terça-feira, 31 de outubro de 2023
DIA DE FINADOS: ORIGEM E SIGNIFICADO
segunda-feira, 30 de outubro de 2023
MUDANÇAS E PERMANÊNCIAS
No mundo de hoje, repleto de
urgências, altamente tecnológico, acabamos corrompidos por uma fé rasa, sem muito compromisso, onde o “meu”
Deus, está ali para me servir sempre que “eu” dEle necessitar. Eu, em contrapartida,
não tenho muito tempo de servi-lo como se deve, ou como se espera de um bom
cristão. A conversa que se houve é: “vou à missa sempre que posso, sou uma
pessoa de muita fé em Deus, e não preciso ir à igreja para estar em comunhão
com Deus”.
Confissão? Ah! não tenho tempo
nem de pecar, minha vida é muito corrida. Eu confesso diretamente com Deus, ele
sabe bem dos meus problemas e não preciso
falar dos meus pecados a um padre, que é um ser humano igual a mim.
A Igreja de Jesus Cristo,
apesar da sua Tradição, deve se atualizar e se adaptar aos novos tempos. Está
conseguindo? Está lendo as novas realidades que ultrapassam a vivência da fé
dos nossos antepassados?
Não faz muito tempo, a
catequese era decoreba: doutrina, sacramentos, mandamentos. O importante
era saber “decor” as orações e pronto! Todo mundo catequizado, sacramentado e já
se definia um católico. Cristão? Não dá para saber.
Depois do Concílio Vaticano
II, a Igreja entendeu que precisava mudar. Então surgiu o CATEQUESE RENOVADA,
para nos aproximar do ideal de EVANGELIZAR
e não somente catequizar. De
lá pra cá, vamos caminhando, a passos
lentos, mas caminhando. Novos documentos surgiram para nos auxiliar na
caminhada, e estamos buscando mais e mais, sermos fiéis ao que pede a Santa
Igreja, ao que Jesus espera de nós. Hoje, graças a essa ‘renovação’, temos
diversos materiais sobre catequese, temos um novo Diretório para catequese.
Temos a instituição do Ministério do catequista. Mas, o que de fato mudou?
Um questionamento: Por quê uma
criança precisa passar três/quatro anos na catequese só para poder comungar?
Onde ficou aquela máxima de que a família é a “primeira catequista” dos filhos?
Todo mundo tem tempo pra tudo,
mas, a fé, Jesus, fica sempre em segundo plano. A fé tem sido negligenciada
pelas famílias, que tem muitas preocupações com o futuro de seus filhos -
filhos que precisam estar bem-preparados para o mundo de hoje, precisam falar
inglês, praticar esportes, ter brinquedos de última geração... Mas, que não
estão preparados para os “não” que a vida lhes reserva.
E Deus? Quem precisa de Deus?
Missa pra quê? Toda missa é igual, foi numa, foi em todas. Mas, com certeza,
basta uma coisa só acontecer, que o ser humano não saiba como resolver, lá
estará nosso católico rezando terços que ele nem sabe mais como é que reza.
O que fazer para mudar esse
quadro? Evangelizar crianças é a
solução? Não Seria mais sensato iniciar os adultos, as famílias, num processo
de conversão? Como está claro para nós,
que cada um só pode dar testemunho do
que vive, também fica claro que estas famílias não foram de fato evangelizadas,
não foram iniciadas, foram sim catequizadas, e hoje transmitem aos seus filhos
o pouco que receberam, uma fé rasa, sem
nenhum sentido de pertença. Ou simplesmente, não transmite nada.
Estamos num novo processo, a
Iniciação à Vida Cristã pelo método catecumenal, que por um viés querigmático e
mistagógico, nos leva a um caminho de conversão, de discipulado, de
missionariedade. Onde, fazer catequese
para receber o sacramento, NÃO é o objetivo da Igreja hoje. O que ela quer, é formar
discípulos, seguidores, apaixonados pelo projeto de Jesus, e conscientes do seu
papel de cristão católico.
