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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A PÁSCOA E SUAS MUDANÇAS NO CALENDÁRIO


"Quem é o que celebra a Páscoa, senão quem crê Naquele que padeceu na terra, para reinar com Ele no céu?"
(Santo Agostinho)

Origens da Páscoa

Muitos povos antigos tinham por costume comemorar o fim do Inverno e o início da Primavera com festas durante as noites iluminadas pela Lua Cheia. A primeira noite de Lua Cheia, após a entrada da Primavera, era para eles uma noite especial.

Foi durante a noite, numa dessas comemorações, que ocorreu o Pessah (passagem, em hebraico), relatado na Torah dos hebreus e no Antigo Testamento da Bíblia Cristã. Foi quando o anjo da morte passou sobre o Egito e todos os primogênitos dos não hebreus foram mortos. A esse acontecimento, seguiu-se a libertação dos hebreus do Egito, liderados por Moisés. A comemoração da data da Pessah (passagem), que viria a dar origem à Páscoa dos cristãos, foi diretamente ordenada por Deus a Moisés.

Na tradição Cristã, a Páscoa é igualmente importante, pois quando Jesus retornou a Jerusalém para participar das comemorações do Domingo da Pessah (Páscoa), foi capturado e, depois, crucificado, tendo morrido na sexta-feira e ressuscitado no domingo. Alguns historiadores relatam que a ressurreição de Jesus se deu na lua cheia da primavera (no nosso caso, hemisfério sul, no outuno).

A Páscoa, como festa cristã comemorativa da Ressurreição de Jesus Cristo, foi instituída pela Igreja Católica somente no ano 30 d.C. e, originalmente, coincidia com a Páscoa (Pessah) dos hebreus.

Já, o Carnaval tem sua origem ligada à Páscoa Cristã. Às vésperas da Quaresma, prestes a passar 40 dias sem comer carne, os povos antigos instituíram uma festa para fartarem-se o quanto pudessem durante 3 dias com comidas, bebidas e, é claro, de carne.

A palavra “carnaval” provavelmente tem origem na expressão latina “Carne Vale”, que significa que “se pode comer carne”. O Carnaval (originalmente) começa no domingo, a exatos 49 dias antes do Domingo de Páscoa, termina na Terça-Feira Gorda, à véspera da Quarta-Feira de Cinzas, quando começa a Quaresma.

A Páscoa no calendário

Primeiramente a Páscoa Cristã, coincidia com a Páscoa Judaica. Mas com a instituição do calendário Juliano começaram a ocorrer algumas diferenças, uma vez que o calendário cristão é diferente do calendário judaico. O calendário cristão é solar (baseado na movimentação da Terra em volta do Sol). O calendário judaico é lunissolar: os meses são baseados nos ciclos da lua, mas as estações do ano no movimento solar, nele o ano pode ter 12 ou 13 meses, dependendo do ciclo.

Como a Páscoa Judaica passou a não coincidir com a Páscoa Cristã, a igreja,  para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C,  definir a data relacionada a uma Lua imaginária, conhecida como a "Lua eclesiástica", uma série de projeções da posição da lua feita pelos estudiosos da época.

Com isso, surge uma variabilidade decorrente da precisão da lua cheia eclesiástica. A situação melhorou com a entrada do calendário gregoriano, mas a coincidência entre a lua teórica e a real ainda não é perfeita. Por tudo isso, é que a data da Páscoa pode variar entre 22 de março e 25 de abril, e a do carnaval caminha junto com ela, fixada sempre sete domingos antes.

O dia da Páscoa cristã, que marca a ressurreição de Cristo, de acordo com o  decreto do Papa Gregório XIII instituído 1582, (seguindo o concílio de Nicéia), é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março ou 22 de março, época em que ocorre o equinócio de Primavera (ou de outono no hemisfério sul) e consequentemente a mudança da estação (equinócio é o ponto da órbita da terra em que se registra igual duração do dia e da noite).

Esse fenômeno ocorre no dia 21 de março e no dia 23 de setembro. Lembrando que, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas, que, sem levar totalmente em conta o movimento complexo da Lua, pode ser calculada e está próxima da lua real.

Com relação a Páscoa Judaica (Pessah), ela ocorre 163 dias antes do ano novo judaico, na primeira lua cheia da primavera do hemisfério norte. No calendário judaico cada mês (que podem ser de 29 ou 30 dias) se inicia com a lua nova. Comparado com o calendário gregoriano (solar), ocorre a cada ano uma diferença de aproximadamente 11 dias. Para compensar essa diferença a cada ciclo de 19 anos acrescenta-se um mês inteiro (Adar II) em sete destes anos. Essa adaptação acontece, também, para que a Páscoa judaica sempre aconteça na Primavera (hemisfério norte), já que as estações do ano obedecem ao ciclo solar. Os anos que possuem treze meses, no calendário judaico, são chamados de Embolísticos. Pelo calendário judaico estamos no ano de 5.774, da criação do mundo e o ano novo se dará em setembro/outubro.  Complicado isso, né?

Normalmente a Páscoa judaica é próxima da Páscoa Cristã. Este ano a Páscoa cristã será no dia 20 de abril e a Páscoa Judaica, dia 15 para 16 de abril.

Interessante é que, há mais de 1600 anos, os sábios do Talmude (coletânea de livros sagrados que contem as leis judaicas), que não contavam com o auxílio de computadores, calculadoras ou outros aparelhos sofisticados, deixaram por escrito o cálculo das datas do calendário judaico até o ano 6000 da Criação do mundo, que corresponde a 30 de setembro de 2.239.

Festas móveis do calendário Cristão

Para calcular a data da Páscoa para qualquer ano no calendário Gregoriano (o calendário civil), usa-se uma fórmula matemática bastante complicada.  Essa fórmula é do astrônomo francês Jean Baptiste Joseph Delambre (1749-1822). Um dado importante é que a fórmula calcula a data da Páscoa a partir de 1583, ano em que foi instituído o calendário gregoriano.

