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quinta-feira, 23 de junho de 2016

DIREITOS E DEVERES DOS PAIS

Ninguém, seja criança, jovem ou adulto, pode ter apenas direitos ou somente deveres. Pais e filhos têm direitos e deveres. Os direitos dos pais não excluem os dos filhos, assim como os deveres dos pais não impedem que os filhos também tenham deveres, porque a base de uma sociedade democrática repousa no equilíbrio entre direitos e deveres.  Parece que atualmente, muitas pessoas ignoram (ou esquecem) que a cada direito alcançado há, em contrapartida, um dever que lhe é correspondente. Leia, a seguir, alguns exemplos dos direitos e dos deveres dos pais em relação aos filhos:

Direitos e Deveres dos Pais:

DEVERES

1. Dar amor
2. Proteger
3. Criar condições que propiciem segurança física e psicológica
4. Criar condições para o desenvolvimento intelectual pleno
5. Promover condições no entorno familiar que permitam o desenvolvimento do equilíbrio e da inteligência emocional
6. Subsidiar e promover vivências concretas que possibilitem o caminhar para a independência financeira
7. Zelar pela saúde física e mental
8. Dar estudo e profissionalizar
9. Estruturar o caráter
10. Formar eticamente (ensinar valores).

DIREITOS

1. Não se omitir quando o filho agir de forma que possa prejudicar outras pessoas, animais e/ou o meio ambiente. Agir com segurança, porém sem agressões físicas, sem medo de causar “traumas e frustrações”.

2. Procurar fundamentar e definir, de preferência sempre através de um diálogo franco e direto, normas e regras de conduta que regerão o dia a dia da família. Se, no entanto, o diálogo não funcionar, cabe aos pais a palavra final sobre qualquer tema, até que os filhos se tornem independentes do ponto de vista físico, emocional e financeiro.

3. Se necessário, pais podem proibir comportamentos, atitudes e até alguns tipos de roupas que coloquem em risco a segurança e dignidade dos filhos. Podem também cortar algumas regalias, como a mesada, por exemplo, se perceberem uso indevido das mesmas.

4. Pais têm o direito de questionar, acompanhar e até mesmo vigiar ou buscar provas concretas no espaço privado dos filhos, caso percebam sinais que indiquem possibilidade de envolvimento dos filhos com drogas ou outras práticas ilegais.

5. Os pais não devem se intimidar com a prática bastante comum de os jovens transformarem seus quartos em fortalezas indevassáveis. Sempre que tiverem em bom motivo - e ainda que não sejam bem-vindos –, têm o direito de entrar para verificar o que está ocorrendo.

6. Liberdade para fazer o que se quer da vida tem limite. Os pais devem exigir que os filhos estudem para garantir um mínimo de rendimento, como contrapartida ao direito de receber educação e profissionalização; podem, por isso mesmo, fazer sanções se perceberem que os filhos não estão cumprindo seus deveres.

7. Os pais podem frear o apetite consumista dos filhos, através de conversas e/ou atos. Uma coisa é comprar um tênis ou uma jaqueta por necessidade; outra bem diferente é aceitar exigências quanto a marcas e grifes por capricho ou influências da sociedade de consumo.

8. Ter conversas sérias sobre sexo é uma necessidade essencial nos dias atuais. Se o adolescente se negar a ouvir alegando “já ter conhecimento de tudo”, os pais podem exigir ainda assim, que sejam ouvidos sobre DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), gravidez precoce, bem como sobre as regras que regem a casa. Os pais não têm obrigação de aceitar que os filhos mantenham relações sexuais em casa por imposição dos filhos, apenas devido ao fato de outras famílias o permitem. Cada família tem o direito de viver de acordo com sua visão de mundo.

9. Ter resultados positivos na escola, não é um prêmio para os pais - o adolescente está apenas cumprindo seu dever. Pais não são obrigados, portanto, a proporcionar luxos - como viagens ao exterior quando o filho passa de ano ou carro zero como prêmio por entrar na faculdade. A não ser que o desejem fazer por iniciativa própria.

10. Pais têm direito a um mínimo de vida pessoal. Pelo menos de vez em quando, não devem se privar de um jantar a dois ou de uma viagem curta sem a presença dos filhos, se têm com quem os deixar em segurança e protegidos. E também não precisam se sujeitar à tirania da agenda inflada dos adolescentes nos finais de semana. Saber fazer opções sem que isso resulte numa frustração absurda é uma aprendizagem fundamental para a vida.
_______________________________
(*) Adaptado de Zagury, T. Os Direitos dos Pais, Construindo cidadãos em tempos de crise. Record, RJ, 2005.
(**) Filósofa, Escritora, Mestre em Educação e Conferencista.

"O perigo maior para um jovem não são as drogas; é não crer no futuro e na sociedade em que vive. A falta de esperança, essa sim, é o que pode levar à depressão, ao individualismo, ao consumismo exacerbado, ao suicídio, à marginalidade e ás drogas."

"Resgatar a ética é hoje, questão de sobrevivência"


domingo, 19 de junho de 2016

DICAS DE PORTUGUÊS DA "TIA ÂNGELA"

E não é porque a gente é "Catequista" e não "professora", que não precisamos escrever CERTO, afinal somos educadores da "FÉ", mas, sempre, EDUCADORES!