Quando se entende essa
proposta, entende que o que de fato importa, é
o seguimento, o sentimento de
pertencimento e amadurecimento dessa fé que nos faz seguidores comprometidos
com o projeto do Reino, que dão testemunho da fé que vivem, e assim fazem novos
discípulos. Como diz um ditado: "Palavras convencem, mas,
testemunhos arrastam”.
sábado, 28 de outubro de 2023
CARTA AO POVO DE DEUS
16ª ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS DIVULGA CARTA AO POVO DE DEUS
Os participantes da 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos redigiram uma carta-mensagem para todo o povo de Deus. O texto foi publicado nesta quarta-feira, 25 de outubro. Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação e presidente da Comissão para a Informação, especificou que a Comissão para o documento de síntese pensou em um texto para contar a todos, “ao maior número possível de pessoas, e sobretudo àquelas que ainda não foram alcançadas ou envolvidas no processo sinodal”, sobre a experiência vivida pelos membros do Sínodo.
Confira o texto na íntegra:
Queridas irmãs e irmãos,
Ao chegar ao fim dos trabalhos da primeira sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, queremos, com todos vocês, dar graças a Deus pela bela e rica experiência que tivemos. Vivemos este tempo abençoado em profunda comunhão com todos vocês. Fomos sustentados pelas vossas orações, trazendo conosco as vossas expectativas, os vossos questionamentos, e também os vossos receios. Já passaram dois anos desde que, a pedido do Papa Francisco, iniciamos um longo processo de escuta e discernimento, aberto a todo o povo de Deus, sem excluir ninguém, para “caminhar juntos”, sob a guia do Espírito Santo, discípulos missionários no seguimento de Jesus Cristo.
A sessão que nos reuniu em Roma desde 30 de setembro foi um passo importante neste processo. Em muitos aspectos, foi uma experiência sem precedentes. Pela primeira vez, a convite do Papa Francisco, homens e mulheres foram convidados, em virtude do seu batismo, a sentarem-se à mesma mesa para participarem não só nos debates mas também nas votações desta Assembleia do Sínodo dos Bispos. Juntos, na complementaridade das nossas vocações, carismas e ministérios, escutamos intensamente a Palavra de Deus e a experiência dos outros. Utilizando o método de conversação espiritual, partilhamos humildemente as riquezas e as pobrezas das nossas comunidades em todos os continentes, procurando discernir aquilo que o Espírito Santo quer dizer à Igreja hoje. Assim, experimentamos também a importância de promover intercâmbios mútuos entre a tradição latina e as tradições do Oriente cristão. A participação de delegados fraternos de outras Igrejas e Comunidades eclesiais enriqueceu profundamente os nossos debates.
A nossa assembleia decorreu no contexto de um mundo em crise, cujas feridas e escandalosas desigualdades ressoaram dolorosamente nos nossos corações e conferiram aos nossos trabalhos uma gravidade peculiar, tanto mais que alguns de nós vieram de países onde a guerra deflagra. Rezamos pelas vítimas da violência assassina, sem esquecer todos aqueles que a miséria e a corrupção atiraram para os perigosos caminhos da migração. Comprometemo-nos a ser solidários e empenhados ao lado das mulheres e dos homens que operam em todo lugar do mundo como artesãos da justiça e da paz.
A convite do Santo Padre, demos um importante espaço ao silêncio para favorecer entre nós a escuta respeitosa e o desejo de comunhão no Espírito. Durante a vigília ecumênica de abertura, experimentamos o quanto a sede de unidade cresce na contemplação silenciosa de Cristo crucificado. “A cruz é, de fato, a única cátedra d’Aquele que, dando a sua vida pela salvação do mundo, confiou os seus discípulos ao Pai, para que ‘todos sejam um’ (Jo 17,21)”. Firmemente unidos na esperança que a Sua ressurreição nos dá, confiamos-lhe a nossa Casa comum, onde o clamor da terra e o clamor dos pobres ressoam cada vez com mais urgência: “Laudate Deum! “, recordou o Papa Francisco logo no início dos nossos trabalhos.
