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quarta-feira, 3 de abril de 2024

ANTIGO OU NOVO TESTAMENTO? POR ONDE COMEÇAR A CATEQUESE?



Esta discussão ainda é recorrente na catequese. Por mais que a nossa catequese seja “Cristocêntrica” ainda há quem acredite que a catequese deve começar com a Criação, lá em Gênesis, seguindo a Bíblia com as alianças, reis, juízes e profetas.

Ocorre que, como primeiras etapa da catequese de inspiração catecumenal, o início da catequese deveria ser um querigma, um primeiro anúncio. Começamos "apresentando" Jesus ao catequizando, fazendo-o "acolher" Jesus em seu coração, expondo as razões para se acreditar nele, mostrando as ações Dele nos Evangelhos. Numa segunda etapa, apresentar Jesus, de onde Ele veio, o porquê acreditamos na Salvação num processo de conversão gradual. Para seguir Jesus é preciso então saber "de onde Ele veio", o que fez com que Deus mandasse seu filho para viver como homem entre nós? 

Para que isso aconteça, é preciso conhecer a história da salvação contida no Antigo Testamento. Jesus é uma promessa divina de salvação. É o messias tão esperado. Por isso aprendemos “a quem seguir” cuja história começa na criação e nos patriarcas, se estendo a criação de Israel com seus juízes, reis e profetas. 

Depois, numa terceira etapa vem o conhecimento da Igreja fundada pelos apóstolos, os sacramentos, a liturgia, costumes, tradições, ou seja, ali é que se "adere" realmente à causa maior de Jesus, o "Reino de Deus". É trabalhando na comunidade ajudando aos outros e sendo discípulo missionário que se adere de verdade à fé. 

Jesus veio para fazer uma "Revelação": que somente por Ele se chega ao Pai. É por meio dos ensinamentos de Jesus que chegamos ao Pai, bondoso, amoroso, que perdoa e cura. Se começarmos a catequese pelo Antigo testamento, que Deus os catequizandos conhecerão primeiro? Aquele Deus dos patriarcas, exigente e que castiga o homem pelos seus erros, muitas vezes, até sem piedade. Será que é este Deus que converte? Não seria melhor primeiro aprender de Jesus o quanto o Pai é bom e só depois conhecer a caminhada do povo escolhido? Claro que o Antigo Testamento é muito importante, pois Jesus veio para dar continuidade a história do “povo de Deus”.

Alguns catequistas acham que é inútil falar em Antigo Testamento na catequese, principalmente às crianças, que não entendem o Deus do Antigo testamento. Inútil não é de forma alguma! É preciso, no entanto, dar "foco" ao antigo Testamento, à luz da Igreja de hoje, do mundo de hoje, da pedagogia de hoje. 

Por exemplo, ao falar do Gênesis, valorizar a criação, a natureza, os animais e os homens criados por Deus. Ao citar os patriarcas estamos falando de um povo "escolhido" por Deus, de Abraão, de Moisés, que deixaram tudo que tinham por "confiança" em Deus; Juízes, reis, como as várias tentativas de se juntar um povo em torno de uma mesma fé; e os profetas como aqueles que vinham preparando o caminho para a chegada do Messias. Tudo tem importância. Claro que algumas leituras são mesmo muito difíceis de entender e podem ser deixadas para quando houver mais maturidade por parte do catequizando. 

Lembro aqui a questão dos Diretórios Catequéticos da Igreja Católica, que colocam as seguintes premissas a serem ensinadas na catequese: A História da Salvação, a História de Jesus e a História da nossa Igreja.

No DGC (Item 85, 1997) encontramos: 

 “(...) Aquele que encontrou Cristo deseja conhecê-Lo o mais possível, assim como deseja conhecer o desígnio do Pai, que Ele revelou. O conhecimento da fé (fides quae) é exigência da adesão à fé (fides qua). Já na ordem humana, o amor por uma pessoa leva a desejar conhecê-la sempre mais”. Ao falar do uso da Bíblia nas pastorais, o papa João Paulo II lembra que a catequese tem como primeira fonte a Escritura que, explicada no contexto da Tradição, fornece o ponto da partida, o fundamento e a norma de ensinamento catequético (DNC, 108).

 Sobre as bases da catequese, além das quatro colunas da fé, que são: os Mandamentos (Bem-aventuranças), Credo, Pai Nosso e Sacramentos, acrescente-se:

(...) a dimensão narrativa da História da Salvação, com suas três etapas, que provêm da Tradição patrística (o Antigo Testamento, a vida de Jesus Cristo e a História da Igreja). O Diretório Geral para a Catequese fala de “sete pedras fundamentais, base tanto do processo da catequese de iniciação como do itinerário contínuo do amadurecimento cristão” (DNC 130; DGC 128).

A questão de se colocar o “Novo” antes do “Antigo”, deixa de ser um aspecto de “ordem” para se  tornar uma das premissas da evangelização, que deve ser Cristocêntrica, ou seja, centrada em Cristo, conforme preceitua o documento Catequese Renovada (CR 94-95):

95. 1º - A unidade do conteúdo da Catequese se faz ao redor da pessoa de Jesus Cristo. É o CRISTOCENTRISMO da Catequese, (...) ilustrado pelo Papa João Paulo II no capítulo I da Catechesi Tradendae (nº 5-9).