Uma coisa que já fiz muito na minha vida de professora e tutora, foi corrigir trabalhos, portfólios, artigos e afins.  E, duas coisas contribuíram para a minha formação em matéria de língua portuguesa: gostar de LER e aplicar o que leio!

E, ao longo da minhas vida descobri coisinhas bem corriqueiras, tipo, que catequiZar é com "Z" e catequeSe é com "S".

E também descobri que a palavra "encima", como contrário de "embaixo", não existe... o certo separado: "em cima"... separado....

E que existe o verbo "Encimar"!

Depois que tive como herança da minha faculdade de Contábeis, um conhecimento mais do que repetido do uso da palavra "através", muito utilizado por alunos e professores para descrever suas metodologias. "A fixação dos conteúdos será através de cartazes..." 
E nem sei quantos "através" eu tirei de artigos e planejamentos.

Mas, mesmo lembrando da ênfase de meu professor da faculdade, Valdir Michels, doutor em "Contabilidade", pra gente nunca utilizar o através se não fosse "atravessar" alguma coisa, fui à pesquisa pra explicar porque não se pode levar conhecimento "através" do livro:

Utilização da palavra “através”:

A palavra através tem apenas um significado: passagem de um lado para outro. 
É muito comum ela ser empregada com outros sentidos (errados), como: "Encontrei um emprego através de uma agência."
A frase está errada, pois o através não tem o sentido correto.
A frase correta seria: "Encontrei um emprego por intermédio (ou 'por meio') de uma agência."
Exemplo de uso correto da palavra “através”: 
"Consigo enxergar aquela cidade distante através de binóculos" ou "Vejo a chuva através da janela."

Tá certo "Tia" Célia B. Fernandes *?

Célia B. Fernandes: "Certíssimo Angela Rocha, Também tenho "pavor" de "através". Tiro todos os que vejo na minha frente. E pelo trabalho que você fez, talvez consiga a explicação do porquê o Brasil estar em "rabagéssimo" lugar em leitura e compreensão de textos. Triste, mas verdade!!!"

* Célia B. Fernandes é Doutora em Língua Portuguesa, professora na Universidade Estadual de Guarapuava - Pr.

sábado, 18 de junho de 2016

HOMILIA DO DOMINGO - 12º DOMINGO TEMPO COMUM - ANO C


"Quem quiser conservar a sua vida a perderá, mas o que perde a sua vida pela minha causa, a conservará”. (Lc 9, 24)
As palavras do Evangelho deste domingo são um verdadeiro desafio para nós. "Quem quiser conservar a sua vida, a perderá". Até poderíamos dizer que parece sem sentido. De fato, uma das tendências naturais do homem é a conservação da vida, em alguma medida, todos queremos tê-la garantida.
Evitamos as ameaças, os perigos e os sofrimentos. Lutamos para salvar a nossa parte. Somos instintivamente egoístas. E até criamos uma cultura que favorece este modo "natural" de ser: "quem pode mais, chora menos".
Falar hoje em dia de renúncia, de ceder a vez, de ser caridoso, de oferecer a uma outra pessoa o próprio lugar, de fazer um trabalho gratuitamente, de deixar a melhor parte para o próximo ainda que se tenha chegado primeiro, de estar atento às necessidades dos demais... Parece fora de moda. Ninguém mais pensa assim. É ser um bobo. Vivemos em uma sociedade que está consagrando o egoísmo.
Mas, qual é o resultado desta cultura hedonista que não conhece limites, ou um ideal de vida? O ponto máximo é crer: "eu sou o único importante!" Isto nos leva a ver os demais como um bem relativo, isto é, são importantes apenas quando me servem. Fora disto, todos são descartáveis. As humilhações, a falta de educação, o abandono, a infidelidade, os roubos, os assassinatos, as violações, a corrupção, a poluição, as guerras, o trafico de drogas... e tantas outras coisas, são as conseqüências desta cegueira que nos faz pensar somente nós mesmos, em nosso bem imediato crendo que os demais podem ser usados para minha satisfação.
Somos filhos de uma cultura que está perdendo o sentido profundo da vida. E quem de nós tem as mãos limpas para poder atirar a primeira pedra e condenar, até mesmo os piores crimes? Jesus Cristo nos alerta e nos desafia. O egoísmo, com o tempo, conduz à morte, ainda que em um primeiro momento crie uma ilusória vantagem.  "Quem quiser ganhar a sua vida a perderá”. O egoísmo é autodestrutivo, é um veneno, ainda que seja agradável ao paladar, porém, suas conseqüências não são fáceis de serem neutralizadas.
Com certeza, este desafio é apresentado ao homem de todos os tempos, mas em nossos dias é ainda mais exigente devido à sociedade de consumo. Devemos estar muito atentos e verdadeiramente decididos. Seguramente será um nadar contra a corrente. Contudo, o Senhor, com a eucaristia, com o seu perdão, será o nosso sustento.
É necessário ter a coragem de inverter o esquema: "quem perder a sua vida por causa de mim, vai tê-la assegurada".
 
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.

Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.

OU MUDAMOS OU... MUDAMOS!


Ontem andei fazendo uma retrospectiva de minhas ações e atuação na catequese nos últimos dez anos e posso dizer que andei enveredando por caminhos maravilhosos. Caíram as "escamas dos meu olhos" eu diria.