Dia após dia, sentimos um apelo imediato à conversão pastoral e missionária. Com efeito, a vocação da Igreja é anunciar o Evangelho não se centrando em si mesma, mas pondo-se ao serviço do amor infinito com que Deus ama o mundo (cf. Jo 3,16). Quando lhes perguntaram o que esperam da Igreja por ocasião deste Sínodo, algumas pessoas em situação de rua que vivem perto da Praça de S. Pedro responderam: “Amor! “. Este amor deve permanecer sempre o coração ardente da Igreja, o amor trinitário e eucarístico, como recordou o Papa evocando a mensagem de Santa Teresa do Menino Jesus em 15 de outubro, no meio da nossa assembleia. É a “confiança” que nos dá a audácia e a liberdade interior que experimentamos, não hesitando em exprimir livre e humildemente as nossas convergências e as nossas diferenças, os nossos desejos e as nossas interrogações, livre e humildemente.
E agora? Gostaríamos que os meses que nos separam da segunda sessão, em outubro de 2024, permitam a todos participar concretamente no dinamismo de comunhão missionária indicado pela palavra “sínodo”. Não se trata de uma questão de ideologia, mas de uma experiência enraizada na Tradição Apostólica. Como o Papa reiterou no início deste processo, “Comunhão e missão correm o risco de permanecer termos algo abtratos se não cultivarmos uma práxis eclesial que exprima a concretude da sinodalidade (…), promovendo o envolvimento real de todos e de cada um” (9 de outubro de 2021). Os desafios são muitos, as questões numerosas: o relatório de síntese da primeira sessão esclarecerá os pontos de acordo alcançados, destacará as questões em aberto e indicará a forma de prosseguir os trabalhos.
Para progredir no seu discernimento, a Igreja precisa escutar todos, a começar pelos mais pobres. Isto exige, de sua parte, um caminho de conversão, que é também um caminho de louvor: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21)! Trata-se de escutar aqueles que não têm direito à palavra na sociedade ou que se sentem excluídos, mesmo da Igreja. Escutar as pessoas que são vítimas do racismo em todas as suas formas, especialmente em algumas regiões, os povos indígenas cujas culturas foram desprezadas. Acima de tudo, a Igreja do nosso tempo tem o dever de escutar, em espírito de conversão, aqueles que foram vítimas de abusos cometidos por membros do corpo eclesial e de se empenhar concreta e estruturalmente para que isso não volte a acontecer. A Igreja precisa escutar os leigos, mulheres e homens, todos chamados à santidade em virtude da sua vocação batismal: o testemunho dos catequistas, que em muitas situações são os primeiros anunciadores do Evangelho; a simplicidade e a vivacidade das crianças, o entusiasmo dos jovens, as suas interrogações e as suas chamadas; os sonhos dos idosos, a sua sabedoria e a sua memória.
A Igreja precisa colocar-se à escuta das famílias, as suas preocupações educativas, o testemunho cristão que oferecem no mundo de hoje. Precisa acolher as vozes daqueles que desejam se envolver em ministérios leigos ou em órgãos participativos de discernimento e de tomada de decisões. Para progredir no discernimento sinodal, a Igreja tem particular necessidade de recolher ainda mais a palavra e a experiência dos ministros ordenados: os sacerdotes, primeiros colaboradores dos bispos, cujo ministério sacramental é indispensável à vida de todo o corpo; os diáconos, que com o seu ministério significam a solicitude de toda a Igreja ao serviço dos mais vulneráveis. Deve também deixar-se interpelar pela voz profética da vida consagrada, sentinela vigilante dos apelos do Espírito. Precisa ainda estar atenta a todos aqueles que não partilham a sua fé, mas que procuram a verdade e nos quais o Espírito, que “a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal por um modo só de Deus conhecido” (Gaudium et spes 22), também está presente e atua.
“O mundo em que vivemos, e que somos chamados a amar e a servir mesmo nas suas contradições, exige da Igreja o reforço das sinergias em todos os âmbitos da sua missão. É precisamente o caminho da sinodalidade que Deus espera da Igreja do terceiro milênio” (Papa Francisco, 17 de outubro de 2015). Não tenhamos medo de responder a este apelo. A Virgem Maria, a primeira no caminho, nos acompanha em nossa peregrinação. Nas alegrias e nas fadigas, ela mostra o seu Filho que nos convida à confiança. É Ele, Jesus, a nossa única esperança!
Cidade do Vaticano, 25 de outubro de 2023
AMARÁ, AMARÁS!