96. Cristocentrismo significa não só que Cristo deve aparecer na Catequese como a chave, o centro e o fim do homem, bem como de toda a História humana (GS 10), mas que a adesão à sua pessoa e à sua missão, e não só a um núcleo de verdades, é a referência central de toda a Catequese (cf. EN 22).

97. O Cristocentrismo também exige que, na apresentação de temas ou na vivência de experiências particulares, a Catequese evidencie sua relação com o centro de tudo, Cristo.

 

Desta forma, a catequese em seu princípio e fim, deve se centralizar na pessoa de Jesus Cristo,  no anúncio (querigma) de sua missão entre nós, a Salvação. E ainda, no DNC encontramos entre as características da catequese renovada, o seguinte: 

d) Catequese cristocêntrica: conduz ao centro do Evangelho (querigma), à conversão, à opção por Jesus Cristo que nos revela o Pai, no Espírito Santo (dimensão trinitária), e ao seu seguimento. A catequese está a serviço da pessoa humana em sua situação concreta (dimensão antropológica). Por isso ela educa para a vivência do mistério d’aquele que revelou o homem ao homem, o novo Adão, Jesus Cristo. É uma catequese cristológica com dimensão antropológica, que leva a uma antropologia com dimensão cristológica. (DNC 13, d).

Assim sendo, colocar o Novo Testamento (Evangelhos) antes do Antigo coloca primeiramente a pessoa de Jesus, como alguém a ser conhecido pelas suas características e propósitos e só depois, colocar sua genealogia, sua história como herdeiro da fé e “filho” de Deus, verbo feito carne.

Claro que não é “errado” iniciar a catequese pelo tema da Criação, mas, a opção por se iniciar com o “querigma”, tem se tornado uma exigência do mundo hodierno, onde já não se herda da família os rudimentos da fé e os próprios pais não tiveram um querigma adequado.

Ângela Rocha - Catequista – Graduada em Teologia pela PUCPR

 

 


 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

E A CATEQUESE, COMO VAI?

 

Vai começar a caminhada catequética de 2021... E a de 2020 a gente mal conseguiu começar.

Já temos tem um "mapa" para seguir?? Temos orientações? Temos ITINERÁRIO CATEQUÉTICO?

O setor ou a diocese já enviou orientações? O pároco já convocou uma reunião com os catequistas (dá pra fazer reunião onilne...)

Vamos lembrar o que é “Catequese”?

“A Catequese é em processo dinâmico e abrangente de educação da fé, um itinerário, e não apenas uma instrução.” (CR 282).

E o que seria afinal esse “Itinerário”?

Numa definição genérica, itinerário é a descrição de um trajeto a ser percorrido.

Por exemplo: uma empresa de ônibus urbanos ao definir o itinerário de determinada linha, indica todos os pontos de parada do ônibus desde o início até o fim da linha. A esta indicação dá-se o nome de itinerário. Já um itinerário de turismo é um pouco mais elaborado: é um artigo que descreve uma rota por vários destinos ou atrações, dando sugestões de onde parar, o quê ver, como preparar-se, etc. Se a gente considerar os destinos como pontos em um mapa, o itinerário descreve uma linha que conecta os pontos.

Agora vamos considerar esta palavra na CATEQUESE:

“Um Itinerário Catequético é um círculo mais ou menos prolongado de encontros que integra uma ou várias temáticas (etapas, módulos, blocos) do mistério dentro do processo. Neste itinerário se inclui os conteúdos, as celebrações litúrgicas, a catequese mistagógica, a integração entre a comunidade e o compromisso apostólico.” (Definição dada no itinerário Catequético da Arquidiocese de Londrina, 2012). Eu acrescentaria aqui ainda a dimensão família.

Isso significa que um itinerário é um PLANEJAMENTO, um mapa, um guia do caminho a ser percorrido. No caso da catequese, ele prevê objetivos a serem atingidos, conteúdos que serão explanados, ações transformadoras que se pretende e as dimensões celebrativas que darão suporte à catequese mistagógica.

Só que, estamos em tempo de isolamento social...

Como fazer a catequese "acontecer"? Ou pelo menos, não "morrer'?

Vamos lembrar um pouquinho das tarefas da catequese:

- Ensinar dos conteúdos de CONHECIMENTO DA FÉ (temas e formação bíblica);

- Integrar a catequese nas celebrações litúrgicas: LITURGIA (missas, entrega de símbolos, retiros, orações, Via sacra...);

- Proporcionar vivência comunitária (família, comunidade, festas, eventos...);

- Incentivar a dimensão missionária, exercer o "mandato" profético do seu batismo (compromisso apostólico).

O PRIMEIRO item acima, até pode ser colocado "a distância", podemos pensar, afinal, conteúdo é mais "teoria", por que não usar dos meios digitais para expor? Mas, aí acontece um porém: onde fica a interação entre os iniciantes, as famílias com a comunidade? Como "entrar" para uma comunidade sem conhecê-la? A Igreja de Jesus Cristo está em todo lugar, mas, tem um Templo, um lugar "físico" onde as pessoas se reúnem.

O que nos leva ao SEGUNDO item: Como celebrar a liturgia, a reunião do povo de Deus, por meios “remotos” ou “online”? A mistagogia da fé, prescinde de simbologia. É preciso aguçar os sentidos: o olhar, a escuta, o cheiro, o tato, o gosto. A celebração da missa é toda simbólica. Uma missa "online" jamais vai substituir a missa presencial. E mais importante de tudo: a EUCARISTIA. Como fazê-la "virtual"?

