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quarta-feira, 11 de maio de 2016

MÁSCARAS DE COMUNHÃO

"Uma paróquia renovada multiplica pessoas que realizam serviços e acrescenta aos ministérios. A integração entre serviços e ministérios existentes, na unidade de uma única proposta evangelizadora, é essencial para assegurar uma comunhão missionária."

Precisamos renovar as paróquias. Essa renovação, segundo o Documento de Aparecida, exige novas atitudes dos párocos e dos sacerdotes que estão a serviço destas. A primeira exigência é que o pároco seja autêntico discípulo de Jesus Cristo, porque só um sacerdote apaixonado pelo Senhor pode mudar uma paróquia. Entretanto, ao mesmo tempo, deve ser ardoroso missionário que vive o constante desejo de buscar os afastados e não se contenta com a simples administração. (DAp 201).

Uma paróquia renovada multiplica pessoas que realizam serviços e acrescenta aos ministérios. A integração entre serviços e ministérios existentes, na unidade de uma única proposta evangelizadora, é essencial para assegurar uma comunhão missionária.

Qualquer que seja o serviço, a pastoral, o ministério ou ação da Igreja, estes precisam estar animados por uma espiritualidade de comunhão missionária. Segundo a Carta Apostólica Novo Millenio Ineuente, de João Paulo II (2001), sem esse caminho espiritual, de pouco servem os serviços externos da comunhão. “Mais do que modos de expressão e crescimento, esses instrumentos se tornariam meios sem alma, máscaras de comunhão.” (NMI 43).

O Documento de Aparecida também destaca a missão dos leigos e os conclama para a missão utilizando-se do texto Lumen Gentium (Luz dos Povos), um dos mais importantes do Concílio Vaticano II. “Os leigos são homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja.” (LG 31).

Precisamos de sujeitos novos e o acontecimento de Cristo é, portanto, o início deste sujeito novo que surge na história e a quem chamamos de discípulo. (DAp 243).

É hora, sim, de renovar paróquias, dioceses, comunidades. Precisamos assumir definitivamente a nossa condição de cristãos engajados. Não dá mais para fazer de conta, ocupar espaço, realizar tarefas sem profundidade. O mundo exige discípulos comprometidos, que facilitem relações, que dialoguem e, principalmente, que busquem sem cessar a unidade e a obediência diocesana, e não apenas a vaidade de firmar posições individuais para, com isso, ganhar notoriedade e reconhecimento.

Nós vivemos em cristo. E dos que vivem em Cristo, se espera um testemunho de santidade e compromisso. Desejando e procurando essa santidade, não vivemos menos, mas, sim, melhor, porque, quando Deus pede mais, é porque está oferecendo muito mais. (DAp 352).

Alberto Meneguzzi
Catequista e Jornalista, autor dos livros “paixão de Anunciar” e “Missão de anunciar”, ambos editados pelas Paulinas.

OS DONS DO ESPÍRITO


Esta profecia messiânica de Isaías, escrita cerca de 700 anos antes de Jesus, utiliza a figura de Jessé como tronco de uma árvore quase seca, para anunciar a esperança do Ungido de Deus. Jessé era o pai do Rei Davi (1Sm 16, 1-13), da descendência do qual se esperava o Messias. Por isso o Messias também era chamado de “filho de Davi” (Mc 10, 47-48).

Mas Isaías, no contato com os sucessivos “filhos de Davi” no trono de Jerusalém, deu um novo alcance à profecia messiânica: o Messias brotará “do tronco de Jessé”, ou seja, como um “Novo Davi”. O profeta Isaías anuncia que o Messias não viria como continuação de Davi, mas sim como um Novo David!

Depois, o profeta aponta os traços pelos quais este “Novo Davi”, que não vai ser simplesmente um sucessor hereditário de Davi no trono, mas um “Ungido pelo Espírito de Deus”… Deste modo, o profeta anuncia que a Missão do Messias é um dom de Deus e uma iniciativa do Espírito, e não uma conquista das lógicas e esperanças humanas.

A lista de frutos do Espírito de Deus na Vida do Messias foi depois assumida como a lista simbólica dos Dons do Espírito Santo, à qual a teologia católica depois acrescentou a Piedade, de modo a perfazer o numero 7, símbolo da plenitude. Os sete dons do Espírito simbolizam a plenitude de Vida a que o Espírito nos conduz por puro dom.

