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sábado, 15 de julho de 2023

O DIVINO SEMEADOR: REFLEXÃO DO EVANGELHO

cebi.org
A passagem do Evangelho de Mateus 13,1-9,18-23, conhecida como a Parábola do Semeador, oferece uma reflexão profunda sobre a rejeição e a aceitação da mensagem divina, destacando a postura dos poderosos em contraste com a atitude das pessoas empobrecidas. Essa narrativa nos leva a refletir sobre a importância da leitura popular da Bíblia para semear a semente que deve gerar empatia e responsabilidade social.

Na parábola, Jesus descreve um semeador que lança sementes em diferentes tipos de solo. Algumas caem à beira do caminho, onde os pássaros as comem; outras caem em solo pedregoso, onde brotam rapidamente, mas são logo murchadas pelo sol; outras ainda caem entre os espinhos, que as sufocam. Por fim, há aquelas que caem em boa terra, produzindo fruto abundante.

Os poderosos, representados pelo solo duro e cheio de espinhos, simbolizam aqueles que, por causa de sua riqueza e poder, são incapazes de acolher a mensagem do evangelho. Suas preocupações materiais e suas ambições pessoais os impedem de permitir que a semente da Palavra de Deus penetre em seus corações. Eles rejeitam a mensagem, pois ela desafia o status quo e exige uma mudança de perspectiva e de ação.

Por outro lado, as pessoas empobrecidas, representadas pela boa terra, acolhem a mensagem e permitem que ela frutifique em suas vidas. Elas estão mais abertas para compreender os ensinamentos de Jesus, pois muitas vezes enfrentam as dificuldades da vida e estão dispostas a buscar esperança e consolo nas palavras divinas. Ao encontrar a mensagem de amor, justiça e solidariedade presente no evangelho, elas são tocadas profundamente e respondem com atos de generosidade e compaixão.

A leitura popular da Bíblia desempenha um papel fundamental na disseminação dessa mensagem de empatia e responsabilidade social. Quando as Escrituras são acessíveis e compreendidas pelo povo, elas se tornam uma fonte de inspiração e guia para a ação transformadora. A leitura popular permite que os ensinamentos bíblicos sejam apropriados e aplicados às realidades concretas das comunidades empobrecidas, gerando um senso de identificação e empoderamento.

Ao compreenderem a mensagem de Jesus através da leitura popular, as pessoas empobrecidas são encorajadas a praticar atos de solidariedade, buscando a transformação de suas próprias vidas e da sociedade em que vivem. A Palavra de Deus se torna um convite para a construção de relações mais justas, onde os mais vulneráveis são acolhidos e amparados, e onde a partilha e a dignidade humana são valores fundamentais.

Portanto, a Parábola do Semeador nos recorda que a mensagem do evangelho pode ser rejeitada pelos poderosos, mas encontra um solo fértil nas pessoas empobrecidas. A leitura popular da Bíblia desempenha um papel vital na semeadura dessa semente que gera empatia e responsabilidade social. É através da compreensão e prática dos ensinamentos de Jesus que podemos encontrar inspiração para transformar o mundo, nutrindo a solidariedade e a justiça em nosso meio.

Ruan da Silveira Isnardi
CEBI-SP

FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/o-divino-semeador/

quinta-feira, 13 de julho de 2023

TRÍPTICO (AS TRÊS VIRTUDES TEOLOGAIS DA FÉ CRISTÃ)

 

Jesus anunciava a Boa Notícia do Reino de Deus, mas nunca o ouvimos chamar “Rei” a Deus. Jesus chamava PAI a Deus e ensinou-nos a chamá-lo assim também. Quem reina é um PAI bom e leal, o nosso PAI! Somos filhos do rei: não há razão para temer. 

Jesus mostra-nos o coração de Deus como alguém de confiança, cheio de amor e ternura para dar aos Seus filhos todos, sem exceção. Deus não “ama mais” os que mais “merecem” mas ama com um amor todo especial aqueles que mais precisam, por causa do sofrimento, da solidão ou do pecado. Ninguém consegue pôr-se fora da misericórdia de Deus! Ninguém consegue descer abaixo do perdão de Deus! Não conseguimos anular o amor de Deus por nós.