Depois de um começo equivocado, sem saber exatamente por onde andar, passei a amar a catequese. Os encontros semanais com as crianças, falar de Jesus, de fé, da história da Salvação... Foi como embarcar numa "roda-gigante" e viver momentos de intensa emoção, alegria, "susto", coragem...

E isso me levou a estudar muito. A conhecer muito mais a Bíblia, o magistério da Igreja e os documentos da catequese. Enfrentei, a duras penas, uma curso de especialização em Catequética. Metade dele por minha conta, por meu esforço e determinação. E posso garantir que não foram 360 horas de estudo e mais 150 horas de viagem, em vão. 

Assim como não é em vão, dedicar-se a ler, novamente, e de novo se for preciso, o Diretório Nacional de Catequese, como se fosse a primeira vez; a reler sempre a catequese Renovada; a estar por dentro de tudo que se fala sobre Iniciação à Vida Cristã nos moldes do antigo Catecumenato; a ler os Documentos do Papa; conhecer o que falam pedagogos e psicólogos sobre o tratamento com crianças e adolescentes; enfim...  Posso dizer, como afirma uma querida amiga formadora, que não falo nada sem ser algo corroborado por alguma coisa que li da Igreja e dos estudiosos da catequese e das ciências que nos apoiam. 

Só que isso, não torna meu caminho mais suave e nem facilita muito minha missão na catequese. Aliás, em alguns momentos, isso até dificulta mais... 

Principalmente quando entro em alguns embates com algumas pessoas que acreditam que não precisa nada disso. Basta uma carga enorme de boa vontade e rezar para que o Espírito Santo te ilumine. Claro, a boa vontade deve existir sempre. Afinal, a catequese é um serviço voluntário, não remunerado. 

E quanto a iluminação do Espírito Santo, acredito que ele mora no coração de todos aqueles que tem fé, e acreditam verdadeiramente no projeto de Jesus de um mundo melhor e de um reino onde todas as criaturas vivam em paz. E o Espírito Santo se manifesta sempre na obra e na vida daqueles que estão imbuídos de fazer o bem, o que é correto, o que é justo e necessário. 

Só que meus caminhos não tem sido lá muito "maravilhosos"... desde que passei a não aceitar e criticar determinadas coisas que ando vendo. Já tive muitos problemas com o dito "sistema" que ainda impera em algumas paróquias. Mas, felizmente ainda há, em muitas paróquias, padres abertos, dispostos e trabalhando com os leigos engajados, em perfeita sintonia. 

E há, também, o velho problema dos catequistas que vão para a catequese, só com a dita "boa vontade" e velhos caderninhos na bolsa. E que entende a catequese só como um voluntariado. "Onde vou nas horas que me sobram e faço só o que me é possível". E, muitas vezes, mal o que me cabe... 

Assim, a catequese se restringe a ir aos encontros. Encontros de planejamento? Formações? Missa? Eventos da Igreja? Festas da paróquia? Ah não! Não tenho tempo pra isso não... 

A catequese feita assim, não pensa nos reflexos futuros ou qual o objetivo que a entidade precisa atingir. Também não tem grandes responsabilidades no planejamento das tarefas. Vê-se, nesse último quesito, que a catequese raramente tem planejamento. E esse é um problema muito sério. 

Esse modelo típico do regime da cristandade, em que o predomina o "eclesiocentrismo", como sendo a teologia central de nossa Igreja do "Corpo Místico" (onde Jesus é a cabeça e os batizados os membros), meramente transferida para a igreja/instituição como: o Clero é a cabeça e os leigos, seus membros colaboradores; faz com que a realização das ações dependam da vontade do clero e os leigos meramente obedecem as suas "ordens". Isso faz com que os leigos não se sintam exatamente "responsáveis" pelo atos que praticam e suas consequências no futuro da nossa Igreja. 

A falta de comprometimento na ação catequética, isenta o catequista de pensar em objetivos a serem atingidos, na gradualidade dos conteúdos da fé a serem ensinados e na própria sobrevivência da fé e da religião num mundo cada vez mais distante dos ideais cristãos. Só que... falar disso é perigoso!

Ninguém que queira ter um "futuro" numa pastoral pode falar abertamente que não concorda com isso ou aquilo. Invariavelmente a conversa chega aos ouvidos do padre e lá, tem uma conotação bem diferente. 

Ah! Já fui taxada de "revolucionária" e até mesmo "proibida" de dar formações em paróquias, porque ousei dizer aos catequistas que as coisas deveriam ser diferentes... 

Agora, grave, gravíssimo mesmo, é não pensar nas pessoas envolvidas em todo o processo catequético. Aliás, nem se pensa muito na catequese como um processo que vai levar o "querigmatado" a um exercício de discipulado missionário. Normalmente, não se vai além de tarefas em torno de se receber os sacramentos. O que se vai fazer depois, não é uma grande preocupação. 

Mas, minha conversa inicial sobre "terem caído as escamas dos meus olhos", dizem respeito ao seguinte: estou cansada de "ter paciência", de "esperar", fazer as coisas "de mansinho". Acho que não quero morrer esperando as coisas acontecerem. E penso que, enquanto espero, estou sendo conivente com muita coisa errada, estou só fazendo "voluntariado". E é isso. Preciso mudar, precisamos mudar! Ou aquela adorável roda gigante onde a gente entrou cheio de alegria lá trás, vai virar só um velho monumento.