Na Ressurreição de Jesus Cristo aconteceu o dom do Espírito Santo como dom universal da filiação divina. Pela experiência pascal que forma a Igreja, os discípulos reconheceram que o Espírito Santo os animava também a viver como filhos de Deus-Pai ao jeito de Jesus. Animados pela unção do mesmo Espírito, ousaram continuar a sua Missão.

Hoje somos nós! Os reunidos no dia de Pentecostes, hoje, somos nós! Hoje somos nós a quem Deus quer fazer renascer pelo acolhimento do Espírito Santo que é fonte de Sabedoria, Entendimento, Força, Conselho, Conhecimento e Temor do Senhor…


Oh Espírito Santo, Alento de Vida do meu Deus (Gn 2, 7) e Vitalidade de Cristo Ressuscitado em mim (Jo 20, 22), disponho-me a colaborar contigo para a continuação da Missão de Cristo, que é a construção do Reino de Deus.

Cristifica a minha Vida, de modo a que o Evangelho da Graça de Deus seja proclamado nas minhas ações, ainda que discretas, ainda que simples…

Conduz-me à SABEDORIA de Cristo, que é a capacidade que Tu nos dás de “saborearmos a Vida com o próprio paladar de Deus”, ver todas as coisas como Tu as vês e atuar em todas as situações com os critérios da Palavra de Deus…

Revela-me os segredos do ENTENDIMENTO ao jeito de Cristo, que é a maturidade de discernir com sabedoria todos os acontecimentos, estar atento às Tuas inspirações e às mediações da Palavra de Deus que “explicam” a Vida à Tua luz, como um dia Cristo “explicou” a Vida dos discípulos de Emaús à luz da sua Ressurreição…

Inspira-me, Espírito Santo, o dom do CONSELHO, que é a missão de me tornar instrumento Teu e voz da Palavra de Deus para os meus irmãos, não como um fanfarrão que tem respostas para tudo e soluções fáceis, mas como uma pessoa Verdadeira, Calma, Humilde, Amável e Centrada no Essencial, ao jeito de Jesus Cristo…

Dá-me a FORTALEZA de Cristo, que é uma confiança indestrutível na fidelidade de Deus e na bondade humana, capaz de superar os medos, vencer as angústias, ultrapassar as limitações e lutar por causas difíceis que até podem, em alguns casos, exigir-me o dom da própria Vida…

Faz-me chegar ao CONHECIMENTO verdadeiro, que é a compreensão do Sentido da História humana e da minha própria história pessoal à luz do Teu Projeto Salvador revelado e realizado em Cristo, para que da intimidade com os Teus Mistérios nasça em mim a Felicidade e a Bondade que testemunham ao mundo a Boa Notícia da Ressurreição…

Ensina-me o genuíno TEMOR DO SENHOR, que é a consciência de que Deus é maior que eu e não pertence ao mundo das coisas pequenas e passageiras em que muitas vezes o quero aprisionar. Liberta-me de todos os medos e “temores de Deus” que têm a ver com falsas imagens de Deus ou com “falsos respeitos”. Amadurece em mim a compreensão da linguagem bíblica do “Temor do Senhor” que significa que Tu és o “infinitamente Outro”, independente de mim. Por isso, se me amas, é por puro dom, por Graça! Se me amas é porque tomaste a iniciativa gratuita de Te aproximares de mim…

Aleluia! Como é bom ser amado assim, de Graça!

Pe. Rui Santiago, cssr



Obs.: O dom da Piedade, não está na “oração” do Pe. Rui pelo fato de ter sido acrescentada pela doutrina da Igreja e não estar no texto do profeta Isaías.

terça-feira, 10 de maio de 2016

INTENÇÃO DO MÊS DE MAIO - AS MULHERES NA SOCIEDADE

VÍDEO DO PAPA FRANCISCO
Intenção para o mês de Maio/2016

"Para que em todos os países do mundo, as mulheres sejam honradas e respeitadas, e seja valorizada a sua imprescindível contribuição social."


segunda-feira, 9 de maio de 2016

ORANDO NA CATEQUESE...