Se que é bem piegas e carola da minha parte, mas, não posso
deixar uma coisa passar em branco. Não por acaso, (por tudo que está
acontecendo comigo e com minha família, preciso falar a respeito do amor), neste
fim de semana em que Igreja fala do Evangelho de Mateus, onde Jesus diz:
“Amarás o Senhor teu Deus de
todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”. Este
é o primeiro mandamento, mas há também um segundo mandamento (até mais
importante) que diz: “Amará o teu próximo como tu amas a si mesmo”. (Mt
22, 37-40).
Amarás! Amarás! é a lei do amor a Deus e do amor ao próximo.
Estes dois mandamentos abrangem toda a lei e os profetas. O filho de Deus, o
Messias (o Cristo) não era o Messias esperado pelos senhores da terra, pois a
justiça de Deus não pertence aos senhores do mundo, já dizia Ele: “O meu Reino
não é deste mundo”.
O amor não faz nenhum mal ao próximo, pois o amor é o
cumprimento total da lei, como Renato Russo canta em Monte Castelo, “É só o
amor! É só o amor que conhece o que é verdade. O amor é bom, não quer o mal,
não sente inveja ou se envaidece…” (Rm 13, 8-10. 1 cor 13, 1ss).
E sabemos que nada, nada mesmo, é
tão difícil como amar o outro. Quando a gente fala em amar com alma e
coração, refere-se ao que vem do mais íntimo de nós mesmo. Olhar para os
sentimentos mais profundos do amor por tudo e por todas as coisas. Dificilmente
a gente ama alguém assim.
É complicado amar as pessoas. Mas
penso que é mais complicado ainda, odiar as pessoas. Porque o ódio é uma
espécie de “vômito”, que a gente joga pra fora das coisas mais podres que tem
dentro da gente, que nem o organismo da gente consegue absorver.
E como “odiar” é fácil! Não é preciso sequer expressar ou
admitir este sentimento. Basta ignorar, deixar de lado, olhar como quem diz “não
é comigo”, não ajudar, não se preocupar... Essa ausência de qualquer sentimento
de caridade pelo outro, qualquer que seja esse outro, não deixa de ser ódio. E
ouso dizer, mesmo não sendo psicóloga, que a expressão de ódio aos outros (ausência
de caridade), é a expressão do ódio que mora dentro do coração a si mesmo. Ela
só pode SE odiar para odiar tanto o outro, o que tem tudo a ver com as suas neuroses
e psicoses e as receitas de rivotril.
Amarás! Amarás a Deus com toda a sua alma, com
todo o seu coração e com todo o seu entendimento! Jesus apresenta três coisas sobre
amar: com a Alma, o coração e o entendimento!
Amar a Deus com a alma e com o coração é a essência, pois somente quem ama com
a alma e com o coração é capaz de perceber o que está acontecendo ao seu redor:
na sociedade, no mundo, na casa ao lado, na própria casa... Por que se evita o
amor? Porque amar com a alma é bom, mas dói! Dói, porque esse amor provoca um “choque”,
um abrir os olhos, cair as escamas. Abrir os olhos é olhar de verdade ao redor,
mudar radicalmente as atitudes. Jesus lança esse apelo para provocar mudanças,
mudança de entendimento, olhar com os olhos e enxergar com a cabeça! Entender é
raciocinar, pensar e “fazer alguma coisa”!. Amar a Deus de todo o entendimento é
o princípio da sabedoria e da santidade. “Se fores sábios para ti, sábios
serão, se fores escarnecedor só tu o suportarás”, já diz o provérbio.
E ver defeitos nos outros, para não ter que amar, é a coisa que
mais se vê por aí. Como é fácil ver o cisco no olho do outro, quando no seu tem
uma trave! “Como você pode dizer ao
seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita,
tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o
cisco do olho do seu irmão” (Mt 7, 3-5).