Agora vamos ao terceiro tópico: VIVÊNCIA COMUNITÁRIA. O "encontro" entre as pessoas sempre foi e será importante para o ser humano: a mímica, o gesto, o olhar, o abraço, o aperto de mão, são necessários. Como não considerar estes aspectos quando se fala de relacionamento humano?

Por fim, o compromisso final da evangelização: engajamento e MISSÃO. "Pois não podemos deixar de falar de tudo quanto vimos e ouvimos!” (At 4, 20). É nosso compromisso cristão evangelizar o outro e levar a Palavra de Salvação a todas as criaturas.

A CATEQUESE, como "processo de ensino da fé", engloba estes e outros aspectos em sua missão. Não há como tornar este processo um evento "tecnológico", mediado por cabos e conexões. Assim como o relacionamento humano, a catequese pode ser "online" na medida em que é complementar, meio de integração, contato; mas, nunca deve usada como meio de comunicação principal.

Agora eu volto a perguntar:

QUAIS ORIENTAÇÕES VOCÊS RECEBERAM DOS SEUS PÁROCOS? SUAS DIOCESES JÁ SE POSICIONARAM?

OS CATEQUISTAS DA BASE ESTÃO SENDO OUVIDOS?

COMO FORAM AS EXPERIÊNCIAS DE 2020?

 

Ângela Rocha

Catequistas em Formação


Comentários recebidos:

1. Arquidiocese de Londrina – Pr, até agora muda e calada como foi praticamente todo o ano passado 

2. Aqui nada de nada. São Miguel Paulista – Sp.

3. Arquidiocese de Mariana - Sp, não deu nenhuma orientação. Com o aumento da covid e preciso esperar um pouco. 

4. Começando as movimentações na minha Paróquia com o apoio de nosso pároco, no entanto aguardando as orientações da Diocese de Jacarezinho – Pr. 

5. Recebemos uma comunicação do nosso assessor da pastoral Catequética – Diocese de Imperatriz - Ma: 
Caros coordenadores e coordenadoras! Hoje pude conversar com Dom Vilsom sobre o retorno da Catequese. A nossa situação no Brasil em relação à pandemia ainda é grave, com um número alto de mortes por dia e os números crescendo em várias regiões. Por isso, e tendo em vista que em breve deve começar a campanha de vacinação, não haverá mudanças no protocolo da Diocese pelo menos até a Páscoa. No final de fevereiro haverá a reunião do clero e nela será discutido sobre isso. A partir deste ano a Crisma retornará a ser celebrada pessoalmente pelo Bispo Diocesano e, portanto, apenas depois da vacinação. Dom Vilson orientou que a Primeira Comunhão seja celebrada também apenas depois da vacinação. Por isso, peço a todas as coordenações paroquiais que não comecem inscrições para a Catequese enquanto não forem dadas as novas orientações sobre a mudança do Protocolo. Permaneçamos unidos na fé! 

6. Na Arquidiocese de Curitiba foi dada orientações em manter a Catequese nas Casas, com os pais, nas comunidades que deram início, que deem continuidade ao processo. Sacramentos a serem realizados com os devidos cuidados e com a quantidade necessária de catequizandos para se manter o distanciamento. Para as comunidades que optaram em parar deverão se organizar da melhor forma em consonância com o Pároco. Catequese online não é catequese, não usar esse meio. Salienta a importância dos Pais nesse processe e dos Catequistas no incentivo. Esse ano ainda, o IAFFE, Instituto de Formação na Fé, irá viabilizar formação remota. Nossa Arquidiocese ainda tem um canal de formação no Youtube e sempre tem oferecido conteúdos referente aos documentos da catequese e da Igreja. Estamos bem amparados na Graça de Deus! 




sexta-feira, 23 de março de 2018

LANÇAMENTO!!! APOSTILA ITINERÁRIO CATEQUÉTICO

OLHA A NOVIDADE!!!




FORMAÇÃO BÁSICA PARA CATEQUISTAS - MODULO III: “Itinerário Catequético”

CONTEÚDO:
Apresentação
01 – Itinerário Catequético: o que é?
TEXTO DE APOIO - Lugares privilegiados de catequese
02 – Orientações sobre o itinerário Catequético
TEXTO DE APOIO - Um processo de inspiração catecumenal
TEXTO DE APOIO - Lugares e organização da Catequese – Cap. 8º DNC.
04 – IVC - Iniciação à Vida Cristã
TEXTO DE APOIO - Documento de Aparecida - itens 286 a 300
04A – Começando a “desenhar” o mapa
04B – Preparando-se para caminhar - Métodos
TEXTO DE APOIO – As sete pedras fundamentais da Catequese
05 – Destinatários/Interlocutores da catequese
06 – Catequese com jovens, adolescentes e crianças
07 – A Família no DAp e no DNC
08 - A catequese e a comunidade
TEXTO DE APOIO – O Itinerário no DNC
09 – Formação de Catequistas
10 – Construção dos conteúdos da catequese

ANEXOS (opcional):

Nós construímos para você conforme a organização da sua catequese...

