o Estado e as suas instituições. E faz votos de que a Amazônia se torne “um local de diálogo social” antes de tudo “com os últimos. A voz dos pobres, exorta, deve ser “a voz mais forte” sobre a Amazônia.
O sonho cultural: cuidar do poliedro amazônico
O segundo capítulo é dedicado ao “sonho cultural”. Francisco esclarece que “promover a Amazônia” não significa “colonizá-la culturalmente” (28). E recorre a uma imagem que lhe é cara: “o poliedro amazônico” (29-32). É preciso combater a “colonização pós-moderna”. Para Francisco, é urgente “cuidar das raízes” (33-35). Citando Laudato si’ Christus vivit, destaca que a “visão consumista do ser humano” tende a “a homogeneizar as culturas” e isso afeta sobretudo os jovens. A eles, o Papa pede que assumam as raízes, que recuperem “a memória danificada”.
Não a um indigenismo fechado, é preciso um encontro intercultural
A Exortação se concentra depois sobre o “encontro intercultural” (36-38). Mesmo as “culturas aparentemente mais evoluídas”, observa, podem aprender com os povos que “desenvolveram um tesouro cultural em conexão com a natureza”. A diversidade, portanto, não deve ser “uma fronteira”, mas “uma ponte”, e diz não a “um indigenismo completamente fechado”.
A última parte do segundo capítulo é dedicada ao tema “culturas ameaçadas, povos em risco” (39-40). Em qualquer projeto para a Amazônia, esta é a recomendação do Papa, “é preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos”. Estes, acrescenta, dificilmente podem ficar ilesos se o ambiente em que nasceram e se desenvolveram “se deteriora”.

 O sonho ecológico: unir cuidado com o meio ambiente e cuidado com as pessoas
O terceiro capítulo, “Um sonho ecológico”, é o mais relacionado com a Encíclica Laudato si’. Na introdução (41-42), destaca-se que na Amazônia existe uma relação estreita do ser humano com a natureza. Cuidar dos irmãos como o Senhor cuida de nós, reitera, “é a primeira ecologia que precisamos”. Cuidar do meio ambiente e cuidar dos pobres são “inseparáveis”. Francisco dirige depois a atenção ao “sonho feito de água” (43-46). Cita Pablo Neruda e outros poetas locais sobre a força e a beleza do Rio Amazonas. Com suas poesias, escreve, “ajudam a libertar-nos do paradigma tecnocrático e consumista que sufoca a natureza”.
Ouvir o grito da Amazônia, o desenvolvimento seja sustentável
Para o Papa, é urgente ouvir o “grito da Amazônia” (47-52). Recorda que o equilíbrio planetário depende da sua saúde. Escreve que existem fortes interesses não somente locais, mas também internacionais. A solução, portanto, não é “a internacionalização” da Amazônia; ao invés, deve crescer “a responsabilidade dos governos nacionais”. O desenvolvimento sustentável, prossegue, requer que os habitantes sejam sempre informados sobre os projetos que dizem respeito a eles e auspicia a criação de “um sistema normativo” com “limites invioláveis”. Assim, Francisco convida à “profecia da contemplação” (53-57).
Ouvindo os povos originários, destaca, podemos amar a Amazônia “e não apenas usá-la”; podemos encontrar nela “um lugar teológico, um espaço onde o próprio Deus Se manifesta e chama os seus filhos”. A última parte do terceiro capítulo é centralizada na educação e hábitos ecológicos” (58-60). O Papa ressalta que a ecologia não é uma questão técnica, mas compreende sempre “um aspecto educativo”.
O sonho eclesial: desenvolver uma Igreja com rosto amazônico
O último capítulo, o mais denso, é dedicado “mais diretamente” aos pastores e aos fiéis católicos e se concentra no “sonho eclesial”. O Papa convida a “desenvolver uma Igreja com rosto amazônico” através de um “grande anúncio missionário” (61), um “anúncio indispensável na Amazônia” (62-65).
Para o Santo Padre, não é suficiente levar uma “mensagem social”. Esses povos têm “direito ao anúncio do Evangelho”; do contrário, “cada estrutura eclesial transformar-se-á em mais uma ONG”. Uma parte consistente é dedicada ainda à inculturação. Retomando a Gaudium et spes, fala de “inculturação (66-69) como um processo que leva “à plenitude à luz do Evangelho” aquilo que de bom existe nas culturas amazônicas.
Uma renovada inculturação do Evangelho na Amazônia
O Papa dirige o seu olhar mais profundamente, indicando os “Caminhos de inculturação na Amazônia”. (70-74). Os valores presentes nas comunidades originárias, escreve, devem ser valorizados na evangelização. E nos dois parágrafos sucessivos se detém sobre a “inculturação social e espiritual” (75-76). O Pontífice evidencia que, diante da condição de pobreza de muitos habitantes da Amazônia, a inculturação deve ter um “timbre marcadamente social”. Ao mesmo tempo, porém, a dimensão social deve ser integrada com aquela “espiritual”.
Os Sacramentos devem ser acessíveis a todos, especialmente aos pobres
Na sequência, a Exortação indica “pontos de partida para uma santidade amazônica” (77-80), que não devem copiar “modelos doutros lugares”.
Destaca que “é possível receber, de alguma forma, um símbolo indígena sem o qualificar necessariamente como idolátrico”. Pode-se valorizar, acrescenta, um mito “denso de sentido espiritual” sem necessariamente considerá-lo “um extravio pagão”. O mesmo vale para algumas festas religiosas que, não obstante necessitem de um “processo de purificação”, “contêm um significado sagrado”.
Outra passagem significativa de Querida Amazônia é sobre a inculturação da liturgia (81-84). O Pontífice constata que já o Concílio Vaticano II havia solicitado um esforço de “inculturação da liturgia nos povos indígenas”.
Além disso, recorda numa nota do texto que, no Sínodo, “surgiu a proposta de se elaborar um «rito amazônico»”. Os Sacramentos, exorta, “devem ser acessíveis, sobretudo aos pobres”. A Igreja, afirma evocando a Amoris laetitia, não pode se transformar numa “alfândega”.