Ângela Rocha

quinta-feira, 16 de junho de 2016

A WEB DAS COISAS...

Amo escrever! E ser convidada para escrever junto com uma pessoa que a gente admira, melhor ainda. Em 2010, o Alberto Meneguzzi me convidou para escrever este artigo com ele e o resultado foi (sou suspeita pra falar, mas...) muito bom! É um texto longo, mas, vale a pena ler. 


*Alberto Meneguzzi
Ângela Rocha

Uma reportagem especial publicada no jornal Zero Hora de Porto Alegre, mostra o que vem por aí em termos de tecnologia. “Olhar para o futuro nem sempre significa ver o invisível” diz a apresentação da matéria.  A reportagem mostra previsões de inovações tecnológicas para os próximos 10 anos e faz um alerta: “Todas as previsões indicam melhorias consideráveis em relação à atualidade, mas também sugerem mudanças radicais de comportamento”.  É impressionante, uma das dez previsões apresentadas diz que num curto espaço de tempo, a chamada web das coisas (onde tudo se conecta a internet) será massificada, “eletrodomésticos, lâmpadas, portas e janelas entre outros dispositivos, estarão ligados em rede e isso possibilitará controle a distância: mesmo fora de casa será possível programar um aspirador de pó.” Outra previsão é que o quadro negro, utilizado nas escolas, será eletrônico. Com isso, as informações atingem os notebooks dos alunos (fornecidos pela própria escola) via transmissão sem fio. O DVD, para se ter uma ideia, já está ultrapassado e seu sucessor, o blu-ray já está quase também, perdendo espaço para as memórias flashs. Já não se fala mais em Giga (byte), agora a conversa de Tera(byte) pra lá. Ufa!

A reportagem trata ainda de carros megaflex, com uma série de tecnologias ainda mais avançadas que as atuais, chips que poderão ser úteis para o monitoramento de tratamentos de seres humanos mesmo a milhares de quilômetros de distância e até de lentes de contato que transformarão o olho humano em algo semelhante a uma tela de TV: “Por meio de uma conexão sem fio, será possível receber imagens de um computador a uma distância de até 15 a 20 metros, visualizado, por exemplo, interlocutores em conversas via internet”. E tudo deverá estar disponível até o final da próxima década.

Isso tudo quando algumas pessoas (inclusive os autores deste artigo!), ainda encontram dificuldades no manuseio do próprio celular! Até mesmo achar um nome na agenda de telefones, ou operar o controle remoto da TV que ainda está na tecnologia analógica, são tarefas que precisam, no mínimo, de um tutorial do Google. Na verdade, somos de uma geração que nasceu no final da década de 60, o que nos faz quase jurássicos em termos de tecnologia. A primeira transmissão em cores na televisão aconteceu quando tínhamos cinco ou seis anos. A internet, para nós, não tem mais do que dez anos e os telefones celulares mais sofisticados, não ficam muito longe disso.

A geração Z

Na mesma reportagem, está publicada uma entrevista com Andrea Bisker. Ela é Diretora para a América Latina de uma empresa britânica, que trata sobre o impacto das novas tecnologias nas relações pessoais. Segundo Andrea, a geração “Z” (aqueles que nasceram após o ano dois mil, chamados nativos digitais) vive num mundo conectado, mas que causa angústia. “Tudo é muito rápido, e isso pode fazer com que esta geração retome as raízes familiares para encontrar conforto”. Ela diz também que esta geração “Z” não tem paciência para relações: “A independência vem em função de uma sociedade chamada líquida. Também é líquido o amor. Significado, e não dinheiro é a grande mudança.” Andrea Bisker faz, porém, um alerta interessante: “Ideais éticos e ecológicos irão predominar. As empresas já perceberam que essa geração Z vai comprar de quem é sustentável.” Será? Esperemos que sim.

Como catequistas, convivemos com esta geração “Z” já há um bom tempo. O que dá para notar é que os jovens estão sendo educados nas questões ambientais. Falam de reciclagem, efeito estufa, questões climáticas, camada de ozônio e tantos outros assuntos correlatos, com uma desenvoltura fora do comum. A escola tem feito o seu papel e terá que fazer muito mais daqui por diante. A Igreja ainda não encontrou a fórmula para tratar disso de maneira direta e sem rodeios. Questões ambientais quase nunca são abordadas nos conteúdos da catequese e quando são, estão colocadas de forma pouco atrativa.