Há uma paz e uma alegria enorme em se colocar em oração. E nem sempre conseguimos fazer com que nossas crianças consigam fazer essa meditação e esse "encontro" com Deus na Oração. Primeiro que eles são por demais inquietos e são absolutamente incapazes de ficar imóveis por mais que dois minutos e entrar em abstração... Não é característica da idade e nem do interesse "vivo" que eles têm pelas coisas. São necessárias imagens, sons e movimentos. É assim que se caracteriza o aprendizado na primeira e segunda infância.

E ao entrar na adolescência, não é diferente, o mundo entra em ebulição. O jovem sente necessidade de estar sozinho e ao mesmo tempo não consegue viver sem o "grupo". Ele precisa entender as mudanças internas e ao mesmo tempo se adequar ao mundo externo, a um outro mundo que se desdobra ao seu redor. Um mundo que exige dele postura e "responsabilidade". Isso quando ele nem sabe ainda o que fazer com seus hormônios...

Mas é preciso que oremos na catequese. É preciso despertar nestes jovens a necessidade de se estar "a sós" consigo mesmo e com Deus.

A experiência de oração Inaciana é muito útil neste ponto. Muitas vezes não consigo fazer uma oração no encontro de catequese. Não há "espírito" e nem "clima". A recitação mecânica do Pai Nosso ou da Ave Maria, não satisfaz a necessidade de "repouso" de nossas mentes e coração. E eu já encontrei catequistas que usam a oração como um "cala boca" quando as crianças se mostram inquietas e loquazes. E no meio da bagunça, dá-lhe um "Pai Nosso que estais no céu...". As crianças vão aos poucos aderindo ao "palavrório" e se faz silêncio. Mas será essa uma oração verdadeira? De escuta e de meditação? Ou será só uma distração momentânea daquilo que é do interesse deles no momento?

Para rezar é preciso preparar o corpo e a alma, fazer alguns “exercícios” de relaxamento pode ajudar, mesmo que as crianças não sejam lá muito adeptas ao “relaxamento”. Claro que é necessária uma certa adaptação, mas tenho sentido que nos encontros, quando uso algo parecido com o roteiro abaixo, as orações ficam um pouco mais verdadeiras.

- Peço para que todos, sentadinhos mesmo, coloquem os dois pés firmemente no chão e fechem os olhos...
 - Coloquem as mãos nos joelhos... respirem fundo... uma, duas, três vezes...
- Sintam a energia de vocês, que vem lá da ponta dos pés, subindo, subindo... agora está nos joelhos... subindo pelo estomago, pelas mãos... sinta chegar ao coração, aos pulmões... aos ombros... e sinta todo o peso sair deles...
- Sinta... você está leve... respire fundo, pausadamente... Levante as mãoes... pressione um pouquinho os polegares contra os ouvidos, escute a sua respiração... o silêncio do seu coração...
- Agora, ainda de olhos fechados, baixe as mãos...
- Vamos levar Deus aos nossos pensamentos, contar a ele o que vai em nossos corações, nossos medos, nossas culpas... vamos pedir perdão... e pedir a Jesus que nos ajude a ser melhor... e Ele perdoa... e nos dá essa graça e afirma que não nos abandonará nunca!
- Agora agradeça e lembre de tudo de bom que Deus colocou em sua vida e louve, louve silenciosamente a Deus, agradeça o dom da vida... e bem devagar, saboreando cada palavra, sentindo cada frase, vamos rezar o Pai Nosso.
Pai Nosso, que estais no céu...
- Agora, bem devagar, abrindo os olhos, esticando os braços, espreguiçando, levantando... remexendo tudo e dando aquele sorriso... Vamos lá? Vamos fazer um encontro maravilhoso?

Ângela Rocha

Catequistas

sexta-feira, 6 de maio de 2016

HOMILIA DA ASCENSÃO DO SENHOR

Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai, todo poderoso (cf. Ef 1,20-21). O ato de subir é profundamente simbólico. O cristão não pode se contentar com o lugar em que está, pois ainda não reside em sua casa definitiva. A vida é uma oportunidade para elevar-se. Se ainda aguardamos nossa “elevação” para a Pátria definitiva, devemos “crescer rumo a maturidade em Cristo” (Ef 4,13). 