Deus só é bom, e não é capaz de fazer mal. Deus não nos ameaça para cumprirmos a Sua Vontade, Deus não promete castigos, porque Deus não se vinga nem é capaz de maldade nenhuma. O Pai de Jesus é Pai Nosso. Temos motivos para confiar.

 

ESPERANÇA

Por onde Jesus passava, brotava a Esperança. As pessoas que o ouviam e se fiavam dele sentiam renascer dentro delas a Esperança e os motivos para acreditar. Para Jesus todas as pessoas têm futuro! Há Esperança para todas as pessoas porque todas as pessoas são infinitamente amadas. É a Fé no Amor que nos dá esta Esperança.

O Reino de Deus que Jesus anuncia é este mundo revolucionado pela Esperança e curado pela Compaixão. Quando a nossa mente se abre à Esperança que ultrapassa os queixumes à volta de nós mesmos, e quando o nosso coração se abre à Compaixão que sente as dores dos outros e toca as feridas dos outros, então estamos a pôr-em-prática o Pai Nosso: “Venha a nós o vosso Reino!”

Deus tem Esperança em nós! O maior sinal dessa Esperança de Deus em nós é o Perdão que nos dá. Deus perdoa-nos porque continua a acreditar em nós e não aceita desistir de nós. Nenhum pecado é maior que Deus. Nem todos juntos conseguem afogar a Misericórdia de Deus.

O Deus de Jesus é o Pai a quem mataram o Filho. E, depois disso, o que este Pai faz é convidar aqueles que lhe mataram o Filho a sentarem-se à Mesa consigo. É aí, na Mesa da Graça e do Perdão, que Deus nos quer mudar o coração e nos convoca para um Mundo Novo.

 

AMOR (CARIDADE)

 Ao Amor de Jesus até chamamos Caridade, para percebermos que é muitas vezes um amor diferente do nosso: mais inteiro, mais gratuito e mais duradouro. É isso que a palavra Caridade quer dizer: Deus ama-nos com Caridade. Quer dizer: o Seu Amor por nós é uma Graça infinita e um Dom sem medida. Deus tinha motivos para não gostar de nós. Mas gosta. E muito! Isso é Caridade, um Amor maior do que tudo. 

Jesus não falava do Amor de Deus como um “sentimento” apenas, mas como um Projeto que Deus tem para nós e do qual não abdica por nada. O Amor de Deus é a doação que Ele nos faz da Sua própria vida: Deus quer que todos os Seus filhos vivam nele e com ele para sempre, felizes e curados. Jesus de Nazaré é a Caridade de Deus em Carne Viva, é a maior declaração de Amor que Deus nos faz.

Como podemos responder a este Amor do nosso Deus? Amor com amor se paga! Aprender de Jesus é amar como ele ama. Seguir Jesus é fazer como ele faz. Quando andava lá na Galileia, Jesus mostrava o seu Amor pelas pessoas investindo nelas: Tempo, Perdão e Vida. Jesus investia naqueles de quem já todos tinham desistido. Às vezes, até já tinham desistido de si mesmos! Mas nós, muitas vezes, desistimos cedo demais uns dos outros. Deixamos de investir Tempo para nos encontrarmos, Perdão para nos reconciliarmos, e Vida para nos ajudarmos. O Amor leva à Partilha. E a Partilha é que nos Salva!


 Rui Santiago, cssr -  CER – Portugal.




quinta-feira, 6 de julho de 2023

O DIRETÓRIO PARA A MISSA COM CRIANÇAS

Há mais de 40 anos atrás (1977), a CNBB publicou um documento chamado Diretório Para Missa Com Grupos Populares, que tinha como anexo o DIRETÓRIO PARA MISSA COM CRIANÇAS, aprovado pela Sagrada Congregação para o Culto Divino em 01 de novembro de 1973.