Por um lado, esta geração “Z” discute abertamente quase tudo que se refere ao meio ambiente, por outro, se mostra consumista ao extremo. São jovens facilmente influenciados pela propaganda e, ao mesmo tempo, preocupados com o meio ambiente. Geram cada vez mais resíduos, descartam com uma rapidez voraz uma série de produtos, mas dão aulas de como reciclar de forma correta os resíduos que são produzidos em suas próprias casas. É uma contradição desafiadora. Observa-se na catequese, que esta geração “Z”, pelo menos nas comunidades urbanas, está num caminho sem volta na relação com as novas tecnologias. A grande maioria sabe manusear um computador desde criança e, com isso, cria uma linguagem própria, se alia em comunidades, busca relacionamentos diferentes numa comunicação quase que instantânea. Já enterramos o Orkut e o MSN; agora e-mails, blogs, estão quase no mesmo caminho; Messenger, twitter, Facebook, Instagram, Myspace... Nem acabamos de listar e, provavelmente, já tem outra rede social, despontando por aí. Os celulares então, estão cada vez mais avançados, hoje, eles dão acesso a internet, tiram fotos, filmam, baixam jogos, músicas, vídeos e podem ser acessados por um comando de voz, se transformando, quase, em extensões do corpo desta garotada. E o Whatsapp? Quem não está nele, está fora do planeta terra!

Mas não nos cabe aqui um aprofundamento em novas tecnologias, até porque, nossa capacidade é um tanto limitada. Nossa intenção é fazer uma relação com a catequese, com o “fazer” dos catequistas, com o linguajar usado, com as técnicas utilizadas nos encontros de catequese e, com a postura que precisamos adotar frente a uma era que, veio para ficar, e está, cada vez mais, influenciando comportamentos e atitudes.

O catequista, a catequese e as inovações tecnológicas

Uma coisa que se pode perceber na catequese, é o “descaso” da maioria dos catequistas e das comunidades-igrejas, com relação a essas novas tecnologias. Quando alertados sobre o nível e o volume de informações que crianças e jovens, trazem hoje, como bagagem para a catequese, muitos evangelizadores acreditam que a “boa e tradicional” catequese dará um jeito nisso. Ignorar que os jovens têm muito mais conhecimento de mundo do que nós é, sem dúvida, um dos motivos para que muitos deles fujam da catequese e, consequentemente, da Igreja. Os catequistas precisam estar “antenados”, saber das novas “modas” e tendências, precisam saber como os jovens se comunicam e como “leem” esse novo mundo.

Claro que uma adesão maciça a essas novas formas de comunicação, não é a solução. Não aprenderemos de uma hora para outra, a fazer “catequese virtual”. Nem é esse o caso. Igualdade, fraternidade, justiça e amor incondicional (que são as mensagens da catequese), podem até ser transmitidas via “online”. Mas a “via” abraço, carinho e olhos nos olhos, não pode ser deixada de lado. Igreja ainda é “comunidade”, laço, pertença, encontro e, sobretudo, relação humana. O que deve se transformar é nossa postura com relação a isso tudo. É a nossa linguagem, a nossa aceitação e entendimento de que esse mundo que está aí é o mesmo, mas, visto de outra forma, na maioria das vezes, por meio de uma tela cada vez com menos polegadas. E não dá para pedir para descer como se fosse trem. Tem que continuar a viagem.

Aliás, o Papa Bento XVI na mensagem que escreveu para a 43ª edição do Dia Mundial das Comunicações, em 2009, já salientava que o desejo de interligação e o instinto de comunicação, que se revelam tão naturais na cultura contemporânea, na verdade, são apenas manifestações modernas daquela propensão fundamental e constante que têm os seres humanos para se ultrapassarem a si mesmos entrando em relação com os outros. Segundo ele, “quando nos abrimos aos outros, damos satisfação às nossas carências mais profundas e tornamo-nos de forma mais plena, humanos”.

A alegação de muitas lideranças pastorais, leigas ou não, para rejeitar ou ignorar essa nova postura que envolve um comportamento diferente em relação às inovações tecnológicas, é que a realidade urbana das grandes cidades é uma (nem todos têm acesso as novas tecnologias) e a realidade rural, das pequenas cidades e das periferias, é outra. O que se esquece é que, mesmo o Brasil sendo um país essencialmente agrícola, 80% da população é urbana (Fundo de População das Nações Unidas – Agência Estado, 2010). Isso faz com que comunidades inteiras, mesmo estando em grandes centros, encontrem-se em estado de grande pobreza e sejam excluídas da sociedade e da “era da informação”. Paralelamente observa-se que muitos jovens das camadas mais pobres possuem celular e que as Lan Houses, estão sempre cheias. A grande maioria das escolas públicas ensina informática aos seus alunos, mesmo as de periferia. O jovem pode não “ter” um computador, mas tem acesso a ele, sem dúvida alguma. Da televisão nem se fala: hoje ela é um “computador”, é só conectar os periféricos.

Então, de que realidade é essa que estamos falando? A maioria esmagadora das nossas crianças e jovens sabem, sim, em que mundo estão vivendo. Muitos dos nossos catequistas é que parecem não saber. E mais, se sou catequista numa comunidade onde as pessoas não tem acesso a esse tipo de informação, é meu dever proporcionar isso a elas. Fazer com que elas continuem alheias a essa nova realidade é trabalhar contra o projeto da catequese. É preciso fazer com que, além de “estarem ‘no’ mundo, elas estejam ‘com’ o mundo” (Paulo Freire, educador). Ao mesmo tempo, nessa conexão entre o novo e o antiquado, é preciso fazer alertas importantes para as nossas crianças e jovens.