Fixado, assim, a festa da Páscoa para determinado ano, todas as outras festas também se movem desde a septuagésima (65 dias antes da páscoa) até o Corpus Christi. A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa e, portanto, a Terça-Feira de carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa.  Vamos ver o calendário das principais festas até o ano de 2020:

Ano
Cinzas
Paixão
Páscoa
Ascenção
Pentecostes
Corpus Christi
2014
05/03
18/04
20/04
01/06
08/06
19/06
2015
18/02
03/04
05/04
17/05
24/05
04/06
2016
10/02
25/03
27/03
08/05
15/05
26/05
2017
01/03
14/04
16/04
28/05
04/06
15/06
2018
14/02
30/03
01/04
13/05
20/05
31/05
2019
06/03
19/04
21/04
02/06
09/06
20/06
2020
26/02
10/04
12/04
24/05
31/05
11/06

Todos esses cálculos e projeções parecem confusos, mas vale lembrar que a Festa da Páscoa além de ser uma tradição milenar, é a festa da Ressurreição, da passagem da morte para a vida, da escravidão para liberdade e é interessante que todos os povos a comemoram juntos (ou o mais próximo possível).

Antecipadamente eu desejo: Uma feliz Páscoa a Todos!

Angela Rocha
angprr@gmail.com

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

sábado, 14 de fevereiro de 2015

AS SETE PEDRAS FUNDAMENTAIS DA CATEQUESE

SUSTENTAÇÃO DA FÉ... 

Vamos lá... Vamos tentar destrinchar esse negócio das SETE PEDRAS FUNDAMENTAIS da catequese...

Certo dia eu escutei na missa que a paróquia precisava de catequistas. Eu já tinha ajudado a catequese várias vezes mas, como agente da pastoral da comunicação. Ajudando a arrumar ambientes, apresentações, slides, fazendo jornal, impressos, etc... Mas nunca me toquei, nem mesmo quando meus filhos a freqüentavam, O QUE AFINAL A CATEQUESE ENSINAVA ou deveria ensinar. Não me orgulho em confessar, mas, para mim, fazia-se catequese como uma “obrigação” para fazer a primeira comunhão. Foi assim comigo. Quanto a Crisma, fui crismada aos dois anos...

Então eu fui à paróquia ser catequista. “Mas o que é que eu faço?” Graças ao bom Deus naquela paróquia davam sempre uma turminha de primeira etapa aos catequistas... Senão, sei lá que estragos eu poderia ter feito... A resposta a minha pergunta foi um: “Siga estes roteiros.” E me deram um “manual”. E comecei a seguir o dito cujo...

Mas, no final do meu segundo ano como catequista, aquilo começou a me intrigar... De onde, afinal, a Igreja tirava a necessidade de ensinar aquelas coisas? E com isso fui me informando e assim, me formando...

Primeiro eu descobri que havia um DIRETORIO GERAL PARA A CATEQUESE: O DGC, criado em 1997 pelo Vaticano, mais especificamente pela Congregação para o Clero. Este DIRETÓRIO substituiu o DCG (Diretório Catequético Geral)de 1971, criado por orientação do CONCILIO VATICANO II.  Ambos fazendo parte daquilo que chamamos de MAGISTÉRIO DA IGREJA.

E com base neste último, no DGC de 1997,  a CNBB se reuniu em 2005 e criou o NOSSO. O diretório tupiniquim, brasileiro. Que chamamos carinhosamente de DNC, Diretório Nacional de Catequese. O próprio DGC orienta que cada Igreja particular construa o SEU diretório, orientado às suas realidades e especificidades. E em setembro de 2006, a Congregação para o Clero e a Congregação para a Doutrina da fé, instâncias maiores da nossa Igreja, aprovaram o texto do nosso diretório, publicado em 2006. Lembrando que no ano seguinte,  aconteceu no Brasil a V Conferência do CELAM, em Aparecida, cujo texto conclusivo também é de suma importância para a catequese do Brasil.

Mas vamos voltar as nossas pedras fundamentais... O texto do DGC as cita, por coincidência, no ITEM 130, também.

Agora vamos ao nosso DNC, no item 129 e 130...

129. Na mensagem cristã, há uma hierarquia de verdades e de normas, segundo a diversidade de seu nexo com o fundamento da fé cristã (cf. UR 11, 3). Algumas são mais fundamentais que outras. Seguindo as grandes linhas do Catecismo da Igreja Católica e seu Compêndio, podemos resumir assim o conjunto das verdades que professamos em nossa fé:

a)  crer em Deus, uno e trino, pai, filho e Espírito Santo, em seu mistério de Salvação; (O símbolo, Creio)
b)  celebrar o mistério pascal nos sacramentos, que têm o Batismo e a Eucaristia como centro; (sacramentos)
c)  viver o grande mandamento do amor a Deus e ao próximo, buscando a santidade; (Bem- aventuranças e os mandamentos).
d)  rezar para que o reino de Deus se realize. (Oração do Pai Nosso).

Ora, o que vemos aqui como fundamento da fé cristã? 

1 - Acreditar em Deus e no mistério da Salvação, PORTANTO, professar o CREDO: “Creio em Deus pai todo poderoso...”;
2 – Celebrar o mistério nos sacramentos, PORTANTO, batismo e eucaristia que se celebra na LITURGIA;
3 – Viver o mandamento do amor, PORTANTO, seguir os conselhos das bem-aventuranças e obedecer  aos 10 mandamentos;
4 – Rezar, PORTANTO, orar como Jesus nos ensinou, a oração do Pai-Nosso.

Estas são, portanto, as QUATRO primeiras colunas da fé, as quatro bases primeiras do que se deve ensinar na catequese: CREIO; SACRAMENTOS; MANDAMENTOS E BEM-AVENTURANÇAS; e a oração do PAI NOSSO.

Não é isso que “ensinamos” aos nossos catequizandos??

