CONHEÇA!

domingo, 17 de julho de 2016

MÍDIAS DIGITAIS: NOVOS SUJEITOS, NOVOS CATEQUISTAS



Comunicação significa “com – múnus”, aquilo que é compartilhado, ou seja, um dom pessoal ofertado a outro ou um dever de todos para com todos. A comunicação, na sua essência, tem o objetivo de criar comunhão, estabelecer vínculos de relações, promover o bem comum, o serviço e o diálogo. Já aprendemos que o “encontro suscita o anúncio”. Santo Agostinho nos disse: “Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu. ”

Eu pergunto: não tem sido isso, o que estamos fazendo por aqui, através do Grupo de Facebook e através do Blog Catequistas em Formação? Primeiro, teve o encontro, mesmo que virtual. Antes, porém, um objetivo comum, ou seja, a evangelização, porque a Igreja existe para evangelizar. Depois do encontro, o anúncio. Às vezes, pode até parecer que o anúncio não está acontecendo. Mas está, e de forma concreta ele acontece entre nós por aqui. De que forma? Em cada curtida, em cada postagem que é compartilhada, cada comentário, um vídeo que seja visualizado, uma foto, uma frase, um texto, uma provocação, uma reflexão a respeito da nossa missão, a nossa interação uns com os outros, tudo isso transforma o encontro em anúncio. A nossa manifestação, mesmo que tímida, às vezes nem aparece, é, ao mesmo tempo, um recado ao mundo de que nesta imensidão de coisas, de fatos, informações, nesta “loucurada” que se transformou a internet, há também gente disposta a fazer as coisas diferentes.

No marketing se diz: onde existe uma necessidade, existe também uma oportunidade. Um milhão de visualizações num blog voltado aos catequistas é a prova da necessidade, de Deus, de uma mensagem mais uma humana, de caminhos diferentes, de palavras que tocam mais o coração, de transformação da sociedade. Um milhão de visualizações num blog evangelizador, direcionados para catequistas, organizado por leigos, atualizado por colaboradores? Isso, gente, é raro, impensável, é quase de não acreditar.

A cultura digital que está estabelecida nos dias de hoje, nos desafia a reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Isso significa favorecer a comunhão e a cooperação entre as pessoas. E a Igreja nos pede, que tenhamos uma atenção especial às crianças e aos jovens. Então, estamos no caminho certo, e isso é ótimo. Estamos, também, e isso é louvável, fugindo daquilo que os especialistas em comunicação chamam de “lógica do mercado”, ou seja, tudo aquilo que a gente vê nos veículos de comunicação de massa: monopólio, lucro, modelos distorcidos, busca obsessiva por ouvintes, telespectadores e leitores e com isso, uma despreocupação com a qualidade da programação, com uma comunicação social vulgar e banalizada. Não é isso que temos aqui, não é isso que queremos ao propagar o projeto de Deus através de um blog. Aliás, o que queremos aqui é justamente o contrário da lógica do mercado: formar cristãos capazes de anunciar a palavra e dar voz aos que dela são privados.

Por isso, um número como como esse de um milhão de visualizações num blog voltado aos catequistas, é um feito a ser comemorado e, ao mesmo tempo, nos desafia a pensar além.  Existe uma necessidade bem clara, e a oportunidade de evangelizar, de tocar corações e transformar o mundo, é agora, não pode ser amanhã, não podemos postergar. Somos comunicadores por excelência. A catequese hoje não nos pede que sejamos discípulos, missionários, apóstolos, evangelizadores?  Então, o catequista deve ser um facilitador neste processo, um mediador, um facilitador da comunicação e não um dificultador. O dom do discipulado, é ser comunicador. Estamos imersos num mundo digital, isso não tem volta, não adianta lutar contra. Mas é bom que saibamos e lembremos algo: o anuncio de uma mensagem, seja ela em qual plataforma for, está intimamente ligado e vinculado a um testemunho coerente por parte que de quem anuncia.

Os meios de comunicação, devem servir ao humano e isso significa, conhece-lo e principalmente amá-lo. Com isso, sejamos cada vez mais, novos sujeitos através das mídias digitais. Dá sim, para construir amizades autênticas por aqui e transformar este mundo em algo melhor. O nosso grupo, dos Catequistas em Formação, é um pouco, a prova disso.

Alberto Meneguzzi.