- Roteiros temáticos para a Catequese de Eucaristia
- Roteiros temáticos para catequese de Crisma
- Roteiros temáticos para catequese de perseverança
- Roteiros temáticos para pré-catequese (antes dos 9 anos)
- Roteiros temáticos para catequese de adultos

OBS. Os roteiros são apenas de TEMAS (leituras bíblicas sugeridas, doutrina, liturgia), não acompanha o desenvolvimento do encontro. 

* Para que seja construído o temário é necessário informar a quantidade de etapas e de encontros de cada etapa: Eucaristia, crisma, pré-catequese e perseverança, adultos.


Consulte os valores pelo e-mail:





sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

COMEÇA 2018... VOCÊ JÁ TEM SEU ITINERÁRIO CATEQUÉTICO?

 

Estamos iniciando um novo ano, que não precisa exatamente, ser um " novo ano catequético". A catequese deve acompanhar o ano LITÚRGICO, mas, voltamos das férias e recesso do final de ano. Vamos planejar 2018?

ITINERÁRIO CATEQUÉTICO: O QUE É?

“A Catequese é em processo dinâmico e abrangente de educação da fé, um itinerário, e não apenas uma instrução. ” (CR 282).

O que seria afinal esse “Itinerário”?

Numa definição genérica, itinerário é a descrição de um “trajeto a ser percorrido”. Por exemplo: uma empresa de ônibus urbanos ao definir o itinerário de determinada linha, indica todos os pontos de parada do ônibus desde o início até o fim da linha. A esta indicação dá-se o nome de ITINERÁRIO. Já um itinerário de turismo é um pouco mais elaborado: é um artigo que descreve uma rota por vários destinos ou atrações, dando sugestões de onde parar, o quê ver, como preparar-se, etc. Se a gente considerar os destinos como pontos em um mapa, o itinerário descreve uma linha que conecta os pontos.

AGORA VAMOS CONSIDERAR ESTA PALAVRA NA CATEQUESE.

“Um Itinerário Catequético é um circulo mais ou menos prolongado de encontros que integra uma ou várias temáticas (etapas, módulos, blocos) do mistério dentro do processo. Neste itinerário se inclui os conteúdos, as celebrações litúrgicas, a catequese mistagógica, a integração entre a comunidade e o compromisso apostólico. ” Eu acrescentaria ainda a dimensão família.

Isso significa que um itinerário é um PLANEJAMENTO extenso, um mapa, um guia do caminho a ser percorrido. No caso da catequese, ele prevê objetivos a serem atingidos, conteúdos que serão explanados, ações transformadoras que se pretende e as dimensões celebrativas que darão suporte à catequese mistagógica.  

Assim temos que, uma simples instrução, é chegar e expor o conteúdo, sem ligação ou compromisso com as ações transformadoras e com a dimensão litúrgica da catequese, não se envolve a comunidade ou a família.
Em contraponto: o ITINERÁRIO prevê as consequências do que se ensina, na vida e na missão do catequizando, como isso será percebido e colocado em prática.

Falando mais na prática, um itinerário catequético PRECISA observar os seguintes pontos:
ü  Primeiro observar a quem ele se destina (crianças, adolescentes, jovens, adultos, deficientes...);
ü  Em seguida ver os objetivos da catequese (Sacramentos, formação cristã...);
ü  Verificar por fim, o tempo que demanda esta ação e a preparação dos “guias” (catequistas, introdutores) que irão trabalhar na condução do processo. Só aí então, construir o “roteiro/itinerário”, observando o seguinte:
- Conteúdos (temas e formação bíblica);
- Celebrações litúrgicas e mistagógicas (missas, entrega de símbolos, retiros, orações, Via sacra...);
- Vivencia comunitária (família, comunidade, festas, sociedade);
- Dimensão missionária (compromisso apostólico).

Enfim, o ITINERÁRIO descreve o que se fará, EFETIVAMENTE, para se trabalhar o processo catequético, o "como" chegar a cada um dos objetivos (pontos), que se pretende, ou seja, o ensino da fé e a vivência cristã na Igreja.

O PORQUÊ DO ITINERÁRIO CATEQUÉTICO?

Um pouco difícil de entender, o itinerário muitas vezes é visto somente como um “roteiro” ou um “planejamento” de encontros semana a semana. Mas, ele é muito MAIS do que isso.

Em princípio ele contempla os OBJETIVOS da catequese, que é, em primeira instância, “aprofundar” a fé e os conhecimentos da Igreja adquiridos juntos à primeira “formação” que o cristão recebe, ou seja, a fé que a família passa, os conhecimentos e a tradição herdados da família. Isso porque, para haver “catequese”, pressupõe-se um “anúncio” anterior e uma “conversão”. No entanto, observa-se que isso nem sempre acontece, ou então, esta “fé herdada” é fragmentada ou infantil.

Está aí o porquê da nossa Igreja estar insistindo na catequese pelo processo catecumenal, a IVC. Mas, isso é um assunto para mais tarde. Vamos falar agora do que diz nossos documentos.

A CATEQUESE COMO PROCESSO EDUCATIVO

Como já dissemos anteriormente, a catequese NÃO É UM SIMPLES PLANEJAMENTO de encontros semanais. Ela precisa primeiramente de um “método”.