Jesus sabe o que diz!
segunda-feira, 16 de outubro de 2023
DINÂMICAS DE GRUPO: DAS EQUIPES DE TRABALHO PARA OS ENCONTROS DA CATEQUESE
domingo, 15 de outubro de 2023
A CRIANÇA E A FÉ
sábado, 14 de outubro de 2023
“LAUDATE DEUM” LOUVAI A DEUS! O GRITO DO PAPA POR UMA RESPOSTA À CRISE CLIMÁTICA
"A IDENTIDADE DO CATEQUISTA A PARTIR DAS CELEBRAÇÕES DO RICA" - DICA DE LEITURA
"Sobre a redescoberta da identidade do catequista a partir do itinerário catecumenal e das celebrações do RICA, quase nada se tem refletido na teologia pastoral. Diante dessa lacuma, vemos a necessidade de nos dedicar a esse tema, no intuito de prestar um serviço aos catequistas que tanto se dedicam à causa da iniciação a vida cristã, através do incansavel trabalho da educação da fé." (1ª orelha do livro)
"A beleza e a riquela das celebrações e dos ritos da iniciação à vida cristã são alimento na cmainhada dos catecúmenos e dos catequizandos, mas não só: eles alimentam a caminhada cristã eclesial dos próprios catequistas. Em outras palavras, o itinerário catecumenal da iniciação a vida cristã - com suas etpas e tempos, com a riqueza dos ritos celebrativos e com os seus respectivos objetivos -, por meio da irrenunciável integração catequese-liturgia, é or demias importante no ministério do catequista, isto é, ajuda a clarear a identidade ministerail do ser catequista. A importância de conhecer esses ritos é deixar ser fecundado pela riqueza espiritual de que eles são ortadores." (Contra capa).
LEIA ABAIXO UMA RECENSÃO SOBRE A OBRA:
RECENSÃO SOBRE O LIVRO:
REINERT, João. A IDENTIDADE DO
CATEQUISTA A PARTIR DAS CELEBRAÇÕES DO RICA. São Paulo: Paulus, 2023.
Frei João Fernandes Reinert, é
Doutor em Teologia pela PUC-Rio, faz parte do corpo docente do Instituto
Teológico Franciscano em Petrópolis e pároco da Paróquia Santa Clara de Assis
na diocese de Duque de Caxias. O autor tem se tornando conhecido no Brasil em
virtude de suas obras, palestras e conferências na linha da inspiração
catecumenal e conversão pastoral das paróquias.
A presente obra: A identidade do
catequista a partir das celebrações do RICA, visa ressaltar a riqueza das
celebrações do processo catecumenal para que os próprios catequistas renovam a
sua experiência do sagrado e o sentido do seu servir. Ressalta-se a
responsabilidade de toda comunidade eclesial (famílias, pastorais, movimentos,
diáconos, presbíteros, bispos, introdutores, animadores de comunidades) ao se
envolverem no processo catecumenal de iniciação à vida cristã, entretanto, a
ênfase neste livro dada pelo autor será sobre o valor do ministério do
catequista tão fundamental, quanto os demais responsáveis já assinalados.
O autor já na introdução da sua
obra reconhece que apesar do Papa Francisco ter instituído o ministério de
catequista, ainda encontramos uma “lacuna pastoral, [ portanto] vemos a
necessidade de se dedicar a este tema no intuito de prestar um serviço aos
catequistas que tanto se dedicam à causa da iniciação à vida cristã, através do incansável trabalho
de educação da fé” (p.11). Como o intuito é trabalhar a partir das
celebrações que fazem parte do itinerário catecumenal, o livro está dividido em
oito breves capítulos, cada qual ressaltando
a pertinência do papel do catequista nos diversos momentos rituais.
No primeiro capítulo intitulado:
os objetivos do tempo do pré-catecumenato e suas evidências no ministério e na
vida do catequista, destaca-se, como o próprio título diz o objetivo do tempo
do pré-catecumenato como “um tempo dedicado à primeira evangelização, à
acolhida, à atenção personalizada aquele que deseja tornar-se cristão” (p.
13). Do mesmo modo, “enquanto o catequista auxilia o candidato a discernir e
a crescer na sua adesão inicial a Cristo e à Igreja, ele mesmo não pode perder
essa rica oportunidade para crescer no discernimento e clarear sempre mais suas
reais motivações pela causa da iniciação à vida cristã” (p. 14-15).
“Cabe ao catequista, portanto,
trilhar com os candidatos esse percurso da iniciação, fazendo a si mesmo esta e
outras perguntas: Como está minha relação pessoal com Jesus Cristo? Por que sou
catequista? O que me motiva nessa missão?” (p.15). Aqui está a grande
questão apresentada pelo autor, não se trata de “dar catequese, transmitir
conteúdo”, mas em primeiro lugar, o catequista se colocar nesta experiência
“com” os catecúmenos e renovar o seu primeiro amor e o constante sentido do seu
servir.