BÊNÇÃO: PAPA FRANCISCO


Recebam estas palavras como uma bênção para cada um de vocês.

O que é uma bênção? Uma bênção de Deus… cria um escudo de luz na pessoa que você está abençoando. É a conexão divina! Daí a importância de abençoar sempre com amor!

Abençoe seu dia, seu parceiro, seus filhos, seus amigos, tudo que você faz, o seu trabalho! Pare por um segundo e abençoe a pessoa que está perto de você, você pode fazer mentalmente; pare, olhe e veja que existe uma alteração ligeira no seu rosto. Abençoe seu corpo, independentemente de que esteja doente ou saudável! Abençoe-o e preencha-o com luz, amor, misericórdia e perdão para que esteja saudável! Abençoe o seu relacionamento, sem te importar se te encontra só, porque você mesmo se complementa.

Abençoe o seu trabalho, se te pagam pouco ou se te pagam muito, porque ao abençoá-lo, você fica cheio de luz divina e desta forma, está se preparando para algo melhor! Tem direito a coisas maravilhosas, só tem que crer e sentir! Avante! Bendiga-te.

Abençoa a sua existência, sem se importar que tenha tido experiências dolorosas! Estas são apenas obstáculos para superar e crescer! Então Deus os abençoe e guarde e o Espírito Santo vos encha de sabedoria e de entendimento e guie teus passos na sua bela existência. Amém!!!

(Papa Francisco)      

sexta-feira, 15 de julho de 2016

MAS, QUEM É ESTE HOMEM? (2)

