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domingo, 24 de maio de 2020

O NECESSÁRIO DIÁLOGO ENTRE A FÉ E A CIÊNCIA



O Espírito de Deus inspira, anima, orienta, consola, mas não toma as ferramentas das mãos da humanidade para resolver, em um passe de mágica, as dores e os problemas que essa própria humanidade está passando.

O caos que se apossou do Brasil com a chegada do coronavírus apresenta várias dimensões: sanitária, política, ideológica, econômica. No entanto, há igualmente uma outra dimensão, que eu chamaria aqui de caos do discurso pseudocientífico – em boa parte artificialmente produzido.

Enquanto os cientistas – médicos, pesquisadores, sanitaristas, técnicos em saúde – explicam à população como se porta a doença, quais as medidas necessárias para combatê-la, outras vozes parecem interferir no processo dessa comunicação adotando uma linguagem que instaura a confusão.

A ciência é um dos motores do desenvolvimento da humanidade e da vida. Seu progresso tem sido responsável por grandes melhorias na vida humana, sobretudo no decurso do último século, ainda que os frutos desse progresso não tenham sido repartidos equitativamente pelo mundo. Por outro lado, o mau uso que muitas vezes é feito dos conhecimentos científicos foi, no mesmo século passado, causa das piores provações pelas quais a humanidade teve que passar. Por isso, ainda que o progresso da ciência que a racionalidade moderna possibilitou seja altamente positivo; ainda que se considere correta a afirmação de que a ciência é o motor do desenvolvimento em todas as frentes; os esforços feitos por muitos países e regiões do globo no domínio científico ainda permanecem muito aquém de um mínimo julgado desejável. E boa parte das razões para tal é a manipulação que interesses econômicos, políticos e ideológicos fazem contra a objetividade e a excelência que deve caracterizar toda ciência.

No momento em que explodiu a pandemia viral, a ciência – a medicina, a biologia, a infectologia e todas as áreas científicas que tratam da vida – ocuparam a linha de frente das atenções. Buscaram-se orientações, explicações, argumentos lógicos que ajudassem a administrar a tragédia que vivíamos.

Por outro lado, competições ideológicas e embates políticos, muitas vezes se atravessaram no caminho do trabalho científico. E isso aconteceu por diversas formas: seja a do obscurantismo, que ataca retoricamente a liberdade de pesquisa científica, seja com políticas públicas retrógradas que cortam verbas e esvaziam institutos e laboratórios de pesquisa. Em um momento em que a crise ecológica atinge proporções nunca antes vistas, os impactos climáticos são minimizados, e os alertas emitidos pela comunidade científica desprezados como se não fossem evidências objetivas e sim opiniões casuais e não fundamentadas.

Com o Covid-19 a ciência voltou a ocupar seu papel de baluarte da verdade objetiva e verificável. Tornou-se um refúgio firme para uma sociedade assustada e vulnerabilizada pelo avanço descontrolado da doença e a subida dos números de vítimas fatais. A ciência é, hoje, a linha de frente no combate à pandemia. Fornece à população números, informações, percentagens que permitem ter um quadro do que se passa. E podem ser vistos ao mesmo tempo inúmeros laboratórios empenhados em encontrar remédios que tratem a doença causada pelo vírus, sequenciando o genoma do vírus em tempo recorde, buscando pelos caminhos da pesquisa apaixonada e responsável uma vacina.

Há, no entanto, tentativas de travar esse trabalho, muitas delas invocando o nome de Deus. Contestam-se os dados fornecidos pela ciência, contradizem-se informações precisas e objetivas e se dão orientações conflitantes à população. Afirma-se que Deus salvará a todos do vírus, que o que os cientistas dizem é um exagero, e que o que há que fazer é orar porque Deus nos salvará do vírus.

Desde sempre, em todas as religiões, mas muito concretamente nas religiões monoteístas e mais especificamente no judeu-cristianismo, Deus não se imiscui nos negócios humanos para interferir na ação da própria humanidade na resolução de seus problemas. O Espírito de Deus inspira, anima, orienta, consola, mas não toma as ferramentas das mãos da humanidade para resolver, em um passe de mágica, as dores e os problemas que essa própria humanidade está passando.