É preciso vencer a estagnação, a paralisia que não nos deixa crescer. Sempre somos perseguidos pelo desejo de permanecer na mediocridade ou de manter sempre os mesmos hábitos, ou seja, ser vencidos pelo comodismo. Crescer significa romper a inércia, inovar, recriar, reinventar, mudar... Um pai ou uma mãe não deverão se contentar com uma vida familiar sem sabor ou com o individualismo dos filhos, que preferem horas de internet a refeição em comum. As lideranças não deverão se conformar com os limites da comunidade que segue com as mesmas estruturas pastorais defasadas, mas terão empenho de transformá-la. Um cristão deverá se comprometer com o seu crescimento pessoal, com sua vida espiritual, com o cultivo de si mesmo, com a readequação de suas práticas, com o uma vida mais voltada para o Evangelho de Jesus. Não podemos nos conformar com a manutenção da pastoral, da vida espiritual, da vida familiar, de nossa vida profissional... Jesus subiu para que caminhemos na mesma direção, no mesmo sentido. A jornada termina no Céu. 

O Céu é a nossa Pátria. A ascensão é a reafirmação de uma verdade fundamental ao cristão: este mundo passa, o Reino definitivo e glorioso é a nossa meta e esperança. É preciso ter sempre diante de nós acesa a chama da “esperança do nosso chamamento” (Ef 1,18). Sim, este mundo com suas dores e limites será vencido e transformado. O Tempo Pascal nos coloca nesta dinâmica de Céu que se antecipa, mas ainda é esperança que anima a vida terrena. Ter clara esta certeza nos dá combustível para o empenho do crescimento pessoal, comunitário e social. Triste se passarmos pelo mundo sem fazer o bem, sem construir um sentido, sem amar. 

Ele não nos abandona. O Senhor está no Céu e inaugurou, com sua ascensão, uma nova maneira de estar presente. Agora é seu Espírito que nos animará. Subir é necessário, para que esta presença seja garantida até que vejamos a Deus face a face. É preciso caminhar na certeza do futuro e, ao mesmo tempo, na certeza da presença do Senhor que nos impulsiona, encoraja e transforma. 

No final do texto do Evangelho de Lucas, os discípulos são abençoados. Não basta ficar adorando (Lc 24,52) ou olhando para o Céu (At 1,11). Os discípulos devem voltar para a cidade (Jerusalém). Devem, pois, voltar ao cotidiano, ao lugar em que estavam. É na normalidade da vida que devem testemunhar o Senhor, mas antes recebem a sua benção. Também nós, ao final da missa, recebemos a benção para partir em missão. Ou seja, a benção marca o início do testemunho. 

Resta dizer que os discípulos testemunhavam a alegria (Lc 24,52). Hoje é preciso transformar o rosto enfezado do legalismo em face inundada pelo sorriso. É esta a marca que atrairá outros ao mesmo dom. Devemos seguir como testemunhas, não apenas em Jerusalém (nossa casa), mas na Samaria e em toda Judeia. Ou seja, a Igreja nasce missionária, com o dever de não se acovardar ou acomodar-se jamais. 

Pe Roberto Nentwig

quinta-feira, 5 de maio de 2016

FALANDO DE "ESPIRITUALIDADE"...

ESPIRITUALIDADE

Afinal de contas, o que é essa tal ESPIRITUALIDADE, de que tanto se fala? Muitas vezes ouvimos esta palavra para descrever momentos de oração antes ou durante um encontro, não é mesmo? Seja ele de catequese ou mesmo de formação. Mas, onde nosso “espírito” realmente se envolve nisso tudo?

Para sabermos isso do espírito “se envolver”, precisamos entender alguns conceitos.

Espiritualidade envolve fé. E o que é Fé? É uma forma de viver todas as coisas à luz de Deus. A fé vem como resposta à experiência de Deus, feita pessoal e comunitariamente.

O que é Espírito?  Podemos dizer que é a Força mística que nos faz buscar “algo mais”, viver a vida de forma transcendente, viver com Fé.

Mística? Isso lembra mistério: aquilo que não cansamos de desejar e saborear. É a seiva, é o princípio da vida, da fé feita experiência. A mística nos provoca a fazer uma crítica: social, política, econômica, ideológica e antropológica. Mística é o motor que nos impulsiona até Deus. Os motores não são iguais. Para o Catequista, há muitos “motores” que podem ajudá-lo. Essa força, esse motor vem do Espírito de Deus. Vivemos à Mística:

© Quando percebemos o outro lado das coisas, dos acontecimentos e não paramos nas aparências;
© Quando vivemos profundamente a nossa existência.

A mística envolve compromisso e contemplação.