Agora vamos ao item 130:

130. Esses conteúdos se referem à fé crida, celebrada, vivida e rezada, e constituem um chamado à educação cristã integral (cf. DGC 122). A estas quatro colunas da exposição da fé que provêm da tradição dos catecismos (o símbolo, os sacramentos, as bem-aventuranças-decálogo e o Pai-nosso), deve-se acrescentar a dimensão narrativa da História da Salvação, com suas três etapas, que provêm da Tradição patrística (o Antigo Testamento, a vida de Jesus Cristo e a História da igreja). O Diretório Geral para a Catequese fala de “sete pedras fundamentais, base tanto do processo da catequese de iniciação como do itinerário contínuo do amadurecimento cristão” (n. 130; cf. 128).

Aqui nos é orientado a acrescentar à nossa catequese, a dimensão NARRATIVA da História da Salvação, ou seja,  as TRÊS ETAPAS que provem da tradição dos antigos santos padres:

1 – Antigo Testamento,
2 – Vida de Jesus (Novo testamento);
3 – História da Igreja (magistério, tradição).

E não é isso que fazemos em todos os nossos encontros?  

Lemos a Bíblia.Contamos a História da Salvação que começa na criação e segue com a primeira aliança de Deus com Noé, passa por Abraão, Moisés e chega, finalmente, na “nova e eterna aliança” celebrada por Jesus Cristo na última  ceia... E a esta dimensão acrescentamos os aspectos da Tradição: devoção aos santos, devoção Mariana, terços, costumes; e o que ensina e prescreve o magistério da Igreja em seus documentos, entre eles, os diretórios catequéticos.

SETE PEDRAS FUNDAMENTAIS:

1 - SÍMBOLO (CREIO)
2 –SACRAMENTROS
3- BEM AVENTURANÇAS
 E  MANDAMENTOS;
4 –  PAI NOSSO
4







+
1 – Antigo Testamento,
2 – Vida de Jesus (Novo testamento);
3 – História da Igreja (Tradição, Magistério)

3






=


PEDRAS FUNDAMENTAIS


7


Esta é, portanto, a BASE DO PROCESSO DA CATEQUESE DE INICIAÇÃO E DO ITINERARIO CONTÍNUO DO AMADURECIMENTO CRISTÃO!

Mas, vejam só:

É só a BASE... E não todo o processo! Em cima dela é que construímos o edifício CRISTÃO!

Aqui estamos falando, exclusivamente, do processo de ENSINO da fé. Não estamos excluindo a importância do QUERIGMA e nem da PALAVRA, ou seja, da Bíblia como mensagem de conversão. Ensina-se a doutrina e a tradição, somente depois que cada um fez a sua experiência pessoal de encontro com Jesus Cristo. E talvez seja essa a fonte dos nossos maiores problemas: estamos tentando colocar colunas, sustentáculos, em terreno que não está firme!

Ângela Rocha

angprr@gmail.com.br

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CORAÇÃO DE CATEQUISTA - ENTREVISTA

CORAÇÃO DE CATEQUISTA

Nome completo: ANGELA ROCHA
Idade: 48 anos
Paróquia: N. Sra. Rainha dos Apóstolos – Shangri-lá – Londrina PR
Tempo de catequista: 09 anos
Agente da Pascom, Catequista e formadora de catequistas com Especialização em Catequética pela Faculdade Vicentina de Curitiba –Pr.

I. Fale um pouco de sua vida:
    1.   Por que quis se tornar catequista?

Na verdade eu não quis, foi mais ou menos como Elias: me escondi numa “caverna” o máximo que pude, mas, chegou uma hora que não dava mais... rsrsr... Comecei minha missão pastoral aos 34 anos na Pastoral da Comunicação.
E considero que meu chamado foi para “profetizar” não exatamente como catequista, mas, como comunicadora . Comecei na Pascom e fui para a catequese porque nossa Igreja é cheia de nuances que só Jesus entende ... digamos que a catequese veio como uma “brisa” em minha vida.

II. Algumas perguntas:
1.   O que é ser catequista?

É ser mais que “ser de Deus”... é ser do mundo e das pessoas que vivem nele,  é ser, de certa forma, co-responsável pelos filhos de Deus. Algumas pessoas dizem que é ser profeta, anunciador, educador da fé... eu diria que é ser a “voz” de Deus e a ação de Deus entre os homens e mulheres.
Para isso o catequista precisa ter consciência de que só se “comunica” pela boca, aquilo que sai do coração e é aprimorado pelo intelecto.

2.   Quais os principais desafios de um catequista?

Hoje os desafios são os mesmos que dos primeiros profetas, só que, em diferentes contextos. Tal qual os primeiros apóstolos, o evangelizador se vê num mundo aparentemente hostil, mas cheio da “necessidade” de fé, de transcendência. As pessoas andam perdidas pelo caminho, e a Palavra é entendida como resposta para tudo, só que no mundo de hoje, precisamos pensar o Evangelho como “pergunta”. Temos nos dedicado demais a dar respostas a perguntas que ninguém faz, o Papa Francisco na EG, afirma isso. O ser humano precisa “se perguntar” mais: A que veio? Qual é sua missão aqui? O que se espera dele? Recentemente li uma entrevista em que o Pe. Antonio Spadaro, pergunta: “O homem de hoje tem necessidade de perguntas. A Igreja sabe envolver-se com as dúvidas e as perguntas dos homens? Sabe despertar as perguntas que estão no coração deles sobre a existência?”.
Sem que o catequista entre em diálogo com o catequizando, compreenda suas expectativas e suas esperanças, entenda suas motivações e conheça o contexto em que ele vive, não há evangelização. E aqui eu falo de um catequizando com maturidade para entender os aspectos da fé, não de crianças.
Penso que o maior desafio, hoje, para a catequese ainda é deixar o “conteúdo” de lado e partir para o “relacionamento”. Deixar de pensar no sacramento como “fim” e fazê-lo acontecer como “etapa” na caminhada de conversão e seguimento. O catequista de hoje precisa pensar em evangelizar o adulto muito mais do que a criança. Ela não é mais educada na infância pelo testemunho dos pais, já não vivemos mais um cristianismo de “berço”, existe pluralidade religiosa dentro até de uma mesma família.
3.   Como a catequese é vista e compreendida pelos pais? Como é feito o encontro dos pais e catequese?