O método da catequese é fundamentalmente o caminho do seguimento de Jesus (cf. Marcos; Mt. 16,24; Lc 9,23; Jo 14,6 etc.). A Catequese Renovada coloca como base e referência para a pedagogia da fé o “princípio metodológico da interação entre fé e vida”, e assim o descreve:

“Na catequese realiza-se uma interação (= um relacionamento mútuo e eficaz) entre a experiência de vida e a formulação da fé; entre a vivência atual e o dado da Tradição. De um lado, a experiência da vida levanta perguntas; de outro, a formulação da fé é busca e explicitação das respostas a essas perguntas. De um lado, a fé propõe a mensagem de Deus e convida a uma comunhão com Ele; de outro, a experiência humana é questionada e estimulada a abrir-se para esse horizonte mais amplo” (CR, n. 89; cf. 92-98).

Essa confrontação entre a formulação da fé e as experiências de vida possibilita uma formação cristã mais consciente, coerente e generosa. Não se trata tanto de um método, quanto de um princípio metodológico, que perpassa todo conteúdo da catequese.

Textos e manuais dão orientações práticas de como operacionalizar o princípio de interação entre fé e vida, sugerindo um novo modo de organizar o processo catequético: não mais como os tradicionais planos de aulas, mas através de um roteiro de atividades evangélico-transformadoras. É um ITINERÁRIO educativo, que vai além da simples transmissão de conteúdos doutrinais desenvolvidos nos encontros catequéticos. Esses roteiros contemplam um processo participativo de acesso às Sagradas Escrituras, à liturgia, à doutrina da igreja, à inserção na vida da comunidade eclesial e a experiências de intimidade com Deus. ”

Por isso o ITINERÁRIO! Para que possamos traçar um CAMINHO de ensino da fé que perpasse toda a vida do catequizando e não somente os conteúdos bíblicos e doutrinais. O itinerário VAI MUITO ALÉM DE UM ROTEIRO DE TEMAS A SEREM TRABALHADOS!

* Cf. CR (Catequese Renovada)135-136 e 157-158; TM (Textos e manuais – Estudo 53 – CNBB) 125-136 e 189-195.


ITINERÁRIO CATEQUÉTICO: O QUE PRECISA CONTER?



Não podemos esquecer que a catequese é um processo, por isso exige programação sistemática e progressiva.

Para que isto aconteça o catequista necessita planejar um ITINERÁRIO CATEQUÉTICO!

Com:
         Objetivos (Aonde se quer chegar)
         Conteúdos (Temas)
         Ações Transformadoras
         Dimensões celebrativas
         Envolvimento das Famílias
         Envolvimento da comunidade
         Compromisso apostólico

E pensando mais:
         Quanto tempo deve durar um encontro?
         Quanto tempo deve durar a catequese?
         Qual a idade ideal para se começar?
         Que conteúdos serão trabalhados?
         Que ações serão realizadas?
         Como será envolvida a dimensão celebrativa, litúrgica? Os sacramentos?
         Como será envolvida a família?
         Como se envolverá a comunidade na catequese?
     E o Calendário paroquial? E os eventos, festas e celebrações DA comunidade? Como envolver os catequizandos?
         Como instigar o compromisso missionário?

Por isso pergunto: VOCÊS TÊM, DE FATO, UM ITINERÁRIO PARA A CATEQUESE??

Um catequista não pode trabalhar sem planejamento, sem saber para onde ir e o que fazer, qualquer lugar serve

Ângela Rocha
Catequista



segunda-feira, 29 de maio de 2017

ADOTAR LIVRO PARA O CATEQUIZANDO OU NÃO?

Muitas comunidades paroquiais, usam um livro ou manual como subsídio para a catequese. E as coleções mais conhecidas tem o “Livro do catequista” e o “Livro do Catequizando”. Mais recentemente algumas coleções apresentam o “Livro da Família, ainda não tão conhecido e utilizado. Há quem adote os livros “Do Catequista” e “Do Catequizando”, há quem só adote o do catequista, há quem não adote nenhum, há quem use os livros somente como subsídio pessoal, enfim...

Vamos falar um pouco sobre o Manual de Catequese!

Quem dera a resposta fosse tão simples quanto a pergunta! "Adotar livro para o catequizando ou não?" é uma coisa difícil de responder sem examinar o contexto e a realidade catequética paroquial.

Adotar um manual como subsídio para os encontros, depende de inúmeros fatores: A começar pela realidade da paróquia/comunidade e pela formação do catequista; depois vem as fases ou etapas em que os catequizandos estão, suas idades, sua capacidade cognitiva. Depois vem o "Qual livro usar?"; em seguida: “A paróquia tem um Itinerário? ” e ainda "O catequista consegue trabalhar sem o livro?"... E por aí vai.

Só não concordo com uma colocação que já li em várias posições que defendem o não uso de um manual: "Que no processo de catequese catecumenal o livro não tem razão de ser". GENTE! Cuidado. Será que vocês sabem mesmo como é o processo de catequese catecumenal? Será que IVC está sendo implantada em sua comunidade? Vocês já ouviram falar no “Didaqué”? É um LIVRO de CATEQUESE dos primeiros séculos da Igreja onde se vivia a catequese catecumenal em sua plenitude. Não é porque a catequese é vivencial, experiencial e bíblica que ela deixa de ter conteúdo doutrinal e conteúdo da Tradição de fé da nossa Igreja.