Apesar de antigo, o documento ainda tem sua validade e valor como instrução, ele se mostra ainda atual em sua essência e abertura. E é fruto da intenção do Concílio Vaticano II em promover a participação ativa de todos nas celebrações, inclusive das crianças, naquilo que lhes é possível, é claro. O Diretório surgiu como uma resposta ao anseio da Igreja de conhecer mais sobre o tema. Não veio “de cima para baixo”, mas a partir de experiências concretas recolhidas de várias partes e bem refletidas para se retirar os exageros. Com todas essas experiências surgem orações mais acessíveis e um novo lecionário. Em 1966, foi feita uma quarta redação levada a Paulo VI que fez por escrito suas reflexões e, em 1973, o Documento final foi publicado. Em fevereiro de 1977, na Assembleia Geral da CNBB, ele foi aprovado.

O Diretório Para Missa com Crianças se desenvolve em três capítulos:

- Como iniciar as crianças na existência cristã e prepará-las para a Eucaristia?

- Como acolher as crianças nas celebrações com adultos?

- Como conduzir a celebração quando a Missa tem na maioria crianças?

Desde o início do texto, um embasamento da Psicologia garante que a criança é capaz de participar por envolvimento do mundo dos adultos. Progressivamente seu desejo de compreender e participar de uma maneira mais completa. Daí vale ressaltar a atitude da família, insubstituível na transmissão da fé e do espírito celebrativo. Não são necessárias grandes explicações sobre o mistério que se celebra, mas sim grande acolhida e envolvimento. A segregação da família, pluralismo ou a indiferença religiosa criam novos desafios. O que vivemos e celebramos não é respaldado pela sociedade atual.

Mais do que suscitar uma prática religiosa regular nosso objetivo deve ser que a Eucaristia seja o centro das nossas vidas. Criar uma comunicação lúdica e orante e sair da mentalidade “escolar” devem ser metas da Liturgia e da Catequese, que estão intimamente unidas. A fonte da Catequese é a Liturgia, que celebra o conteúdo da fé. E é na Catequese que se aprende a celebrar. Não são realidades dissociáveis. A integração precisa ser ainda maior.

É preciso criar condições para que a criança viva a sua fé. A começar pelos pais, depois o celebrante, os catequistas, a comunidade. Alguns pontos se fazem notar: iniciar a criança no valor do silêncio não como hiato vazio, mas como momento precioso para acolher a palavra de vida; introduzir a criança no canto; valorizar a celebração da Palavra.

Por outro lado, o Diretório enfatiza também que a Catequese precisa ter também uma dimensão humana: aprender valores, saber conviver com os outros, agradecer, pedir perdão.... atitudes que também são exercitadas na celebração.

Nas celebrações com adultos a criança não deve ficar em “quarentena”, pois ela tem o direito de ser introduzida na vida litúrgica da comunidade. Sua participação requer uma atenção especial.

Sugestão:

1. As crianças menores podem ser reunidas em um lugar próximo adequado e voltarem para a Bênção final;

2. Em outro local, as crianças participam de uma Liturgia da Palavra mais adequada e voltam para a Liturgia Eucarística ou;

3. Dá-se atividades adequadas para a sua mais efetiva participação (ex. coleta, ofertório, etc.).

Esta última tem se mostrado ser a mais adequada para a nossa realidade. Na terceira parte do Diretório, vê-se que não se trata de ocupar as crianças durante a Missa para que não se distraiam, mas sim de ajudá-las a celebrar e viver a fé. O padre deve evitar um discurso muito infantil, mas também muito rebuscado. Quanto aos adultos presentes, eles estão ali para rezar junto com as crianças e não para fiscalizá-las.

Celebrar com as crianças é ir com elas ao encontro do Senhor que se nos reúne, nos revela, se nos oferta e se nos dá na Sagrada Comunhão.