Bento XVI, fala ainda em sua mensagem, sobre o perigo de que, com este avanço tecnológico, as relações entre as pessoas se transforme em algo descartável. O sumo pontífice diz que é preciso existir uma harmonia entre ambos: “O conceito de amizade logrou um renovado lançamento no vocabulário das redes sociais digitais que surgiram nos últimos anos. Este conceito é uma das conquistas mais nobres da cultura humana. Nas nossas amizades e através delas crescemos e desenvolvemo-nos como seres humanos. Por isso mesmo, desde sempre a verdadeira amizade foi considerada uma das maiores riquezas de que pode dispor o ser humano”. O Papa pede para que o conceito e as experiências de amizade não sejam banalizadas, que a família e as pessoas que fazem parte de nossa realidade cotidiana, na escola e no trabalho, não sejam deixadas de lado em detrimento a essa nova cultura do online. Diz ainda: “De fato, quando o desejo de ligação virtual se torna obsessivo, a consequência é que a pessoa se isola, interrompendo a interação social real. Isto acaba por perturbar também as formas de repouso, de silêncio e de reflexão necessárias para um desenvolvimento humano saudável”.

Parece cômodo ignorar tudo isso. Acreditar que as mudanças vão demorar a acontecer. Porém, o que se vê, é que a cada dia, novos meios e tecnologias são criadas a serviço do homem. E não podemos esquecer que também estamos “a serviço” deste mesmo homem, como irmãos que somos. E que a tecnologia não é um “fim”. É um meio, uma conexão. Então é preciso que a Catequese e a Igreja como um todo, se preocupem, e muito, com a web das coisas. Os catequistas precisam se “conectar”, caso contrário, perderemos o download (bonde) da história. E esse, não passa de novo. Nem fica disponível para sempre...

(Janeiro 2010, atualizado em 2016).

* Sobre os autores:
Alberto Meneguzzi – Catequista de Crisma e Jornalista em Caxias do Sul - RS
Angela Rocha – Catequista de Crisma em Londrina – Paraná.

terça-feira, 31 de maio de 2016

ESTE MUNDO AINDA TEM JEITO!


Para fazer um contraste com a imagem, quero contar umas histórias. 

Outro dia discutíamos, aqui entre amigos, se o “mundo de hoje tem jeito”. E hoje de manhã testemunhei alguns acontecimentos que me mostraram que tem sim! De manhã ao voltar para casa depois de cumprir meus afazeres, observei no ônibus uma coisa inusitada.

Primeiro que, num dos pontos de parada havia um cadeirante esperando. O motorista esperou que os demais entrassem e saíssem, e pediu que ele aguardasse um pouco porque ia estacionar mais rente à calçada. E lá foi ele manobrar entre os carros que sempre invadem a faixa de estacionamento do ônibus em busca de vagas, para deixar o ônibus mais perto. Feito isso, desceu como é de praxe, ajustou o elevador da porta e ajudou o cadeirante e a senhora que estava junto a subir. Mas, dentro do ônibus, a acompanhante simplesmente não conseguia ajustar a cadeira de rodas no lugar. Enroscou-se toda e entalou no meio do corredor. E estava impaciente, já, colocando a culpa no lugar que era pequeno, etc. e tal...

Pois o motorista subiu, pediu licença à senhora, ajudou a arrumar a cadeira no lugar, ajustou o cinto e ainda perguntou ao senhor na cadeira de rodas se ele estava confortável. Isso durou mais ou menos uns 10 minutos. Mas o que me espantou de fato foi que o motorista do ônibus, além de cumprir bem mais que o seu dever, fez tudo isso com a maior paciência e com um sorriso no rosto. Até a mal-humorada acompanhante teve que se render às atitudes do motorista e agradecer. E juro, quase bati palmas pra ele ali!

Ah, mas não foi só isso não... Dali a pouco, num ponto mais a frente, entra um senhor já de idade. E uma moça se levanta para dar lugar a ele. Este senhor, todo sorridente, recusou a oferta e disse:

“Olha eu não vivi oitenta anos e passei por tanta coisa, para fazer uma mulher se levantar para dar lugar para mim. Obrigada moça, mas pode ficar sentada".

E disse isso sorrindo! Achei essa atitude simplesmente de uma cortesia e um cavalheirismo extremo. E ele se pôs a contar que no domingo fará uma festa com toda a família pelo seu aniversário.

E eu fiquei ali pensando com meus botões como ainda existem pessoas maravilhosas neste mundo! Que nos conquistam e nos mostram que o mundo tem jeito sim! Mesmo com tantas atitudes egoístas e violentas, a gente ainda vê muita bondade no coração das pessoas.

E como se não bastasse, mais tarde, no caixa do supermercado, havia um senhor idoso também, antes de mim. Que se atrapalhou um bocado com a senha de seus cartões. Pois a moça do caixa o atendeu com a maior paciência, refez as operações várias vezes, ajudou-o a fazer as contas e ainda lhe desejou um “Bom dia e Deus o abençoe!” no final. Eu, por curiosidade, perguntei a ela se o conhecia. E ela me disse que não.

Pois é. Não percamos nunca a fé na humanidade! “Humanidade” ainda existe, basta que a gente olhe um pouco mais adiante, além de nossas preocupações e afazeres diários. E volto a dizer: O mundo tem jeito, sim!”.


Ângela Rocha
Catequista

segunda-feira, 30 de maio de 2016

APENAS COORDENADORES E NÃO “DONOS” DA CATEQUESE

A coordenação é uma ‘cooperação’, uma ação em conjunto, de corresponsabilidade conforme os diversos ministérios.