Aqueles primeiros discípulos, que já olhavam o mestre com alguns “dogmas” também, viram morrer isso tudo… Olhavam para o Mestre como Messias Davídico, olhavam para o Reino como restauração política… e outras coisas. Na morte de Jesus morreram todos os dogmas e ficou Jesus só, a sua Vida ficou a nu! A vestimenta Dogmático-Messiânica foi-lhe retirada, lançada em sortes pelos soldados romanos e, na sua morte, rasgada de alto a baixo como o Véu do Templo. Ficou Jesus só, e a sua Vida a nu!
Então, naqueles três dias diante disto dentro de si, o Espírito encontrou as condições para fazer deles aquilo para o qual Jesus os preparara… Pela experiência pascal, redescobriram o Mestre de maneira nova. Agora viam-no novamente digno, vivo, revestido com a abundância do Espírito de Deus que o amava como o tal Abba de que ele lhes falara, revestido da confirmação divina da sua maneira de viver, que tantas vezes os tinha escandalizado e surpreendido… e a sua morte na cruz tinha sido o momento maior desse escândalo e surpresa…
Depois é que começaram a chamar-lhe “o Senhor”, o Vitorioso, o Vivente… E, a partir daí, começa a história dos títulos cristológicos, ou seja, muitas maneiras de tentar dizer a abundância do Poder Salvador que Deus atua nele e através dele. Muitas maneiras, muitos títulos, muitas linguagens, porque é uma Boa Notícia que não se esgota…
Mas antes… vamos antes, agora, à origem evangélica da Fé em Jesus que tem a ver com ter Fé nele dando crédito à sua Notícia. Acreditar que ela é Boa, e dar-lhe crédito! Dar-lhe crédito a ponto de o seguir, dar-lhe crédito a ponto de deixar/possibilitar que essa Boa Notícia trazida pela sua presença atue em nós como renascimento, libertação e vocação…
Por isso é que Jesus diz sempre: “Foi a tua Fé que te salvou! ” Talvez façamos poucas experiências de Salvação no concreto dos nossos dias por não estarmos muito “treinados” nesta Fé no sentido do Evangelho, ou seja, de dar crédito à palavra de Jesus a ponto de acreditarmos mesmo que é verdadeira, eficaz e atual.
Ficamo-nos muitas vezes pela “fé religiosa” à procura das transformações, esperando sinceramente que Deus faça qualquer coisa…
A Fé Evangélica é um acolhimento… como dizer isto? Ter Fé é Acreditar a Boa Notícia de Jesus, de tal modo que a tornamos eficaz em nós. É mais do que Acreditar NA Boa Notícia… é Acreditar A Boa Notícia. Mais do que acreditar nela é acreditá-la em nós mesmos! Este é o caminho das maravilhas a acontecer na nossa Vida… Dar-lhe crédito é dar-lhe eficácia. “A tua Fé te salvou! A tua Fé te curou! ”
As perguntas da Fé que Jesus faz evangelhos não têm nada a ver com isto: “Acreditas que eu sou o Filho do Altíssimo?! Acreditas que sou a luz do mundo?! Acreditas que sou Deus de Deus, luz da luz, gerado não criado e consubstancial ao Pai?! Hein?”
As perguntas da Fé são estas: “O que queres que eu te faça? Acreditas que eu posso?!” Isto é que muda tudo…
Mt 9, 27-29: “Enquanto Jesus ia a caminho, dois cegos aproximaram-se dizendo: Filho de David, tem piedade de nós! Quando entrou em casa, Jesus disse-lhes: Acreditais que eu posso fazer isso? Eles responderam: Sim, senhor! Ele tocou-lhes nos olhos e disse, então: Aconteça como vocês acreditam! ”
Lembro-me também do pai do menino epilético (Mc 9, 17-27), que disse a Jesus: “Se podes alguma coisa, tem piedade de mim e ajuda-me! ” E Jesus respondeu: “Se posso?! Tudo é possível a quem acredita! ” Imediatamente o pai do menino gritou: “Eu acredito! Mas socorre a minha falta de Fé…”
A Fé, “muita ou pouca” no Evangelho, não tem a ver com os dogmas cristológicos ou com as devoções dos crentes, mas com a abertura sincera ao poder de Jesus. Não é simplesmente acreditar que ele “é isto ou aquilo”, mas que ele “pode” aquilo que diz e se diz dele…
A mais radical atitude de Fé nele é segui-lo, tornar-se seu discípulo. Mais do que acreditar no que ele diz e se diz dele, é acreditá-lo com a própria vida e com o próprio seguimento.
Seguir Jesus hoje já é muito mais do que gostar daquele galileu e do que ele dizia e fazia… é mais do que procurar ser fiel à sua mensagem ou mesmo viver ao seu jeito… é isto, sim, na fidelidade a esse galileu que mataram fora dos muros santos de Jerusalém, mas é muito mais… Porque seguir Jesus, hoje, é seguir um Re-Suscitado! E isso muda tudo… TUDO!
Porque não é igual ser discípulo de um Mestre ou seguidor de um Re-Suscitado! Acho que às vezes nem nos damos conta do “bico d’obra” em que nos metemos ao proclamar os testemunhos evangélicos da sua Boa Notícia e, ao mesmo tempo, cantarmos “Alelu’Ya” ao Senhor Re-Suscitado e Vitorioso sobre o pecado e a morte, confirmado por Deus e glorificado na abundância do Espírito Santo…
Já reparaste na força que ganha o Evangelho quando dizemos que aquele que é a sua origem está Re-Suscitado por Deus?! Significa que não podemos por em causa a verdade, a eficácia, o poder desta Notícia que Jesus anunciou e viveu… o próprio Deus o confirmou!
Pensa nalgumas coisas que Jesus te diz como Evangelho… aquelas que te lembras mais espontaneamente… Diga-as dentro de ti, devagar e, depois de cada uma, toma consciência que quem te diz é Jesus Re-Suscitado, alguém que vive para sempre e é mais forte do que todo o pecado e toda a morte e toda as experiências de fracasso na tua Vida…
Repete dentro de ti essa frase ou expressão que Jesus diz… e depois lembra-te que aquele que te diz está Vivo para sempre, que o próprio Deus confirmou, ao Re-Suscitá-lo, isso que ele te diz hoje de novo… o próprio Deus confirmou isso que estás a lembrar-te que Jesus te diz… o próprio Deus confirma que isso é verdadeiro, que funciona para seres feliz, que é por aí o Caminho, a Verdade e a Vida…
Na sua ressurreição, o próprio Deus confirma que tudo isto é verdadeiro, duradouro, eterno e eficaz! Deus não chamaria “seu filho, seu deleite” e não constituiria como “Cabeça de uma Nova Humanidade e dador do Espírito da Filiação” um charlatão! Deus confirma que Jesus é verdadeiro e a sua Boa Notícia é para sempre.
Todo o Evangelho por ele proclamado e vivido foi confirmado pelo punho de Deus: é verdadeiro! O próprio Jesus assinou a verdade indiscutível do seu Evangelho pela sua morte, e Deus assinou essa verdade pelo poder da sua ressurreição. É verdadeiro e é eterno. Desapareçam os medos de dentro de nós, aprendamos a Fé e não fujamos da experiência dos “três dias” que todos os discípulos têm que fazer… e vamos ver como essa Verdade nos merece mesmo a Vida!
SHALOM
Rui Santiago, cssr.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