O Diretório se mostra em alguns aspectos reservado e em outros, aberto. Não podemos nos esquecer de que celebramos o maior acontecimento da nossa fé: não é mera lembrança, é atuação na vida presente de cada um de nós. Cada um acolherá esse mistério dentro de suas possibilidades. Assim, toda a preparação deve girar em torno disso. A música vocal e instrumental bem preparada e adaptada é de grande importância: a melodia não deve se sobrepor à letra, nem os instrumentos à voz, nem o coral à assembléia.

Não basta assistir, é preciso participar, ou seja, fazer parte. O uso de imagens e símbolos visuais é também ponto de destaque, que precisam ser usados. Que nada se imponha, mas que esteja a serviço do essencial. O espaço também contribui para a melhor participação.

Pode-se dizer que a Igreja nunca se interessou tanto na integração das crianças na Liturgia. É preciso prepará-las, iniciá-las. Todas as comunidades se ocupam sobre esse tema. Adaptação, porém, não significa improvisação: minha criatividade deve estar subordinada ao meu bom conhecimento das orientações da Igreja. A Missa é uma só, mas terá uma preparação especial voltada para o público infantil, sem reduzir a celebração somente à elas. Caso contrário, será uma celebração tão infantil que, depois de passar de determinada faixa etária, não mais se interessará por ela.

O importante agora, é unirmos nossa experiência valiosa de dedicação de todos para nos integrarmos mais e nos sentimos membros participantes desse processo histórico, trazendo como originalidade a consciência do que deu certo ou não e a novidade de fazer viver o projeto, o intento do Diretório com as crianças de hoje da nossa comunidade, de tal maneira que elas se sintam bem na celebração e possam viver e rezar sua fé.

 Cônego Antônio José de Moraes

 SUGESTÕES DE BIBLIOGRAFIA:

 Diretório para Missa Com Crianças - (disponível nas livrarias Paulinas);

Liturgia e Palavra, Liturgia e Sacerdócio, Celebrar a Eucaristia Hoje, Eis o Mistério da Fé.  (Cônego Antônio José de Moraes).


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terça-feira, 4 de julho de 2023

O PAPA: A EUCARISTIA NOS ABRE AO MUNDO, COMO JESUS NOS ENSINOU

Na intenção de oração deste mês, confiada a toda a Igreja católica através da Rede Mundial de Oração do Papa, o Pontífice nos convida a colocar a Eucaristia no centro de nossas vidas.

“Se ao sair da missa estás como entrastes, alguma coisa não funciona. A Eucaristia é a presença de Jesus, é profundamente transformadora. Jesus vem e deve transformar-te. Nela, é Cristo que se oferece, que se dá por nós, que nos convida para que a nossa vida seja alimentada por Ele e alimente a vida de nossos irmãos. A celebração da Eucaristia é um encontro com Jesus ressuscitado e, ao mesmo tempo, uma forma de nos abrirmos ao mundo, como Ele nos ensinou. Cada vez que participamos em uma Eucaristia, Jesus vem e Jesus nos dá a força para amar com o Ele amou.  Porque nos dá a coragem de sairmos ao encontro, de sair de nós mesmos e nos abrirmos aos demais. Rezemos para que os católicos ponham no centro de suas vidas a celebração da Eucaristia, que transforma as relações humanas e abre ao encontro com Deus e com os irmãos”.

(Papa Francisco – julho 2023)

ASSISTA O VÍDEO:

https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2023-07/papa-francisco-intencao-oracao-julho-eucaristia-jesus-mundo.html

sexta-feira, 30 de junho de 2023

REFLEXÃO DO EVANGELHO: DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS


Imagem: cebi.org

O texto de Mt 10,40-42 é o fecho do conjunto de textos da parte discursiva do segundo livrinho do Evangelho, intitulado de diversas formas: Sermão da missão; Envio dos missionários do Reino; Chamado para a missão; Discurso apostólico, entre outros. Nesses textos, segundo as autoras, Jesus dá diversas orientações e instruções às discípulas que aceitarem exercer a missão; ensina-as como devem exercê-la em meio às comunidades; exige compromisso radical com ele e com seu projeto; adverte-os quanto aos cuidados que devem ter diante da realidade violenta e de perseguição daquele contexto em que vivem e, também, ordena-os a resistir, sempre com confiança, esperança e fé na superação dos inúmeros desafios do momento de tensão que vivem os cristãos, os chefes judeus e os violentos romanos.