Coordenadores de catequese não são donos do “campinho”, mas parte integrante de um processo comunitário. Muitos parecem não saber disso e agem como se fossem chefes de uma empresa e não líderes: não discutem, não aceitam sugestões de melhorias, são intolerantes com os mais novos, não exercitam a democracia e se perpetuam na função sem abrir espaço para outras lideranças.

Coordenadores que exercitam sua missão dessa forma impedem o crescimento e o surgimento de outras lideranças. Pior do que isso, acabam afastando as que estão trabalhando.

Em vez de estimuladores, são desmotivadores, pois estão sempre contra as ideias novas e nem se quer estimulam a construção conjunta dos desafios para a catequese.

Observem o que diz o Diretório Nacional de Catequese sobre a importância da coordenação:

“A coordenação é uma ‘cooperação’, uma ação em conjunto, de corresponsabilidade conforme os diversos ministérios. Jesus é a fonte inspiradora da arte de coordenar. Ele não assumiu a missão sozinho. Fez-Se cercar de um grupo e com este grupo foi criando a Sua comunidade. Em Jesus, o ministério da coordenação e animação caracteriza-se pelo amor às pessoas, e pelos vínculos de caridade e amizade. Ele conquista confiança e delega responsabilidades. Coordenar é missão de pastor, que conduz, orienta, encoraja catequistas e catequizandos para a comunhão e participação, para a solidariedade e para a transformação da realidade social. Requer um trabalho de equipe, pois é um serviço representativo da comunidade, dos catequistas e das famílias. Reveste-se de um mística do exercício da função de Cristo Pastor. É gerar vida e criar relações fraternas, abrindo espaço para o diálogo, a partilha da vida, a ajuda aos que necessitam de presença, de incentivo e compreensão. Não é uma função, mas uma missão que brota da vocação batismal, de servir e animar. Através da coordenação, o projeto de catequese avança, cria relações fraternas, promove a pessoa humana, a justiça e a solidariedade. A catequese não pode ser considerada uma empresa que visa à produtividade, ao lucro, a eficiência e à execução fria das leis de mercado. Entretanto poderá incorporar as conquistas das ciências modernas, como maior eficiência no método, no uso do tempo, na qualidade de vida e no aproveitamento dos recursos. A palavra-chave desse ministério é articulação.”

Repetindo alguns tópicos:
  • A coordenação é uma “cooperação”, de corresponsabilidade;
  • A ação inspiradora é Jesus;
  • Requer um trabalho em equipe;
  • Cria relações fraternas;
  • Abre espaço para o diálogo;
  • Não é função, mas uma missão;
  • Promove a pessoa humana, a justiça e a solidariedade;
  • Cerca-se do grupo;
  • Conquista confiança e delega responsabilidades;
  • Não é uma tarefa fácil ser coordenador de catequese;
  • Não podemos pecar pelo excesso de moralismo, centralismo de poder e pela antipatia no relacionamento com as pessoas e com a comunidade;
  • Não somos donos da catequese;
  • O coordenador é parte de um todo e deve procurar exercitar a humildade como qualquer outra pessoa;
  • Também necessita de uma formação adequada, não apenas teológica, mas de conduta e relacionamento com as pessoas;
  • Um coordenador de catequese precisa saber respeitar a opinião dos outros;
  • Um coordenador de catequese não precisa ser um “banana” que aceita tudo, mas apenas basear-se na ação inspiradora de Jesus Cristo;
  • A ação de Jesus não admite soberba e muito menos individualismo;
  • Coordenador de catequese que não consegue viver e partilhar experiências com o grupo não pode coordenar. 

Alberto Meneguzzi
Jornalista, relações públicas e catequista.
Autor dos livros Paixão de anunciar e Missão de anun­ciar, publicados pela Paulinas Editora.


domingo, 29 de maio de 2016

Frases que bloqueiam o bom planejamento da catequese

COM A PALAVRA:
O Catequista!


Frases que bloqueiam o bom planejamento da catequese
 Alberto Meneguzzi*

Tem muita gente que sonha alto na catequese. Que bom! Pessoas que não querem ficar no marasmo de sempre e não se contentam com a mesmice. Vejo e falo com muitos catequistas entusiasmados com a missão que lhes foi confiada. Porém, existem aqueles que desistem facilmente. Acham-se sem condições, sem tempo, limitados, despreparados. Ficam com medo de saber até onde podem chegar como catequistas.

O medo nos paralisa e atrofia, nos impede de sonhar mais alto, de mudar o mundo, atingir as pessoas com o projeto de Deus. O medo é um câncer para a catequese. É ele que nos impede de prosseguir, de alcançar voos mais altos, de lutar por encontros melhores, de entusiasmar jovens, crianças, adultos, pais, padrinhos e até mesmo outros catequistas que conosco caminham.

O medo, quando ataca, vem com tudo, paralisa sonhos, fragiliza ações, desvia caminhos. Precisamos enfrentá-lo com toda a fé e força.

A oração é um antídoto precioso contra este sentimento terrível que é medo.