Toda tentativa ao longo da história de converter Deus em árbitro da ciência, impedindo-a de avançar, já foi suficientemente desmascarada e situada em seu devido lugar: é falsidade e embuste. Assim, governantes despóticos e irresponsáveis que buscam desautorizar os cientistas que dizem a verdade em meio a um momento grave como o que estamos vivendo terão que responder diante do tribunal da história. E também diante do tribunal divino, que fará cair os véus, desvelando suas tentativas de vendar os olhos do povo com ilusões e falácias, na sua mais atualizada forma: as fake news.

Em meio à pandemia, a comunidade científica tem construído uma rede sólida de informações, colocando a ciência na vanguarda das políticas de combate à pandemia. Assim, se pode combater o obscurantismo institucionalmente, usando de transparência e honestidade, atualizando constantemente as medidas adotadas e procurando adequar as condições da saúde às reais necessidades decorrentes da própria pandemia. E a fé não pode estar ausente dessa rede e desse diálogo.

Falar de Deus em tempos de coronavírus implica dialogar com a ciência e deixar-lhe plena autonomia no campo e competência que lhe é própria. Não misturar epistemologias ou querer tratar o que releva do campo do biológico com instrumentos falsamente espirituais que matam em vez de curar e alimentam políticas genocidas, empurrando as pessoas para o contágio e muito provavelmente para a morte.

Maria Clara Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autora de “Mística e Testemunho em Koinonia” (Editora Paulus), entre outros livros.

FONTE:
MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER, redacao@jb.com.br


quinta-feira, 21 de maio de 2020

SOLENIDADE DA ASCENÇÃO: RENOVAR O COMPROMISSO AO TESTEMUNHO


Durante as saudações no final da Audiência Geral desta quarta-feira (20), o Papa Francisco falou sobre a Solenidade da Ascensão, que será celebrada amanhã no Vaticano. Francisco destacou que o ensinamento da palavra de salvação de Cristo e seu anúncio na vida diária, devem ser o ideal e o compromisso de cada um.

Mais uma vez um convite à missão, ao anúncio do Evangelho e ao testemunho diário. São palavras do Papa no final da Audiência Geral desta quarta-feira (20), durante as saudações em italiano aos fiéis conectados via streaming. Francisco antecipa a Solenidade da Ascensão do Senhor, exortando todos a serem "testemunhas generosas de Cristo Ressuscitado", conscientes de que Ele, subindo aos céus, não abandona ninguém, ao contrário, "Ele está sempre conosco e nos sustenta ao longo do caminho". "Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos idosos, aos doentes e aos recém-casados. Jesus Cristo, subindo ao céu, deixa uma mensagem e um programa para toda a Igreja:

“Ide e ensinai todas as nações... ensinando-as a observar tudo o que vos ensinei. Que seja seu ideal e seu compromisso, tornar conhecida a palavra de salvação de Cristo e dar testemunho dela na vida diária. A todos minha bênção!”

ORIGENS DA SOLENIDADE

Na quinta-feira da sexta semana da Páscoa, 40 dias após a Ressurreição, a Solenidade da Ascensão é celebrada no Vaticano e em alguns países do mundo, e em outros, é adiada para o domingo seguinte. Neste dia é lembrada a Ascensão ao céu de Jesus que, de fato, conclui sua estada terrena entre os homens para se unir fisicamente ao Pai e não aparecer novamente na Terra até sua Segunda Vinda (Parusìa) para o Juízo Final. Trata-se de uma festividade muito antiga da qual existem vestígios já no século IV. No Credo dos Apóstolos é mencionada com estas palavras: "Jesus subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai". E novamente ele virá, em glória, para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim". O episódio está bem descrito nos Evangelhos de Marcos e Lucas e nos Atos dos Apóstolos.

AS PALAVRAS DO PAPA

Para a Igreja Católica, a Ascensão é o prelúdio ao Pentecostes e de alguma forma marca o início de sua história e de sua missão junto com a humanidade. Francisco o recorda todos os anos nesta ocasião, insistindo no compromisso de cada cristão com o anúncio da salvação. Durante Regina Coeli, em 13 de maio de 2018, o Papa disse: “Trata-se de ser homens e mulheres da Ascensão, ou seja, buscadores de Cristo pelas sendas do nosso tempo, levando a sua palavra de salvação até aos confins da terra. Neste itinerário, encontramos o próprio Jesus nos irmãos, sobretudo nos mais pobres, em quantos sofrem na própria carne a dura e mortificadora experiência de antigas e novas pobrezas. Assim como inicialmente Cristo Ressuscitado enviou os seus apóstolos com a força do Espírito Santo, também hoje Ele nos envia, com a mesma força para dar sinais concretos e visíveis de esperança. Porque Jesus que nos dá a esperança, foi elevado ao céu, abriu as portas do céu e a esperança que nós para lá iremos”.