O Evangelho da comunidade de Mateus provavelmente teve sua construção e edição por volta dos anos 80 e.C., obra de fiéis de raízes judaicas bastante ligados à sua tradição e doutrina. Tem uma construção muito bem elaborada e traz uma interessante característica, que são as subdivisões. Encontramos nele cinco livrinhos, compostos, cada um deles, de uma parte narrativa e outra discursiva, sendo emoldurados por uma introdução e uma conclusão, que o torna, de certa maneira, um livro familiar aos convertidos vindos do judaísmo, por se assemelhar, em sua forma, à Torá. Em suas linhas, dentre as diversas abordagens, destaca-se a questão do discipulado missionário, de como ser verdadeiro seguidor de Jesus, o Messias prometido das Escrituras Sagradas. Evoca-se fortemente a questão da justiça e a figura do justo, bem como a figura dos profetas, fazendo releitura das profecias apontando para a vinda de Jesus e a realização do seu Reino em meio à humanidade.

No Evangelho de hoje, essas duas figuras conhecidas dos judeus são destacadas: o profeta e o justo. Aquele que se entrega verdadeiramente ao projeto de Jesus e o realiza em seu meio é equiparado aos profetas e aos notáveis justos do Primeiro Testamento. Da mesma forma serão recompensados quem acolhe e assiste os missionários, provendo o que lhes ajude em suas necessidades da missão. O texto é um chamado à missão, ao mesmo tempo que também é um convite à colaboração fraterna e compromissada na construção contínua do Reino de Deus.

Esse texto está situado no contexto da dispersão do pós-guerra judaica, com os judeus cristãos expulsos das sinagogas e consequentemente do convívio social, sofrendo forte perseguição. Os discípulos de Jesus passam por um momento determinante: continuarem firmes, implantando o projeto do Reino, mesmo diante dos perigos e de possíveis rupturas com os seus e suas casas, ou ceder e voltar atrás diante da pressão da religião oficial e do Império. A escolha feita pelos discípulos de Jesus foi fundamental para que o projeto do Reino e sua Boa Nova fossem conhecidos por nós hoje.

Os dias atuais são tão desafiadores e complexos como a realidade vivida pela comunidade de Mateus. A mercantilização do cristianismo, a poderosa força da religião mercado e seu império insaciável em forte oposição ao projeto de Jesus, o desvelamento da perversidade humana disfarçada de zelo religioso, a inversão dos valores com exaltação de opressores e culpabilização dos oprimidos, são alguns dos complexos problemas que nos interpelam em nossos dias. Diante dessas situações, somos provocados e questionados: como agir, qual atitude? Ser discípulos missionários, profetas na luta por justiça e dignidade para todas as pessoas, ou se amoldar e acomodar diante desta estrutura de injustiça, desigualdade, opressão e morte? Precisamos fazer nossas escolhas.

Que a força do projeto de Jesus nos encante e nos impulsione. Que o Espírito Santo nos mova sempre na dinâmica do agir profético e missionário, tornando-nos animadores, continuadores, construtores deste Reino de amor, justiça, igualdade e dignidade, sonhado e inaugurado por Jesus para toda a humanidade. Amém!

Cristiano A. Santos - CEBI SP




APOSTILAS EM PROMOÇÃO: ANO LITÚRGICO E RICA!

 


Conhecer o Ano Litúrgico e as celebrações orientadas pelo RICA nunca foi tão primordial aos catequistas como nos dias de hoje!

"Ano litúrgico": traz as divisões do ano litúrigico bem como o calendário das festas e celebrações.