Muitas comunidades estão iniciando agora o ano catequético. Por este Brasil afora, estão acontecendo encontros, reuniões de formação, palestras, planejamento para o ano inteiro, aprendizado de técnicas, dinâmicas e até mesmo, a busca de conteúdos para os encontros semanais.

Sempre surgem ideias diferentes nestas reuniões. Alguém sempre diz: “Porque a gente não faz diferente desta vez”. O entusiasmo está presente, eu noto isso. Conversando com catequistas de todo o país, sinto que estão dispostos a mudar, a crescer, tornar a catequese algo que realmente toque e indique o projeto de Deus. Mas, o “maldito” medo, busca outros sentimentos para reinar nas ideias de muitos catequistas e coordenadores.
O medo nos apresenta frases que vão de encontro aos nossos ideais e vontades. E aos poucos, muitas lideranças vão se tornando dominadas pela sensação de insegurança, impotência e desânimo. Com isso, a frase que surge, com mais ênfase é “Não podemos fazer. Deixemos tudo como está!”. É uma pena que seja assim.

Resolvi separar algumas outras frases, que no meu entendimento, atrapalham um bom planejamento da catequese impedindo que diversos grupos de catequistas pelo menos tentem fazer coisas diferentes, saindo da mesmice e do marasmo. São elas:

Que ridículo!
Não temos tempo.
Em time que está ganhando não se mexe.
Está bom assim. Por que mudar se está funcionando bem?
Ninguém vai participar. É melhor nem fazer.
Nunca fizemos isso antes. Não vai funcionar.
Não estamos preparados para isso.
Isso é problema deles, não nosso.
Vamos pôr os pés no chão.
O Padre não concordaria com isso.
Não é prático.
Custa muito caro. Não está no orçamento.
Já tentamos assim.
Alguém já tentou antes?
Será que o conselho pastoral aprovaria?
Não é nossa responsabilidade.
Os pais não querem nada com nada. Não adianta convidá-los.

O medo não pode ser o maior sentimento entre nós, lideranças pastorais, catequistas e coordenadores. Quem sabe você se arrisca a enfrentá-lo? Quem sabe você tenta fazer coisas diferentes? Quem sabe você partilha com os demais os seus sonhos, projetos e desejos para a catequese?

Se eu disser “Eu posso, eu quero, eu vou consegui!r” e acreditar nisso, o universo conspira a seu favor. Mas por favor, não desista antes de pelo menos tentar.

Tente um: “Eu posso, eu quero, eu vou conseguir!” E você conseguirá.


* Alberto Meneguzzi - Jornalista e relações públicas formado, Catequista de crisma.

GOTAS DE PAZ - HOMILIA


"Todos comeram até ficarem saciados e se recolheram doze cestos de sobras." Lc 9, 17 
Em muitos países se celebra nestes domingo a solenidade de Corpus Christi, em outros já se celebrou na quinta feira. De qualquer modo, proponho uma singela reflexão sobre este grande mistério. Certamente, a eucaristia é, entre os dons de Deus confiados a Igreja, um dos mais preciosos, e isto nos vem confirmado pelo próprio nome: "Santíssimo Sacramento". Jesus encontrou um modo simples, mas muito forte de permanecer em nosso meio, para poder alimentar-nos durante a nossa caminhada para Deus.

A primeira recordação que nos vem em mente é o "maná" do deserto, que, doado por Deus todos os dias, de modo igual a todos, e não podendo ser acumulado, fez com que o povo mudasse sua mentalidade e aprendesse a partilhar, vencendo o egoísmo e sendo solidário. Também a eucaristia quer ser esta escola divina. Por meio da comunhão freqüente, Deus quer ir transformando nossos valores, nossos projetos, nossas atitudes e nossos sentimentos até que se tornem os mesmos que Jesus pregou e viveu. Comunhão que não é apenas comer, mas também meditar, rezar e sentir-se desafiado a dar um novo passo na direção do Único Bem.

Em segundo lugar, a eucaristia é memorial permanente da paixão, morte e ressurreição de Cristo. "É corpo entregue por vós... é sangue derramado por vós..." Não é um corpo qualquer, é corpo entregue, doado, sacrificado... não é um sangue qualquer, é sangue derramado, oferecido, vertido. Nos faz recordar um projeto de vida. Nos desafia: "Façam isto em memória de mim." Enquanto tantas vezes apenas pensamos em nós mesmos, "como ganhar mais?, onde posso tirar vantagem?, como posso me vingar?", a eucaristia é sacramento da doação completa. É proposta de outra lógica para viver neste mundo.

Em terceiro lugar, a eucaristia e a Igreja participam do mesmo mistério: ambas são corpo de Cristo, ambas fazem presente Jesus em nossas vidas. Estas realidades estão intimamente ligadas, a tal ponto que não se pode fazer eucaristia sem a Igreja, mas também sem a eucaristia, a Igreja não pode sobreviver. Santo Agostinho dizia que, quando comungamos, recebemos aquilo que nós já somos. Não podemos dissociar e crer que se pode adorar o Corpo de Cristo na Hóstia Consagrada e depreciar a presença de seu corpo na Igreja. 
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.

Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.

domingo, 22 de maio de 2016

A FÁBULA DO PORCO ESPINHO

Um texto para refletir sobre o trabalho em equipe...


Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados, então precisavam fazer uma escolha: Ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram.

“O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.”

(sem autoria definida)