No Regina Caeli de 1º de junho de 2014, o Papa falava da missão como comando necessário e não facultativo, quando afirmava: “Ir”, ou melhor, “partir” torna-se a palavra-chave da festa de hoje: “Jesus parte, sobe ao Céu, isto é, volta para o Pai pelo qual tinha sido enviado ao mundo. Cumpriu o seu trabalho, e depois voltou para o Pai. Mas não se trata de uma separação, porque Ele permanece para sempre conosco, de uma forma nova. Com a sua Ascensão, o Senhor ressuscitado atrai o olhar dos Apóstolos — e também o nosso — às alturas do Céu para nos mostrar que a meta do nosso caminho é o Pai.

Por fim, durante a homilia da Missa na Casa Santa Marta de 26 de maio de 2017, o Pontífice pedia para que este episódio nos desse estímulo para subir ao Céu, conhecer Cristo de perto e contar aos homens as suas obras e os seus prodígios: “Jesus, antes de partir disse: ‘Ide e fazei discípulos em todas as nações’. O lugar do cristão é o mundo para anunciar a Palavra de Jesus, para anunciar que fomos salvos, que Ele veio para nos dar a graça, para nos levar todos com Ele diante do Pai”. 

FONTE: vaticannews

UM PEQUENO OLHAR AOS SETE SACRAMENTOS



SACRAMENTOS, para nós são "SINAIS DA GRAÇA". Padre Joachim Andrade, professor de teologia pastoral da PUCPR, nos dá o que ele chama de "pequeno olhar" sobre os sacramentos:
FONTE:
Andrade, Joachim. Sacramentos. Aula de Teologia Pastoral. 3º período do curso de Teologia – PUC PR.


segunda-feira, 18 de maio de 2020

PEDAGOGIA: QUAL É A SUA?


PEDAGOGIA E CATEQUESE

O QUE É PEDAGOGIA?

Origem da palavra: A palavra Pedagogia tem origem na Grécia antiga, paidós (criança) e agogé (condução). Paidagogus era o condutor da criança, ele era um paternal "cuidador", e guiava a criança até o local de ensino e, metaforicamente, em direção ao saber. Entretanto, a prática educativa é um fato social, cuja origem está ligada à da própria humanidade

No decurso da história do Ocidente, a Pedagogia firmou-se como correlato da educação e da ciência do ensino. Nós nos apropriarmos da palavra para dizer que a pedagogia é a ciência da "condução" ao saber. Pedagogo é aquele que conduz. Então, nossa pedagogia é a forma como "conduzimos" o outro ao saber ou na direção correta.

Sendo assim, a Pedagogia é a ciência ou disciplina cujo objetivo é a reflexão, ordenação, a sistematização e a crítica do processo educativo.

Estatueta produzida na Grécia Antiga em terracota representando o escravo pedagogo.

Na Grécia antiga, o velho pedagogo (παιδαγωγός) com sua lanterna, conduzia a criança (παιδόσ) até a palestra (παλαίστρα) e exigia que ela realizasse as lições recomendadas. Esse παιδόσ (criança) tinha a idade entre sete e quatorze anos e era sempre do sexo masculino. Hoje, a figura do pedagogo clássico converteu-se no professor generalista das séries Iniciais do Ensino Fundamental e nos educadores não docentes que atuam na administração escolar, mas com formação em pedagogia.



Mas, vamos agora, "transportar" a palavra pedagogia para o nosso modo de "evangelizar", ou seja, levar a nossa "criança" (que muitas vezes é um adulto), para o ensino da fé. Em se falando de ensino da fé, temos como exemplos máximos a pedagogia de Deus, de Jesus e do Espírito Santo. Inspirada nestas pedagogias, a Igreja tem a sua própria que também leva a uma pedagogia catequética.

1.  PEDAGOGIA DE DEUS (DNC 138-139)

- Educador da fé – procura interação com o povo;
- Um sábio que assume as pessoas nas condições em que estão, liberta do mal e chama para viver o amor para crescer na fé;
- Se comunica por meios dos acontecimentos da vida do povo, de acordo com a situação pessoal e cultural de cada um;
- Parte da realidade das pessoas, acolhendo-as e respeitando-as com suas vocações e dons, chamando-as para a conversão;
- Forma eficiente de catequese narrativa e celebrativa, que transmite a fé e os ensinamentos do Senhor, de geração em geração, para o povo se deixar guiar por seu projeto de amor (Ex 24,10; Dt 5,2-4; Js 24,17; Is 51, 1b).