Assim como a Bíblia e a mensagem Cristã, o conteúdo doutrinal também é base da nossa catequese, os dois juntos formam a base do Cristão. Um bom itinerário também envolve:  liturgia, orações, atividades educativas, comunitárias e missionárias. O que não pode acontecer é o catequista se fixar exclusivamente no conteúdo de um livrinho, sem expandir a catequese para seu aspecto vivencial, sem dar “vida” aos ensinamentos bíblicos.

E também é bom lembrar que as crianças que estão na faixa etária dos 7 aos 11 anos, têm um aprendizado mais visual. Esta crianças precisam de imagens para aprender (figuras, pintura, colagem), exercícios de repetição (orações); o ensino é mais didático, mais lúdico. É bom ter material de apoio. Nas primeiras etapas da catequese é complicado não utilizar algum material didático/pedagógico devido às características cognitivas da idade.

Alguns catequistas podem entender que o livro sugere uma "catequese escolar”. Não concordo com este posicionamento. De forma alguma o livro sugere uma catequese escolar ... a não ser que o catequista faça uma "catequese escolar"! Os livros proporcionam atividades complementares ao encontro, além de gerarem uma "economia" tanto ao catequista, que muitas vezes acaba reproduzindo material impresso com seus próprios recursos; quanto para a paróquia, que não terá que fotocopiar material para os catequistas. A questão é SABER USAR o livro. Ele não engessa se o catequista não se “imobilizar”, buscar complementos para enriquecer os temas, criar novas possibilidades de “ensinar” o conteúdo de fé.

É muito mais preocupante quando me dizem que estão "fazendo" material por si mesmos do que quando usam algum subsídio. Os subsídios, por mais que às vezes não contemplem a realidade da comunidade, são feitos por profissionais com conhecimento de catequética, pedagogia, psicologia, didática, etc.; que utilizam o apoio das ciências para elaborar os livros. O livro não é uma "amarra", muito pelo contrário, traz os conteúdos a serem trabalhados de forma esquematizada, contínua, e é uma grande ajuda ao catequista. Além de trazer os temas, ele dá pistas do que trabalhar e sugere formas de abordagem. Quase todos os catequistas que usam os manuais, procuram enriquecer seus encontros com atividades lúdicas, além daquelas descritas, assim como podem ter o discernimento de usar ou não determinada atividade.

E me preocupa também, quando leio que o método usado é o da "IVC" ou o da "Leitura Orante". A IVC é um "processo" muito mais amplo do que um método.

Da mesma forma, a “Leitura Orante” é um método de LEITURA DA BÍBLIA, considerando-a nos seus aspectos de oração e meditação, e não um método “catequético”. Mesmo porque, há que se considerar o fato de que a leitura orante com as crianças precisa ser trabalhada de forma diversa da qual se trabalha com adultos. Você pode e deve usar a leitura orante, mas, dentro da compreensão dos seus interlocutores, dentro dos “momentos orantes” do seu encontro. Não se pode extinguir a doutrina da catequese. O CIC é o "depósito da nossa fé", a interpretação e a compreensão da doutrina católica. Que não deve ser considerada foco principal, mas, necessária. Então, além da Bíblia, da leitura orante, a catequese precisa estar integrada com a doutrina e a tradição da Igreja Católica.

Só lembrando uma passagem do DNC:

"A catequese não é uma supérflua introdução na fé, um verniz ou um cursinho de admissão à Igreja. É um processo exigente, um itinerário prolongado de preparação e compreensão vital, de acolhimento dos grandes segredos da fé (mistérios), da vida nova revelada em Cristo Jesus e celebrada na liturgia (...); implica um longo processo vital de introdução dos cristãos ainda não plenamente iniciados, seja qual for a sua idade, nos diversos aspectos essenciais da fé cristã. Trata, de forma sistemática, de um todo elementar e coerente, que forneça base sólida para a caminhada ‘rumo à maturidade em Cristo’. (CNBB, Diretório Nacional de Catequese, nº. 37 e 38).

Será que um "livro" de catequese não é necessário para que possamos dar esta dimensão à catequese? O manual ou livro pode trazer esta dimensão, sem comprometimento do conhecimento necessário ao catequista e do tempo do encontro.

Mas, tem o livro do catequista! Não precisa do Livro do Catequizando. Só que estão abolindo este e substituindo-o por cadernos, anotações, diários, portfólios, ou seja lá qual for o nome. Qual a diferença? Aliás, que tempo precioso do nosso encontro semanal se perde se as crianças precisam "copiar" alguma coisa!

Mesmo o portfólio, que é um recurso didático para o catequizando registrar suas experiências fora da catequese, fazendo a interação fé e vida, lembra as "aulas" da escola. Trabalho há mais de 10 anos com as 3 primeiras fases da catequese (8 a 12 anos), e acredito que a prática do portfólio pode ser usada, dependendo das características da turma. Tive mais resultados indiferentes do que positivos. A maioria das crianças não "replica" o encontro com a família e não faz as atividades. Isso porque, na maioria dos casos, a prática religiosa não faz parte de suas vidas cotidianas. Uma prática mais eficaz para estabelecer a conexão fé e vida é a "contação de histórias". Tanto da parte do catequista, que trará seu exemplo de vida, quanto da parte dos catequizandos. Eles sempre vêm ao encontro com a "bagagem" do que viveram ao longo da semana. As crianças amam "contar" suas histórias de vida: o que fizeram, o que aconteceu de diferente. Isso nos dá "gancho" para muita interação com a fé.