 

Contemplar é um modo de olhar para o que não se vê. Ver o invisível é a experiência que fazem todos aqueles que amam verdadeiramente a Deus. Contemplação é a atitude de quem está vivendo com intensidade a cada momento, na escuta da Palavra de Deus.
A atitude de escuta supõe um silêncio interior, que não se confunde com passividade ou vazio de pensamento, mas em uma presença atenta, disponível aos irmãos e a Deus. É uma atitude dinâmica, de concentração e de prontidão.

Para escutar a voz interior é preciso:


Silenciar, recordar, rememorar com o coração, assim como Maria: 


Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.
(Lc 1,38).

 Como vemos a Espiritualidade de Jesus?


Jesus em muitas horas do dia, principalmente pela noite e madrugada, conversava com o Pai sobre a sua missão. Vemos muito isso no Evangelho de Marcos 1,35; 6,46; 14,32-42.

ü  Jesus conseguiu conviver com os conflitos por causa da sua intimidade como Pai. Deus é, em Jesus, uma experiência afetiva.
ü  Para Jesus, a ação não era oração.
ü  Jesus, parava as suas atividades apostólicas para rezar.
ü  É necessário, em nossa vida, termos momentos fortes de oração, de intimidade com Deus.
ü  O caráter cristológico é vida em comunhão com Jesus. Reconhecendo-o nos acontecimentos, no Plano de Deus e no rosto de nossos irmãos sofridos.
ü  Por isso, podemos dizer que o resumo da espiritualidade de Jesus foi a sua opção pelos pobres, pelos marginalizados e pelos abandonados da sociedade.
  

JESUS EM ORAÇÃO:

No deserto
 (Mt 4,1-11)
Na Sinagoga, com o povo
 (Lc 4,14-21)
Entre os pobres
 (Mt 11,25-27)
Aos amigos
 (Lc 22,31-32)
Pelos discípulos e por você
 (Jo 17,20-26)
No sofrimento
 (Lc 22,39-46)
Antes de dar a vida a Lázaro
 (Jo 11,38-44)
Fala da oração, ensina o Pai-Nosso
 (Mt 6,5-15)
Pede oração pelos evangelizadores
 (Mt 9,37)
Reza no Tabor e convida à oração
 (Lc 9,28-35)

PARA APROFUNDARMOS NOSSA ESPIRITUALIDADE:


Jo 4, 1-42
Jesus na Samaria – A samaritana
Lc 1, 46-55
O Magnificat de Maria
Lc 10, 21-24
Louvor pelos discípulos
Lc 18, 10-14
O fariseu e o publicano no Templo
Lc 24, 13-35
Os discípulos de Emaús
1Cor 9, 15-18
Ai de mim se não evangelizar
1Jo 1, 1-4
O que vimos e ouvimos, nós o anunciamos
Tg 1, 19-27
Escutar, falar e fazer
At 2, 42-47
As primeiras comunidades
At 4, 32-37
A comunhão dos bens: Um só coração e uma só alma
At 6, 1-7
A escolha dos sete
At 13,1-3
Primeira viagem missionária de Paulo


*Parte da Apostila: Formação Básica para Catequistas – Módulo II.
Ângela Rocha

Catequistas em Formação

quarta-feira, 4 de maio de 2016

PAPA FRANCISCO E O PAPEL DAS MÃES

Ser mãe é dar a vida; o melhor antídoto contra o individualismo!

Papa Francisco

“Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram” (Mt 2, 11). É a Mãe que, depois de tê-lo gerado, apresenta o Filho ao mundo. Ela nos dá Jesus, ela nos mostra Jesus, ela nos faz ver Jesus.

Continuamos com as catequeses sobre família e na família há a mãe. Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual. A mãe, porém, mesmo sendo muito exaltada do ponto de vista simbólico – tantas poesias, tantas coisas belas se dizem poeticamente da mãe – é pouco escutada e pouco ajudada na vida cotidiana, pouco considerada no seu papel central da sociedade. Antes, muitas vezes se aproveita da disponibilidade das mães a sacrificar-se pelos filhos para “economizar” nas despesas sociais.