Com raríssimas exceções, os pais pensam a catequese como uma “escola” onde se ensina o “catecismo” e se recebe a primeira comunhão (com poucas chances de se receber uma segunda) e o sacramento da Crisma, de preferência no menor tempo possível. Na verdade, é essa a catequese que receberam e o modelo que conhecem.

A catequese nem sempre é entendida como um processo gradual e contínuo, que se prolonga por toda vida. Ela é fragmentada: com algumas noções de oração dada pelos mais velhos, normalmente os avós, na infância; uma catequese entre os 9 e 13/14 anos para os sacramentos da Eucaristia e Crisma; a volta à Igreja quando se pretende o matrimônio e depois quando se deseja batizar o filho e, finalmente, um retorno bem superficial ao trazer os filhos à catequese. Isso faz com que não haja um comprometimento dos pais com relação à educação na fé dos seus filhos.

Quantos aos encontros com os pais temos que mudar o conceito de “reunião” que muitos ainda têm. É difícil trazer os pais à Igreja para um encontro, para a missa. Infelizmente temos pouca participação dos pais na catequese dos filhos, o papel da família como “primeira catequista” tem deixado a desejar. A catequese, como “segunda” etapa da evangelização, tem tomado para si a “primeira” (anúncio/querigma) também... etapa esta que caberia aos pais e ao contexto social que a criança ou adolescente está inserida: família, avós, escolinha infantil, amizades.

Estamos agora vivendo um tempo em que a evangelização precisa atingir, não tanto as crianças, como os pais, os adultos. Existe um grande esforço da Igreja em retomar o modelo Catecumenal de Iniciação à Vida Cristã, reevangelizando e trazendo de volta aqueles que receberam uma catequese ao estilo “cursinho para receber sacramento”, no entanto ainda há uma longa caminhada nesse sentido, que começa pela conscientização e formação do próprio clero e dos agentes de pastoral. Algumas paróquias tem tentado a experiência da catequese familiar e a inserção do modelo catecumenal na catequese com as crianças e adolescentes.

4.   Como o catequista traduz a teologia catequética – presente em tantos documentos bonitos da Igreja – em linguagem que se preste à comunicação com os catequizandos?

Esse é um assunto bastante delicado. Nos processos formativos com os catequistas eu vejo muita gente com anos de caminhada, que não conhece, por exemplo, os documentos do Papa. O próprio Diretório de Catequese – DNC, com quase 10 anos, ainda é desconhecido por muitos catequistas. O Catequese Renovada, marco da catequese no Brasil, com mais de 30 anos, é ainda uma surpresa para muitos.
E assim, o catequista conta, na verdade, com sua própria interpretação das Escrituras Sagradas, sem base teológica. Quase não temos estudos bíblicos. Ele se apoia, quase sempre, nos conteúdos de manuais, em roteiros já construídos, sem um estudo aprofundado dos temas. Posso dizer, sem medo de errar, que não existe exatamente uma teologia catequética “traduzida” numa linguagem que o catequista entenda e possa, desta forma, levar para o seu “fazer” catequético e comunicar aos seus catequizandos. È mais uma prática daquilo que vêm sendo feito pela geração anterior sem muito questionamento.

5.   Como a catequese deve falar realmente ao coração das pessoas?

Pelo testemunho da “experiência de Deus”. Eu diria que ela “fala” exatamente como “deve”... rsrrrs... Pela ação do Espírito Santo, presente na vida e no testemunho de tantas pessoas. Vemos tanta carência de formação e apoio que é surpreendente que ainda existam tantas pessoas dispostas a assumir o papel de catequista nas paróquias. Aqui eu parafraseio Ir. Nery: a catequese só resiste mesmo na Igreja, por absoluta “rebeldia do Espírito Santo”. Penso que, se fosse aliada a essa “rebeldia” - que aqui troco por “disposição” - um empenho verdadeiro da Igreja em formar seus agentes, teríamos uma catequese bem mais eficaz.

6.   O que é preciso ter além da formação?

Aqui podemos citar o tripé da metodologia catequética: SER, SABER e SABER FAZER. Antes de aprender, adquirir conhecimentos que embasem  o “ensinar” a fé, o catequista precisa SER uma pessoa de fé, testemunhar com sua vida e exemplo a fé em Jesus Cristo e a pertença na Igreja instituída por Ele e construída pelos seus discípulos. É preciso Vocação e Dom, sem essas coisas a catequese se transforma em mera transmissão de doutrina. O catequista precisa mostrar a “experiência de Deus” em sua vida e uma intimidade com a Palavra, além dos conhecimentos que adquire nas formações.

7.   Como educar para o amor, transmitindo valores humanos e cristãos, nesse mundo plural e fragmentado?

Relacionamentos. Não tenho outra palavra. Precisamos conhecer e entender as pessoas e nos tornarmos mais “disponíveis” a elas. Não vamos transmitir valores e nem “ensinar” a amar sem amarmos aqueles que nos são confiados. E não apenas a eles como seres independentes. Eles vêm de uma família que precisa ser conhecida, entendida e amada. Apesar de sermos tão plurais em nossas crenças, atitudes e valores, somos seres oriundos de um mesmo Criador e temos as mesmas necessidades: amor, reconhecimento, atenção e aceitação das nossas diferenças e erros.

E há que se considerar também, nestes tempos em que a tecnologia e as informações dominam praticamente todos os espaços, que o catequista precisa estar no meio digital também. È neste mundo que as pessoas estão vivendo e “convivendo” mais uns com os outros. Temos agora o desafio de evangelizar na era da cultura digital. Nesse sentido, o mundo pede uma Nova Evangelização voltada para mais um espaço que toma forma na vida das pessoas, cada vez mais.