Bispos latino-americanos devem enviar missionários à Amazônia
Relacionado a este tema, está a “inculturação do ministério” (85-90) sobre a qual a Igreja deve dar uma resposta “corajosa”. Para o Papa, deve ser garantida “maior frequência da celebração da Eucaristia”. A propósito, reitera, é importante “determinar o que é mais específico do sacerdote”.
A resposta, lê-se, está no sacramento da Ordem sacra, que habilita somente o sacerdote a presidir a Eucaristia. Portanto, como “assegurar este ministério sacerdotal” nas zonas mais remotas? Francisco exorta todos os bispos, especialmente os latino-americanos, “a ser mais generosos”, orientando os que “demonstram vocação missionária” a escolher a Amazônia e os convida a rever a formação dos presbíteros.
Favorecer um protagonismo dos leigos nas comunidades
Depois dos Sacramentos, Querida Amazonía fala das “comunidades cheias de vida” (91-98), nas quais os leigos devem assumir “responsabilidades importantes”. Para o Papa, com efeito, não se trata “apenas de facilitar uma presença maior de ministros ordenados”. Um objetivo “limitado” se não suscitar “uma nova vida nas comunidades”. São necessários, portanto, novos “serviços laicais”. Somente através de “um incisivo protagonismo dos leigos”, reitera, a Igreja poderá responder aos “desafios da Amazônia”.
Para o Pontífice, os consagrados têm um lugar especial e não deixa de recordar o papel das comunidades de base, que defenderam os direitos sociais, e encoraja em especial a atividade da REPAM e dos “grupos missionários itinerantes”.
Novos espaços às mulheres, mas sem clericalizações
Francisco dedica um espaço à força e ao dom das mulheres (99-103). Reconhece que, na Amazônia, algumas comunidades se mantiveram somente “graças à presença de mulheres fortes e generosas”. Porém, adverte que não se deve reduzir a Igreja a “estruturas funcionais”. Se assim fosse, com efeito, teriam um papel somente se fosse concedido a elas acesso à Ordem sacra.
Para o Pontífice, deve ser rejeitada a clericalização das mulheres, acolhendo, ao invés, a contribuição segundo o modo feminino, que prolonga “a força e a ternura de Maria”. Francisco encoraja o surgimento de novos serviços femininos, que – com um reconhecimento público dos bispos – incidam nas decisões para as comunidades.
Os cristãos devem lutar juntos para defender os pobres da Amazônia
Para o Papa, é preciso “ampliar horizontes para além dos conflitos” (104-105) e deixar-se desafiar pela Amazônia a “superar perspectivas limitadas” que “permanecem enclausuradas em aspetos parciais”. O quarto capítulo termina com o tema da “convivência ecumênica e inter-religiosa” (106-110), “encontrar espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum”. “Como não lutar juntos? – questiona Francisco – Como não rezar juntos e trabalhar lado a lado para defender os pobres da Amazônia”?
Confiemos a Amazônia e os seus povos a Maria
Francisco conclui a Querida Amazônia com uma oração à Mãe da Amazônia (111). “Mãe, olhai para os pobres da Amazônia – é um trecho da sua oração –, porque o seu lar está a ser destruído por interesses mesquinhos (…) Tocai a sensibilidade dos poderosos porque, apesar de sentirmos que já é tarde, Vós nos chamais a salvar o que ainda vive”.

FONTE: https://www.vaticannews.va/pt.