2. PEDAGOGIA DE JESUS (DNC 140)

- Modelo da pedagogia catequética;
- Convivência com as pessoas, continuidade da pedagogia do Pai;
- Jesus por meio de sua vida, palavras, sinais e atitudes; levou a plenitude a revelação Divina do Antigo Testamento;
- Motiva as pessoas a viverem de acordo com os seus ensinamentos, planta a semente da comunidade/ Igreja, que passa de geração em geração a mensagem da salvação e a pedagogia que ele ensinou com a vida.

2.1 Traços da pedagogia de Jesus que inspira a catequese:

a) Acolhimento as pessoas, pobres, pequenos, excluídos e pecadores (Mt 18, 12-14) – opção preferencial pelos pobres;
b) Anúncio do Reino: boa nova de verdade, da liberdade, do amor, da justiça, que dá sentido à vida;
c) Convite amoroso para viver a fé, esperança e caridade com a conversão e seguimento;
d) Envio dos discípulos para semear a Palavra e transformar a sociedade (Somos enviados e ao mesmo tempo mestres de outros discípulos);
e) Assumir a radicalidade do mandamento do amor, princípio pedagógico fundamental: Mt 17,20; Lc 13,16; Jo 13,24; Lc 10,29-37.
f) Atenção as necessidades e situações de vida das pessoas, valores culturais, provocando reflexão para mudança de vida;
g) Conversa simples, acessível, narrativas, comparações, parábolas e gestos, adaptando-as aos interlocutores e seguidores;
h) Firmeza diante das tentações, das crises, do sofrimento, buscando força na oração.

3. PEDAGOGIA DO ESPÍRITO SANTO (DNC 142 a 144)

- Princípio inspirador da atividade catequética;
- “Mestre interior”, faz compreender as palavras e gestos de Jesus;
- Pedagogia interior do coração; a catequese procura a união do conhecimento intelectual e a experiência amorosa da vida em Deus;
- A mensagem das Sagradas Escritura, na Tradição, na Liturgia, no Magistério, nos sinais dos tempos, precisa ser conhecida: A Catequese estimula a vivência no Espírito para que o catequizandos viva na liturgia, no Ano Litúrgico e na oração cotidiana o caminho de crescimento na fé;
- Experiência existencial, pessoal e comunitária de Deus: da vida, do coração, da contemplação, da relação com si mesmo e com o outro, com a natureza e com Deus. É a marca do amor de Jesus, caminho da catequese, iluminado pela ação do Espírito Santo;
- Anuncia a verdade revelada: cria meios para a comunhão filial com Deus, com a comunidade, justiça, solidariedade e fraternidade.

4. PEDAGOGIA DA IGREJA (DNC 145):

- Mãe e educadora da fé;
- Cria comunidade, exemplo dos valores do Evangelho;
- Vida dos Santos e Mártires são testemunhos catequéticos (pedagogia do herói);
- A dedicação dos seus missionários é uma Catequese movida pela força do exemplo;
- Sua ação no mundo transmite o que ela é e crê;
- Seus fiéis são chamados a transformar o mundo segundo o Evangelho;
- Comunidades precisam ser coerentes com o Evangelho;
- A pedagogia eclesial (Igreja) precisa demonstrar que é possível viver com autenticidade o seguimento de Jesus.

5. PEDAGOGIA CATEQUÉTICA (DNC 146 a 148):

- A pedagogia catequética tem uma originalidade específica, que é ajudar às pessoas no caminho rumo a maturidade na fé, no amor e na esperança;
- A Igreja é mediadora do encontro entre Deus e a pessoa humana e em seu nome, os catequistas sentem a responsabilidade de serem mediadores especiais para que catecúmenos e catequizandos cheguem ao conhecimento da verdade e da salvação;
- O catequista precisa estar entusiasmado por aquilo que crê, alegre por estar em processo de permanente conversão, disposto a fazer diferença num mundo marcado por tanta coisa contrária ao projeto de Deus.