Sobre a IVC e sua interação com o manual

A catequese de Iniciação à Vida Cristã, vital hoje para a Igreja, visa uma formação integral do cristão. É um processo onde está presente a dimensão celebrativa e litúrgica da fé; a conversão para atitudes e comportamentos cristãos; e o ensino da doutrina. 

A inspiração catecumenal remonta ao início da Igreja e leva a uma catequese em quatro tempos: o pré-catecumenato (anúncio e adesão), o catecumenato (catequese - ensino sistematizado dos conteúdos), o tempo da purificação e iluminação (preparação aos sacramentos), a celebração dos sacramentos da iniciação (Batismo, Confirmação e Eucaristia), o tempo da mistagogia (inserção na comunidade). São tempos pré-definidos que, se não acontecem nas comunidades, não está se fazendo ainda a IVC catecumenal. Inserir ritos e celebrações de entrega de símbolos na catequese, NÃO É PRATICAR A IVC. A comunidade e todo processo catequético precisa estar permeado pelas práticas de iniciação catecumenal. Precisamos ir mais a fundo neste assunto numa outra hora.

Como adaptar o manual à realidade da sua comunidade

Pessoalmente, por ter experiência e formação catequética, sou capaz de trabalhar a catequese sem um livro, mas, da 1ª a 3ª Etapa, utilizo os subsídios sugeridos pela Arquidiocese, tanto do catequista quanto do catequizando. Nem sempre utilizo as atividades do livrinho na quando na 3ª Etapa. Nesta, construo o roteiro baseado no tema do livro, enriqueço o encontro com outras atividades e outras abordagens, mas, os catequizandos o tem para saber "por onde andamos". O fato de haver um livro economiza bastante meu tempo e o tempo do encontro, pois preciso de atividades pedagógicas com as crianças. 

Já na catequese crismal, considero dispensável o livro do catequizando, utilizo somente do catequista. Isso porque o adolescente pode chegar ao encontro só com o celular da mão e deve ser sempre bem-vindo. Nesta fase, na catequese de crisma, a psicopedagogia é outra e os conteúdos são "reforço" da catequese de eucaristia. O livro é opcional e muitas vezes os crismandos nem o querem.

Uma coisa que se faz URGENTE, é a CRIAÇÃO DE ITINERÁRIOS para a catequese da comunidade/paróquia. E ITINERÁRIO não é só PLANEJAMENTO com datas e temas de encontros a serem trabalhados durante o ano. É muito mais complexo que isso. LEMBRANDO: Um itinerário PAROQUIAL, precisa de orientações DIOCESANA para ser construído. Os temas a serem trabalhados na catequese não são assuntos a ser "inventados" pelos catequistas, precisam obedecer às instruções do Bispo e sua equipe.

Assim, quando a equipe de catequese senta para fazer um itinerário, o apoio de um subsídio/ manual é fundamental. No livrinho estão os encontros com os temas sugeridos e atividades pedagógicas. A equipe pode analisar quais são os encontros necessários, adaptar ao tempo litúrgico, inserir as celebrações, a dimensão orante, comunitária e missionária.

Com o itinerário, o catequista terá um "mapa" do caminho a percorrer. E o livrinho/manual, será somente uma "garrafinha de água" que ele vai beber quando tiver sede, e não o "carro que ele vai subir" quando não quer caminhar. Só entregar os livros do Catequista e do Catequizando nas mãos do catequista não resolve. Vamos sempre continuar discutindo aqui se a gente "usa ou não usa", se o catequista consegue ou não fazer o encontro sem ele. Então, pelo lado "formativo" que o catequista costuma ter na nossa Igreja antes de assumir uma turma (quase nenhum!); pela carência de recursos materiais disponibilizados pela paróquia (o catequista paga muita coisa do próprio bolso); pela falta de planejamento e discussão de um itinerário; pelo "disfarce" de IVC que se está dando à catequese... Eu sou a favor de se usar livro para o catequista e para o catequizando.

Este meu “sou favorável” ao uso de livro/manual de catequese, se prende, sobretudo, à realidade da comunidade/paróquia onde o catequista está inserido. Hoje há uma confusão miserável em tudo: leitura orante na catequese, IVC, itinerário, planejamento, uso de dinâmicas, tempo litúrgico... E o catequista se pergunta aí no meio: como usar tudo isso, quando, onde? O que faço? O que coloco no encontro? Qual método é adequado?

Aí vem outra questão fundamental da nossa catequese:

Qual a formação de nossos catequistas? Como se organizam as dioceses e paróquias a nível de formação?

O grupo de catequistas de uma paróquia/comunidade é continuamente renovado. Além da rotatividade de pessoas, há um percentual muito grande de jovens, o que é muito bom, mas falta um pouco de “experiência” e prática. De outro lado, há catequistas de longa caminhada, alguns aceitam se renovar constantemente, já outros permanecem na catequese do passado e rejeitam as formações. A carência de formação é sempre constante, repete-se os princípios básicos e os temas de formação quase sempre voltam. Avança-se muito pouco numa formação continuada.