Entrevista para matéria da

Revista Digital Sou Catequista – 6ª Edição 

OS DOCUMENTOS DO PAPA

Afinal, quais são os documentos que o Papa usa, e quais as diferenças de um para outro?

Os documentos pontifícios são designados por diversos nomes: Bula, Breve, Rescrito, Motu Próprio, Encíclica, Constituição, Exortação, Carta apostólica. Vamos às definições e aos objetivos de cada um:


Bula - As definições sobre fé e à Moral (dogmas) são geralmente publicadas sob forma de Bula. A partir do século VI os Papas empregaram a bula a fim de autenticar os seus documentos; Bulla conseqüentemente passou a designar o selo ou sinete do Papa. A partir do século XIII Bula designa não apenas o globo de metal que contem a mensagem, mas a própria carta à qual ele se prende. Por Bula o Papa geralmente exprime algo de muito solene, tal foi o caso da Bula Ineffabilis Deus, que em 1854 formulou a definição do dogma da Imaculada Conceição. Por Bula o Papa convoca os participantes de um Concílio geral, cria ou desmembra uma diocese. As Bulas de grande importância têm, pendentes de cordões coloridos, um globo de chumbo no qual está gravada a imagem das cabeças de São Pedro e São Paulo.

Breve - O Breve é um documento normalmente mais curto e menos solene do que uma Bula, que normalmente trata de questões privadas, como dispensa de irregularidades para exercer alguma função na Igreja, dispensa de certos impedimentos do matrimônio, autorização de oratório doméstico com o Santíssimo Sacramento, autorização para vender bens da Igreja, outros benefícios e favores especiais.

Rescrito - vem do latim rescribere, que significa responder por escrito a uma carta ou a uma pergunta escrita.

Motu Proprio - do latim, “motivo próprio”, é um documento de iniciativa do próprio Papa, com pleno conhecimento de causa, em cujo conteúdo o Papa quer recomendar algo com particular empenho. Tal tipo de documento traz sempre em seu título a cláusula Motu Próprio. Pode por exemplo recomendar alguns aspectos da celebração de um sacramento.

Encíclica - é uma Circular. Já nos primeiros séculos da Igreja os Bispos escreviam cartas circulares aos seus irmãos no episcopado a respeito de assuntos doutrinários ou disciplinares; ficando o termo (carta) encíclica reservado aos escritos papais, ao passo que os demais Bispos escrevem Cartas Pastorais. A encíclica passou a ser entendida em nossos dias como a forma mais pessoal e espontânea pela qual o Papa exerce seu ministério de Pastor universal. Geralmente as encíclicas se dirigem aos Patriarcas, Arcebispos, Bispos, Presbíteros, Filhos e Filhas da Igreja; todavia o círculo pode-se alargar para compreender também os homens de boa vontade (um exemplo é a Redempto Hominis de João Paulo II), como pode estreitar-se, abrangendo apenas o episcopado e os fiéis de uma nação, usando a língua de tal povo. As encíclicas não promulgam definições dogmáticas; abordam, sim, algum ponto doutrinário que esteja sendo mal entendido; propõem orientações em situação difícil, exaltam a figura de algum (a) Santo (a), procurando sempre fortalecer a vida cristã do povo de Deus.

Constituição - É um documento de grande autoridade, que pode ser sobre os mais diversos temas. Pode ser uma Constituição Dogmática, tais como a Lumen Gentium, a Gaudium et Spes, a Sacrosanctum Concillum e a Dei Verbum, do Concílio do Vaticano II, promulgadas pelo Papa Paulo VI; ou pode ser uma Constituição Apostólica que pode ser relativa ao governo da Igreja, por exemplo, a Regimini Ecclesiae Universae, de Paulo VI e a Pastor Bonus de João Paulo II. Pode versar também sobre a Liturgia assim como a Divini Cultus, de Pio XI, sobre estudos e formação doutrinária existe a Deus Scientiarum Dominus, de Pio XI.
Exortação Apostólica: (Adhortatio Apostolica) Forma de documento menos solene que as encíclicas. Antigamente era dirigida a um determinado grupo de pessoas. Por exemplo, "Menti Nostrae" (Pio XII) para o clero. O termo é usado, atualmente, em sentido mais amplo: não somente como documento para determinado grupo de pessoas, mas recomendações feitas pelo Romano Pontífice aos bispos, presbíteros e todos os fiéis, sobre temas mais diretamente relacionados a um grupo de pessoas, por exemplo, as exortações pós-sinodais: "Familiaris Consortio"; "Christifideles laici"; “Pastores dabo vobis”.

Cartas Apostólicas - Carta Apostólica é denominação genérica. Apostólica aqui significa “do Apóstolo Pedro, que fala por seu sucessor”. As Cartas Apostólicas simplesmente ditas, podem tratar de assuntos ligados ao governo da Igreja: nomeação de Bispos, Cardeais, criação de nova diocese, canonização de santos, temas doutrinários ou morais, comemoração de alguma data ou de evento importante.

Sínodo - uma reunião universal, periódica e consultiva de bispos da Igreja Católica (incluindo os das igrejas orientais católicas), convocada pelo Papa, com o objetivo de refletir, discutir e aconselhar o Papa sobre diversos assuntos, nomeadamente as políticas e orientações diretivas gerais da Igreja. Neste conselho, não estão todos os bispos do mundo inteiro, mas apenas os representantes episcopais eleitos pelas suas respectivas conferências episcopais. Este organismo consultivo, chamado de Sínodo dos Bispos, foi criado pelo Concílio Vaticano II (1962-1965). 

Ângela Rocha

Catequista

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO NO FACEBOOK

Quem ainda não conhece a ainda não curtiu a página dos CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO?
Vai lá! Dá uma força pra gente!