O autor apresenta uma questão
muito pertinente: qual a Cristologia que o catequista traz consigo para
anunciar aos catequizandos? O tema é abordado porque infelizmente, não são
poucas as cristologias que são um desserviço à iniciação, pois não geram
experiências fecundas de fé. Exemplifica o autor: “o cristo da prosperidade,
distribuidor de bens e milagres; o cristo fascista, aquele que segrega; o
cristo punitivo e vingativo, e tantos outros cristos caricaturados, opostos ao
Jesus de Nazaré do Novo Testamento” (p. 23). O catequista precisa ter
consciência desses desafios, para cada vez mais renovar a sua opção fundamental
de anuncia o “Cristo querigmático que nos salva gratuitamente” (p.23).
Discernimento, sensibilidade, olhar misericordioso, são requisitos essenciais
ao catequista para manifestar o desejo de Deus de adentrar no íntimo do coração
do catecúmeno.
No segundo capítulo, Frei Reinert
a partir da teologia do Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (RICA), explica
todo o sentido da celebração de entrada no catecumenato, mostrando os elementos
teológicos e pastorais. A cerimônia inicia-se do lado de fora, para dizer que o
candidato ainda não faz parte do corpo eclesial (comunidade reunida) que neste
momento, de braços abertos, o acolherá. “Do lado de fora da Igreja, no
momento do diálogo de suas intenções, pergunta-se aos candidatos qual o seu
nome” (RICA n.75) (p.30). O autor dá um destaque nesse momento ritual da
importância do nome, ressaltando o valor da pessoa, sua história, tudo aquilo
que o candidato traz consigo. “Ser chamado pelo nome, na tradição bíblica,
significa reconhecimento da dignidade o valor da pessoa; a Igreja não acolhe
aqueles que desejam se tornar cristãos de modo anônimo, impessoal, mas, ao
contrário, a acolhida é pessoal” (p.31).
Assim como os catecúmenos entram
na Igreja, a celebração de entrada é uma oportunidade que os catequistas têm
diante de si para renovar o seu amor e pertença a comunidade paroquial. O autor
ressalta aquilo que a Igreja espera dos catequistas, um senso de vivência
eclesial. “É impossível estar a serviço da iniciação cristã sem estar
`dentro da Igreja´, sem ser Igreja, sem ser homem e mulher eclesiais como
sólido sentimento de pertença a comunidade” (p. 28). “A pessoa do
catequista é o elo fundamental que une os catecúmenos a comunidade e que une a
comunidade aos catecúmenos. O catequista é decisivo para que a comunidade entre
no espírito da iniciação à vida cristã de inspiração catecumenal e assuma o
compromisso com a geração de novos cristãos” (p.31). Mais uma vez, o autor
ressalta o comprometimento de toda a comunidade no processo para não a reduzir
à pessoa do catequista, por mais primordial que seja sua missão.
No terceiro capítulo, o autor
prossegue a reflexão sobre a celebração de entrada, dando ênfase ao aspecto
essencial no evento da cruz tanto para o catecúmeno quanto para o catequista.
“Captar o sentido e os objetivos da iniciação à vida cristã sem adentrar no
evento da cruz, seria passar á margem do que realmente pretende a iniciação que
é formar discípulos missionários de Jesus Cristo” (p. 34). Diante de tantas
tendências de focar num Cristo glorioso, esquecendo-se da cruz, Frei Reinert
insiste, neste aspecto da plenitude do Mistério Pascal: “Um anúncio querigmático
centrado exclusivamente na ressurreição, desvinculado da vida e da cruz do
Senhor não gera discipulado, mas, ao contrário, promove o intimismo” (p. 34). O
autor continua a reflexão do capítulo elencando todas as dimensões centrais da
cruz de Cristo na vida do catequista para que consciente dessa grandeza, ele
possa com muita de Jesus ao Pai e aos irmãos” (p. 36).