Uma amiga formadora me disse que é uma tarefa árdua formar o grande contingente de catequistas, arejar cabeças, ler documentos, estimular aprendizado novo... E eu concordo com ela. Não é nada fácil, começar sempre da base: voltar sempre ao “Ser, saber, saber fazer”, e ter olhos renovados para cada coisa. A maioria dos nossos catequistas sequer chega ao conhecimento básico para criar um roteiro de encontro sozinhos. Como então, nos vemos nesta questão de não usar um manual?

Para não usar um livro ou manual, o próprio catequista precisa "ser" um livro. Precisa de uma bagagem e de conhecimentos que muitas vezes não possui. Então,  a pergunta que fica é: Estamos proporcionando formação para isso?

Ângela Rocha

Equipe Catequistas em Formação


Obs.: Que fique claro que as opiniões deste artigo são pessoais, da autora. Não tenho o objetivo de privilegiar ou criticar este ou aquele livro/manual. Cabe às comissões paroquiais e aos catequistas analisar se o uso deste ou daquele material, está de acordo com o contexto em que sua comunidade está inserida, sempre seguindo as orientações de sua diocese. Por mais que se tenha "adotado" um manual específico, o uso e a consulta a vários manuais, longe de prejudicar à catequese, ajuda muito a prática do catequista.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

ASPECTOS CENTRAIS DA FORMAÇÃO DE CRIANÇAS NA CATEQUESE

O QUE colocar na catequese de crianças???  Não é uma pergunta muito fácil de responder em se tratando de um país continental como o nosso.

Mas, vamos aqui tentar simplificar um pouco as coisas. Primeiro que nós temos as orientações do DGC (128 -130) e também DNC (130), que estabelece em linhas gerais os "pilares" da catequese. Você pode ver isso em nossas publicações antigas aqui e no blog:


Continuando... Vejamos ainda, em que as nossas crianças devem ser "educadas" ou preparadas:
Primeiro a catequese deve EDUCAR para a ORAÇÃO. E esta oração deve ser PESSOAL, COMUNITÁRIA e LITÚRGICA.

- Como PESSOAL, ela deve ensinar a falar com Deus, a ver em Deus um Pai, em Jesus um amigo. E aí, além da oração que cada um pode e deve fazer, vem as orações tradicionais: Santo Anjo, Ave Maria, Pai Nosso.
- Como COMUNITÁRIA, vem a oração com a comunidade: Profissão de fé, Via sacra, Adoração, Terço, momentos fortes do ano litúrgico (Quaresma, Natal), novenas, procissões.
- Como LITÚRGICA, vem a participação na missa, nas celebrações eucarísticas e da Palavra

Em segundo lugar temos o ACOLHIMENTO NA COMUNIDADE. Fazer com que a criança sinta-se "parte" da comunidade orientando e incentivando a participação em: corais, grupos de canto, coroinhas, acólitos, Infância Missionária, etc.
Em terceiro lugar vem a CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA. Desde pequenos eles podem ser "discípulos", falar ao outro sobre sua fé, espalhar a Palavra e a boa nova. Para isso, o catequizando precisa entender a sua responsabilidade como batizado. Uma excelente catequese sobre o batismo é prioritária e precisa ser feita sempre, guardando as devidas idades e capacidade de discernimento.
Em quarto lugar temos a INICIAÇÃO AO CORRETO USO DA SAGRADA ESCRITURA. E daí vem o conhecer a Bíblia, manusear a Bíblia e entender a Palavra. Aqui uma leitura orante da Palavra, ADAPTADA ás crianças e jovens é muito frutífera.
E tudo isso precisa ser feito CUIDANDO DA APRESENTAÇÃO DOS CONTEÚDO, com adaptação da linguagem e simplificação de conceitos. No entanto, esta simplificação precisa de qualidade teológica. E para entender isso o catequista precisa de boa formação e criatividade. Uma mera infantilização em nome da "mentalidade infantil" é um erro teológico grave que pode causar uma crise de fé no futuro. Assim como o excesso de "regras" e "normas" pode levar a uma compreensão equivocada da religião.
A catequese, como ação básica da Igreja, estende-se pela vida afora. É preciso respeitar o "tempo" de cada um, principalmente das crianças, sem querer "despejar" nelas crianças todo o conteúdo doutrinário da nossa Igreja, que só um adulto é capaz de entender.
Fiquemos atentos então para o que diz o item 233 do DNC:
"233. A catequese é um ato essencialmente eclesial. Não é uma ação particular. A Igreja se edifica a partir da pregação do Evangelho, da catequese e da liturgia, tendo como centro a celebração da Eucaristia. A catequese é um processo formativo, sistemático, progressivo e permanente de educação da fé. Promove a iniciação à vida comunitária, à liturgia e ao compromisso pessoal e com o Evangelho. Mas prossegue pela vida inteira, aprofundando essa opção e fazendo crescer no conhecimento, na participação e na ação."
Não queira, portanto, que a criança "aprenda" tudo de uma vez. Lembre que você a está "iniciando" na fé, junto com a iniciação que a família e a comunidade também proporcionam. Devagar com o andor. O sacramento nunca é o "fim", ele é um rito de passagem que marca etapas vencidas e o começo de uma nova vida a cada uma das nossas crianças que, fortalecidos, se tornarão os discípulos de amanhã.

Publicado no Grupo de Discussões
20 de dezembro de 2015