Acontece que, mesmo na comunidade cristã, a mãe nem sempre é valorizada, é pouco ouvida. No entanto, no centro da vida da Igreja está a Mãe de Jesus. Talvez as mães, prontas a tantos sacrifícios pelos próprios filhos, e não raro também por aqueles de outros, deveriam encontrar mais escuta. Precisaria compreender mais a luta cotidiana delas para serem eficientes no trabalho e atentas e afetuosas na família; precisaria entender melhor o que elas aspiram para exprimir os frutos melhores e autênticos da sua emancipação. Uma mãe com os filhos sempre tem problemas, sempre trabalho. Em me lembro de casa, éramos cinco filhos e enquanto um fazia uma coisa outro fazia outra, o outro pensava em fazer outra e a pobre mãe ia de um lado a outro, mas era feliz, Deu tanto a nós.

As mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. “Indivíduo” quer dizer “que não se pode dividir”. As mães, em vez disso, se “dividem” a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer. São essas, as mães, a odiar mais a guerra, que mata os seus filhos. Tantas vezes pensei naquelas mães quando recebem a carta: “Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…”. Pobres mulheres! Como uma mãe sofre! São essas a testemunhar a beleza da vida. O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um “martírio materno”. Na homilia pelo funeral de um padre assassinato pelos esquadrões da morte, ele disse, repetindo o Concílio Vaticano II: “Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, mesmo se o Senhor não nos concede esta honra… Dar a vida não significa somente ser morto; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida cotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dá à luz a ele, amamenta-o, fá-lo crescer e cuida dele com carinho. É dar a vida. É martírio”. Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar no mundo um filho, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, isto é belo.

Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral. As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, é inscrito no valor da fé na vida de um ser humano. É uma mensagem que as mães que acreditam sabem transmitir sem tantas explicações: estas chegarão depois, mas a semente da fé está naqueles primeiros, preciosíssimos momentos. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo. E a Igreja é mãe, com tudo isso, é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães.

Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que vocês são na família e por aquilo que dão à Igreja e ao mundo. E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por fazer-nos ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudamos vocês com um aplauso!

(Catequeses do Papa Francisco - 07/01/2015 - A FAMILIA - Papel das mães)

terça-feira, 3 de maio de 2016

50º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS


O Dia Mundial das Comunicações Sociais é celebrado desde 1966 no domingo anterior à festa do Pentecostes, na Festa da Ascensão do Senhor, que este ano será no dia 8 de maio.


Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo" é a mensagem do Papa Francisco para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Nela Francisco convida a Igreja a rejeitar palavras e gestos “duros ou moralistas”, que correm o risco de afastar ainda mais as pessoas.

“Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu”, explica.

A celebração de 2016 é colocada no contexto do ano santo extraordinário (dezembro de 2015-novembro de 2016), o Jubileu da Misericórdia convocado pelo Papa.

“Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia é injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente”, admite Francisco, que responde a estas críticas com a vida familiar e a atitude dos pais para com os filhos.

Gostaria de encorajar todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros”, acrescenta.

Francisco refere que é “fundamental escutar” para fazer da comunicação uma verdadeira partilha, distinguindo esta atitude do simples “ouvir”, porque ultrapassa o âmbito da informação e “requer a proximidade”, admitindo que “escutar nunca é fácil”.

“O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus”, sublinha Francisco.

Nesse sentido, deixa um convite a “todas as pessoas de boa vontade” para que redescubram “o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades”.

O texto cita a obra ‘O mercador de Veneza’, de Shakespeare: “A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe”.

O Papa espera que a misericórdia inspire também a “linguagem da política e da diplomacia”, sobretudo junto dos que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para não alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio”.

Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis”, observa.

A mensagem do Papa é publicada anualmente por ocasião da festa litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, que se celebra a 24 de janeiro. 

(Agencia Ecclesia).


Mensagem do Papa Francisco para o 50° Dia Mundial das Comunicações Sociais
Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo

Queridos irmãos e irmãs!

O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a refletir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.

Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das ações da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.

A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e ações hão de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.

Por isso, queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto aplica-se também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar, como se exprimiu muito eloquentemente Shakespeare: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (“O mercador de Veneza”, Ato IV, Cena I).

É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (...) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).

Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.

Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente. Mas tentemos voltar com o pensamento às nossas primeiras experiências de relação no seio da família. Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objetivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf. Lc 15, 11-32). Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros.

Para isso é fundamental escutar. Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.

Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cômodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo.

Também e-mails, SMS, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.

A comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas. Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.
Papa Francisco
Vaticano, 24 de Janeiro de 2016.