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COMO TRATAR OS PAIS QUE PROCURAM CATEQUESE PARA SEUS FILHOS PEQUENOS? CATEQUESE NELES!

Cada vez mais as famílias procuram a Igreja para catequese de crianças pequenas que ainda não tem idade para iniciar a catequese "formal". São crianças de 3 até os 7 ou 8 anos, idade em que a maioria das paróquias oferece a 1ª Etapa.
Isso vem - infelizmente! - do fato de que as crianças estão indo para a escola cada vez mais cedo. Então, procuram também a catequese. E da catequese fragmentada que os pais receberam que fez muitos "catequizados" e não evangelizados".
Só que o processo catequético deve ser uma "iniciação a vida cristã", não uma "escolinha" ou "creche" para deixar os livros no final de semana. E a iniciação nesta idade deve, mais ainda do que as demais, fugir do conceito"aula", "teoria". Isso porque as crianças precisam entender que a catequese não é "mais uma" ocupação, aula ou curso que elas precisam fazer. E cuidado com a idade das crianças! Aos três, quatro anos, as crianças tem que contar com o exemplo dos pais, PRIMEIROS CATEQUISTAS! A catequese não é creche e muito menos os catequistas são babás.
Aqui quero passar algumas considerações nossas feitas ao longo de mais de 10 anos de catequese nas paróquias e também pensando a catequese como INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ:
  • A catequese nesta etapa (pré) deve ser de INICIAÇÃO à fé, feita de momentos lúdicos e interessantes e, COMPLEMENTADA pela catequese (formação) que os pais dão em casa. 
  • A "pré-catequese", "catequese infantil", "sementinha" ou o nome que se dê, pode acontecer sim. É uma caminhada importante para a criança pequena. Mas, lembre sempre: Envolva os pais nesta fase da  catequese infantil! 
  • Ela não é, e não deve ser nunca, uma "terceirização" da primeira catequese que é dever dos pais. Aprender as primeiras orações, o Santo Anjo, o conceito de "Papai do céu", o ser "bom", perdoar, repartir... é uma coisa que a família precisa trabalhar em primeiro lugar. Se  os pais tem deficiência nesta área, não sabem como iniciar os filhos, a primeira coisa a fazer é trazê-los para catequese junto com a criança. Eles precisam mais de catequese que as crianças!
  • Outra coisa, crianças nesta idade não precisam ter "pontos", ou seja, "conteúdos" formais. É uma fase em que elas estão começando a entender a vivência em comunidade e estão conhecendo Jesus. Nada de formalidades, conteúdos explicados em papel. 
  • Esqueça por exemplo de "explicar" a missa por enquanto; ou explicar a Bíblia e como esta se divide; evite falar da doutrina da Igreja, ainda é cedo pra isso. Trabalhe as várias parábolas de Jesus e histórias que envolvam a sua caminhada. Apresente Jesus como um "amigo", um "protetor. Elas precisam de atenção, carinho, aconchego: Jesus é essa imagem, do amigo que não abandona, que estará sempre ali por mais que ela não veja. Relacione Deus com a família, com os pais, com aqueles que elas amam e que a protegem.
  • Com relação à missa, peça às crianças para sempre que forem com os pais, "escutar" as histórias de Jesus que são contadas lá. No encontro, use muito canto, brincadeiras, dinâmicas e orações espontâneas. 
  • A ludicidade e o aprender da criança por imagens deve ser levada em consideração. Mas, veja bem, faça isso NO ENCONTRO! A missa não é lugar de encenação, brincadeira e dinâmica, ela precisa ser "celebrada" como é. Trata-se de um Rito milenar e importante da nossa fé, que precisa de respeito. Qualquer coisa que for feita que altere o Rito, fere a Liturgia da Igreja. E a missa tem adultos também, que não estão ali para ouvir teatrinho.
  • Se quer relacionar a catequese à missa dominical, faça um itinerário relacionado aos evangelhos do domingo, assim, elas vão relacionando o que veem na catequese com o que escutam na Igreja (catequese/liturgia). 
  • Use, nos encontros, leituras bíblicas numa linguagem que elas entendam, pois na Igreja as leituras são de difícil compreensão pra elas. Confie que seu padre (se a missa é com crianças também), saberá fazer uma homilia condizente. Saberá chamar os pequenos, abençoá-los e dirigir-se a eles na hora certa. Nada, nada mesmo, deve chamar a atenção na missa, mais do que Jesus e o padre que o representa nesta hora.
  • Oriente-se sobre o conteúdo da catequese de Eucaristia e Crisma, aquela que a criança fará na idade condizente. O catequista de pré-catequese PRECISA saber o que acontece nas fases posteriores (formais). A catequese formal tem um processo gradual e contínuo de conteúdos a serem trabalhados. Não "antecipe" conteúdos, as crianças terão tempo para aprofundar o ensino da fé. Agora, elas precisam de anúncio, querigma, apaixonar-se por Jesus e sua mensagem. Precisam "gostar" de estar ali, na Igreja, saber que estão se encontrando com "alguém" especial: Jesus.
  • Didaticamente e pedagogicamente falando, crianças nesta idade não tem capacidade de percepção do abstrato,ou seja, daquilo que elas não podem ver e tocar, use muita imagem e exemplos que elas conheçam, que elas consigam relacionar ao seu cotidiano. Não tente fazê-las "sentir" a "mistagogia" da fé porque elas não conseguem. 
  • Jesus precisa ser mostrado como uma "pessoa", que existiu, teve uma família e fez as coisas que eles fazem, mas, que é especial, diferente, pois veio para tirar as coisas ruins do mundo, mostrar a beleza da natureza, do ser humano e do que é ser "bom". 
  • "Acolha" as crianças. Ensinar conteúdos é para a catequese mais madura, quando eles estiverem preparados.
  • Sugiro ainda, que seja adquirido um livro/manual de catequese Infantil para orientar os encontros. As editoras: Vozes, Paulinas, Paulus, Saraiva, Ave Maria, etc.; tem ótimos manuais. Se puder, vá até uma livraria católica e olhe os vários livros que o mercado oferece e veja qual pode ser adequado à sua realidade.
Mas, o que é, realmente, que devemos fazer com esta legião de famílias, pais, que trazem seus pequenos à Igreja buscando catequese?