5.1 Objetivos alcançados pela catequese inspirados na pedagogia da fé (DNC 147):

a) Adesão livre e total a Deus;
b) Conhecimento vivo da Palavra de Deus contida na Bíblia, desenvolvendo as dimensões da fé contidas no Catecismo da Igreja Católica;
c) Discernimento vocacional para que assumam na Igreja e na sociedade, o seguimento de Jesus de acordo com seu potencial, aspiração e escolhas existenciais.

5.2 Atitudes do catequista frente a dimensão espiritual da pedagogia da fé (DNC 148):

a) Clima de acolhimento e docilidade, humildade e obediência; muitas vezes o catequista deverá refugiar-se no silêncio, na discrição e, sobretudo, na oração, sabendo respeitar e esperar a ação do Espírito;
b) Ambiente espiritual de oração e recolhimento; não significa perda do espírito crítico nem da racionalidade, mas, alegria interior de uma atividade aberta ao Espírito;
c) Palavras ditas com autoridade e fortaleza: o catequista é um profeta guiado pelo Espírito e pronuncia palavras corajosas, criativas e seguras, pois tem consciência de ser enviado por Deus; diante desta missão o catequista precisa de sólida formação, humildade, senso de responsabilidade, espiritualidade e inserção na comunidade.

5.3 Fidelidade a Deus e a pessoa humana (DNC 149):

A catequese, inspirada na Pedagogia de Deus busca incentivar a participação ativa dos catequizandos, pois eles são os sujeitos do processo educativo. A catequese tem a missão permanente de inculturar-se, buscando uma linguagem capaz de comunicar a Palavra de Deus e a Profissão de fé (Credo) da Igreja, conforme a realidade de cada pessoa. Nisso segue o exemplo do Verbo Divino, que se fez carne, assumiu a natureza humana e a cultura de um povo conforme o seu tempo.


Ângela Rocha
Catequista e formadora, estudante do 3º período de teologia da PUCPR.

FONTE:
- Pedagogia Catequética: Resumo do DNC – Diretório Nacional de Catequese – Cap. 5.

sábado, 2 de maio de 2020

VAMOS FALAR DE BÍBLIA? ALIANÇAS DE DEUS!


 

QUAIS SÃO AS ALIANÇAS QUE DEUS FEZ COM O SEU POVO NA BÍBLIA (HUMANIDADE)?


A primeira aliança estabelecida aparece com a descida da arca de Noé no monte Ararat, em que Deus faz aparecer o arco-íris como sinal da Velha Aliança.

  
A segunda aliança se dá no pacto com Abraão e a promessa de uma descendência mais numerosa que as estrelas do céu. Outra forma para o judeu para se estabelecer uma aliança com Deus é através do ritual da circuncisão, no qual a criança após 8 dias de vida faz uma pequena incisão no pênis a fim de marcar o sinal de aliança com Deus.

A terceira aliança é realizada pelo próprio Deus com os israelitas na liberação do Egito, o povo de Israel passa a ser testemunho vido que Deus faz uma aliança com o seu povo eleito. Aqui o símbolo da aliança são as Tábuas da Lei que Deus deu a Moisés.


A quarta aliança, já no novo testamento, é selada com o sacrifício de Cristo para a remissão dos pecados da humanidade, onde o cordeiro de Deus, aquele que tira todo o pecado do mundo, é relembrado na Eucaristia.

Alguns citam que houve uma aliança de Deus com Adão. Muitos biblistas não consideram que Deus tenha feito uma aliança com Adão porque não há a palavra (berit ou berith). Na Bíblia, o termo Aliança, em hebraico: berith, é utilizado para definir o pacto divino entre Deus e os homens. E não há o uso deste termo nos “diálogos” entre Deus e Adão.

Há controvérsia também, com relação a aliança com Davi. Alguns exegetas consideram que a aliança com Davi é a renovação da Aliança do Sinai e que ela se cumpriu de fato só com Jesus. Deus prometeu que Davi sempre teria descendência e que sua descendência reinaria para sempre: Essa aliança se cumpre em JESUS, descendente de Davi, que reina para sempre. " Fiz um pacto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi: Estabelecerei para sempre a tua descendência, e firmarei o teu trono por todas as gerações." - Salmos 89, 3-4.

Por outro lado, há estudiosos que citam 40 alianças na Bíblia e outros que preferem dizer que é uma só.