"RICA: Conheça e aprenda a usar": Este material traz um resumo do Ritual de Iniciação cristã de adultos e 16 roteiros de Ritos e Celebrações já adaptados para catequese de adultos e infantil.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

deus com letra minúscula

“Quando me sinto fraco, então é que me faço forte...”

Às vezes não basta a gente “se fazer" de forte. Porque quando nos "fazemos" forte, essa fortaleza é construída de areia. E, a areia desmorona na primeira onda. É preciso SER forte, desde as entranhas até o último fio de cabelo. A gente engana a todo mundo menos a Deus e a nós mesmos. E nem sempre essa fortaleza vem da nossa fé exterior...

Mas, desde quando a fé é "exterior"? Fé vem de dentro da alma, ela se faz do Espírito Santo de Deus que cada um de nós traz dentro de si desde que nasce. O ser humano antropológico necessita do transcendente. Precisa de fé, exterior ou interior.

Pode parecer uma heresia, mas não recebemos o Espírito Santo só no batismo. O sacramento do batismo como rito simbólico e mistagogia tem o seu propósito, mas Deus daria Seu Espírito só a quem comparece a uma Igreja? A pia batismal e a água benta têm que fazer parte disso realmente? E aqueles a quem é negado esse gesto? Não serão eles filhos de Deus também e objeto do Espírito?  Todo ser humano possui em si o Espírito Santo, tendo sido marcados pela cruz de Cristo ou não. Mas alguns não o percebem ou conhecem.

Então essa é, em minha opinião, a fé "exterior". Que precisa de símbolos, de presença física, de instituição, religião e outras tantas coisas "tocáveis". E muitas vezes nos deixamos levar só pelo Deus de nossa fé exterior. Um  deus que precisa a todo o momento ser provado, medido e aceito. Que precisa ser “visto”. É o deus com letra minúscula. E o deus de muita gente é assim: minúsculo e ausente no interior. É o deus de quem esfola os joelhos a rezar mas não levanta uma palha em prol do crescimento próprio e do outro. É o deus de quem não acredita no Filho Amado de Deus, que pode ser sempre visto, olhando-se no espelho.

E existem aqueles que se comprazem em se dizerem “sem fé”. Ah, mas não se enganem, mesmo a quem o nega e renega, Ele se faz presente. A única diferença é que pra estes, o Deus de letra maiúscula é um Deus de encontro sofrido e demorado.

E o encontro só acontece quando exercemos a FÉ INTERIOR! A fé em nós mesmos, que nos faz fortes Naquele que nos fortalece... E em nós mesmo, que somos a maior fortaleza já criada por Ele!


Ângela Rocha
Catequista, graduada em Teologia pela PUCPR.



sábado, 24 de junho de 2023

SÃO JOÃO: ANUNCIADOR DO EVANGELHO

Imagem: CEBI.ORG

Reflexão Bíblica Mateus 10, 24 -39:

Perseguição e Martírio por Causa do Reino

O Evangelho de Mateus nasceu de uma comunidade que já havia experimentado a violência da perseguição por causa do anúncio evangélico de Jesus.

As pessoas cristãs sentiam as contrariedades e as perseguições por causa da sua fé, do testemunho de Jesus e pela atuação em favor do Reino de Deus, por isso o convite à coragem para a vivência da fé cristã. O testemunho dos profetas, a palavra de Jesus e a práxis dos primeiros cristãos, dizem não ser possível ser Igreja de Cristo sem passar pela perseguição, martírio e a cruz, consequência da fidelidade ao Projeto de Deus.  Necessitamos de muita coragem diante das adversidades deste mundo, para sermos seguidoras de Jesus de Nazaré, pois Ele nos pede resistência, resiliência, persistência e amorosidade para testemunhar corajosamente e seu Reino. As cristãs, enquanto seguidoras de Jesus, sabiam que as discípulas não estavam acima do Mestre e que quem quisesse segui-Lo também deveria carregar a cruz, por isso o convite, a insistência de não ter medo, confiar no Pai-Mãe e continuar anunciando e testemunhando sem se calar e com muita coragem.