HOMILIA DO DOMINGO - 16º Domingo do Tempo Comum Ano C

A ÚNICA COISA NECESSÁRIA
As atitudes diferentes de Maria e Marta, as duas irmãs que hospedam Jesus em casa, levam-nos a refletir sobre como estamos atentos à presença de Jesus em nossa vida, sobre como valorizamos tal presença, dedicando a ele tempo para ouvir sua Palavra e assim não reduzir a própria vida a agitações e preocupações.
O próprio Mestre nos garante que uma só coisa é necessária: reconhecer a preciosidade de sua presença, pôr-se a seus pés como discípulo, deixar que ele fale e seja luz em nosso caminho. Mais que transmitir um ensinamento, com suas palavras Jesus doa a própria vida. Aprender com ele não é entrar em contato com simples doutrina ou teoria; é sobretudo conhecer uma pessoa e suas opções de vida, sua compaixão para com os sofredores, seu longo caminho de doação em favor dos que não têm vida digna.
É no caminho a Jerusalém, de fato, que Jesus se hospeda na casa de Marta e Maria. Dedica-lhes tempo, convive e espera delas a atenção para que se realize um encontro que realmente transforme a vida e transforme as relações, naquela sociedade em que as mulheres não tinham o direito de aprender com nenhum mestre. Pois Jesus é Mestre diferente, sem igual, e conta com as mulheres para realizar sua missão.
A história das duas irmãs nos mostra assim que, mais importante que fazer as coisas, é fazê-las segundo o ensinamento de Jesus. A agitação e a preocupação de Marta a impedem de escutar a palavra do Mestre, como na parábola do semeador, onde as preocupações sufocam a semente e esta não produz fruto (cf. Lc 8,14). Maria soube escolher a melhor parte, ou seja, soube reconhecer que, atentos à palavra de Jesus, nossa vida e nossas ações ganham novo significado.
O quanto falta da atitude de Maria, a nós que frequentemente nos agitamos e inquietamos por tantas coisas? Quando aprendemos com o Mestre, reconhecemos a única coisa necessária, a vida que ele nos doa e que ninguém nos poderá tirar. Encontramos então, por acréscimo, tudo o mais: a esperança, a fé e o amor que nos impulsionam a doar-nos como ele se doou.
Pe. Paulo Bazaglia, ssp

MAS, QUEM É ESTE HOMEM? (1)