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

OS NÚMEROS NA BÍBLIA

*Estudo de Frei Ildo Perondi

Devemos prestar muita atenção ao valor dos números na Bíblia, sobretudo no texto hebraico, pois estamos diante de uma mentalidade diferente da nossa. Os números, na maioria das vezes, não querem transmitir uma quantidade exata, um dado preciso, mas sim expressar uma realidade, um valor teológico, um dado simbólico.

Vejamos o significado dos principais números e alguns exemplos interessantes.


Número

Significado e algumas passagens bíblicas onde aparece

1 (um)
Deus é Um (Dt 6,4; Zc 14,9).
2 (dois)
É o par perfeito. Dos animais puros Noé levará para a arca sempre pares (Gn 7,2). É o dobro e pode significar de sobra, como em Is 40,2; 61,7; Ap 18,6.
3 (três)
Número da unidade e da Trindade. É usado para reforçar ou dar ênfase a uma expressão. Assim, quando se quer dizer que Deus é Santo,repete-se três vezes: Deus é Santo, Santo, Santo (Is 6,3; Ap 4,8). Deus abençoa três vezes (Nm 6,24-26). Três são os mensageiros que anunciam o nascimento de Isaac (Gn 18,1ss). É o número da plenitude (Ap 21,13) e da santidade (Ap 4,8).
4 (quatro)
Número da totalidade: os quatro cantos da terra; quatro evangelhos; quatro Seres vivos (Ap 4,6; 7,1; 20,8). Os quatro elementos do universo: terra, fogo, água e ar. Quadrangular (Ap 21,16). Representa sinal de plenitude.
5 (cinco)
Cinco dedos da mão. O primeiro bloco da Bíblia (a Lei) têm 5 livros, o Pentateuco. No Apocalipse pode ser negativo.
6 (seis)
Número imperfeito, não chegou à perfeição, que é o número 7. No Apocalipse (13,18) é repetido três vezes, por isso o número da besta é 666. Imperfeição total!
7 (sete)
É a soma de 4 + 3. Por isso é o número perfeito, indica o máximo da perfeição (Nm 23,4; Mt 15,36); grande quantidade (Is 30,26; Pr 24,16; Mt 18,21); totalidade (Ap 1,4); indica séries completas como no Apocalipse: 7 Cartas (Ap 2-3); 7 Selos (Ap 6,1-17); 7 cabeças (Ap 12,3). O Cordeiro imolado recebe 7 dons (Ap 5,12).
O sábado é o sétimo dia; Deus fez a Criação em 7 dias; a festa de Pentecostes acontece 7 vezes 7 dias depois da Páscoa. Cada sétimo ano é sabático (descanso para a terra e libertação dos oprimidos – Lv 25) e depois de 7 vezes 7 anos vem o Jubileu. Não se deve perdoar 7 vezes, mas 70 vezes 7 (Mt 18,22).
É importante ver que no Apocalipse aparece a metade de 7, isto é 3,5 (Ap 11,9). Às vezes se diz: um tempo, dois tempos, meio tempo (Ap 12,14; Dn 7,25), isto é três anos e meio. Também pode ser 42 meses (Ap 11,2), é igual a 1.260 dias (Ap 12,6), isto é, sempre a metade de 7. É a duração limitada das perseguições. É o tempo controlado por Deus.
8 (oito)
É sete mais um, é como que o transbordamento. As bem-aventuranças em Mateus são sete mais uma.
10 (dez)
Indica grande quantidade (Gn 31,7) ou é simplesmente um número redondo (Mt 25,1). Indica também listas completas. Pelos dez dedos das mãos é fácil lembrar a lista. Indica um tempo limitado; curta duração (Dn 1,12.14; Ap 2,10). Pode indicar também imperfeição: a besta só tem 10 chifres (Ap 12,3).
12 (doze)
É o resultado de 4 vezes 3, isto é um número bem completo. É o número da escolha: 12 tribos no AT; 12 Apóstolos no NT; 12 legiões de anjos (Mt 26,53). Os anciãos são 24, isto é: 2 X 12 (Ap 4,4). Os que serão salvos (Ap 7,4) serão 144.000, isto é 12 X 12 X 1000! Número de totalidade (Ap 21,12-14).
40 (quarenta)
Número que indica um tempo necessário de preparação para algo novo que vai chegar: 40 dias e quarenta noites do dilúvio (Gn 7,4.12); 40 dias e 40 noites Moisés passa no Monte (Ex 24,18; 34,26; Dt 9,9-11; 10,10); 40 anos foi o tempo da peregrinação pelo deserto (Nm 14,33; 32,13; Dt 8,2; 29,4, etc); Jesus jejuou 40 dias antes de começar seu ministério (Mt 4,2; Mc 1,12; Lc 4,2); a ascensão de Jesus acontece 40 dias depois da Ressurreição (At 1,3). Quando alguém errava era corrigido com 40 chicotadas (Dt 25,3) e Paulo também recebeu cinco vezes as 40 chicotadas menos uma (2Cor 11,24).
70 (setenta)
Jogo de números 10 X 7. Moisés comunica o espírito profético aos 70 anciãos (Nm 11,16-17.24-25). O exílio na Babilônia é interpretado como a duração de 70 anos (Jr 25,11; 29,10; 27,7; 2Cr 36,21; Dn 9). A tradução da Bíblia hebraica para o grego foi feita por 70 escribas e por isso recebeu o nome de LXX ou Septuaginta.
1000 (mil)
Uma quantidade tão grande que não se pode contar. Prazo de tempo completo e comprido. Reino de mil anos (Ap 20,2). Ver as combinações: 7 X 1000 (Ap 11,13; 12 X 1000 (Ap 7,5-8); 144 X 1000 (Ap 7,4).