Não Tenham Medo, mas Anunciem!

Contar com Jesus, tendo a experiência de Deus como Pai, sentindo-o presente, faz reagir, reanimar as forças para vencer o medo que deixa o discípulo paralisado. Muitas foram as passagens que mostram Jesus libertando as pessoas do medo. Na época, o terror do poder do Império, as ameaças dos mestres da Lei, as cobranças dos sacerdotes e até a imagem de um Deus Juiz, cheio de ira, tudo isso, criava uma situação de medo e pavor. Hoje, muitos se sentem inseguros na sua vida, no seu trabalho, assustados/as com as crises política, econômica, medo da conjuntura; tensos diante da necessidade de assumir posições e tomar iniciativas, falta de liberdade interior e medo do que dizem, ou seja, sofrendo o medo em segredo. “O medo causa muito dano, onde cresce o medo, perde-se Deus de vista e se afoga a bondade que há no coração das pessoas. A vida se apaga, a alegria desaparece” (Pagola, 2013b, p.121).

E quando o medo toma conta, atitudes como: consumo de mais mercadorias, diversões e prazeres a qualquer custo, fazem esquecer os problemas e o que os desafia. Outros ainda mergulham na resignação, passividade e desencanto com a vida, deixando tudo como está, outros ainda, com desejo de voltar ao passado, torcem pela volta das liturgias da Idade Média, das relações autoritárias, conservadoras e centralizadoras. Jesus nos lembra: “Não tenhais medo dos que matam o corpo”, o Pai   acompanha e cuida de nós muito mais do que dos pardais. Jesus está nos encorajando para a Criatividade e a Liberdade, para retomarmos ações e iniciativas nas quais já sentimos o gosto do mundo novo que queremos para todos, todas e todes.

A luta pela justiça do Reino, esbarra na resistência dos que não querem mudanças sociais. Por isso, a afirmação de Jesus tem dois aspectos: primeiro diz respeito a coerência da comunidade com o Projeto de Deus. Segundo aspecto diz respeito as consequências do testemunho corajoso: acusação dos que continuam eliminando vidas humanas.

Não Tenhais Medo da Perseguição

Disse Jesus: “Dizei à luz do dia o que vos digo na escuridão, e proclamai de cima dos telhados o que vos digo ao pé do ouvido”. “Porque não há nada encoberto que não venha a ser revelado”. “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos outros, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus”.

Deus está dentro da história humana e do universo, por isso, o encontro, a comunhão com Jesus, nos faz sentir confiança nesse Deus que nos ajuda a enfrentar as forças do mal e os poderes do mundo que constituem um forte anti-Reino, fazendo surgir o bem do próprio mal, encontrar caminho correto pelas vias tortuosas da sociedade, não nos abandonando jamais. “Esta fé firme em Deus não leva à evasão ou a passividade. Traduz-se pelo contrário, em coragem para tomar decisões e assumir responsabilidades. Leva a enfrentar riscos e aceitar sacrifícios para ser fiel a si mesmo e a própria dignidade. A verdadeira pessoa crente não se caracteriza pela covardia, pela resignação, mas pela audácia e criatividade”(Pagola, 2013b, p.123-124). Mesmo encontrando forças contrárias, o cristão sabe que, mais cedo ou mais tarde, a perseguição do anti-Reino chega: pelas ameaças, pela indiferença, pela omissão, pelos braços cruzados por não apoiar, por deixar tudo como está, “O ser humano precisa encontrar uma esperança definitiva e uma força que dê sentido à sua luta diária. Precisa descobrir uma ação para viver, uma confiança para morrer”, diz Pagola(id., p.125) E terá a certeza de que, na prestação de contas diante de Deus, conta com Jesus: “Eu darei testemunho dele diante do Pai que está nos Céus”.