Prosseguindo a reflexão no quarto
capítulo, Frei Reinert trabalha a importância
da Palavra de Deus na vida do catequista para que ele a partir da sua
íntima experiência com a Palavra, possa transmitir essa mensagem como Palavra
geradora de vida aos que passarem pelo seu caminho. “A palavra de Deus está
no centro da. iniciação à vida
cristã pelo processo catecumenal. A mudança do estilo de catequese
doutrinalística para encontros orantes, mistagógicos, celebrativos é o
sinal mais evidente de que a Palavre de Deus é a espinha dorsal do processo da
iniciação” (p. 43). Um dos momentos da celebração é a entrega da Bíblia aos
catequizandos: “Recebe o livro da Palavra de Deus. Que ela seja luz para sua
vida” (RICA n.93). Tal entrega deve renovar também nos catequistas a “consciência
de que a Palavra de Deus é luz em seu ministério, é alimento que o sustenta na
desafiadora missão de iniciar novos cristãos na vida cristã” (p. 44).
No quinto capítulo, o autor desenvolve o pensamento ressaltando a
necessidade de haver uma íntima ligação entre catequese e liturgia. Sabemos que
por muito tempo ambas caminharam de formas isoladas. A proposta da inspiração
catecumenal ressalta a riqueza da
variedade de ritos e celebrações em todo o percurso formativo, por isso, a integração entre catequese-liturgia será
essencial para a superação do modelo de catequese escolar. “Na inspiração
catecumenal a catequese ou é celebrativa, litúrgica, orante, mistagógica, ou
então já não cumpre seu papel de iniciar na fé. Na proposta catecumenal a
catequese e a liturgia não são duas realidades separadas. A catequese é
litúrgica e a liturgia é catequética, porque ambas se relacionam mutuamente”
(p. 48).
Neste sentido, Frei Reinert
apresenta a grande responsabilidade que os catequistas têm de fazerem esta
integração, devem primeiramente eles serem homens e mulheres mistagógicos, que
fizeram a experiência do mistério para comunicá-lo aos demais. “ O
catequista litúrgico não é apenas homem ou mulher do saber teológico e
doutrinal; ele conhece o mistério, anuncia o mistério e sobretudo, o saboreia e
o celebra. O catequista é um ministro do saber e do sabor, do conhecimento e da experiência” (p.
50). Ainda neste capítulo ele fala do valor das celebrações da Palavra de Deus,
dos exorcismos, das bênçãos que são proferidas pelos catequistas.
No sexto capítulo são trabalhadas
as entregas do Creio (RICA n. 186) e da Oração do Senhor (RICA n. 191) aos
catecúmenos. Há um movimento transmitir-receber-acolher-viver, ou seja, a
Igreja desde os primórdios, transmite, de geração em geração, a fé apostólica”
(p. 57). Como nos tópicos anteriores o autor faz toda uma reflexão no sentido de
os catequistas refletirem o sentido dessas entregas na própria vida. “Falar
da identidade do catequista a partir do símbolo da fé é por demais importante e
necessário. Muitos agentes de evangelização perdem sua identidade mistagógica e
se convertem em meros doutrinadores. Na entrega do Creio, o catequista é
convidado a renovar sua fé, e mais do que isso, a perguntar a si mesmo pelo “conteúdo” da
sua fé” (p. 59).
No tocante a entrega da Oração do
Senhor, Frei Reinert bebe da fonte do
livro “A oração do Pai-nosso” do teólogo espanhol Pagola., e sintetiza a oração
como um projeto de vida, como uma síntese da vida cristã. “A entrega da
Oração do Senhor é de suma importância para que o catequista possa aprofundar
sua consciência cristã e clarear a identidade do seu ministério” (p. 62). “Com
a entrega da Oração do Senhor, é renovado
em cada catequista, a certeza de que Deus é Pai amoroso, é presença
paterna, fidelidade constante. É nesse Deus que o catecúmeno é iniciado. É
desse Deus que o catequista é missionário” (p. 67).
Continuando o percurso formativo
apresentado pelo processo de iniciação á vida cristã com inspiração
catecumenal, no sétimo capítulo, o autor apresenta a importância da celebração
de eleição e dos escrutínios realizados no tempo quaresmal e da implicação desses
ritos, na vida tanto do catecúmeno quanto do catequista. “Chama-se
celebração da eleição porque a Igreja admite o catecúmeno baseado na eleição de
Deus, em nome de quem ela age.” (RICA, 22). Os catecúmenos tendo feito esse
percurso de crescimento na fé, a partir dessa celebração são chamados mais
incisivamente a corresponder a fidelidade de Deus. Da parte dos catequistas diz
o autor: “é um momento privilegiado
para repensar/renovar diante de Deus sua própria convicção de ser cristão e
eleito, chamado ao nobre serviço da transmissão da fé” (p. 73).