Uma resposta me passa a cabeça cada vez com mais força, nestes tempos em que falamos de IVC - Iniciação à Vida Cristã, onde percebemos adultos com uma fé infantil e fragilizada...
CATEQUESE NELES!

Não é sempre que temos essa oportunidade, de ter os pais, a família, ali na nossa frente, procurando a Igreja e a FÉ! Precisamos ENVOLVÊ-LOS! Não pegar só as crianças e mandá-los para casa. É difícil? Complicado? É. Mas, evangelização nunca foi fácil. Os primeiros discípulos morreram por ela.
Mas, vamos pensar em soluções!

Há alguns anos iniciamos um projeto numa das paróquias em que estive em Londrina. Eu chamei de "Catequese Iniciática". Um projeto ousado de envolver os pais das crianças que buscavam a paróquia. E tive apoio das minha queridas amigas catequistas, principalmente da Rosa Toffolo, minha companheira de "etapa" e da Cláris Romero, minha coordenadora. 

Os dois párocos que estiveram lá nesta época nunca pisaram no centro catequético pra ver o que a gente fazia... O encontro acabava e os pais,a vós, irmãos e crianças - a família toda era convidada para passar 50 minutos conosco -  iam pra missa no domingo. Nunca receberam um "bem-vindos" do padre, por mais que eu insistisse nisso. Não relato isso para desabafar ou falar mal do padre. Conto para que os catequistas não percam a coragem e a persistência e desanimem na primeira dificuldade.

Este projeto era uma "pré-catequese" que buscava envolver a família antes do início do ano catequético e das primeiras etapas. Não durava muito, de 2 a 3 meses no máximo. E envolvia o período da Quaresma, um Tempo mais que mistagógico. Mas, aqueles 12, 13 encontros faziam uma enorme diferença na vida dos pais. Relembrávamos a catequese que eles tiveram, ou não tiveram, e fazíamos um novo "querigma" nos corações adormecidos. Lembro-me de um pai me dizendo que nunca soube porque a estola e a toalha da Igreja mudavam de cor...



 O tema "Bíblia", como manuseá-la, conhecê-la, AT, NT... nós fazíamos com a família, com os pais, para que soubessem ensinar os filhos. A Entrega solene da Bíblia, no começo da 1ª Etapa era um momento esperado com ansiedade pelos pais (que faziam a entrega aos filhos) e celebrado com intensidade. 

É indescritível a alegria dos pais em conhecer muita coisa sobre a nossa fé e nossa Igreja.

Enfim... A IVC precisa ser pensada mais com os adultos do que com as crianças. Os pais precisam de Iniciação mais do que os filhos. Não "consertaremos" anos de indiferença com relação à fé, fazendo catequese somente com as crianças, ainda mais se forem pequeninos. Precisamos mais do que uma hora por semana, precisamos de envolvimento na vida das pessoas. Jesus não pode ter "hora marcada" no cotidiano das pessoas. Precisa ser lembrado, celebrado e VIVIDO as 24 horas do dia, em todas as nossas ações.

Ângela Rocha
Catequistas em Formação

* Mais informações sobre a catequese iniciática e roteiros, na nossa apostila CATEQUESE FAMILIAR, que pode ser adquirida em arquivo digital por R$ 30,00. Contato: whats (41) 99747-0348.