É interessante também notar como os hebreus faziam combinações de números. Por exemplo: Abraão fez a Aliança com Deus quando tinha 99 anos (Gn 17,24), assim a Aliança completou o número 100. É o sábado que dá valor aos demais dias da semana, assim transforma os 6 dias (imperfeitos) em 7 dias (perfeito). O único dia da semana que tem um nome. Outro exemplo: seis povos habitavam a Terra Prometida (Ex 3,8). Mas são imperfeitos. Israel será o sétimo povo, aquele que tornará a terra perfeita (7). 

Ver também o jogo numérico feito na elaboração de alguns provérbios (Pr 6,16-19; 30,15-33).

Interessante é saber que os israelitas escreviam seus números com letras alfabéticas (não tinham vogais), assim se podia escrever um nome com um valor numérico genial. Por exemplo, Mateus divide a genealogia de Jesus em três grupos de 14 gerações. Ora, o número 14 é o resultado das somas das letras do nome de Davi (d + w + d): 4 + 6 + 4 = 14. Então Jesus é três vezes Davi, é o Davi por excelência.

Em Ap 13,18, o famoso número da “besta do Apocalipse” é 666, que provém da soma das consoantes hebraicas (n + w + r + n + r + s + q) de KAISAR NERON: Imperador Nero, o grande perseguidor dos cristãos (100 + 60 + 200 + 50 + 200 + 6 + 50 = 666). Ou César Deus no grego.

No capítulo 17 do Evangelho de João, a palavra “mundo” aparece 18 vezes, isto é: 6 + 6 + 6. Ora, para João não é a terra ou o mundo - como nós entendemos hoje - que era mau. “Mundo” significava: o sistema, ou seja, aqueles que não aceitavam Jesus (podiam ser os judeus do Templo ou também os romanos).

No capítulo 9 do Evangelho de João, o verbo “abrir” aparece 7 vezes, justamente no relato em que Jesus abre os olhos ao cego; um sinal importante no quarto Evangelho.

Muitas vezes, no AT, se fala de personagens que viveram idades incrivelmente avançadas. Neste caso os números têm um valor simbólico. Querem indicar que estas foram pessoas importantes, fiéis a Deus, e que a época em que elas viveram foi de muito valor. Quanto maior o número de anos, mais importante essa pessoa foi diante de Deus.

Outro exemplo: na expressão “filhos de Israel” temos também um exemplo de como os escritores bíblicos gostavam de fazer os jogos de palavras baseadas no valor numérico das letras do alfabeto hebraico. Em laer'f.yI ynEB. (filhos de Israel), a soma dos valores das consoantes é: 2 + 50 + 10 + 10 + 300 + 1 + 30 = 603. Isto é a cifra da multidão do primeiro total do povo no recenseamento antes de partir em direção ao Sinai: 603.550 (Nm 1,46; 2,32). É o mesmo número dos homens que deixaram o Egito (Ex 12,37).


Frei Ildo Perondi é Frei Capuchinho da Província São Lourenço de Brindes, do Paraná, Santa Catarina e Paraguai. Formado em Teologia Bíblica em Roma. Atua dando cursos bíblicos e é professor universitário da PUC Londrina e de outros Institutos Teológicos. Site web: www.capuchinhosprsc.org.br/biblia/ 


Bibliografia

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Introduções e notas de rodapé (São Paulo 2002).
BUIS, P. El libro de los Números (Cuadernos bíblicos 78; Estella 1996).
CRB. O sonho do povo de Deus (Coleção Tua Palavra é Vida nº 7; Rio de Janeiro 1996).
DEIANA, G. – SPREAFICO A. Guida allo studio dell’ebraico biblico (Roma 31998).
GRUEN,W. Pequeno Vocabulário da Bíblia (São Paulo 91995).
MESTERS, C. Esperança de um povo que luta. O Apocalipse de São João (São Paulo 1983).



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O MÉTODO VER-JULGAR-AGIR NO DNC

O MÉTODO VER-JULGAR-AGIR no DNC
Diretório Nacional de Catequese (nº. 157-162) 

Você conhece o Método que o DNC indica para o ensino da fé na catequese?

O método ver, Julgar, Agir, por experiência e tradição pastoral latino americana tem trazido segurança e eficácia na educação da fé, respondendo às necessidades e aos desafios vividos pelo nosso povo. Entre nós o termo “julgar” está sendo substituído por ILUMINAR. Nesse processo do ver-iluminar-agir, acrescentaram-se o CELEBRAR e o REVER. Não são passos estanques nem sequência de operações, mas, trata-se de um processo dinâmico na educação da fé.

VER (158) - É um olhar crítico e concreto a partir da realidade da pessoa, dos acontecimentos e dos fatos da Vida. A catequese motiva os catequizandos a conhecer e analisar criticamente a realidade social em que vivem, com seus condicionamentos econômicos, sócio-culturais, políticos e religiosos... 

É necessário que o próprio catequista tenha formação contínua, para que se habitue a fazer análise de conjuntura e sensibilizar-se com seus problemas de realidade, descobrindo os sinais dos tempos. O ver cristão já traz em si a iluminação da fé.

ILUMINAR (julgar) (159) - É o momento de escutar a Palavra de Deus. Implica a reflexão e o estudo que iluminam a realidade, questionando-a pessoal e comunitariamente. Para acolher a realidade, como cristãos, é necessária a conversão contínua na busca da vontade do Pai. Com cobertura à presença do Espírito Santo, na escuta orante da Palavra de Deus, com atitude contemplativa e fidelidade á mesma Palavra, à Tradição e ao magistério, o catequista cresce na capacidade de questionar a realidade.

AGIR (160) - É o momento de tomar decisões, orientando vida na direção das exigências do Projeto de Deus. É o tempo de vivenciar e assumir conscientemente o compromisso e dar as necessárias respostas para a renovação da Igreja e a transformação da realidade. Isto exige de catequistas e catequizandos confiança em Deus, coerência entre a Fé e vida e a fortaleza para acolher as mudanças que são necessárias na caminhada da sociedade e na sua vida pessoal, com suas profundas exigências éticas e morais.
O agir é compromisso de viver como irmãos, promover integralmente as pessoas e as comunidades, servir aos mais necessitados, lutar por justiça e paz, denunciar profeticamente e transformar evangelicamente as estruturas e as situações desumanas, buscando o bem comum.
O compromisso do agir aparece hoje muito enriquecido com os princípios e critérios expostos no COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA (2005) que fundamenta e aplica nas realidades sociais uma ética e moral cristã.