 Transcendência não é distância nem lonjura… é interioridade, intimidade… não é ultrapassar uma distância, mas ultrapassar a superficialidade…
O melhor da nossa Vida está sempre marcado por pessoas que conhecemos. Antes do melhor que vivemos, no início de cada etapa de “Vida cheia e em cheio”, podemos sempre dizer com certeza absoluta: “Hummm… apareceu alguém! ”
A verdade é que precisamos conhecer gente boa para sermos felizes. Não é?
Era uma vez um homem encantador chamado Jesus. Lá na aldeia dele, e depois por onde andou, todos o chamavam “Yeshu”, o diminutivo de “Yeshuah”. E chega de falar dele no passado… Porque, a verdade é que Jesus é um homem fascinante! Exerce um extraordinário poder de atração e à medida que o vamos conhecendo, damo-nos conta que ele se transcende a si mesmo. Não tem em si o fim de si mesmo, é porta aberta a um Mistério de Vida Maior ao qual ele pertence inteiro…
Esse Mistério percebemos que não é “daqui”, mas também não é “de longe”… é Íntimo! Talvez seja esse o verdadeiro significado da transcendência… a absoluta intimidade ou interioridade… Percebemos isso nele. Transcendência não é distância nem lonjura… é interioridade, intimidade… não é ultrapassar uma distância, mas ultrapassar a superficialidade…
Ele é assim, encantador, e abre-nos a mundos sempre novos, e sempre próximos…
Todos o sentem, ao mesmo tempo, como alguém admiravelmente próximo e inquietantemente “outro”, único… numa maneira de o sentirmos único que nos faz perguntar “Quem é ele? ” E “O que o habita? ”… Desde o princípio que é assim, que estas perguntas surgem no convívio com ele.
É alguém com uma capacidade extraordinária de “sintonizar”, de fazer-nos experimentar a comunhão. Nesta capacidade de sintonizar conosco, convida-nos a entrar em intimidade consigo. Se deixamos, percebemo-nos mergulhados no seu próprio ambiente interior de intimidade, ou seja, na sua maneira de falar com Deus, de olhar para as pessoas, de interpretar os acontecimentos e de lidar com as situações…
Quando nos convida a entrarmos em intimidade com ele, está nos convidando a entrarmos na intimidade dele!
Não é um amigo fácil de se ter… Porque não coincide conosco! Um homem encantador dificilmente é daqueles “porreiraços” que nunca nos dizem mais do que “É isso sim senhor! ” Espanta-nos a sua maneira de fazer algumas coisas, desconcertam-nos coisas que diz, provocam-nos convites que nos faz, doem-nos até feridas em que nos toca às vezes…
Mas parece que não conseguimos abdicar dele, quando o conhecemos a ponto de o amarmos… Nem quereríamos nunca que ele fosse diferente, apesar de às vezes nos queixarmos.
É espantoso como nele coabitam de maneira tão harmoniosa a tolerância e a exigência… Que mistério de grandeza humana o Espírito Santo faz acontecer no seu íntimo! Que fidelidade a sua aos apelos deste Espírito para se ter constituído um Ser Humano deste “tamanho”! Como dizia um teólogo há umas décadas, Leonardo Boff: “Humano tão humano?! Só pode ser Deus mesmo! ” Porque o Divino não é o contrário do Humano… antes, a sua Plenitude!
Aqueles que se sentiam mais interpelados por ele, já nos relatos evangélicos, e o seguiam, acabavam sempre por andar atrás dele a tentar descobrir o que tinham realmente feito! Segui-lo era uma experiência paradoxal, ambígua, às vezes… e, sobretudo, “custosa” de encaixar dentro dos esquemas pré-concebidos que levavam com eles quando se tinham decidido a segui-lo…
Iam percebendo que era preciso nascer de novo para ser discípulo de um Mestre assim…
Era um homem com uma capacidade de acolhimento e tolerância como nunca tinham visto, mas que ao mesmo tempo fazia acontecer dentro deles um apelo de exigência tão profundo, um convite à mudança tão intenso que às vezes lhes pareceria o Mestre quase uma “ameaça”, como quem se preparava para lhes tirar tudo…
Por isso até o tentavam converter aos seus próprios esquemas e lógicas… Pedro, Tiago e João, de maneira particular, bem podiam dar testemunho disso, e como lhes correram mal as tentativas…
Nos evangelhos encontramos pedaços destas dificuldades dos discípulos com Jesus e de Jesus com os discípulos e com os “candidatos a”… Se puder, leia na bíblia: Lucas 9, 43-62. Se é possível leia agora mesmo, online, clica aqui e leia a partir do versículo 43.
É claro que ser discípulo de Jesus não é para todos… mas também não é para os melhores! É para os que têm “aquilo”… que eu não sei te explicar o que é, mas que tem a ver com a capacidade de deixar Jesus mandar, entregar-lhe o domínio, ser capaz de fechar os olhos e admitir que ele não falhará, mesmo se nós falharmos… tem a ver com confiança… tem a ver com ser maior do que as regras da sensatez que nos faz querer ser meninos bem-comportados a vida toda…
Ser discípulo de Jesus não é para todos… mas também não é para os melhores! É para os que têm “aquilo”… que eu não sei dizer o que é ao certo mas parece-me que tem a ver com deixar-se arrebanhar pela causa e ser capaz de mudanças… “aquilo” acho que tem a ver com ser capaz de depositar Fé em alguém…
O seguimento de Jesus é uma experiência de Fé. Para nós, hoje, é fácil confundirmos Fé em Jesus com a crença nos dogmas e títulos cristológicos: chamamos-lhe Filho de Deus e dizemos que acreditamos; dizemos que ressuscitou e acreditamos… Mas ter Fé em alguém é coisa diferente, não é? [Depois, continuo...]
SHALOM

Rui Santiago, cssr

quarta-feira, 13 de julho de 2016

É FESTA: NOSSO BLOG COM MAIS DE 1 MILHÃO DE VISUALIZAÇÕES!


Com quase cinco anos de existência (ele foi criado dia 01 de novembro de 2011), nosso blog alcança esta semana 1 MILHÃO DE VISUALIZAÇÕES!