Não Temer Conflito

“Não pensem que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada”(v.34); diante desta afirmação, a fé  nos questiona: a palavra meditada e o pão partilhado em nossas comunidades, tem nos dado coragem para agir no mundo com testemunho profético e cristão?  Como nos tornar defensores e promotores da Vida e da Paz numa sociedade carregada de ódio, feminicídio, racismos, relações do patriarcado, agressão a natureza e aos povos originários, aporofobia (rejeição aos pobres), violências diversas?

Diante desta realidade somos chamados/as a ser discípulos/as de Jesus na construção de novas relações para o bem-estar de toda a Criação e futuro do Planeta.

Canto:/:A verdade vos libertará, Libertará:/  –   De Antonio Cardoso.

Leonides Ana Marsaro – Chapecó/SC – Coordenação CEBI/SC.
Lindolfo Luiz Welter – Chapecó/SC-  CEBI  Região  Chapecó/SC.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

ANO LITÚRGICO - APOSTILA

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quarta-feira, 7 de junho de 2023

QUERO MISERICÓRDIA E NÃO SACRIFÍCIO: REFLEXÃO

Imagem: cebi.org

Amados e amadas em Cristo, vamos juntas refletir o texto do Evangelho de Mt 9,9-13,18-26. Estamos no Tempo Comum, que se estende do fim do ciclo pascal (terminado no domingo de Pentecostes) até o início do Advento, somando 28 a 30 semanas. Esse tempo após Pentecostes, os textos bíblicos lembram a continuação das obras salvíficas de Deus e chamam as pessoas a ser seguidoras de Jesus Cristo por meio de suas palavras e ações. Os textos chamam a atenção para a prática correta da vontade de Deus. O simples cumprimento da lei não implica “fazer” a vontade de Deus. A ortopraxias é uma chamada para que as pessoas se relacionem com Deus em fé e serviço, em que as ações sejam realizadas por amor a Deus e ao próximo que sofre.

A primeira parte, nos revela o amor do Pai através de Jesus, com suas atitudes de misericórdia e bondade, não somente perdoa os pecados, mas transforma o pecador em discípulo. Chamado de Mateus, que em Marcos é denominado Levi (Mc 2.14), o texto fala que ele é um homem que trabalhava na coleta de impostos. Havia naquela época tributos diretos e indiretos. A cobrança dos impostos na Palestina era feita pelo sistema de arrendamento. O Império Romano e os governos locais terceirizavam essa atividade, arrendando-a por um ou mais anos a pessoas que pagassem antecipadamente o valor mais alto pelo conjunto de tributos e taxas que seriam cobrados em determinada região ou cidade. São pessoas ricas, que firmavam contratos arriscados e que tentavam tirar, durante o período da coleta, além do capital investido, também o seu lucro, usando, muitas vezes, artimanhas e trapaças, não muito diferente de hoje. Onde os poderosos pisam nos mais fracos, impossibilitando-os muitas vezes de lutar por sua dignidade. 

Se a primeira parte fala do chamado a conversão, da prepotência dos poderosos e nos revela a misericórdia de Deus, que todos somos seus filhos e filhas, que por mais que erramos Deus não nos abandona, a segunda parte revela a força da fé, a cura dos nossos males, que basta pedir e esperar com paciência o tempo do Pai. A ressurreição é o pano de fundo da segunda metade, quando um funcionário pede que Jesus toque sua filha, acredita que ela vai acordar. A fé e o toque de Jesus cura. E como estamos hoje? Temos essa fé madura, que nos fortalece ou continuamos sendo imediatistas?

Estamos nos preparando para sermos irmãos, irmãs que acolhem, que amam, que perdoam, que se reconhecem pecadoras. O Senhor está nos dizendo hoje: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Não adianta caminharmos senão converter o nosso coração, que saibamos acolher aqueles que o mundo despreza, aqueles a quem não olhamos com um bom olhar, que consideramos como “pessoas que não servem”. Mas são elas que servem para Deus, a elas que devemos buscar.

Maristela Bonim
CEBI-RO