O mais importante a destacar, é que a aliança sempre é um compromisso, um pacto entre duas pessoas, Deus e nós (individualmente), e, portanto, honrar com os compromissos faz parte da promessa e da aliança, sendo assim Deus precisa continuar a velar pelo seu povo e o povo continuar sendo fiel a Ele.

RESUMO DAS ALIANÇAS:

1ª - Noé – Aliança com toda a criação – Símbolo: Arco Iris.
2ª - Abraão – Aliança com judeus – Símbolo: Circuncisão.
3ª - Sinai/Moisés – Aliança com o povo de Israel – Símbolo: Tábuas da Lei.
4ª - Eterna - Jesus – Universal – Símbolo: EUCARISTIA.

FONTE: 
Anotações das aulas de Exegese do Pnetateuco - Curso de Teologia - PUCPR
Prof. Ildo Perondi.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

BENDIGO A SAUDADE...

Bendigo a saudade

Bendigo porque ela me possibilita lembrar de quem faz falta.

Uma falta que dói no peito enquanto a mente traz pra perto os momentos vividos.

Bendigo a saudade porque costumo dizer: eita como era bom... Naquele tempo .... Que saudades.

Bendigo a saudade das pessoas que amei, que amo e que continuarei amando.

Bendigo a saudade das coisas vivenciadas mesmo que muitas quedas tenha sido necessária para me trazer aonde me encontro hoje.

Bendigo a saudade do tempo que de menino me formou homem com duras penas mas com a certeza de que valeria a pena. 

Bendigo a saudade pelo fato dela ser amor que fica.

Porque só sentimos saudades do que é bom, caso contrário era só lamento.

Bendigo a saudade porque sou parte dela e ela é parte constituinte de mim mesmo.

Eu sou saudade para alguém da mesma forma que alguém se torna saudade para mim.

Bendigamos a saudade.

Esta saudade imensa que sentimos da presença física quando apenas o virtual insiste em permanecer por ainda dia e dias incontáveis.

Assim, matamos um pouco da saudade sendo presença aqui. Assim. Sem fim. 


Rosevânio de Britto Oliveira, CRL.
Religioso da ordem Cônego Regular Lateranense, estudante do 2º Ano de Teologia - PUCPR. 
Paróquia São Miguel Arcanjo - Curitiba - PR

🙏🏾💙🙏🏾

terça-feira, 28 de abril de 2020

É TEMPO DE CUIDAR: CNBB AÇÃO EMERGENCIAL

A prática da solidariedade é inerente à vida e aos ensinamentos cristãos como um chamado permanente para olhar as realidades de vulnerabilidade e, principalmente, os necessitados. Não é um olhar de desprezo como o daqueles que passaram pelo caminho e foram indiferentes à dor e sofrimento daquele homem que foi atacado por assaltantes, mas um olhar bondoso e repleto de caridade como o que teve o bom samaritano. “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34).

IGREJA CATÓLICA NO BRASIL ESPALHA SOLIDARIEDADE PELO PAÍS DURANTE PANDEMIA


Neste momento de combate ao novo coronavírus, a solidariedade se tornou uma das principais armas contra a pandemia. Arquidioceses e dioceses têm se mobilizado para ajudar pessoas em estado de vulnerabilidade social, idosos — mais suscetíveis à COVID-19 — e quem precisa de apoio psicológico.


Arquidiocese de Curitiba - PR
A arquidiocese de Curitiba (PR), por exemplo, lançou um serviço de escuta telefônica solidária, criado para ouvir e acolher as pessoas que se sentem sós ou emocionalmente abaladas neste momento de isolamento social. Foi instalada uma central de atendimento, que funciona pelo telefone (41) 3550-0003, das 6hs às 22h30, todos os dias, contando hoje com 65 voluntários se revezando, neste período de 16 horas de atendimento.


Do outro lado da linha está um voluntário, que já atua no SOS Família ou projeto SobreViver, ambos serviços pastorais de acolhida na arquidiocese de Curitiba. Eles estão à disposição para atender e acolher, recebendo instruções para os atendimentos das coordenadoras do SOS Família, as psicólogas Mara Avelino e Carmen Simon.

O atendimento é voltado a todas as pessoas que se sentem sós, abaladas emocionalmente ou que queiram apenas desabafar, podendo ser de todas as idades, regiões e crenças religiosas. O objetivo é ouvir, acolher e transmitir mensagem de esperança e de paz.