Motivo de festa e de comemoração, afinal, não é fácil manter-se na rede mundial, proporcionando conteúdos que fidelizem e tragam confiança aos leitores. Assim como não é fácil chegar a esta marca com conteúdo religioso, em sua essência e com um público específico.

E só temos a agradecer, primeiramente a DEUS, por nos trazer a força e a iluminação para este trabalho e depois a este MILHARES de leitores que nos prestigiam e confiam em nós. Porque este blog não se faz sozinho, se faz pela inspiração que tantos CATEQUISTAS nos trazem.

Obrigada, obrigada, obrigada MEU DEUS, pelas sementes de fé e conhecimento que estão se espalhando pela rede pelas mãos e teclados dos CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO!!


Ângela Rocha, Cláudia Pinheiro, Nilva Mazzer, Janice Santos...
Parabéns a vocês por manterem esta ideia no ar!

Jin Hee Kim, Abigail Martins Oliveira, Maria Paula Rocha...
Obrigada a vocês pela colaboração inestimável!

E que venham mais e mais pessoas para compor nosso grupo: Adriana Geffer, Cleuza Lucas, Maria Izabel Silva, Regiana Oliveira, Janaina Saraiva, Tatiana Fernanda... Contamos com vocês!


sábado, 9 de julho de 2016

Boletim Formativo - Edição Especial - Ano da Misericórdia

Catequistas em Formação, é com alegria que trazemos para vocês mais uma edição do nosso Boletim Formativo.  
E não poderíamos deixar de falar, divulgar e propagar as maravilhas que o Senhor tem para nós durante este Ano Santo, que já passou da metade.

Queridos Catequistas, esperamos que gostem e divulguem.

Um Feliz e Santo Ano da Misericórdia!



sexta-feira, 8 de julho de 2016

HOMILIA DO DOMINGO - 15º Domingo do Tempo Comum - Ano C

Lc 10,25-37

A liturgia deste domingo procura definir o caminho para encontrar a vida eterna. É no amor a Deus e aos outros – dizem os textos que nos são propostos – que encontramos a vida em plenitude.

O Evangelho sugere que essa vida plena não está no cumprimento de determinados ritos, mas no amor (a Deus e aos irmãos). Como exemplo, apresenta-se a figura de um samaritano – um herege, um infiel, segundo os padrões judaicos, mas que é capaz de deixar tudo para estender a mão a um irmão caído na berma da estrada. “Vai e faz o mesmo” – diz Jesus a cada um dos que o querem seguir no caminho da vida plena.

O que está em jogo no texto que nos é proposto é uma pergunta de um mestre da Lei: “o que fazer, a fim de conseguir a vida eterna?” 

A resposta é previsível e evidente, de tal forma que o próprio mestre da Lei a conhece: amar a Deus, fazer de Deus o centro da vida e amar o próximo como a si mesmo. Neste “resumo” dos mandamentos, cita-se Dt 6,5 (no que diz respeito ao amor a Deus) e Lv 19,18 (no que diz respeito ao amor ao próximo). Jesus concorda: até aqui, a proposta de Jesus não acrescenta nada de novo àquilo que a própria Lei sugere.

A dúvida do mestre da Lei vai, no entanto, mais fundo: “e quem é o meu próximo?” É uma questão pertinente, neste contexto. Na época de Jesus, os mestres de Israel discutiam, precisamente, quem era o “próximo”. Naturalmente, havia opiniões mais abrangentes e opiniões mais particularistas e exclusivistas; mas havia consenso entre todos no sentido de excluir da categoria “próximo” os inimigos: de acordo com a Lei, o “próximo” era apenas o membro do Povo de Deus (cf. Ex 20,16-17; 21,14.18.35; Lv 19,11.13.15-18). Jesus, no entanto, tinha uma perspectiva diferente da perspectiva dos “fazedores de opinião” de Israel. É precisamente para explicar a sua perspectiva que Jesus conta a “parábola do bom samaritano”.

A parábola situa-nos nessa estrada de cerca de 30 quilômetros entre a cidade santa de Jerusalém e o oásis de Jericó. Na época de Jesus, é uma estrada perigosa, sempre infestada de bandos armados. Ora “um homem” não identificado (não se diz quem é, de que raça é, qual a sua religião, mas apenas que é “um homem”, embora, pelo contexto, possa depreender-se que é um judeu) foi assaltado pelos bandidos e deixado caído na berma da estrada. Trata-se, portanto (e isso é que é preponderante), de “um homem” ferido, abandonado, necessitado de ajuda.