CELEBRAR (161) - É momento privilegiado para a experiência da graça divina. É o feliz encontro com Deus na oração e no louvor, que anima e impulsiona o processo catequético. Supera a oração puramente rotineira. Esta dimensão orante e celebrativa deve caracterizar a catequese, para que ela não caia na tentação de ser feita de encontros só de estudo e compreensão intelectual da mensagem evangélica. A celebração também educa a pessoa o grupo para a oração e contemplação, para o dialogo filial e amoroso, pessoal e comunitário com o Pai. A dimensão catecumenal da Catequese tem aqui sua maior expressão.

REVER (162) - É o momento para sintetizar a caminhada catequética, valorizar os catequistas e os catequizandos, aprofundar as etapas do planejamento proposto, revendo os conteúdos e os compromissos assumidos.
O rever é o ver de novo a caminhada da Catequese; é tomar consciência, hoje, de como agimos ontem para melhor agir amanhã. Faz surgir novos questionamentos para ajudar a tomar as decisões e determinar o grau de eficácia e de eficiência, favorecendo uma contínua realimentação.
O rever é uma construção do Reino. Para rever com eficiência a sua ação, os catequistas devem ter um conhecimento básico dos princípios de planejamento participativo e a atitude firme de levar em conta as avaliações feitas, mudando o que deve ser mudado, libertando-se de rotinas paralisantes, confirmando a caminhada feita sob o impulso do Espírito Santo. 

Fonte: DNC – pgs 106 a 108.
Diretório Nacional de Catequese (nº. 157-162)

Você conhece o Método que o DNC indica para o ensino da fé na catequese?
O método Ver-Julgar-Agir, por experiência e tradição pastoral latino americana tem trazido segurança e eficácia na educação da fé, respondendo às necessidades e aos desafios vividos pelo nosso povo. Entre nós o termo “julgar” está sendo substituído por ILUMINAR. Nesse processo do ver-iluminar-agir, acrescentaram-se o CELEBRAR e o REVER. Não são passos estanques nem sequência de operações, mas, trata-se de um processo dinâmico na educação da fé.
VER (158) - É um olhar crítico e concreto a partir da realidade da pessoa, dos acontecimentos e dos fatos da Vida. A catequese motiva os catequizandos a conhecer e analisar criticamente a realidade social em que vivem, com seus condicionamentos econômicos, sócio-culturais, políticos e religiosos...
É necessário que o próprio catequista tenha formação contínua, para que se habitue a fazer análise de conjuntura e sensibilizar-se com seus problemas de realidade, descobrindo os sinais dos tempos. O ver cristão já traz em si a iluminação da fé.
ILUMINAR (julgar) (159) - É o momento de escutar a Palavra de Deus. Implica a reflexão e o estudo que iluminam a realidade, questionando-a pessoal e comunitariamente. Para acolher a realidade, como cristãos, é necessária a conversão contínua na busca da vontade do Pai. Com cobertura à presença do Espírito Santo, na escuta orante da Palavra de Deus, com atitude contemplativa e fidelidade á mesma Palavra, à Tradição e ao magistério, o catequista cresce na capacidade de questionar a realidade.
AGIR (160) - É o momento de tomar decisões, orientando vida na direção das exigências do Projeto de Deus. É o tempo de vivenciar e assumir conscientemente o compromisso e dar as necessárias respostas para a renovação da Igreja e a transformação da realidade. Isto exige de catequistas e catequizandos confiança em Deus, coerência entre a Fé e vida e a fortaleza para acolher as mudanças que são necessárias na caminhada da sociedade e na sua vida pessoal, com suas profundas exigências éticas e morais.
O agir é compromisso de viver como irmãos, promover integralmente as pessoas e as comunidades, servir aos mais necessitados, lutar por justiça e paz, denunciar profeticamente e transformar evangelicamente as estruturas e as situações desumanas, buscando o bem comum.
O compromisso do agir aparece hoje muito enriquecido com os princípios e critérios expostos no COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA (2005) que fundamenta e aplica nas realidades sociais uma ética e moral cristã.

CELEBRAR (161) - É momento privilegiado para a experiência da graça divina. É o feliz encontro com Deus na oração e no louvor, que anima e impulsiona o processo catequético. Supera a oração puramente rotineira. Esta dimensão orante e celebrativa deve caracterizar a catequese, para que ela não caia na tentação de ser feita de encontros só de estudo e compreensão intelectual da mensagem evangélica. A celebração também educa a pessoa o grupo para a oração e contemplação, para o dialogo filial e amoroso, pessoal e comunitário com o Pai. A dimensão catecumenal da Catequese tem aqui sua maior expressão.
REVER (162) - É o momento para sintetizar a caminhada catequética, valorizar os catequistas e os catequizandos, aprofundar as etapas do planejamento proposto, revendo os conteúdos e os compromissos assumidos.
O rever é o ver de novo a caminhada da Catequese; é tomar consciência, hoje, de como agimos ontem para melhor agir amanhã. Faz surgir novos questionamentos para ajudar a tomar as decisões e determinar o grau de eficácia e de eficiência, favorecendo uma contínua realimentação.
O rever é uma construção do Reino. Para rever com eficiência a sua ação, os catequistas devem ter um conhecimento básico dos princípios de planejamento participativo e a atitude firme de levar em conta as avaliações feitas, mudando o que deve ser mudado, libertando-se de rotinas paralisantes, confirmando a caminhada feita sob o impulso do Espírito Santo.


Fonte: DNC – Diretório Nacional de Catequese. pgs 106 a 108.Brasilia: Edições CNBB, 2006.