Arquidiocese de Belo Horizonte

Também desde o início da pandemia da covid-19, a arquidiocese de Belo Horizonte (MG), a partir da articulação de seu Vicariato Episcopal para Ação Social e Política, tem oferecido ajuda emergencial às famílias. É a ação Solidariedade em Rede, que mobiliza voluntários, pessoas e instituições solidárias. As ações envolvidas vão desde a doação de cestas básicas, confecção de máscaras que são doadas a instituições e comunidades, entre outras iniciativas.

Ação Solidária Emergencial


Desde o dia 12 de abril, domingo de Páscoa, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu início a Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil, uma iniciativa nacional que tem como lema ‘É tempo de cuidar’ para estimular a solidariedade, a começar pela arrecadação de alimentos, produtos de higiene e limpeza. Além de incentivar a ajuda material, a iniciativa promove o cuidado no campo religioso, humano e emocional. Assim, a CNBB se une a diversas campanhas e projetos de solidariedade que já estão em curso pelo país.

Diocese de Marabá - PA
Inspirando-se na iniciativa da CNBB, a diocese de Marabá (PA), através de leigos, sacerdotes, paróquias e o bispo diocesano estão realizando ações solidárias emergenciais em favor dos mais pobres, moradores de rua, sobretudo na cidade de Marabá. “O ponto importante é que muitas pessoas estão ajudando com alimentação, algumas com cestas básicas, mulheres que estão confeccionando máscaras, e também o governo do Estado contribuindo nesta missão que é para o bem de pessoas mais vulneráveis”, afirma dom Vital Corbellini, bispo de Marabá.

Diocese de Cruz Alta - RS

A diocese de Cruz Alta (RS), também inspirada pela iniciativa da CNBB, tem realizado inúmeras campanhas buscando arrecadar alimentos, material de higiene e limpeza, roupas e, também, em alguns casos, máscaras para aqueles que não têm condições de adquiri-las. Até o momento, das 31 paróquias, 12 estão realizando ações solidárias emergenciais.

A diocese de Caicó, no Rio Grande do Norte, agora conta com 30 pontos de arrecadação de donativos e de apoio às famílias em situação de vulnerabilidade social. A campanha “É tempo de cuidar” da Igreja potiguar soma-se aos esforços da CNBB e da Cáritas Brasileira de proteger as pessoas mais suscetíveis aos impactos da pandemia do novo coronavírus.

Todo o trabalho de planejamento, atendimento, arrecadação e distribuição das doações está sendo feito por cada uma das 29 paróquias existentes no território da diocese de Caicó (RN), além da Área Pastoral Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Todas contam com o apoio da Cáritas Diocesana local para orientações e divulgação das ações.

Ação Diocesana de Patos - PB

Também em sintonia com a Ação Solidária Emergencial, a Ação Diocesana de Patos, organização membro da Cáritas do regional Nordeste 2 da CNBB, na Paraíba, garantiu a entrega de 521 cestas básicas a famílias quilombolas. A aquisição e distribuição dos donativos foram feitas em parceria com a Gerência de Igualdade Racial do Governo do Estado.

Os kits foram destinados aos moradores de dez comunidades quilombolas do médio sertão paraibano que há mais de 15 anos são assistidos pelo Programa de Promoção e Ação Comunitária (Propac), com apoio da Misereor. Cada família recebeu arroz, feijão, macarrão, floco de milho, café, açúcar, sardinha, leite em pó, biscoito e óleo.

Como participar?

A Ação Solidária Emergencial oferece orientações importantes para quem tem interesse em ajudar. Um documento que poderá ajudar é o Plano de Contingência da Cáritas Brasileira que pode ser acessado AQUI. E também o material com orientações sobre como organizar a Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

EU VIVI...

E quando andávamos contando os segundos que nem víamos passar de tantas coisas pra fazer e como num fôlego tomado acabávamos nos cansando, hoje cansamos por procurar algo para fazer porque parece que fazemos as mesmas coisas todos dias devagar para passar o tempo.

E quando andávamos por aí respirando um ar que dizíamos poluídos, hoje necessitamos respirar por baixo de máscaras que acabou sendo o utensílio mais procurado deixando pra traz os cordões, os brincos, entre outros.

E quando pensávamos que beijar, abraçar nos sustentava no amor, fomos vencidos por algo ao ponto de nem o simples toque não podemos dar se não passar um tal de álcool nas mãos.

E a presença se tornou tão limitada ao ponto de querer estar perto e não poder neste instante.

E os abraços ficaram na lembranças ao ponto de apertar o peito de saudades.