Recordemos que a pergunta inicial era: “o que fazer para alcançar a vida eterna”… A conclusão é óbvia: para alcançar a vida eterna é preciso amar a Deus e amar o próximo. O “próximo” é qualquer um que necessita de nós, seja amigo ou inimigo, conhecido ou desconhecido, da mesma raça ou doutra raça qualquer; o “próximo” é qualquer irmão caído nos caminhos da vida que necessita, para se levantar, da nossa ajuda e do nosso amor. Neste gesto do samaritano, a Igreja de todos os tempos (a comunidade dos que caminham ao encontro da vida plena, da salvação) reconhece um aspecto fundamental da sua missão: a de levantar todos os homens e mulheres caídos nos caminhos da vida.

Catequistas, vamos refletir: 

As nossas comunidades são clubes fechados, “reservados a sócios”, onde é “proibida a entrada aos estranhos”, ou comunidades onde são amados e têm lugar todos aqueles que a vida atira para a beira da estrada?

Fonte

quinta-feira, 7 de julho de 2016

ASSUSTA-ME ESTE RISCO - HOMILIA DO DOMINGO

ASSUSTA-ME ESTE RISCO
15º Domingo do Tempo Comum – Ano C -  (Lc 10, 25-37)

A parábola é daquelas mais conhecidas. Tão conhecida que até achamos que a conhecemos por todos os lados. Talvez só no falta, então, que ela nos apanhe, de vez, que nos dê aquela “laçada” que deu ao Doutor da Lei.

Tudo começa numa conversa cheia de malícia por parte do Doutor da Lei. Ainda os há, desses, manhosos, que usam palavras como ferrões. Que pena… Adiante, que há que limpar o pó dos pés e seguir!

Tudo começa numa conversa dessas e com aquele “Meeestre”, dito cheio de ironia. Um Doutor sem mestria, e um Mestre sem Doutoramento, eis lançada a situação. Jesus não lhe dá espaço para discussão porque lhe responde com uma pergunta. E o Doutor da Lei respondeu. Quer dizer, respondeu-se, a si mesmo. Não pode agora argumentar, como esperava…

Querendo fugir deste primeiro nó que Jesus lhe deu, virou-se para outro lado e fez nova pergunta. Sobre o próximo, diz ele. Jesus contou-lhe a parábola do samaritano, em que põe à mostra a idolatria da qual a casta de Jerusalém se tinha tornado servidora.

É antiga esta regra da mística judaica: os ídolos têm olhos e não veem, têm ouvidos, mas não ouvem, têm boca, mas não falam, têm mãos, mas não atuam, têm pés, mas não se aproximam, têm pescoço, mas não há sopro dentro dele, tem tronco, mas nele não mora um coração. E - aqui vem a regra! - tornam-se iguais a eles aqueles que os adoram. Pode ir ver o Salmo 115, por exemplo, ou o 135, que o repete.

Do que fala esta parábola de Jesus senão desta idolatria? Um culto que não gera fraternidade, nem justiça, nem sensibilidade. Um homem que descia de Jerusalém, apanhado e maltratado por ladrões, fica ao “Deus dará” naquela beira de caminho. E Deus dá, por meio do samaritano, porque com o sacerdote e o levita não pode contar. Aqueles que descem de Jerusalém manifestam, no seu modo de proceder, a idolatria que lá estiveram a praticar. Porque vêm iguais aos ídolos! Com olhos, não veem; com ouvidos, não ouvem; com boca, não falam; com mãos, não atuam; com pés, não se aproximam; não há sopro de vida neles, nem coração que lhes dê voltas no peito. Jerusalém desmascarada.

Assusta-me esta possibilidade de transformarmos o Deus Vivo num ídolo morto. Assusta-me porque sei que é uma possibilidade real e presente. Perturba-me o risco que corremos continuamente de transformarmos o Evangelho da Vida num manual religioso, a Palavra de Deus num devocionário de cabeceira, a Cruz num adorno e Jesus num amuleto. Sim, isto é possível. E acontece.

Precisamos de nos converter, sempre. O caminho é a Humanidade de Jesus. Tornarmo-nos humanos assim, à medida e maneira dele, com olhos que veem, ouvidos que ouvem… Gente com coração e entranhas de misericórdia.