Conforme o RICA os escrutínios,
preferencialmente realizados no tempo quaresmal, tem uma dupla finalidade: “Descobrir
o que possa haver de imperfeito, fraco e mal no coração dos eleitos, para que
seja curado; e o que houver de bom, forte e santo, para consolidá-lo”
(RICA, 25). Segundo o autor “Todo discípulo de Jesus Cristo examina, sonda
seus avanços e retrocessos, seus acertos e seus erros, suas virtudes e
limitações” (p.77). Nesse sentido, tanto catecúmenos quanto catequistas
precisam mergulhar no mistério dessas celebrações para se manterem fiéis e perseverantes
na caminhada. Frei Reinert reconhece que são muitas as tentações que porventura
tentam fazer os catequistas desanimarem da missão: “O fardo de muitas vezes
não contarem com o apoio da comunidade eclesial, bem como, na maior parte dos
casos, a não participação e o não envolvimento dos primeiros catequistas – que são
os pais – na educação da fé dos seus filhos é, sem dúvida, um entrave na missão
do catequista”. (p.78)
Por fim, assim como no percurso
catecumenal, a mistagogia constitui a última etapa, também no último capítulo
do seu livro, Frei Reinert aborda a questão da importância da mistagogia. Ele
deixa muito claro um pensamento que vale a pena ser constantemente reafirmado: “Embora
o último tempo do processo catecumenal se chame mistagogia, há de se ter
presente que todo processo é mistagógico, ou seja, todos os elementos da metodologia
catecumenal são, fundamentalmente, canais que conduzem o catecúmeno para dentro
do mistério, que é Jesus Cristo” (p. 80).
Nesse sentido o autor ressalta a
importância do catequista ser um mistagogo por excelência: “Se a identidade
da inspiração catecumenal é a mistagogia, isso significa que a mistagogia deve
ser também a tarefa irrenunciável do catequista que está serviço da iniciação à
vida cristã” (p. 80). “A identidade mistagógica do catequista lança-o a
uma mudança radical no modo de exercer seu ministério. Muda-se o enfoque,
passa-se da identidade do doutrinador, mero transmissor de conhecimentos
religiosos, a gerador de experiências de vida cristã” (p. 81). Por fim diz
o autor: “O coração do catequista é mistagógico, pois é no coração de Deus e
no coração do próprio catequista que novos cristãos são gerados para a vida
cristã” (p. 85).
O texto é uma preciosidade e
merece ser lido e estudado com os nossos catequistas, agentes de pastorais e
movimentos, equipes de liturgia para darmos o passo de entender a iniciação à
vida cristã como missão de toda a Igreja. É uma obra curta, mas de uma
densidade teológica imprescindível, que facilita a leitura de nossos agentes de
pastoral.
Especificamente dirigindo-se aos
catequistas, Frei João Fernandes Reinert, vai conduzindo a reflexão para que
eles se coloquem em cena juntamente com os catecúmenos e catequizandos,
pensando sobre o seu serviço e renovando a cada momento o seu ministério.
Tantas questões aqui são
levantadas para catequistas e catequizandos (e porque não a cada um de nós
também servidores do Reino) sobre: o amor de Deus; a experiência querigmática;
o fazer parte da Igreja sendo acolhido por ela; qual a cristologia que o
catequista traz consigo; a centralidade da cruz no dia a dia; a importância da
Palavra de Deus; a integração que o catequista deve ter com a liturgia; a importância
da profissão de fé e da vida de oração a partir do Pai Nosso; o que significa
ser eleito por Deus e por fim todo o carisma mistagógico que se espera hoje de
um catequista.
Pe Renato Quezini
Maringá -PR.
FONTE: Pensar-Revista Eletrônica da FAJE v.14 n.1 (2023):
212-216
*Recensão: Notícia
crítica resumida, publicada em revistas técnicas, do conteúdo de um livro ou de
um artigo.
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