E nossas casas tornaram-se refúgios a sete chaves, lugar do esporte, do trabalho, do estudo, entre tantas novas invenções pra este espaço que denominamos de lar.

E o silêncio ganhou gritos, e os gritos foram silenciados pelo diálogo.

E o medo veio com o novo diferente e inesperado.

E a esperança é a palavra que nos mantém a calma enquanto a fé segue sendo nosso sustento.

E a igreja tomou lugar em nossas casas, e as missas adentrou nosso lar pela TV.

E a vida segue segura, inquieta, um mix de sentimentos e emoções.

E a vida segue assim como uma nova realidade trazida em quarentena.

Realidade está que um dia poderemos olhar pra trás e dizer como na canção: Eu vivi!


Rosevânio de Britto Oliveira, CRL
Religioso da ordem dos Cônegos Regulares Lateranense, estudante do 2º Ano de Teologia da  PUCPR. 
Paróquia São Miguel Arcanjo - Curitiba - PR
🙏🏾💙🙏🏾

sábado, 11 de abril de 2020

A DESCIDA DO SENHOR À MANSÃO DOS MORTOS


Iconografia: Dom Ruberval Monteiro, OSB.
  
Uma antiga meditação sobre a frase do Creio: "Desceu à mansão dos mortos".  É o mistério que celebramos hoje no Sábado Santo. O narrador nos apresenta o significado salvífico da morte de Jesus e de sua descida à mansão dos mortos por meio de um diálogo de Jesus Cristo com Adão

A descida do Senhor à mansão dos mortos

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos. O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração:

- “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão:
- “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse:

- “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: Saí!; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’.

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. 

Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa. Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado. Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida. Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso. Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti. 

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus. Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”

 *Antiga homilia para Sábado Santo: Pg. 43. 440.452.461 (Sábado Santo, 2ª Leitura do Ofício de Leituras: Liturgia das Horas, s. 2). Gráfica de Coimbra: 1983. p. 454-4551.



FONTE:



VIVENDO A SEMANA SANTA: SÁBADO DO SILÊNCIO

Imagem: Jornal GGN 
Muitas pessoas se perguntam qual o sentido religioso e cristão desse tempo que vai da celebração da paixão na sexta-feira santa e a Vigília Pascal, no sábado à noite. Pois bem! Antes de tudo é preciso entender quais são os três dias do Tríduo Pascal. A liturgia não se guia pelo nosso calendário solar no qual o dia começa de noite. Após a meia noite temos o começo de um novo dia. Essa convenção do relógio parece muito lógica, mas convenhamos que não é.

Para a tradição judaico-cristã, o dia começa quando surge a lua. Utilizamos o calendário lunar. Com isso tudo faz mais sentido. A tarde de quinta-feira santa com sua celebração da instituição da Eucaristia já é sexta-feira. Esse primeiro dia do Tríduo termina com a celebração da paixão. A partir da tarde de sexta-feira começa o segundo dia do Tríduo Pascal. Vai até a tarde de sábado. Somente nessa tarde é que começa o terceiro dia que atravessará toda a noite em vigília até a madrugada da ressurreição no domingo de Páscoa. Fim do terceiro dia do Tríduo Pascal. O primeiro é o dia da paixão (quinta-sexta); o segundo é o dia do silêncio (sexta-sábado) e o terceiro é o dia da ressurreição (sábado domingo).

Normalmente conseguimos perceber muito bem o dia da paixão e o da ressurreição, mas o sábado do silêncio passa sem que a maioria perceba seu denso significado. É o dia da sepultura. Nesse dia a liturgia não prevê qualquer rito. É como se fosse um não-dia. Devemos vivê-lo na meditação, no escondimento, na reflexão, no silêncio. Tradicionalmente a Igreja não toca sinos nem instrumentos musicais nesse dia. Nas famílias é um dia de limpeza da casa preparando a páscoa. As santas mulheres do Evangelho passaram esse sábado preparando os óleos para a unção de Jesus  no primeiro dia da semana, o primeiro domingo da história. Por isso foram de madrugada ao túmulo. Encontraram Jesus vivo e ressuscitado.

O sábado santo é o dia em que até Deus se calou. Devemos fazer um silêncio profundo nesse dia para que possamos ter os ouvidos preparados para a boa notícia da Páscoa: O Senhor está vivo, Ele ressuscitou!

Pe. Joãozinho, scj (11/04/2020)