Os ídolos, frios e mortos que estão, acabam sempre por fazer de nós gente assim fria, blindada, impermeável e rígida. Na convenção dos adoradores dos ídolos, ficarás sempre com a sensação de teres de pedir desculpa por estares vivo. Mexes-te demais. Existes muito! Sai de lá, rápido, que a apatia pega-se e a indiferença é viral.

Não te metas com ladrões, que eles levam-te por caminhos de violência. Não te metas com Doutores da Lei, também, que eles levam-te para as tocas deles, onde te tornam imunes ao sofrimento e opacos à misericórdia.

Aquele homem ali tombado na beira do caminho é vítima duas vezes. É vítima da Lei da Natureza, esse ímpeto de agressão que levamos em nós, a selvajaria, a inveja e o roubo. É também vítima da Natureza da Lei, que permanece imune aos gemidos. A perversão da lei é o legalismo que coloca a norma acima da pessoa, que defende a norma das pessoas! Assim acontecia ali, porque segundo a lei de Israel o sangue tornava as pessoas impuras. E os de Jerusalém, sacerdote e levita, que desciam tão puros e íntegros pelo caminho…

Entre a lei da Natureza e a Natureza da Lei, aparecem as Entranhas da Graça. Comovem-se as entranhas daquele samaritano, homem de má raça para os judeus, impuro por nascimento. Perdido por cem, perdido por mil!

A Graça imensa de um Deus Samaritano! 
Deus Andarilho, Cigano, Perdido…

Senhor, Pai de Jesus e meu Pai, quero, ao menos, estar Vivo!
Quero que me encontres, ao menos, em toda a minha debilidade e pequenez, capaz de tocar e ser tocado.
Prefiro ser vulnerável, com todos os problemas que isso me traga, a tornar-me duro e insensível, porque essa convocatória mortal daria cabo de mim para sempre.
Salva-me, oh Deus.
Abba, Deus Vivo e Fonte de toda a Vida, faz-me participar da existência de Jesus, enxerta-me na Sua imensa humanidade, que eu quero ser membro dele, e quero viver da Seiva Viva do Seu Corpo, do Vosso Espírito, como Sangue.
Em mim. Através de mim. Para sempre.
Amém.

Pe. Rui Santiago, cssr.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?

O Evangelho deste domingo é belíssimo e nos faz pensar em várias coisas, desde os questionamentos de Jesus, as respostas dos discípulos até a postura de Pedro que culminou nele como nosso primeiro Papa, tamanha a sua fidelidade para com Deus.

No entanto, o que queremos é te convidar a refletir nesta semana que se inicia é o trecho dos versículos 15 e 16: “Então Jesus lhes perguntou: ‘E vós, quem dizeis que eu sou?’

Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo’”.

Deus se vira para cada um de nós e nos pergunta: E você? Quem diz que eu sou na sua vida? Nas suas dificuldades e nas suas alegrias. Como você tem me reconhecido para si mesmo e para os demais? Que papel tenho desempenhado em sua vida? Tenho sido seu Salvador? Seu Messias?

Acredito que estes trechos do evangelho nos oferecem um momento propício para realizar um deserto interior e deixar emanar de nossa alma a resposta, tal qual aconteceu com Simão Pedro. Ele declarou para si mesmo, para os outros e para Jesus naquele momento o que o seu coração já havia entendido, ou seja, estava diante do Messias, o Rei Salvador de sua vida.

Pedro tanto assumiu esta verdade que toda a sua trajetória de vida mudou.

Se reconhecemos Jesus como nosso Messias, nosso Salvador, não podemos nos permitir não mudar nossas atitudes dia após dia. Jesus é aquele que intervém em nossa trajetória e modifica tudo para melhor. Não podemos nos permitir ficar nas situações como meras vítimas e passar pela vida reclamando. 

Precisamos juntamente com Jesus assumir a postura de que tudo pode ser diferente se eu assumir que o primeiro a mudar tem de ser eu em tudo. Independente do que você está vivendo, eu te convido a fazer esta experiência: olhe para Jesus como teu Salvador, assuma isto para si e para os outros e não deixe que as situações do dia a dia te acorrentem. Jesus já te salvou. Assuma isto!

Boa semana para nós…e que venham as mudanças!

Paz de Cristo!